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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Casos de dengue em SP caem 80% em relação a 2010

Ribeirão Preto concentra 25% dos casos, com 8,4 mil ocorrências

Balanço divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria da Saúde de São Paulo aponta que o número de casos de dengue no primeiro quadrimestre de 2011 foi 79,3% inferior ao registrado no mesmo período de 2010.

Os municípios paulistas notificaram 32.494 casos relativos à transmissão dentro do Estado durante quatro meses. No primeiro bimestre do ano passado houve 157.506 casos.

Do total de casos de dengue, 25% estão concentrados em Ribeirão Preto, que registrou 8,4 mil ocorrências. Outras seis cidades registraram mais de mil casos: Bauru (1.818), Taubaté (1.687), Lorena (1.670), São Paulo (1.530), Araraquara (1.135) e Campinas (1.092).

Ao todo, foram confirmadas 12 mortes pela doença, nos municípios de Andradina, Cândido Mota, Caraguatatuba, Cosmópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Votuporanga, São José do Rio Preto, Sumaré e Taubaté.

Cerca de 80% da circulação viral de dengue no Estado é do tipo 1. Os demais 20% dividem-se entre os tipos 2 e 4, este último ainda restrito à região de São José do Rio Preto.

Conheça as quatro principais causas da depressão e quatro remédios naturais

Exercícios aeróbicos e vegetais de folhas verdes ajudam a combater esse mal

Você sabe o que causa a depressão? Segundo o site especializado Mayo Clinic, há vários motivos diferentes mas quatro deles ganham mais importância. Assim como outras doenças mentais, ela pode ter uma única razão ou uma combinação delas.

Confira abaixo as quatro principais causas e cinco remédios naturais:

Hormônios: Mudanças no equilíbrio dos hormônios no organismo pode causar depressão. Essas alterações podem ser causadas, por problemas na tireóide, por exemplo, ou aparecer no período da menopausa, além de outras condições.

Genética: A depressão é mais comum em pessoas com histórico de pessoas depressivas na família. Pesquisadores de todo o mundo estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.

Acontecimentos da vida: Acontecimentos como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão pode desencadear a depressão em algumas pessoas.

Trauma de infância: Eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda de um pai, pode causar alterações permanentes no cérebro que podem torná-lo mais suscetível à depressão.

Como tratar a depressão de um jeito simples?

Coma peixes de água fria: Aproveite as cápsulas de óleo de peixe feita a partir de peixes de água fria (como o salmão, anchova e sardinha), que contêm ácidos graxos ômega-3 - uma fonte natural de antidepressivos.

Vegetais de folhas verdes: Desde que foi comprovado que pessoas com deficiência em vitamina B ficam em média mais deprimidas, comer alimentos com ácido fólico pode ajudar a combater essa condição. Faça uma boa seleção de frutas, legumes, feijões e cereais.

Exercícios: Melhore o seu humor com exercícios regulares. Pode ser aula de aeróbica, andar apressadamente, ou fazer algum esporte. É que os exercícios, principalmente aeróbicos liberam substâncias químicas no cérebro que ajudam a elevar o bom humor.

Meditação: Bom para tratar a depressão e baixos níveis de stress. Com a meditação, um indivíduo pode melhorar seu humor, bem como combater o stress e a ansiedade. Uma das formas mais simples de meditação é sentar-se calmamente com os olhos fechados, o que permite se concentrar na respiração.

Mães "hi-tech" transmitem parto pela internet e pagam caro por 3D

Serviços de maternidades aumentam opções de recordação do “dia D” das grávidas

Hoje não basta ter fotos e uma filmagem convencional para recordar o dia do parto. As mães mais modernas usam também a tecnologia para tornar o momento inesquecível. A publicitária Fabiana Meller, de 34 anos, é um exemplo. Moradora de São Paulo, ela teve seu parto transmitido pela internet, a fim de que familiares e amigos pudessem conhecer a pequena Tais.

A cesariana, realizada na maternidade São Luiz, em São Paulo, em abril do ano passado, foi vista por seu irmão que estava em Londres e por uma amiga no Canadá, além dos familiares mais próximos. Ela diz que "foi um evento”.

- É um serviço muito legal porque só mostra a hora que a criança nasce, o momento exato que o médico traz o bebê, a primeira emoção.

Fabiana teve o privilégio de ser a primeira a utilizar o serviço oferecido gratuitamente pela maternidade paulistana. A estreia garantiu uma transmissão de grandes proporções, com telão no hospital por onde os médicos e os familiares puderam assistir ao nascimento. A equipe de filmagem também captou as reações do irmão e da amiga que estavam fora do país.

Tantos olhares não intimidaram Fabiana na hora da cirurgia. Muito contente com a possibilidade de dividir a sensação com as pessoas mais queridas, ela afirma que se sentiu mais amparada com a possibilidade.

- Geralmente é um momento a que só os pais estão assistindo. Já com isso, todo mundo acaba participando desse momento tão especial.

Sensação semelhante à sentida pela pedagoga Elisabeth Rodrigues, de 41 anos, que dividiu o momento do nascimento de seu primeiro filho, Rafael, no último dia 3 de março, com mais de 50 pessoas.

- Foi muito bom porque dentro da sala só entra o marido e o resto dos familiares fica para fora e não têm como assistir. Como foi pela internet. Minha família pode ver pelo computador.

Os avós maternos de Rafael levaram um laptop para o hospital para assistir ao momento em que o neto veio ao mundo. Da mesma forma, os avós paternos assistiram direto de Curvelo, no interior de Minas Gerais.

- Até meus colegas de trabalho e do meu marido, que é piloto de avião, puderam assistir ao parto de diferentes bases aéreas.
Segundo Elisabeth, optar pelo serviço valeu a pena, porque só vê o parto “quem realmente a gente quer que veja”.

Privacidade

Apesar de o acesso ao parto ocorrer via internet, ele não é aberto ao público. Durante a internação, a grávida que optou pelo serviço recebe senhas que serão repassadas para quantos familiares e amigos ela quiser. Os números são feitos na hora, com base no nome da gestante e no número de registro da internação, ao qual só o casal tem acesso, diz a coordenadora médica da maternidade São Luiz, da unidade Itaim, Márcia Maria da Costa.

A privacidade também é levada em conta durante a filmagem. A equipe é orientada a captar somente o momento quando a criança nasce, mostrada nos braços do médico, sem qualquer aparição do corpo da mulher. Isso impede que detalhes como sangue, cordão umbilical e expressões de dor sejam vistas pelos espectadores.

- A cena dura uns 15, 20 minutos, até meia hora, no máximo. Depois a gente estimula a amamentação nos primeiros momentos de vida.

Em caso de qualquer complicação, a transmissão é interrompida ou mesmo vetada se o parto apresentar qualquer risco, afirma Márcia.

O serviço oferecido pela maternidade São Luiz desde abril do ano passado é gratuito e fica disponível no site do hospital por alguns dias. Geralmente é oferecido assim que a gestante fecha o contrato de parto com a instituição.

- Temos 70% de adesão, em média, o que equivale a uns 150 partos por mês, principalmente entre as que têm familiares fora de São Paulo. As que tinham receio, depois que visitaram a maternidade, adoraram.

Parto 3D

A transmissão do parto em 3D também é outro recurso usado por maternidades que têm deixado as gestantes e seus familiares bem empolgados. A maternidade Pro Matre, em São Paulo, oferece, desde fevereiro deste ano, uma espécie de pacote, pelo valor de R$ 2.000 pela filmagem tradicional, mais a transmissão em 3D.

Em um mês de serviço, ao menos 30 casais já tinham comprado o pacote, informa o diretor de relacionamento da Pro Matre, Alberto d´Auria. Segundo ele, os pais costumam se surpreender com a qualidade das imagens.

- É uma documentação que vale a pena mais pelo aspecto afetivo do que técnico-cirúrgico. Os pais ficam emocionados dias depois, porque eles são remetidos à mesma sensação que sentiram na sala de parto.

A edição em 3D também transmite o primeiro banho do bebê, a primeira mamada e a emoção das pessoas que estavam assistindo ao parto na maternidade, mas com a preocupação de não expor detalhes da operação e da paciente, explica D`Auria.

- O nosso pessoal é treinado para desviar as imagens de forma a não comprometer. O que a gente quer é que as pessoas tenham uma memória agradável.

Curiosamente nenhum dos casais que comprou o pacote possui uma televisão 3D, afirma o diretor. Mas os casais podem assistir as imagens na própria maternidade.

Uma televisão 3D custa em média de R$ 3.000 a R$ 7.000.

Estratégia Saúde da Família foi revolucionária, mas parou no tempo, avalia especialista

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Programa Saúde da Família (PSF) criado há 15 anos pelo governo federal revolucionou o sistema de saúde no Brasil. No entanto, a estratégia, voltada para a atenção primária, não tem conseguido acompanhar as mudanças dos tempos e corre o risco de fracassar, fragmentando e precarizando o sistema de saúde como um todo. Essa é a opinião do médico generalista espanhol Juan Gérvas, que atua há mais de 40 anos na área de assistência primária e saúde pública, com estudos publicados em diferentes países.

Gérvas está no Brasil há cerca de um mês, juntamente com Mercedes Pérez, também médica de família, visitando centros de saúde de 40 cidades à convite da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). O resultado da visita será um relatório com análises e diretrizes a ser entregue ao Ministério da Saúde.

O especialista concedeu uma entrevista à Agência Brasil sobre o tema. Abaixo, os principais trechos da conversa.

ABr: Qual a avaliação que o senhor faz do Programa Saúde da Família?

Gérvas: A estratégia de medicina de família revolucionou a atenção primária no Brasil e é um triunfo louvável. Entende-se que há vinte anos, o Brasil já havia desenvolvido essa atenção primária para pobres, mas não basta ter uma história bonita. Um sistema sanitário para pobres termina sendo um pobre sistema. Essa história tem que mudar para potencializar o sistema, senão os gastos de saúde vão chegar a níveis insuportáveis, como nos Estados Unidos, da ordem de 18%, onde não se investe em prevenção universal. No Japão, esse percentual chega a 8%, na Alemanha, entre 10% e 12%. Nos Estados Unidos vemos um sistema fragmentado com planos de saúde, convênios, empresas que têm planos privados. Isso encarece e enfraquece a saúde da população. Os norte-americanos têm mais do que o dobro de amputados por diabetes do que nos demais países desenvolvidos, casos que poderiam ser evitados se houvesse uma atenção primária forte.

ABr: O que fazer para que não ocorra essa fragmentação e precarização do sistema no Brasil?

Gérvas: Tornar o Programa Saúde da Família uma estratégia de Estado, um sistema universal. Dotá-la de meios para que possa responder, em um país moderno, às necessidades da população. E oferecê-la também às classes médias e altas. Na Europa, no Canadá ou na Nova Zelândia, onde existe um sistema único consolidado e elogiado, os médicos de família atendem as pessoas sem distinção de classe. Os mais pobres tendem a reclamar menos, têm poucos mecanismos de rejeição, são menos exigentes que a classe média. Por exemplo, as salas de espera de alguns centros que visitamos são de um país terceiro-mundista, num país que é a oitava potência mundial. E ninguém reclama. Então o momento é agora. Ou o Brasil opta por um sistema único primário forte como o Reino Unido e outros países ricos ou por uma atenção primária debilitada como os Estados Unidos, em que tudo fica na mão de especialistas. Os especialistas, por melhor que sejam, não conhecem o histórico do paciente como um médico generalista, e acabam sendo perigosos, no fim das contas, pois a combinação de medicamentos pode ser mortal.

ABr: Muitos médicos de saúde primária se queixam de baixos salários e do vínculo empregatício instável por não serem funcionários públicos e alegam que esses dois fatores contribuem para a alta rotatividade nos centros de saúde e a falta de médicos em áreas como pediatria e ginecologia. O que o senhor pensa sobre isso?

Gérvas: A rotatividade é muito prejudicial na assistência primária, pois o médico de família precisa conhecer bem os pacientes e a comunidade e só o tempo possibilita esse vínculo e diminui os gastos públicos. No entanto, não acredito que o problema seja necessariamente o valor do salário ou o vínculo empregatício. O que é necessário sempre são incentivos. Na Espanha, por exemplo, somos funcionários públicos, mas ainda assim existe alta rotatividade, pois muitas vezes as condições de trabalho são precárias e falta estímulo. Um incentivo pode ser, por exemplo, para que o médico permaneça no mesmo lugar. Ou seja, um médico recebe um pouco de incentivo no segundo ano trabalhando num determinado centro, um pouco mais no terceiro e assim por diante e se sai desse centro perde o incentivo. Pode ser dinheiro, pode ser bolsa acadêmica, benefícios outros.

ABr: O senhor já visitou dezenas de centros de saúde da família de oito capitais brasileiras. Que impressões tirou até o momento?

Gérvas: Os recursos humanos são excepcionais, assim como a abrangência em algumas cidades. Ao mesmo tempo, falta uma medicina moderna. Por exemplo, um paciente que está de cama, não precisaria sair de casa, como ocorre aqui, para fazer exames simples como o de sangue. Na Europa, médicos e enfermeiros levam tiras de urina e materiais descartáveis para tirar o sangue em suas maletas. Falta nos centros brasileiros um pequeno equipamento chamado debitómetro, que não custa muito e que é essencial para o controle da asma. Outro equipamento que deveria estar presente nos centros é o espirômetro, um pouco maior que um celular, que possibilita medir a capacidade do pulmão, sem que o paciente tenha que procurar um pneumologista. Ou seja, são coisas muito elementares, pouco onerosas. Não tem cabimento que um agente de saúde vá visitar seus pacientes com um celular pessoal ultramoderno, porém, um bolo de papéis com as informações de cada paciente, em vez de usar um laptop, notebook ou mesmo tablet para fazer anotações das visitas e poder enviar e receber esses dados.

ABr: O senhor acredita que exista pressão por parte de grandes grupos coorporativos de planos de saúde e laboratórios para que o sistema de atenção primária não se consolide?

Gérvas: Não acredito em teorias da conspiração. Creio que o problema é uma confiança exagerada no modelo atual, que funcionou bem por muito tempo. Mas a tecnologia mudou, a sociedade e o país precisam acompanhar essas mudanças. O perfil epidemiológico no Brasil mudou; antes os maiores problemas eram as infecções, a natalidade, as doenças contagiosas. Hoje, vemos a população morrer mais de câncer, problemas de coração, doenças mentais degenerativas. Agora é o momento de redesenhar esse modelo, aproveitando o que há de bom e oferecer uma medicina moderna, onde o médico de família seja o centro e o filtro para as outras especialidades.

Seis anos depois da lei, hospitais ainda proíbem acompanhantes para gestantes durante o parto

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Nove meses de espera. O parto é o momento mais esperado pelas futuras mamães. Mas a insegurança e a ansiedade podem tornar a experiência desagradável. Nesta hora, a companhia do marido, de um parente ou de uma amiga ajuda a acalmar a gestante e transformar o nascimento do bebê em um momento prazeroso.

Desde 2005 uma lei federal garante às grávidas o direito à presença de um acompanhante – de sua escolha - durante do trabalho de parto até o pós-parto nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e conveniadas. No entanto, não é sempre o que acontece.

Vários hospitais no país ainda não seguem a regra e barram o acompanhante, como, por exemplo, em Belém, no Pará. No ano passado, representantes do grupo Parto do Princípio encaminharam denúncias de descumprimento da lei ao Ministério Público Federal (MPF). Na maioria dos casos, as alegações das maternidades são a falta de espaço ou que a presença de uma pessoa do sexo masculino ameaça a privacidade das gestantes.

“Dizem não ter acomodação. Ás vezes, não permitem a entrada do pai por ser homem. Num momento desses, a mulher fica desassistida”, contou Patrícia Sales, integrante do grupo no Pará. A rede tem representantes em 16 estados e no Distrito Federal. Segundo elas, há relatos de desobediência à lei em outros estados, como no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Estudos científicos constataram que a presença de um acompanhante com a gestante contribui para reduzir o tempo do trabalho de parto, o número de cesáreas e as chances de depressão pós-parto.

As maternidades tiveram prazo para se adequar. Apesar da lei, a coordenadora de saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, disse que a adaptação tem sido feita de forma “gradativa” e a principal dificuldade é mudar a postura dos profissionais de saúde para aceitar o acompanhante como um aliado. “O acompanhante é tido como uma ameaça que vai interferir no processo, vigiar. Isso está mudando”, disse.

Segundo ela, o governo tem incentivado os hospitais públicos, inclusive com destinação de recursos financeiros, a receber os acompanhantes, como obriga a legislação. No ano passado, o ministério fez um trabalho de capacitação em 26 maternidades da Amazônia Legal e do Nordeste, regiões com altos índices de mortalidade materna. Depois da iniciativa, 16 passaram a acomodar os acompanhantes das gestantes, de acordo com a coordenadora. “Apesar de ser lei, precisa de preparação e adesão da maternidade”, disse. A Lei 11.108/2005 não prevê punição a quem descumpri-la.

De acordo com Esther Vilela, o cumprimento da lei por todas as maternidades públicas é uma das propostas do programa Rede Cegonha, aposta da presidenta Dilma Rousseff para melhorar o atendimento às grávidas e aos recém-nascidos até 2014.

A gestante que decidir ter seu bebê em um hospital particular também tem direito ao acompanhante e de acordo com normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é proibida a cobrança de taxa extra. Cabe aos planos de saúde e ao hospital ou clínica negociar as despesas, por exemplo, com roupa esterilizada.

O que diz a lei federal:

Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. O acompanhante será indicado pela parturiente.