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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Alemanha teme que bactéria que ataca sistema digestivo seja mortal

As autoridades sanitárias alemãs advertiram nesta terça-feira que a rápida propagação de uma bactéria que causa hemorragias no sistema digestivo pode ter sido a causa a morte de três pessoas e poderia provocar mais vítimas fatais.

"Estimamos que haverá mais mortos", disse o presidente do Instituto Robert Koch (RKI), uma instituição federal de combate a doenças, Reinhard Burger.

"A quantidade de casos em tão pouco tempo é muito incomum e a idade das pessoas também é atípica", afirmou.

É possível que três pessoas já tenham falecido por causa de uma infecção por causa da bactéria, a Escherichia coli, que afeta principalmente o norte da Alemanha, principalmente Hamburgo.

No entanto, também houve casos registrados nos Estados de outras regiões, afirmou o presidente do RKI.

Uma mulher de 83 anos morreu no dia 21 de maio, depois de ser internada no hospital por causa de uma colite hemorrágica. Exames de laboratório mostraram que ela estava infectada pela bactéria, segundo o ministério da Saúde, que esclareceu que estava realizando uma autópsia para determinar a causa da morte. Em Bremen, uma jovem que tinha sintomas típicos da presença desta bactéria, morreu na noite de segunda-feira (23), mas ainda serão realizados os exames para identificar as causas exatas do falecimento.

No estado regional de Schleswig-Holstein, fronteira com a Dinamarca, uma octogenária infectada pela bactéria também morreu, mas estava internada no hospital por outro motivo e ainda não é clara a causa da morte.

OMS adia por 3 anos decisão de destruir vírus da varíola

Os países-membros da OMS (Organização Mundial da Saúde) concordaram nesta terça-feira em adiar por três anos a decisão de fixar uma nova data para destruir as últimas amostras do vírus da varíola, uma doença erradicada em 1980.

Após dias de intensos debates na Assembleia Mundial da Saúde realizada em Genebra, os países não conseguiram chegar a um acordo sobre uma data para destruição dos vírus, que estão armazenados em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos.

"A boa notícia é que alcançaram um consenso sobre reafirmar a decisão de que o vírus deve ser destruído", o que já foi acordado em 1986, disse à imprensa Pierre Formenty, especialista da OMS.

Adiantou, entretanto, a confirmação "de que a discussão sobre a uma nova data ocorrerá na Assembleia Mundial da Saúde dentro de três anos".

Esta foi a quarta vez no último quarto de século que os representantes dos 193 estados-membros da OMS abordaram a questão da destruição do vírus da varíola.

As discussões ocorrem entre os partidários da destruição, que defendem desfazer-se o mais rápido possível desses vírus, alegando o temor de que caiam nas mãos de terroristas, e os favoráveis em preservá-lo, ainda com objetivos de pesquisa científica.

Formenty reconheceu que "as antigas vacinas que permitiram a erradicação da varíola agora já não poderiam ser utilizadas" porque foi comprovado que têm efeitos colaterais perigosos.

"Não é possível administrar a pessoas com sistema imunitário frágil, como os soropositivos", o que deixaria de fora grandes populações em países com altas taxas de Aids.

O analista reconheceu que a única possibilidade de a varíola reaparecer seria se alguém tivesse acesso às amostras guardadas, e lembrou que uma volta natural da varíola é impossível, pois o vírus já não está presente na natureza nem no homem e em outras espécies animais.

Só estão guardadas amostras em dois laboratórios de alta segurança: em Atlanta (EUA), que tem mais de 400, e em Koltsovo (Rússia), onde estão outras 120.

"Alguns países nos comunicam a cada ano sobre informações de grupos que poderiam ter acesso a esses armazéns, sempre há rumores", assinalou.

Durante as discussões, Rússia e EUA reiteraram suas posições favoráveis a guardar por mais algum tempo os vírus com fins de pesquisa.

"Acreditamos que é preciso continuar com as pesquisas científicas em torno da varíola. A destruição dos vírus vivos seria irreversível", disse o representante russo.

Também chamou a atenção sobre a possibilidade de reservas ilegais de vírus em locais autorizados, por isso que "é prudente manter os dois centros atuais que apresentam todas as garantias de segurança para enfrentar uma eventual alta da varíola".

Por sua vez, os EUA assinalaram que "apoiam de maneira clara a destruição dos vírus depois da conclusão do programa de investigação aprovado pela OMS".

Assinalou que ainda é necessário desenvolver antivirais e vacinas "mais seguras e eficazes do que as existentes" e disse que preservar por um tempo mais os vírus vivos representa "uma vantagem em termos de saúde pública a longo prazo".

A varíola é uma doença altamente contagiosa, e era uma das mais temidas no mundo por sua alta taxa de mortalidade --30% dos afetados--, até ser erradicada após uma intensa campanha global de vacinação.

O último caso conhecido de contágio natural ocorreu na Somália em 1977. Outro episódio de contágio emblemático foi o registrado em 1978 em Birmingham (Reino Unido), quando uma funcionária de uma escola de medicina morreu em consequência de um acidente no laboratório.

Novo implante aprovado no país controla glaucoma

Menor que um grão de arroz, um novo dispositivo de aço, implantado no olho, controla a pressão ocular em pessoas que têm glaucoma. Batizado de Ex-press, o produto será lançado no Brasil nesta semana, no 14º Simpósio Internacional de Glaucoma, que acontece entre os dias 26 e 28 de maio em Belo Horizonte (MG).

O dispositivo foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril. Nos EUA, ele foi aprovado em 2003, e na Europa, em 1999.

Estima-se que o glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo, afete 1 milhão de brasileiros. Há vários tipos de glaucoma. A forma crônica simples, que representa cerca de 80% dos casos e é mais comum nas pessoas acima de 40 anos, é causada por uma alteração anatômica no olho.

Ao longo dos anos, essa alteração impede que um líquido produzido pelo olho, chamado humor aquoso, seja drenado e caia na corrente sanguínea. Isso aumenta a pressão intraocular.

CICATRIZAÇÃO

O implante é colocado, por meio de cirurgia no olho, entre a córnea e a esclera, sobre um orifício feito pelo cirurgião, por onde o líquido sai. Assim, a pressão baixa.

Na cirurgia convencional, abre-se um orifício no mesmo local para que esse líquido possa escapar.

"Mas, sem o dispositivo, não dá para controlar o fluxo e a abertura, que tende a cicatrizar", diz Vital Paulino Costa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma e chefe do setor de glaucoma da Unicamp.

Para Regina Cele Silveira, oftalmologista do setor de glaucoma da Unifesp, o grande problema da cirurgia é a cicatrização.

"Nessa cirurgia, a cicatrização é 'vilã'. O buraco ainda pode se fechar, mas, com o dispositivo, essa possibilidade é muito menor."

Ela afirma que cinco anos depois da cirurgia convencional, 65% dos pacientes perdem a capacidade de drenagem pelo orifício e podem precisar de novas operações.

Segundo Costa, o dispositivo ainda causa menos inflamações e diminui a necessidade de medicamentos no pós-operatório.

CRÍTICAS

Segundo o presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia Paulo de Arruda Mello, há um grande interesse no dispositivo, que simplifica muito a cirurgia.

"Mas ainda é necessário fazer mais estudos para afirmar que ele traz mais benefícios do que a cirurgia convencional", afirma. Para Cele, o dispositivo é "perfeito" do ponto de vista técnico, porque faz a cirurgia de glaucoma durar mais. Porém, diz que não se sabe por quanto tempo os benefícios permanecem.

"Não dá para jogar a técnica antiga no lixo. Faltam dados de mais longo prazo."

Outro ponto negativo é o preço ""nos EUA, o dispositivo custa US$ 1.200 (R$ 1.956), segundo Cele. "Não sabemos quanto ele custará no Brasil, mas estamos pressionando o fabricante por um preço mais acessível."


Aparelho dá visão parcial em caso de problema na retina

Um aparelho permite que pessoas cegas por causa de degenerações da retina vejam flashes de luz, imagens borradas e distingam cores. O dispositivo, conhecido como Argus II, é fabricado pela empresa norte-americana Second Sight, e sua comercialização na Europa foi aprovada em março.

O aparelho é similar aos implantes usados em pessoas com deficiência auditiva, que captam o som por um microfone e convertem os sinais em impulsos elétricos.

Jim Watson/France Presse
O aposentado grego Elias Konstantopoulos usa óculos "biônicos" com microcâmera

No caso da retina artificial, uma microcâmera de vídeo nos óculos captura imagens e as converte em sinais elétricos, que são enviados aos óculos por um cabo.

Esses sinais são transmitidos, sem fio, para um microchip no olho do paciente. Eles são enviados ao nervo óptico e depois ao cérebro. Segundo a empresa, o implante é imperceptível e a cirurgia para colocá-lo dura três horas. O aparelho custa US$ 100 mil (R$ 163 mil).

TESTES

Nos EUA, o aparelho está sendo testado em pacientes na Universidade Johns Hop-kins, em Baltimore. É o caso do eletricista aposentado Elias Konstantopoulos, 72, que nasceu na Grécia, mas hoje mora nos EUA.

Ele perdeu a visão por causa de uma doença degenerativa e hereditária chamada retinose pigmentar.

Em 2009, Konstantopoulos começou a fazer parte de um estudo sobre o aparelho.

Agora, ele põe os óculos todos os dias e enxerga as luzes de um carro passando na rua e se orienta em um quarto pela luz da janela aberta.

"Sem o aparelho, não vejo nada. Com ele, há uma esperança. Sei que tem algo ali."

Mas os especialistas afirmam que as respostas variam muito em cada paciente. Pessoas cegas há muito tempo provavelmente não terão muitos benefícios.

Para Paulo de Arruda Mello, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o Argus II representa um avanço importante.

"São imagens rudimentares, mas, para quem não tem nada de visão, é uma coisa fantástica poder distinguir claro e escuro."

Segundo Mello, o aparelho ainda está longe de ter praticidade clínica. "Por enquanto, acreditamos mais no tratamento farmacológico."

Baixada Santista registra foco de esquistossomose

A Baixada Santista está entre as regiões apontadas pela Secretaria de Saúde de São Paulo como foco de transmissão da esquistossomose. Além da Baixada, locais como Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Campinas também aparecem no levantamento do Estado.

De acordo com a secretaria, entre 2008 e o ano passado, 51 casos autóctones (oriundos da região onde se encontram) da doença foram registrados em Peruíbe, um em Santos e sete em São Vicente. Os considerados “importados”, em que a análise do caso mostra risco de a contração da doença ter ocorrido fora do município, foram maiores em Santos e São Vicente. No mesmo período, houve 94 registros em Santos e 47 em São Vicente.

De acordo com a secretaria, mesmo os casos não autóctones representam risco para a região, uma vez que o indivíduo contaminado permanecerá excretando ovos do parasita por muitos anos e disseminando a doença.


 
Também conhecida como “barriga d’água”, a esquistossomose é causada por um parasita e pode ser transmitida por caramujos que vivem em rios, lagos, córregos e mangues. Na maior parte dos casos, o infectado não observa os sintomas, que vão desde leve coceira, vômitos e diarreias (que se manifestam até seis semanas após o contágio) até o aumento do baço.

Para zerar os casos no Estado, os postos de saúde intensificarão a busca ativa pela doença até o dia 27.