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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Os contraceptivos que você tem direito de exigir pelo SUS – e o que fazer se não conseguir

Imagem relacionadaO ‘cardápio’ de contraceptivos gratuitos incluem oito métodos, além de laqueadura e vasectomia; especialistas dizem que métodos de longa duração, como o DIU e a injeção hormonal trimestral, são mais eficazes, por não dependerem da memória de quem usa

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, em tese, oito tipos de contraceptivos, entre os quais o Dispositivo Intrauterino de cobre (DIU de cobre), a camisinha masculina e feminina, e o anticoncepcional injetável ou em pílula.

Além disso, é possível fazer vasectomia e laqueadura, se o homem e ou a mulher tiver mais de 25 anos ou dois filhos. Mas reportagem exclusiva da BBC News Brasil mostrou que, na prática, as mulheres enfrentam desinformação e falta de treinamento dos profissionais de saúde na busca por contraceptivos no sistema público. Grande parte dos postos de saúde e maternidades focam na oferta de camisinhas e anticoncepcionais em pílula.

Em alguns Estados – principalmente nas regiões Norte e Nordeste – colocar DIU pode ser uma missão quase impossível. O principal problema, segundo relato de médicos e pacientes, é a falta de profissionais treinados para fazer o procedimento, embora ele seja simples, rápido e não exija anestesia.

O Ministério da Saúde diz que, se as unidades de atendimento básico não disponibilizarem o método procurado – entre os que são ofertados pelo SUS -, o paciente deve cobrar informações das secretarias ou conselhos municipais de Saúde. Isso pode ser feito por meio de ouvidorias.

Ginecologistas com experiência na rede pública também sugerem que as pessoas reportem o problema no Disque Saúde (discando 136)- serviço de atendimento à população do Ministério da Saúde.

“Diante da reclamação, o Ministério da Saúde pode cobrar informações da Secretaria de Saúde do município onde falta o método contraceptivo”, diz a ginecologista Renata Reis. Outra possibilidade é recorrer ao Ministério Público.

O promotor de Justiça de Minas Gerais, Márcio Ayala, explica que, se os moradores verificarem a ausência dos contraceptivos nas unidades de atenção básica, eles podem procurar a promotoria da cidade e reportar o problema.

Isso pode ser feito pessoalmente na sede da promotoria, nos horários de atendimento ao público, ou por meio das ouvidorias – o telefone é normalmente disponibilizado no site da promotoria de cada município.

Diante da reclamação, o promotor pode cobrar uma resposta do Conselho Municipal e da Secretaria de Saúde, e estipular um prazo para que o serviço seja disponibilizado. Se não houver resultado, o Ministério Público pode entrar com uma ação na Justiça para obrigar o município ou Estado a oferecer o contraceptivo.

“O Ministério Público é o fiador dos serviços públicos. Se há uma demanda da sociedade, se as pessoas não estão tendo acesso (ao contraceptivo), fazemos a demanda extrajudicial primeiro”, diz Ayala.

“Se o serviço não for disponibilizado no prazo, o Ministério Público pode entrar com uma ação civil pública para compelir município e Estado a suprirem (a demanda)”. Saiba o que faz parte do “cardápio” de contraceptivos do SUS.

Anticoncepcional oral ‘combinado’
A pílula é o contraceptivo mais utilizado pelas mulheres brasileiras. Contém dois hormônios produzidos pelos ovários – o estrogênio e a progesterona -, e funciona inibindo a ovulação.

O método tem eficácia em 99,7% dos casos, mas isso quando se considera o uso “perfeito”, ou seja, quando o medicamento é tomado todos os dias corretamente. Mas esquecimentos são comuns e aí a proteção cai significativamente – para em torno de 91%. A eficácia também pode ser comprometida se a mulher tiver diarreias intensas e vômitos.

Não há evidência científica de que os antibióticos reduzam a eficácia da pílula, segundo a Dr. Renata Reis. Mas, na dúvida sobre se o medicamento que você vai tomar pode ter algum efeito na eficácia do anticoncepcional, verifique isso com o médico que prescreveu e leia a bula.

De acordo com a médica ginecologista Natália Zavattiero, entre os possíveis efeitos colaterais do anticoncepcional combinado oral estão a diminuição da libido, com o uso prolongado. “E algumas pacientes relatam ganho de peso”, disse.

Esse tipo de pílula, por causa da liberação do estrogênio, também aumenta de 2 a 4 vezes o risco de trombose. Mas Carolina Sales Vieira, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), destaca que esse aumento no risco é menor que o provocado por uma gestação.

“Temos de 1 a 5 casos de trombose a cada 10 mil mulheres. Quando eu uso uma pílula, anel ou adesivo hormonal, eu vou aumentar em duas a quatro vezes esse risco. O número ainda é muito baixo. A gravidez aumenta de 20 a 80 vezes o risco de trombose”, diz. Os benefícios incluem redução da tensão pré-menstrual, da cólica e do fluxo de sangramento.

Minipílula
Essa pílula anticoncepcional só possui um tipo de hormônio, a progesterona. Por isso, segundo Carolina Sales Vieira, ela não aumenta o risco de trombose. Embora também atue inibindo a ovulação, a eficácia é menor que a pílula anticoncepcional combinada, por isso só costuma ser indicada durante o período de amamentação.

Ela deve começar a ser tomada na sexta semana após o parto, para que não haja qualquer interferência na fase inicial de produção de leite. Após este período, a minipílula não interfere na amamentação. E por possuir quantidade pequena de hormônio, é ainda mais importante observar a regra de tomar todos os dias, no mesmo horário. Um simples atraso de mais de três horas no horário de tomar já reduz a eficácia. Cada cartela tem 28 pílulas e não há intervalo entre uma cartela e outra

Injeção mensal ou trimestral
Outro método que você pode buscar pelo SUS é o anticoncepcional injetável, que pode valer por um mês ou três meses e também inibe a ovulação. É considerado mais eficiente que o anticoncepcional em pílula porque a mulher não precisa se lembrar de tomá-lo diariamente. O injetável mensal contém dois hormônios- estrogênio e progesterona. Mas Carolina Vieira destaca que a quantidade de estrogênio é menor que a do anticoncepcional oral.

“O estrogênio acaba em 15 dias e aí só sobra o progestogênio (nome para a progesterona desenvolvida em laboratório) nos outros 15 dias. Em tese, ele seria mais seguro que a pílula e o anel hormonal. Mas faltam estudos para comprovar isso”. Já o injetável trimestral só possui progesterona, o que reduz ainda mais as contraindicações e os riscos. Somente o estrogênio é associado ao risco de trombose.

“Ele é mais seguro que os métodos que têm estrogênio. Sobre isso não há dúvida. Mas ele vai ter algumas particularidades, porque tem mais quantidade de progestagênio, então pode dar mais fome e a mulher pode ganhar mais peso e reter líquido”, diz Vieira.

A médica Natália Zavattiero menciona a possibilidade de sangramentos irregulares após a primeira dose. “Normalmente, isso costuma melhorar a partir da segunda ampola, quando a paciente normalmente para de menstruar”. Já com a injeção mensal, a mulher menstrua normalmente.

“Algumas pacientes podem ter um sangramento maior que com a pílula oral e alguma retenção de líquido”. É importante lembrar que, embora a eficácia desse método ultrapasse 99%, esse percentual cai se a nova dose não for injetada no término de 30 dias (no caso do mensal) ou 90 dias (no caso do trimestral).

DIU de cobre
O Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre é o principal método contraceptivo de longa duração oferecido pelo SUS. Apresenta seis falhas a cada mil casos e dura 10 anos. Por não depender da “memória” e pela eficácia continuada, é considerado, por muitos especialistas, um dos métodos mais eficientes para evitar a gravidez.

“É uma das melhores opções para pacientes jovens e adolescentes”, diz Natália Zavattiero. Mas encontrá-lo na rede pública não é tarefa tão fácil. Em algumas cidades, falta material. Em outras, o problema é a ausência de profissionais treinados para fazer o procedimento, embora ele seja simples – dura cerca de 15 minutos.

“A maioria das mulheres pode sentir um desconforto, como uma cólica mais forte, na hora de colocar (o DIU). Mas não há necessidade de anestesia e pode ser feito em ambiente ambulatorial”, afirma Zavattiero. O principal efeito colateral é um fluxo menstrual mais intenso, para algumas mulheres.

“A paciente pode ter um aumento tanto em dias (para 8 dias, em média) quanto em quantidade de sangramento (um aumento em torno de 25%). E pode ter um aumento de cólica”. “Com relação a riscos, o principal risco do DIU é o deslocamento – ele sair da da cavidade uterina, da posição correta. Mesmo assim, é considerado um método seguro”, completa a ginecologista.

O DIU de cobre normalmente não é indicado a pacientes com anormalidades anatômicas do útero, anemia, vírus HIV, que tenham alergia a cobre, que estejam com câncer no colo do útero ou com infecção ginecológica ativa. Carolina Vieira destaca que mais de 70% das mulheres que usam o DIU de cobre se dizem satisfeitas com o método.

A ginecologista Renata Reis destaca que, por desinformação, há quem pense que esse contraceptivo é “abortivo”. “O cobre funciona matando o espermatozoide e o óvulo antes de eles se encontrarem, ou seja, antes da fecundação. Ele não tem efeito abortivo”, diz.

Camisinhas feminina e masculina
Estão incluídos no rol de métodos de “barreira”. São os únicos métodos contraceptivos capazes de prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis, como a aids.

As camisinhas masculina e feminina não devem ser usadas ao mesmo tempo, porque o atrito pode aumentar o risco de rompimento. Carolina Vieira, da USP, destaca que a camisinha é essencial no combate a doenças sexualmente transmissíveis, mas a taxa de falha no caso de gravidez é maior que a de métodos contraceptivos de longa duração (como o DIU e a injeção hormonal) – 98% de eficácia, quando usada perfeitamente.

Quando ela não é usada corretamente, ou seja, quando consideramos o seu “uso real”, a eficácia cai para 82%. A eficácia real dos métodos contraceptivos foi verificada a partir de uma pesquisa da Universidade de Princeton (EUA) que acompanhou 100 mulheres que usaram diferentes métodos contraceptivos durante um ano.

Diferentemente da masculina, a camisinha feminina pode ser colocada horas antes da relação sexual, segundo a ginecologista Renata Reis. “As mulheres que usam a camisinha feminina costumam gostar. É só introduzir como se faz com um absorvente íntimo. Depois da relação, você torce para fechar e joga fora”, disse.

Diafragma
Também é um método de barreira, mas a eficácia é bem menor que a da camisinha e não previne contra doenças sexualmente transmissíveis. Pode ser usado junto com a camisinha, para aumentar a eficácia. A orientação do SUS é que a pessoa interessada consulte o ginecologista antes de levar esse método para a casa, para que receba instruções sobre como usar e tenha o seu diafragma medido.

“O diafragma é inserido na vagina, com espermicida. A mulher tem que ser treinada, junto com um médico ginecologista capacitado, para saber colocar de maneira correta e de maneira que cubra o colo do útero. E para saber o tamanho do diafragma”, diz a ginecologista Renata Reis.

Pílula de emergência (ou pílula do dia seguinte)
Essa pílula só contém o hormônio progesterona, mas em quantidade maior que em uma pílula anticoncepcional comum. Não deve ser usada como método contraceptivo, porque a eficácia é bem menor- 75%.

A pílula de emergência é oferecida nas unidades de atenção básica a homens e mulheres que relatarem terem feito sexo sem proteção ou em caso de falha do contraceptivo. A eficácia é maior até 72 horas após o ato sexual, mas pode ser tomada até cinco dias depois – quanto maior a demora em tomar, menor a eficácia em evitar a gestação.

E a pílula de emergência não interfere numa gravidez em curso, ou seja, não funciona como abortivo. Por desinformação, muita gente acha que esse tipo de medicamento provoca a “morte do embrião”. Na verdade, ele inibe uma fecundação que iria acontecer, ao retardar ou inibir a ovulação. Se a fecundação já tiver ocorrido, o medicamento não terá efeito.

“Os principais sintomas são uma irregularidade menstrual, no período posterior ao uso, o que, para uma adolescente com medo de engravidar, pode ser um transtorno. Também pode dar dor de cabeça e causar um inchaço”, diz a ginecologista Natália Zavattiero.

Laqueadura e vasectomia
A esterilização é oferecida no SUS somente para homens e mulheres com mais de 25 anos ou dois filhos. Em várias clínicas, os profissionais de saúde se confundem com essa regra achando que é preciso ter mais de 25 anos e dois filhos, mas os critérios são independentes.

As etapas até conseguir fazer o procedimento podem ser burocráticas. A lei, por exemplo, exige que pessoas casadas autorizem o parceiro ou parceira a fazer a vasectomia ou laqueadura.

A BBC News Brasil mostrou que os moradores do Norte e do Nordeste, regiões com maiores taxas de natalidade, são os que mais têm dificuldade de acesso a DIU, laqueadura e vasectomia.

A vasectomia sequer é oferecida em alguns Estados – em um ano, nenhum procedimento foi realizado em Alagoas e Amapá, de acordo com os dados do Data SUS.

O Ministério da Saúde afirmou que, por serem procedimentos difíceis de serem revertidos, laqueadura e vasectomia “devem ser realizados com cautela”.

O importante é ter todas as opções à mão
As médicas consultadas pela BBC News Brasil destacam que não existe um método melhor do que outro. Todos têm vantagens e desvantagens. Cada mulher deve escolher, conforme suas necessidades, o contraceptivo mais adequado.

O ideal é ter todos os métodos à disposição, principalmente os de longa duração, além de acesso a informações sobre cada um deles.

“Existem mulheres que se beneficiam com um método ou com outro. O importante é ser informada sobre os benefícios e malefícios de cada um, para que os riscos não sejam subestimados nem superestimados”, defende a professora Carolina Sales Vieira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

R7

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Início do trabalho de parto: conheça os sinais

parto O momento mais desejado pela mãe durante a gravidez é o nascimento do seu filho e o desejo de toda mãe é que a chegada do seu filho aconteça de uma forma tranquila e cheia de amor

O trabalho de parto é um momento que para algumas pode causar muita tensão, ansiedade e marcar para sempre a vida de uma mulher.

O medo e o estresse podem prolongar esse período; sentir-se tranquila e confiante pode ajudar a diminuí-lo. Durante o trabalho de parto, a mulher passa por várias sensações e sentimentos que irá fortalece-la como mulher e mãe. Esse período pode durar em média de 8 a 12 horas. Portanto, é importante que a mulher não se apavore quando surgirem os primeiros sinais, ela terá tempo suficiente para se organizar e chegar ao local do parto.

Veja alguns sinais que indicam o início do trabalho de parto
• Você pode sentir dor na região lombar das costas, muitas vezes acompanhada de uma cólica parecida com a pré-menstrual.

• Você pode notar um muco grosso de cor amarela ou marrom escuro (com traços de sangue), o chamado "sinal" ou tampão mucoso. Se seu tampão mucoso, que cobre o colo do útero, sair, o trabalho de parto pode estar começando.

• Se a sua barriga endurecer a cada 5 minutos, por 30 segundos ou mais, permanecendo assim por mais de uma hora, apresentando dor ou incomodo, não obtendo melhora com repouso.

• Se você perder líquido pela vagina, que escorra pelas pernas, molhe a roupa ou a cama (rompimento da bolsa das águas). Neste caso, mesmo que não sinta as contrações, você deve ir à maternidade, pois precisa ser avaliada por um profissional. É possível uma rotura alta, portanto caso a mulher perceba estar mais úmida que o de costume, precisando inclusive de absorvente, esta deve procurar prontamente um serviço de maternidade)

Dicas
• Procure se manter calma e relaxada para ajudar na evolução do seu trabalho de parto e das contrações.

• Faça o que for melhor para ficar tranquila.

• Tome banho morno para aliviar o desconforto e faça atividades, como andar, agachar, para que se possa tornar o trabalho de parto ativo.

• Beber água e comer alimentos leves dão mais força e energia para você e seu bebê. Para o conhecimento da gestante, é fornecido a Caderneta da Gestante que contém informações sobre as boas práticas que devem ser realizadas no pré-natal, parto e puerpério.

Blog da Saúde

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Níveis adequados de vitamina D podem diminuir a incidência de abortos

Resultado de imagem para vitamina dAs mulheres que tiveram um aborto espontâneo anteriormente têm maior probabilidade de engravidar e dar a luz a um bebê se apresentarem níveis adequados de vitamina D em seu organismo, indica um novo estudo. As novas descobertas sugerem que a vitamina D poderia ter um papel protetor na gravidez

Estudos anteriores mostraram que a fertilização in vitro é mais bem sucedida entre as mulheres com níveis mais elevados de vitamina D. Mas os pesquisadores notaram que há pouca evidência sobre a ligação entre a vitamina D e as taxas de gravidez/perda de gravidez entre as mulheres que não usam tecnologias reprodutivas.

Para o estudo, os pesquisadores examinaram os níveis de vitamina D de 1.200 mulheres com histórico de aborto antes de engravidar novamente. Seus níveis de vitamina D também foram testados quando estavam com oito semanas de gravidez.

Embora não seja capaz de comprovar uma relação de causa e efeito, o estudo mostrou que as mulheres que tinham níveis adequados de vitamina D, ou concentrações de 30 nanogramas por mililitro (ng/mL) ou mais, tinham 10% mais chances de engravidar e 15% mais probabilidade de ter um nascimento vivo do que aquelas com níveis mais baixos de vitamina D.

Entre as mulheres que engravidaram, cada aumento de 10 ng/mL de vitamina D antes da concepção foi associado a um risco 12% menor de aborto espontâneo. Os pesquisadores relataram que, na oitava semana de gravidez, os níveis de vitamina D não estavam mais ligados à perda de gravidez. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology.

Terra

terça-feira, 12 de junho de 2018

Busca por aborto caseiro na internet dobrou na última década

Pesquisas por pílulas abortivas na internet dobraram no mundo durante a última década, de acordo com uma análise de dados do Google feita pela BBC

Mulher preocupada em frente a um computador
 Pesquisas por pílulas abortivas na internet são mais frequentes nos países onde a legislação é mais restritiva Getty Images

As informações coletadas também apontam que em países em que a legislação sobre aborto é mais restritiva há mais pesquisas na internet por pílulas abortivas. Comprando pílulas online e compartilhando conselhos em grupos de WhatsApp, as mulheres estão cada vez mais usando a tecnologia para burlar as barreiras legais ao aborto. É a face moderna do “aborto caseiro”, também conhecido como “aborto faça-você-mesmo”.

A análise da BBC mostra que países com as leis mais duras, onde o aborto é permitido apenas para salvar a vida da mulher ou banido em qualquer circunstância, têm dez vezes mais buscas sobre o remédio abortivo Misoprostol do que países com menos restrições. Há dois métodos principais para induzir um aborto: por meio cirúrgico ou com remédios.


Alto risco

Mapa: acesso legal ao aborto por país


O aborto com medicamentos é realizado com a ingestão de uma combinação de remédios, Misoprostol e Mifeprostone. O Misoprostol também é conhecido pelo nome de marca, como Cytotec. Enquanto mulheres em países como o Reino Unido podem ter os remédios receitados por um médico, mulheres que compram as pílulas pela internet em países onde a legislação é restritiva estão frequentemente violando a lei e correndo o risco de sofrer grandes punições – e riscos à saúde.

Gana e Nigéria são os dois países com mais alta procura online por Misoprostol, de acordo com os dados do Google. Em Gana, o aborto só é permitido em caso de estupro, incesto, defeito no feto ou para preservar a saúde mental da mulher. A Nigéria tem leis ainda mais rígidas: o aborto só é permitido quando a vida da mulher está em perigo. Dos outros 25 países com mais pesquisas sobre Misoprostol, 11 estão na África e 14 na América Latina. Em quase todos eles, o aborto é totalmente proibido ou permitido em casos muito restritos, como risco à vida a mulher. As duas únicas excessões são Zâmbia e Moçambique.

Na Irlanda, tomar uma pílula abortiva pode resultar em uma pena de 14 anos de prisão. No entanto, um plebiscito feito em maio mostrou que a grande maioria da população – 66,4% – é a favor do fim da lei antiaborto, que agora será modificada pelo Congresso.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, que fez campanha a favor da legalização, diz que as novas regras passarão a valer até o fim do ano.

Mapa: procura por pílulas abortivas por país

A BBC News Brasil fez uma reportagem exclusiva sobre um grupo de WhatsApp que ajuda mulheres a obter os remédios e dão conselhos sobre o procedimento.

O grupo, criado por mulheres, se vê como um espaço de acolhimento e auxílio a mulheres que desejam fazer aborto em casa.

A grande maioria das mulheres que integram o grupo, incluindo as coordenadoras, é jovem - têm entre 18 e 25 anos.

Muitas moram com os pais e estudam - estão nos primeiros semestres da faculdade - e dizem nas conversas de WhatsApp que optaram pelo aborto porque não querem deixar os estudos e não têm independência financeira.


A busca

A análise de dados do Google também revelou com que frequências certas frases específicas são procuradas.

"Remédio para aborto" é a frase mais pesquisada em todos os países analisados.

"Como fazer um aborto" é a pergunta mais feita em mais de dois terços dos países.

Gráfico: procura é maior onde as leis são mais restritivas

Outras frases comuns são "como usar Misoprostol", "Misoprostol preço", "comprar Misoprostol" e "Misoprostol dosagem".

Além das pílulas abortivas, mulheres também buscam por outros métodos para induzir aborto. Salsinha, canela, vitamina C, aspirina e chás de ervas aparecem como métodos pesquisados.

Nenhum deles é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em metade dos países analisados, "remédio caseiro para aborto" estava entre as principais pesquisas relacionadas ao tema.

Um estudo sobre uso de chás abortivos na África subsaariana revelou que algumas plantas de fato afetam o útero, mas há muitos pontos negativos no uso desse método tradicional.

É difícil, por exemplo, controlar a dosagem e sabe-se pouco sobre os efeitos colaterais.

No mundo todo, cerca de 25 milhões de abortos pouco seguros são realizados todos os anos, segundo a OMS. Isso equivale a 45% de todos os abortos.

Embora o Misoprostol seja considerado um método seguro quando administrado por um profissional de saúde, ele pode trazer riscos quando tomado por conta própria.

"Mesmo quando a qualidade do produto é ótima e você segue o protocolo, ainda há um risco de falha", diz Dhammika Perera, diretor médico da entidade Marie Stopes International.

Ele afirma que as chances de um aborto malsucedido aumentam muito quando o remédio é comprado pela internet ou administrado por uma pessoa sem preparo.

Essas mulheres também estão menos inclinadas a buscar cuidados médicos após o aborto caso algo dê errado.

"Estigma, custo, acesso e medo de punições fazem as mulheres hesitar em procurar ajuda e as colocam em risco", diz Perera. 

Abortos incompletos
A estudante de direito Arezoo morava no Irã quando descobriu que estava grávida do namorado. Eles sempre tinham usado métodos contraceptivos.

"Eu entrava em toda clínica de ginecologia que via no caminho", diz ela. "Quando os médicos me examinavam, descobriam que eu não era casada e precisava de um aborto, eles me rejeitavam imediatamente."

Ela fez documentos falsos dizendo que era divorciada e convenceu um médico a ajudá-la.

"Ele cobrou o olho da cara por oito pílulas", conta ela. Mas o medicamento não teve efeito.

Arezoo então procurou na internet e encontrou uma entidade que envia pílulas de aborto para mulheres em países onde o procedimento é restrito. Ela recebeu conselhos e apoio.

As pílulas que ela conseguiu com o médico fizeram a jovem sangrar muito, mas o aborto não foi completo. Uma semana depois, Arezoo foi para um hospital particular acompanhada pela irmã.

"Eu menti, disse que meu marido estava na França, que meus documentos estavam em um cofre em algum lugar e que eu precisava de um aborto seguro."

Os funcionários do hospital estavam relutantes e não queriam recebê-la. Arezoo diz que foi um milagre eles finalmente terem cedido e acreditado nela.

"Depois de mentir e inventar histórias, eu finalmente fui internada e 30 minutos depois fizeram um procedimento cirúrgico. Foi o pior pesadelo da minha vida", diz ela.

Cerca de 14% dos abortos são "menos seguros", o que significa que eles foram realizados por pessoas sem preparo e usando métodos perigosos, como a introdução de objetos no canal vaginal e o uso de chás de ervas.

Esses métodos geram problemas como infecções e abortos incompletos – nesses casos, os médicos receitam mais medicamentos ou cirurgia, dependendo do caso.

Pelo menos 22,8 mil mulheres morrem todos os anos como resultado de abortos inseguros, segundo o Instituto Guttmacher.

*Reportagem de Amelia Butterly e jornalismo de dados de Clara Guibourg. Colaboraram Dina Demrdash, Nathalia Passarinho and Ferenak Amidi.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Saúde Bucal da Gestante é tema de novo curso da UNA-SUS

SITE-UNASUS-UFMA-1O objetivo é analisar as ações que envolvem o cuidado em saúde bucal para a gestante. Matrículas podem ser realizadas até 10 de agosto

Profissionais dentistas e acadêmicos em odontologia e demais interessados no tema já podem se capacitar com o curso online Saúde Bucal da Gestante, oferecido pela Universidade Federal do Maranhão, por meio do Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).

Interessados podem se matricular até 10 de agosto, pelo link. O curso é autoinstrucional, tem início imediato e, como em todas as ofertas da UNA-SUS, é integralmente gratuito. Os alunos inscritos terão até dia 10 de outubro de 2018 para conclusão do curso, com o certificado disponível em até 10 dias úteis após o término das atividades.

Com carga horária de 30 horas, a qualificação tem como objetivo educacional analisar as ações que envolvem o cuidado em saúde bucal para a gestante. As duas unidades que compõem o curso tratam do acompanhamento integral à saúde da gestante e da puérpera e da assistência à saúde bucal dessas pacientes.

A cirurgiã-dentista e coordenadora de produção cientifica da UNA-SUS/UFMA, Judith Pinho, explica que o cuidado em saúde bucal para as gestantes no Sistema Único de Saúde prevê um atendimento em rede e um cuidado integral de qualidade, humanizado e seguro. “Desse modo, inicialmente serão tratadas questões relacionadas ao processo de trabalho na Atenção Básica, enquanto ordenadora das Redes de Atenção à Saúde, para que seja compreendido como a assistência odontológica compõe os pontos de atenção dessa rede e os dispositivos e estratégias de trabalho que facilitam essa assistência”, afirma. Serão abordados, ainda, os principais protocolos assistenciais da odontologia para o atendimento à gestante.

Em seguida, serão apresentadas as particularidades da assistência à saúde bucal para gestantes e puérperas, considerando as alterações fisiológicas e emocionais durante a gestação, doenças orais mais frequentes em gestantes e puérperas e as situações de indicação de prescrição medicamentosa e radiografia oral nesta população. “Espera-se que, ao atender as gestantes e puérperas na unidade de saúde, o profissional possa fazer uma avaliação segura das condições de saúde da sua paciente e possa orientá-la sobre os cuidados consigo mesma e com o bebê”, completa.

Para dinamizar o aprendizado, são utilizados livros online, infográficos interativos e casos clínicos simulando situações reais de atendimento.

Saiba mais em: http://www.unasus.ufma.br.

Fonte: SE/UNA-SUS

terça-feira, 10 de abril de 2018

Anticoncepcional: o mais novo “amigo” do homem

Resultado de imagem para anticoncepcional masculino“Você toma pílula?”

Por Dr. Pedro Romanelli

Desde a revolução sexual dos anos 1960 – fenômeno marcado pela chegada da pílula anticoncepcional feminina ao mercado -, estamos bem (ou mal) acostumados a fazer essa pergunta a nossas parceiras sexuais. Muito em breve, teremos que nos habituar não só a ouvir o mesmo questionamento como a estabelecer novas negociações e acordos com as mulheres com as quais nos relacionamos.

Preparem-se, pois, para discutir com o médico o método mais adequado para se evitar uma gravidez indesejada. Num futuro próximo, carregar na carteira “cartelinhas” timbradas com os dias da semana, inevitavelmente, será considerado “coisa de homem” também. O contraceptivo masculino, afinal, já é uma promessa prestes a ser cumprida pela ciência.

A novidade foi anunciada por duas respeitadas universidades americanas. Uma delas é a Universidade de Washington, em Seattle. Cientistas da instituição apresentaram ao mundo, há menos de 15 dias, a dimethandrolone undecanoateou – ou apenas DMAU. De acordo com os pesquisadores, a pílula anticoncepcional feita para homens vem passando nos testes de eficácia e segurança “com louvor”.

A última etapa do estudo envolveu cem homens com idade entre 18 e 50 anos, que receberam cápsulas com formulações e doses diferentes (100, 200 e 400 miligramas). Eles tiveram que tomá-las por 28 dias, na hora das refeições.

Os participantes que ingeriram a maior dose testada (400 miligramas) tiveram supressão considerada marcante dos hormônios necessários à reprodução. Isso, sem os efeitos colaterais encontrados em tentativas anteriores, como inflamações no fígado ou perda do desejo sexual.

Já no Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (Nichd) dos Estados Unidos, os esforços se concentram no desenvolvimento de um gel contraceptivo. A substância bloqueia a produção de esperma no corpo humano por cerca de 72 horas e deve ser aplicada nos braços e costas todos os dias, por pelo menos quatro meses. Os testes começam a ser feitos agora em abril, com 400 casais que serão acompanhados por quatro anos. As mulheres também são orientadas a usar contraceptivos (normas de ética em pesquisas, afinal, incluem limitar riscos aos envolvidos). Neste período, os pesquisadores vão monitorar os níveis de espermatozoide dos homens, que devem cair a menos de um milhão por mililitro, para prevenir a gravidez de maneira eficaz.

Mal posso esperar para ver chegada desses novos tempos, em que meu consultório passará a ser frequentado por homens e mulheres que dividem a mesma responsabilidade quando o assunto é a contracepção. E vocês, o que me dizem?

quinta-feira, 29 de março de 2018

O que é vasectomia

VASECtomia-susVocê sabe o que é vasectomia? Se você é homem, já pensou em fazer? Tem medo de fazer essa cirurgia? Vamos explicar como funciona esse procedimento e esclarecer mitos e verdades

Cada família decide se deseja ter filhos e quantos. Esse é um assunto que diz respeito à privacidade das pessoas. Se o casal decidir não ter mais filhos, o homem pode colaborar com esse processo optando por uma vasectomia.

Trata-se de uma cirurgia simples que interrompe a passagem dos espermatozoides do saco escrotal para o líquido ejaculado. Após anestesia local, é feita um pequeno corte no saco para localizar os canais por onde passa o sêmen com os espermatozoides. Esses canais são cortados e depois amarrados. Por fim, o médico fecha o pequeno corte.

O procedimento costuma ser rápido, pouco invasivo e pode ser realizado até em ambulatório, sem necessidade de centro cirúrgico. Em menos de 30 minutos, o homem está liberado e pode ir para casa tranquilamente.

Pós-cirúrgico
É importante manter um método anticoncepcional durante os 60 dias após o procedimento porque alguns espermatozoides permanecem vivos no canal que chega ao pênis. E depois da cirurgia deve-se realizar um espermograma para constatar a ausência dos espermatozoides.

Recomenda-se a aplicação de bolsas com gelo no local e repouso no dia da cirurgia. Também é interessante fazer uso de suspensório escrotal para evitar dores e complicações.

A vasectomia não afeta o desempenho sexual. Os nervos e vasos sanguíneos envolvidos na ereção não são atingidos na cirurgia.

O procedimento apenas interrompe a passagem dos espermatozoides dos testículos para o pênis. O líquido seminal produzido pela próstata continua sendo ejaculado, mas sem o sêmen.

Mudando de ideia
A vasectomia é um procedimento reversível, mas a taxa de sucesso da cirurgia de reconexão entre os canais varia de homem para homem. Por isso, a opção pela cirurgia precisa ser muito clara para o paciente e para a companheira.

No SUS
O Ministério da Saúde promove, em parceria com as secretarias de Saúde dos Estados, ações para facilitar o acesso do homem ao procedimento e a possibilidade de fazer a cirurgia em ambulatório médico, sem necessidade de internação. O procedimento faz parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.

Caso tenha tomado a decisão de fazer a vasectomia, saiba que o SUS só permite que essa cirurgia seja realizada em homens com mais de 25 anos ou que tenham, no mínimo, dois filhos.

O primeiro passo é procurar uma unidade básica de saúde para fazer um levantamento geral da saúde do homem que deseja fazer a vasectomia. Após essa avaliação, o médico encaminha o paciente para um especialista que dará todas as orientações e fará a cirurgia.

A vasectomia vem sendo cada vez mais realizada no Brasil pelo SUS. E os homens têm se engajado na discussão do planejamento familiar inclusive para evitar que suas companheiras sejam submetidas à laqueadura das trompas, um procedimento cirúrgico bastante dolorido, que exige internação e oferece risco à saúde feminina.

Mitos e Verdades

Verdade
  • Cirurgia simples
  • Espermatozoides continuam sendo produzidos
  • É possível engravidar logo após a cirurgia
  • Ajuda no planejamento familiar
  • Há contraindicações
Mito
  • Homem fica impotente
  • Homem perde libido/desejo
  • Homem sente dores durante o sexo
  • O pênis diminui de tamanho
  • A cirurgia é arriscada
  • É como castração Interfere na ejaculação
  • Afeta a masculinidade
Luiz Philipe Leite para o Blog da Saúde

quarta-feira, 28 de março de 2018

Saúde da mulher: métodos contraceptivos e prevenção a ISTs

erikaeestherO Ministério da Saúde, por meio da página do Facebook, está transmitindo entrevistas especiais com temas relacionados e dedicados às mulheres

Uma destas entrevistas foi com a médica obstetra e ginecologista, Esther Vilela, convidada a falar sobre Métodos Contraceptivos e Prevenção a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A participação dos internautas, que fizeram perguntas e expuseram relatos, enriqueceram a conversa.

Esther Vilela enumerou os sete métodos contraceptivos oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). São eles: a pílula combinada; a mini-pílula só de progesterona; os preservativos masculino e feminino, os injetáveis mensal e trimestral; o Dispositivo Intra Uterino (DIU) de cobre; a pílula emergencial e o diafragma. Além dos métodos definitivos: laqueadura e vasectomia.

“Antes da existência dos métodos modernos as mulheres ficavam sujeitas a engravidar querendo ou não e isso trazia um encargo de adoecimento ou frustação por conta da imposição da maternidade. Hoje, os métodos garantem direitos sexuais e reprodutivos”, reconheceu.

Os métodos ajudam a reduzir a morte materna e a garantir a saúde das mulheres. E quem decide entre as opções disponíveis no SUS é a própria mulher, sendo importante que ela leve em consideração a sugestão do ginecologista. A médica Ester Vilela lembrou que, ao longo da vida, essa escolha pode mudar e os métodos utilizados podem ser trocados por vários motivos.

Prevenção a ISTs

A respeito da prevenção, Esther Vilela fez um alerta. “Toda mulher que usa um contraceptivo está se protegendo da gravidez indesejada, mas não contra uma Infecção Sexualmente Transmissível, como, por exemplo, a gonorreia, a sífilis, o HIV e a hepatite. Toda relação sexual precisa ter uma dupla proteção, contra a gravidez indesejada e a IST”, destacou.

De acordo com a obstetra, o preservativo, seja masculino ou feminino, e o único método que oferece essa dupla proteção. Ela lembrou que as conhecidas camisinhas estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde de todo o Brasil. E fez um convite para que as mulheres passem a conhecer o preservativo feminino.

A entrevistada respondeu ainda perguntas sobre o DIU de cobre, a possibilidade de adolescentes e jovens poderem procurar os serviços de saúde para começar a usar um contraceptivo, qual o papel dos médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais de saúde no auxílio às mulheres, entre outras questões. Assista a entrevista na íntegra!

Erika Braz, para o Blog da Saúde

segunda-feira, 19 de março de 2018

Anticoncepcionais hormonais e o risco de câncer de mama

EFEITOS COLATERAIS DOS ANTICONCEPCIONAIS HORMONAISUm novo estudo associou o uso de contraceptivo hormonal ao aumento de câncer de mama. Entretanto, o risco é relativo e deve ser analisado caso a caso

Um estudo publicado no New England Journal of Medidcine, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo, revela que o risco de câncer de mama é maior para as pacientes usuárias de anticoncepcionais em relação àquelas que nunca recorreram ao medicamento. O estudo também afirma que o risco é elevado na medida em que aumenta o tempo de uso tanto para as mulheres que usam atualmente quanto para as que utilizaram no passado.

O estudo
A pesquisa foi realizada com 1,8 milhão de mulheres da Dinamarca, na faixa etária entre 15 e 49 anos, que não tinham tido câncer, assim como não tinham tido tromboembolismo ou feito tratamento para infertilidade. A partir do registro nacional, os pesquisadores obtiveram dados individualizados a respeito do uso de anticoncepcionais orais, diagnóstico de câncer de mama e fatores que pudessem confundir as informações. As pacientes foram acompanhadas por um tempo médio de 10 anos e foram identificados 11.517 casos de câncer de mama. Houve um caso a mais de câncer do que o esperado para cada 7.690 usuárias de anticoncepcionais hormonais.

Risco aumentado
Quando os dados foram comparados com os de mulheres que nunca usaram anticoncepcionais, o risco relativo de ter câncer de mama foi 20% superior em relação às não usuárias. O risco foi 9% superior a partir de um ano de uso e até 38% superior a partir de 10 anos. Isto significa, por exemplo, que se a chance de ter câncer de mama até os 50 anos é de 2%, para quem usou o medicamento por um ano o risco foi de 2,2%. E para quem usou por mais de 10 anos o risco foi de 2,76%. Não houve algum tipo de anticoncepcional que não tenha tido relação com aumentado risco, inclusive os DIUs com progesterona.

Contradição
Em contraste, estudos anteriores como o do Center of Disease Control (CDC) dos Estados Unidos e a mais atual análise do Royal College of General Practitioner do Reino Unido, não demonstraram aumento no risco de câncer de mama entre as usuárias de anticoncepcionais hormonais. Adicionalmente, reduzem o risco de câncer de ovário, de endométrio e câncer colorretal.

O estudo não avaliou o impacto na mortalidade geral por câncer. Além disso, mulheres que usam anticoncepcionais são bem mais acompanhadas em relação as que não usam. Talvez, quando a avaliação de mortalidade por câncer for analisada, o risco de morrer por esta doença em geral possa ser inclusive menor.

Não há motivo para pânico
Os anticoncepcionais hormonais representam uma das classes farmacológicas mais estudadas em todos os tempos e se associam com elevada segurança. Nem o estudo publicado, nem a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) ou a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomendam que as mulheres interrompam o uso do anticoncepcional que estiverem utilizando.

Baseado neste estudo e em estudos prévios sobre a relação entre o uso de anticoncepcionais orais e câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia sugere que cada usuária de anticoncepcionais avalie ou discuta com o seu médico sobre o riscos e benefícios desta decisão. Isso porque o aumento do risco é relativo, dependendo da idade e do tempo de uso.

Veja

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ministério lança ação para redução de cesáreas e de doenças raras

123824128_wideEm homenagem ao Dia da Mulher na última quinta-feira (8), governo divulga que irá fazer monitoramento online para evitar cesarianas desnecessárias

O Ministério da Saúde divulgou na quarta-feira (7) ações relacionadas à saúde da mulher em entrevista à imprensa em virtude do Dia Internacional da Mulher, comemorado na quinta-feira (8). As mulheres são as maiores usuárias do SUS (Sistema Único de Saúde). No ano passado, 619 milhões de mulheres receberam algum atendimento pela rede pública, segundo dados do governo. Com o objetivo de “financiar a saúde e não a doença”, como enfatizou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, foram anunciadas algumas medidas para o planejamento familiar.

Uma delas é o serviço de aconselhamento genético para casais com risco de gerar filhos com doenças raras hereditárias. De acordo com o governo, R$ 965,3 milhões do orçamento foram gastos no ano passado para atender somente 1.334 pacientes com doenças raras. O fornecimento de alguns medicamentos de alto custo para doenças raras pelo Ministério da Saúde está em atraso. Segundo Ricardo Barros, isso se deve a um “imbróglio jurídico”. 

“As empresas que venceram o edital para vender os remédios não têm o direito de importá-los, porque não detêm o registro. Só o detentor dos registros pode importar os medicamentos. Esse detentor disse que faz o preço mais barato, mas já havia sido realizado o edital”, afirmou. “Não concordamos com essa manutenção do monopólio. Vai ter desabastecimento dos remédios se não conseguirmos isso”, completou.

Parto normal x cesárea
Outra ação do governo anunciada, com enfoque nas mulheres, foi o projeto “Parto Cuidadoso”, que pretende “investir na capacitação de enfermeiras obstétricas e obstetrizes para atenção ao parto normal”. O objetivo é diminuir o índice de cesarianas no Brasil. No entanto, segundo dados do próprio governo, no serviço público, o número de partos normais (58%) já supera o de cesarianas (41,9%).

O Ministério da Saúde ainda criou um sistema de monitoramento online para acompanhar a quantidade de partos cesáreas nos serviços do SUS. De acordo com o governo, a medida tem o intuito reduzir a realização do procedimento quando desnecessário. As gestantes poderão acompanhar o monitoramento pelo site da Secretaria de Vigilância em Saúde a partir do dia 19.

R7

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Gel contraceptivo masculino será testado em abril

O novo método será utilizado por 400 casais durante um ano

O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (Nichd) dos Estados Unidos desenvolveu um gel contraceptivo masculino, que bloqueia temporariamente a produção de esperma no corpo humano. O novo método começará a ser testado em abril, com 400 casais.

Os testes durarão aproximadamente quatro anos e serão realizados com parceiros dos Estados Unidos, Itália, Grã-Bretanha, Chile, Suécia e Quênia. Batizado de NestoroneGel, o produto contém dois hormônios sintéticos: testosterona e progestagênio.

O progestagênio impede os testículos de produzir testosterona o suficiente para o nível normal de esperma. E a testosterona substitutiva é necessária para contrastar o equilíbrio hormonal, mas sem produzir espermatozoides.

O gel deve ser aplicado nos braços e nas costas dos homens diariamente. “Não é um grande esforço. Só é necessário lembrar de usá-lo todos os dias” , explicou Diana Blithe, diretora do programa de desenvolvimento de contraceptivos do Nichd. O método é capaz suprimir o nível de esperma por aproximadamente 72 horas.

A princípio, os homens deverão usá-lo por pelo menos quatro meses e as parceiras deverão usar algum contraceptivo também. Enquanto isso, pesquisadores monitorarão os níveis de espermatozoide dos homens, que devem cair a menos de um milhão por mililitro para prevenir de maneira eficaz a gravidez.

Uma vez que o número seja suficientemente baixo, o casal utilizará somente o gel contraceptivo por um ano. O método já havia demonstrado eficácia em 2012, porém eram dois produtos diferentes a serem aplicados na pele. Atualmente, as únicas opções contraceptivas masculinas são o uso de preservativo e vasectomia.

Terra

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Campanha da ANS alerta para os riscos do parto agendado

partoA Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inicia uma nova campanha do Projeto Parto Adequado para sensibilizar gestantes e profissionais de saúde a evitarem o agendamento de cesarianas

O projeto, desenvolvido em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), visa incentivar o parto normal e conscientizar as futuras mamães e toda a rede de atenção obstétrica sobre a realização de cesáreas sem indicação clínica. Como há um crescimento no número de partos cirúrgicos marcados no fim do ano, devido às férias e festas, a iniciativa traz importantes mensagens para lembrar os riscos acarretados pela antecipação do nascimento de bebês, fora do trabalho de parto, sem que eles deem sinal de que estão prontos.

Nas redes sociais, a Agência e as entidades parceiras divulgam informações importantes sobre o nascimento no tempo certo. Entre os benefícios do parto normal, que são abordados de forma explicativa na campanha, destacam-se:
  • Menor risco de complicações para a mãe e o bebê decorrentes da cirurgia;
  • Indução ao aleitamento materno, devido à liberação de hormônios que facilitam o início da amamentação;
  • Contato imediato entre mãe e bebê, estimulando a interação materna;
  • Preparação do bebê para o ambiente externo, com maior amadurecimento do pulmão e contato com as bactérias benéficas da mãe, reduzindo a incidência de doenças infantis;
  • Recuperação mais rápida do útero e do corpo da mulher.
O Projeto Parto Adequado foi iniciado em 2015 e vem identificando modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, reduzindo o número de cesarianas desnecessárias. O projeto está em sua Fase 2, que será concluída em maio de 2019. Nesta etapa, participam hospitais e operadoras de todo o país. Foram selecionadas 136 maternidades e 68 operadoras de planos de saúde que manifestaram interesse em atuar como apoiadoras do projeto. Números que mostram o crescimento da iniciativa, já que a Fase 1, também denominada “piloto”, contou com a adesão de 35 hospitais. Ao longo de 18 meses, foram alcançados resultados transformacionais, pois os hospitais piloto protagonizaram a criação de um novo modelo de assistência materno-infantil para o Brasil e evitaram a realização de 10 mil cesarianas desnecessárias.

#PartoAdequado – Respeite as fases do seu bebê

A proposta da campanha digital da ANS é lembrar às futuras mamães e aos profissionais de saúde que o bebê tem seu tempo e que as fases da gestação devem ser respeitadas. É importante que a mãe se inteire e busque apoio de especialistas para entender as opções, fazendo sua escolha de forma consciente. Estudos científicos apontam que bebês nascidos de cesarianas apresentam maiores riscos de complicações respiratórias e são internados em UTI neonatal com mais frequência.

"A mulher tem o direito de ser informada para se tornar parte ativa na decisão pelo tipo de parto. Hoje, não há evidências científicas que justifiquem o agendamento de uma cesariana, salvo algum risco claro para a saúde da mãe e do bebê. É importante buscar a opinião dos médicos, enfermeiras e demais profissionais que acompanham o pré-natal e trocar experiências com mulheres que tiveram diferentes tipos de parto”, destaca a coordenadora do projeto Parto Adequado na ANS, Jacqueline Torres.

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Resultados da 1ª Fase – Partos normais cresceram 76%
A 1ª Fase do Projeto Parto Adequado provou que a alarmante escalada de cesáreas no Brasil pode ser revertida. O balanço de resultados, apresentado em novembro de 2016, mostrou que a taxa de partos vaginais nos hospitais que fizeram parte do projeto piloto – ou seja, que participaram de todas as estratégias adotadas – cresceu em média 76%, o equivalente a 16 pontos percentuais, saindo de 21% em 2014 para 37% em 2016.

Também houve grandes avanços na melhoria de outros indicadores de saúde: 14 dos 35 hospitais reduziram as admissões em UTI neonatal: de 86 internações por mil nascidos vivos para 69 internações por mil nascidos vivos. E nove hospitais reduziram as admissões em UTI neonatal para bebês acima de 2,5 kg: de 44,5 internações por mil nascidos vivos para 35 internações por mil nascidos vivos. Ao todo, foram evitadas cerca de 400 admissões em UTI neonatal. Esses resultados motivaram um número mais expressivo de hospitais a aderirem à iniciativa, o que aumenta a complexidade do projeto.

A Fase 2 do projeto está em curso e terá seus primeiros resultados divulgados no primeiro semestre de 2018. Conheça mais informações sobre o Parto Adequado.

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Texto: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Edição: Comunicação Interna/ASCOM/GM/MS

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Você sabe o que é violência obstétrica?

partoVocê sabe o que é violência obstétrica? Pois saiba que até mesmo muitas vítimas desse tipo de abuso também não

Esse tipo de violência pode ser física e/ou psicológica e atinge boa parte das mulheres e bebês em todo o país. Muitas dessas vítimas acabam ficando com sequelas . Algumas nem ao menos sobrevivem.

Mas o que pode ser entendido como violência obstétrica? O que deve ser feito para interromper esses episódios de maus tratos ? O Blog da Saúde conversou sobre o assunto com a Ana Catarine Carneiro, assessora técnica da Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde. Confira:

1. O que é considerado violência obstétrica?
Resposta: A violência obstétrica é aquela que acontece no momento da gestação, parto, nascimento e/ou pós-parto, inclusive no atendimento ao abortamento. Pode ser física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual, além de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas ou desnecessárias ou desaconselhadas, muitas vezes prejudiciais e sem embasamento em evidências científicas. Essas práticas submetem mulheres a normas e rotinas rígidas e muitas vezes desnecessárias, que não respeitam os seus corpos e os seus ritmos naturais e as impedem de exercer seu protagonismo.

Exemplos:
- Lavagem intestinal e restrição de dieta
- Ameaças, gritos, chacotas, piadas, etc.
- Omissão de informações, desconsideração dos padrões e valores culturais das gestantes e parturientes e divulgação pública de informações que possam denegrir a mulher
- Não permitir acompanhante que a gestante escolher
- Não receber alívio da dor

2. Quando é necessário fazer a epsiotomia e parto induzido?
Resposta: Procedimentos como indução do parto, episiotomia e até a cesariana devem ser bem indicadas, esclarecidas e respeitar a autonomia da mulher. Quando realizada de forma desnecessária e imposta também são considerados violência obstétrica. Procedimentos desnecessários, agressivos e invasivos, como dieta e até a cesariana quando imposta e desnecessária. Episiotomia é um trauma perineal e não existem evidências confiáveis que o uso indiscriminado ou rotineiro desta tenha um efeito benéfico para a mulher e o bebê , porém há evidências claras de que pode causar dano. Num parto, até então normal, pode ocasionalmente haver uma indicação para realizar a episiotomia quando o períneo apresenta pouca elasticidade, mas recomenda-se o uso limitado dessa intervenção. Outra indicação é quando da necessidade do uso de parto instrumental (vácuo-extrator ou fórceps) se não houver segurança quanto ao bem estar fetal ou prolongamento do segundo período.

3. Como e quando se deve fazer força durante o parto normal?
Resposta: Com relação a solicitar que a mulher faça força durante o parto não há evidencias científicas que apoie essa prática. No momento que a mulher sentir os puxos ela fará força de forma involuntária. A indução do trabalho de parto ocorre quando existe algum fator que necessite acelerar o início do trabalho de parto como, por exemplo, a ruptura precoce das membranas, neste caso é recomendado dentro das 24 horas após. Na maioria das vezes é realizado com medicamentos indutores.

4. Como evitar essa violência?
Resposta: O Ministério da Saúde institui a Rede Cegonha, inicialmente pela Portaria GM/MS n. 1.459 de 24 de junho de 2011 e mais recentemente pelas Portarias de Consolidação, cujo objetivo é a mudança do modelo de atendimento obstétrico buscando abolir as práticas violentas e vexatórias denominadas “violência obstétrica”. Para sua implementação, são realizados diversas formas de capacitações e incentivos. Em 2016, houve a publicação Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, 2016, o objetivo é “sintetizar e avaliar sistematicamente a informação científica disponível em relação às práticas mais comuns na assistência ao parto e ao nascimento fornecendo subsídios e orientação a todos os envolvidos no cuidado, no intuito de promover, proteger e incentivar o parto normal”.

Em certo trecho destaca as mudanças que estão ocorrendo na atenção obstétrica: “Como resultado de pressões da opinião pública e consumidores de serviços de saúde, principalmente nos países mais desenvolvidos, assim como o surgimento de novas evidências científicas, a prática obstétrica tem sofrido mudanças significativas nos últimos 20-30 anos, com uma maior ênfase na promoção e resgate das características naturais e fisiológicas do parto e nascimento. Com isso, vários procedimentos hospitalares têm sido questionados pela carência de evidências científicas que os suportem, a existência de evidências que os contraindiquem e por trazerem desconforto à mulher”.

5. O que fazer caso a mulher sofra isso?
Resposta: Caso a mulher sofra violência obstétrica, ela pode denunciar no próprio estabelecimento ou secretaria municipal/estadual/distrital; nos conselhos de classe (CRM quando por parte de profissional médico, COREN quando por enfermeiro ou técnico de enfermagem) e pelo 180 ou Disque Saúde – 136.

6. O Ministério tem algum Guia de orientação sobre isso?
Resposta: O Ministério da Saúde institui a Rede Cegonha, pela Portaria GM/MS nº1.459 de 24 de junho de 2011, cujo objetivo é a mudança do modelo de atendimento obstétrico buscando abolir as práticas violentas e vexatórias denominadas “violência obstétrica”.

Para sua implementação são realizados diversas formas de capacitações e incentivos. A portaria está disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html

Para o conhecimento da gestante, é fornecido a Caderneta da Gestante que contém informações sobre as boas práticas que devem ser realizadas no pré-natal, parto e puerpério.

A caderneta é entregue no primeiro atendimento da gestante no SUS e está disponível no link: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/01/Caderneta-Gest-Internet.pdf 7.

O que é parto humanizado?
Resposta: O parto humanizado pode ser normal, natural ou pode ser uma cesárea, por exemplo. Ser humanizado é respeitar a mulher, a pessoa como um ser com especificidades, é não aplicar métodos e padrões indiscriminadamente, individualizando a assistência para cada um, de acordo com a sua necessidade. É oferecer uma assistência personalizada, ouvir, escutar, atender, dentro do possível, as necessidades da mulher, os desejos dessa mulher.

O Ministério da Saúde lançou no início deste ano diretrizes de assistência ao parto normal, garantindo as gestantes um atendimento qualificado e humanizado. Agora, toda mulher terá direito de definir o seu plano de parto que trará informações como local onde será realizado, orientações e benefícios do parto normal. Essas medidas visam o respeito no acolhimento e mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem direito. Assim, o parto deixa de ser tratado como um conjunto de técnicas, e passa a ser entendido como um momento fundamental entre mãe e filho. Com as diretrizes, o Ministério da Saúde pretende reduzir as altas taxas de intervenções desnecessárias como a episiotomia (corte no períneo), o uso de ocitocina (hormônio que acelera o parto), a cesariana, aspiração naso-faringeana no bebê, entre outras. Essas intervenções, deveriam ser utilizadas de forma parcimoniosa, apenas em situações de necessidade. Afinal, um parto bem sucedido deve considerar, sobretudo, os aspectos emocionais, humanos e culturais envolvidos no processo que deve, somente, “dar a luz”.

Luíza Tiné, para Blog da Saúde

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Consumo moderado de sal iodado é importante para saúde

sal2Hoje temos muitas opções de sais para consumo humano no mercado. Diante de tanta variedade, você sabe a importância do consumo moderado iodado? Os benefícios são vários, entre eles o funcionamento normal dos hormônios da tiroide e o desenvolvimento dos bebês durante a gestação

O sal branco foi definido pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) do Ministério da Saúde para aumentar a oferta de iodo à população brasileira. Para que não haja um excesso ou deficiência de iodo para o consumidor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), junto com Ministério da Saúde, faz o monitoramento.

É importante que as mulheres grávidas façam o pré-natal e sejam orientadas por profissional de saúde. “O sal branco é importante na dieta, mas é relevante lembrar que ele deve ser consumido dentro da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que a pessoa não desenvolva doenças crônicas”, explica o coordenador-adjunto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Eduardo Nilson. A recomendação da OMS é consumir até cinco gramas de sal, por dia.

A deficiência de iodo pode causar em crianças retardo mental grave e irreversível, surdo-mudez, anomalias congênitas e o bócio (hipertrofia da glândula tireoide). “Usar sal sem ser iodado pode ocasionar distúrbios por deficiência de iodo”, explica o coordenador. Além disso, a má nutrição de iodo está relacionada com altas taxas de natimortos e nascimento de crianças com baixo peso, problemas no período gestacional, aumento do risco de abortos e mortalidade materna.

Benefícios do iodo na gravidez
Durante o primeiro trimestre de gravidez, a mãe é a única fonte dos hormônios da tireoide, que desempenha um papel essencial para as várias etapas do desenvolvimento cerebral do feto. Portanto, a falta de iodo na gestante tem efeitos prejudiciais no desenvolvimento cognitivo do bebê, como o parto prematuro, defeitos neurológicos, QI abaixo do normal, surdez e até aborto.

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera que uma gestante deve ter consumir diariamente cerca de 200µg de iodo para que não haja carência deste micronutriente. Porém, a maneira de ingestão pode ser através de alimentos ou suplementação alimentar. “A suplementação tem que ser orientada por uma nutricionista e deve ser acompanhada durante toda a gravidez e após a gestação”, alerta Eduardo.

Os alimentos com iodo são, principalmente, os alimentos de origem marinha, como peixes, frutos do mar e mariscos.

Confira alguns alimentos ricos em iodo:
• Peixes
• Leite
• Camarão
• Ovo
• Fígado

Consumo excessivo
O consumo médio de sal do brasileiro é mais que o dobro da recomendação da OMS. O uso excessivo de sódio atua como importante fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças renais, síndrome metabólica e câncer gástrico. Portanto, a regra é não exagerar no consumo do sal. Consuma o produto em pequenas quantidades para temperar alimentos in natura e minimamente processados. Vale ressaltar que alimentos processados e ultraprocessados devem ser evitados, pois possuem grandes quantidades de sódio.

Por Luíza Tiné, para o Blog da Saúde

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A surpreendente razão pela qual os inventores da pílula anticoncepcional decidiram que as mulheres deveriam continuar menstruando

Você já se perguntou por que a pílula deve ser tomada por três semanas e seu uso, interrompido na quarta? Alguns podem imaginar que seus criadores tenham feito isso por razões médicas, mas o motivo não foi científico, mas cultural

A pílula anticoncepcional é considerada por muitos como um símbolo da emancipação feminina ao permitir a elas ter relações sexuais sem medo de engravidar. No entanto, a história por trás do seu desenvolvimento não teve muito a ver com essa ideia.

Por exemplo: você já se perguntou por que o ciclo de uso pílula envolve tomá-la por três semanas e interromper o uso (ou adotar um placebo) na quarta semana? Alguns podem imaginar que seus criadores, John Rock e Gregory Pincus, tenham feito isso por razões médicas, mas o motivo não foi científico, mas cultural.

Rock era um católico devoto, e para ele era importante obter a aprovação do Vaticano. Por isso, ele queria que o sistema anticoncepcional fosse o mais parecido possível com outro já aprovado pela Igreja Católica, o método rítmico, conhecido popularmente como tabelinha, que consiste em não fazer sexo no período de ovulação, quando a mulher está fértil.

Por isso, Rock pensou que, se a pílula emulasse o ciclo natural, poderia ser vista com bons olhos pelo papa. Mas seu plano fracassou. A pílula foi aprovada em 1960 e tornou-se muito popular, mas a Igreja levou quase uma década para se manifestar publicamente e, quando o fez, condenou o método por considerá-lo “artificial”.

Esquecimento
A essa altura, a principal preocupação já não era a Igreja, mas as mulheres. Como se tratava da reprodução (de evitá-la, para ser mais preciso), alguns homens se preocupavam em deixar essa responsabilidade na mão delas. O sistema criado por Rock e Pincus exige que as mulheres sigam com muita atenção seu ciclo de uso, tomando a pilula por 21 dias e interrompendo por sete. Caso se esqueçam de alguma dose, perde-se o efeito anticoncepcional.

Preocupado com a possibilidade de sua mulher se esquecer da pílula diária, um homem chamado David Wagner, que era pai de quatro filhos, criou em 1961 uma embalagem redonda que permite ver se a mulher está tomando a pílula corretamente. Várias empresas farmacêuticas copiaram o modelo, que segue popular ainda hoje em alguns países.

A forma de promover essa nova apresentação da pílula revela muito sobre aquela época, como ressaltou a jornalista Leila Ettachfini em um artigo no site Broadly. “Fácil para que você explique… e para que ela use”, dizia um anúncio de 1964 da empresa Ortho-Novum. Outra publicidade, de 1969, da marca Lyndiol dizia aos médicos para “proteger sua paciente do próprio esquecimento”.

‘Nenhuma razão médica’
Muitos especialistas acreditam que os inventores da pílula podiam ter evitado tudo isso — e não apenas porque a sociedade finalmente aceitou, com o tempo, que as mulheres não precisavam de um homem para lhes explicar nada.

O médico baiano Elsimar Coutinho, coautor do livro Menstruação, a Sangria Inútil (Gente, 1996), argumenta que “a ovulação incessante não cumpre nenhum propósito” e que as mulheres, se assim quiserem, podem tomar a pílula por períodos mais longos para evitar não apenas a gravidez, mas a própria menstruação, que é muitas vezes incômoda e dolorosa.

O jornalista e sociólogo Malcom Gladwell apoiou essa ideia em 2000 em um ensaio publicado na revista “The New Yorker” sobre o ciclo de 28 dias idealizado por Rock e Pincus dizendo: “Não havia e não há nenhuma razão médica para isso”. Coutinho, diz Gladwell, destaca que a menstruação gera uma série de problemas de saúde que poderiam ser evitados ao suprimi-la: dores abdominais, alterações no estado de ânimo, enxaquecas, endometriose e anemia.

Por sua vez, Ettachfini afirmou em seu artigo que na verdade existem dois anticoncepcionais orais que podem ser tomados de forma contínua, sem sangramentos mensais. O Seasonale foi lançado em 2003 e propõe só quatro menstruações por ano: uma a cada estação. E, em 2007, foi aprovada a primeira pílula sem pausas para menstruar, a Lybrel.

Críticos
Ainda que chame atenção o fato de que poucas mulheres saibam que podem optar por não menstruar, também não há um consenso de que isso seja uma boa ideia. Há cientistas que inicialmente advertiram não haver estudos consistentes sobre o efeito para uma mulher de não menstruar por longos períodos de tempo. Mas especialistas concordam que isso não gera problemas de saúde.

Há ainda quem alerte sobre os perigos de se tomar a pílula, em especial por períodos prolongados. O site Broadly publicou um ano atrás que há cada vez mais estudos que falam da existência de um vínculo entre o uso de anticoncepcionais hormonais e a depressão, citando um uma pesquisa dinamarquesa que mostrou que adolescentes que tomavam a pílula tinham “um risco 80% maior” de terem de tomar antidepressivos.

Por outro lado, para algumas mulheres, menstruar é uma parte fundamental de sua identidade, ainda que outras se recusem a associar o ciclo reprodutivo com a identidade de gênero. A certeza é que, no fim das contas, o importante é que as mulheres saibam que têm mais de uma opção.

G1

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Antidepressivo na gravidez é possível ameaça para o desenvolvimento saudável do filho

Segundo estudo, medicamento pode gerar pessoas mais vulneráveis a depressão e ansiedade


Os impactos da ingestão de antidepressivos durante a gravidez não são consenso na área médica, com pesquisas científicas indicando resultados opostos. Estudo divulgado por uma equipe da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, na publicação especializada British Medical Journal indica que a ingestão do medicamento prejudica a saúde mental dos filhos a longo prazo, os tornando mais vulneráveis a males como depressão, ansiedade e transtorno do deficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

A equipe liderada por Xiaoqin Liu chegou à conclusão após a análise de dados de 905.383 crianças nascidas entre 1998 e 2012. Dessas, 32.400 desenvolveram um transtorno psiquiátrico, sendo que algumas nasceram de mães que estavam tomando antidepressivos durante a gravidez e outras não haviam sido expostas à medicação. “Mas quando olhamos para as crianças nascidas de mulheres que seguiram ou interromperam o tratamento com antidepressivo durante a gestação, podemos ver um risco aumentado de desenvolver um distúrbio psiquiátrico”, diz Xiaoqin Liu.

As crianças foram divididas em quatro grupos. No primeiro, ficaram aquelas não expostas a antidepressivos no útero. No segundo, as cujas mães estava tomando o remédio até descobrirem a gravidez e interromperam o tratamento. O grupo 3 foi composto pelos filhos das mães que estavam ingerindo antidepressivos antes e durante a gestação. E o quarto, por meninos e meninas cuja mãe iniciou o tratamento com o remédio já grávida.

A análise dos dados mostrou um número crescente de crianças com transtornos psiquiátricos no grupo em que as mães estavam usando antidepressivos durante a gravidez. Aproximadamente duas vezes mais crianças foram diagnosticadas com o problema no grupo 4 (14,5%), quando comparadas com as do grupo 1 (8%). Nos grupos 2 e 3, 11,5% e 13,6% dos participantes foram diagnosticados com transtorno psiquiátrico aos 16 anos de idade, respectivamente.

Prudência
Trine Munk-Olsen, integrante do estudo, ressalta que a equipe considerou o papel da herança genética ao analisar os dados. “Nossa pesquisa mostra que a medicação parece aumentar o risco, mas essa herdabilidade também faz parte”, diz. “Escolhemos realizar o estudo com o pressuposto de que os transtornos psiquiátricos são altamente hereditários. Por essa razão, queríamos mostrar que é muito estreito se você apenas olha o autismo, o que muitos estudos anteriores fizeram. Se a herdabilidade faz parte, outros distúrbios psiquiátricos, como depressão, ansiedade e sintomas semelhantes ao TDAH, também aparecerão nos dados “, completa.

A equipe ressalta ainda que os resultados do estudo não devem ser levados à risca. A intenção é ajudar médicos e pacientes na definição de como conduzir o tratamento ao longo da gestação, considerando que há casos em que a ingestão do antidepressivo pode ser interrompida e há outros que não. “Nesse caso, as mulheres não devem se sentir culpadas. Mesmo que haja um risco aumentado de que a criança desenvolva um transtorno psiquiátrico mais tarde na vida, nossa pesquisa mostra que não podemos culpar apenas a medicação. A herdabilidade também desempenha um papel”, diz Trine Munk- Olsen. Segundo os autores, a estimativa é de que entre 2% e 8% das grávidas tomem o remédio.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Exame pode aumentar chances de gravidez natural após ser realizado

Histerossalpingografia é o segundo mais procurado para rastreio de infertilidade

Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2017 – O nome pode até assustar, mas o exame de Histerossalpingografia (HSG) é um importante aliado na hora de investigar qualquer suspeita de infertilidade entre as mulheres, ficando em segundo lugar entre os exames do gênero – atrás somente do espermograma. No Brasil, os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram a estimativa de que 300 mil casais – em torno de 15% – não consigam ter uma gestação e filhos de forma natural, precisando recorrer a tratamentos de reprodução assistida. Porém, há estudos que mostram a eficácia do exame de HSG no estímulo da gestação, com até 20% dos casais que se submeteram a ele tendo sucesso na fertilização natural.

Segundo o radiologista Antonio Coutinho Jr., integrante do corpo clínico do Alta Excelência Diagnóstica, o exame é focado na anatomia feminina e consiste em uma radiografia do útero e das trompas que mapeia o caminho da fecundação. Desta forma, o especialista pode identificar, através do contraste, qualquer problema que exista no corpo da paciente e que esteja impedindo a fertilização do óvulo, como trompas alteradas, obstruções tubárias, fibrose nas regiões peritubáricas e outras anormalidades. Pacientes que já tiveram infecções ou cirurgias pélvicas, tumores benignos no útero ou perdas gestacionais também podem faze-lo sem qualquer complicação. Praticamente indolor, sem necessidade de internação e rápido, ele demora cerca de 30 minutos para ser feito.

“Já tivemos relatos de casos de gestações após a realização do exame. Em alguns estudos, cerca de 11 a 20% de casais previamente inférteis cuja mulher fez HSG engravidaram dentro de quatro meses após o exame, e essa taxa sobe para 20 a 30% quando eles também fazem algum tipo de tratamento após a procura do especialista”, conta o dr. Antonio. Isso tende a acontecer provavelmente pelo estímulo provocado pelo exame no aparelho reprodutor feminino com a lavagem mecânica das trompas, o estímulo dos cílios da mucosa tubária e a liberação de aderências peritubárias frouxas, porém ainda sem confirmação.

A HSG deve ser realizado uma semana após o início da menstruação, mas antes do período em que a paciente esteja ovulando, para o especialista ter a certeza de que ela não estará grávida durante o exame. Caso a mulher tenha qualquer infecção ou inflamação ginecológica ainda não completamente curada, é indicado que ela procure um especialista na área para finalizar o tratamento antes de submeter-se à HSG.

“Como não é um exame muito comum, sempre me preocupo em tirar todas as dúvidas que a paciente possa ter antes de iniciá-lo. Para isso, uso um modelo de plástico que recria o útero para que elas possam ver tudo o que será feito durante a HSG. Isso costuma dar mais confiança para a paciente e reduzir a ansiedade”, explica o radiologista.

Para aumentar um pouco mais o conforto das mulheres, o exame no Centro Médico do BarraShopping é feito com o contraste aquecido no aparelho, o que diminui a intensidade das cólicas – comuns de acontecerem durante o procedimento. Outro fator que melhora o desconforto é a injeção do contraste através de um cateter flexível e fino. O exame está disponível para agendamento com antecedência no Alta Excelência Diagnóstica da Barra da Tijuca. Para garantir maior conforto e bem-estar, as pacientes são atendidas no Espaço Mulher, um ambiente exclusivo localizado dentro do laboratório.

Foto: Reprodução

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