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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Prefeitura do Rio montará tendas de reforço para aumentar adesão à campanha de vacinação contra a gripe

Da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Para atrair o público-alvo da campanha de vacinação contra a gripe, a prefeitura do Rio de Janeiro montará, a partir de amanhã (11), tendas de reforço à mobilização, em três bairros. O objetivo é aumentar a adesão até o próximo dia 13, quando se encerra a campanha, já que, desde o início da mobilização, no dia 25 de abril, apenas 36% da meta estipulada pela secretaria de Saúde e Defesa Civil do município foram alcançados.

Amanhã, uma das tendas será instalada no bairro do Méier, na zona norte da capital. Na quinta-feira (12), a segunda tenda será montada em Santa Cruz, na zona oeste. E a terceira funcionará em Cascadura, também na zona norte, na sexta-feira (13).

Segundo a coordenadora da campanha no município, Cristina Lemos, um dos fatores que levaram a uma baixa procura pela vacina da gripe pode ser a tranquilidade da população com relação ao vírus da influenza A (H1N1) – gripe suína, que, em 2010, não representou a mesma ameaça de 2009.

”Como, em 2009, a gente teve a situação do H1N1 [vírus Influenza H1N1, que provoca a gripe suína], que foi muito divulgada e as pessoas se preocuparam, a campanha de 2010 obteve uma boa resposta por parte do público-alvo para a vacinação, por conta do medo da gripe. Como 2010 foi um ano relativamente tranquilo, em que não tivemos problemas com a gripe e com a própria H1N1, a gente acredita que as pessoas tenham se desmobilizado em relação à adesão à campanha de vacinação [de 2011]”, explicou Cristina.

Em todo o estado, a campanha também está aquém do esperado. De acordo com dados do Ministério da Saúde, os municípios fluminenses atingiram 34 % da meta estipulada. As cidades com o maior percentual são Governador Levy Gasparian, no Médio Paraíba, e Mangaratiba, no sul fluminense, com 87% e 85% de adesão, respectivamente. Até o início da semana, a adesão nacional à campanha era de mais de 50% dos 24 milhões de imunizações estipulados como meta, segundo o ministério.

As tendas que serão montadas na capital vão funcionar das 9h às 16h. Paralelamente, até a sexta-feira, a campanha ocorre em cerca de 200 postos do município, que funcionam das 8 às 17h. O público-alvo é formado pelos seguintes grupos: idosos com mais de 60 anos, crianças de até 2 anos, grávidas, profissionais da área de saúde e povos indígenas.

Programa vai conscientizar trabalhador rural sobre segurança e postura física no trabalho

Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Um programa para conscientizar os trabalhadores rurais sobre a postura correta no trabalho e o uso dos equipamentos de segurança, como botas e luvas, foi lançado hoje (10) pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

O secretário executivo do Senar, Daniel Carrara, disse que trabalhadores rurais de sete estados já receberam as orientações por meio de um projeto piloto. “Fizemos materiais didáticos voltados para aplicação das questões de postura nas atividades do campo. Divulgamos isso para o produtor rural. Além disso, instrutores foram até as propriedades e deram todas as orientações educativas”, disse.

Agora, o programa será estendido aos demais estados e as orientações serão direcionadas para dez atividades mais demandadas no campo como a colheita, o plantio, o carregamento de carga entre outras.

De acordo com a presidenta da CNA, senadora Katia Abreu, a confederação está desenvolvendo todos os anos programas para melhorar a vida dos trabalhadores do campo. “Estamos implementado a cada ano um programa novo para trazer bem estar aos nossos trabalhadores”.

Durante o evento, ela comentou ainda sobre a conclusão de um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos que trata de trabalho escravo. Katia Abreu destacou alguns pontos do relatório, como a necessidade de o Brasil ter uma legislação mais clara sobre o que caracteriza o trabalho escravo.

Segundo a presidente da CNA, o documento diz que a lei brasileira sobre trabalho escravo é inadequada para criminalizar essa prática. “Jornada exaustiva e trabalho degradante [duas das ações que caracterizam o trabalho escravo] não tem definição na lei. Não estamos pedindo a exclusão desses pontos, mas precisamos que a lei pontue e escreva o que significa degradante e exaustivo”, afirmou.

Pesquisa mostra que brasileiros pobres são mais vulneráveis à depressão

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Os brasileiros pobres e com baixo nível de escolaridade são mais vulneráveis a doenças como depressão, demência e a outros transtornos neuropsiquiátricos. É o que revela artigos da uma série especial produzida pela revista médica inglesa The Lancet sobre a saúde no Brasil.

A classe pobre fica sujeita ao transtorno por enfrentar mais adversidades e dificuldades em contorná-las no decorrer da vida. “Nos centros urbanos, vários estudos mostram que os de menor escolaridade e renda têm mais depressão que os mais ricos”, diz o professor de medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Rossi, responsável pela análise dos transtornos para a série especial.

Apesar dos dados escassos sobre depressão no país, Paulo Rossi afirma que a doença está associada às condições de vida, como a situação financeira. Com o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, o especialista acredita que os casos podem cair nas próximas décadas.

“Imagino que com a melhora econômica da população, a prevalência de depressão diminua. Mas ainda não temos como acompanhar se isso está acontecendo”, disse o especialista. Outros fatores que contribuem para o aparecimento são casos na família, traumas de infância e outros problemas familiares.

Segundo a publicação,18,8% dos brasileiros declararam ter sido diagnosticados com depressão em 2003. O pesquisador alerta que os profissionais de saúde ainda estãodespreparados para reconhecer a doença. Há seis anos, estudo feito em São Paulo revelou que apenas 5% dos quadros depressivos foram identificados pelos médicos em postos de saúde, conforme Rossi. Alguns dos sintomas são tristeza, queda da autoestima, dores de cabeça, perda de apetite, ansiedade, irritação e dificuldade de concentração.

Assim como na depressão, os pobres também correm mais risco de desenvolver a demência no fim da vida. Devido à baixa escolaridade, essa faixa da população faz menos “exercícios” para manter as funções cognitivas do cérebro ativas, como ler livros, por exemplo. “É imaginar que o cérebro é como um músculo. Se a gente não usar, a gente perde a capacidade”, explicou Rossi.

“Temos análises em que fica evidente que o sujeito que nasceu em uma região rural, é analfabeto, tem ocupações não qualificadas e salários baixos tem maior risco de demência, quando comparado com quem nasceu em centro urbano, estudou, teve uma ocupação mais qualificada e renda maior”, acrescentou.

A demência está relacionada à fase idosa. Com o envelhecimento da população, os especialistas alertam que o transtorno pode se tornar uma questão de saúde pública no Brasil. Pesquisas, segundo a revista, indicam prevalência da doença de 5,1% a 8,8% a partir de 65 anos de idade. “A mortalidade por demência padronizada por idade aumentou de 1,8 por 100 mil em 1996 para 7 por 100 em 2007”, diz a publicação.

Brasil precisa avançar na redução da mortalidade materna, dizem especialistas

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Antes do fim do prazo para o cumprimento dos Objetivos do Milênio, das Nações Unidas, pesquisadores da área de saúde avaliam que o Brasil não deve conseguir reduzir a taxa de mortalidade materna ao patamar assumido com a organização.

Atualmente, o país registra 68 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. A meta das Nações Unidas é de cerca de 35 para cada 100 mil até 2015. Assim, a queda precisa ser de aproximadamente 48% em quatro anos. Em 18 anos, de 1990 a 2007, o país registrou uma redução da taxa em 56%, passando de 140 a cada 100 mil crianças nascidas vivas para 75 por 100 mil, conforme dados do governo federal.

Para os especialistas, a diminuição foi significativa, mas ainda é insuficiente para tirar o Brasil do ranking das nações com alto número de mortes durante a gravidez e o parto – que é cinco a dez vezes maior que o dos países ricos.

A especialista em saúde pública da Universidade Federal da Bahia, Estela Aquino, aponta a grande quantidade de cesarianas e a negligência em alguns cuidados durante o pré-natal, como medir a pressão arterial das gestantes, entre os fatores que retardam a queda do indicador.

Apesar de mais de 90% dos partos serem feitos em hospitais, a pesquisadora cita a falta de assistência adequada na hora do parto, obrigando as grávidas a buscar leitos nas maternidades às vésperas do nascimento do filho.

“O fenômeno da peregrinação das mulheres no momento de ter um bebê é grande. Temos uma excessiva medicalização (abuso das cesarianas) e a falta do uso de outras tecnologias, como medir a pressão arterial, uma coisa simples que não tem sido feita e que causa impacto na taxa. A mortalidade materna é uma violação de direitos. São mortes, quase em sua totalidade, evitáveis”, disse Estela

A questão da mortalidade materna é um dos temas da série especial feita pela revista médica inglesa The Lancet sobre a saúde do brasileiro, lançada na última segunda-feira (9). De acordo com o artigo, do qual Estela Aquino integra o grupo de autores, as principais causas de mortes maternas em 2007 foram doenças hipertensivas (23%), septicemia - infecção geral grave do organismo - (10%), hemorragia (8%) e complicações de aborto (8%).

“Não estamos no ritmo necessário. Teríamos de ter um progresso mais rápido”, afirmou o epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (RS), um dos autores do artigo. Para Estela Aquino, essa é uma das Metas do Milênio que dificilmente será alcançada.

Com o lançamento do programa Rede Cegonha, em março deste ano, o governo federal espera diminuir a taxa nos próximos anos. A ideia é adotar medidas para mudar o modelo de atenção às mães, como a concessão de vale-transporte ou vale-táxi para garantir o deslocamento das grávidas às unidades de saúde para o pré-natal, na hora do parto e para garantir vagas nas maternidades, além de criar casas para atendimento de gestantes de risco. O foco são as regiões da Amazônia Legal e do Nordeste – que têm maiores índices de mortalidade materna – e as regiões metropolitanas, com maior concentração de gestantes.

“O nosso modelo de atenção ao parto não é um modelo que facilita isso [a redução da taxa de mortalidade materna]. As medidas vão impactar”, disse Esther Vilela, coordenadora de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, acrescentando que o Brasil tem possibilidade de cumprir a meta. Segundo a coordenadora, não foi estabelecido percentual anual de redução da taxa.

As Nações Unidas estabeleceram oito objetivos a serem atingidos pelo Brasil e mais 190 países: diminuir a pobreza extrema e a fome, melhorar o ensino básico, promover a igualdade entre sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a aids e outras doenças, promover a sustentabilidade ambiental e a parceria mundial para o desenvolvimento.

Câmara aprova exigência de etiquetas em roupas íntimas com alertas sobre riscos de doenças

Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A obrigatoriedade de inserção de mensagens nas etiquetas de roupas íntimas foi aprovada, hoje (10), em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). De origem do Senado Federal, o projeto torna obrigatória mensagens que recomendam os consumidores a fazer exames periódicos de prevenção de câncer de mama, colo de útero e próstata.

Como a aprovação do projeto se deu em caráter conclusivo e, também, foi aprovado pelo Senado, ele será encaminhado à sanção presidencial. O projeto, no entanto, poderá ser votado pelo plenário da Câmara caso seja apresentado recurso assinado por 52 deputados.

“É uma iniciativa louvável que visa a proteger a saúde da população. Quando se verifica o aumento dos casos de câncer de mama, de colo de útero e de próstata, é fundamental alertar a população para a importância da prevenção, com exames periódicos”, disse o presidente da CCJ, deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

Pelo texto aprovado, passa a ser obrigatória a fixação em cuecas para adultos, produzidas ou comercializadas no Brasil, de etiquetas com advertência sobre a importância dos homens com mais de 40 anos de idade fazerem o exame periódico para a detecção precoce do câncer de próstata.

Para as calcinhas para adultos, será obrigatória a etiqueta com advertência sobre a importância do uso de preservativo como forma de prevenção de câncer de colo de útero e do exame periódico para as mulheres com vida sexual ativa. Também é obrigatória a etiqueta em sutiãs com alerta para a necessidade do autoexame dos seios a fim de detectar sinais de câncer de mama.

O texto aprovado pela CCJ também define as penalidades para quem descumpri as regras. Elas vão da advertência ao cancelamento do registro do produto e suspensão de autorização para o funcionamento da empresa que não observar os dispositivos da lei. Caberá ao Ministério da Saúde estabelecer as condições para a aplicação e fiscalização dessas normas.