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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Linfoma de Hodgkin

Definição
O linfoma de Hodgkin é um câncer de tecido linfático encontrado nos linfonodos, baço, fígado, medula óssea e outros locais.

Nomes alternativos
Linfoma - doença de Hodgkin; câncer – linfoma de Hodgkin

Causas, incidência e fatores de risco
O primeiro sinal desse câncer é frequentemente um linfonodo aumentado que aparece sem uma causa conhecida. A doença pode se espalhar para os linfonodos vizinhos. Posteriormente ela pode se espalhar para o baço, fígado, medula óssea ou outros órgãos.

A causa é desconhecida. O linfoma de Hodgkin é mais comum em pessoas de 15 a 35 e de 50 a 70 anos. Considera-se que a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) contribua na maioria dos casos.

Sintomas
Fadiga
Febre e calafrios que vão e vêm
Prurido em todo o corpo que não pode ser explicado
Perda de apetite
Suores noturnos
Edema indolor dos linfonodos do pescoço, axila ou virilha (glândulas inchadas)
Perda de peso que não pode ser explicada

Outros sintomas que podem ocorrer com essa doença:

Tosse, dor no peito ou problemas para respirar se houver linfonodos inchados no peito
Suor excessivo
Dor ou sensação de estar cheio abaixo das costelas devido ao inchaço do baço ou fígado
Dor nos linfonodos depois de beber álcool
Pele avermelhada ou quente
Observação: Os sintomas causados pelo linfoma de Hodgkin também podem ocorrer em outras doenças. Converse com seu médico sobre o significado dos seus sintomas específicos.

Exames e testes

A doença pode ser diagnosticada após:

Biópsia do tecido suspeito, normalmente uma biópsia de linfonodo
Biópsia de medula óssea
Se os exames revelarem a presença de linfoma de Hodgkin, poderão ser feitos exames adicionais para ver se o câncer se propagou. Isso é chamado estadiamento. O estadiamento ajuda a guiar tratamentos futuros e o acompanhamento, além de dar a você uma perspectiva sobre o que esperar para o futuro.

Os seguintes procedimentos geralmente são feitos:

Exame de perfil metabólico incluindo níveis de proteína, exame de função hepática, exame de função renal e nível de ácido úrico
Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pélvis
Hemograma completo para verificar se existe anemia e efetuar a contagem de leucócitos
Tomografia por emissão de pósitrons

Em alguns casos, a cirurgia abdominal para retirar um pedaço do fígado e remover o baço pode ser necessária. Contudo, como os outros exames atualmente são muito bons em detectar a propagação do linfoma de Hodgkin, a cirurgia geralmente não é necessária.

Tratamento
O tratamento principal depende do seguinte:

Tipo de linfoma de Hodgkin (a maioria das pessoas tem o linfoma clássico)
Estágio (onde a doença se encontra)
Se o tumor tem mais de 10 cm
Idade do paciente e outros problemas médicos
Outros fatores como perda de peso, suores noturnos e febre
A avaliação do estágio é necessária para determinar o plano de tratamento.

O estágio I indica que somente uma região de linfonodos está envolvida (por exemplo, o lado direito do pescoço).
O estágio II indica o envolvimento de duas áreas de linfonodos no mesmo lado do diafragma (por exemplo, os dois lados do pescoço).
O estágio III indica envolvimento de linfonodos de ambos os lados do diafragma (por exemplo, virilha e axila).
O estágio IV envolve a propagação do câncer para fora dos linfonodos (por exemplo, medula óssea, pulmões ou fígado).
O tratamento varia com o estágio da doença e a idade do paciente. O melhor tratamento depende de cada indivíduo e deve ser discutido com um médico que tenha experiência no tratamento dessa doença.

Os estágios I e II (doença limitada) podem ser tratados com radioterapia local, quimioterapia ou uma combinação de ambas.
O estágio III é tratado somente com quimioterapia ou uma combinação de radioterapia e quimioterapia.
O estágio IV (doença disseminada) é mais frequentemente tratado somente com quimioterapia.
As pessoas com linfoma de Hodgkin que reincide depois do tratamento ou que não responde ao tratamento podem receber quimioterapia de alta dosagem seguida de um transplante autólogo de medula óssea (usando células tronco do próprio paciente).

Os tratamentos adicionais dependem dos demais sintomas. Eles podem incluir:

Transfusão de derivados do sangue, como plaquetas ou hemácias, para combater a baixa contagem de plaquetas e a anemia
Antibióticos para combater a infecção, principalmente se houver febre
Evolução (prognóstico)
A doença de Hodgkin é considerada um dos tipos mais curáveis de câncer, principalmente se for diagnosticado e tratado a tempo. Diferentemente de outros tipos de câncer, a doença de Hodgkin muitas vezes pode ser curada mesmo em estágios mais avançados.

Com o tratamento correto, mais de 90% das pessoas com linfoma de Hodgkin de estágios I ou II sobrevivem por pelo menos 10 anos. Se a doença já tiver se propagado, o tratamento será mais intenso, mas a porcentagem de pessoas que sobrevive por 5 anos é de cerca de 90%.

Os pacientes que sobrevivem até 15 anos depois do tratamento têm maior probabilidade de falecer mais tarde por outra causa que não a doença de Hodgkin.

As pessoas com linfoma de Hodgkin cuja doença reincide dentro de um ano após o tratamento ou que não responde à terapia de primeira linha têm um prognóstico pior.

É importante que os pacientes façam exames e diagnósticos por imagem periódicos durante anos depois do tratamento, para detectar sinais de relapso e verificar os efeitos a longo prazo dos tratamentos.

Complicações

As complicações a longo prazo da quimioterapia ou da radioterapia incluem:

Doenças da medula óssea
Cardiopatia
Incapacidade de se reproduzir (infertilidade)
Problemas pulmonares
Outros tipos de câncer
Problemas de tireoide
A quimioterapia pode provocar baixos níveis de células sanguíneas, o que pode levar a um maior risco de hemorragia, infecção e anemia. Para minimizar a hemorragia, aplique gelo e pressione qualquer sangramento externo. Use uma escova de dente e um barbeador elétrico suaves para a higiene pessoal.

As infecções devem ser sempre levadas a sério durante o tratamento contra o câncer. Entre em contato com seu médico imediatamente se desenvolver febre ou outros sinais de infecção. Planejar as atividades diárias com períodos de descanso programados pode ajudar a prevenir a fadiga associada à anemia.

Ligando para o médico

Ligue para seu médico se:

Tiver sintomas de linfoma de Hodgkin
Estiver sendo tratado para linfoma de Hodgkin e sentir efeitos colaterais da radioterapia ou da quimioterapia, inclusive náuseas, perda de apetite, vômitos, diarreia, febre ou hemorragia.

Referências
Horning SJ. Hodgkin’s lymphoma. In: Abeloff MD, Armitage JO, Niederhuber JE, Kastan MB, McKena WG, eds. Clinical Oncology. 4th ed. Philadelphia, Pa: Elsevier Churchill Livingstone; 2008:chap 111.

Quando a pílula gera um desejo por abstinência

Pesquisas revelam que os anticoncepcionais podem diminuir a freqüência de pensamentos sexuais, tornar o excitamento mais difícil ou diminuir a lubrificação, tornando o sexo doloroso


Não é segredo que algumas mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais perdem o interesse pelo sexo. Elas vêm falando desse efeito colateral a seus médicos desde que os contraceptivos orais passaram a ser usados em larga escala, há 40 anos. "Pouco a pouco, meu namorado e eu começamos a observar que eu nunca estava com vontade de transar. Nunca", disse Cody, 27, de San Francisco, que pediu para não revelar seu último nome para manter sua privacidade.

Alguns estudos também indicaram que a pílula pode diminuir a freqüência de alguns pensamentos sexuais, tornar o excitamento mais difícil ou diminuir a lubrificação, tornando o sexo doloroso.

Ainda assim, a possibilidade de um elo entre os contraceptivos orais e o desejo sexual deve surpreender muitas mulheres. Poucos médicos falam disso quando recomendam o uso da pílula, e as bulas não mencionam o risco.

Os médicos dizem que a omissão não é necessariamente por descuido. Segundo eles, é difícil advertir sobre os efeitos sexuais colaterais porque as mulheres reagem diferentemente ao uso da pílula.

"Algumas mulheres sofrem uma diminuição do desejo sexual, enquanto outras observam um aumento", disse Paul Stumpf, endocrinologista reprodutivo do Centro Médico Newark Beth Israel.

Agora, um estudo novo e controverso sugere que a pílula anticoncepcional não só suprime o desejo, mas o faz por meses depois que a mulher pára de tomá-la, aumentando os níveis de determinada proteína. De acordo com Irwin Goldstein, co-autor do estudo e editor da revista Journal of Sexual Medicine, que publicou o estudo, os resultados talvez expliquem o que ele observa há muito.

"Quando (as mulheres) paravam de tomar (a pílula), esperávamos observar uma recuperação de sua função sexual. Mas não víamos isso", disse Goldstein, urologista em Boston.

Outros especialistas questionam a idéia de que uma única proteína poderia ter um papel tão central no desejo sexual das mulheres e continuam duvidando que a pílula possa ter um efeito duradouro. Eles dizem que mais pesquisa é necessária.

"Houve atenção limitada à área", disse David F. Archer, endocrinologista reprodutivo da Faculdade de Medicina da Virgínia Ocidental, em Norfolk.

Cerca de 11,6 milhões de mulheres nos EUA, 19% daquelas entre 15 a 44 anos, tomam pílulas anticoncepcionais, de acordo com uma pesquisa de 2002 do Centro Nacional de Estatísticas da Saúde. Em algum ponto em suas vidas, 82% das mulheres usaram a pílula.

Alguns especialistas em medicina sexual dizem que os médicos não deveriam receitar a droga sem informar às mulheres que pode diminuir seu interesse sexual.

"Acho que houve séria negligência por parte dos médicos e da indústria farmacêutica", disse John Bancroft, pesquisador do Instituto Kinsey, na Universidade Indiana, que mora perto de Oxford, Reino Unido. "Há muito tempo que batemos nessa tecla."

No entanto, alguns médicos que receitam os contraceptivos orais dizem que, se discutissem a disfunção sexual, poderiam influenciar as expectativas das pacientes, provocando o problema.

A pesquisa de Bancroft indica que ao menos uma em cada quatro usuárias de contraceptivos orais sofre efeitos colaterais sexuais. Archer estima que, com base no que ele chama de "literatura muito esparsa", 5% das mulheres param de usar a pílula por causa dos efeitos colaterais. Talvez uma percentagem maior observe a diminuição da libido mas continue tomando a pílula assim mesmo.

Algumas vezes, trocar de pílula pode ajudar, dizem os médicos.

Os efeitos na função sexual podem nascer da ação da pílula sobre a testosterona, que ajuda a despertar o desejo sexual da mulher. Contraceptivos orais impedem a produção de testosterona nos ovários e aumentam a produção no fígado de um tipo de globulina que se liga a maior parte da testosterona livre no sangue, deixando-a inativa.

Goldstein e seus colegas encontraram níveis elevados dessa proteína nas mulheres logo após pararem de tomar a pílula. Os pesquisadores estudaram 124 mulheres que tinham visitado a clínica de Goldstein reclamando de disfunção sexual.

Algumas estavam tomando a pílula, algumas tinham parado e outras nunca tinham usado. As que tomavam a pílula tinham níveis quatro vezes mais altos da globulina que se liga ao hormônio sexual do que as mulheres que nunca tinham tomado a droga. Os níveis caíram em 26 mulheres que tinham parado de tomar a pílula, mas por ao menos quatro meses os níveis continuaram quase o dobro do que o observado nas mulheres que nunca tinham usado contraceptivos. Bancroft encontrou dados contraditórios. Em um estudo que está em andamento, ele mediu o nível da globulina específica nas mulheres que tomaram a pílula no passado e viu que seus níveis eram normais.

Bancroft planeja medir a testosterona antes e depois das pacientes começarem a tomar a pílula. Em pesquisas anteriores, os níveis de testosterona no sangue não mostraram uma correlação direta com o interesse sexual. "Mulheres que dizem: 'Não tenho o menor interesse no sexo' podem ter um nível de testosterona normal", disse Archer.

Talvez, acrescentou, algo além da testosterona esteja em operação. As evidências sugerem, por exemplo, que a progesterona em pílulas anticoncepcionais pode alterar a libido. As emoções e circunstâncias pessoais também importam. A mulher pode perder o interesse no sexo porque está estressada ou porque não se sente atraída pelo parceiro.

Stumpf comparou os efeitos colaterais sexuais com o aumento do peso. Mulheres que tomam a pílula freqüentemente ganham alguns quilos com os anos. Por outro lado, muitas mulheres que não tomam contraceptivos também ganham peso com a idade.

Segundo ele, é o mesmo com a libido. "O interesse sexual tem dezenas de interruptores e conexões", acrescentou.

Depois dos 35 anos, 26% usam pílula

Médico diz que uso por muitos anos não compromete fertilidade

Pesquisa divulgada hoje pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) mostrou que 26% das mulheres entre 36 e 45 anos continuam usando pílula anticoncepcional.


Foram entrevistadas 500 mulheres das capitais Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. As cariocas e as gaúchas representam o grupo que usa os medicamentos a mais tempo. Entre as primeiras 47% afirmaram usar pílula há mais de 10 anos. Nas segundas, o índice sobe para 56%.

Para o presidente da Febrasgo, Nilson Roberto de Melo, este resultado mostra duas tendências do sexo feminino contemporâneo. A primeira é que as mulheres, de fato, estão deixando a maternidade para mais tarde, tanto que mesmo após os 35 anos continuam se protegendo. O outro é que o uso da pílula já está consolidado na vida delas e que a proposta agora é conseguir benefícios adicionais, como pele e cabelos menos oleosos, menos tensão pré menstrual e cólicas.

Os resultados foram apresentados nesta terça-feira, dia 13, e Melo explicou que o uso prolongado da pílula não tem nenhum efeito na fertilidade. “Pelo contrário. As mulheres usuárias de pílula têm menos endometriose (uma das doenças que mais afeta a fertilidade) e também menos risco de mioma”, afirmou o presidente da entidade e um dos coordenadores da pesquisa. As dificuldades de engravidar com mais de 35 anos ão relacionadas à idade avançada e não ao uso da pílula. Isso significa que uma pessoa com 25 anos começou a tomar pílula aos 15 não terá nenhum impacto nas chances de ser mãe por causa do uso contínuo do anticoncepcional.

A melhor pílula para obesas, hipertensas e fumantes

Algumas condições de saúde exigem contracepção diferenciada. Veja a orientação dos especialistas


As pílulas anticoncepcionais já estão incorporadas à rotina feminina, mas as mulheres que convivem com a obesidade, a hipertensão, o diabetes e o fumo precisam de cuidados diferenciados para escolher o contraceptivo que evita a gravidez.

É fato que a primeira orientação de qualquer médico para as pacientes que estão acima do peso, com a pressão arterial desregulada ou ainda têm o hábito do tabagismo é “pare de fumar, emagreça e controle a hipertensão”.

Mas os ginecologistas sabem que uma parte significativa delas não consegue abandonar estas condições de risco durante o processo de escolher e também da necessidade de tomar a pílula.

“Por isso, a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece critérios para a prescrição destes métodos de acordo com o perfil das mulheres”, afirma Nilson Melo, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Os hormônios existentes em alguns anticoncepcionais podem agravar as doenças pré-existentes na mulher, explica Melo, e provocar outras doenças ligadas à circulação como trombose, infarto e acidente vascular cerebral. Em outras circunstâncias, como em mulheres com excesso de gordura, as pílulas têm eficácia reduzida.

“Um erro grave e perigoso é que algumas escolhem o anticoncepcional sem o aval médico, vão às farmácias e compram uma pílula que pode não ser a mais conveniente e até perigosa para elas”, alerta o presidente da Febrasgo.

No caso das fumantes, completa a professora de ginecologia e reprodução da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Ione Barbosa, a cautela deve ser ainda maior.

“Em mulheres com menos de 35 anos que fazem uso de pílula anticoncepcional combinada (dois hormônios, estrogênio e progestágenos) o índice de infarto é de 8 casos em 100 mil mulheres”, diz a médica. “Nesta mesma faixa-etária, fazendo uso do mesmo tipo de pílula, mas também fumando, a taxa de casos sobre para 43 casos em 100 mil.”

Por estas interferências individuais, Ione avalia que a escolha do anticoncepcional é muito particular e precisa ser discutida entre o ginecologista e a paciente. Outra recomendação feita pela médica é: de tempos em tempos, o método contraceptivo escolhido precisa ser revisto. Isso porque, com o passar dos anos, a mulher pode ganhar peso ou desenvolver hipertensão e diabetes, o que exige a mudança dos contraceptivos.

A pedido do Delas, Ione Barbosa e Nilson Melo indicaram os melhores anticoncepcionais para as características de risco que, infelizmente, são crescentes na mulher moderna.

Mulheres com mais de 90 quilos ou com excesso de peso

A obesidade sozinha compromete a fertilidade e pode alterar os ciclos menstruais da mulher, além de desencadear os ovários policísticos. Se ela for só obesa e ponto final, não há impacto na escolha da pílula. “O problema é que, na maioria das vezes, o excesso de peso vem acompanhado por outros problemas, como a hipertensão”, avalia o ginecologista Nilson Melo.

Por isso, a orientação é usar pílulas sem estrogênio, só com progesterona, encontradas no mercado e com eficácia garantida. Outra opção é o Dispositivo Intrauterino (DIU), podendo ser usado ou o DIU com cobre ou DIU com progesterona. As injeções trimestrais também estão liberadas.

Segundo os médicos, os estudos são controversos sobre a eficácia da pílula anticoncepcional combinada (feita com estrogênio e progestágenos) quando usada por mulheres com mais de 90 quilos, independentemente da altura. Por isso, elas não são indicadas. Os adesivos também não.

Mulher com pressão acima de 12 por 8
A hipertensão acomete uma em cada cinco mulheres brasileiras, segundo os dados do Ministério da Saúde, e não precisa vir acompanhada da obesidade. De acordo com os critérios da Sociedade Brasileira de Cardiologia, já é considerada pressão alta as situações em que o aparelho mede mais do que 12 por 8. O uso de pílulas combinadas (dois hormônios) nesta condição não é indicado porque aumenta o risco de trombose e acidente vascular cerebral (AVC).

“Nesse caso, deve-se prescrever a pílula que contém somente o hormônio progestagênio (desogestrel), que ainda evita os efeitos colaterais provocados pelo estrogênio, como náuseas, dores de cabeça, e pode ser usada durante a amamentação”, afirma Nilson Melo. O DIU e as injeções hormonais, desde que prescritos pelos médicos, também estão indicados.

Mulher fumante
Apesar de todos os malefícios do tabagismo, este hábito ainda acompanha 23% das mulheres brasileiras em idade fértil (entre 10 e 49 anos). Os anticoncepcionais hormonais, ainda que em microdosagens, não são indicados porque ampliam o risco de AVC, infarto e outras complicações cardiovasculares. Enquanto não para de fumar, a mulher pode procurar outros métodos contraceptivos, como a camisinha, ou ainda as pílulas feitas só com progestagênio, que são menos maléficas nestas condições.

Mulher com diabetes
Existem dois tipos de diabetes, o 1 e 2. Nos dois casos, o uso das pílulas – tanto as combinadas quanto as de um hormônio só – está liberado desde que o diabetes esteja controlado e que a mulher não tenha nenhuma outra comorbidade, como obesidade e hipertensão. O problema é que, segundo levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 95% dos portadores desta doença metabólica têm dificuldade em controlar a doença.

De acordo com a professora de ginecologia Ione Barbosa, os endocrinologistas (médicos que em geral cuidam dos diabéticos) devem ficar atentos e, nestes casos, orientar as pacientes a suspender o uso de contraceptivos orais e optar por outros métodos, como a camisinha.

Pílula do dia seguinte para todas elas
A chamada pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência que deve ser usado em situações como camisinha rompida, sexo sem nenhum tipo de prevenção ou até esquecimento de alguma pílula de uso contínuo da cartela. O presidente da Febrasgo Nilson Melo afirma que todos os contraceptivos de emergência existentes no mercado brasileiro são feitos só com a progesterona e não com estrogênio. Portanto, afirma ele, não são contraindicados para fumantes, obesas e hipertensas.

Dilma espelha doenças das brasileiras

Assim como a presidenta, 60,4% delas têm sobrepeso, 56,4% sofrem de pressão alta e 14% estão com diabetes


Foto: AE

Uma consulta ao raio X da saúde do brasileiro, revela que quatro das doenças que acometem a presidenta Dilma Rousseff, segundo o revelado por reportagem da revista Época, são problemas crônicos típicos (e inimigos) da mulher moderna.

De acordo com o mapeamento, na faixa etária entre 55 e 64 anos (Dilma tem 63) 60,4% estão com sobrepeso, 56,4% sofrem de pressão alta e uma em cada sete está com diabetes.

“São problemas de saúde que têm o mecanismo de ação muito parecido e, por isso, quase sempre aparecem juntos”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti.

“Outra característica é que eles são silenciosos e não provocam dor. Quando dão sinais, já estão em fase avançada, colocando coração, cérebro e circulação no alvo.”

Estes problemas de saúde, em especial quando aparecem simultaneamente, são o ponto de partida de infartos e acidente vascular cerebral, ainda mais se dividirem espaço no organismo delas com o estresse e a ansiedade.

Dilma Rousseff tem fama de brava e estressada. Um levantamento feito pelo Hospital do Coração (HCOr), publicado no ano passado, aponta que 52% das executivas do Brasil também têm estas mesmas características que tanto ameaçam o bem-estar e o sistema de defesa do corpo.

Parceria com o câncer
Os problemas crônicos de saúde enfrentados atualmente por Dilma podem debilitar o organismo – caso não controlados – sendo porta de entrada de infecções, como a pneumonia, doença respiratória enfrentada pela presidenta no início de abril.

Atrelado a isso, em 2009, a então ministra do governo Lula (e já cotada para disputar a presidência da República) teve diagnosticado um câncer chamado linfoma, que também enfraquece o sistema imunológico.

Pelas projeções do Instituto Nacional do Câncer (INCA), anualmente, são registrados em média 1.270 novos casos de linfoma em mulheres brasileiras, concentrados na faixa etária entre 15 e 40 anos.

Os boletins médicos divulgados pelo Hospital Sírio Libanês, onde Dilma é acompanhada, afirmam que a presidenta está curada do câncer, mas o presidente da SBD, Saulo Cavalcanti, afirma que câncer e diabetes do tipo 2 também têm relação entre si.

“Diabetes é uma doença covarde. É associada a muitas coisas graves. A ciência ainda não explica os reais motivos, mas já foi constatada uma ligação inclusive entre este problema endócrino e o câncer”, diz Cavalcanti.

A obesidade e o sobrepeso, informa a nutricionista especializada em oncologia, Tatiana Oliveira, também são causa e consequência do câncer, necessitando de tratamentos e abordagens ao mesmo tempo.

“Já existem muitas evidências científicas que confirmam a obesidade como a causa do câncer (o controle do peso reduziria em 28% os casos). Mas também já há muitos estudos que mostram o a reincidência do câncer, de forma até mais agressiva, em pacientes que não emagrecem ou engordam após o câncer.”

Tireoide preguiçosa

Outro problema de saúde de Dilma, ainda de acordo com as informações da Revista Época, é a tireoide de Hashimoto, também chamada de tireoide preguiçosa, e que mais uma vez tem íntima relação com a alimentação.

Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pela Unidade de Tireoide do Hospital das Clínicas, publicada na Agência USP de Notícias, constatou em 19% das cerca de 400 pessoas avaliadas tinham tieroide de Hashimoto, um problema que afeta a produção de hormônios e também o sistema de defesa do corpo. Dos portadores, 52% tinham níveis de iodo (presente no sal de cozinha) em níveis alarmantes, em concentração muito maior do que o preconizado pelos médicos.

Uma dieta rica em sal é pobre em saúde, afirmam os médicos, e a substância em excesso aumenta o risco cardíaco.