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segunda-feira, 21 de março de 2011

Médicos - Desigualdade na escassez

Dados do Conselho Federal de Medicina mostram que possuímos no País 340 mil médicos, o que para uma população de 190 milhões representa 1,78 médicos para cada mil habitantes, número insuficiente quando comparado com os 2,6 nos Estados Unidos, 3 na Argentina, 3,2 na Europa Ocidental, 3,8 em Portugal e 6,6 por mil habitantes em Cuba. A necessidade de apenas um por mil habitantes é anterior aos anos 60, quando dois terços da população viviam no campo. A conclusão é que faltam médicos, deixando largas parcelas da população de baixa renda com acesso limitado a esse profissional. Essa deficiência é agravada pela distribuição dos médicos no território nacional. Mais da metade encontra-se nas capitais, enquanto nessas cidades vive apenas 20% da população. Isso pode levar à conclusão de que, nas capitais, o número de médicos é suficiente. Quando se verifica que Vitória possui um médico para 127 habitantes (7,8/mil), Recife tem um médico para 213 habitantes (4,7/mil), Porto Alegre um médico para 180 habitantes (5,5/mil), São Paulo um médico para 312 habitantes (3,2/mil), a conclusão de que as capitais estão bem atendidas parece correta. Ocorre que a concentração de médicos acompanha, aproximadamente, a distribuição dos hospitais. E quando analisamos, por exemplo, na capital de São Paulo a disponibilidade de leitos hospitalares salta à vista a desigualdade da distribuição. Em 1999, fizemos um levantamento juntamente com Vivaldo Luconti, da Fundação Seade. A cidade de São Paulo, à época com 10 milhões de habitantes, estava dividida em 96 distritos. Nos 25 distritos da área mais rica e mais antiga da cidade, onde moravam 1,8 milhão de pessoas, existiam 13 leitos por mil habitantes. Assinala-se que 3/1.000 é número considerado adequado. Nos outros 71 distritos, onde viviam 8,2 milhões de habitantes, existia 0,6 leito para cada mil habitantes. E em 39 distritos desse total, com 4 milhões de habitantes, não existia nenhum leito, zero. Esse panorama encontra-se em praticamente todas as grandes cidades e áreas metropolitanas no País. Ficam, por isso, grandes parcelas da população, mesmo nas capitais, sem o acesso a médico. Se a isto associarmos municípios de áreas mais carentes ou longínquas, onde não existem médicos, fica claro que alguma coisa deve ser feita. Desde 1996, decidiu-se aumentar o número de cursos médicos. De, aproximadamente, 9 mil vagas, hoje ultrapassamos 15 mil e o número de faculdades, que era de 82, ampliou-se para 180. Entretanto, isso não foi acompanhado de melhora da distribuição de médicos, pois eles não estão sendo preparados para cuidar da população, mas para disputar vagas em residência médica. Embora tenha aumentado o número de vagas para residência, de um lado, ela não comporta todos os formados e, de outro, serve mais para encaminhá-los às especialidades médicas, que se concentram nos grandes hospitais, e não para cuidar da população carente, sem a utilização da moderna tecnologia, agravando, em vez de minorar, a desproporção da distribuição. Por outro lado, alunos que pagam mensalidades superiores a 3 mil reais, chegando a 6 mil reais, não se disporiam a trabalhar em áreas carentes. O Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, ofereceu 16 vagas para residência em Saúde da Família. Apareceu apenas um candidato. Desde 1995, o País implanta o programa de Saúde da Família, que já recrutou mais de 250 mil agentes comunitários e compôs cerca de 30 mil equipes de Saúde da Família, existindo em 93% dos municípios brasileiros, cobrindo mais de 85 milhões de habitantes. O programa precisa ser duplicado e, se hoje há dificuldade para aliciar médicos, trabalhando em regime de tempo integral junto à população, seria impossível cobrir a nossa necessidade, mantendo o esquema que temos hoje. É preciso que os quase 16 mil médicos graduados por ano sejam preparados para atender a população sem necessidade de usar a alta tecnologia, reservada aos casos mais complexos e, esses médicos, incorporados no seio da população. A prática dos últimos 20 anos tem demonstrado que a estratégia que utilizamos não conseguirá mudar a situação, pois na verdade estimulam a especialização, que agrava a concentração. É preciso inovar e nesse campo significa propor medidas para corrigir, em prazo relativamente curto, o problema da distribuição dos médicos. Essa inovação passa pelo ensino médico, que não pode ser entendido como um negócio ou fonte de prestígio para entidades ou municípios, mas como a maneira de criar profissionais que venham resolver problemas que exijam uma resposta capaz de minorar os problemas da população. Como todos os estados têm faculdades de medicina, alguns até com excesso de vagas, talvez fosse o momento de se criarem estágios de um ou dois anos no estado no qual se graduaram, prestando serviço no programa de Saúde da Família, como pré-requisito para residência médica. Dessa forma, os que terminarem o curso médico, em vez de se prepararem para prestar concurso para residência, se preparem para atender às situações mais frequentes que afetam a população. Isso significaria, em dois anos, poder criar mais de 30 mil equipes de Saúde da Família, cobrindo o déficit de acesso da população. Simultaneamente, criar ambulatórios de especialidades ou unidades de pronto-atendimento, para dar cobertura aos médicos de família e permitir que eles tenham acesso a leitos hospitalares o mais próximo possível da residência de seus pacientes. Programa dessa magnitude exige um aporte de recursos, que, se não for mobilizado, impede que se fale em prioridade para a saúde. Desde 1980, os profissionais de saúde apontam caminhos. Até hoje, embora convivendo com autoridades dos três níveis que sempre proclamaram prioridade para a saúde, o problema, apesar de conquistar algumas vitórias, deixa muito a desejar. E isso porque saúde nunca foi prioridade. *Adib Jatene é médico e ex-ministro da Saúde nos governos Collor (1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-1996). http://www.cartacapital.com.br/saude/desigualdade-na-escassez

Falta de carboidratos afeta funcionamento do cérebro

Dieta com baixa ingestão do nutriente prejudica o humor e a capacidade de raciocínio Uma das primeiras medidas de quem deseja emagrecer é cortar os carboidratos da alimentação. De fato, funciona para perder pedo. O resultado logo aparece na balança porque carboidratos são fontes de energia e, sem elas, o corpo vai queimar suas reservas. Mas outras consequencias são muito prejudiciais. Apesar do aparente sucesso, essa estratégia para emagrecer acarreta dois problemas. Primeiro, o emagrecimento não é saudável. “Se a quantidade ingerida de carboidrato for muito pequena (como ocorre na dieta da proteína), o corpo entra em gliconeogênese e usa massa magra como fonte de energia”, alerta a nutricionista Adriane Antunes de Moraes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Além disso, falta de carboidratos pode deixar a pessoa de “cara fechada”. A nutricionista explica que o nutriente afeta a produção de serotonina, um neurotransmissor capaz de influenciar o humor. “Quando os níveis de serotonina caem de forma abrupta, o mesmo acontece com o humor e com a capacidade de raciocínio, deixando você mais propenso a se entupir de carboidratos e a dormir de modo irregular.” A explicação é dada pela nutricionista norte-americana Elizabeth Somer, em seu livro “Coma e seja feliz”. http://saude.ig.com.br/alimentacao/falta+de+carboidratos+afeta+funcionamento+do+cerebro/n1596820953741.html

Origem do Alzheimer pode estar no fígado, não no cérebro

Estudo realizado em camundongos defende que proteínas podem iniciar doença Um estudo sobre o Alzheimer realizado pelo Scripps Research Institute, uma das maiores organizações não-governamentais de pesquisa do mundo, propõe uma mudança radical na compreensão e tratamento da doença neurológica. De acordo com a pesquisa, a fonte das proteínas beta-amiloides, que se acumulam no cérebro e estão associadas ao mal, não é o cérebro, mas o fígado. Publicada no periódico científico The Journal of Neuroscience Research, a pesquisa usou camundongos geneticamente modificados a fim de identificar os genes ligados à produção de beta-amiloide acumulada no cérebro. Descobriu-se que três genes cumprem essa função. Quanto menor a expressão (capacidade de produção da beta-amiloide) desses genes no fígado, maior a proteção ao cérebro. Isso significa que, a cada ação dos genes no organismo, mais proteínas são fixadas no cérebro. Um desses três genes é ainda o responsável por codificar a presenilina, uma proteína da membrana celular que contribui para o desenvolvimento do Alzheimer. Para os cientistas do Scripps Research, a descoberta pode impulsionar um novo tipo de tratamento. "Essa descoberta promete ser o primeiro passo na simplificação dos desafios que encontramos para o desenvolvimento de novas terapias contra a doença", diz Greg Sutdiffe. De acordo com um recente relatório preparado pela Associação Americana de Alzheimer, a ausência de tratamentos efetivos do mal pode provocar gastos em cuidados gerais com os pacientes superiores a 20 trilhões de dólares em 2050 (cerca de dez vezes o produto interno bruto do Brasil). Medicação – A droga Gleevec, usada em pacientes com leucemia ou com câncer gastrointestinal, foi aplicada nos camundongos durante os testes clínicos. Já aprovado pela FDA, agência estatal americana que regula medicamentos e alimentos, a droga, que tem baixa penetração no cérebro, foi eficaz na redução da produção de beta-amiloide no fígado. "Essa característica cerebral da droga foi fundamental na escolha dela para os testes", diz Sutdiffe. O uso do Gleevec no tratamento dos camundongos com Alzheimer, segundo David Schlesinger, neurologista do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, é um dos achados mais interessantes do estudo da equipe americana. "Claro que ainda é muito cedo para sairmos tratando pacientes com essa droga. Mas, como é um remédio já aprovado, os estudos em humanos podem ser feitos de maneira mais rápida", diz Schlesinger. A única restrição à transposição dos resultados da pesquisa a humanos, segundo o neurologista, é relativa a diferenças entre espécies: o fígado humano não tem uma produção de amiloide tão significativa quanto o dos camundongos. "Mesmo assim, a descoberta é um caminho interessante e deve ser levada adiante. Mas, por ora, ela ainda não modifica a maneira como entendemos a doença nos humanos", diz Schlesinger. http://veja.abril.com.br/noticia/saude/origem-do-alzheimer-pode-estar-no-figado-nao-no-cerebro

Atenção básica à saúde é prioridade, diz Padilha

por Verena Souza 21/03/2011 Segundo o Ministro, outro aspecto importante para o Brasil é levar a discussão da saúde para outras áreas da economia. Veja webcast Durante coletiva de imprensa em "Seminário sobre as perspectivas do setor de saúde no Brasil", realizado nesta última quarta-feira (16), em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, priorizou a atenção básica à saúde e políticas de urgência e emergência. Não se faz saúde sem atenção básica de qualidade. Saúde não se faz dentro do hospital, mas, sim, no meio onde vivemos. Em nosso dia a dia", afirmou. Segundo o Ministro, outro aspecto importante para o Brasil é levar a discussão da saúde para outras áreas da economia. Assista parte do discurso de Padilha AQUI: http://www.saudebusinessweb.com.br/webcasts/index.asp?categoria=&video=1966

SP ganha novo centro de tratamento de câncer

Instalado no Hospital São José, instituição privada vinculada à [br]Beneficência Portuguesa, centro competirá com Sírio-Libanês e Einstein O Hospital São José, vinculado à Beneficência Portuguesa de São Paulo, acaba de inaugurar em São Paulo um novo centro especializado em oncologia de primeira linha, voltado para a elite econômica do País. O objetivo a médio prazo do São José é o de se tornar o primeiro hospital dedicado exclusivamente ao tratamento de câncer. Enquanto isso não ocorre, ele vai concorrer diretamente com os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, que não atendem exclusivamente câncer, mas são referências em oncologia no Brasil. A entrada em cena de mais um hospital de ponta voltado para o tratamento de câncer em São Paulo é acompanhado com interesse redobrado por especialistas do setor - de convênios voltados para classe A à indústria de equipamentos hospitalares, passando por oncologistas de renome e equipe de apoio, cujo passe passaram a ser alvo de disputa. Sob coordenação do oncologista Antônio Carlos Buzaid - que foi responsável pelo centro oncológico do Sírio-Libanês durante 13 anos - e dos oncologistas Fernando Cotait Maluf e Riad Younes, que também integravam a equipe oncológica do Sírio, o centro de oncologia do São José tem 55 leitos, 10 consultórios e 18 salas individuais de quimioterapia. Além dos médicos, o São José também recrutou uma equipe de enfermeiros e outros profissionais que trabalhavam com Buzaid no Sírio-Libanês. O investimento inicial foi de R$ 3 milhões. "Um dos meus objetivos era criar um hospital exclusivamente dedicado à oncologia, porque há espaço e demanda para isso em São Paulo. Não gosto de competir, mas a minha ideia é oferecer um atendimento padrão ouro para pacientes de São Paulo, de outros Estados e até de fora do País", diz Buzaid. O médico estima que cerca de 8% dos atendimentos sejam de pessoas vindas do exterior. O primeiro paciente atendido, por sinal, foi um uruguaio. Especialidades. Segundo Maluf, o hospital terá um time de oncologistas especializados nos principais tipos de cânceres (como mama e próstata) e, num próximo momento, terá médicos especialistas em tumores raros. Por enquanto não haverá investimento em câncer infantil. Para isso, médicos das principais especialidades foram selecionados - só falta preencher a vaga de hematologista. "Estamos em negociação com um médico de fora do Brasil", diz Buzaid, que não revela o nome do pretendido. Ao todo, o centro de oncologia terá dez médicos titulares e mais sete assistentes. "Vamos reproduzir aqui o modelo americano de hospital integrado. O câncer é uma doença tão complexa que exige dedicação exclusiva. O paciente será atendido pelo médico que entende daquele tipo específico de câncer e não por um médico generalista", diz Maluf. O centro também tem instalações para investimento em pesquisa e ensino - será aberto um programa de residência médica em breve. "O tripé da excelência é o cuidado médico, ensino e pesquisa. Quem ganha com isso é o paciente", diz Buzaid. O futuro. O próximo passo do São José é construir um prédio anexo, com sete andares, para concentrar todo o atendimento ambulatorial - só então se concretizaria a ideia de ser o primeiro hospital dedicado totalmente ao atendimento oncológico. A nova ala será interligada com o hospital, onde ficarão os leitos de internação. No atendimento geral serão 38 salas de quimioterapia com banheiro próprio, 17 consultórios, 1 pronto-socorro exclusivamente oncológico e salas de radioterapia. O projeto está pronto e a aprovação da planta foi assinada na quinta-feira por Buzaid. A expectativa é de que o novo espaço entre em funcionamento em até três anos. O investimento na nova ala não foi revelado. Uma das características do novo prédio será a garantia de total privacidade para o paciente em tratamento. Serão criadas salas de atendimento exclusivo, para que a pessoa não precise caminhar pelos corredores do hospital quando precisar receber quimioterapia, por exemplo. "Essa área é destinada para políticos que não querem se expor, médicos ou pacientes que simplesmente querem privacidade. Será um local de privacidade extrema", afirma Buzaid. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110320/not_imp694461,0.php