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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Cirurgia refaz conexão de veias em coração de bebê recém-nascido
Ellis Hobbs passou por operação para corrigir uma má formação que conectava suas veias pulmonares ao lado errado do coração
Má formação que conectava veias pulmonares ao lado errado do coração Caters
Um bebê britânico surpreendeu médicos e familiares ao conseguir se recuperar de uma anomalia rara que fazia com que suas veias pulmonares estivessem conectadas do lado errado do coração.
Ellis Hobbs foi afetado por uma síndrome que atinge uma a cada 20 mil crianças, segundo o departamento de Cardiologia Pediátrica da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Ela faz com que o sangue oxigenado pelos pulmões chegue ao coração pelo lado oposto ao usual, e causa diminuição dos níveis de oxigênio no sangue que circula pelo resto do organismo.
Uma semana depois de nascer, o bebê teve que ser submetido a uma cirurgia no coração para a correção do problema.
Cerca de 80% dos bebês que nascem com este tipo de má formação morrem no primeiro ano de vida.
Os médicos do Hospital Infantil de Birmingham conseguiram reverter o quadro e o menino, agora com três meses, se recuperou completamente.
"Nós ficamos com muito medo quando descobrimos que ele tinha um problema tão horrível. Não acreditei quando me disseram que ele precisaria de uma cirurgia no coração", disse a mãe de Ellis, Claire Hobbs.
Lábios azuis
Claire conta que o bebê parecia saudável quando nasceu, e que, cinco dias depois, a parteira que o examinava notou que seus lábios estavam azuis.
"Nós não estávamos muito preocupados, mas quando chegamos ao hospital da Universidade, em Coventry, disseram que os níveis de oxigênio dele estavam muito baixos", conta.
O bebê foi transferido para Birmingham para que fosse examinado por especialistas, mas foi por causa do palpite de um membro da equipe que o problema foi descoberto.
Ellis sofria de uma doença chamada Drenagem anômala total das veias pulmonares (DATVP), que faz com que as veias do coração fiquem incorretamente conectadas.
As veias pulmonares, que transportam o sangue oxigenado que sai dos pulmões, devem estar conectadas ao átrio esquerdo do coração, que bombeia o sangue para o resto do corpo.
Mas no caso do bebê, elas estavam conectadas com o lado direito, que normalmente recebe o sangue que vem do corpo em direção aos pulmões e que é mais pobre em oxigênio.
O cirurgião cardíaco pediátrico Marcelo Jatene, da USP, explicou que, por isso, a anomalia fazia com que o sangue oxigenado e o sangue pobre em oxigênio se misturassem e fossem bombeados para outros órgãos vitais do corpo, comprometendo suas funções.
"Com a cirurgia, os especialistas conseguem refazer as conexões que faltavam no coração, e fazer com que o sangue circule corretamente pelo corpo da criança", disse à BBC Brasil.
Andy Hobbs, o pai de Ellis, quer escalar o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, para angariar fundos para o hospital que salvou a vida de seu filho.
"Não temos como agradecer o suficiente à equipe médica que ajudou nossa família", disse a mãe, Claire.
Greenline não atende clientes da Samcil e Serma
Camila da Silva Bezerra
Ex-clientes da Samcil e Serma, com problemas para conseguir atendimento em seus antigos planos de saúde, não estão aliviados com a compra das empresas pela Greenline. Desde 4 de maio, pelo menos 210 pessoas não conseguem marcar consultas e exames por meio da central de agendamento.
Das 700 ligações relacionadas à Greenline recebidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) neste mês, 300 eram queixas, sendo que 70% são dos novos clientes que não conseguem dar continuidade aos tratamentos e agendar consultas.
O exame oftalmológico de Eugenio de Souza Pereira Neto deveria ter sido feito ontem, mas por conta da falta de orientação da Greenline, o aposentado que sofre de catarata perdeu a avaliação. “Mandei um e-mail à empresa no dia 12, pedindo orientação para o exame que eu tinha marcado para hoje (ontem) e não recebi resposta.” Sem previsão para ser atendido, ele marcou uma consulta para julho em um hospital público.
A bancária Rogelia Lens Perez precisa de um ortopedista, mas não teve resposta da operadora. Ela diz que continua a pagar o plano apenas para ter um “hospital’ onde cair”.
Os clientes antigos da Greenline também sofrem. Conveniada há dois anos e meio, Daniela Carvalho, que está grávida, saiu de São Bernardo do Campo no sábado passado para ir ao ginecologista na Mooca, em hospital próprio da Greenline. Mas não havia médico especializado para atendê-la. Daniela ressalta que o problema com atendimento não é de hoje.
De todas as reclamações, a ANS não constatou recusa de atendimento. Leila Cordeiro, diretora de atendimento do Procon, diz que o órgão acompanha a transição e que em caso de negativa, vai cobrar medidas da Greenline.
Segundo a operadora, “a eventual dificuldade de atendimento nos telefones de marcação de consultas pode ser, provisoriamente, contornada por meio do agendamento via telefone diretamente com as unidades credenciadas.
Hospitais de SP têm meta para reduzir infecções
Em 50 unidades do Estado, ação busca diminuir em 30% o número de infecções da corrente sanguínea, mais graves
Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo
Um projeto-piloto envolvendo 50 hospitais públicos e particulares do Estado tem pretende reduzir em 30% os índices de infecção hospitalar da corrente sanguínea nas UTIs. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam que esse tipo de infecção cresceu 22,46% em seis anos.
Na maioria das vezes, essas infecções são associadas ao uso de um cateter venoso central - tubo plástico inserido em uma veia grossa do paciente para aplicação de medicamentos e monitoramento da pressão arterial.
Segundo a secretaria, as infecções saltaram de 4,14 para 5,07 casos por 1 mil internações entre 2004 e 2010 - enquanto tipos mais comuns, como infecções do trato urinário (associadas ao uso de sondas) ou das vias respiratórias (em pacientes que estão entubados) regrediram.
"De maneira geral, as infecções da corrente sanguínea são mais graves porque causam mais morbidade, aumentam o tempo de internação e podem evoluir para óbito", diz Denise Brandão, diretora técnica da Divisão de Infecção Hospitalar do Centro de Vigilância Epidemiológica .
Segundo ela, como não houve redução dos casos no período - e sim uma tendência à estabilização -, a secretaria percebeu que seria necessário atuar de forma mais incisiva.
Meta nacional. O programa foi implantado em março pela Secretaria da Saúde. O objetivo é diminuir os índices de infecção e cumprir a meta estabelecida em 2010 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O governo quer que todos os hospitais com mais de dez leitos de UTI reduzam em 30% os casos de infecção da corrente sanguínea num prazo de três anos.
Como não havia um indicador nacional padronizado, cada hospital controlava os índices de uma maneira. "Não tínhamos um dado fiel porque as informações não eram sensíveis. Sentimos que havia necessidade de um controle mais adequado desse tipo de infecção", diz Magda Costa, da Unidade de Investigação e Prevenção das Infecções e Efeitos Adversos da Anvisa.
Segundo Magda, o indicador de infecção hospitalar reflete na qualidade do hospital. "O cateter é uma porta de entrada e um meio de comunicação entre o exterior e a corrente sanguínea, que é estéril. Se for implantado e manipulado corretamente, as infecções diminuem", avalia.
Evitável. Para Vera Lúcia Borrasca, presidente da Associação Paulista de Epidemiologia e Controle de Infecção Relacionada à Assistência a Saúde, embora esteja entre os tipos mais comuns, a infecção da corrente sanguínea pode ser evitada se forem tomados todos os cuidados.
Ela explica que os cateteres são inseridos em veias calibrosas - pelo volume de medicamentos que o paciente recebe na UTI - e devem permanecer no paciente o menor tempo possível. "A flora da pele das mãos do profissional de saúde é um dos mecanismos de contaminação."
Segundo Vera, há uma série de recomendações que devem ser seguidas para evitar a contaminação do cateter. Entre elas estão higienizar as mãos antes de manipular o equipamento, criar uma barreira máxima de proteção no momento da inserção do cateter (com uso de avental estéril, luva, gorro e máscara, além de cobrir o paciente com um campo também estéril), usar antissépticos para fazer a limpeza adequada e, por último, checar frequentemente se o paciente realmente ainda precisa do cateter.
Retrato
90%
dos casos de infecção da corrente sanguínea estão associados ao uso de cateter venoso central
14
é o número médio de dias que o paciente fica internado na UTI
50%
dos pacientes com esse tipo de infecção morrem, em média
OMS refém de doadores preocupa países
- O Estado de S.Paulo
GENEBRA
Incômodo, mas hoje fundamental para a saúde. Bill Gates provoca tanto temor quanto sentimentos de gratidão. Sozinha, sua fundação garante uma parte fundamental do orçamento que a OMS precisa para realizar suas operações pelo mundo. Mas o temor é de que doadores privados acabem impondo suas visões sobre como tratar da saúde.
A entidade passa por sua pior crise econômica em décadas, tendo de cortar 15% de seus funcionários e com um déficit de US$ 200 milhões.
Gates abriu sua fundação em 2000, com a promessa de dar US$ 37 bilhões para a saúde mundial, de um total de sua fortuna de US$ 57 bilhões. Não por acaso, na porta da ONU, era o único a ter uma vaga reservada para seu carro, enquanto ministros de todo o mundo tinham de esperar em filas. "É uma honra ter o senhor aqui", afirmou Margaret Chan, diretora da entidade.
Mas nem todos concordam com essa visão. O Brasil, por exemplo, teme que a entidade fique refém de doadores que adotam um modelo de saúde que não atenderia à visão dos países emergentes.
Pesquisadores da Universidade Harvard publicaram há um mês um artigo na revista PLoS Medicine afirmando que os laços corporativos de fundações como a de Gates podem produzir graves conflitos de interesse.
O trabalho afirma, por exemplo, que boa parte dos US$ 29,6 bilhões administrados pela Fundação Gates, em 2008, foram investidos em ações de indústrias farmacêuticas e alimentícias. Os dividendos seriam reinvestidos nos projetos filantrópicos. Segundo os autores do artigo, tal estrutura de financiamento tornaria a fundação um ator pouco isento nas discussões de políticas globais de saúde.
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