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quinta-feira, 7 de abril de 2011

OMS adverte sobre o perigo da resistência aos remédios WHO warns of the danger of drug resistance

Preocupação é que infecções comuns deixem de ser tratáveis por causa do mau uso dos medicamentos
Concern is that common infections no longer be treated because of the misuse of drugs
EFE

Genebra, 6 abr - A menos que se tenha a consciência da importância da resistência aos remédios e se implemente um programa global e multidisciplinar para lutar contra ela, caminhamos em direção a um mundo sem antibióticos e outros remédios essenciais, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Vamos combater a Resistência aos Remédios. Se não atuarmos hoje não teremos uma cura amanhã", é o lema do Dia Mundial da Saúde 2011, celebrado nesta quinta-feira, 7.

"A mensagem da OMS é clara. O mundo está à beira de perder as curas (que são os antibióticos). Na ausência de ações protetoras urgentes, o mundo caminha em direção a uma era pós-antibióticos na qual muitas infecções comuns não terão cura", disse a diretora da OMS, Margaret Chan.

A agência de saúde das Nações Unidas alerta para um problema que está crescendo e que pode reduzir e inclusive acabar com a eficácia de muitos remédios, especialmente os antibióticos, cuja criação mudou a história médica.

A resistência aos remédios é um fenômeno biológico que ocorre quando microrganismos se tornam resistentes aos remédios que foram criados para matá-los.

A cada geração, os microrganismos resistentes voltam ainda mais dominantes até o remédio perder o efeito.

"O problema nunca vai desaparecer totalmente, porque é um fenômeno natural, mas é possível lutar para controlá-lo", explicou em entrevista coletiva Mario Raviglione, diretor do departamento de tuberculose da OMS.

Existem diversas causas que provocam a resistência a um remédio: o uso excessivo, o tratamento insuficiente na dose indicada e o mal emprego.

"O problema também recai na transmissão. Uma pessoa que desenvolveu resistência pode transmiti-la facilmente a outra pessoa se não se aplicarem os padrões básicos de higiene e proteção", acrescentou Raviglione.

O número de pessoas que morrem anualmente pela resistência aos remédios ainda não foi oficializado, embora se calcula que sejam "centenas de milhares ao ano", segundo Raviglione, contando, por exemplo, só 440 mil casos de multiresistência aos tratamentos contra a tuberculose.

"O fenômeno acelerou com o aumento da população mundial, com a extensão da longevidade que implica o aumento da ingestão de remédios para lutar contra mais doenças, com o aumento das viagens e das doenças imunodepressoras", assinalou Raviglione.

Além disso, não existem dados mundiais sobre o custo que envolve a resistência aos remédios, mas calcula-se que só na União Europeia o número alcança 1,5 bilhões de euros e nos Estados Unidos US$ 20 bilhões ao ano.

Algumas das ações que podem contornar a situação passam por políticas transversais implementadas pelos Governos, mas também ações concretas como um maior e melhor controle da prescrição dos remédios por parte de médicos e farmacêuticos, assim como a redução da automedicação por parte dos pacientes.

Além disso, se requer uma implicação maior da indústria agrícola e animal, dado que atualmente existe um uso em massa de antibióticos para tratar plantas e animais doentes, o que está provocando uma resistência, que pode, posteriormente, ser transmitida aos humanos.

"Em um momento de diversas doenças no mundo, não podemos permitir que a perda de remédios essenciais - curas essenciais para milhões de pessoas - se transforme na próxima crise global", concluiu Chan.

O que explica o nascimento de bebês gigantes? What explains the birth of big babies?

Três fatores são apontados como causas do problema. Diabetes gestacional é o mais comum e pode aumentar chances da criança se tornar um adulto obeso
Three factors are cited as causes. Gestational diabetes is most common and can increase chances of a child becoming an obese adult
Após nove meses de gestação, o bebê tem aproximadamente 3,5 quilos e mede de 45 a 50 centímetros. Há muitas exceções à regra, naturalmente. Mas poucas tão impressionantes como a de Gustavo, nascido com seis quilos e 54 centímetros no fim do mês passado, em Salvador, na Bahia. O bebê quase bateu o recorde do indonésio Muhammad, nascido com 8,7 quilos e 62 centímetros, em 2009 (leia outros recordes relacionados à maternidade). O que faz com que essas crianças nasçam assim tão grandes?

O obstetra Frederico Peret, especialista em gravidez de alto risco de Belo Horizonte, Minas Gerais, enumera três causas principais para o bebê nascer acima do peso comum. Uma é de ordem constitucional: se a mãe e o pai forem grandes, as chances do bebê nascer maior que o esperado, com aproximadamente 4,5 quilos, aumentam. Outra é a obesidade da mãe, que também pode colaborar para a obesidade da criança, pois levanta a possibilidade de uma anormalidade em relação à glicose no corpo. E esta segunda causa pode estar associada à mais importante a ser discutida: o diabetes gestacional.

Grandes e frágeis

“Se a mãe tem um nível de glicose elevado no organismo, a criança também vai ter”, diz Peret. De acordo com a pediatra Alessandra Cavalcante, do Hospital e Maternidade São Luiz, o metabolismo da mulher pode ter uma variação em relação à produção de insulina – hormônio responsável pelo controle da taxa de açúcar no sangue – durante a gravidez e, assim, o bebê pode correr o risco de nascer com o peso acima do normal. “São os bebês que chamamos de GIG – sigla de Grande para a Idade Gestacional”, diz. Mas não é habitual uma mãe com este tipo de problema ter um bebê com mais de 4,5 quilos.

Segundo Alessandra, é possível que uma criança nascida com seis quilos – como é o caso de Gustavo – tenha alguma alteração no próprio metabolismo. Peret explica o mecanismo. “O feto entende o excesso de glicose que chega até ele como energia; isso o faz produzir mais insulina, ocasionando o maior crescimento, já que a insulina é um hormônio anabólico”, diz. Com o metabolismo desregulado, estas crianças podem ser vítimas da hipoglicemia – diminuição do nível de glicose no sangue – ao nascer.

A alteração do metabolismo da criança a partir do diabetes gestacional da mãe pode até ser fatal. “Quanto mais a criança cresce dentro do útero, mais energia ela precisa. Muitas vezes a placenta não é suficiente para suprir aquela demanda”, afirma Peret. Além disso, de acordo com o ginecologista e obstetra Gustavo Kröger, especialista em reprodução humana da clínica GENICS – Medicina Reprodutiva e Genômica, nestes casos não adianta insistir no parto normal: se o bebê está acima de quatro quilos, a cesárea é a melhor opção.

Maternidade controlada

Desenvolver diabetes durante a gestação não significa ter o problema pelo resto da vida. Porém, Kröger diz que as chances existem. Há casos de mulheres diabéticas que só descobrem a doença durante a gestação, o que também traz riscos à saúde do bebê se o problema não for controlado. Por isso não se pode esquecer do exame de glicemia de jejum, normalmente realizado durante o pré-natal. O teste de tolerância oral à glicose também pode ser feito caso alguma alteração no organismo for apresentada no primeiro exame. E cuidar da alimentação é sempre altamente indicado.

Para evitar que o diabetes faça estragos durante a gestação, é preciso estar atenta aos riscos. “A mulher com histórico de diabetes na família ou com mais de 40 anos tem maiores chances de desenvolver diabetes gestacional”, alerta Peret. Se o problema já foi diagnosticado, será necessário fazer o teste de glicemia capilar periodicamente, para monitorar os níveis de glicemia do sangue. Uma consulta ao médico vai definir a necessidade de insulina e a dieta adequada.

O principal problema que o bebê costuma ter é a hipoglicemia ao nascer. “Depois da primeira semana de vida já não há tantos riscos à saúde”, diz Alessandra. Mas um quadro de diabetes gestacional não diagnosticado e, consequentemente, não controlado, segundo Peret, pode selar o destino do bebê e fazer com que ele se torne uma criança, um adolescente e um adulto obeso.

Estudo mostra ligação entre fumo e câncer de mama após menopausa

Pesquisa foi a primeira a examinar a interação entre fumo, obesidade e risco de câncer de mama em mulheres nessa fase da vida

Existe uma ligação significativa entre o fumo e o risco de câncer de mama na pós-menopausa, mas pesquisadores americanos relatam que tudo isso depende do peso corporal das mulheres.

De acordo com o novo estudo, o risco de câncer de mama foi mais alto que o normal entre as fumantes não obesas, mas esta forte associação não foi evidente nas fumantes obesas.

Os pesquisadores analisaram dados de 76.628 mulheres, entre os 50 e os 79 anos de idade, sem histórico de câncer. Todas elas estavam inscritas no estudo Women’s Health Initiative e foram recrutadas entre 1993 e 1998. As participantes foram acompanhadas até 2009.

As fumantes não obesas com índice de massa corporal (IMC) inferior a 30 apresentaram risco significantemente mais alto de câncer em comparação às não fumantes. As mulheres que foram fumantes por um período de 10 a 29 anos apresentaram um risco 10% mais alto, aquelas que fumaram de 30 a 49 anos apresentaram um risco 25% mais alto, enquanto que para aquelas que fumaram por 50 anos o mais o risco foi 62% mais alto. Entretanto, obesas fumantes aparentemente não apresentaram maiores riscos de desenvolver câncer de mama.

O estudo deve ser apresentado em Orlando no próximo domingo, durante o encontro anual da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.

“Encontramos uma associação entre o cigarro e o câncer de mama entre as mulheres não obesas, o que é compreensível, devido aos componentes carcinogênicos presentes no tabaco. Entretanto, a mesma associação não foi encontrada entre o risco de câncer entre as mulheres obesas. O resultado foi surpreendente!”, disse Juhua Luo, professora do departamento de medicina comunitária da West Virginia University.

Luo adverte, porém, que as descobertas não devem ser interpretadas erroneamente. Ela enfatizou que pesquisas anteriores já haviam mostrado que a obesidade é um fator de risco para o câncer de mama na pós-menopausa.

“Este foi o primeiro estudo a examinar a interação entre o fumo, a obesidade e o risco de câncer de mama. A principal conclusão desta pesquisa é que estudos complementares serão necessários para confirmar os resultados”, disse Luo.

Como as descobertas serão apresentadas em um encontro médico, elas devem ser consideradas preliminares até serem publicadas em um periódico especializado.

Paralisação de médicos será parcial no Rio de Janeiro

Profissionais que atendem planos de saúde farão greve nacional nesta quinta-feira

Marcada para esta quinta-feira (7), a paralisação nacional dos médicos que atendem planos de saúde não é uma unanimidade na categoria no Rio de Janeiro.

Muitas unidades de saúde consultadas pelo iG informaram que as consultas marcadas com pacientes com planos de saúde serão mantidas. São os casos, por exemplo, da Casa de Saúde São José e do Hospital Adventista Silvestre, em Botafogo, na zona sul, da Maternidade Perinatal, em Laranjeiras, também na zona sul, e do Hospital Cemeru, em Santa Cruz, na zona oeste.

As unidades de emergência não sofreram alterações nos atendimentos com conveniados - caso, por exemplo, do Centro Pediátrico da Lagoa e da rede Amiu (Assistência Materno-Infantil de Urgência).

A situação deverá diferente, no entanto, no IBOL (Instituto Brasileiro de Oftamologia). A unidade hospitalar vai aderir à greve. Cerca de 400 consultas marcadas para esta quinta-feira foram canceladas na sede de Botafogo, na zona sul. Já as filiais da rede localizadas em Copacabana, na zona sul, e na Barra da Tijuca, na zona oeste, tiveram, cada uma, cerca de 70 cancelamentos de consultas com conveniados

No Centro Médico Botafogo, na zona sul da capital, que conta com 180 que atendem por convênio, pelo menos 70% dos profissionais garantiram que vão trabalhar amanhã, segundo a administração da unidade.

No Hospital Santa Cruz, um dos maiores de Niterói, na região metropolitana, alguns médicos que atuam no setor de ambulatórios e trabalham com convênios já anunciaram que não darão expediente amanhã.

Manifestação

Em meio a divisão da categoria, médicos que vão aderir ao movimento estão planejando realizar no início da tarde desta quinta-feira (7) uma manifestação em frente ao Centro de Convenções da Sul América, na região central da capital.

Médicos suspendem atendimento a planos de saúde nesta quinta

Apoiada pelas principais entidades médicas, paralisação abrange atendimentos em consultórios e cirurgias programadas

O Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta quinta-feira, será marcado por uma paralisação de 24 horas no atendimento dos médicos credenciados às operadoras de planos de saúde em todo o País. Entidades que agrupam cerca de 160 mil médicos prometem a suspensão de suas atividades por todo o dia, em manifesto aos repasses feitos pelas operadoras de planos de saúde aos profissionais.

A paralisação, que tem apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e da Associação Médica Brasileira (AMB), está marcada para ocorrer em todo o Brasil e os médicos avisam que serão suspensas todas as consultas previamente agendadas, mas serão atendidos os casos de urgência e emergência. De acordo com a Associação Médica Brasileira, os pacientes receberam uma recomendação para remarcarem seus exames para outro dia. Mesmo assim, os pacientes que têm consultas marcadas para esta quinta-feira devem entrar em contato com seus médicos para se certificar que haverá o atendimento.

Os profissionais argumentam que os honorários pagos são insuficientes a uma adequada prestação do serviço médico. Em nota, a Associação dos Usuários dos Planos de Saúde do Estado de São Paulo (Aussesp) afirma que a paralisação é necessária para expor a exploração das empresas. “Isso causa uma fadiga no sistema, uma vez que os médicos são obrigados a atingir metas diárias de atendimento de até 30 consultas, para poder a cobrir suas respectivas despesas. Sem contar outros procedimentos necessários para conclusão de seus diagnósticos e tratamentos, também mal remunerados”. Em São Paulo ocorrerá um protesto pelas ruas do centro da capital. A concentração do movimento terá início às 9h, na rua Francisca Miquelina, 67. De lá, os manifestantes farão uma caminhada até a Praça da Sé.

Em Minas Gerais, há a expectativa que de aproximadamente 15 mil médicos paralisem suas atividades. De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado (Sinmed-MG), existe a garantia de que serviços essenciais serão mantidos. O diretor do sindicato Márcio Bichara diz que serão suspensos atendimentos em consultórios e cirurgias programadas. "A orientação é de que a população não seja prejudicada", disse ele. O dirigente ainda destacou que em 30 dias será realizada uma assembleia. "Se não conseguirmos avanços com os planos, vamos radicalizar e partir para o descredenciamento. Não é justo em 10 anos repassarem 160% de aumento para os consumidores e os médicos terem tido um reajuste inferior a 60%", argumentou Bichara.

Nesta quinta-feira também haverá um ato público as 9h30, no Centro Clínico Sul, em Brasília. De acordo com o presidente da Associação Médica de Brasília (AMBr), Lairson Vilar Rabelo, o ato também é uma forma de defender um atendimento com mais qualidade aos cidadãos. “Devemos mostrar para a população que essa paralisação também é em beneficio dela, pois os planos de saúde interferem diretamente no trabalho do médico para a saúde do usuário”, disse. Segundo ele, as interferências criam obstáculos para a solicitação de exames e internações, pressão para a redução de procedimento, a antecipação de altas e transferências de pacientes. Os médicos estimam o aumento de R$ 60 a ser pago por consulta. Atualmente, a maioria dos planos de saúde paga entre R$ 25 e R$ 40 por consulta, podendo ter alteração nos valores de região para região.

Os planos e seguros de saúde no Brasil são responsáveis pelo atendimento de 45,5 milhões de pessoas. Por ano, são realizadas cerca de 223 milhões de consultas e 4,8 milhões de internações por meio de planos de saúde. Entre as reivindicações dos médicos ainda estão o pedido de autonomia profissional, o respeito às condições de trabalho sem interferência dos planos, o estabelecimento de um contrato de prestação de trabalho onde estejam claras as informações sobre formas de admissão e demissão dos médicos e a revisão periódica e anual do reajuste do repassa aos médicos.

Outra reclamação dos médicos é com relação ao papel da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador dos planos de saúde. “O órgão de fiscalização é a ANS e ela não tem cumprido sua função fiscalizadora. O desejável é que a ANS cumpra sua função legal, estabelecendo as regras mínimas do contrato [firmado entre médicos e operadoras]”, reclamou Carvalhaes.

Em resposta, a ANS afirma que não tem como atribuição definir valores referentes ao pagamento das operadoras pelos serviços realizados por prestadores de serviços de saúde e que tem conduzido grupos de trabalho para tratar da remuneração de hospitais e honorários médicos para facilitar o diálogo entre as partes. “Quanto ao movimento que será promovido pela Associação Médica Brasileira, no dia 7 de abril, a ANS entende que é papel das entidades médicas lutar pelos direitos dos profissionais”, disse a agência reguladora, em nota.

Neste dia, a ANS informa que vai fazer o atendimento dos beneficiários dos planos de saúde normalmente por meio do Disque-ANS, cujo número é o 0800-701-9656 ou pela internet, no www.ans.gov.br.

Sobre a reclamação dos médicos com relação a sua função, a ANS respondeu que não regula a relação entre a operadora e os prestadores de serviço, no caso, os médicos. Mas o órgão vai lançar uma consulta pública, nos próximos dias, para receber contribuições e editar uma norma a respeito.

Já a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa os planos de saúde institucionalmente, afirmou que não faz parte de suas atribuições discutir a remuneração de servidores porque a diversidade de fatores (região, modalidades, especialidades médicas, carteira etc.), existente entre os 1.061 planos de saúde que operam no Brasil, é grande e essa remuneração é estabelecida entre cada uma das operadoras e o médico.

“É livre a negociação entre as partes sobre os serviços a serem prestados. A remuneração é variável tanto sobre os valores acordados como também sobre quaisquer outras particularidades do relacionamento entre operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços”, afirmou a Abramge.

* com informações de Márcio Apolinário, iG São Paulo; Denise Motta, iG Minas Gerais, e Agência Brasil