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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Brasil e mais onze países assinam documento para prevenção e enfrentamento do AVC

Resultado de imagem para strokeA Carta de Gramado estabelece 16 compromissos assumidos por países da América Latina com o objetivo de melhorar a prevenção e o cuidado da doença em seus respectivos territórios

Reduzir a mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e promover a saúde mental e o bem-estar da população até 2030. Esses são os principais objetivos da Carta de Gramado, documento assinado pelo Brasil juntamente com mais 11 países da América Latina, durante o XXI Congresso Iberoamericano de Doenças Cerebrovasculares, no Encontro Interministerial Latinoamericano de AVC, em Gramado (RS). A assinatura do documento marca o mês de agosto, quando se comemora o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, nesta terça-feira (08). O colesterol alto é um dos fatores de risco do AVC.

A cooperação internacional para avançar nas estratégias de combate ao AVC foi firmada pelo Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. A doença é a segunda causa de morte na maior parte desses países. Atualmente, o Brasil é referência no tratamento do AVC para os demais países da América Latina, já dispondo de Linha de Cuidados em AVC estabelecida como política pública de saúde.

“Nós estamos de uma forma muita clara, objetiva e, principalmente, junto à Sociedade Brasileira de Neurologia verificando tudo aquilo que é necessário dentro da linha de cuidados para avançar cada vez mais no atendimento a pacientes vítimas de AVC”, explicou o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco de Assis, durante a apresentação das ações realizadas pela pasta para prevenção, tratamento e reabilitação das pessoas acometidas pelo AVC. Na ocasião, o secretário representou o ministro da Saúde do Brasil.

Carta de Gramado
Na Declaração, os países se comprometem em: proporcionar educação da população quanto aos sinais de alerta, urgência no tratamento e controle dos fatores de risco; promover ambientes seguros e saudáveis para estimular a realização de atividade física; implantar políticas para o controle do tabaco; estimular a alimentação saudável, para reduzir o consumo de sal, uso prejudicial de álcool e controlar o peso; visando diminuir a incidência de doenças cardio e cerebrovasculares.

Os compromissos também incluem estabelecer estratégias de detecção de fatores de risco tratáveis como hipertensão, fibrilação atrial, diabetes e dislipidemias; promover a atenção, visando ao controle dos fatores de risco tratáveis; organizar o atendimento pré-hospitalar, priorizando o paciente com AVC; priorizar a estruturação de centros de AVC, organizar unidades de AVC com área física definida e equipe multidisciplinar capacitada, disponibilizar tratamentos de fase aguda baseados em evidência, disponibilizar exames para investigação etiológica mínima, promover alta hospitalar para prescrição de prevenção secundária, estimular o uso de telemedicina nos hospitais sem acesso e especialista em tempo integral para orientação do tratamento agudo. O próximo passo em relação ao encontro ministerial será encaminhar a Carta de Gramado para todos os países que a assinaram para que possam implementar as recomendações estabelecidas. Acesse a íntegra do documento.

Panorama do AVC no Brasil
Anualmente doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, diabetes e câncer respondem por 74% dos óbitos e são a primeira causa de mortes no país. Estatísticas Brasileiras indicam que a doença é a causa mais frequente de óbito na população adulta (10% dos óbitos) e consiste no diagnóstico de 10% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2016 foram 188.223 internações para o tratamento de AVC isquêmico e hemorrágico no SUS. Sobre as mortes, a pasta registrou em 2016, no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), 40.019 óbitos por AVC.

Avanços no SUS
O Ministério da Saúde lançou o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que tem a expansão da Atenção Básica como uma das principais ações de enfrentamento, uma vez que nessa área é possível resolver até 80% dos problemas de saúde. O conjunto de ações do Governo Federal, com expansão do acesso a serviços de saúde, diagnóstico precoce e tratamento, além das ações de promoção da saúde, como a redução do sódio e do açúcar nos alimentos, já impacta na queda de óbitos precoce por Doenças Crônicas Não Transmissíveis, entre elas, o AVC.

Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostra uma redução anual de 2,6% da mortalidade prematura por doenças crônicas entre adultos (30 a 69 anos). Com isso, o Brasil já cumpre a meta para reduzir mortalidade por doenças crônicas parte do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil 2011-2022. A meta inicial era de reduzir as taxas de mortalidade prematuras em 2% ao ano até 2022.

Para o atendimento especializado, atualmente são 60 estabelecimentos habilitados como Centros de Atendimento de Urgência aos Pacientes com AVC. Com foco na reabilitação de pacientes com lesões neurológicas devido a doença, desde 2012, o Ministério da Saúde habilitou 203 Centros Especializados em Reabilitação (CER) em todo o país, além de 36 Oficinas Ortopédicas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Brasileiros estão deixando de se vacinar, levados por notícias falsas e falta de informação

Crenças de todos os tipos e relaxamento quanto ao risco de não se imunizar ajudam nesse quadro

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Para uns, incredulidade e indignação. Para outros, questão de liberdade e decisão individual e particular. Entre os extremos, inúmeros argumentos e questões sobre a gravidade da queda de cobertura vacinal entre os brasileiros. Tanto entre crianças e adolescentes quanto na população adulta e idosa.

Se há quem se preocupe e ande com a carteira de vacinação atualizada quanto às doses necessárias ao longo da vida, há quem tenha dificuldade de se manter em dia por causa do acesso aos locais de vacinação e por serem vítimas do descaso e despreparo de gestores impostos à saúde por força política e não por competência técnica e conhecimento. Há ainda os pais que são contra a vacinação e avisam que eles são os donos dos filhos, não o Estado. Ou seja, eles decidem o que fazer. O que não é verdade, já que o governo tem obrigação de cuidar da saúde pública (de todos os brasileiros) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069/90, com 28 anos de existência, garante o direito das crianças à saúde e torna obrigatória a vacinação.

Isso faz da decisão de não vacinar uma prática ilegal, ainda que exponha uma contradição entre o direito de as famílias ou individual dos pais de decidirem sobre a vida das crianças. No fim, a meta segura é garantir a preservação do interesse público sobre o particular. É saber que se o seu filho ficar doente e provocar ou for meio para contaminar o filho do outro, é o fim do seu direito! O que vale para quem não acredita na vacina, quem tem crença religiosa (ou outra verdade) que o impeça de vacinar ou qualquer outro movimento contrário à imunização. Há quem acredite que o próprio organismo é que tem de reagir à ameça, criar seus anticorpos. Para agravar esse quadro, muito se fala ainda sobre o rumo que o Ministério da Saúde (MS) tomou nos últimos anos ao se tornar uma instituição politizada, ou seja, com os cargos sendo distribuídos em um loteamento político em todas as esferas de governo.

Ciência e Pesquisa
A jornalista Nina de Abreu Carvalho, mãe de Mateus de Abreu Carvalho Neder Silva, de 10 anos, defende ferrenhamente a vacinação, e de todos: “Sou filha de biólogo, pesquisador e sempre me ative para as vacinas preventivas. Milhões são gastos e investidos na busca pela prevenção e cura de patologias clínicas que podem levar, inclusive, ao óbito. Cientistas levaram e levam anos de dedicação e estudos sérios para chegar a grandes invenções que podem nos garantir uma vida com a saúde equilibrada. Sou favorável ao investimento nessas pesquisas e ao uso de vacinas preventivas por acreditar que esse trabalho sério pode me ajudar a prevenir doenças e dar qualidade de vida saudável ao Mateus.”

Convicta, certa dos benefícios e da segurança, não só para o Mateus, mas para a família, Nina diz acreditar que cada uma das vacinas (paralisia infantil, caxumba, catapora, rubéola e tantas outras) “garantiram ao Mateus e a mim uma infância sem imprevistos, que poderiam nos tirar das nossas rotinas de vida saudável e da presença na escola e do trabalho”.

Infelizmente, o Brasil e o mundo estão pautados neste momento por uma discussão que gira em torno de doenças que estavam - ou deveriam estar - erradicadas e que, perigosamente, retornam: febre amarela, sarampo, poliomielite... O conhecimento e o convencimento são as armas mais poderosas, mais do que a força para fazer cumprir a lei, na luta para garantir o bem-estar da saúde de todos, ainda mais num mundo globalizado. É incrível essa discussão mais de 100 anos depois da Revolta da Vacina, insurreição popular ocorrida no Rio de Janeiro no início do século 20, quando a população foi contra a campanha da vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz, contra a varíola. Controlada a situação, é bom registrar que em pouco tempo a epidemia foi erradicada da cidade. As vacinas são seguras e não causam a doença. Os imunizantes induzem o corpo a produzir os anticorpos necessários à proteção.

Era Digital
Para complicar, em plena era digital, surgem novos obstáculos, como as famosas fake news, as notícias falsas publicadas em portais e redes sociais e as inúmeras mensagens de WhatsApp repassadas indiscriminadamente sem confirmar a veracidade das informações, uma boataria on-line sem fundamento que tem impactado, ou pelo menos tornado mais difícil, o cuidado com a saúde no Brasil e em outros países. De acordo com estudo feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as notícias falsas se espalham 70% mais rápidas que as verdadeiras, de forma mais aprofundada e abrangente. É preciso estar atento para identificar, não disseminar e não se deixar levar por dados errados porque não são verdade. Isso é fato.

Maria de Lourdes de Sousa Maia, coordenadora clínica de Bio-Maguinho/Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde (MS) e a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, avisa que “a Fiocruz está preparada para imunizar todos e que a vacina é a melhor medida para controlar doenças. Digo sempre que, mais difícil que se casar é manter um excelente casamento. Mas difícil que conseguir controlar uma doença é manter a doença sobre controle. A vacina nunca fará o mal”, alerta.

Proteção coletiva
Maioria das vacinas do calendário brasileiro exige 95% de cobertura para que a meta de erradicação, controle e prevenção das principais doenças seja alcançada

Desde 2004, o Ministério da Saúde (MS) organiza os calendários de vacinação por ciclos de vida – crianças, adolescentes, adultos e idosos. Segundo relatório recente feito pelo Unicef e Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa de cobertura entre as crianças caiu no Brasil nos últimos três anos. A tríplice viral teve queda de 15%, enquanto a vacina contra a poliomielite caiu 17%. Mas essa tendência também pode ser vista nas demais faixas etárias. Retrato que preocupa porque afeta todos, vacinados e não vacinados. Eva Lídia Arcoverde, coordenadora de imunização da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), explica que não existe um fator único para essa situação: “A baixa vacinal acumulou-se ao longo dos anos, não surgiu agora. No entanto, chegou a um ponto que coloca em risco a nossa população em relação a doenças antes controladas ou eliminadas no país”.

A coordenadora da SES-MG chama a atenção para o fato de pais que não viram determinadas doenças circularem e, por isso, acreditam que não é importante vacinar seus filhos ou acabam deixando para depois. “Tem ainda a questão do acesso à sala de vacina, que geralmente funciona só em horário comercial, quando os pais estão trabalhando. Por isso, é preciso uma revisão dos municípios para atendimento fora do horário, maior flexibilização. Quem sabe um sábado por mês ou estender um pouco a carga horária semanal... São sugestões.”

Quanto às fake news, Eva Arcoverde condena a atitude, já que circulam e põem em descrédito a ação da vacinação. “O pior é que colocam dados de estudos e científicos que dão falsa veracidade e a população acredita.” Quanto à situação de Minas, maior estado em número de municípios, há agravantes para a baixa vacinal como “o difícil acesso de moradores da zona rural, inclusive em informação, e mesmo os que vivem na região metropolitana há quem more em regiões sem posto de saúde e precisam pagar pela condução, e nem sempre têm dinheiro. E pensem nos obstáculos da região Amazônica, a questão da acessibilidade...” Enfim, fato é que cada um enfrenta problemas, mas todos têm de assumir o protagonismo de buscar o melhor caminho para se prevenir contra doenças que têm vacinas à disposição.

Sistema Nominal
Eva Arcoverde destaca os principais focos de luta da vacinação atualmente: “O primeiro é lidar com os grupos antivacina. Apesar de não impactar dentro do nosso estado, há pessoas contra a vacina e que acreditam que ter a doença fortalecerá o sistema imune. Mesmo com a história mostrando que a vacina previne e, caso a pessoa tenha a doença, será da forma mais branda. Em segundo, a informação. Antes, a cobertura vacinal era fundamentada em dados administrativos referentes a doses aplicadas, metodologia que também pode apresentar imprecisões, mas tem menor exigência. Agora, o sistema é nominal, requer dados pessoais que podem afugentar quem não quer informar. A terceira questão que chama a atenção são as campanhas. Temos duas grandes, a da influenza, geralmente em abril, e a de multivacinação (de atualização) em agosto ou setembro, que alerta sobre a importância de todas as vacinas. Alguns reclamam que faltam campanhas para uma doença específica, mas é preciso saber que, epidemiologicamente, não há necessidade. Os postos ofertam 19 vacinas”.

Conforme Eva Arcoverde, tanto as crianças quanto os adultos precisam estar com a vacinação em dia. “O cartão de vacina é um documento. E os adultos têm de se vacinar também e não só levar os filhos. Atualmente, quatro vacinas são recomendadas aos adultos: hepatite B, febre amarela, tríplice viral e dupla adulto (difteria e tétano). Quanto aos pais que não levam os filhos, lembrem-se de que não têm o direito de negar a vacina. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), são vistos como negligentes e sofrerão penalidades. O Estado pode obrigá-los, sim, porque ele não vacina pela proteção do indivíduo, mas pela coletividade. O papel do governo é proteger toda a população. Todos somos responsáveis e responsabilizados.”


Saúde Plena

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Saúde ocular: cuidados devem ser frequentes

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Shutterstock
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 285 milhões de pessoas estão visualmente prejudicadas no mundo

O Dia Mundial da Saúde Ocular, comemorado em 10 de julho, foi criado para chamar a atenção sobre a importância dos cuidados com os olhos e para alertar a população sobre a cegueira e outros problemas que podem trazer riscos para a visão. A prevenção deve ser frequente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 60% a 80% dos casos de cegueira em todo o mundo são evitáveis e tratáveis se o acometido receber tratamento correto no tempo certo.

Estimativas da OMS mostram que 285 milhões de pessoas estão visualmente prejudicadas. “A visão é o sentido responsável pela maior parcela de interação com o mundo. A cegueira é reconhecida como um dos principais temores e redutores da qualidade de vida em geral. Além disso, diversas doenças oftalmológicas são indolores e silenciosas, apresentando sinais apenas em estágios avançados. Cuidados com os olhos e visitas regulares ao oftalmologista ajudam a garantir uma boa saúde ocular”, orienta o oftalmologista do Hospital de Olhos (H.Olhos), Dr. Ibraim Viana Vieira.

Atenção desde sempre
Os cuidados com a visão começam cedo. A primeira visita ao oftalmologista deve ser feita nos primeiros meses de vida para descartar a presença de doenças congênitas. Depois disso, consultas anuais são recomendadas até os sete anos de idade. Nessa fase, o sistema visual está em processo de formação e pequenas alterações podem levar a danos permanentes na qualidade da visão. “Entre 8 e 14 anos de idade, os erros de refração, como a miopia (dificuldade de enxergar objetos que estão longe) e a hipermetropia (dificuldade de enxergar objetos que estão próximos), são os problemas que normalmente acometem as crianças e os pré-adolescentes. Na fase adulta, a partir dos 40 anos de idade, outras doenças começam a se tornar mais frequentes. Marcadamente, a presbiopia (vista cansada) se desenvolve nessa idade, dificultando a visão de perto. Chegando na faixa etária dos 50 anos, aumenta-se o risco de duas doenças oculares. O glaucoma é a mais grave; provoca lesão nas fibras do nervo óptico e, se não tratado, pode levar à cegueira. A catarata também pode aparecer. A patologia causa a opacificação do cristalino (lente natural do olho), que resulta em uma diminuição progressiva da visão. Após os 60 anos, além de maior incidência de catarata, alguns indivíduos podem apresentar sinais de degeneração da mácula, que é a região de maior capacidade visual da retina”, explica o Dr. Vieira.

De acordo com o oftalmologista e diretor clínico do Hospital de Olhos de São José do Rio Preto (SP) – (HORA), Dr. Carlos Eduardo Cury Júnior, existem alguns exames preventivos que devem ser realizados, como o de refração (exame de óculos), lâmpada de fenda (biomicroscopia), medida da pressão intraocular e o exame de fundo de olho. “Existem ainda exames complementares indicados quando há suspeita de alguma doença. São eles: campo visual, retinografia, topografia da córnea, ultrassom, tomografia da retina, etc. É muito importante saber se existe algum histórico familiar de doença ocular, como glaucoma ou catarata, realizar avaliação oftalmológica periódica (uma vez ao ano), usar óculos com proteção UV, ter boa alimentação, praticar exercícios físicos, controlar possíveis doenças que afetam a visão (diabetes e hipertensão arterial) e tratar eventuais doenças oculares”, explica o Dr. Cury Júnior.

A cegueira pode ser irreversível em muitos casos, já que o olho é um órgão que não pode ser transplantado por inteiro. “Muitas doenças que levam à perda total da visão, quando diagnosticadas precocemente, são controladas e evitam a cegueira. Os cuidados começam no nascimento, com o Teste do Olhinho, e devem ser mantidos durante a vida toda, porque os olhos são as janelas para o mundo”, comenta o médico retinólogo referência na América Latina e sócio da unidade do Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) – (HOB), Dr. Sérgio Kniggendorf.

Vitaminas para prevenção
Um estudo realizado recentemente pelo King’s College London, na Inglaterra, confirmou os benefícios da vitamina C na defesa dos olhos. Durante uma década, 324 pares de gêmeas com idades entre 50 e 83 anos de idade foram acompanhadas, e a velocidade de progressão da catarata foi medida com fotos do cristalino. As voluntárias também preencheram um questionário alimentar, com informações sobre ingestão de nutrientes, e os dados revelaram que em mulheres com maior consumo de ácido ascórbico (vitamina C) houve redução de 33% no ritmo de evolução da catarata.

Outro ponto importante do estudo sugere que a ingestão de vitaminas e minerais contribuiu para a catarata não se desenvolver, porém, o manganês e a vitamina C reduziram em 19% a probabilidade da doença.

Segundo o Dr. Vieira, o nutriente mais importante para a visão é, sem dúvida, a vitamina A. “Ela é essencial para o ciclo dos fotorreceptores, células da retina que possibilitam a visão. A deficiência desse micronutriente pode causar xeroftalmia (olho seco), redução da visão no escuro e, nos piores casos, cegueira. A luteína é uma substância ‘parente’ da vitamina A e ajuda a reduzir o risco de degeneração macular. O ômega-3, apesar de alguma controvérsia, melhora a qualidade da lágrima e reduz os sintomas de olho seco”.

Já o Dr. Cury Júnior diz que estudos demonstram que o ômega-3 auxilia no tratamento do olho seco e as fórmulas que contêm antioxidantes (vitaminas A , C, E e zinco, zeaxantina e luteína) preservam as células da retina contra a degeneração.

Glaucoma: doença silenciosa
O glaucoma constitui um grupo de doenças oculares que “rouba” a visão e geralmente no estágio inicial não produz qualquer sintoma. De acordo com a OMS, a doença é a primeira causa de perda irreversível da visão no mundo, tendo registrado 2,4 milhões de novos casos recentemente. Já no Brasil, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) estima que 1 milhão de homens e mulheres convivam com o problema.

“O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico causando a perda irreversível de suas fibras nervosas. Geralmente, está associado a um aumento da pressão intraocular e pode ser desenvolvido desde o período intrauterino, porém, é mais incidente a partir dos 60 anos de idade”, revela o Dr. Cury Júnior.

De acordo com o especialista em cirurgia refrativa, catarata e glaucoma, e membro da American Academy of Ophthalmology e da International Society of Refractive Surgery, Dr. Marco Olyntho Júnior, na doença, a perda da visão é provocada por danos ao nervo óptico, que simbolicamente representa um cabo elétrico com milhões de fios que se conectam aos fotorreceptores, que são as estruturas responsáveis por transformar o que se enxerga em impulsos elétricos. “Estes impulsos são conduzidos pelo nervo óptico até a região posterior do cérebro, que é a região responsável pelo processamento das imagens recebidas pelo olho. Ainda não se sabe ao certo o que causa o glaucoma, nem existe um tratamento específico. Através da análise do nervo óptico no exame oftalmológico ou com o uso de exames que medem o campo visual e a sensibilidade dos fotorreceptores é possível diagnosticar e avaliar a progressão da doença, que acomete inicialmente a periferia da visão, por isso dificilmente o paciente percebe seu início; progressivamente as fibras nervosas, ou seja, os fios que formam o nervo óptico, começam a morrer e consequentemente perdem a capacidade de transmitir as imagens para o cérebro”.

O glaucoma apresenta diversas formas de desenvolvimento, acometendo crianças na sua forma congênita, associado a outras doenças oculares; por transmissão familiar e pelo envelhecimento. “A melhor forma de controlá-lo é com o diagnóstico precoce e tratamento adequado. O glaucoma pode ser tratado com sucesso, mas a detecção antecipada é vital”, orienta o Dr. Olyntho Júnior.

DMRI apresenta baixa de visão progressiva
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) acomete a área central da retina, chamada de mácula, e evolui com baixa de visão progressiva. “O tecido da retina vai perdendo progressivamente suas células. A doença afeta de maneira crescente os pacientes a partir dos 60 anos de idade e até 20% das pessoas acima dos 80 anos”, diz o Dr. Cury Júnior.

Segundo o chefe do setor de retina do Hospital de Olhos (H.Olhos), Dr. Antonio Sérgio Leone, a DMRI ocorre com a degeneração de células responsáveis pelo metabolismo retiniano e tem como consequência a perda da função das células fotorreceptoras. “Afeta os olhos com a perda da região mais nobre da retina, que é a região macular. Estima-se que aproximadamente 30 milhões de pessoas são afetadas no mundo pelos vários estágios da doença”.

O tratamento da DMRI depende das fases da doença. “No início do quadro é possível a administração de complexos vitamínicos com elementos específicos para a nutrição retiniana. Quando o quadro evolui, com sangramentos intra ou sub-retinianos, o tratamento requer o uso de medicamentos de aplicação intraocular. Estudos genéticos e de segmentos populacionais permitem agrupar as pessoas com mais riscos de ter a doença, por isso a presença de familiares com o problema merece atenção dos demais. Alguns hábitos são associados à patologia, como tabagismo e exposição excessiva à luz ultravioleta”, revela o Dr. Leone.

Olho seco pode estar associado a fatores ambientais
A síndrome do olho seco é provocada por alterações na composição ou produção das lágrimas, prejudicando a lubrificação dos olhos. “Olho seco é uma doença multifatorial das lágrimas e da superfície ocular (pálpebras, conjuntiva e córnea) que causa sintomas de desconforto, alterações visuais, instabilidade do filme lacrimal e está associada à hiper-osmolaridade do filme lacrimal e à inflamação da superfície ocular. No último consenso sobre a síndrome do olho seco (DEWS 2017) foram acrescentadas as alterações neurossensoriais”, explica a especialista em córnea e doenças oculares externas do H.Olhos, Dra. Luciana Olivalves.

O olho seco pode ocorrer por deficiência de lágrima, por evaporação da lágrima ou por uma associação dos dois fatores. “Existe uma alteração inicial no filme lacrimal, quantitativa e/ou qualitativa, que, associada aos fatores ambientais, variações hormonais e condições sistêmicas, desencadeia o quadro de olho seco. Estudos epidemiológicos indicam que mulheres e idosos possuem maior risco para o problema. Doenças sistêmicas como artrite reumatoide, diabetes e alterações da tireoide elevam o risco para desenvolver olho seco. Os usuários de lente de contato e de medicações sistêmicas como anti-histamínicos, anti-hipertensivos, antidepressivos e reposição hormonal apresentam sintomas de olho seco com maior frequência. A prevalência da doença varia consideravelmente, dependendo da população avaliada e fatores associados. A incidência é similar em todo o mundo, com taxas variando entre 7% e 33%”, comenta a Dra. Luciana.

Segundo ela, as lágrimas artificiais ajudam a melhorar o filme lacrimal, tanto na quantidade como na qualidade da lágrima, dependendo da sua composição. “Se for olho seco de grau leve, o ideal é usar as lágrimas artificiais quatro vezes ao dia, associadas à pomada ou gel lubrificante à noite, antes de deitar. Se for moderado, as lágrimas artificiais devem ser sem preservativos, para que possam ser usadas várias vezes ao dia. Muitas vezes há necessidade de utilizá-las em conjunto com anti-inflamatório tópico.

Conjuntivite: casos aumentam no inverno
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente e rica em vasos sanguíneos que reveste o globo ocular. Existem vários tipos de conjuntivite: as infecciosas (viral, bacteriana, fúngica, parasitária), as alérgicas, as químicas e as tóxicas.

“As conjuntivites virais são de extrema importância devido ao fato de serem contagiosas e por cursarem muitas vezes de forma arrastada e com complicações importantes, decorrentes do processo viral. Em geral, ataca os dois olhos (de forma assimétrica) e pode durar de sete a 15 dias. Já as conjuntivites alérgicas não são contagiosas, mas cursam de forma crônica com exacerbações em determinadas épocas do ano, principalmente no outono e no inverno. As conjuntivites virais são contagiosas, ocorrem em surtos e não têm uma faixa etária definida”, revela a Dra. Luciana.

De acordo com o Dr. Cury Júnior, o problema é acentuado no inverno, já que a transmissão se dá pelo contato. “É nessa época do ano que as pessoas ficam agrupadas em ambientes fechados”.

De janeiro até o dia 19 de maio de 2018, a capital paulista registrou aumento de 769% no número de surtos de conjuntivite. Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), foram notificados 200 surtos de conjuntivite, com 804 casos. No mesmo período de 2017, foram 26 surtos com 102 casos.

Catarata é reversível e deve ser tratada com cirurgia
A catarata é a maior causa de cegueira reversível no mundo. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o número de cirurgias de catarata no Brasil chega a mais de 700 mil por ano.

“O cristalino é uma lente natural que temos dentro do olho; quando essa lente fica opaca, chamamos de catarata. Pode ser congênita, traumática ou da forma mais comum, que aparece com a idade, após os 50 anos de idade, com o envelhecimento natural do cristalino. Todos terão catarata e a idade varia de acordo com a genética de cada um. A doença é a causa mais comum de cegueira reversível, independentemente do grau de evolução. Quando tratada cirurgicamente, a visão retorna ao normal se não houver outras doenças no olho”, diz o Dr. Kniggendorf.

domingo, 29 de julho de 2018

Três sintomas de pedra nos rim que você não deve ignorar

Imagem relacionadaÉ possível que você esteja com uma pedra no rim e nem tenha percebido

Muitas vezes, quando o cálculo está alojado nesse órgão, não há sintomas ou dor, e o problema só é percebido após um exame de ultrassom ou tomografia.

Mas, quando a pedra se desloca para outras partes do corpo, como a bexiga, o canal da uretra, o ureter ou até a região dos testículos, há sinais que podem fazer com que você descubra --de forma não muito agradável -- que sofre de cálculo renal.

Portanto, ao perceber alguns dos três sintomas abaixo, é bom não ignorar e procurar um urologista, pois a pedra, além de crises de cólica e vômitos, pode causar dores extremas na região da uretra e sangramentos internos, que podem, em casos extremos evoluir para uma infecção ou um tumor.

Tem sangue na sua urina
A presença de sangue na urina, ou hematúria, ocorre por diferentes problemas e não é exclusivamente ligada ao cálculo renal. Mas a relação existe. “Como os rins 'filtram' o sangue, alguns problemas, como o o cálculo, podem fazer com passe glóbulos vermelhos por esses órgãos", explica Roberto Santos, médico e professor de urologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Além disso, se a pedra se deslocar para o canal da uretra, pode causar dano na estrutura do trato urinário e lesar vasos sanguíneos. "Nesse caso, a presença de sangue na urina pode ser visível ao olho nu ou somente nos exames.”

As idas ao banheiro aumentam
Se de uma hora para outra você passou a ir muito mais vezes ao banheiro, sem ter feito grande mudança na hidratação, pode ser sinal de que algo está errado com sua bexiga, como uma pedra que começou a se "movimentar". "Esse deslocamento costuma ser acompanhado de dor", aponta Alex Meller, urologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode haver diminuição no fluxo urinário.

Vale ressaltar que muitas coisas podem aumentar a frequência com que você faz xixi, como a quantidade de água que você toma e o consumo de cafeína --presente no café, em alguns chás e refrigerantes. Portanto, é importante verificar se não houve mudança de hábitos antes de se preocupar.

Dores insuportáveis apareceram
Muitos dizem que a dor de uma pedra mudando de lugar chega a ser tão forte quanto a do parto. Quando o cálculo renal se desloca para a bexiga ou pelo canal da uretra, é comum sentir uma dor lombar aguda, unilateral, que tende a se deslocar para as partes mais baixas do abdome. Em alguns casos, os homens também sofrem um desconforto nos testículos e as mulheres, nos grandes lábios. Além da dor, o quadro pode ser acompanhado de problemas intestinais, náuseas e vômitos.

Quem pode ter?
Segundo os especialistas, o cálculo renal tende a afetar mais homens do que mulheres. A maior incidência é em jovens na casa dos 20 anos, e está ligada à baixa ingestão.

Fontes: Alex Meller, urologista e médico assistente do Grupo de Endourologia e Litíase Urinária da Unifesp; Fernando Gonçalves de Almeida, professor livre-docente pela Universidade da Califórnia (UCLA), urologista do Hospital Sírio Libanês e chefe do setor Miccional, Urologia Feminina e Urodinâmica da Unifesp; e Roberto Santos, professor doutor da especialidade urologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Campus Caruaru.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Saúde do Homem

Você sabia que 31% dos homens brasileiros não têm o hábito de ir ao médico e, quando o fazem, 70% tiveram a influência da mulher ou de filhos?

Esse pode ser um dos motivos que explicam o porquê de homens viverem em média, sete anos a menos que as mulheres. Homens, hora de cuidar da saúde!

Blog da Saúde

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Imunobiótico: nova droga promete acabar com bactérias resistentes a antibióticos

Resultado de imagem para imunobioticosMedicamento atua perseguindo bactérias letais a partir das defesas naturais do organismo para eliminá-las sem afetar as células saudáveis do corpo

A cada novo estudo a imunoterapia ganha mais destaque entre as alternativas para combater o câncer. Inspirados na técnica, pesquisadores da Universidade de Lehigh, na Pensilvânia, decidiram criar um novo tipo de droga, o imunobiótico, que promete eliminar bactérias resistentes a antibióticos.

Na imunoterapia, ao usar substâncias que modificam a resposta biológica, o sistema imunológico é estimulado a agir contra as células cancerígenas. Já o imunobiótico persegue e elimina bactérias resistentes a antibióticos comuns, envolvendo as defesas naturais do corpo.

Para criar o novo medicamento, foi preciso fundir parte de um antibiótico existente com uma molécula que atrai anticorpos liberados pelo sistema imunológico para combater invasores, como bactérias.

A droga tem como alvo uma variedade de bactérias responsáveis ​​por doenças como pneumonia e intoxicação alimentar, incluindo aquelas que muitas vezes se tornam resistentes a antibióticos de última instância.

“A inspiração veio principalmente do recente sucesso da imunoterapia contra o câncer”, declarou Marcos Pires, que liderou o estudo publicado na revista Cell Chemical Biology.

A imunoterapia contra o câncer , que Pires descreveu como “revolucionária” para os pacientes, também aproveita o poder do sistema imunológico, mas destrói as células cancerosas em vez das bactérias. A equipe queria descobrir se o sistema imunológico poderia ser usado para ajudar os antibióticos a trabalhar de forma mais eficiente.

Os cientistas testaram o novo composto em uma série de bactérias declaradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de “alta prioridade”, porque não há quase nenhum medicamento existente que funciona contra elas.

Entre elas estavam Pseudomonas aeruginosa , uma causa comum de pneumonia em pacientes com câncer, vítimas de queimaduras e pessoas com fibrose cística. Foram feitos testes em vermes nematóides infectados com Pseudomonas, e os resultados mostraram que a droga atingiu com sucesso e eliminou as bactérias.

Ao aderir às bactérias, a droga pode infligir danos diretos enquanto age como um farol para os anticorpos que chegam em massa para terminar o trabalho. No corpo, as bactérias que ficam cobertas de anticorpos são destruídas pelos glóbulos brancos.

Os pesquisadores basearam seu composto em um antibiótico de último recurso existente chamado polimixina, que danifica a superfície externa das células bacterianas, fazendo-as explodir e morrer.

Evidências crescentes sugerem que esta última linha de defesa antibiótica está sob ameaça, o que significa que há uma necessidade urgente de novos antibacterianos.

A nova droga imunobiológica se liga a moléculas na superfície de bactérias que não são encontradas em células humanas. Embora a substância ainda não tenha sido testada em humanos, os pesquisadores não observaram sinais de toxicidade quando foram testados em células animais.

“Acreditamos que a diferença expansiva na composição celular entre células bacterianas e células saudáveis ​​fornecerá a janela de seletividade necessária para atingir as células bacterianas sem afetar as células humanas saudáveis”, declarou Pires.

Após o teste da nova droga em combinação com um antibiótico existente ao qual as bactérias já eram resistentes, os pesquisadores descobriram que as bactérias resistentes a antibióticos foram re-sensibilizadas da droga para o outro antibiótico.

iG

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Saúde Crônica: Precisamos falar sobre o suicídio

suicidioO vento soprava gelado naquela manhã. Sentado no ponto, enquanto aguardava o ônibus, eu observava a forma como a brisa balançava suavemente as folhas da árvore em frente

A cor azulada no início do dia contrastava com o amarelado das plantas secas e ajudava a tornar aquela paisagem bucólica, me fazendo pensar ainda mais no acontecimento dos últimos dias, o que deixava minha boca seca e com o amargo gosto da tristeza.

Há exatamente uma semana, às oito e meia da manhã, eu estava no trabalho pronto para escrever uma reportagem. Foi quando recebi a notícia que um colega havia se suicidado. Isso me atingiu como um raio. Fiquei tonto e precisei de uns minutos para tentar entender, mas foi em vão. Continuei perdido. Eu estava em choque!

Não conseguia acreditar que aquele rapaz novo, sempre sorridente e brincalhão havia tirado a própria vida. Busquei na memória por algum indício que ele pudesse ter deixado escapar e que o levasse a esse triste fim. Talvez ele tivesse dito uma palavra, algum pedido de ajuda silencioso, mas não fui capaz de encontrar nada. E aquilo me marcou. Será que eu ou outra pessoa poderia ter feito alguma coisa para ajudar?

Enquanto me sentava em uma cadeira mais afastada no ônibus, mantive a visão das folhas que balançavam. Já escrevi algumas reportagens sobre suicídio e sei que existem inúmeros motivos que podem levar uma pessoa a tirar a própria vida. Nenhuma que eu ache justificável, mas as razões estão lá. A depressão é uma delas, pois causa uma tristeza que dificulta ações simples como levantar da cama, comer, trabalhar ou estudar.

Eu entendo que por séculos o suicídio foi um assunto de certa forma proibido, por se acreditar que poderia influenciar outras pessoas. Essa ideia, chamada de “Efeito Werther”, vem do fato de que muitas pessoas tiraram a vida depois de ler o livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, do alemão Goethe, e assim se formou a ideia de que quanto menos o suicídio for exposto, menos ele pode influenciar outras pessoas.

Mas precisamos falar disso! Precisamos de informações sérias, corretas e sem glamour! Atualmente onze mil pessoas decidem tirar a vida no Brasil. E esse número está crescendo a cada ano. Por isso, o suicídio precisa ser discutido seriamente. É um problema real e não pode ser escondido nem das crianças. Nos últimos 10 anos o suicídio de crianças entre 10 a 14 anos aumentou 31%, e nos jovens de 15 a 19 anos, subiu 26%.

A maioria dessas mortes tem sinais claros e o primeiro passo para evitar que uma pessoa tire a própria vida é estar atento aos sinais verbais e comportamentais que ela dá. O sentimento de culpa por não ter visto esses sinais mata um pouco cada uma das pessoas que amam quem se foi. E vamos esquecer o mito de que quem fala sobre suicídio não tem coragem de concretizá-lo. Em muitos casos, a pessoa que passa por problemas e tem pensamentos extremos que podem levar ao suicídio, pode ser ajudada com uma conversa. E hoje, tudo que eu queria era ter conseguido, era conversar com meu colega...

De Janary Damacena, para Blog da Saúde

Nova vacina da gripe será universal e apenas uma dose vai valer para a vida toda

Resultado de imagem para vacina universal contra a gripeMesmo as diferentes cepas dos vírus da gripe apresentam semelhanças e isso permitiu que uma pesquisadora criasse a vacina universal

As campanhas de vacinação contra a gripe, que se repetem ano a ano, logo chegarão ao fim. Em pouco mais de três anos, será possível se proteger contra a gripe apenas com uma vacina universal, que atua contra maioria das cepas do vírus influenza, e poderá substituir os imunizantes revisados aplicados atualmente antes de cada período de inverno.

Esse novo tipo de vacina contra a gripe foi desenvolvido pelo Instituto Weizmann de Ciência, localizado em Israel. A responsável, a pesquisadora israelense Ruth Arnon, explicou ao Viver Bem, via e-mail, que o imunizante universal foi criado a partir de um conceito nem sempre percebido pelos pesquisadores da área da saúde: embora as cepas do vírus da gripe sofram mutações entre as estações mais frias do ano (e por isso que a vacinação anual é recomendada pelos médicos), algumas partes do vírus permanecem iguais.

“A vacina que nós desenvolvemos se baseia nos peptídeos sintéticos que correspondem a essas regiões conservadas dos vírus. Essas partes induzem uma resposta imunológica contra várias cepas do vírus influenza e, portanto, promovem uma proteção de amplo alcance, atuando como uma vacina contra a gripe universal”, explica a pesquisadora do departamento de Imunologia do Instituto Weizmann de Ciência.

Testes eficazes

O desenvolvimento da vacina está prestes a entrar na fase 3 da pesquisa clínica, que se inicia em julho ou agosto deste ano na Europa, e continuará até o próximo ano. Na fase 2, o imunizante foi testado em jovens adultos e idosos acima dos 65 anos e trouxe resultados muito positivos. “Se a pesquisa clínica for bem sucedida, a vacina estará disponível em dois ou três anos, contando a partir de agora”, completa Arnon.

A tecnologia da nova vacina foi licenciada pela empresa BiondVax, que tem finalizado o desenvolvimento do imunizante. Uma vez pronta e caso haja interesse na distribuição, a vacina poderá passar pela aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ser, então, distribuída aos brasileiros.

Proteção por décadas

De acordo com a pesquisadora Ruth Arnon, a vacina universal contra a gripe se apresentou como eficiente durante vários meses no modelo animal (o que representa um período de meia da vida entre os ratos). A expectativa para os humanos é que a vacina mantenha a proteção por vários anos, da mesma forma como a vacina contra o tétano, por exemplo.

Gripe x resfriado
Os sintomas de um resfriado tendem a ser mais brandos que os da gripe, mas nem sempre conseguem ser diferenciados pelo paciente, que às vezes confunde uma doença com a outra. Enquanto o resfriado se recupera em poucos dias, gripe mantém a pessoa na cama por mais tempo. Confira abaixo as diferenças:

Gripe:
  • Início repentino e com duração de duas a três semanas;
  • Dores musculares intensas, febre alta, mal estar e dor de cabeça;
  • Nariz congestionado com coriza e dor de garganta são mais raros;
Resfriado:
  • Início gradual, com duração de poucos dias;
  • Raramente apresenta febre alta ou dor de cabeça, mas apenas um mal estar geral;
  • Nariz congestionado com coriza e dor de garganta são mais comuns;

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Combinação de medicamentos pode aumentar sobrevida de pacientes com melanoma

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Foto: Shutterstock
Estudo foi desenvolvido pela Pierre Fabre e Array BioPharma

O melanoma é o câncer de pele mais agressivo, sendo o melanoma metastático o mais grave e potencialmente falta, associado a baixas taxas de sobrevida, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Para ajudar esses pacientes, foi desenvolvido o estudo Columbus (desenvolvido pela Pierre Fabre e Array BioPharma), que tenta provar que a combinação de dois fármacos é benéfica contra a doença. “Temos o prazer de apresentar esses novos dados que se baseiam em análises dos dados do Columbus e reforçam nossa crença de que o encorafenibe e o binimetinibe podem ser uma nova opção de tratamento promissora para pacientes com melanoma avançado BRAF-mutado”, afirmou o professor do Departamento de Dermatologia da Universidade de Zurique e principal investigador e autor do estudo, Dr. Reinhard Dummer.

Columbus é um estudo multicêntrico, randomizado, aberto de fase III em pacientes com melanoma avançado/metastásico com BRAF-mutado. Ele mostrou sobrevida global mediana de 33,6 meses entre aqueles tratados com encorafebine e binimetinibe, comprado aos 16,9 meses para os pacientes que receberam vemurafenibe em monoterapia.

Fonte: Assessoria de Imprensa Pierre Fabre (Kubix Estratégia & Comunicação)

‘Aposentadas’ por antibióticos, larvas de mosca voltam a ser usadas para tratar feridas crônicas

No tratamentos atuais, larvas estéreis ficam de 24 a 48 horas nas feridas
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Uma antiga forma de tratamento de feridas crônicas, que havia sido descartada com o surgimento dos antibióticos, está voltando a ser usada em alguns hospitais dos EUA, Europa e América Latina

No Brasil, ela vem sendo pesquisada em algumas universidades e é aplicada rotineiramente em pelo menos um hospital, o Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se da terapia larval ou larvoterapia, que, como o nome sugere, é o uso de larvas, no caso de moscas, para a cicatrização de ferimentos que resistem à cicatrização.

Elas agem na ferida por meio de quatro mecanismos: removem o tecido necrosado (morto), rompem o biofilme bacteriano (uma comunidade de microrganismos extremamente organizada que interfere muito no processo de reparação da ulceração), promovem o crescimento de tecido sadio e eliminam bactérias que causam a infecção. Apesar de parecer repulsivo para muita gente, o tratamento tem se mostrado em alguns casos mais eficiente do que os medicamentos e cicatrizantes tradicionais.

“Todos os nossos pacientes que usaram a terapia apresentaram melhora significativa do processo infeccioso, tiveram suas feridas ‘limpas’ com rapidez, relataram que o odor (mau cheiro) da lesão desapareceu nas primeiras aplicações”, garante Julianny Barreto Ferraz, enfermeira presidente da Comissão de Curativos do HUOL, onde o procedimento é usado desde 2012. “Usamos as larvas da mosca da espécie Chrysomya megacephala, encontradas em todo o território brasileiro”, diz.

Em São Paulo, a pesquisadora colombiana Andrea Diaz Roa, doutoranda no Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vem realizando, desde 2015, pesquisas com larvas de outra espécie, a Sarconesiopsis magellanica. “Nos hospitais dos Estados Unidos e de alguns países na Europa e da América Latina, a mosca utilizada para tratamento de feridas crônicas de difícil cicatrização é a Lucilia sericata“, conta. Ela explica que ulcerações crônicas são aquelas que permanecem inflamadas por mais de seis meses sem cicatrizar. É o caso, por exemplo, das lesões provocadas por leishmaniose ou aquelas conhecidas como pé diabético que, muitas vezes, resultam em amputação.

Terapia antiga, abordagem nova
Ao contrário do que ocorria antigamente, a terapia larval moderna é feita em condições de assepsia muito melhores. As moscas são criadas em laboratório e colocam seus ovos sobre material orgânico. As larvas estéreis são colocadas no interior das feridas, onde permanecem por 24 a 48 horas. Utilizam-se em média 20 delas por centímetro quadrado. “O ferimento é coberto durante o procedimento e lavado depois da retirada das larvas”, explica Andrea. “Dependendo do caso, uma única aplicação é suficiente. Elas se alimentam apenas da parte necrosada da lesão.”

Antes de vir fazer seu doutorado no Brasil, Roa utilizou em seu país larvas em muitos pacientes com problemas de feridas crônicas, com bons resultados e sem necessidade de amputações. “Usei também em coelhos com diabete induzida e ferimentos provocados, também com bons resultados”, revela. “Esse trabalho foi feito durante o meu mestrado, sob orientação de professores e médicos colombianos”. No Brasil, seu orientador é o pesquisador científico do Instituto Butantan, Pedro Ismael da Silva Jr. “Iniciamos uma nova fase do trabalho”, diz ele. “Durante a terapia, as larvas, além de removerem os tecidos mortos, liberam várias substâncias envolvidas na cura e cicatrização. Algumas delas são peptídeos (pequenas moléculas) antimicrobianos.”

De acordo com Silva Jr., Roa veio ao Brasil para, junto com ele, isolar e caracterizar esses peptídeos antimicrobianos, que apresentam um papel importante nesse tratamento. No momento, eles já têm isolados várias dessas pequenas moléculas, mas apenas duas caracterizadas. Uma delas é a sarconesina, descoberta pela pesquisadora colombiana. O nome deriva da espécie de mosca que ela estuda (Sarconesiopsis magellanica). O objetivo agora é utilizar a sarconesina como princípio ativo de um medicamento. Por ser uma molécula relativamente pequena, ela pode ser sintetizada artificialmente em laboratório ou ser produzida por engenharia genética, introduzindo-se as bases de DNA que a codificam em uma bactéria hospedeira.

“Conhecemos sua sequência de aminoácidos, avaliamos sua atividade antimicrobiana em relação a vários tipos de bactérias e estamos cogitando apresentar um pedido de patente”, diz Silva Jr.. Mesmo com o desenvolvimento da nova droga, o uso de larvas deverá continuar, no entanto. O pesquisador do Butantan explica que os peptídeos antimicrobianos são apenas uma parte das substâncias envolvidas na cicatrização de feridas crônicas. “Eles impedem a contaminação das lesões por fungos e bactérias, permitindo a ação de outras substâncias que levam à cura e à cicatrização”, diz. “Sem contar com a parte mecânica em si, pois as larvas removem os tecidos mortos e estimulam a substituição por novos tecidos. Não podemos dizer que vamos abandoná-las em um futuro próximo.

Boa aceitação
Ao contrário do que se poderia esperar, a maioria dos pacientes aceita bem o tratamento. “A reação deles é de completa aceitação por sentirem a melhora clínica em poucos dias”, assegura Ferraz. “Uma minoria sente receio quanto ao fervilhar das larvas sobre seu ferimento, mas desde que iniciamos a aplicação no nosso hospital, nenhum (paciente) negou-se a fazer e todos, sem exceção, recomendam para outros a terapia como excelente forma de limpeza de sua ferida”. Silva Jr. tem uma possível explicação para isso. De acordo com ele, em geral as pessoas que procuram por esse tratamento sofrem com as feridas crônicas durante muito tempo. Muitos já tiveram amputações de membros e passaram por todo tipo de procedimento médico e não encontraram soluções.

“Embora possa parecer para os pacientes e familiares um método não usual e um tanto incomum – nojento para muitos – , acaba sendo uma nova possibilidade de cura”, explica. “Principalmente com os resultados positivos obtidos por quem já se submeteu à terapia larval”. O trabalho de Roa foi apresentado e premiado na 47ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular, realizada em maio em Joinville (SC). Ela acredita que o prêmio vai trazer mais reconhecimento para a larvoterapia. “Muitas vezes, é uma prática que não tem muita aceitação, pois diferentemente do remédio, a larva está viva”, diz. “A apresentação vai ajudar a dar mais visibilidade para o tema e pode quebrar preconceitos”. Os trabalhos de Andrea e Ferraz não são os únicos no Brasil.

“Já foram aplicações em pacientes diabéticos, em Petrópolis (RJ e em Pelotas (RJ), a terapia tem sido usada na área veterinária”, conta Ferraz. “Em Campinas (SP), no final do ano deverão acontecer os primeiros tratamentos, provavelmente em portadores de pé diabético. Há muitos preconceitos em cima das larvas, mas o fruto de nossas pesquisas garante que se trata de um procedimento seguro, de baixo custo e eficaz, muito oportuno para a realidade brasileira, carente de centros cirúrgicos e de profissionais da saúde em número suficiente para garantir um atendimento adequado.”

terça-feira, 17 de julho de 2018

Cresce o número de homens diabéticos no Brasil

Resultado de imagem para mans diabetesMinistério da Saúde informa que mortes em decorrência da doença também aumentaram em 11,8%; mais de 400 mil morreram entre 2010 e 2016

O percentual de homens com diabetes aumentou 54% no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Em 2006, 4,6% dos brasileiros eram diagnosticados com a doença; em 2017, esse número subiu para 7,1%. Entre as mulheres, também houve crescimento, de 28,5%, apesar do número de mulheres com a doença ser maior que o número de homens (8,1%). Os dados fazem parte da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada na quarta-feira (27).

O levantamento mostrou também que a morte por diabetes aumentou 11,8%. Mais de 400 mil pessoas morreram em decorrência da doença entre 2010 e 2016. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o número de mortes passou de 54.877 em 2010 para 61.398 em 2016.

Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), as internações tiveram queda de 8,7%: foram 148.384 em 2010 e 135.364, em 2016.

O estudo demonstrou que o diabetes aumenta com a idade, principalmente entre idosos com mais de 65 anos (24%) e é maior entre as pessoas com menor escolaridade, que frequentaram a escola por até oito anos (14,8%).

A pesquisa analisou ainda a frequência da doença nas capitais do país, que variou entre 4,5% em Palmas e 8,8% no Rio de Janeiro.

Em relação a diabetes em homens, Boa Vista é a capital que apresenta o maior percentual, de 9%. Em seguida estão Belo Horizonte (8,6%) e Porto Alegre (8,3%). Por outro lado, Palmas (3,7%), Cuiabá (4,2%) e Teresina (4,6%) dispõem dos menores valores.

Entre as mulheres, o diagnóstico de diabetes foi mais frequente em Vitória (10,3%), Rio de Janeiro (10,3%) e Recife (8,8%) e menos frequente em Palmas (5,1%), Macapá (5,2%), Florianópolis (5,6%) e São Luís (5,6%).

Diabetes é uma doença provocada pela falta absoluta ou relativa de insulina, levando à elevação dos níveis de açúcar no sangue. Essa glicose aumentada está associada à insuficiência renal crônica, doenças cardiovasculares e amputações dos membros inferiores. Em homens, também pode provocar a disfunção erétil. O tratamento visa o controle das taxas de açúcar no sangue.

O Ministério da Saúde informa que portadores da doença podem fazer o acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) já na atenção básica, onde é possível fazer o controle e tratamento com medicamentos, inclusive insulina. Já o monitoramento do índice glicêmico pode ser feito nas unidades de Atenção Básica de Saúde.

O governo ressalta que, medicamentos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas, estão disponíveis gratuitamente em 34 mil farmácias privadas em todo o país por meio do programa Aqui Tem Farmácia Popular.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

7% dos pacientes vão adquirir infecção hospitalar durante internação, aponta relatório

Resultado de imagem para infecção hospitalarNúmero sobe para 10% em países de renda média e baixa. Documento do Banco Mundial, OMS e OCDE traz panorama da assistência à saúde em todo o mundo: ‘práticas inadequadas ocorrem em países ricos e pobres’

Em países de renda alta, 7% dos pacientes internados vão adquirir alguma infecção durante a internação hospitalar. Esse índice sobe para 10% em países de renda baixa. O dado é de relatório do Bando Mundial, OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgado no dia 5 deste mês.

“Isso acontece apesar das infecções hospitalares serem facilmente evitadas com uma melhor higiene, melhores práticas de controle de infecções e uso apropriado de produtos antimicrobianos”, diz o documento. O relatório das entidades faz uma análise da assistência à saúde em todo o mundo e aponta para o custo global da má-assistência: só com erros associados à medicação, o mundo gasta US$ 42 bilhões ao ano.

De modo geral, diz o documento, erros de medicação, tratamento desnecessário ou inadequado, práticas clinicas inseguras e falta de treinamento de profissionais de saúde é uma realidade em todos os países do mundo: sejam eles ricos ou pobres.

Alguns dados que indicam a ‘má qualidade da assistência à saúde’ em todo o mundo, segundo o relatório:
1. Quase 40% dos estabelecimentos de saúde em países de baixa e média renda não têm água potável e quase 20% não têm saneamento. “As implicações para a qualidade os cuidados são evidentes”, diz o relatório;

2. Em países de renda alta, um em cada 10 pacientes têm algum efeito negativo durante o tratamento;

3. Taxas de vacinação de influenza estão baixas em países ricos: número varia de 1% a 78% (no Brasil, índice foi acima de 80%);

4. A resistência de micro-organismos a medicamentos é uma realidade em todo o mundo devido ao uso excessivo desses produtos na assistência à saúde;

5. 303 mil mães e 2,7 milhões de recém-nascidos morrem anualmente por questões relacionadas ao parto. “Muitas dessas condições seriam evitáveis”, diz o documento.

6. Cerca de 2,6 milhões de bebês nascem mortos todos os anos;

7. 7% dos pacientes em países ricos vão ter alguma infecção hospitalar. Número é de 10% em países de renda média e alta;

8. Uma proporção considerável de pacientes não recebe tratamento adequado, baseado nas melhores evidências, diz a OMS;

9. Em muitos países, há subdiagnóstico da hipertensão. Menos da metade dos adultos com pressão alta não foram diagnosticados. O tratamento varia muito: entre 7% e 61% dos pacientes que apresentaram pressão alta estão recebendo tratamento para hipertensão;

10. Pesquisa mostrou que, em países de renda média e alta, a adesão a protocolos e diretrizes ficou abaixo de 50%;

11. Estudo da OCDE mostrou que entre 19-53% das mulheres entre 50-69 anos não realizou mamografia;

12. Outro levantamento da OCDE também demonstrou que entre 27-73% das pessoas acima de 65 anos não receberam vacinação contra a gripe em países de renda média e alta.

O documento faz ressalvas quanto a melhores taxas de sobrevivência relacionadas ao câncer e a doenças cardiovasculares ao longo dos anos, mas o documento ressalta que “mesmo assim, custos econômicos e sociais do atendimento de baixa qualidade, incluindo incapacidade de longo prazo, e produtividade perdida, chegam a trilhões de dólares a cada ano.”

O que é uma boa assistência à saúde?
O relatório aponta que uma boa assistência à saúde deve oferecer tratamento certo, no tempo certo e atender às preferências e necessidades do paciente. Ao mesmo tempo, a assistência deve minimizar o dano e o uso desnecessário de recursos. As entidades sustentam que, mesmo em países pobres, o investimento em saúde deve ser prioridade, não só pelos custos sociais, mas também pelos custos econômicos.

“A construção de sistemas de saúde de qualidade é acessível para todos os países do mundo em todos os níveis de desenvolvimento. Na verdade, a falta de qualidade na saúde, é um custo que nenhum país pode pagar, especialmente os pobres”. As entidades postulam que o acesso universal à saúde só é possível com um aumento da qualidade. Esses sistemas também devem desenvolver transparência.

Um estudo feito pela OCDE feito entre 2012 e 2015 mostrou que todos os sistemas universais precisavam desenvolver mecanismos para divulgar melhor sua performance em termos de qualidade e resultado do tratamento. No Brasil, a assistência à saúde é universal — para todos os brasileiros — com o Sistema Único de Saúde.

G1

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Infecções de garganta, nariz e ouvido: conexões doloridas

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Getty Images
As infecções que acometem os sistemas respiratório e auditivo estão relacionadas e podem se tornar mais graves se não bem cuidadas. Anti-inflamatórios e analgésicos fazem parte do tratamento

Pequenos canais ligam a garganta, o nariz e o ouvido. Ainda que essa não seja uma lembrança do dia a dia, ao ter uma infecção em uma dessas regiões, fica clara – principalmente com a dor e o incômodo – a ligação entre eles. Uma dor de garganta pode, por exemplo, ser a responsável por uma infecção no ouvido.

O sufixo “ite” entre doenças significa inflamação. Crônicas ou não, as doenças que acometem o sistema respiratório e auditivo podem causar dor e incômodo, se não forem bem tratadas. Entender a diferença entre cada uma delas e como cuidar delas é essencial na orientação correta.

“Basicamente, não existem diferenças ao pensar nos agentes causadores dessas doenças, que podem ser os vírus ou as bactérias, sem se esquecer dos fungos que causam as micoses, principalmente, no conduto auditivo externo”, revela o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Dr. Cícero Matsuyama.

Porém, apesar dos causadores serem os mesmos, sintomas e tratamentos dependem de qual parte do corpo foi acometida. É aí que entra a importância de saber a diferença entre as infecções mais comuns.

As principais doenças de garganta são as rinofaringites, as laringites e as amigdalites. Ou seja, cada uma delas significa a inflamação em alguma parte do sistema respiratório: faringe, laringe ou amígdalas. Elas causam dor local, dificuldade de deglutição, febre, mal-estar, dores musculares e dor para se alimentar (por conta da passagem do alimento).

“A laringite já é um pouco diferente porque ela leva à rouquidão. Uma das características de quem tem a patologia é a tosse. Ainda que os acometidos pela amigdalite e pela faringite também possam ter tosse, a dor local é o sintoma em maior evidência”, comenta o otorrinolaringologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Danilo Anunciatto Sguillar.

Já as patologias que acometem o ouvido são as otites, que podem ser externas ou médias. As médias estão mais relacionadas ao inverno e as externas mais ao verão. Isso porque as otites externas acontecem, normalmente, pelo excesso de água no ouvido, comum quando as pessoas passam muito tempo em piscinas ou no mar, sendo consideradas doença “de nadador”.

Já as otites médias acontecem, principalmente, a partir de uma sinusite ou uma rinofaringite. A interligação entre a garganta, o nariz e os ouvidos faz com que o acúmulo de secreção corra para o ouvido médio, acumulando-se na região.

“Um dos nervos responsáveis pela sensibilidade da garganta inerva, também, o conduto auditivo externo, por isso, uma pessoa tem dor de ouvido, principalmente na deglutição, quando está acometida por uma inflamação de garganta”, complementa o Dr. Matsuyama.

Um vilão chamado inverno
De acordo com o otorrinolaringologista do Hospital Santa Catarina, Dr. José Carlos Burlamaqui, na época de inverno, quando a temperatura está instável e o ar seco, o muco fica muito espesso e acaba ficando nos seios do rosto, piorando os quadros das infecções.

“As pessoas que mais sofrem são aquelas que, imunologicamente, são mais suscetíveis, crianças pequenas e as pessoas mais velhas. Acometidos por diabetes, em sua forma muito grave, submetidos a implantes, HIV positivo com carga viral alta e obesos são outros grupos de risco”, comenta ele.

Como evitar o problema
A transmissão dos vírus é feita por meio das secreções das tosses e dos espirros. Portanto, lavar as mãos corretamente e frequentemente é essencial para não transmitir ou contrair as doenças. Além disso, ao espirrar ou tossir, é necessário proteger a boca e o nariz com lenços ou com a parte interna do braço.

“O fator imunológico está diretamente ligado às patologias. Um quadro que começa com uma amigdalite e vira bacteriano pode ocorrer por alguns motivos, como dormir pouco, se alimentar mal, o que gera uma piora do quadro. Para evitar isso, é aconselhável que o paciente beba bastante água, durma sempre no mesmo horário, alimente-se bem e tenha um estilo de vida saudável como um todo. Além disso, evitar o contato com pessoas doentes e manter os lugares arejados são atitudes que ajudam”, comenta o otorrinolaringologista da BP.

O médico explica, ainda, que os ditos populares também podem estar corretos. Dormir e sair de casa com o cabelo molhado, tomar friagem e andar descalço são exemplos de maneiras de resfriar o corpo, fazendo a imunidade oscilar. Com isso, crescem as chances do corpo ser acometido por uma doença.

Quando a pessoa já está infectada, analgésicos e antitérmicos ajudam a diminuir o incômodo. Existem, também, dois tipos de anti-inflamatórios: não hormonais e hormonais. O primeiro são os mais comuns, como o ibuprofeno e a nimesulida. Já os hormonais são os corticoides. É possível tratar as infecções de garganta e ouvido de cunho viral com os dois tipos de medicamentos.

“Os quadros inflamatórios surgem quando há um aumento da produção de prostaglandina. A prostaglandina é gerada por meio da ação de uma enzima chamada Ciclooxigenase (COX). Os anti-inflamatórios agem inibindo a ação da COX. Sem COX, há menor produção de prostaglandinas e menos estímulos para ocorrer inflamações”, ensina a farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti.

Por outro lado, o otorrinolaringologista do Hospital CEMA alerta para o uso de anti-inflamatórios sem prescrição médica, que pode ser extremamente perigoso. A primeira orientação para as pessoas acometidas deve ser a utilização de analgésicos (dipirona ou paracetamol), pois essas afecções são autolimitadas, devendo melhorar em aproximadamente cinco dias.

No caso de infecções bacterianas, é necessária a prescrição médica de antibióticos. De acordo com a farmacêutica, essas são algumas das principais classes disponíveis no mercado:

  • Betalactâmicos: têm como mecanismo de ação a inibição da síntese da parede celular bacteriana.
  • Antibióticos que alteram a topoisomerase: interferem na ação da enzima topoisomerase II no superenovelamento do DNA bacteriano, não permitindo sua transição ou replicação.
  • Polimixinas: agem alterando os fosfolipídios da membrana celular da bactéria.
  • Glicopeptídeos: agem inibindo a síntese da parede celular bacteriana.
“As imunizações preconizadas na rede pública ou privada têm ajudado muito na prevenção das possíveis complicações, porém a procura pela assistência médica adequada e especializada, nos casos da não melhora após alguns dias da instalação da doença, se faz necessária para um bom restabelecimento corporal dos pacientes”, alerta o otorrinolaringologista do Hospital CEMA.

A orientação pela procura de um médico deve ser feita quando o paciente reclama de dores persistentes no ouvido e garganta que levem à dificuldade de deglutição, quando houver dificuldade de abrir a boca, dificuldade respiratória ou apresentar febre muito alta.

Os quadros arrastados, que duram mais de cinco a sete dias, merecem atenção especial. É preocupante quando não há melhora ou há piora ou um quadro que tem uma leve melhora e afunda novamente. Nesse momento, a doença pode ser bacteriana, necessitando de uma avaliação médica.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Terçol ou conjuntivite? Infecções oculares são comuns, mas saber diferenciá-las é essencial

Imagem relacionadaIdentificar corretamente o problema é importante para tomar os cuidados adequados

por Alan Rios*

Quando o olho fica vermelho, já começam as preocupações e, principalmente, as dúvidas. “Será que é conjuntivite?”, “Como fiquei assim?” ou até “Alguma grávida me deixou com terçol?” são perguntas que passam na cabeça de quem não conhece bem as inflamações oculares. É normal que exista confusão.

Mas não precisa se desesperar, porque com algumas informações simples é possível diferenciar as infecções e tomar as providências adequadas para cada caso. Entre os mais comuns estão os quadros de conjuntivite e terçol, semelhantes em vários aspectos, como a vermelhidão e a sensibilidade com a claridade. Porém, clinicamente, os dois são bem distintos, como explica Adriana Aquino, oftalmologista do Hospital de Base de Brasília.

“São duas coisas muito diferentes, porque a conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, que pode ser infecciosa, de origem alérgica ou tóxica. Já o terçol é a obstrução de uma glândula das pálpebras. As glândulas ficam próximas aos cílios e, quando obstruídas, ocorre uma inflamação, o que geralmente causa inchaço, dor e vermelhidão.”

Recomendações
Outra diferenciação pode ser observada visualmente, pois o terçol - conhecido cientificamente como hordéolo - costuma provocar a presença de um nódulo na região posterior ou inferior da pálpebra, enquanto a conjuntivite atinge a conjuntiva sem esse caroço. Mas a médica lembra que mesmo que o paciente saiba identificar a infecção, a recomendação é sempre procurar primeiro o oftalmologista.

“Temos que evitar sempre a automedicação e os remédios caseiros. O tratamento adequado é diferente, de acordo com o que esse profissional verá nos exames, e o que serve para tratar um tipo de conjuntivite pode ser prejudicial para outro, por exemplo.”

A maior recomendação em relação às inflamações oculares é tomar cuidados preventivos, como higienizar bem as mãos e rosto com frequência para não levar infecções aos olhos, principalmente antes de colocar lentes de contato; não coçar a região ocular; usar maquiagem de boa qualidade; removê-la antes de dormir e aplicá-la depois das lentes, caso faça uso; evitar dietas com muita gordura.

* Estagiário sob supervisão da subeditora Sibele Negromonte

Fonte de imagem: Hospital de olhos de Cascavel

Saúde Plena

Anvisa aprova antibiótico contra superbactéria comum em hospitais

Superbactéria KPC é resistente a 95% dos medicamentos, sendo responsável por aumentar índice de morte entre os pacientes

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Existe uma quantidade quase infinita de bactérias no mundo, segundo os especialistas. Algumas podem nos fazer bem, outras são responsáveis por doenças e epidemias. Entre elas, existe um grupo chamado de superbactérias, que são resistentes a um número muito grande de medicamentos. A resistência bacteriana é considerada uma das principais ameaças à saúde global.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano, cerca de 700 mil pessoas morrem por causa dessas superbactérias. A previsão é que esse número suba para 10 milhões de mortes até 2050. Entre as superbactérias está a Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC). Ela existe há muito tempo, mas, a partir do início dos anos 2000, desenvolveu um gene de resistência, o que passou a dificultar muito o tratamento. Hoje, a KPC é resistente a cerca de 95% dos antibióticos ou antimicrobianos existentes no mercado.

É contra esta bactéria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento. O Torgena é o primeiro antibiótico específico para o combate desta bactéria. Ele é uma combinação do antibiótico ceftazidima com o avibactam, molécula que confere ao produto maior eficácia sobre a KPC e outras bactérias multirresistentes. A diretora médica do Laboratório de Microbiologia do Hospital das Clínicas da USP, Flávia Rossi, explica que esta superbactéria é um problema que afeta praticamente todos os hospitais do Brasil.

“Ela vive em ambiente hospitalar e possui uma resistência muito alta. Para impedir que ela contamine os pacientes é preciso a colaboração de toda a equipe, desde a higienização das mãos e dos locais até um número suficiente de profissionais para o cuidado de cada paciente e um processo ágil de diagnóstico, capaz de identificar o mais rápido possível a presença desta bactéria”. De acordo com a especialista, a KPC pode causar qualquer tipo de infecção: urinária, na pele, no sangue ou em algum órgão.

“Como a KPC é resistente aos antibióticos, é muito difícil tratar o paciente infectado, por isso a mortalidade é muito alta, principalmente entre os pacientes mais graves e os imunodeprimidos, que são aquelas pessoas que possuem um sistema imunológico debilitado, como transplantados e portadores de HIV”. Para Flávia Rossi, o fato de a Anvisa ter aprovado o uso de um antibiótico que apresenta eficácia contra esta superbactéria vai salvar muitas vidas. “A KPC está se espalhando de forma muito agressiva e ter um medicamento eficaz contra ela significa uma nova possibilidade terapêutica”.

R7