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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Casos de dengue crescem 405% em São Paulo Cases of dengue grow 405% in Sao Paulo

O número de casos de dengue na capital cresceu 405% de acordo com o último balanço divulgado pela Prefeitura. Em 4 de março, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou 149 casos contraídos na cidade. Agora são 757, sendo 410 só em março.

O aumento ocorre porque, segundo especialistas, há um retardo médio de 60 dias entre o pico da população de mosquitos Aedes aegypti – transmissor da doença – e o número de casos de pessoas com a doença.

“Historicamente, os meses de março e abril são os que apresentam maior número de casos da doença. A população de mosquitos começa a crescer em novembro, quando a chuva intensifica. Em janeiro, ela atinge o auge e o pico na transmissão ocorre cerca de dois meses depois”, explica o epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Nascimento Burattini.

Isso acontece porque o desenvolvimento do mosquito passa por uma série de fases. A transformação de larva para mosquito pode levar entre 3 e 4 semanas, dependendo das condições ambientais e climáticas. “Depois, ele tem que voar, encontrar uma pessoa infectada com a dengue.

O vírus da dengue precisa de um tempo de encubação no mosquito de 10 a 12 dias, para então ser transmitido. Por isso, esse tempo todo para aparecerem os casos de pessoas com as doenças”, diz Burattini.

Os bairros do Itaim-Bibi e Campo Limpo, ambos na zona sul, lideram o ranking da doença em São Paulo. Cada um registrou 69 casos entre janeiro e março. Tucuruvi, na zona norte, recebeu 37 notificações. De acordo com a Secretaria de Saúde, uma das possíveis causas do aumento de notificações no Itaim-Bibi é a recusa dos moradores em receber agentes de saúde em suas casas. A negativa ocorre em 50% dos domicílios.

Já no Campo Limpo, “o tipo de construção das moradias, com laje de superfície irregular e caixas d’água externas, pode facilitar a proliferação dos mosquitos, caso os moradores não tomem os devidos cuidados”, diz a nota. O bairro registrou no primeiro trimestre do ano passado 333, entre os 2.072 apontados na cidade.

Neste ano, o Morumbi registrou cinco pessoas contagiadas. Uma delas, a agente de viagens Érika Ohata, de 50 anos. Ela descobriu que estava com a doença no início do mês. “Nunca fico doente, mas por três ou quatro dias seguidos senti uma dor de cabeça horrível, vômito e dores no corpo. Fui ao médico e descobri que era dengue. Agora estou me recuperando”, disse Érika, que não tem nenhum conhecido com a doença.

Célula sadia ataca câncer na mama, diz estudo Attacking healthy cells in breast cancer, study says

Alexandre Gonçalves e Karina Toledo - O Estado de S.Paulo
Células sadias da mama produzem uma proteína - a interleucina 25 (IL-25) - que envenena células cancerosas na vizinhança. Pesquisadores já sintetizam a substância em laboratório e apostam na sua viabilidade como uma futura terapia contra cerca de 20% dos tumores de mama.

Divulgação/Science
Divulgação/Science
Uma unidade estrutural do seio humano
Baixa toxicidade e alta eficácia constituem as principais vantagens da IL-25 sobre a maioria dos tratamentos disponíveis. Como a substância faz parte do arsenal inato do organismo para detectar e destruir células defeituosas, sua ação é muito seletiva: não causa danos às células sadias e devasta o tumor.

Todos os dias, o corpo humano gera cerca de mil células anormais que podem se transformar em câncer. Graças ao sistema imunológico inato, a imensa maioria é erradicada antes de causar qualquer problema.

A IL-25 pertence a esse sistema. Em 20% dos tumores de mama, as células cancerosas absorvem grande quantidade de IL-25 produzido por células sadias. A proteína intoxica o tumor (mais informações nesta página).

Os pesquisadores criaram um meio de cultura tridimensional in vitro com células normais e cancerosas. Estudaram as trocas de mensagens químicas entre elas. Identificaram cinco fatores relacionados à destruição de tumores. O IL-25 mostrou-se o assassino mais eficiente.

Testaram então em camundongos previamente preparados com enxertos de tumores de mama humanos. A substância eliminou os cânceres nos animais.

Aposta. "Já transferimos a tecnologia para uma empresa que realizará o desenvolvimento do produto. Os testes em humanos devem levar, no mínimo, dois anos para começar", afirma Irene Kuhn, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos. Irene participou do estudo, divulgado na última edição da revista Science Translational Medicine.

A canadense Lotus Therapeutics está testando uma droga chamada virulizin contra câncer de pâncreas. O medicamento estimula a ação do sistema imunológico. Entre outras coisas, por meio do aumento da produção de IL-25. Os testes clínicos estão em fase dois.

A mesma empresa também pesquisa o uso do IL-25 contra melanomas, mas os testes clínicos não começaram ainda. De qualquer forma, Irene sugere que, se a droga for aprovada para uso contra melanomas, será muito mais fácil obter autorização para utilizá-la depois contra cânceres de mama.
Afonso Nazário, mastologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pondera que os resultados são promissores, mas ainda estão no nível da pesquisa básica. "Pode levar 10 ou 15 anos para virar um medicamento", afirma. Ele recorda que outras pesquisas também procuram fatores semelhantes ao IL-25, capazes de causar a morte seletiva de células cancerosas.

No Brasil. Coordenador do setor de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e do Hospital das Clínicas (HC), José Roberto Filassi afirma que “desconhecia a aplicação clínica da proteína IL-25no câncer de mama.”

Para o médico, a novidade indica “mais um possível caminho para o tratamento”. Filassi, contudo, diz que ainda não é possível falar em cura. “Fico com a dúvida de como a IL-25 irá alcançar o ‘alvo’, as células cancerosas?”, pondera.

Para José Bines, oncologista do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a aplicação da proteína no tratamento do câncer de mama ainda é uma possibilidade distante. “Mas a atividade anti-tumoral da IL-25 demonstrada na pesquisa tem, sim, potencial. Poderá ajudar a compreender o efeito da célula tumorosa nos tecidos não malignos que estão em volta dela”, explica. Entender o mecanismo, determinaria a maneira como os tumores se desenvolvem, completa ele. / Colaborou Felipe Oda

Consumo de ômega-3 durante gravidez reduz depressão pós-parto Consumption of omega-3 during pregnancy reduce postpartum depression

DA EFE

O consumo do ácido graxo ômega-3 --encontrado em peixes como o salmão-- durante a gravidez reduz o risco de depressão pós-parto, segundo um estudo de cientistas americanos publicado na terça-feira (12).

A doutora Michelle Price Judge, da Escola de Enfermagem da Universidade de Connecticut, demonstrou previamente que o consumo durante a gravidez do ácido docosahexaenoico (DHA), um ácido graxo poliinsaturado da série ômega-3, auxilia o desenvolvimento do bebê e quis saber o efeito que poderia ter na depressão pós-parto.

Para o novo estudo, analisou os hábitos alimentares de 52 mulheres grávidas que foram divididas em dois grupos. Metade tomou um placebo. Ao outro grupo foram administrados 300 miligramas de DHA, cinco dias por semana, entre as semanas 24 e 40 da gravidez, uma quantidade similar a meia porção de salmão.

Os especialistas acompanharam as mães e mediram sua situação emocional por meio de uma escala de depressão pós-parto realizada pela doutora Cheryl Beck, da Universidade de Connecticut e coautora do estudo.

Segundo outras pesquisas mencionadas pelos autores, aproximadamente 25% das mães sofrem deste tipo de depressão, que afeta as relações familiares e tem consequências no desenvolvimento afetivo da criança.

A análise dos dados indica que as mães que fizeram parte do grupo que consumiu pescado foram menos propensas a manifestar sintomas relacionados à ansiedade.

Durante o Congresso de Biologia Experimental 2011, realizado em Washington, Michelle e sua equipe assinalaram que seria necessário um estudo maior para entender o porquê e o alcance dos benefícios do ômega-3 para a saúde mental da mãe.

Ainda assim, foi recomendado o consumo de peixes ricos neste tipo de ácidos graxos entre dois e três dias por semana, já que são ricos em proteínas e minerais. Outros estudos destacaram o benefício para a saúde mental e a ajuda ao desenvolvimento cognitivo e visual das crianças.

Cirurgião tentou implantar coração de porco em paciente Surgeon tried to implant in patient heart pork

Mais que qualquer outro ramo da ciência, a história da medicina conta com personalidades inspiradoras e excêntricas e práticas assustadoras e engenhosas, dignas de dr. Frankenstein. Em 1969, Donald Longmore tentou implantar o coração e os pulmões de um porco em um paciente. Não estamos falando das cirurgias do século 19, isso aconteceu pouco tempo atrás.

Reprodução
Livro sobre história da medicina baseado no documentário homônimo da BBC
Volume baseado no documentário homônimo produzido pela rede BBC
Quem o condenaria? A anatomia do suíno é semelhante a do homem. Os porcos são usados como animais de experimentação para compreender a fisiologia humana.

Se você pode comer bacon, existe algum motivo ético para não aproveitar outras partes para salvar uma vida? A insulina, usada pelos diabéticos, pode ser extraída de bovinos e suínos.

A ideia poderia dar certo e revolucionar a ciência médica. Porém, o bicho corria mais que o cirurgião e seus ajudantes. Após uma longa perseguição, médico capturou o "doador", mas o paciente não aguentou a espera.

O lançamento "Sangue e Entranhas", do jornalista científico Richard Hollinghan, reúne diversos episódios do gênero. O texto --baseado no documentário homônimo da BBC-- é uma compilação de procedimentos estranhos que renderam alguns acertos heroicos e muitos erros desastrosos.

Micróbios poderão prevenir cáries e diminuir colesterol no futuro, diz estudo

DA EFE

Os micróbios que vivem em nosso organismo podem ser, no futuro, o principal ingrediente de uma pasta de dentes que ajudará a prevenir cáries ou de comprimidos para diminuir o colesterol, segundo um estudo publicado na quarta-feira pela revista americana "Science".

Os probióticos, como são denominados os alimentos, bebidas e suplementos dietéticos que contêm micróbios vivos procedentes do corpo humano, ajudarão em um futuro a diagnosticar e tratar doenças, e os complexos a base de bactérias serão objeto de receita em consultas médicas de todo o mundo.

É o prognóstico que fazem o cientista da Universidade de Stanford (Califórnia) J.L. Sonnenburg, e o da Universidade da Califórnia, M.A. Fischbach.

O estudo, intitulado "Saúde comunitária: oportunidades terapêuticas no microbioma humano", prevê um futuro no qual os probióticos serão desenvolvidos e modificados pelas companhias farmacêuticas e biotecnológicas e regulados pelo Escritório de Alimentos e Remédios (FDA) dos EUA.

Os autores do texto convidam a comunidade científica dar sequência ao estudo das propriedades beneficentes dos micróbios vivos para a flora intestinal, que atualmente é o objeto da maioria dos produtos com esses organismos, protagonizados pelos iogurtes que permitem a sobrevivência das bactérias.

"O conceito (dos probióticos) pode ser aplicado também a outras comunidades microbianas do corpo humano", indicam os pesquisadores.

"Os cremes para a pele e pastas de dentes do futuro poderão conter organismos vivos ou prebióticos que ajudem a tratar a dermatite atópica e prevenir cáries dentais", acrescentam.

Segundo Sonnenburg e Fischbach, os micróbios vivos não só ajudarão a tratar as disfunções e doenças, mas também a preveni-las.

"Os componentes microbianos dos sedimentos, a urina, o cuspe e as mucosidades atendem às duas virtudes de uma mostra diagnóstica: são fáceis de obter e sustentam uma quantidade de informação molecular relevante para as doenças", afirma o estudo.

Apesar de sua popularidade crescente, os produtos probióticos não foram até agora estudados com rigor e, nos EUA, não estão regulados pela FDA.

Embora pareçam ter um potencial claro como agentes terapêuticos, existem desafios no momento de estabelecer padrões claros que permitam uma pesquisa mais aprofundada, segundo adverte o estudo.

As influências "antinaturais" sobre o organismo, como o consumo de antibióticos ou a administração de vacinas, modificam e transformam a estrutura microbiana, que pode variar de pessoa para pessoa e de país para país.

"As diferenças marcadas entre os micróbios fecais de uma criança de Burkina Fasso e das crianças do norte da Itália dão uma ideia dos problemas de definir uma linha de base para a microbiota", aponta o estudo.

Isso transforma às comunidades microbianas dos humanos em um "alvo móvel", que impõe um desafio considerável no momento de definir o que é "normal" ou "saudável", concluem os autores.