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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Propagandas antigas - Molhado até os ossos



“Quando V. Exa. menos espera…pai! Um aguaceiro tremendo. E sem guarda-chuva, sem abrigo, sem nada, enfim! Levanta a gola e dirige-se a sua casa, como um valente. Ao chegar, porém, está molhado até os ossos. Tem os pés úmidos e sente calafrios, mal estar e dores de cabeça. Cuidado! Troque a roupa imediatamente e tome dois comprimidos de Cafiaspirina. Elicaz contra as dores de cabeça, dentes e ouvidos, nevralgias, reumatismo, mal estar causado por tresnoitadas e excessos de bebidas alcoólicas etc.”.

14 de abril de 1925.

Governo de SP repassa R$13,2 milhões para Santas Casas

Os recursos serão pagos até o próximo mês e deverão ser usados pelos hospitais para pagar fornecedores, adquirir materiais ou realizar pequenas reformas

SÃO PAULO - A Secretaria de Estado da Saúde liberou nesta sexta-feira, 6, um repasse extra de R$ 13,2 milhões para auxiliar Santas Casas, hospitais filantrópicos e Apaes (Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São Paulo. Ao todo, serão 360 entidades serão beneficiadas.

Os recursos serão pagos até o próximo mês e deverão ser usados pelos hospitais para pagar fornecedores, adquirir materiais ou realizar pequenas reformas. A verba visa auxiliar no equilíbrio financeiro das instituições que, em sua maioria, apresentam problemas de caixa em razão da defasagem da tabela de procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde), definida pelo Ministério da Saúde. "Muitas entidades se encontram em dificuldade financeira, porque a tabela SUS geralmente remunera mal, e por isso este repasse extra é tão importante", afirmou o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri.

O valor foi dividido conforme o volume de atendimento das entidades pelo SUS. A Grande São Paulo será a região mais beneficiada, com um repasse no valor de R$ 4,4 milhões. Esse total será distribuído entre 40 hospitais filantrópicos. A segunda região que receberá maior verba é Campinas, com repasse de R$1,07 milhão, seguida por São José do Rio Preto, com R$1,03 milhão. A verba para cada hospital varia de R$ 20 a R$ 350 mil, conforme tabela divulgada pela Secretaria.

Após socorro a planos de saúde em crise financeira, ANS não é ressarcida

Entre 2005 e 2009, a Agência Nacional de Saúde Suplementar emprestou R$ 33 milhões para empresas com as contas em desequilíbrio, mas apenas 8% delas conseguiram se recuperar; pacientes sofrem com a perda de garantias de atendimento

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) repassou para operadoras de saúde com problemas financeiros e em liquidação extrajudicial o equivalente a R$ 33,64 milhões entre 2005 e 2009, mas apenas 8% das empresas socorridas se recuperaram. Além de pouco resultado prático, a esmagadora maioria dos empréstimos ainda não foi quitada.

Até agora, a ANS conseguiu reaver menos de 1% do total do dinheiro repassado: R$ 304,7 mil. A quantia foi paga por 6 das 170 operadoras que estavam em direção fiscal, uma espécie de intervenção prevista em lei, que a ANS declara para operadoras com as contas em desequilíbrio. Dos recursos passados para 339 empresas em liquidação extrajudicial, nada foi devolvido.

"Além de dispendioso, o modelo adotado pela ANS é ineficiente", avalia Andrea Salazar, advogada consultora do Idec. O ideal, diz, seria a agência adotar medidas preventivas para evitar, por exemplo, a cobrança de mensalidades insuficientes para sustentar um atendimento com um mínimo de qualidade. "A ANS tem de acompanhar a saúde financeira das empresas antes de elas entrarem em colapso. Tomar medidas preventivas. Mas, para isso, a empresa muitas vezes se cala. "

O pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Mário Scheffer, concorda. "É preciso fazer uma avaliação crítica desse sistema. Trata-se de dinheiro público, usado numa tarefa que, mesmo prevista em lei, mostra claros sinais de pouca eficácia."

O presidente da ANS, Maurício Ceschin, afirma que o acompanhamento das contas das operadoras é rotina. "O sistema está sempre se aprimorando", defende-se. Ele reconhece a demora das operadoras no pagamento dos empréstimos e o baixo índice de recuperação das que entram em direção técnica e fiscal.

Ceschin argumenta que números têm de ser analisados com cuidado. "Cada empresa que sai da crise evita impactos nos consumidores e no mercado." Como exemplo, cita a Unimed Paulistana. "Ao recuperarmos uma empresa, evitamos a desassistência de muitas pessoas."

Drama. Os números das empresas que naufragam mesmo com a intervenção da ANS refletem o drama de usuários que perdem garantias de atendimento. O exemplo mais recente é da Samcil, plano com 193 mil associados que foi acompanhado pela agência. Como a maioria das empresas que passaram por direção fiscal e técnica, a crise não foi revertida e a carteira teve ser transferida para outra empresa, a Green Line. Até o desfecho, usuários enfrentaram longas esperas para consultas e exames, causadas pelo descredenciamento constante de médicos e clínicas.

"Não adianta injetar dinheiro em uma empresa com os dias contados. A fiscalização tem de começar na abertura da operadora", defende a advogada e consultora do Idec Daniela Trettel.

Ela e Andrea analisaram regimes especiais feitos pela ANS, partindo de três casos: Unimed, Classes Laboriosas e Interclínicas. "Em todos, a falta de atenção aos consumidores foi patente. Eles sofreram restrições tanto no período de intervenção quanto depois de eles serem transferidos para outro plano."

A carteira da Interclínicas, por exemplo, foi transferida para o Grupo Saúde ABC, que também dava indícios de irregularidades. Mesmo assim, a ANS aprovou a mudança. No ano da operação, houve reclamações de clientes e o grupo foi multado por reajuste abusivo das mensalidades.

Médicos da Uerj põem à prova sistema de cotas

Primeira universidade pública a formar turma com cotistas mantém qualidade de ensino e índice de aprovação, mas revela mudança sutil causada pela diversidade

Os defensores falam em justiça social. Os críticos invocam a meritocracia. No acalorado debate sobre a política de cotas sociais e raciais nas universidades públicas sobram argumentos por todos os lados. Dois pontos permeiam inevitavelmente a discussão: a capacidade dos cotistas em acompanhar o ritmo das aulas e a possibilidade de queda na qualidade do ensino das universidades.

O Estado fez um levantamento no curso mais disputado (Medicina) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a primeira a adotar as cotas no País. No vestibular de 2004, foram aprovados 94 jovens (43 cotistas). Apenas oito alunos - quatro cotistas - não se formaram em dezembro do ano passado, como previsto.

O Estado localizou 90% dos jovens que chegaram à festança black-tie de formatura: 35 eram cotistas; 44, não. O caminho natural, após seis anos de faculdade, é fazer residência, o estágio de dois ou três anos em que os médicos se especializam em hospitais universitários ou da rede pública. O desafio é grande. As provas são mais disputadas que o vestibular. Nelas não há sistema de cotas. Passa quem sabe mais. É a meritocracia em estado puro.

Fazer residência garante não só mais conhecimento da medicina como salários melhores no futuro. Dos 35 cotistas localizados, 25 passaram nas provas. Os outros 9 cotistas nem tentaram entrar para residência. Ou porque não sabiam que especialidade escolher ou porque tinham pressa em trabalhar em plantões e ganhar muito mais que os R$ 2,2 mil da bolsa residência. Médicos recém-formados, mesmo sem especialização e prática, chegam a ganhar R$ 12 mil por mês, um valor inimaginável para a família de qualquer cotista. Entre os 44 não cotistas, 37 estão na residência.

Na maioria dos casos, a forma de entrada na universidade não influencia na escolha da especialidade. Não há, entre os cotistas, uma opção majoritária pela medicina de família, por exemplo, que atende prioritariamente à população carente e é mais fácil de passar. Tampouco há entre os não cotistas uma preferência por especialidades que paguem mais e sejam mais difíceis de entrar. É o caso de dermatologia, garantia de bons salários e zero de estresse com emergências. Nessa turma, duas alunas passaram, uma delas cotista.

"Cotistas ou não cotistas, todos têm uma tendência de procurar especialidades que compensem mais financeiramente", diz o cardiologista Plínio José da Rocha, diretor da faculdade de Medicina. "A gente escolhe a especialidade pelo que gosta de fazer. Não é só uma questão financeira", rebate o paulistano Thiago Peixoto, de 28 anos, cotista e residente de clínica médica na Uerj. Prova disso é que pediatria, que anda em queda entre os jovens médicos, é a especialidade com o maior número de residentes da turma - são 11, sendo 6 cotistas.

A presença dos cotistas na universidade provocou debates acalorados entre os professores, mas o diretor afirma que o curso continua o mesmo. "No início houve receio, mas cobramos igual de todos." Difícil é avaliar se o nível das aulas foi alterado. "Eu não vejo diferença. Mas há todo tipo de opinião entre os professores", diz Rocha.

Não há como negar que a mudança no tipo de aluno mexeu com os professores. Antes de 2002, quando começou a política de cotas, passavam para a Medicina da Uerj apenas a nata da elite que frequenta os melhores colégios. Agora, 45% dos alunos são da rede pública de ensino. A diferença na relação candidato/vaga é cruel.

Entre os cotistas, é de 5,33. Entre os não cotistas, de 55,80. A discrepância influencia na nota mínima para entrar na universidade. Um cotista garante a vaga se fizer 41,50 pontos. O não cotista tem de chegar a 75,75.

A discussão sobre a queda na qualidade do ensino com a entrada de alunos que não acertam nem 50% das questões do vestibular chegou ao Conselho Universitário da Uerj. A questão é emblemática. "Somos uma grande universidade porque recebemos os melhores alunos ou uma grande universidade é aquela que pega qualquer tipo de aluno e o transforma num bom médico?", diz Rocha.

Desempenho. Ainda este ano, a Uerj terá uma pista mais conclusiva sobre a questão. A turma de 2010 fez o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em novembro. É a primeira com cotistas que passa pela prova do Ministério da Educação (MEC) que avalia os cursos de nível superior. No último, em 2007, a Uerj foi a única do Rio a tirar 5, a nota máxima. A prestigiada UFRJ ficou com 4. Seja qual for o resultado, a Uerj mantém sua filosofia. "O espírito desta escola é a formação de bons médicos. Porque até nós temos medo de quem vai nos atender num hospital", diz o diretor.


PARA ENTENDER


O sistema de cotas da Uerj


94 vagas por ano para Medicina

45% das vagas são reservadas a alunos que comprovem uma renda per capita inferior a R$ 960

20% são para negros

20% para alunos de escolas públicas

5% para deficientes, indígenas e filhos de policiais mortos em serviço

Estudo indica incidência maior de gays entre sobreviventes de câncer

Pesquisadores não sabem as causas da relação entre orientação sexual e a doença

Um estudo americano verificou uma incidência maior de sobreviventes de câncer entre os homens homossexuais do que entre os heterossexuais. O estudo, publicado na última edição da revista especializada Cancer, não oferece explicações para o fenômeno e sugere que novas pesquisas são necessárias para determinar a razão para a ligação.

Os pesquisadores analisaram dados de entrevistas com 122.345 pessoas na Califórnia em 2001, 2003 e 2005. 3.690 homens e 7.252 mulheres disseram ter tido câncer em algum momento de suas vidas.

Os entrevistados também responderam sobre suas opções sexuais - 1.493 homens e 918 mulheres se descreveram como gays, e 1.116 mulheres se disseram bissexuais.

O cruzamento dos dados indicou que a proporção de homens gays que tiveram câncer era quase duas vezes maior do que a dos homens heterossexuais que tiveram câncer no passado.

Além disso, a pesquisa indicou que os homens homossexuais que tiveram câncer tinham desenvolvido a doença na média uma década antes do que os homens heterossexuais que tiveram câncer.

A pesquisa não identificou nenhuma ligação parecida em relação às mulheres, mas verificou que as mulheres lésbicas e bissexuais tinham uma situação de saúde mais precária após sofrerem de câncer do que as mulheres heterossexuais.

Razões

Para a coordenadora do estudo, Ulrike Boehmer, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, o resultado do estudo não permite dizer que "homens gays têm um risco maior de ter câncer" porque as razões por trás da incidência maior verificada na pesquisa podem ser complicadas.

Segundo ela, mais pesquisas são necessárias para determinar se os homens homossexuais realmente têm mais tumores ou se têm uma taxa de sobrevivência maior.

Os autores da pesquisa especulam ainda que a diferença no número de casos de sobreviventes de câncer pode estar relacionado ao maior número de câncer do ânus entre homens homossexuais ou a tipos de câncer relacionados à infecção pelo vírus HIV.

Diferenças

A análise da situação de saúde dos sobreviventes de câncer também indicou diferenças baseadas na orientação sexual.

As mulheres lésbicas e bissexuais tiveram até duas vezes mais chance de relatar "saúde precária" do que as mulheres heterossexuais. O fenômeno não foi identificado em relação aos homens homossexuais.

Boehmer diz que "uma explicação comum para a razão de as mulheres lésbicas e bissexuais terem se declarado mais com saúde precária do que as mulheres heterossexuais é o estresse de minoria, que sugere que as mulheres lésbicas e bissexuais têm uma saúde pior, incluindo a saúde psicológica, por causa da discriminação, do preconceito e da violência a que estão sujeitas".

Segundo ela, o resultado de seu estudo indica a necessidade de "mais serviços para melhorar o bem-estar de mulheres lésbicas e bissexuais sobreviventes de câncer" e de programas "concentrados na prevenção primária de câncer e na detecção de câncer em estágio inicial" em homens homossexuais.