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segunda-feira, 21 de março de 2011

Falta de carboidratos afeta funcionamento do cérebro

Dieta com baixa ingestão do nutriente prejudica o humor e a capacidade de raciocínio Uma das primeiras medidas de quem deseja emagrecer é cortar os carboidratos da alimentação. De fato, funciona para perder pedo. O resultado logo aparece na balança porque carboidratos são fontes de energia e, sem elas, o corpo vai queimar suas reservas. Mas outras consequencias são muito prejudiciais. Apesar do aparente sucesso, essa estratégia para emagrecer acarreta dois problemas. Primeiro, o emagrecimento não é saudável. “Se a quantidade ingerida de carboidrato for muito pequena (como ocorre na dieta da proteína), o corpo entra em gliconeogênese e usa massa magra como fonte de energia”, alerta a nutricionista Adriane Antunes de Moraes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Além disso, falta de carboidratos pode deixar a pessoa de “cara fechada”. A nutricionista explica que o nutriente afeta a produção de serotonina, um neurotransmissor capaz de influenciar o humor. “Quando os níveis de serotonina caem de forma abrupta, o mesmo acontece com o humor e com a capacidade de raciocínio, deixando você mais propenso a se entupir de carboidratos e a dormir de modo irregular.” A explicação é dada pela nutricionista norte-americana Elizabeth Somer, em seu livro “Coma e seja feliz”. http://saude.ig.com.br/alimentacao/falta+de+carboidratos+afeta+funcionamento+do+cerebro/n1596820953741.html

Origem do Alzheimer pode estar no fígado, não no cérebro

Estudo realizado em camundongos defende que proteínas podem iniciar doença Um estudo sobre o Alzheimer realizado pelo Scripps Research Institute, uma das maiores organizações não-governamentais de pesquisa do mundo, propõe uma mudança radical na compreensão e tratamento da doença neurológica. De acordo com a pesquisa, a fonte das proteínas beta-amiloides, que se acumulam no cérebro e estão associadas ao mal, não é o cérebro, mas o fígado. Publicada no periódico científico The Journal of Neuroscience Research, a pesquisa usou camundongos geneticamente modificados a fim de identificar os genes ligados à produção de beta-amiloide acumulada no cérebro. Descobriu-se que três genes cumprem essa função. Quanto menor a expressão (capacidade de produção da beta-amiloide) desses genes no fígado, maior a proteção ao cérebro. Isso significa que, a cada ação dos genes no organismo, mais proteínas são fixadas no cérebro. Um desses três genes é ainda o responsável por codificar a presenilina, uma proteína da membrana celular que contribui para o desenvolvimento do Alzheimer. Para os cientistas do Scripps Research, a descoberta pode impulsionar um novo tipo de tratamento. "Essa descoberta promete ser o primeiro passo na simplificação dos desafios que encontramos para o desenvolvimento de novas terapias contra a doença", diz Greg Sutdiffe. De acordo com um recente relatório preparado pela Associação Americana de Alzheimer, a ausência de tratamentos efetivos do mal pode provocar gastos em cuidados gerais com os pacientes superiores a 20 trilhões de dólares em 2050 (cerca de dez vezes o produto interno bruto do Brasil). Medicação – A droga Gleevec, usada em pacientes com leucemia ou com câncer gastrointestinal, foi aplicada nos camundongos durante os testes clínicos. Já aprovado pela FDA, agência estatal americana que regula medicamentos e alimentos, a droga, que tem baixa penetração no cérebro, foi eficaz na redução da produção de beta-amiloide no fígado. "Essa característica cerebral da droga foi fundamental na escolha dela para os testes", diz Sutdiffe. O uso do Gleevec no tratamento dos camundongos com Alzheimer, segundo David Schlesinger, neurologista do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, é um dos achados mais interessantes do estudo da equipe americana. "Claro que ainda é muito cedo para sairmos tratando pacientes com essa droga. Mas, como é um remédio já aprovado, os estudos em humanos podem ser feitos de maneira mais rápida", diz Schlesinger. A única restrição à transposição dos resultados da pesquisa a humanos, segundo o neurologista, é relativa a diferenças entre espécies: o fígado humano não tem uma produção de amiloide tão significativa quanto o dos camundongos. "Mesmo assim, a descoberta é um caminho interessante e deve ser levada adiante. Mas, por ora, ela ainda não modifica a maneira como entendemos a doença nos humanos", diz Schlesinger. http://veja.abril.com.br/noticia/saude/origem-do-alzheimer-pode-estar-no-figado-nao-no-cerebro

Atenção básica à saúde é prioridade, diz Padilha

por Verena Souza 21/03/2011 Segundo o Ministro, outro aspecto importante para o Brasil é levar a discussão da saúde para outras áreas da economia. Veja webcast Durante coletiva de imprensa em "Seminário sobre as perspectivas do setor de saúde no Brasil", realizado nesta última quarta-feira (16), em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, priorizou a atenção básica à saúde e políticas de urgência e emergência. Não se faz saúde sem atenção básica de qualidade. Saúde não se faz dentro do hospital, mas, sim, no meio onde vivemos. Em nosso dia a dia", afirmou. Segundo o Ministro, outro aspecto importante para o Brasil é levar a discussão da saúde para outras áreas da economia. Assista parte do discurso de Padilha AQUI: http://www.saudebusinessweb.com.br/webcasts/index.asp?categoria=&video=1966

SP ganha novo centro de tratamento de câncer

Instalado no Hospital São José, instituição privada vinculada à [br]Beneficência Portuguesa, centro competirá com Sírio-Libanês e Einstein O Hospital São José, vinculado à Beneficência Portuguesa de São Paulo, acaba de inaugurar em São Paulo um novo centro especializado em oncologia de primeira linha, voltado para a elite econômica do País. O objetivo a médio prazo do São José é o de se tornar o primeiro hospital dedicado exclusivamente ao tratamento de câncer. Enquanto isso não ocorre, ele vai concorrer diretamente com os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, que não atendem exclusivamente câncer, mas são referências em oncologia no Brasil. A entrada em cena de mais um hospital de ponta voltado para o tratamento de câncer em São Paulo é acompanhado com interesse redobrado por especialistas do setor - de convênios voltados para classe A à indústria de equipamentos hospitalares, passando por oncologistas de renome e equipe de apoio, cujo passe passaram a ser alvo de disputa. Sob coordenação do oncologista Antônio Carlos Buzaid - que foi responsável pelo centro oncológico do Sírio-Libanês durante 13 anos - e dos oncologistas Fernando Cotait Maluf e Riad Younes, que também integravam a equipe oncológica do Sírio, o centro de oncologia do São José tem 55 leitos, 10 consultórios e 18 salas individuais de quimioterapia. Além dos médicos, o São José também recrutou uma equipe de enfermeiros e outros profissionais que trabalhavam com Buzaid no Sírio-Libanês. O investimento inicial foi de R$ 3 milhões. "Um dos meus objetivos era criar um hospital exclusivamente dedicado à oncologia, porque há espaço e demanda para isso em São Paulo. Não gosto de competir, mas a minha ideia é oferecer um atendimento padrão ouro para pacientes de São Paulo, de outros Estados e até de fora do País", diz Buzaid. O médico estima que cerca de 8% dos atendimentos sejam de pessoas vindas do exterior. O primeiro paciente atendido, por sinal, foi um uruguaio. Especialidades. Segundo Maluf, o hospital terá um time de oncologistas especializados nos principais tipos de cânceres (como mama e próstata) e, num próximo momento, terá médicos especialistas em tumores raros. Por enquanto não haverá investimento em câncer infantil. Para isso, médicos das principais especialidades foram selecionados - só falta preencher a vaga de hematologista. "Estamos em negociação com um médico de fora do Brasil", diz Buzaid, que não revela o nome do pretendido. Ao todo, o centro de oncologia terá dez médicos titulares e mais sete assistentes. "Vamos reproduzir aqui o modelo americano de hospital integrado. O câncer é uma doença tão complexa que exige dedicação exclusiva. O paciente será atendido pelo médico que entende daquele tipo específico de câncer e não por um médico generalista", diz Maluf. O centro também tem instalações para investimento em pesquisa e ensino - será aberto um programa de residência médica em breve. "O tripé da excelência é o cuidado médico, ensino e pesquisa. Quem ganha com isso é o paciente", diz Buzaid. O futuro. O próximo passo do São José é construir um prédio anexo, com sete andares, para concentrar todo o atendimento ambulatorial - só então se concretizaria a ideia de ser o primeiro hospital dedicado totalmente ao atendimento oncológico. A nova ala será interligada com o hospital, onde ficarão os leitos de internação. No atendimento geral serão 38 salas de quimioterapia com banheiro próprio, 17 consultórios, 1 pronto-socorro exclusivamente oncológico e salas de radioterapia. O projeto está pronto e a aprovação da planta foi assinada na quinta-feira por Buzaid. A expectativa é de que o novo espaço entre em funcionamento em até três anos. O investimento na nova ala não foi revelado. Uma das características do novo prédio será a garantia de total privacidade para o paciente em tratamento. Serão criadas salas de atendimento exclusivo, para que a pessoa não precise caminhar pelos corredores do hospital quando precisar receber quimioterapia, por exemplo. "Essa área é destinada para políticos que não querem se expor, médicos ou pacientes que simplesmente querem privacidade. Será um local de privacidade extrema", afirma Buzaid. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110320/not_imp694461,0.php

Médico alerta para excesso de diagnósticos e exames preventivos

Doenças devem ser detectadas o quanto antes, para que haja sucesso no tratamento, certo? Não, segundo o médico americano H. Gilbert Welch. O especialista em clínica médica é autor de "Overdiagnosed", recém-lançado nos Estados Unidos. No livro, Welch, pesquisador da Universidade Dartmouth, afirma que a epidemia de exames preventivos, ou "screening", como são chamados nos EUA, coloca a população em perigo mais do que salva vidas. Citando pesquisas, ele mostra evidências de que muita gente está recebendo "sobrediagnóstico": são tratadas por doenças que nunca chegariam a incomodá-las, mas que são detectadas nos testes preventivos. "O jeito mais rápido de ter câncer? Fazendo exame para detectar câncer, disse ele à Folha*, por telefone. Folha - Como exames preventivos podem fazer mal? H. Gilbert Welch - A prevenção tem dois lados. Um é a promoção da saúde. É o que sua avó dizia: "Vá brincar lá fora, coma frutas, não fume". Mas a prevenção entrou no modelo médico, virou procurar coisas erradas em gente saudável, virou detecção precoce de doenças. Isso faz mal. Não estou dizendo que as pessoas nunca devem ir ao médico quando estão bem. Mas a detecção precoce também pode causar danos. De que maneira isso ocorre? Quando procuramos muito algo de errado, vamos acabar achando, porque quase todos temos algo errado. Os médicos não sabem quais anormalidades vão ter consequências sérias, então tratam todas. E todo tratamento tem efeitos colaterais. Há um conjunto de males que podem decorrer de um diagnóstico: ansiedade por ouvir que há algo errado, chateação de ter que ir de novo ao médico, fazer mais exames, lidar com convênio, efeitos colaterais de remédios, complicações cirúrgicas e até a morte. Para quem está doente, esses problemas não são nada perto dos benefícios do tratamento. Mas é muito difícil para um médico fazer uma pessoa sadia se sentir melhor. No entanto, não é difícil fazê-la se sentir pior. Os médicos dizem que a detecção precoce é essencial no caso do câncer. Mas você diz que é perigoso. Não se deve tratar qualquer tumor inicial? Não. Se formos tratar todos os cânceres quando estão começando, vamos tratar todo o mundo. Todos nós, conforme envelhecemos, abrigamos formas iniciais de câncer. Se investigarmos exaustivamente vamos achar câncer de tireoide, mama e próstata em quase todos. A resposta não pode ser tratar todos e nem tratar todo mundo. Ninguém mais ia ter tireoide, mamas ou próstata. Câncer de próstata é o símbolo dessa questão. Por quê? Há 20 anos, um teste de sangue foi introduzido para detectar câncer de próstata. Vinte anos depois, 1 milhão de americanos foram tratados por causa de um tumor que nunca chegaria a incomodá-los. Esse teste é o PSA [antígeno prostático específico]. Muitos homens têm números anormais de PSA. Eles fazem biópsias e muitos têm cânceres microscópicos e fazem tratamento, o que não é mero detalhe. Pode ser retirada da próstata ou radioterapia. Isso leva, em um terço dos homens, a problemas sexuais, urinários ou intestinais. Alguns até morrem na operação. Não podemos continuar supondo que buscar a saúde é procurar doenças. Qual é o impacto desses testes de próstata na população? Um estudo europeu mostrou que é necessário fazer exames preventivos de PSA em mil homens entre os 50 e 70 anos, por dez anos, para evitar a morte por câncer de uma pessoa. É bom ajudar uma pessoa. Mas precisamos prestar atenção às outras 999. Por causa desses exames, de 30 a 100 homens são tratados sem necessidade. As pessoas precisam refletir. Cada mulher pode decidir se quer fazer mamografia todo ano. Mas temo que estejamos coagindo, assustando e incutindo culpa nelas, para que façam mamografias. Mas a detecção precoce não é o fator que mais reduz a mortalidade de câncer de mama? Na verdade, não. Os esforços mais relevantes no câncer de mama vêm de tratamentos melhores, como quimioterapia e hormônios. Os avanços no tratamento nos últimos 20 anos reduziram a mortalidade em 50%. O problema é se adiantar aos sintomas. Não há dúvida de que uma mulher que percebe um caroço deva fazer uma mamografia. Isso não é teste preventivo, é exame diagnóstico. Claro que os médicos preferem ver uma mulher com um pequeno nódulo no seio do que esperar até que ela desenvolva uma grande massa. A questão não é entre atendimento cedo ou tarde, mas entre buscar atendimento logo que você fica doente e procurar doenças em quem não tem nada. Critérios usados em exames como de pressão e diabetes estão mais rígidos. Estão deixando todo mundo "doente"? Sim. Somos muito tirânicos sobre saúde. O que é saúde? Se formos medicalizar a definição de saúde, seria: "Não conseguimos achar nada errado". A pressão está abaixo de 12 por 8, o colesterol está abaixo de tal valor, fizemos uma tomografia e não há nada de errado. Se essa virar a definição de saúde, pouquíssimas pessoas serão saudáveis. É certo tachar a maioria como doente? Saúde é muito mais do que a ausência de anormalidades físicas. Por que essa conduta está se tornando dominante? Os médicos recebem mais para fazer mais, o que ajuda a alimentar o círculo vicioso da detecção precoce. É um bom jeito de recrutar mais pacientes, de vender mais remédios ou exames. Nos EUA, há os problemas de ordem legal. Os advogados processam os médicos por falta de diagnóstico, mas não há punições para sobrediagnóstico. E tem quem creia realmente na detecção precoce. Nunca se diz que há perigo nisso. Pacientes diagnosticados com câncer de próstata e mama por detecção precoce têm muito mais risco de serem sobrediagnosticados do que ajudados pelo teste. Quando você ouve histórias de sobreviventes de câncer, na maioria das vezes o paciente acha que sua vida foi salva porque ele fez um exame preventivo. E isso não é verdade? Ele tem mais chance de ter sido tratado sem necessidade. Histórias de sobreviventes geram mais entusiasmo por testes e levam mais pessoas a procurar doenças, gerando sobrediagnóstico. O que fazer para evitar isso? Um paciente nunca vai saber se recebeu um sobrediagnóstico. Nem o médico sabe. Não é preciso decidir para sempre se você vai ou não fazer exames. Mas todos os dias novos testes são criados. É preciso ter um ceticismo saudável sobre isso. CÂNCER E DIAGNÓSTICO 250 mil mulheres americanas são diagnosticadas com câncer de mama por ano; 40 mil morrem 24% das mulheres têm ao menos um resultado falso-positivo em mamografias, mostra pesquisa feita por 10 anos 186 mil homens são diagnosticados com câncer de próstata ao ano nos EUA; 29 mil morrem Nenhuma morte por câncer de próstata foi evitada após 10 anos de exames preventivos Fontes: "New England Journal of Medicine" e National Cancer Institute http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/891473-medico-alerta-para-excesso-de-diagnosticos-e-exames-preventivos.shtml