Os casos são do Maranhão: uma das crianças nasceu em dezembro, a outra tem 12 anos Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo Mais duas crianças nasceram com deformidades físicas por causa do uso incorreto da talidomida - ambas no Maranhão. Com esses casos, sobe para sete o número de vítimas no País desde 1997. Os casos vieram à tona ao mesmo tempo em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou resolução que torna a prescrição, a dispensação e o descarte da talidomida mais rigorosos. O registro mais recente é o de uma menina que nasceu sem braços e com as pernas encurtadas em dezembro do ano passado, em uma cidadezinha chamada Cajari. A menina é a sexta filha de uma dona de casa de 27 anos, que descobriu ter hanseníase em 2007 e fazia o uso do remédio para tratamento das dores provocadas pela doença. Segundo relatório que o Estado teve acesso, a mãe da menina não aderia ao tratamento corretamente e fazia o uso indiscriminado do medicamento. Além disso, tentou por várias vezes pegar a medicação no posto de saúde sem apresentar receita, mas não conseguiu. No prontuário dela consta que duas médicas negaram a prescrição da talidomida porque a moça ainda podia ter filhos e não tinha feito a operação de ligação das trompas. A medicação não saiu do posto de saúde, mas foi obtida diretamente na prefeitura da cidade pelo pai da menina, sem apresentação de receita médica. Até então, aparentemente, a mulher não sabia que estava grávida. O pai da criança, Walteir Pinheiro Santos, diz que não foi orientado por ninguém sobre os riscos do uso da talidomida na gravidez. Mas, no relatório, consta que a mulher assinou um documento que a informava dos riscos. "Minha mulher tomava porque tinha dores horríveis e só esse remédio passava", diz. De acordo com ele, só no terceiro mês de gravidez é que eles souberam que a criança poderia nascer sem braços e sem pernas. "Paramos o uso do remédio. Paguei um ultrassom e foi aí que vimos que a menina tinha cabeça e corpo, mas não tinha braços e só um tinha um toquinho das pernas. Foi muito triste." O casal, que é evangélico, cogitou um aborto, mas desistiu da ideia após conversar com o pastor. Doze anos depois. O outro caso é o de um menino de 12 anos, que nasceu sem os dois braços e com as pernas deformadas. Ele foi diagnosticado por acaso quando a equipe da geneticista Lavínia Faccini, do Instituto Nacional de Genética Médica Populacional, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fazia os exames na criança recém-nascida de Cajari. Lavínia diz que, depois desses novos casos, o Estado deve iniciar uma busca ativa para identificar outras crianças que possam ter sido vítimas da medicação e não terem sido diagnosticadas ainda. Para ela, o Maranhão está sofrendo uma epidemia de casos. "É uma epidemia, porque o índice era para ser zero. Não dá para admitir que crianças continuem nascendo com deformidades físicas por causa desse remédio", diz Lavínia. Cláudia Marques Maximino, presidente da Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida, fez uma representação no Ministério Público Federal pedindo providências. "Fiquei completamente atordoada quando soube desses casos. Esse é um retrato da banalização do uso da talidomida", disse. O Ministério da Saúde informou em nota que, assim que soube do caso, acionou o Estado do Maranhão, a Anvisa e geneticistas para acompanhamento do caso. A reportagem do Estado não conseguiu falar na Prefeitura de Cajari porque não há telefone no local. PARA ENTENDER A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou anteontem que exercerá controle mais rígido sobre a prescrição e o descarte da talidomida. Em reunião da diretoria, a agência aprovou resolução que aumenta o controle sobre o uso da substância e promove o uso seguro para evitar o nascimento de crianças com deficiências. A norma, a ser publicada no Diário Oficial da União, entrará em vigor após 90 dias. As reações adversas decorrentes do uso da talidomida deverão ser obrigatoriamente notificadas e os folhetos explicativos para médicos virão com a imagem de uma criança vítima da doença. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110323/not_imp695888,0.php
quinta-feira, 24 de março de 2011
Segurança da banda gástrica é questionada por estudo
DA REUTERS Quase a metade dos pacientes que passam pela cirurgia de banda gástrica precisa remover o implante que estrangula o estômago depois de 12 anos, segundo um pequeno estudo publicado no "Archives of Surgery". A pesquisa envolveu 82 pacientes operados na Bélgica, entre 1994 e 1997. A maioria deles se disse satisfeita com os resultados da cirurgia e conseguiu perder peso, cerca de 43% do excedente. Nessa operação, o estômago não é reduzido cirurgicamente. É implantada uma banda de silicone em volta do estômago, que fica com volume menor. Os autores afirmam que a taxa de quase 50% de reversão observada por eles pode prejudicar o futuro do procedimento. A Allergan, que fabrica as bandas gástricas, criticou a pesquisa, dizendo que a técnica cirúrgica usada no trabalho era velha. No mês passado, os EUA ampliaram o acesso a essa operação, que agora pode ser feita por pessoas menos obesas (com índice de massa corporal de 30, desde que haja doenças associadas). http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/892916-seguranca-da-banda-gastrica-e-questionada-por-estudo.shtml
ONU alerta sobre risco de expansão da tuberculose resistente
A ONU (Organização das Nações Unidas) pediu à comunidade internacional, nesta quarta-feira, que intensifique a luta contra um tipo de tuberculose multirresistente. Até 2015, mais de 2 milhões de pessoas irão contrair uma forma da doença resistente a tratamentos convencionais, chamada de MDR-TB (Multi-Drug-Resistant na sigla em inglês), segundo relatório lançado na véspera do Dia Mundial da Tuberculose. A MDR-TB é uma forma de tuberculose que não responde aos tratamentos convencionais com medicamentos de primeira linha e, se não for tratada, aumenta o risco de propagação. No relatório, o corpo de saúde das Nações Unidas, juntamente com um fundo global para a doença, pediu mais contribuição a líderes mundiais para poder diagnosticar e tratar as pessoas afetadas. "Se os governos não comprometerem mais fundos, os esforços dos últimos 10 anos será totalmente prejudicados", disse Rifat Atun, diretor do Fundo Global contra Aids, Tuberculose e Malária, que dirige contribuições dos governos e de empresas privadas às três doenças. A tuberculose se dissemina pelo ar. Se não for tratada direito, cada doente pode infectar uma média de dez a 15 pessoas por ano. Outro levantamento divulgado pelo escritório europeu da OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças na semana passada informou que a tuberculose mata cerca de 1,7 milhões de pessoas a cada ano e que o número de novos casos em todo o mundo --cerca de 9,4 milhões-- é maior do que em qualquer outro período da história. Segundo os últimos dados da OMS, foram registrados 440.000 novos casos de MDR-TB em 2008, sendo que China, Índia e Rússia representavam mais de 50% dos casos mundiais. Cerca de 150.000 pessoas morreram de tuberculose multirresistente neste ano. Desde 2009, os 23 países mais afetados pela resistência às drogas da doença dobraram os esforços contra a MDR-TB, mas ainda há muito a ser feito, segundo o relatório. http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/893039-onu-alerta-sobre-risco-de-expansao-da-tuberculose-resistente.shtml
Mais da metade dos bipolares não recebe tratamento
Mapeamento mundial sobre transtorno bipolar mostra que menos da metade dos doentes recebe tratamento. A pesquisa avaliou mais de 60 mil pessoas em 11 países como Brasil, EUA e China, das quais 2,4% apresentavam o transtorno. O resultado foi publicado no "Archives of General Psychiatry". Os pesquisadores escolheram amostras aleatórias em suas regiões e fizeram entrevistas com base em critérios da Organização Mundial da Saúde para o diagnóstico. O transtorno bipolar é caracterizado por oscilações de humor entre euforia (ou mania) e depressão. Pode causar irritabilidade, agressividade e ideias suicidas. BRASIL Apesar da gravidade dos sintomas, só 42,7% das pessoas diagnosticadas no mapeamento estavam sendo tratadas por um especialista. No grupo de países que incluía o Brasil, esse índice era ainda menor: 33,9%. "A pessoa não tem acesso ao sistema de saúde, ou acha que os sintomas são resultado do uso de drogas", diz a psiquiatra Laura Helena de Andrade, coordenadora de epidemiologia do Instituto de Psiquiatria da USP e responsável pela coleta de dados na Grande São Paulo. Segundo ela, é comum um bipolar receber diagnóstico de depressão, porque a manifestação de euforia pode ser mais leve. "E é muito mais comum a pessoa só ir buscar tratar a depressão, porque ela incomoda mais. Mas, se o médico ministrar antidepressivos, pode desencadear episódios de mania, com aumento da irritabilidade", diz. Segundo o estudo, esse transtorno é mais incapacitante do que cada um dos tipos de câncer, e mais até que Alzheimer. Bipolares sofrem por mais anos com os prejuízos do transtorno, em comparação aos outros doentes. O dado foi extraído de um relatório da OMS segundo o qual a bipolaridade representa 0,9% das doenças incapacitantes, logo à frente do Alzheimer, com 0,8%. "A pessoa já começa a ter problemas na adolescência ou no começo da vida adulta e, ao longo do tempo, vai perdendo habilidades como capacidade de raciocínio, memória e concentração", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, que coordena o programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria. O psiquiatra Eduardo Tischer, da Unifesp, acrescenta: "A doença é crônica, e leva meses para que o paciente consiga se restabelecer. Enquanto isso, ele sofre prejuízos no trabalho e suas relações familiares pioram". O não tratamento só piora os sintomas. "A pessoa tem mais chances de recorrer a drogas, álcool e de cometer suicídio", afirma Tischer. http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/892758-mais-da-metade-dos-bipolares-nao-recebe-tratamento.shtml
Autoconhecimento faz a sua imagem pessoal
Dez dicas para usar sua aparência a seu favor e fortalecer sua "marca pessoal" no ambiente de trabalho As pessoas são mesmo julgadas pela aparência? A imagem determina as primeiras impressões que os outros têm de cada um. Por isso, além de qualificações profissionais, é importante ter uma boa imagem pessoal, que ajude a transmitir ao interlocutor suas características e suas competências. Segundo personal branding Arthur Bender, a “gestão da aparência” se assemelha a um processo de “gestão de marca” e envolve o autoconhecimento. “É preciso saber quem você é, o que quer passar e se isso é condizente com seus desejos.” Veja dez dicas dos especialistas consultados pelo iG Carreiras sobre como usar a imagem pessoal a seu favor: 1 – Exercite o autoconhecimento – Na opinião de Bender, o conceito de marketing pessoal no mercado está distorcido. “As pessoas têm uma percepção mais periférica e visual do que propriamente de ‘marca’. Se você não sabe quem você é, acaba seguindo certo código genérico, se arrumando da mesma forma que os outros e cuidando apenas do visual.” E, na verdade, o fundamental é que a pessoa pense o conceito que gostaria de passar: alguém mais clássico, mais sério ou mais moderno, por exemplo. Segundo Bender, a pessoa deve se descrever em atributos e olhar se esses adjetivos estão em sintonia com seu conjunto de experiência profissional. “Tem a ver com os seus sonhos e com o que você almeja para sua carreira. Depende também do segmento que atua. Alguns são mais formais; outros, nem tanto.” 2 – Não siga os outros – “Não dá para seguir um manual geral. Todo mundo acaba ficando igual, se vestindo da mesma forma. A aparência tem que ser coerente com o que você quer e não com os outros”, afirma Bender. Na opinião do especialista, perceber aonde quer chegar e a impressão que quer passar são questões anteriores à gestão da imagem. “É preciso ir às raízes para entender quem você é. Depois, é possível perceber como as pessoas te veem. Aí sim você faz a gestão da sua marca pessoal com seriedade.” Segundo Suely Murtinho, coordenadora do curso de Gestão e Recursos Humanos da Veris Faculdade, é preciso ter uma vida profissional coerente com os valores pessoais. “É fundamental agir com coerência em suas decisões. Nada afeta mais a imagem de uma pessoa do que a inconstância e a imprevisibilidade.” 3 – Cuidado nas redes sociais – “Depois que você identificou quais adjetivos quer que as pessoas vejam em você, é importante fazer uma reflexão se isso está ajustado com o que você coloca nas redes sociais. Elas oferecem muitas oportunidades para se vender e gerar valor para sua imagem. Mas devem estar bem alinhadas”, ressalta Bender. 4 – Preste atenção nos sinais que você manda – É fundamental que a pessoa compreenda que a imagem causa um impacto muito grande nas pessoas. De acordo com Bender, isso inclui o modo como falamos, nossos relacionamentos, o que escrevemos e como nos comportamos. “Em todos os pontos de contato, você vai deixando impressões nas pessoas. O princípio básico é tentar ajustar e ter controle de todos os sinais: jeito de sentar, de andar, o que você carrega nas mãos, sua mesa de trabalho. O conjunto de todos os sinais consolida nossa imagem no mercado.” 5 – A grande audiência da imagem pessoal são os colegas de trabalho – “Tudo passa uma impressão. Os restaurantes que você conta que vai, o modo como se veste, o que tem na sua mesa de trabalho, como se comporta nas reuniões informais. Os colegas prestam atenção em tudo e isso vai construindo sua imagem”, destaca Bender. Suely Murtinho afirma que “boa aparência” é um conceito intangível, de difícil definição e alcance. “Nossas competências, sejam elas de conhecimento ou comportamentais, terão maior visibilidade em nosso ambiente de trabalho. Por isso, o profissional deve ter uma comunicação adequada e uma postura pró-ativa e, sobretudo, ética.” 6 – Tenha coerência das suas ações e aja com maturidade emocional – “A imagem pessoal é construída a partir do modo como a pessoa age. Ao longo da vida, vamos adquirindo ferramentas comportamentais aliadas às nossas competências de conhecimento e formação cultural. Isso faz a diferença em situações profissionais, pessoais e sociais. Nada atrai mais as pessoas do que a maturidade em suas ações. É isso que se traduz a afirmação: agir certo, na hora certa e na intensidade certa”, afirma Suely Murtinho. 7 – Valorize a opinião dos outros – Segundo Suely, só existe imagem pessoal se existir outra pessoa para avaliá-la. “Por isso, é importante valorizar e respeitar a opinião dos outros. Significa que você está disposto a se aprimorar.” 8 – Cuidado com os exageros – “O que, sem dúvida, pode prejudicar nossa imagem pessoal são os exageros. O excesso de cuidado com a aparência e a extrema valorização desta, pode ser entendido como futilidade. A exagerada busca por ascensão pode comprometer a imagem pessoal, trazendo problemas de relacionamento”, ressalta Suely. 9 – Comunique-se de forma clara e adequada – Suely acredita que é importante que a pessoa fale de forma clara e de acordo com o ambiente que está. “A comunicação evita gerar dúvidas sobre as intenções que o profissional tem.” 10 – Sua aparência deve estar de acordo com o ambiente – Bender ressalta que o profissional deve alinhar sua imagem também conforme o seu local de trabalho. “Depois de fazer um autoconhecimento, você precisa analisar o ambiente que trabalha para se comportar e se vestir de acordo.” http://economia.ig.com.br/carreiras/autoconhecimento+faz+a+sua+imagem+pessoal/n1238186666276.html
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