Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Bahia testa mosquito transgênico antidengue

Machos geneticamente modificados do 'Aedes' atuarão 18 meses em Juazeiro

Pelas ruas de terra do bairro de Itaberaba, em Juazeiro (BA), um carro com dois pesquisadores para a cada 100 metros. Um deles desce e destampa um pote de onde saem cerca de 500 mosquitos Aedes aeypti, o transmissor da dengue. A cena se repete há três semanas e, até julho, a expectativa é de que sejam liberados 33 mil machos por semana. Depois a ação subirá para 50 mil a 100 mil mosquitos por semana.

Celso Junior/AE
Combate. Machos transgênicos devem competir pelas fêmeas com espécimes selvagens e gerar filhotes que morrerão cedo

A "pulverização" de mosquitos foi repetida 22 vezes na tarde de quinta-feira retrasada. O ritual faz parte de um projeto científico que gera expectativa na administração pública da saúde. "Se der o resultado esperado, podemos reduzir de maneira expressiva os números da dengue", avaliou o coordenador do projeto, Danilo Carvalho.

"Não há dúvida de que o projeto é promissor", afirmou o diretor do Complexo Industrial e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Zichy Moyses.

A chave dessas esperanças está no mosquito solto no ambiente: é uma espécie transgênica que produz filhotes que morrem antes de chegar à vida adulta, quando podem transmitir a dengue. Na prática, a ciência patrocina o sexo entre mosquitos que geram filhotes incapazes de espalhar a doença. O ideal é que haja dez machos transgênicos para cada macho selvagem.

A estratégia é semelhante à usada em outras parte do País para combater a drosófila, a mosca da fruta: machos estéreis são liberados para disputar com a espécie selvagem a oportunidade de cruzar. Para o macho de laboratório ficar estéril, ele é exposto a radiação - o que não se consegue com o Aedes aegypti. "Por isso recorremos à técnica transgênica", diz a coordenadora do projeto, Margareth Capurro, bióloga da Universidade de São Paulo.

Desenvolvido na Universidade de Oxford, o mosquito transgênico carrega material genético da drosófila. Em laboratório, são alimentados com ração de peixe e, para fêmeas adultas, sangue. Na fase de ovos, todos recebem tetraciclina, o que permite completar o ciclo de vida - o que não ocorre no ambiente.

As fêmeas, as únicas que picam os humanos e transmitem o vírus da dengue, ficam em laboratório para novos cruzamentos. Para que não haja risco de serem liberadas, são adotadas duas medidas de segurança. A primeira separação ocorre num túnel escorregador em forma de funil. Como as fêmeas são maiores, não ultrapassam uma certa faixa da descida. Há outro processo de separação, desenvolvido pela Oxitec, empresa incubadora da Universidade de Oxford. "Depois, é feito um controle de qualidade com lupas e microscópio", explica Andrew McKeney, técnico da Oxitec que está no Brasil para acompanhar a pesquisa.

Cinco bairros. Liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança em dezembro, o trabalho em campo teve início em fevereiro. Na primeira etapa, foram feitos lançamentos menores, para avaliar o comportamento do mosquito de laboratório no meio ambiente. Foram checadas a distância que o mosquito era capaz de percorrer e sua capacidade de sobrevivência.

A experiência ocorrerá por 18 meses em cinco bairros de Juazeiro. A escolha do local, diz Margareth, foi facilitada pela proximidade com a Biofábrica Moscamed, entidade ligada ao Ministério da Agricultura que já produzia moscas estéreis.

Açúcar, sal e cocaína formam "trio assassino" do coração

Médicos procuram solução para o pó branco por trás da morte cardíaca; Anvisa quer mensagem de alerta na embalagem de produtos


A morte cardíaca no Brasil começa em um pó branco. Sal, açúcar e cocaína são três grandes inimigos do coração, responsáveis por mais de 80% das 300 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares no País.

O trio ganhou uma mesa especial de discussão no Congresso Brasileiro de Cardiologia em Belo Horizonte, e já está no alvo de uma ofensiva de combate criada pelas sociedades médicas e Ministério da Saúde.

Em discussão no governo federal, afirmou o presidente da comissão de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Carlos Alberto Machado, existem dois projetos paralelos para atacar produtos muito açucarados ou salgados em excesso. A proposta é colocar mensagens de alerta nas embalagens destes alimentos (salgadinhos, bolachas recheadas, refrigerantes, chocolates, congelados e até barras de cereal), semelhantes as que já são usadas nos maços de cigarro. O estilo "Ministério da Saúde adverte: este produto contém sódio ou açúcar em excesso e pode fazer mal à saúde" já foi acordado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantiu Carlos Alberto Machado.

"O presidente da Anvisa participou de nossas reuniões, formadas também por representantes da indústria alimentícia, ministérios da saúde e agricultura, Embrapa, e acatou nossas sugestões”, afirmou o presidente da comissão de hipertensão, que já foi assessor da área do Ministério da Saúde. “O texto da resolução que afirma isso está pronto, já foi apresentado e tem ainda mais três meses para ser discutido. Temos a convicção de que vai sair do papel”, completou ele.

Em paralelo a alimentação com muito sal e açúcar está o uso de drogas, outro fator que potencializa os danos cardíacos e a mortalidade precoce. A cocaína é a representante principal deste grupo de vilões, mas o líder da ofensiva, o cardiologista Dikran Armaganijan – presidente da comissão de promoção à saúde da Sociedade Brasileira de Cardiologia e articulador das propostas com a saúde escolar – acrescenta o ecstasy, o crack e as drogas para emagrecer, responsáveis por 30% das mortes de jovens infartados com menos de 30 anos no país – faixa etária cada vez mais presente nas estatísticas de morte cardíaca.

Além de Machado e Armaganijan, outros quatro especialistas trouxeram dados novos para reforçar o trio do pó branco como o principal assassino do coração do brasileiro.

Duas pitadas a menos de sal por dia

Estudo canadense relaciona mudança nos hábitos alimentares com queda de 13% no risco cardíaco


Uma política de saúde pública adotada no Canadá trouxe à tona uma equação simples e de bom resultado. Há dez anos, o departamento de saúde canadense incentiva a população a consumir um limite máximo de 1,8 gramas de sódio por dia. Para chegar à meta, em geral, era preciso retirar do cardápio duas colheres de sopa de sal da alimentação diária. O efeito é classificado como “impressionante” e inspirou os médicos brasileiros.

“Os dados mostram que a redução do sal e do sódio promoveu uma diminuição de 13% das mortes por doenças coronarianas, 8% o número de infarto e 12% os acidentes vasculares cerebrais”, afirmou o presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Carlos Alberto Machado. “Montamos um comitê brasileiro semelhante ao canadense e queremos chegar a esta meta”, completou o especialista, durante a sua apresentação no Congresso Brasileiro de Cardiologia, em Belo Horizonte.

Segundo vários estudos, o brasileiro consome em média 4,7 gramas de sódio por dia, duas vezes mais do que o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 2,3 g. Este padrão alimentar exagerado no sódio está por trás dos custos de internação de pacientes cardíacos no Brasil – que são de 699,8 milhões por ano e outros R$ 241,4 milhões para custear doentes de acidente vascular cerebral.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em 2008 mostrou que uma dieta equilibrada, sozinha, poderia evitar 48.941 mortes por AVC, 47.456 óbitos de doenças no coração. A receita? As mesmas duas pitadas a menos de sal em cada refeição.

Nem tudo é salgado

Além de conscientizar as donas de casa e as pessoas em geral a não usarem o saleiro para “reforçar” o gosto da comida – uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP apontou que o arroz é o alimento mais carregado de sal – a nutricionista especializada em doença cardíaca, Cristina Kovacs, diz que a população precisa aprender quais são as fontes de sódio.“O sal é a principal fonte de sódio, mas essa substância inimiga do coração também está em outros produtos, alguns nem com sabor salgado”, afirma.

Ela fez um levantamento em meio deste ano com 1.288 pacientes hipertensos do Instituto do Coração (Incor) – que não conseguiam regular a pressão em níveis normais – e identificou que 93% deles não usavam saleiro à mesa. Ao mesmo tempo, 91% deles também não liam os rótulos dos alimentos e consumiam sódio sem nem saber.

O sódio é a composição quase que total de refrigerantes, congelados, molhos de tomate e até chás verdes industrializados, além dos embutidos e carnes. “O nosso trabalho agora é focado em ensinar estes pacientes a ler os rótulos e melhorar a alimentação”, diz Cristina.

Mecanismo de ação

A explicação para o sódio transformar o coração em uma bomba relógio é que para o organismo excretar o sal, necessariamente, é preciso elevar a pressão arterial. Quanto maior o consumo, maior a pressão. Em três anos, a parcela de portadores de pressão alterada cresceu no país de 21% para 24%. Hoje, de acordo com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, são 30,2 milhões de brasileiros hipertensos

Adoçante não conteve epidemia de obesidade

Especialistas dizem que excesso de açúcar faz Brasil amargar aumento de doença crônica

As estatísticas de aumento de diabetes, obesidade e doenças crônicas fazem o Brasil amargar um dado nada animador: o País figura entre as 10 nações com os maiores índices de problemas endócrinos do mundo.

Outro número pode explicar este título, acredita o professor de endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP, Simão Augusto Lottemberg. “Somos a quarta maior nação em consumo de açúcar”, afirmou ele durante sua apresentação no Congresso Brasileiro de Cardiologia de Belo Horizonte.

"O consumo de gordura, carboidrato e doces cresce no mesmo ritmo da obesidade (hoje já presente na vida de 30% dos brasileiros). Avalio que nenhum alimento, sozinho, pode ser considerado vilão, mas há uma participação importante do açúcar no cenário de doenças cardíacas", completou Lottemberg. Este pó branco está entre os três principais inimigos do coração, formado ainda por sal e cocaína.

A nutricionista coordenadora da Liga contra o Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo, Ana Maria Lottemberg diz que neste cenário já ficou claro que o uso de adoçante não é forte o suficiente para virar o jogo.

“Nestes últimos anos de aumento da obesidade também cresceu o consumo de adoçantes. Os gráficos são simultâneos”, afirma Ana Maria. “A minha avaliação é que para conseguirmos mudar os hábitos dos pacientes a primeira tarefa é tirar o estigma e o peso da palavra dieta. As pessoas acham que dieta é castigo, restrição, quando nem imaginam os prazeres de comer direito”, afirma.

Sem sabor

O endocrinologista da USP acrescenta que em uma rotina de consumo diário e excessivo de doces – sem contar os acréscimos que as pessoas fazem nos achocolatos, sucos e chás – torna impossível saborear e identificar que uma cenoura e uma beterraba, por exemplo, naturalmente têm gosto adocicado.

Obesidade pode interferir na absorção de vitamina D

Novo estudo dinamarquês sugere que quanto mais obeso é o indivíduo, maior sua carência de vitamina D

Obesos têm dificuldade em processar a vitamina D

Um estudo dinamarquês encontrou uma relação inversa entre o excesso de peso e a quantidade insuficiente de vitamina D no organismo - fator crítico para a saúde celular, absorção de cálcio e funções imunológicas adequadas.

A deficiência de vitamina D pode aumentar o risco de deterioração óssea e de certos tipos de câncer.
Os pesquisadores também sugeriram que o excesso de peso possa interferir na absorção adequada da vitamina.

A equipe observou que a chamada “vitamina do sol” é inicialmente absorvida (através da exposição solar ou do consumo de alguns alimentos, como os peixes oleosos e o leite fortificado) e em seguida o organismo deve convertê-la a uma forma utilizável, chamada 1,25 – di-hidroxi vitamina D. Porém, aparentemente o processo de conversão é de circuito curto entre os obesos, complicando os esforços para uniformizar a saúde da verdadeira vitamina D.

As descobertas foram publicadas na edição de janeiro da revista especializada Journal of Nutrition.
Para investigar o impacto da obesidade sobre a absorção da vitamina D, a equipe acompanhou durante seis anos um grupo de 1.464 mulheres e 315 homens com idade média de 49 anos. Com base no índice de massa corporal (IMC) – indicador de gordura corporal calculado a partir do peso e da altura do indivíduo – os participantes foram considerados, em média, obesos. Aproximadamente 11% deles foram classificados com obesidade mórbida.

No início do estudo, os níveis de vitamina D dos participantes em geral foram considerados abaixo da média ideal, observaram os autores da pesquisa. No final do estudo, foi observada a queda “significante” dos mesmos índices, enquanto que o IMC dos participantes teve um aumento de 5%.

A equipe de pesquisa concluiu que o peso, gordura corporal e IMC acima do normal estavam relacionados à carência de vitamina D no organismo.

Por exemplo, os participantes que apresentaram níveis mais baixos de IMC tiveram níveis de vitamina D 14% mais altos do que aqueles que apresentaram níveis mais altos de IMC.

Como os níveis de vitamina D não apresentaram uma ligação adequada com os níveis de 1,25 – di-hidroxi vitamina D (E, na verdade, aparentemente apresentaram uma relação inversa anormal), os autores do estudo sugerem que esforços futuros para explorar o padrão de vitamina D entre os obesos deveriam analisar as duas medidas da vitamina.

A equipe também sugeriu que é provável que as pessoas acima do peso e obesas se beneficiem dos suplementos de vitamina D e de maior exposição solar.