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quarta-feira, 4 de maio de 2011

HC vai ampliar atendimento preferencial a plano privado

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, símbolo do serviço de saúde gratuito e universal, vai quadruplicar os atendimentos prestados a convênios; 12% deles serão realizados para planos privados, informa a reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Para boa parte dos médicos ouvidos pela Folha, será difícil evitar que os pacientes do SUS não acabem preteridos.

Venda de genéricos cresce 32% no 1º trimestre

O aumento da renda da população, aliado à expansão do programa Farmácia Popular e ao lançamento de novos produtos a partir de patentes recém-expiradas, está fazendo as vendas de genéricos disparar.

As vendas cresceram 32% no primeiro trimestre, ante igual período do ano passado, e chegaram a 123,7 milhões de unidades. Em faturamento, a alta foi de 37,4% (para R$ 1,7 bilhão), na mesma base de comparação.

O crescimento, recorde para um primeiro trimestre desde que o surgimento dos genéricos, em 2001, acontece sobre uma base de crescimento também recorde.

Em 2010, o setor cresceu 33,1%, ante uma média ao longo da década de 25% ao ano. Em faturamento, a alta no ano foi de 37,7%, atingindo R$ 6,2 bilhões.

Os três medicamentos mais populares lançados como genéricos no ano passado --atorvastatina (genérico do Lipitor, de combate ao colesterol), valsartanta (do Diovan, para hipertensão) e sildenafil (do Viagra, para disfunção erétil)-- já detêm, juntos, 3,8% do mercado, em faturamento.

"As pessoas estão conseguindo comprar medicamentos que antes não conseguiam", diz Odnir Finotti, presidente da Pró Genéricos, associação das indústrias de genéricos e responsável pelos dados.

Finotti cita o caso do medicamento contra colesterol alto, cuja caixa custava cerca de R$ 200 e agora pode ser encontrado por R$ 80 a R$ 90 na versão genérica.

O programa Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitamente mediante receita média, também está impulsionando as vendas.

Os oito medicamento oferecidos pelo programa já representam 14,6% das vendas da indústria, ante 12% no primeiro trimestre do ano passado. Um grande impulso veio em fevereiro, quando o governo incluiu na lista medicamentos de uso contínuo para hipertensão e diabetes.

"Quando o consumidor descobrir que pode pegar o medicamento de graça na farmácia, vai haver grande migração para a Farmácia Popular", acredita Finotti.

ANVISA

Segundo a Pró Genéricos, o setor também ganhou um aliado no governo: a Anvisa. Desde o início do ano, a nova diretoria da agência reguladora reabilitou uma gerência exclusiva para o registro de genéricos. Essa gerência exclusiva foi extinta na gestão de Dirceu Raposo de Mello, durante o governo Lula.

"Com a nova gestão, o processo de registro está mais rápido", diz Finotti.

No primeiro trimestre, o número de novos genéricos aprovados pela agência cresceu 72,5%. Foram 88 novos medicamentos, ante 51 no ano passado.

Cópias de medicamentos de referência cuja patente já expirou, os genéricos já detêm 24,1% do mercado farmacêutico nacional.

Cientistas dos EUA transformam 'gordura ruim' em 'gordura boa'

Cientistas norte-americanos dizem ter encontrado uma maneira de transformar gordura corporal em um tipo de gordura que queima calorias e diminui o peso.

A informação foi publicada nesta terça-feira no site da "BBC News".

A equipe de Johns Hopkins realizou o experimento em ratos, mas acredita que o mesmo poderia ser feito em seres humanos, o que acende a esperança de uma nova ferramenta para combater a obesidade.

A modificação da expressão de uma proteína ligada ao apetite não só reduziu o consumo de calorias e o peso dos animais, como também transformou a composição de gordura corporal dos ratos.

A gordura "má" branca transformou-se em gordura "boa" marrom, segundo relatório publicado na revista "Cell Metabolism".

A gordura marrom é abundante em bebês, que a usam como fonte de energia para gerar calor corporal, gastando calorias ao mesmo tempo.

Mas à medida que as pessoas envelhecem, grande parte da gordura marrom desaparece e é substituída pela gordura branca, "ruim", que se manifesta como um pneu sobressalente em torno da cintura.

Especialistas acreditam que estimular o organismo a produzir mais gordura marrom em vez de gordura branca pode ser uma maneira útil para controlar o peso e prevenir a obesidade, além de outros problemas relacionados à saúde, como diabetes tipo 2.

EXPERIMENTO

Sheng Bi e seus colegas da Universidade Johns Hopkins School of Medicine realizaram um experimento para averiguar a supressão de uma proteína estimuladora do apetite, chamada NPY, diminuiria o peso de ratos.

Quando silenciaram a proteína no cérebro dos roedores, descobriram a diminuição do seu apetite e ingestão alimentar.

Mesmo quando os ratos foram alimentados com uma dieta muito rica em gordura, ainda conseguiram perder mais peso que os roedores que tinham pleno funcionamento da NPY.

Os cientistas compararam então a composição da gordura dos animais e encontraram uma mudança interessante.

Nos ratos com a NPY silenciada, um pouco da gordura ruim branca tinha sido substituída pela gordura boa marrom.

Os pesquisadores estão esperançosos com a possibilidade do experimento ser realizado em pessoas, injetando células-tronco de gordura marrom sob a pele para queimar a gordura branca e estimular a perda de peso.

De acordo com Bi, "se o corpo humano conseguisse transformar gordura ruim em boa, que queima calorias em vez de armazená-las, poderíamos acrescentar uma ferramenta séria para enfrentar a epidemia de obesidade. "Somente mais pesquisas nos dirão se isso é possível."

País terá mais um remédio contra deficit de atenção

Um novo remédio para o tratamento de deficit de atenção começará a ser vendido no Brasil até o fim do mês.

Droga para deficit de atenção tem uso excessivo, diz estudo

Trata-se do Venvanse, do laboratório anglo-americano Shire. A droga é vendida nos Estados Unidos desde 2007.

O princípio ativo do medicamento é da família das anfetaminas, assim como o metilfenidato (Ritalina).

A diferença é que a nova droga é absorvida aos poucos na corrente sanguínea, o que aumenta a duração dos efeito, segundo a fabricante.

De acordo com o neurologista Frank Lopez, especialista americano no tema que veio ao Brasil a convite da farmacêutica Shire, o efeito estável, sem 'picos' e por 13 horas, desestimula o uso recreativo do medicamento.

"O metilfenidato tem ação imediata, o efeito começa e acaba rápido. É o que faz as pessoas quererem mais e abusarem", diz Lopez.

O Venvanse tem como efeitos colaterais dor de cabeça, insônia e perda de apetite

Droga para deficit de atenção tem uso excessivo, diz estudo

Quase 75% das crianças e dos adolescentes brasileiros que tomam remédios para deficit de atenção não tiveram diagnóstico correto.

O dado é de um estudo de psiquiatras e neurologistas da USP, Unicamp, do Instituto Glia de pesquisa em neurociência e do Albert Einstein College of Medicine (EUA), que será apresentado no 3º Congresso Mundial de TDAH (transtorno de deficit de atenção e hiperatividade), no fim do mês, na Alemanha.

A pesquisa colheu dados de 5.961 jovens, de 4 a 18 anos, em 16 Estados do Brasil e no Distrito Federal.

Os autores aplicaram questionários em pais e professores para identificar a ocorrência do transtorno, tendo como base os critérios do DSM-4 (manual americano de diagnóstico em psiquiatria).

As informações foram comparadas aos relatos dos pais sobre o diagnóstico que seus filhos receberam de outros profissionais, antes do período das entrevistas.

Só 23,7% das 459 crianças que haviam sido diagnosticadas com deficit de atenção realmente tinham o transtorno, segundo os critérios do manual. Das 128 que tomavam remédios para tratá-lo, só 27,3% tinham o problema, segundo os pesquisadores.

"Isso mostra que há muitos médicos prescrevendo o remédio, mas que não conhecem bem o problema", diz o neurologista Marco Antônio Arruda, coautor do estudo e diretor do Instituto Glia.

O remédio usado para tratar o transtorno é o metilfenidato, princípio ativo da Ritalina e do Concerta. A substância é da família das anfetaminas e age sobre o sistema nervoso central, aumentando a capacidade de concentração.

Entre os efeitos colaterais causados pela droga estão taquicardia, perda do apetite e o desenvolvimento de quadro bipolar ou psicótico em pessoas com predisposição.

Guilherme Polanczyk, psiquiatra da USP, relativiza a conclusão do estudo. "Muitas das crianças avaliadas podem estar sem sintomas por conta do uso dos remédios."


http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/910557-droga-para-deficit-de-atencao-tem-uso-excessivo-diz-estudo.shtml