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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Estudante paraplégico "anda" em formatura usando exoesqueleto

Um estudante paraplégico americano conseguiu andar em sua formatura com a ajuda de um exoesqueleto desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Berkeley, onde ele estudou.

Diante de uma plateia de 15 mil pessoas, Austin Whitney usou um controle em um andador para acionar o exoesqueleto amarrado às suas pernas e dar os tão esperados sete passos para receber o diploma em Ciência Política e História.

BBC

"Foi realmente além dos meus sonhos mais incríveis", disse Whitney.

"No segundo em que eu apertei o botão e me levantei, eu fui inundado por uma série de emoções."

Ele descreveu como os altos e baixos de sua vida passaram por sua mente enquanto ele andava, desde o momento em que ele ficou paraplégico quatro anos atrás em um acidente de carro até o dia em que ele descobriu que havia sido aceito pela Universidade de Berkeley.

"Foi realmente impressionante", disse ele.

O exoesqueleto que ajudou Whitney a andar depois de anos foi desenvolvido por uma equipe de alunos de pós-graduação liderada pelo professor de engenharia mecânica Homayoon Kazerooni.

Austin Whitney trabalhou com a equipe durante meses, testando a estrutura robótica e dizendo o que funcionava e o que precisava de ajustes. Em homenagem a ele, o exoesqueleto foi batizado de "Austin".

TECNOLOGIA MILITAR

A tecnologia que ajudou Whitney a andar começou a ser criada em 2002, quando Kazerooni recebeu um financiamento do Departamento de Defesa americano para inventar um aparato que permitisse que pessoas carregassem enormes cargas por longos períodos.

Segundo o departamento de imprensa da universidade, a ideia na época era ajudar pessoas como médicos militares carregando um soldado ferido ou bombeiros que precisam subir escadas com equipamento pesado.

Quatro anos depois, foi criado o Bleex (Berkeley Lower Extremity Exoskeleton). O dispositivo tem uma mochila que se conecta às pernas da pessoa e usa sua própria fonte de energia para movê-las sem colocar pressão desnecessária sobre os músculos.

Mas o professor tinha planos mais ambiciosos para o exoesqueleto: ajudar pessoas que não podem andar.

EMBRIAGADO

O acidente que colocou Whitney em uma cadeira de rodas aconteceu no dia 21 de julho de 2007, quando ele assumiu a direção do carro após ter consumido bebidas alcoólicas.

Seu melhor amigo quase morreu e Whitney quebrou a coluna e ficou paraplégico.

"Foi minha culpa", disse ele.

"Eu fiquei com muita raiva de mim mesmo, mas percebi que tinha duas escolhas: eu podia viver no passado e me encher de pena ou enfrentar a adversidade na minha vida e impedir que isso enterrasse meu objetivos, sonhos e aspirações."

Após entrar para a universidade, Whitney passou a dar palestras para estudantes sobre os perigos de beber e dirigir.

Ele também disse esperar que o sucesso da caminhada em sua formatura dê esperanças a outros paraplégicos de que eles um dia possam contar com máquinas de preço acessível que os ajudem a recuperar alguma mobilidade.

"Esta tecnologia pode ser usada por um grande número de pessoas e esta é nossa missão", disse Kazerooni.

"Estamos dizendo à comunidade que isso é possível. Este é apenas o começo de nosso trabalho."

Bill Gates pede maior compromisso de países com vacinação

O multimilionário e filantropo Bill Gates, convidado de honra da Assembleia Mundial da Saúde, pediu nesta terça-feira aos países doadores que aumentem seus investimentos nos programas de imunização e, às empresas farmacêuticas, que garantam vacinas acessíveis aos países pobres.

O fundador da Microsoft fez do acesso às vacinas o foco de suas atividades filantrópicas e é o maior doador privado nesta área.

Em discurso feito para ministros da Saúde de mais de cem países, Gates pediu aos países mais ricos que invistam mais em vacinação, apesar das restrições orçamentárias que muitos deles possam ter sido obrigados a aplicar em suas economias.

Ao setor privado, pediu que produza vacinas a preços acessíveis e, como exemplo de que a ideia é viável, disse ter certeza de que o preço combinado das vacinas pentavalentes contra o pneumococo e o rotavírus poderia ser reduzido à metade até 2016.

Já para os governos em geral, Gates pediu que façam da vacinação o foco de seus sistemas de saúde, e ressaltou que trata-se da intervenção sanitária mais eficiente em termos de custos e resultados.

O empresário considerou que os países devem respeitar as metas de cobertura da vacinação, de 90% em nível nacional e de no mínimo 80% em nível regional.

Para Gates, a implantação de sistemas de imunização eficazes permitiria erradicar definitivamente a pólio, visto que foram registrados avanços de 99% na luta contra esta doença, que desapareceu de mais de uma centena de países.

No entanto, lembrou que "progredir não é a mesma coisa do que ter êxito", pois o vírus continua presente em alguns lugares e inclusive foram observados casos em países que consideravam que a doença estava erradicada.

Durante seu discurso na Assembleia Mundial da Saúde, o filantropo anunciou que a Fundação Gates, que copreside com sua esposa, Melinda, entregará a partir de 2012 um prêmio a uma organização ou indivíduo que realize uma contribuição inovadora ao sistema de vacinação, seja em termos científicos, de distribuição ou de coleta de fundos.

Dolci: Doença não espera plano de saúde se adaptar à demanda

Clientes dos planos de saúde Samcil e Serma, recentemente adquiridos pela GreenLine, queixam-se de não conseguir marcar consultas. A situação é mais crítica para quem tem doenças crônicas e graves. Muitos enfrentam a ameaça de ficar sem medicamentos, pois precisam ir ao médico para obterem novas receitas.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, colunista da Folha e blogueira da Folha.com, diz que é obrigação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) obrigar a GreenLine a honrar os compromissos assumidos.

"Senão tivesse condições de atender as novas carteiras, que não as assumisse. A doença não espera que uma operadora de plano de saúde se adapte a um forte crescimento da demanda", comenta a colunista.

A ANS disse que neste mês recebeu 730 ligações relacionadas à GreenLine, mas não soube informar quantas delas eram reclamações. O último dado disponível é de fevereiro, antes da compra da Samcil --naquele mês, a ANS recebeu seis reclamações sobre a empresa.

Consumo excessivo de álcool danifica memória de jovens

Pesquisadores espanhóis descobriram que uma bebedeira pode destruir a memória de longo prazo de jovens adultos.

A informação foi publicada nesta terça-feira (17) no site do jornal britânico "The Telegraph".

Eles acreditam que o consumo abusivo de álcool torna mais difícil a construção de novas memórias, pois o hipocampo --uma área no centro do cérebro que desempenha papel-chave na aprendizagem e memória-- é muito suscetível aos seus efeitos tóxicos.

A descoberta é preocupante, pois a embriaguez é um problema crescente no Reino Unido e em outros países europeus, particularmente em jovens e universitários.

O estudo com universitários descobriu que o consumo excessivo de álcool afeta a memória declarativa --uma forma de memória de longo prazo. Os estudantes mostraram uma redução na capacidade de aprender novas informações que lhes são transmitidas verbalmente.

Em uma escala, eles obtiveram as menores pontuações em dois testes para saber quanto conhecimento eles retiveram e recolheram.

Segundo a pesquisadora Maria Parada, da Universidade de Santiago de Compostela, "em países do norte europeu, há uma forte tradição de consumo esporádico, orientado, de álcool. Em contraste, os países da costa do Mediterrâneo, como a Espanha, são tradicionalmente caracterizados por um consumo mais regular de baixas doses de álcool."

"É importante examinar os efeitos do álcool no hipocampo, pois em estudos com animais, especialmente em ratos e macacos, esta região parece sensível aos efeitos neurotóxicos do álcool, e ela desempenha um papel fundamental na memória e aprendizado. Em outras palavras, o consumo excessivo de álcool pode afetar a memória de jovens adultos, o que pode prejudicar o seu dia a dia."

O estudo, publicado na revista "Alcoholism: Clinical & Experimental Research", analisou 122 estudantes universitários espanhóis, com idades entre 18 a 20 anos. Eles foram divididos em dois grupos: os que beberam e os que se abstiveram.

Foram então submetidos a uma avaliação neuropsicológica que incluiu recordar experiências visuais e verbais.

"Nossa principal descoberta foi uma clara associação entre o consumo excessivo de álcool e a menor capacidade de aprender novas informações verbais em universitários saudáveis, mesmo após o controle de outras possíveis variáveis, como nível intelectual, histórico de distúrbios neurológicos ou psicopatológicos, uso de outras drogas, ou histórico familiar de alcoolismo", disse Parada.

Tratamento curto evita novos casos de tuberculose

Um novo tratamento, mais curto, mostrou-se seguro e eficaz para tratar pessoas que foram infectadas pela tuberculose, mas não manifestaram a doença de imediato.

Entre essas pessoas, que contraíram o bacilo de Koch (responsável pela tuberculose) mas não mostram sintomas, 10% desenvolvem a doença nos dois primeiros anos após a contaminação.

Hoje, a prevenção é feita com o uso diário de um antibiótico oral (isoniazida) por seis a nove meses. O novo tratamento, que dura só três meses, é feito com uma dose semanal desse remédio combinado a outro antibiótico, a rifapentina.

De acordo com um estudo apresentado ontem no congresso da Sociedade Americana do Tórax, em Denver (EUA), o tratamento mais curto não provocou mais reações adversas do que a terapia tradicional e conseguiu melhores resultados, reduzindo pela metade a chance de a doença aparecer.

Coordenado pelos Centros de Controle de Doenças dos EUA, o trabalho foi feito em 19 centros nos Estados Unidos, no Canadá, na Espanha e no Brasil. Participaram do estudo cerca de 8.000 pessoas ""660 do Brasil.

Durante dez anos, as pessoas contaminadas foram encaminhadas, aleatoriamente, para o tratamento diário de nove meses ou para o semanal, de três meses.

No primeiro grupo, 15 pessoas adoeceram, contra sete da terapia mais curta.


MENOS REMÉDIOS

"O objetivo era pesquisar se um tratamento mais rápido e mais fácil de ser seguido era seguro e tinha, no mínimo, o mesmo resultado da terapia convencional", diz o pneumologista Marcus Conde, da comissão de tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Conde foi o coordenador do grupo brasileiro do estudo, realizado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"No novo tratamento, você toma menos remédio e por menos tempo. É muito mais fácil a pessoa não desistir [de se tratar] no meio."

Para o pneumologista Elie Fiss, da Faculdade de Medicina do ABC, que não participou do estudo, os resultados são muito importantes para melhorar o controle da doença no país.

"Um dos grandes problemas é a baixa adesão ao tratamento. Essa nova forma de tratar economiza remédios e tempo e aumenta a aderência do paciente."

O Brasil tem, aproximadamente, 75 mil novos casos de tuberculose por ano, mas o número total de pessoas contaminadas pelo bacilo é cerca de 250 mil, segundo Marcus Conde.

"O tratamento preventivo evita o aparecimento da doença em cerca de 20 mil pessoas. Isso quer dizer que podemos reduzir em quase 30% os casos de tuberculose."

QUEM DEVE FAZER

Pessoas que tiveram contato direto com doentes devem procurar um serviço de saúde para fazer o teste que detecta o bacilo. No Brasil, o exame é feito na pele.

"A transmissão da tuberculose é feita principalmente por via aéreas. Quem fica muito próximo do doente, em lugar fechado, deve fazer o teste o mais rápido possível e se for positivo, começar o tratamento", diz Conde.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/916839-tratamento-curto-evita-novos-casos-de-tuberculose.shtml