BRUNO RIBEIRO LAIS CATTASSINI Prontos-socorros de alguns dos principais hospitais de São Paulo registraram, nas primeiras semanas de janeiro, aumento de até 80% em seus atendimentos em razão de doenças intestinais. As ocorrências começaram na sequência dos surtos de virose que atingiram algumas cidades da Baixada Santista, como Guarujá e Praia Grande. Pelo menos quatro unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), uma Unidade Básica de Saúde, todas da rede pública, e cinco hospitais particulares da capital relatam aumento significativo de pacientes com diarreia e vômitos – cerca de um terço dos locais com os quais o Jornal da Tarde fez contato. Em uma dessas unidades, o Hospital Beneficência Portuguesa, o número de pessoas atendidas nas primeiras semanas de 2011 praticamente dobrou com relação ao mesmo período de 2010. Na maior parte desses atendimentos, os pacientes passaram as festas de final de ano e o último feriado em cidades litorâneas. “Depois do feriado prolongado, praticamente 100% de nossos atendimentos foram por causa de viroses”, afirma a pediatra do hospital, Wylma Mariko Hossaka. O clima quente favorece a proliferação de vírus e bactérias nas superfícies e exige também um maior cuidado no manuseio e conservação de alimentos (leia mais ao lado). “Isso costuma acontecer no verão e em épocas mais quentes. O clima é muito propício para o surgimento dessas doenças”, afirma o infectologista Gustavo Johanson, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O aumento das viroses nessa época do ano motivou a Prefeitura a criar uma seção especial no site da Secretaria Municipal de Saúde para alertar a população sobre os cuidados com a alimentação e a higiene. No site www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/, a categoria “É Verão” traz dicas de como comprar peixes, como lavar frutas e legumes e como conservar os alimentos refrigerados. De transmissão oral, as doenças são adquiridas a partir de alimentos, objetos e, principalmente, água contaminada com resíduos de fezes, por exemplo. “Quando o tratamento da água não é adequado, a ingestão da bebida pode transportar um agente para o estômago. Esse agente também pode ser uma bactéria, que causará vômitos e diarreia”, afirma o infectologista do Hospital Igesp, Marcos Antônio Cyrillo. Segundo ele, os atendimentos no pronto-socorro do hospital por conta de doenças estomacais duplicou nas últimas semanas em relação aos meses anteriores. De acordo com a pediatra e infectologista do Hospital Santa Catarina, Claudia Maria Menezes, o rotavírus é o agente mais comum. “A gente nota uma incidência grande nas crianças que foram à praia ou que tiveram contato com quem viajou. Apesar de mais comum em crianças, entretanto, o vírus não é exclusivamente pediátrico”, explica a médica. Para evitar a contaminação é preciso ficar atento à limpeza das mãos dos alimentos. Vítima da virose, a administradora Rebeca Guedes, de 22 anos, teve problemas de saúde nos últimas dias. Ela não sabe se o que provocou a doença foi algo que comeu no litoral ou na Rua 25 de Março, no centro. “Voltei da praia no domingo e na segunda fui à 25. Na terça, já acordei com náuseas”, conta. Desde então, Rebeca tem sofrido com os sintomas da doença, que duram de três a sete dias – além de diarreia e vômito, pode haver febre. “Me disseram que não há nada que possa fazer e que uma hora o organismo mesmo resolve e os sintomas passam”, diz. “É uma doença que chamamos de benigna. A cura é espontânea”, afirma o médico Gustavo Johanson. Segundo ele, para evitar complicações é importante manter o paciente hidratado. http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/virose-de-verao-sobe-a-serra-e-chega-a-capital/
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Enfermeira decepa dedo de menina
Camila da Silva Bezerra - Jornal da Tarde SÃO PAULO - Uma menina de 1 ano teve um dedo decepado na manhã de ontem por uma enfermeira do Hospital Estadual do Mandaqui, na zona norte da capital. A criança estava internada no local desde sexta-feira por causa de uma crise provocada por uma anemia falciforme. "Ela estava de alta, era só tirar o esparadrapo da mão dela. Não havia necessidade de usar a tesoura. Mas, em vez de tirar o curativo com cuidado, a enfermeira pegou a tesoura e cortou a metade do dedo da minha filha a sangue frio", afirmou o pai, David Jefferson Bahia Príncipe, de 21 anos. De acordo com testemunhas, tratava-se de uma tesoura escolar, inadequada para uso médico. A enfermeira Maria de Fátima Custódio também não estaria usando luvas cirúrgicas. Os médicos tentaram fazer uma cirurgia corretiva, mas tiveram de amputar a primeira falange do dedo da menina (onde fica a unha). A criança passa bem, mas ficou traumatizada. "Ela não pode ver alguém de branco que já começa a chorar. Está assustada. Depois de um caso desses, quem não fica?", disse o pai. A menina ainda não tem previsão de alta. O caso comoveu outros pacientes e acompanhantes que estavam no hospital. "Ocorreu o início de um tumulto. Para preservar a integridade da enfermeira, nós a retiramos do local escoltada, pois o fato em si causou muita revolta nos demais usuários", disse o soldado Márcio Luiz Lima Oliveira, que controlou a situação com a ajuda do soldado Anderson Pereira. "Havia no mínimo 25 pessoas querendo agredi-la", calcula. Maria de Fátima, enfermeira desde 1994, e o pai da criança foram encaminhados para o 9.º Distrito Policial, no Carandiru, onde fizeram um boletim de ocorrência. A enfermeira prestou depoimento e foi liberada. Ela vai responder por lesão corporal culposa (sem intenção), crime que prevê pena de detenção de seis meses a um ano em regime fechado. Para a família, o hospital público tratou a situação com descaso. "Parecia que tinham arrancado só uma casquinha de ferida. Não parecia que estavam lidando com um caso grave", disse o pai, que pretende processar o hospital, a profissional envolvida no caso e pedir indenização do Estado. Em nota oficial, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou que determinou o afastamento temporário da enfermeira e que o caso será informado ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SP). Outro caso É o segundo caso de erro cometido por enfermeiras em menos de dois meses. Em dezembro, a estudante Stephane dos Santos Teixeira, de 12 anos, morreu após receber de uma auxiliar de enfermagem vaselina líquida na veia em vez de soro fisiológico. A menina havia sido levada ao Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, no Jaçanã (zona norte), após reclamar de dores no abdômen e diarreia. http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,enfermeira-decepa-dedo-de-menina,673280,0.htm
Novo antidepressivo promete não reduzir desejo sexual
DE SÃO PAULO A FDA, agência que regula o uso de remédios e alimentos nos EUA, aprovou, na última sexta-feira, um novo antidepressivo que promete não reduzir o desejo sexual. O remédio, fabricado pelo laboratório Clinical Data, será vendido sob o nome comercial de Viibyrd, mas ainda não há previsão de lançamento no mercado. O princípio ativo é a vilazodona, que tem o mesmo potencial de antidepressivos como o Prozac na inibição de recaptores da serotonina. Ou seja, impede que grande quantidade de serotonina seja reabsorvida pelo neurônio que a liberou. O remédio também "mimetiza" a serotonina, encaixando-se no neurônio receptor e provocando uma resposta mais rápida. O principal apelo da nova droga, no entanto, é não causar a redução da libido. Um estudo, publicado em 2009 no "Journal of Clinical Psychiatry", comparou os efeitos sobre o desejo sexual entre pessoas que tomaram a nova medicação e pessoas que tomaram placebo. A pesquisa não detectou diferenças entre os grupos. Essa perspectiva é favorável ao novo antidepressivo, já que, segundo o psiquiatra Renério Fráguas, do Hospital das Clínicas, a diminuição do desejo é um efeito colateral comum dessas drogas. "Isso costuma restringir a aderência ao tratamento, quando o paciente começa a melhorar da depressão e sente que o medicamento está atrapalhando a vida sexual." Outros antidepressivos, como a agomelatina, não reduzem a libido, mas não são tão difundidos como os remédios tradicionais. A vilazodona, porém, não é isenta de efeitos colaterais. No estudo, foram relatados casos de diarreia, náusea e sonolência. Assim como em outros antidepressivos, as caixas de Viibyrd terão avisos sobre o risco de comportamentos suicidas para usuários com menos de 24 anos. Fráguas afirma que a eficácia da droga só será confirmada com o uso clínico. http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/867369-novo-antidepressivo-promete-nao-reduzir-desejo-sexual.shtml
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Maioria dos prontuários médicos é mal preenchida, diz pesquisa
MARIANA VERSOLATO DE SÃO PAULO A maioria dos prontuários de pacientes não é preenchida de forma completa pelos médicos, segundo pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) de Pernambuco. Conselho de Medicina vai discutir modelo de prontuário O prontuário é um direito do paciente, segundo o Código de Ética do CFM (Conselho Federal de Medicina). Entre os riscos que o paciente corre quando o prontuário não é bem preenchido estão erros na administração de remédios e falta de continuidade no tratamento. Os próprios médicos podem ser prejudicados, em casos de questionamentos sobre as condutas adotadas e processos jurídicos. A pesquisa analisou 750 prontuários de internação de adultos e crianças em cinco hospitais de Recife. Desses, 60% estavam incompletos, em branco ou ilegíveis, contrariando o que estabelece o CFM. Devem estar no documento informações como identificação do paciente, exames, evolução do caso e procedimentos adotados. O estudo deu notas aos prontuários de acordo com os itens que eles deveriam conter. Para elaborar esses requisitos, o pesquisador se baseou em protocolos das escolas de medicina do país. Dois dos hospitais avaliados eram públicos, dois eram particulares e um era filantrópico (público, mantido por instituição privada). Os nomes das instituições não foram revelados. Os hospitais particulares tiveram o maior número de prontuários péssimos: 68,3% do total. Nos dois hospitais públicos, 60% dos documentos receberam a pior nota. No filantrópico, 59,5% das fichas eram péssimas. MOTIVOS Segundo Adriano Cavalcante Sampaio, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UPE e autor da pesquisa, esses números revelam que o problema, já conhecido, é mais profundo do que se imaginava. A pesquisa também entrevistou os médicos para saber os motivos das falhas. Eles alegaram falta de tempo e de cobrança dos hospitais. O presidente da Sociedade Panamericana de Medicina Hospitalar, Guilherme Barcellos, afirma que a visão antiga da medicina não estimulava o compartilhamento das informações, e isso tem mudado só recentemente. O multiemprego piora a situação. "O médico trabalha em dez lugares ao mesmo tempo, mas em nenhum de forma plena, e deixa os prontuários para o final", afirma. Sampaio cita falhas na formação dos profissionais, que não estimula a qualidade ética do atendimento. "Se você respeita o paciente, você respeita o direito dele." Para Antonio Carlos Lopes, professor de clínica médica da Unifesp, muitos médicos têm má vontade. "O prontuário acaba virando uma "colcha de retalhos"." http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/866111-maioria-dos-prontuarios-medicos-e-mal-preenchida-diz-pesquisa.shtml
Farmácias manipulam drogas sem eficácia provada
JULIANA VINES DE SÃO PAULO Algumas das fórmulas mais populares em farmácias de manipulação não deveriam ser vendidas, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "Antidepressivo não deveria ser manipulado", diz especialista Um exemplo são os fitoterápicos emagrecedores, como a combinação de faseolamina (farinha de feijão-branco) e laranja amarga (Citrus aurantium) e a pholia magra (porangaba). Essas três plantas, segundo a agência, não têm eficácia comprovada. O problema, de acordo com o farmacêutico Newton Andréo Filho, professor da Unifesp, é que não há uma lista das substâncias que podem ser manipuladas. "Tudo o que entra no país a farmácia acha que tem a condição de manipular. Falta estabelecer quais são os critérios que definem o que pode e o que não pode." A Anvisa tem uma lista, publicada em 2009, com 20 insumos farmacêuticos registrados, todos químicos. Não há lista de insumos fitoterápicos permitidos. "Enquanto a regulamentação da indústria farmacêutica é rígida, não há certeza quanto à segurança e à eficácia dos manipulados", diz a química Ana Célia Pessoa da Silva, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. "O preço dos manipulados é mais baixo, mas a qualidade não é garantida." Segundo Maria do Carmo Garcez, presidente da Anfarmag (associação das farmácias de manipulação), a falta de uma lista de princípios ativos deixa todas as farmácias em uma situação aparentemente irregular. "Na verdade, não estamos na ilegalidade. O problema é que faltam esclarecimentos." Em geral, substâncias sem eficácia comprovada são aquelas que não são usadas como princípio ativo de medicamentos registrados. O caso mais recente é o da Caralluma fimbriata, planta asiática usada para emagrecimento que teve a importação e comercialização suspensa no dia 21 de dezembro. Para José Luis Miranda Maldonado, assessor técnico do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a Anvisa só informa que essas substâncias são proibidas depois que elas se tornam populares. "Há muita propaganda enganosa de substâncias sem eficácia comprovada, o que deveria ser proibido." OUTRO LADO De acordo com a Anvisa, os "Registros de Insumos Farmacêuticos Ativos" ainda estão em fase de implantação e devem ser ampliados. Para a agência, o problema do setor é o não cumprimento das regras vigentes. Cabe à farmácia pesquisar sobre os insumos e saber se eles podem ser manipulados, com base nos remédios registrados na Anvisa. "As farmácias que insistirem no uso desses insumos sem comprovação estão cometendo infração sanitária." A agência diz que, se o consumidor detectar irregularidades, deve entrar em contato com a Vigilância local ou com a própria Anvisa. http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/866700-farmacias-manipulam-drogas-sem-eficacia-provada.shtml
Assinar:
Postagens (Atom)