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terça-feira, 21 de agosto de 2018

40% dos brasileiros fazem auto-diagnóstico médico pela internet


Imagem relacionadaGrande maioria são pessoas das classes A e B, com curso superior e jovens

Pessoas das classes A e B, com curso superior e jovens, são o perfil dos pacientes que usam a internet para se autodiagnosticar, segundo levantamento de um instituto, entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica. O terceiro estudo do instituto sobre o tema apontou que 40,9% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet. Desses, 63,84% têm formação superior.

A última edição do estudo, de 2016, já apontava patamar de 40% de autodiagnóstico online, mas dessa vez foi traçado o perfil socioeconômico. “É uma novidade e nos surpreendeu muito, porque imaginávamos que quem se autodiagnosticava eram pessoas que não têm acesso ao médico. Mas são das classes A e B, esclarecidas e com poder econômico para buscar informação de saúde mais concreta e consciente”, diz o diretor de pesquisa do Instituto.

Entre os que fazem autodiagnóstico 55% são das classes A e B e 26%, das classes D e E. “Pessoas de baixa renda ainda buscam mais o médico em prontos-socorros. Quanto mais idosas, mais recorrem ao médico, pois têm dificuldade com a internet de modo geral.” O levantamento foi feito em maio em 120 municípios, incluindo todas as capitais, e ouviu 2.090 pessoas com mais de 16 anos. Para os pesquisadores, o imediatismo está entre as motivações, principalmente na geração de 16 a 34 anos.

A professora Isabella Oku, de 28 anos, é um exemplo. “Evito ir a consultas em relação a certos sintomas, coisas que não são tão graves, como alergias.” Há cerca de oito meses, ela está com um desconforto na unha, que coça sempre que vai à manicure. Isabella pesquisou na internet uma pomada, que está usando. “Não quero precisar esperar o médico ter disponibilidade para me atender”. Na semana passada, com dor de garganta, já chegou ao consultório dizendo que estava com amidalite. “Tomei antibiótico e não adiantou nada. O médico falou que eu estava resfriada e isso é muito genérico.”

Riscos
Denize Ornelas, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, diz que o número de pacientes que chegam aos consultórios com autodiagnóstico e automedicação é crescente. “O maior impacto é quando chegam por efeitos colaterais ou interação medicamentosa”, diz. “A maior parte das doenças começa com dor, febre, indisposição, sintomas mais gerais. Se o paciente se automedica e não espera a progressão, pode mascarar uma doença. Dor abdominal pode ser azia e má digestão, mas, se você faz uso constante de antiácido, pode retardar um diagnóstico de câncer de estômago. É raro, mas pode acontecer.

Em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu os critérios para que remédios pudessem ser isentos de prescrição médica. Não ter potencial para causar dependência, não ter indicação para doenças graves e ser tomado por prazo curto estão entre os requisitos. “São feitos para sintomas menores, como dor de cabeça, indisposição estomacal”, diz Marli Sileci, da Associação da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição

O Google e o Hospital Israelita Albert Einstein fecharam em 2016 parceria para oferecer informações confiáveis a usuários que fazem buscas na área da saúde por meio de quadros com dados sobre as doenças revisados pelo hospital. No ano passado, foram incluídos dados sobre os sintomas.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

França testa realidade virtual para aliviar dor em salas de emergência

Imagem relacionadaPacientes são “transportados” para cenários exuberantes; ação promove relaxamento e até mesmo aumenta a tolerância à dor, sem uso de remédios

O simples fato de pensar em visitar a emergência de um hospital é estressante para muitas pessoas, mesmo sem o desconforto ou a dor de um exame ou tratamento. Mas um programa imersão em realidade virtual criado por três universitários está sendo usado na França para relaxar pacientes e até mesmo aumentar a tolerância à dor, sem recorrer a drogas. “O que oferecemos é um mundo contemplativo, onde o paciente faz uma visita guiada, no modo interativo, para tocar música, pintar ou resolver um enigma”, disse Reda Khouadra, uma das três pessoas de 24 anos por trás do projeto.

À medida que os pacientes são transportados com os óculos de realidade virtual para um mundo tridimensional de jardins zen japoneses ou encostas cobertas de neve, eles se tornam mais tolerantes a procedimentos menores, porém dolorosos, como receber pontos, tratar queimaduras, inserir um cateter urinário ou recolocar um ombro deslocado no lugar.

“O projeto de realidade virtual nos permite oferecer aos pacientes uma técnica para distrair sua atenção e controlar sua dor e ansiedade ao serem atendidos na sala de emergência”, disse Olivier Ganansia, chefe do departamento de emergência do Hospital Saint-Joseph, em Paris.

“Eu acho que em 10 anos, a realidade virtual não será mais uma questão, e será usada em hospitais rotineiramente”. A startup da Healthy Mind não é a primeira do mundo, mas conseguiu um prêmio de 20 mil dólares de uma universidade de Adelaide, na Austrália – que agora pagará para os três fundadores para apresentarem seu projeto na sede da Microsoft na cidade de Seattle.

R7

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pesquisadores imprimem, pela primeira vez, córnea humana em 3D

Researchers create the first 3D-printed corneas to combat blindnessOs cientistas também demonstraram que é possível construir uma córnea correspondendo às especificações exclusivas de um paciente

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, imprimiram, pela primeira vez, córneas humanas em 3D. De acordo com eles, isso significa que a técnica pode, no futuro, ser usada para garantir um suprimento ilimitado da camada mais externa do olho humano, que desempenha um papel fundamental no enfoque da visão.

Há uma escassez significativa de córneas disponíveis para transplante, com 10 milhões de pessoas em todo o mundo que necessitam de cirurgia para prevenir a cegueira resultante de doenças como o tracoma, uma infecção ocular relativamente comum. Além disso, quase 5 milhões de pessoas sofrem cegueira total devido a cicatrizes na córnea causadas por queimaduras, lacerações, abrasão ou doenças.

A pesquisa britânica, publicada na revista Experimental Eye Research, relata como células-tronco da córnea de uma doadora saudável foram misturadas com alginato e colágeno para criar uma solução que pudesse ser impressa. Usando uma bioimpressora 3D simples de baixo custo, a tinta biológica foi extrusada com sucesso em círculos concêntricos para formar a forma de uma córnea humana. O processo demorou menos de 10 minutos.

Em seguida, as células-tronco foram colocadas em uma cultura para se desenvolver e formar a córnea propriamente dita. “Muitas equipes em todo o mundo têm pesquisado a biotinta ideal para tornar esse processo viável”, diz Che Connon, professor de Engenharia de Tecidos na Universidade de Newcastle, que liderou o trabalho. “Nosso gel exclusivo mantém as células-tronco vivas enquanto produz um material que é rígido o suficiente para manter sua forma, mas macio o suficiente para ser espremido pelo bocal de uma impressora 3D”, continua.

De acordo com ele, a técnica baseia-se em um trabalho anterior da equipe em que as células foram mantidas vivas, por semanas, à temperatura ambiente, dentro de um hidrogel semelhante. “Agora, estamos prontos para usar células-tronco contendo biotinta e permitindo que os usuários iniciem a impressão de tecidos sem ter que se preocupar com o crescimento das células separadamente.

Personalizadas
Os cientistas também demonstraram que é possível construir uma córnea correspondendo às especificações exclusivas de um paciente. As dimensões do tecido impresso foram originalmente retiradas de uma córnea real. Ao examinar os olhos de um paciente, os pesquisadores podem usar as dimensões personalizadas para imprimir rapidamente uma córnea que corresponda ao tamanho e à forma ideais.

“Nossas córneas impressas em 3D terão que passar por mais testes e levaremos vários anos até que possamos realizar transplantes com elas”, diz Connon. “No entanto, o que mostramos é que é possível imprimir córneas usando medidas tiradas do olho de um paciente, e que essa abordagem tem potencial para combater a escassez mundial dessa estrutura.”

Saúde Plena

terça-feira, 24 de abril de 2018

Adesivo mede o nível de glicose no sangue sem precisar usar agulha

Composto por sensores de grafeno, o dispositivo avalia as taxas de açúcar em fluidos existentes entre células e vasos sanguíneos. Solução criada por físicos britânicos poderá ajudar a aumentar a adesão ao tratamento do diabetes

Resultado de imagem para Richard Guy diabetes adesive
University of Bath/Divulgação

O diagnóstico de diabetes é para o resto da vida. Doença crônica que, de acordo com o Ministério da Saúde, afeta 8,9% da população brasileira, ela não permite descuidos: o paciente precisa seguir à risca as recomendações médicas de forma a evitar as consequências da enfermidade que, se não controlada, pode até matar. Faz parte desse monitoramento o controle da glicose, que não pode estar acima nem abaixo do nível ideal. Um dispositivo desenvolvido por físicos da Universidade de Bath, na Inglaterra, promete tornar esse processo mais fácil e, assim, aumentar a adesão ao tratamento.

A rotina de quem tem diabetes inclui picar o dedo uma ou mais vezes por dia com uma lanceta e colocar a gota de sangue em uma fita, que será lida pelo medidor. O procedimento é praticamente indolor, mas isso não impede que muitas pessoas deixem de fazer o controle. Pesquisa recente do portal Minha Vida indicou que 51,3% dos pacientes brasileiros não monitoram a glicose. Desses, 18,4% afirmaram que dispensam o controle por achar o processo incômodo. Para resolver o problema mundial da adesão ao tratamento, cientistas estão buscando meios alternativos de medir os níveis de açúcar na corrente sanguínea.

Na Universidade de Bath, os pesquisadores apostam em um adesivo composto por sensores de grafeno que fazem a medição da glicose no líquido que preenche os espaços vazios entre as células e os vasos sanguíneos, sem precisar furar a pele. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature Nanotechnology, em outras pesquisas foram propostos outros métodos não invasivos, como detecção por meio de suor, lágrimas ou saliva.

“Mas essas estratégias têm duas limitações. Primeiro, porque há uma variabilidade significativa no nível da glicose detectada. Segundo, a proporção entre a concentração de glicose medida nesses fluidos e no sangue é desconhecida. Então, é inevitável ter de fazer a calibração, picando o dedo”, sustenta Richard Guy, pesquisador do Departamento de Farmácia e Farmacologia da universidade e um dos autores do artigo. “Além do desafio da calibração, esses métodos sofrem interferências e, consequentemente, de falta de especificidade.”

Segundo Guy, até agora, a única tecnologia que oferece um monitoramento contínuo e não invasivo da glicose opera provocando um pequeno campo elétrico na pele, que estimula o fluxo do líquido intersticial, onde há concentração de glicose. Sensores, então, fazem a medição da taxa de açúcar circulante. Contudo, o dispositivo, aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) em 2001 e colocado no pulso como um relógio, também exige calibrações periódicas. “Isso acontece porque, por esse método, a glicose é extraída indiscriminadamente e com grandes variações através de uma área relativamente grande da pele”, diz.

Baixo custo
Para tentar solucionar esse problema, Guy trabalhou, em conjunto com o Departamento de Física da Universidade de Bath, com a ideia de também se valer do registro da glicose sem agulhas por um sensor que capta a taxa pelo fluido intersticial, mas dispensando calibração e obtendo resultados os mais precisos possíveis. Os cientistas desenvolveram um microcircuito com sensores de grafeno, material conhecido pelo potencial de condutividade, além de ser leve, fino e maleável. Em contato com a pele, ele consegue medir os níveis de glicose em pequenos reservatórios do líquido, o que, segundo os pesquisadores, dá mais precisão ao teste.

“Devido ao design do circuito de sensores e dos reservatórios, não é preciso calibrar o adesivo com amostra sanguínea, significando que testes que furam o dedo são desnecessários”, diz Guy. O adesivo pode fazer leituras a cada 10 ou 15 minutos por até 12 horas. Atualmente, a equipe trabalha no refinamento do design, na melhora no número de sensores e em testes para se obter a funcionalidade total do dispositivo no período de 24 horas. “Agora que estabelecemos a prova de conceito, esperamos que esse se torne um sensor de baixo custo que envie medições relevantes de glicose para o telefone ou para o relógio inteligente do usuário, alertando-o quando for preciso agir”, diz. As taxas alteradas de açúcar no sangue indicam ao paciente a necessidade de usar a medicação prescrita pelo médico.

A cientista Adrelina Ilie, pesquisadora do Departamento de Física e coautora do trabalho, diz que uma vantagem importante do equipamento em relação a outros com proposta semelhante é o uso do grafeno. “Especificamente, esse material é forte, condutivo, flexível e potencialmente de baixo custo, além de ser ecológico. Graças ao tamanho dos sensores, conseguimos que cada um deles opere em uma pequena área sobre um único folículo piloso do paciente, o que reduz, significativamente, variações inter e intratecido da pele na extração de glicose e aumenta a acurácia das medições, eliminando de vez a calibração por amostra de sangue”, detalha.

Novas práticas
A endocrinologista e professora da Universidade Federal do Paraná Rosangela Roginski Rea, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), afirma que o período atual é de mudança de paradigma no manejo do diabetes, tanto em relação aos métodos de medição de glicose quanto no tratamento medicamentoso. “Existe uma demanda do próprio paciente por novas tecnologias para melhorar o controle do diabetes”, diz. Um deles, cita a médica, é um equipamento que monitora a glicose 24 horas por dia e monta gráficos diários de até 96 medições.

“Nós, médicos, pedimos o tempo todo para os pacientes medirem a glicemia várias vezes por dia. Mas eles só querem medir em jejum. Novos aparelhos que não precisam de picada no dedo e que conseguem verificar a situação da glicemia o dia inteiro estimulam o paciente a encontrar a terapia mais adequada”, diz Rosangela Roginski Rea, lembrando que as flutuações na taxa de açúcar no sangue precisam ser controladas para evitar as complicações crônicas da doença. Outra novidade destacada pela médica é substância dulaglutida, que tem ação prolongada. Como é aplicada apenas uma vez por semana, ela reduz o número de injeções de insulina de 365 para 52 vezes ao ano.

Mais cuidadosos
Estudo da Abbott com 7 mil brasileiros que têm diabetes e utilizam um sistema de monitoramento de glicose que dispensa as agulhadas por até 14 dias mostrou que a tecnologia traz benefícios para o controle e o tratamento da doença. Houve aumento da checagem diária (13,6 vezes em média), que ficou três vezes acima do recomendado pelas diretrizes internacionais. A hipoglicemia dos pacientes foi reduzida em até 26%, e o tempo que eles ficaram com a glicemia acima de 180mg/dl diminuiu 31%. O sistema é composto por um sensor do tamanho de uma moeda de R$ 1 e um leitor. O sensor capta os níveis de glicose no líquido intersticial. O leitor é escaneado sobre o sensor e mostra o valor da glicose medida em menos de um segundo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Falta de lei para postagens na internet pode incentivar alcoolismo

Imagem relacionadaEstudos mostram que postagens com fotos dos amigos no bar ou com propaganda de bebidas podem estimular o consumo de álcool entre jovens. Segundo especialistas, a falta de lei para esse tipo de publicação agrava o problema

Se os adultos que bebem excessivamente tentam esconder esse comportamento a todo custo, entre os jovens a coisa é bem diferente. Para eles, postar foto com uma lata de cerveja na mão, virando o copinho de pinga, brindando com os amigos ou até mesmo visivelmente embriagados parece um atestado de “gente boa”. O que poderia ser apenas uma tentativa de aceitação pelo grupo esconde, porém, uma armadilha perigosa. De acordo com pesquisas recentes, publicações sobre álcool nas redes sociais têm uma influência negativa sobre usuários, com aumento de consumo e de problemas associados à bebida, como faltas à escola e envolvimento em brigas.

Terra de ninguém, carente de mecanismos regulatórios, as redes sociais também são um poderoso outdoor para a publicação de anúncios de bebidas, sem as restrições impostas a outros meios eletrônicos - no Brasil, a tevê só pode veicular propaganda de destilados depois das 21h30, por exemplo. Além das postagens dos usuários, os especialistas em dependência química se preocupam com os efeitos sobre os mais jovens das campanhas de álcool exibidas em sites como Facebook, Twitter, Instagram e Youtube.

Estudiosa do tema, Theresa Marteau, diretora da Unidade de Pesquisa em Comportamento e Saúde da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, diz que 90% dos jovens de 15 a 24 anos e mais de 40% na faixa dos 6 aos 14 anos que acessam a internet têm perfil nas redes sociais. No Brasil, somente o Facebook é acessado por 69% dos usuários de até 29 anos. Uma pesquisa recente sobre anúncios de cervejarias publicada por Marteau na revista Alcohol and Alcoholism conclui que é preciso regulamentar a propaganda de bebidas para proteger os jovens. Propaganda, nesses casos, incluem vídeos promocionais, games, receitas e competições.

De acordo com Marteau, a natureza interativa desse tipo de anúncio faz dele mais efetivo do que a publicidade promocional. “Seja ou não deliberado, nossos resultados mostram que as crianças não estão protegidas do marketing on-line do álcool. Materiais interativos aumentam ainda mais o impacto da propaganda”, diz.

Muitas vezes, a melhor propaganda não é feita pelos anunciantes, mas pelos próprios usuários das redes. Seja no Facebook, no WhatsApp ou no stories do Instagram, as postagens dos jovens atribuindo valores positivos à bebida têm preocupado especialistas. “Se o consumo está associado à sensação de bem-estar e à adequação social, isso pode gerar a impressão de que, para se atingir esses mesmos objetivos, deve-se consumir álcool”, ressalta a psiquiatra Helena Moura, especialista em dependência química (leia Palavra de especialista).

A exposição a esse tipo de conteúdo é imensa, conforme um trabalho norueguês divulgado no mês passado na revista Addictive Behaviors. No maior estudo quantitativo sobre esse tema, os pesquisadores da Universidade de Bergen investigaram o contato de 11.236 universitários com posts a respeito de álcool gerados pelos próprios usuários das redes sociais. Os resultados mostram que 96,7% deles já haviam sido expostos a posts relacionados à bebida, sendo que, em 81% dos casos, a mensagem era positiva. Por outro lado, em apenas 40% das vezes, essa associação foi negativa. “Podemos supor que a frequência à exposição é um fator importante, à medida que exposições mais frequentes podem, particularmente, fortalecer interpretações sobre o uso de álcool”, destacaram os autores.

Para o presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), fundador e supervisor do Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo e professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, Arthur Guerra, embora o fenômeno das redes sociais seja recente, o estudo norueguês é um forte indicativo do tamanho do problema. “Há pouquíssimos estudos sobre isso, mas o da Universidade de Bergen mensurou a relação de álcool e a exposição nas mídias sociais. E a grande parte do conteúdo reflete o aspecto positivo, de que o álcool é legal, faz você aceito pelo grupo”, afirma.

O médico lembra que essa associação sempre foi feita pelos jovens, mas diz que, agora, a exposição à bebida e a esse tipo de mensagem é muito mais frequente. “No meu tempo, o jovem tinha contato com o álcool quando saía para dançar e usava a bebida para perder a timidez. Nas redes sociais, o contato com a bebida é o tempo todo”, exemplifica. Para ele, as novas mídias exigem uma nova abordagem do assunto. “Não adianta dizer para o jovem que ele vai morrer por causa do álcool ou vai se tornar dependente. Deveria haver um esforço maior de informação, na linguagem dele.” Guerra acredita que os youtubers - apresentadores de canais no Youtube, seguidos por milhões de usuários - poderiam desempenhar esse papel. “Eles são lideranças e poderiam passar a mensagem de que, se você quer beber, que beba, mas de forma moderada”, afirma.

Saúde Plena

sexta-feira, 23 de março de 2018

SUS: lobby tenta evitar prontuários eletrônicos, diz ministro da Saúde

Ministro diz que implantação dos prontuários eletrônicos para marcação de consultar está atrasado por causa de problemas na licitação


Ricardo Barros, ministro da Saúde, defendeu na última sexta-feira (16) a importância da implantação dos prontuários eletrônicos no SUS (Sistema Único de Saúde) e disse que o atraso para que os sistemas comecem a funcionar se deve a problemas com a licitação.Segundo ele, com a digitalização, cada cidadão poderá ter todas as suas informações de saúde no próprio celular, agendar consultas ou confirmar presença e ainda avaliar cada serviço que recebe.

— Pelo menos 20% das pessoas que têm consulta agendada no SUS não comparecem. Com esse sistema podemos chamar para cobrir uma consulta de alguém que desiste na véspera.Por meio do prontuário eletrônico será possível também que o médico tenha acesso a todo o tratamento, exames, medicamentos. Isso garantirá mais qualidade no atendimento e uma economia de R$ 20 bilhões por ano para o sistema, disse o ministro após participar da abertura do Seminário Novas Tecnologias em Saúde. Barros explicou ainda que o atraso para implantar os prontuários eletrônicos ocorre em razão de uma licitação que está suspensa pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

— O lobby para evitar a informatização é muito grande porque todos os que vivem de desvios do SUS por desinformação vão perder. Muita gente fatura hoje por esse descontrole. Mas todas as outras licitações estão feitas, o cadastramento das empresas e as provas de conceito também. Logo os municípios poderão escolher as empresas que farão a implantação do sistema, afirmou.

R7

terça-feira, 13 de março de 2018

Cientistas dos EUA criam material que imita as funções da epiderme humana

Pele eletrônica em versão super, além de ser maleável, é reciclável e capaz de se recuperar após sofrer lesões.A solução poderá ser usada em robôs e equipamentos médicos


Maleável, autorreparável e completamente reciclável, uma nova pele eletrônica desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos, poderá ajudar a desenvolver equipamentos biomédicos de maior qualidade e servir de matéria-prima para a fabricação de robôs e próteses hiper-realistas, segundo estudo publicado em fevereiro na revista Science Advances.

Conhecido como e-skin, trata-se de um material translúcido e bastante fino que pode imitar a função e as propriedades mecânicas da pele humana. Um número de diferentes tipos e tamanhos de pele eletrônica tem sido desenvolvido em laboratórios pelo mundo, à medida que os pesquisadores reconhecem seu valor nos campos da medicina, ciência e engenharia.

A nova e-skin do Colorado tem sensores anexados para medir a pressão, a temperatura, a umidade e o fluxo de ar, diz Jianliang Xiao, pesquisador que lidera o projeto, ao lado do bioquímico Wei Zhang. De acordo com o especialista, a pele tem propriedades distintas, incluindo um novo tipo de polímero que, atado a nanopartículas de prata, fornece melhor força mecânica, além de estabilidade química e condutividade elétrica.

“O que é único aqui é que esse polímero permite que a e-skin seja tanto autorreparadora quanto totalmente reciclável à temperatura ambiente”, diz Xiao. “Considerando os milhões de toneladas de lixo eletrônico gerado em todo o mundo a cada ano, o potencial de reciclagem da nossa e-skin dá a ela um valor econômico e ambiental.”

Para exemplificar os benefícios da pele eletrônica, Zhang cita o filme Terminator, no qual a pele do principal vilão é recuperada segundos depois de ele levar tiros, pancadas ou ser atropelado. Embora o novo processo não seja tão dramático, a e-skin se recupera de cortes e rachaduras, salvando, inclusive, seus sensores, graças a uma mistura de três componentes do etanol, explica o pesquisador.

Outro benefício do novo material é que ele pode ser facilmente acomodado em superfícies curvas, como braços humanos e mãos robóticas, ao aplicar calor moderado e pressão, sem estresse excessivo. “Vamos dizer que você quer que um robô tome conta de um bebê. Nesse caso, você integra a e-skin aos dedos do robô para que ele possa sentir a pressão da criança. A ideia é copiar a pele biológica com a e-skin para o desempenho de funções variadas”, diz Zhang.

Partículas de prata
Para reciclar a pele, o dispositivo é mergulhado em uma solução apropriada, fazendo com que os polímeros se degradem em oligômeros (polímeros com grau de polimerização abaixo de 10) e monômeros (pequenas moléculas que podem se agrupar em polímeros), solúveis no etanol. As partículas de prata afundam para a base da solução. “A solução reciclada e as nanopartículas podem ser usadas para fazer nova pele eletrônica funcional”, afirma Xiao.

Um outro tipo de pele eletrônica está sendo desenvolvido na Universidade de Dresden, na Alemanha, com a pretensão de fazer uma ponte entre o mundo físico e a realidade virtual. Ela é capaz de manipular objetos sem vê-los nem tocá-los. À primeira vista, a pele, que é mais fina que um fio de cabelo humano, se parece com uma tatuagem simples, mas há muito mais por trás desse material, quase um gadget de filme de ficção científica.

O pequenino dispositivo tem sensores magnéticos que interagem com um ímã para detectar o movimento físico. Esses sensores, então, transmitem a informação a um software conectado. Trabalhando com qualquer ângulo de movimento, o programa de computador manipula um objeto na realidade virtual. Isso significa que ajustar um dimmer de luz ou digitar num teclado virtual pode ser feito apenas com um abano de mão.

“Nossa pele eletrônica acompanha o movimento da mão, respondendo ao campo magnético”, diz Gilbert Cañon Bermúdez, principal autor do estudo. “Isso não apenas significa que podemos digitalizar suas rotações e transladar essa informação para o mundo virtual, mas também influenciar objetos que estejam lá”, diz. A tecnologia ainda está num estágio embrionário, mas os pesquisadores fizeram algumas demonstrações para provar sua viabilidade. O dispositivo pode, entre outras coisas, reduzir o brilho de uma lâmpada virtual ou discar números em um teclado de computador, por exemplo.

Foto: Someya Laboratory/ The Shillong Times

terça-feira, 6 de março de 2018

Cientistas desenvolvem terapia virtual contra paranoia e ansiedade

Mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia, que simula estar em uma realidade cheia de avatares virtuais

Uma terapia que combina realidade virtual com tratamentos tradicionais, desenvolvida por cientistas na Holanda, pode se tornar um grande aliado para combater a paranoia e a ansiedade em pessoas com transtornos psicóticos. Testes clínicos realizados em 116 pacientes tiveram resultados promissores, descreveram cientistas na revista The Lancet Psychiatry. Segundo o estudo, os exercícios tornaram as relações sociais dos pacientes menos tensas.

Embora animado, o grupo de especialistas liderado por Roos Pot-Kolder, da VU University da Holanda, destaca que mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia, que simula estar em uma realidade cheia de avatares virtuais.

Estima-se que até 90% dos pacientes com psicoses têm pensamentos paranoicos, o que os leva a perceber ameaças onde não há nenhuma. Como resultado, muitos evitam lugares públicos, assim como o contato com pessoas, passando muito tempo sozinhos. A terapia cognitivo-comportamental (CBT), em que os pacientes recebem ajuda para superar problemas que parecem esmagadores, ajuda a reduzir a ansiedade, mas faz pouco para controlar a paranoia. Daí a expectativa em torno do novo estudo.

Para o teste, os 116 participantes receberam um tratamento tradicional, com medicação antipsicótica e consultas com o psiquiatra. Metade deles também praticou interações sociais em um ambiente virtual. Essa parte da terapia consistiu em 16 sessões de uma hora de duração, num período de entre oito a 12 semanas.

Os pacientes foram expostos, por meio de avatares virtuais, a situações sociais que provocariam medo e paranoia em quatro cenários: a rua, o ônibus, o café e o supermercado. Os terapeutas podiam alterar a quantidade de avatares, sua aparência e se as respostas já registradas para o paciente eram neutras ou hostis. Os especialistas também aconselhavam os participantes, ajudando-os a explorar e testar seus próprios sentimentos em diferentes situações.

Eles foram avaliados no início do teste, três meses e seis meses depois. O estudo revelou que a exposição à realidade virtual não aumentou o tempo que os participantes passaram com outras pessoas, mas, sim, a qualidade das interações. “A adição da realidade virtual aos tratamentos tradicionais reduziu os sentimentos paranóicos e o uso de comportamentos ansiosos em situações sociais, em comparação com a terapia padrão sozinha”, resumiu a autora principal, Roos Pot-Kolder.

Foto: Reprodução

Saúde Plena

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Pílula usa gases do organismo para detectar doenças intestinais

RMIT University
Pesquisadores inventaram uma pílula inteligente que detecta gases no intestino dos pacientes e poderá ser usada para identificar problemas na região

Pesquisadores australianos desenvolveram uma pílula inteligente que detecta gases liberados no intestino e envia, a cada cinco minutos, informações para um dispositivo externo. Os cientistas acreditam que, no futuro, essa tecnologia poderá ser usada para diagnosticar doenças gastrointestinais.

Os mecanismos do sistema digestivo ainda são pouco conhecidos até por especialistas. Sabe-se que os alimentos são degradados para facilitar a absorção dos nutrientes e eliminação dos resíduos. Entretanto, há milhares de variáveis no trato digestivo de cada pessoa. “Temos uma série de malabsorções de carboidratos, como podemos diferenciá-las? Como elas impactam o intestino? E em quais pontos?”, exemplifica Kourosh Kalantar Zadeh, da Universidade RMIT, na Austrália, à BBC.

O novo dispositivo representa uma abordagem inovadora para responder a essas perguntas, em tempo real, e de forma pouco invasiva. Em um estudo publicado recentemente no periódico científico Nature Electronics, cinco pessoas ingeriram a cápsula. Os pesquisadores receberam informações sobre quanto tempo a pílula demorou para passar pelo sistema gastrointestinal e o aumento na ingestão de fibras, por exemplo.

“O que você está medindo aqui são as flatulências antes de serem expelidas. Trata-se de um sensor de gases, então quanto mais conseguirmos analisar o teor deles, melhor a informação que teremos sobre o intestino do paciente”, diz o professor Kourosh Kalantar Zadeh, da RMIT University, na Austrália.

Características do dispositivo
O dispositivo mede 26 milímetros de comprimento por 9,8 milímetros de largura, o tamanho máximo para uma pílula ser engolida. Dentro, há uma pequeno termômetro, um radio transmissor que envia os dados a um dispositivo externo que cabe no bolso, uma bateria e sensores que detectam oxigênio, hidrogênio e dióxido de carbono. Apesar do nosso corpo liberar outros gases, o rastreamento desses três já diz muito sobre o funcionamento do órgãos.

Oxigênio, hidrogênio e dióxido de carbono
O oxigênio, por exemplo, serve como um dispositivo de localização: ele mostra aonde o corpo esta quebrando aerobicamente (com oxigênio) ou anaerobicamente (sem oxigênio) os conteúdos. Já os níveis de dióxido de carbono dão uma ideia sobre o microbioma da pessoa: as bactérias do intestino liberam CO2 como resultado de seu metabolismo e a quantidade certa desse gás mostra que o microbioma está vivo e prosperando, segundo informações do site Quartz.

O hidrogênio é provavelmente o gás mais importante para se acompanhar do ponto de vista clínico porque ele mostra quando os alimentos estão sendo quebrados durante a fermentação. Sua liberação geralmente acontece quando o processo normal do intestino falha em quebrar o alimento e, geralmente, é um sinal de que o corpo daquele paciente não se dá bem com determinados tipos de comida.

Apesar do estudo ser pequeno, não houve relato de efeitos adversos associados à pilula. Isso significa que, no futuro, o diagnóstico de uma doença complexa ou intolerância pode ser feito a partir da simples ingestão de uma pílula.

Veja

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Cientistas criam adesivo de insulina que pode substituir injeções em diabéticos

Adesivo que estimula a produção de insulina deverá ser testado em humanos em breve, afirmam os pesquisadores
Divulgação - Adesivo que estimula a produção de insulina deverá
 ser testado em humanos em breve, afirmam os pesquisadores
Testes em ratos foram bem-sucedidos, afirmaram os pesquisadores; colado na pele, adesivo é capaz de estimular a produção do hormônio no corpo

Mais de 300 milhões de pessoas que vivem com diabetes poderão se beneficiar com a invenção de um novo dispositivo que promete substituir o uso de injeções dolorosas de insulina e testes de punção. Cientistas americanos desenvolveram um adesivo para colocar na pele que parece ser inovador. Ele é capaz de estimular a própria produção de insulina do corpo e controlar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes . Além de ser livre de dor, a aplicação é feita semanalmente.

O tratamento formulado bioquimicamente ajuda a manter a condição controlada fornecendo uma substância natural, que é extraída de algas marrons e misturada com agentes terapêuticos, através de microagulhas dissolvíveis – projetadas para liberar os ingredientes ativos rapidamente quando necessário e para diminuir ou parar quando os níveis de glicose se estabilizam. Ainda não foram realizados os testes com humanos, mas os pesquisadores afirmaram que sua eficácia como um tratamento foi comprovada após avaliações em camundongos.

As taxas de diabetes aumentaram nas últimas duas décadas. A doença afeta 371 milhões de pessoas em todo o mundo, metade das quais não sabem do diagnostico , conforme informou a Federação Internacional de Diabetes. A condição é uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e amputação de membros inferiores.

O diretor científico do National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (NIBIB) em Maryland, nos Estados Unidos, Richard Leapman afirmou que esta abordagem experimental poderia ser uma maneira de tirar proveito do fato de que pessoas com diabetes tipo 2 ainda podem produzir alguma insulina. “Um adesivo semanal também seria menos complicado e doloroso do que as rotinas que exigem exames de sangue frequentes”, afirmou Leapman.

Como funciona
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que permite que o corpo use açúcar (glicose) de carboidratos nos alimentos ingeridos. É responsável por mover a glicose da corrente sanguínea para células onde o açúcar pode ser convertido em energia ou armazenado. No entanto, em pessoas com diabetes tipo 2, a capacidade do corpo de fazer ou usar insulina é progressivamente prejudicada.

Muitos pacientes necessitam de terapia com insulina, geralmente por injeção, em quantidades que são calculadas de acordo com o déficit individual do hormônio no sangue. Mas, segundo observaram os pesquisadores, a terapia com insulina não é bem gerenciada na metade dos casos. Sendo assim, foi pensada uma fórmula que consiste em dois compostos – exendin-4 e glicose oxidase – que reagem com a química do sangue para desencadear a produção de insulina. Cada um é combinado com uma partícula mineral de fosfato, que estabiliza o composto até que seja necessário.

“A maioria das abordagens atuais existentes para este fim envolve a liberação constante de insulina. Já a nossa abordagem cria uma onda de liberação rápida apenas quando necessário e depois retarda ou mesmo para a liberação quando o nível de glicose fica estável”, ressaltou o diretor científico. A ideia agora é partir para testes em humanos para comprovar a eficácia e aperfeiçoar o método.

iG

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Tecnologia aplicada à saúde promove empoderamento médico

“A medicina digital é o fim da Medicina ou o fim da doença?”


O questionamento do presidente da International Telemedical Systems do Brasil, Roberto Botelho, abriu sua fala sobre a Medicina Digital e as Fronteiras do Mundo Digital: da assistência à pesquisa clínica, no IV Congresso Internacional CBA 2017. Ele prosseguiu afirmando que a pesquisa clínica não vai parar e que acredita que a tecnologia vai empoderar o médico. Botelho defendeu ainda que quanto maior e mais completa for a coleta de dados, maior será a precisão da informação. Outro destaque do evento foi a fala da diretora executiva do Instituto PENSI do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, Fátima Fernandes, que além de ressaltar a importância da pesquisa e da informação, mostrou a experiência do uso de tecnologia na instituição, que implementou, com a apoio do Ministério da Saúde, um projeto de capacitação de agentes comunitários de saúde para detectar sinais precoces de câncer infanto-juvenil no estado do Amazonas. Por meio de videoaulas, o projeto que também utiliza a telemedicina, permite que a equipe de médicos oncologistas do Hospital, preste segunda opinião e discuta casos com os agentes de saúde amazonenses. O programa vem sanar uma carência regional, explica ela: “Nossa equipe de oncologistas mapeou previamente que se tratava de uma região carente de diagnósticos precoces, o que levava a um desfecho muito dramático dos casos de câncer na infância”.

O presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino de Araújo Cardoso Filho, encerrou o debate destacando que o Brasil é um ‘continente’, heterogêneo. “Esta heterogeneidade faz com que seja necessário que tenhamos pessoas extremamente rápidas em determinados conceitos, plataformas, ferramentas, aquisição de dados, transformando esses dados em informações e essas informações em ferramentas”.

Imagem Ilustrativa

Cláudia Freitas - Jornalista
 SB Comunicação - Jornalismo (21) 3798-4357

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Nova vacina para o câncer ensina o corpo a enfrentá-lo sozinho

cancer
Essa nova forma de combater o câncer promete mudar a
 oncologia (Foto: Science Photo Library/Science Photo Library)
Os primeiros testes em seres humanos já foram iniciados – e abrem caminho para uma forma revolucionária de tratar o câncer

Cada dia mais avançada, a imunoterapia para o tratamento do câncer começou a escrever mais um capítulo de sua história: uma vacina terapêutica está atualmente passando pelos primeiros testes em seres humanos. Os responsáveis vêm da empresa americana Moderna, que anunciou em meados de novembro a novidade. Trata-se de uma vacina terapêutica personalizada – diferentemente das convencionais, ela será usada após o paciente receber o diagnóstico. É um tratamento que faz o próprio organismo reconhecer o câncer como um inimigo.

A tecnologia em questão foi batizada de mRNA 4157. E o nome tem motivo: a nova arma “se aproveita” do mecanismo do nosso RNA mensageiro, o mRNA, para agir no corpo. Se você não está com as aulas de biologia fresquinhas ne memória, basta entender que essas moléculas recebem e enviam ordens do DNA para o corpo.

Como vai funcionar a vacina mRNA-4157
1) Antes de tudo, identifica-se, no organismo do paciente, as principais mutações presentes em seu câncer. Sim, o tumor de cada paciente tem diferentes mutações, mesmo que se aloje no mesmo órgão.
2) A partir disso, são identificadas as 20 mutações que, de acordo com particularidades do seu organismo, têm maior chance de causar a reação imune desejada.
3) Com tecnologias de última geração, os cientistas transmitem essa informação para moléculas de mRNA e as inserem na vacina.
4) Uma vez injetadas no paciente, as moléculas de mRNA ensinam as suas células de defesa a detectar as tais mutações do câncer.
5) Aí, o sistema imune consegue combater “sozinho” o tumor.

Ou seja: como outras armas da imunoterapia, a vacina da vez não age diretamente na doença. Ela basicamente turbina as defesas do corpo. Parece incrível, não é mesmo? A ideia da Moderna é que, uma vez aprovada, a injeção fique pronta para cada paciente em poucas semanas depois do diagnóstico. A questão é: a que custo isso virá para a população? De pouco adianta ter uma arma revolucionária, se ninguém consegue pagar por ela. Mesmo que tudo dê certo nos estudos, ainda tem muito chão pela frente para que essa tecnologia esteja finalmente disponível. A previsão é que os resultados dessas primeiras análises fiquem prontos até o fim do ano que vem.

No momento, estão sendo investigadas a segurança e a reposta imunológica dos voluntários durante o uso. Mais adiante, serão esmiuçados a eficácia propriamente da vacina, principalmente quando combinada a uma medicação específica da farmacêutica MSD – o chamado pembrolizumabe. A tal MSD inclusive está apoiando os estudos com a vacina.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Cientistas criam implante de gelatina feita de álcool para combater o câncer

Etanol é responsável por destruir as células tumorais por “envenenamento” de proteínas vitais que precisam se replicar

Cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, desenvolveram um implante que poderá ser um poderoso aliado no tratamento do câncer. Mas o que mais chama a atenção do método é o material no qual o dispositivo foi criado: gelatina e álcool.

O tratamento para combater o câncer , que até o momento só foi testado em animais, seria feito a partir da introdução do implante no tumor, que libera, lentamente, pequenas quantidades de etanol – o álcool que compõe, por exemplo, de 12% a 14% do vinho. À medida que entra em contato com células tumorais, o etanol destrói por “envenenamento” as proteínas vitais que as células precisam replicar.

O uso do álcool para tratar o câncer não nenhuma novidade na medicina. Há muito tempo os médicos sabem que as células cancerosas podem morrer “afogadas” em etanol. O problema é que essa substância química também destrói os tecidos circundantes saudáveis ​​e leva quantidades relativamente grandes de álcool para erradicar completamente as células tumorais, expondo as células normais aos seus efeitos tóxicos.

Como resultado, seu uso foi limitado a canceres onde o tumor está contido dentro de uma cápsula fibrosa que evita o vazamento de álcool, como pequenos tumores de fígado. Nestes casos, uma agulha é passada através da pele sob anestesia local para esguichar álcool nas células cancerosas. 

Novo implante
Para chegar ao resultado final do estudo, os cientistas misturaram etanol com etilcelulose, uma substância feita de polpa de madeira ou algodão que é amplamente utilizada como agente espessante na indústria de alimentos e para revestir medicamentos. A partir daí, foi desenvolvida uma substância firme, gelatinosa, que, uma vez que entra em contato com as condições úmidas dentro do corpo, gradualmente começa a dissolver-se ao longo de uma semana ou mais, liberando sua carga alcoólica.

O diferencial dos outros experimentos já inventados antes é que ele se dissolve lentamente, pequenas quantidades de álcool são liberadas na área do tumor – em vez de “inundar” a área e as células vizinhas saudáveis ​​com álcool injetado. Para testá-lo, cientistas implantaram o gel em sete camundongos com tumores malignos na boca e mediram o tamanho do crescimento canceroso após oito dias. Os resultados, publicados recentemente na revista Scientific Reports , mostraram que os tumores desapareceram completamente nos sete animais que receberam o implante.

Os pesquisadores disseram que a quantidade de álcool no implante de gel era uma fração daquela necessária quando injetada, reduzindo a quantidade de possíveis danos às células saudáveis. Segundo os cientistas, o gel poderia ser usado para tratar outros tipos de câncer, como o de mama, e está sendo estudado para tratar lesões pré-cancerosas no colo do útero. Uma das maiores vantagens é que o tratamento pode ser muito barato.

iG

Inteligência artificial amplia segurança dos pacientes do Hospital 9 de Julho

Sistema de monitoramento inteligente, produzido em parceria com a Microsoft, informa a equipe assistencial sobre situações de risco


Uma tecnologia inédita, que utiliza a inteligência artificial para prevenir quedas de pacientes internados, desenvolvida pela Microsoft, está sendo aplicada em pacientes do Hospital 9 de Julho (SP). A unidade foi escolhida pela empresa de tecnologia por ser um hospital que segue padrões internacionais de qualidade e segurança na assistência aos pacientes.

Para a gerente de qualidade do Hospital, Ana Paula Mikulenas, a tecnologia é uma importante aliada na busca constante pela excelência no atendimento e vai ao encontro das recomendações do Consórcio Brasileiro de Acreditação/Joint Commission International.

O sistema, desenvolvido pela equipe do Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL) da Microsoft, faz o monitoramento dos pacientes por meio de um algoritmo que ‘reconhece’ movimentos que representam riscos e que podem levar a uma queda. Uma câmera instalada no quarto detecta movimentações do paciente como, paciente sentado na cama, grades abaixadas, pernas por cima da grade da cama, pacientes deitados muito próximos à beira do leito, entre outros. As informações são processadas em tempo real por algoritmos avançados que geram alertas e identificam eventos.

Assim que um destes movimentos fora do padrão é detectado, um alerta é emitido imediatamente à equipe de enfermagem, por meio de um sistema de comunicação, que integra voz e mensagens de texto. O alerta é enviado também ao Posto de Enfermagem.

“Durante a internação, é natural estarmos fragilizados e é papel do Hospital oferecer ao paciente todo o conforto e segurança”, Ana Paula.

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br

sábado, 25 de novembro de 2017

Medicina: Nanoantibiótico pode combater superbactérias

Pesquisadores dizem que ele é mais eficaz e não tem efeitos colaterais

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas desenvolveram um nanoantibiótico capaz de combater superbactérias. Ele pode acabar com as doenças de forma mais eficaz e sem efeitos colaterais.

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G1

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

EUA aprovam pela primeira vez pílula digital rastreável

Sensor em pílula envia dados para aplicativo com informações sobre uso (Foto: Proteus Digital Health)
Sensor em pílula envia dados para aplicativo com informações
sobre uso (Foto: Proteus Digital Health)
Sensor acoplado a um antipsicótico é capaz de informar quando e se a droga foi ingerida

Os Estados Unidos aprovaram pela primeira vez uma pílula digital rastreável que informa quando e se o medicamento foi ingerido. Trata-se de um sensor acoplado ao aripiprazol, um antipsicótico já usado para o tratamento de distúrbios mentais, como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar.

Além do combo pílula-sensor, o sistema é composto por uma espécie de adesivo, que vai acoplado ao corpo. O duo, assim, envia as informações para o adesivo que, por sua vez, manda os dados para um aplicativo de celular.

O sensor acoplado à pílula é do tamanho de um grão de areia e é feito de materiais encontrados na comida -- sendo, dessa maneira, absorvidos pelo corpo.

O sistema informa a data e a hora da ingestão da pílula e também alguns dados de atividade fisiológica do medicamento que podem ser úteis para um melhor entendimento do tratamento. A ideia também é que, sob consentimento do paciente, médicos e familiares possam acessar os dados para auxiliar na terapia. A empresa alega que a tecnologia pode ser útil para manter a adesão ao tratamento de pacientes com distúrbios mentais -- uma vez que alguns podem ter dificuldades para manter a terapia durante um longo período de tempo dado o conjunto de sintomas característicos dessas condições.

Contudo, o FDA (sigla para Food And Drug Administration) informa que não foram apresentados estudos mostrando que a tecnologia aumenta a adesão à terapia -- embora o órgão tenha aprovado o dispositivo pelo seu potencial. O FDA é o órgão norte-americano equivalente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil.

Ainda, o informe divulgado pela instituição indica que o órgão está fazendo um esforço para que a nova tecnologia demonstre se efetivamente pode ajudar. "O FDA apoia o desenvolvimento e o uso de novas tecnologias e está comprometido a trabalhar com empresas para entender como essa tecnologia pode beneficiar pacientes e médicos", completa Mathis.

A tecnologia acoplada ao medicamento é um desenvolvimento de duas empresas: a Otsuka Pharmaceuticals e a Proteus Digital Health. As duas empresas informaram que, primeiramente, o sistema só será utilizado em um grupo pequeno de médicos e pacientes.

Cuidados e privacidade
O FDA alerta, no entanto, que o medicamento não deve ser usado para rastrear a ingestão de drogas em tempo real porque pode haver um atraso na disponibilidade da informação.

Pelo mesmo motivo, a tecnologia não deve ser usada para rastreamento em situações de emergência ou em outras circunstâncias em que as informações precisam estar disponíveis rapidamente.

Após a aprovação, a imprensa americana tem levantado questões relacionadas à privacidade de pacientes -- já que, uma vez disponíveis na rede, fortes mecanismos de segurança devem ser desenvolvidos para garantir que os dados só sejam usados em situações relacionadas aos motivos pelos quais a tecnologia foi aprovada.

Sobre o medicamento, o FDA reforça que ele não é indicado para a demência e não há a avaliação da efetividade da droga em pacientes pediátricos. Um outro ponto é que, se associado ao uso de antidepressivos, a droga pode induzir o surgimento de pensamentos suicidas.

G1

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Nunca mais tomes comprimidos fora da validade!

Issue 16E se as embalagens expirassem tal e qual como os produtos, para nos ajudar a saber se estes ainda estão próprios para consumo ou não? Este é o conceito da Self Expiring, uma embalagem inteligente para medicamentos fora da validade

As consequências de consumirmos um iogurte fora de prazo não são graves, mas o mesmo não se pode dizer de um medicamento. A toma de medicamentos fora de prazo é nocivo, e mesmo sabendo isso é fácil incorrermos nessa falha, a embalagem pode danificar-se, a indicação da data de validade pode deixar de ser legível, ou mesmo porque a embalagem exterior pode ser colocada no lixo e não é possível saber o prazo.

Foi com o intuito de solucionar este problema que a designer Kanupriya Goel e o biólogo Gautam Goel se juntaram e desenvolveram um produto que pode salvar vidas, o Self Expiring. Esta é uma embalagem inteligente para medicamentos, que expira, tal e qual como o medicamento no seu interior. Na prática, quando o produto atinge o prazo de validade a embalagem apresenta uma mensagem gráfica de “impróprio para consumo” recorrendo a sinais de perigo mundialmente reconhecidos.

Segundo os criadores da Self Expiring, esta é uma solução que apresenta todos os requisitos para a prevenção da venda ilegal de medicamentos fora de prazo e fatalidades recorrentes do seu consumo.

A Self Expiring é apenas mais um exemplo, tal como os rótulos que desaparecem quando a comida fica estragada, de inovações com recurso a materiais inteligentes e que tornam as nossas vidas mais seguras.

Noctula Channel

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Desenvolvimento de antibióticos potentes ainda é lento, alerta OMS

Enquanto isso, o número de mortes pela falta desses medicamentos não para de crescer. Só a tuberculose resistente mata 250 mil pessoas por ano

Embora microscópicas e unicelulares, bactérias são extremamente espertas. Seres vivos mais antigos a habitar o planeta, elas aprenderam, na história evolutiva, a contornar as ameaças à sua existência. Graças a essa propriedade de mutação genética, as espécies patógenas adquiriram resistência aos antibióticos. E se elas foram rápidas na ação - afinal, a penicilina foi descoberta há menos de 90 anos -, a ciência não está acompanhando esse ritmo. Em relatório divulgado em setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a pesquisa de novos medicamentos está atrasada, ao mesmo tempo em que o número de óbitos provocados por doenças transmitidas por bacilos e outros micróbios perigosos continua em alta.

O documento Antibacterial agents in clinical development - An analysis of the antibacterial clinical development pipeline, including Mycobacterium tuberculosis (Agentes antibacterianos em desenvolvimento clínico — Uma análise do desenvolvimento clínico em andamento, incluindo Mycobacterium tuberculosis) aponta que apenas a tuberculose resistente a antibióticos mata 250 mil pessoas por ano. Ao mesmo tempo, de 51 drogas e combinações de medicamentos dessa classe em testes para tratamento de patógenos resistentes prioritários, somente oito são considerados pela OMS como verdadeiramente inovadores, com “potencial de adicionar valor ao arsenal atual”.

“A resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global que vai comprometer seriamente o progresso da medicina moderna”, avaliou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em um comunicado. “Há uma necessidade urgente de mais investimento em pesquisa para infecções resistentes a antibióticos, incluindo tuberculose, ou, de outra forma, seremos forçados a voltar a um tempo em que as pessoas temiam infecções comuns e arriscavam suas vidas durante pequenas cirurgias”, alertou.

O infectologista do Hospital Santa Lúcia Werciley Júnior, chefe da Comissão de Controle de Infecção do Grupo Santa, lembra que as duas últimas grandes novidades em antibióticos de largo espectro e para combate a bactérias gram-negativas ocorreram, respectivamente, em 1994 e 1998. Há dois anos, uma combinação de drogas preexistentes se mostrou eficaz para a temida KPC (Klebsiella pneumoniae Carbapenemase), popularmente chamada de superbactéria. Esse regime ainda não foi aprovado no Brasil.

Júnior explica que um conjunto de fatores contribui para que as bactérias alterem seus genes de forma a se tornar resistentes aos medicamentos. Os dois principais são o mau uso e o uso abusivo dessa classe de remédios. “Há até pouco tempo, tomava-se antibiótico para tudo: gripe, resfriado, qualquer doença viral”, recorda. “E as pessoas têm essa mania de parar de tratar quando se sentem bem clinicamente. Não pode interromper o tratamento em um primeiro momento, é preciso um uso racional e coerente”, diz.

Mau uso
A coordenadora do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Ana Gales, explica que, mesmo quando há indicação para o antibiótico, é essencial saber com qual bactéria se está lidando. “Quando falamos em uso adequado, estamos falando daquele feito de acordo com o resultado do antibiograma, que é o teste realizado em laboratório para saber se a bactéria é sensível ao antibiótico ou não”, diz. “Com isso estabelecido, a dose correta deve ser prescrita pelo período apropriado de tempo.”

No Brasil, desde 2010, os antibióticos só podem ser comprados com receita médica. Essa é uma medida considerada fundamental pela OMS, para reduzir os riscos de resistência. Contudo, alguns países ainda vendem essas drogas sem necessidade de prescrição. Pesquisa do Escritório Regional da OMS na Europa de 2014 revelou que, em 19 países do continente, era possível comprar alguns antibióticos sem receita; em cinco, a venda pela internet, sem indicação médica, era comum; e em 12, os cidadãos adquiriam facilmente as drogas em clínicas veterinárias e no mercado negro.

O infectologista Werciley Júnior destaca que, além do mau uso e do exagero na utilização dos antibióticos, a aplicação desse tipo de medicamento na pecuária tem grande parcela de culpa no problema das bactérias resistentes. “Quem mais consome antibiótico no mundo são os animais”, lembra. Estudo recente divulgado na revista Lancet Infectious Diseases revelou que na China, por exemplo, a emergência de uma ampla variedade da bactéria E.coli super-resistente a medicamentos está diretamente associada à aplicação de antibióticos na criação suína. “A chave para frear o crescimento das bactérias resistentes é evitar o uso de antibióticos não só em humanos, mas na criação de animais, de desinfetantes e de metais pesados que têm ação antimicrobiana e podem favorecer a resistência bacteriana”, reforça Ana Gales, da SBI.

Prioridades
No relatório divulgado ontem, a OMS listou 12 classes de patógenos prioritários, além do bacilo de Koch, causadores de infecções comuns, como pneumonia e infecção urinária, que estão se tornando extremamente resistentes e, por isso, precisam de novos agentes de combate. Entre eles estão os micro-organismos gram-negativos, incluindo a Acinetobacter e a Enterobacteriaceae.

A OMS alerta que há pouca pesquisa para formulação tanto de antibióticos utilizados em hospitais quanto para os medicamentos orais. “As companhias farmacêuticas e os pesquisadores devem se focar, urgentemente, em novos antibióticos contra certos tipos de infecções extremamente sérias, que podem matar os pacientes em questão de dias, porque não temos linha de defesa contra eles”, alerta Suzanne Hill, diretora do Departamento de Medicamentos Essenciais da OMS.

De acordo com o infectologista Werciley Júnior, a resistência a antibióticos é justamente uma das causas de haver pouca novidade na área. “Para produzir um novo antibiótico, a indústria leva cerca de 10 anos e quatro etapas de pesquisa, a um custo que pode chegar a US$ 8 bilhões. Aí a bactéria rapidamente se torna resistente a ele, e o remédio deixa de ser lucrativo”, explica.

O fim da picada para o diabetes

O glicosímetro FreeStyle Libre, da Abbott, acaba de ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em crianças e adolescentes na faixa dos quatro aos 17 anos que sofrem de diabetes

O produto está disponível no site https://www.freestylelibre.com.br/index.html pelo valor de R$ 239,90 (leitor) e R$ 239,90 (cada sensor). O site também está com uma promoção do kit inicial, contendo um leitor mais dois sensores por R$ 599,70 (um desconto de R$ 120,00).

“Essa geração viverá com a mensuração da glicose via líquido intersticial, em vez do sangue após o diagnóstico do diabetes”, diz Sandro Rodrigues, Country Manager da Divisão de Cuidados para Diabetes da Abbott no Brasil. Isso significa o fim da picada diária no dedo.

“Além disso, ao fornecer informações tangíveis sobre como a alimentação e o estilo de vida influenciam na gestão da glicose, o FreeStyle Libre está contribuindo para formar adultos cada vez mais conscientes sobre a importância de ampliar os cuidados com a saúde para minimizar os riscos da doença”, completa.

O glicosímetro possui um sensor que é aplicado de forma indolor na parte traseira superior do braço da criança. “Para fazer o monitoramento, o paciente, seus pais ou responsáveis precisam apenas passar o leitor sobre a superfície do sensor e a medida da glicose aparece na tela do aparelho”, explica o gerente. Cada sensor pode permanecer no braço por até 14 dias consecutivos, sem que seja necessário trocá-lo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cientistas criam cola capaz de reconstruir pele lesionada em 60 segundos

Produto à base de elastina será capaz de fazer a pele se reconstruir rapidamente e poderá ser usado em partes internas do corpo

Quem já passou por algum processo cirúrgico ou teve uma lesão profunda em que a pele foi cortada sabe que o até a pele formar a cicatriz é preciso tempo e paciência. Apesar de a aparência começar a melhorar depois de sete a 10 dias da data da lesão, mesmo com a ajuda de pontos e outros recursos, a camada mais profunda da pele pode levar até seis meses para se regenerar.

Pensando nisso, engenheiros biomédicos da Austrália e dos Estados Unidos desenvolveram uma cola cirúrgica elástica capaz de formar cicatriz em feridas e cortes em questões de segundos. Não, não se trata de mágica. O produto, tido como “inovador”, tem o objetivo de salvar vidas selando de maneira muito mais eficiente feridas de pacientes lesionados. E o melhor: o processo para que a pele se reconstrua promete acontecer em apenas 60 segundos.

O material funciona como uma cola injetável, chamada MeTro, e é feito a partir de uma proteína natural, a tropaelastina – forma solúvel e imatura da elastina, conhecida como a principal proteína que produz as fibras elásticas do organismo. Ao ser aplicada diretamente na ferida, a cola tem seu efeito ativado com uma luz UV, capaz de fazer com que a cola forme uma vedação completa, mesmo em tecidos úmidos, eliminando a necessidade de grampos ou pontos para que a pele se regenere.

A elasticidade do produto é importante para que a substância seja ideal também para ser aplicada em órgãos internos que mudam a forma, como os pulmões e o coração. Com seu efeito capaz de ser alterado de dissolução em poucas horas até algumas semanas, a substância revolucionária também tem o potencial de reduzir dramaticamente o tempo de recuperação do paciente.

Pesquisa
O estudo sobre o novo produto foi publicado na revista Science Translational Medicine, e mostrou que a substância foi bem sucedida na fase de testes em animais, quando aplicada nas artérias e pulmões de ratos e pulmões dos porcos. “A beleza da fórmula da cola MeTro é que, logo que ela entra em contato com superfícies de tecido, ela se solidifica em uma fase similar ao gel, e não escapa”, explicou o professor Nasim Annabi, do Departamento de Engenharia Química da Northeastern University.

Ainda é preciso que outras avaliações sejam feitas, principalmente em humanos, mas os pesquisadores acreditam que a cola deve estar no mercado nos próximos três anos. A ideia é que o produto ajude a formar uma cicatriz rapidamente em pessoas que sofreram acidentes de trânsito, passaram por procedimentos cirúrgicos, ou até que foram feridas em combates na guerra.

iG