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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cerca de 2,5 mil jovens contraem o HIV diariamente no mundo, revela Unicef

De acordo com relatório, 41% dos contágios são entre pessoas de 15 a 24 anos


Johanesburgo - Cerca de 2,5 mil jovens contraem o vírus do HIV diariamente no mundo todo, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apresentado nesta quarta-feira em Johannesburgo.
Segundo o documento, elaborado pelo Unicef em conjunto com outras agências das Nações Unidas e o Banco Mundial, 41% dos contágios são entre pessoas de 15 a 24 anos, o que situa este grupo como o de maior risco, com um número de entre 4,3 milhões e 5,9 milhões de casos no mundo.

Calcula-se que cerca de 60% dos jovens soropositivos sejam mulheres; um número que se eleva para 72% na África Subsaariana, a região mais afetada do mundo, segundo o relatório publicado pelo Unicef.

"Para muitas mulheres, a infecção é resultado de maus-tratos, exclusão e estupros", assegurou o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake, através de comunicado divulgado pela imprensa.

Segundo os dados da Agência das Nações Unidas para a Aids (Unaids), incluídos no documento, a África do Sul e a Nigéria são os dois países do mundo com um maior número de casos entre jovens de 15 a 25 anos, com um número estimado em meio milhão de pessoas infectadas.

A África do Sul lidera a lista de novos contágios no mundo todo, com cerca de 190 mil novos soropositivos em 2009, segundo dados da Unaids, que revela que a maioria deles não sabe que tem a doença.

"É vital realizar testes antecipados. Nós nos propusemos a realizar 15 milhões de testes até o final de junho, e 11,9 milhões de sul-africanos já sabem se estão infectados ou não", explicou nesta quarta-feira durante a apresentação do relatório a diretora do departamento de Saúde da África do Sul.

Elhadj As Sy, diretor do Unicef para o leste e o sul da África, reconheceu que a aids "demonstrou ser a peste de nossas sociedades" e acrescentou que o relatório "não é nada agradável", mas revela o panorama que o mundo enfrenta.

Alemanha defende em bloco gestão política da 'crise do pepino'

Ao todo, 17 pessoas já morreram em decorrência da infecção; origem da bactéria é desconhecida

Tobias Schwarz/Reuters
Ministra alemã Ilse Aigner defendeu alerta das autoridades de Hamburgo sobre os produtos espanhóis

Berlim - A Alemanha fechou nesta quarta-feira fileiras em defesa da gestão política da chamada "crise do pepino" com a Espanha, depois de retificar na terça-feira suas acusações sobre as hortaliças espanholas, enquanto as pesquisas médicas seguem sem encontrar a origem do surto de "E. coli" que já provocou 17 mortes.

A ministra de Agricultura e Defesa do Consumidor alemã, Ilse Aigner, justificou a atuação das autoridades de Hamburgo, a cidade que registra a maior parte dos casos e acusou primeiramente pelo surto à agricultura espanhola, argumentando que efetivamente os pepinos analisados continham bactérias de risco.

"Hamburgo havia encontrado um agente patogênico nos pepinos procedentes da Espanha e por isso alertou publicamente", afirmou a ministra em uma coletiva à imprensa antes de uma reunião da comissão de Agricultura e Defesa do Consumidor do Parlamento federal (Bundestag).

Aigner seguiu na mesma linha da argumentação esboçada na véspera pela titular de Saúde de Hamburgo, a senadora Cornelia Prüfer-Storcks, quem indicou que em dois dos pepinos espanhóis do mercado central da cidade-estado foram detectadas "E. coli", embora depois tenha ficado provado que não era a agressiva variante a responsável pelo surto, a "O104".

Prüfer-Storcks reiterou nesta quarta-feira a pertinência de sua polêmica atuação na semana passada, com o objetivo de garantir que "a advertência não foi precipitada" e era de sua responsabilidade informar à opinião pública e aos organismos competentes em nível federal e europeu o que estava acontecendo.

"Os pepinos tinham de ser retirados do mercado. Se nesses locais continuassem sendo comercializados pepinos com 'E. coli', o Estado espanhol tinha de ser avisado para atuar", afirmou.

Na continuação de sua entrevista, a ministra defendeu-se: "se eu fosse ministra de Agricultura na Espanha trataria de investigar como a 'E. coli' chegou aos pepinos espanhóis".

Aigner e Prüfer-Storcks ressaltaram que o alerta emitido pelo Instituto Robert Koch de Berlim contra o consumo dos pepinos, alfaces e tomates crus, independentemente de sua procedência, continua vigente e é plenamente justificada.

A ministra federal, no entanto, não quis falar sobre as perdas milionárias que representou esta medida tanto na Espanha quanto na Alemanha. Nesta quarta-feira, a Confederação de Agricultores alemã reconheceu perdas semanais "superiores a 30 milhões de euros". A indústria agrária local, incluindo os dedicados aos cultivos biológicos, está destruindo grande parte de sua produção diante da impossibilidade de colocar os produtos no mercado.

Neste sentido, o porta-voz do Ministério de Agricultura germânico, Holger Eichele, esclareceu que, no caso de o setor agrícola alemão e espanhol exigir compensações, terá de reivindicar a Hamburgo, não ao Governo federal, embora tenha declarado que não há "precedente" a respeito.

Aigner teve de defender sua gestão na crise, já que não compareceu publicamente por causa desse assunto até esta segunda-feira, quando os alarmes soaram em Hamburgo oito dias antes, e garantiu que nesta quarta-feira falará com o comissário de Saúde da União Europeia, John Dalli.

A ministra assinalou que desde 21 de maio manteve "reuniões informais" e inúmeros contatos por telefone com as autoridades de saúde e agrícolas das regiões afetadas.

Prüfer-Storcks e Aigner, além disso, deram por descontado que o número de infectados seguirá aumentando nos próximos dias porque ainda não foi encontrada a origem do surto.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde do estado federado da Baixa Saxônia informou sobre a morte de uma mulher de 84 anos em Hamburgo, o que eleva o número de mortos na Alemanha para 16, à qual é preciso somar outra vítima na Suécia. O número de infectados cresceu e está atualmente em 1,6 mil, quando a média anual é de 900.

"Voltamos a registrar um significativo aumento das infecções por 'E. coli' e casos da síndrome hemolítica-umérica (SUH)", indicou Prüfer-Storcks, em referência ao sintoma mais grave da agressiva "O104" e o desencadeante final da maioria das mortes pelo surto.

O Instituto de Higiene de Münster está verificando a eficácia de um teste de detecção rápida da "E. coli", enquanto o Instituto de Medicina de Hannover está realizando testes em pacientes com um tratamento com anticorpos, com resultados iniciais promissores.

Bilinguismo detém mal de Alzheimer, diz estudo

O bilinguismo praticado diariamente atrasa por vários anos o aparecimento dos sintomas do mal de Alzheimer em idosos, revelou um estudo publicado esta terça-feira por um grupo de cientistas canadenses. Este prazo pode se estender até cinco anos, um resultado que nenhum remédio existente permite atualmente, acrescentou a pesquisa realizada pelo instituto Rotman do centro de pesquisas geriátricas Baycrest de Toronto e publicada na revista Neurology.


Os autores examinaram os expedientes médicos de mais de 200 pacientes nos quais a doença foi diagnosticada e constataram que aqueles que falavam com frequência duas ou três línguas durante vários anos se beneficiaram de um prazo de até cinco anos até aparecerem os sintomas de perda das funções mentais.

"Não estamos dizendo que o bilinguismo pode prevenir o mal de Alheimer ou outras doenças cerebrais, mas pode contribuir para criar reservas cognitivas no cérebro que parecem atrasar o aparecimento de sintomas do Alzheimer por um bom tempo", declarou o doutor Craik, especialista em cognição, citado em um comunicado da Baycrest.


Estes sintomas são perda de memória, confusão mental, dificuldade para resolver problemas e prever acontecimentos. As descobertas se somam a outras pesquisas científicas segundo as quais fatores como exercícios físicos e uma alimentação saudável podem ajudar o cérebro perante um declínio de suas capacidades cognitivas.

Estudo mostra que cérebro diminui 10 anos antes do diagnóstico de Alzheimer

Algumas partes do cérebro afetadas pelo Mal de Alzheimer começariam a encolher até dez anos antes de esta degeneração cerebral incurável ser diagnosticada, segundo um estudo divulgado nos Estados Unidos.


Embora sejam resultados preliminares, os pesquisadores consideram que esta descoberta poderá permitir um dia, com a ajuda do IRM (Imagens por Ressonância Magnética), determinar quais são as pessoas que apresentam maior risco de desenvolver a doença, muitas vezes hereditária.

Para sua pesquisa, os médicos mediram com IRMs as áreas do cérebro geralmente afetadas pelo Mal de Alzheimer de 64 pessoas saudáveis, sem problema de memória ou outros sintomas de demência. Eles as acompanharam durante um período que vai de sete a onze anos.

Eles constataram que os indivíduos com menor espessura do córtex - camada cinza que contém os neurônios, essenciais às funções cognitivas, sensoriais e motoras - representavam um risco maior de sofrer do Mal de Alzheimer em comparação com aqueles com essas mesmas partes do cérebro mais espessas.

Além disso, no grupo de onze participantes que tinham essas áreas cerebrais mais modestas, 55% desenvolveram o Mal de Alzheimer.

Em troca, nenhum paciente no grupo de nove pessoas com os maiores tamanhos dessas mesmas partes do cérebro sofreu de Alzheimer, indicam os pesquisadores que apresentaram o seu estudo na revista Neurology, publicação da American Academy of Neurology.

Cientistas preveem tratamento eficaz para o Alzheimer em 5 anos

Dentro de uns cinco anos haverá um tratamento eficaz para o mal de Alzheimer, que devolveria as faculdades mentais às pessoas acometidas pela doença, que atinge um terço dos maiores de 85 anos no mundo, afirmaram cientistas.


"Penso que estamos quase prontos para fazê-lo (ter um tratamento eficaz), acho que em cinco ou seis anos" existirá, disse à AFP o cientista japonês Kiminobu Sugaya, que participou no Panamá de uma "Conferência Internacional sobre Novas Descobertas do Cérebro".

Os cientistas correm contra o tempo para encontrar um tratamento para esta doença neurológica que leva à perda progressiva da memória e da linguagem, e para a qual não há cura por enquanto.

Há estudos muito avançados que demonstram que aumentando o número de células no cérebro de um paciente é possível deter o Alzheimer, explicou Sugaya, professor de neurociência da Universidade Central da Flórida, nos Estados Unidos.

Para isto são necessárias células-tronco, tiradas da etapa pré-natal de uma pessoa, que teriam que ser transplantadas ao paciente caso ele padeça de Alzheimer.

"Se se aumenta o número de células (no cérebro do paciente) é possível deter a doença", explicou Sugaya, que estuda este mal há quatro décadas.

O objetivo é que as células-tronco se transformem em neurônios saudáveis, que substituam os neurônios doentes, algo que Sugaya disse ter testado com sucesso em ratos.

"O grande desafio na próxima etapa é ter remédios que detenham a doença e impeçam o acúmulo da toxina beta-amiloide no cérebro", disse à AFP Daniel Chain, presidente da empresa americana Intellect Neurosciences Inc., dedicada ao estudo do Alzheimer.

A beta-amiloide é uma proteína que se acumula no cérebro dos doentes de Alzheimer, criando uma espécie de emaranhado que dificulta a comunicação entre as células, explicou.

"Penso que dentro de cinco anos haverá remédios no mercado" para reverter o Alzheimer, disse Chain, explicando que eles não só deteriam o avanço da doença, como também poderiam restaurar os danos no cérebro do paciente.

"Nenhum dos fármacos que estão disponíveis hoje no mercado são eficazes contra a doença", acrescentou o especialista americano.

Os medicamentos "são administrados (ao paciente) para melhorar sua vida diária, mas não estão fazendo nada no cérebro para retardar o avanço do mal", reforçou a cientista panamenha Gabrielle Britton.

"O maior desafio agora é poder identificar um biomarcador (uma proteína ou um gene) que nos permita poder dizer, 'esta pessoa vai ter Alzheimer', para lidar com a doença desde cedo", acrescentou Britton, pesquisadora do Centro de Neurociências do Panamá.

Os especialistas asseguram que o Alzheimer têm um componente genético em 10% dos casos.

Segundo afirmou Britton, metade dos maiores de 85 anos no mundo sofrem de algum tipo de demência e a mais comum entre elas é o mal de Alzheimer.

A doença deve seu nome ao psiquiatra e neurologista alemão Alois Alzheimer (1984-1915), que no começo do século XX identificou seus sintomas e a degeneração que causa no cérebro.