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sábado, 4 de junho de 2011

Saúde em TI aumenta receita de hospitais

Segundo relatório da Fitch Ratings, Hospitais com avançado sistema de tecnologia de informação de saúde e elevada qualidade dos cuidados, alcançam um crescimento maior da receita, atendem mais pacientes, desfrutam de uma reputação superior e são mais capazes de conter os custos.


Seguindo o pedido da administração de Obama, os hospitais aceleraram a adoção de registros de saúde eletrônicos, tecnologia de prescrição eletrônica e outros serviços de TI de saúde, descobriram que o programa de incentivo terá um impacto positivo na melhoria da qualidade da assistência, enquanto contém os custos dos cuidados.

O relatório especial de saúde, Enhanced Accountability and Financial Performance (Maior Responsabilidade e Desempenho Financeiro), notou que as reformas de saúde, aceleraram a adoção de relatórios de qualidade e investimentos em TI de saúde. É importante analisar o impacto de ambos nas operações dos hospitais.

Para avaliar, o Fitch Ratings selecionou 291 hospitais em seu portfólio e os dividiu em grupos: 75 hospitais (25,8%) foram considerados ótimos em qualidade de saúde; 24 hospitais (8,2%) foram designados como tendo uma avançada infraestrutura (um hospital HIMSS no estágio 6 ou 7); e 12 hospitais foram listados como excelência em tecnologia e qualidade (os hospitais de TI&Q). Os grupos dos hospitais foram comparados com as médias de todos os hospitais do portfólio da Fitch.

Ao rever as demonstrações financeiras e outros dados relevantas entre 2005 e 2009, a Fitch afirmou que seu objetivo era determinar se os investimentos em TI avançada e a mudança para medidas melhoradas de qualidade clínica tiveram um impacto possível de avaliar no desempenho do funcionamento dos hospitais.

Segundo o relatório: “Com base nas análises da Fitch, parece que o avançado sistema de operação tem a maior contribuição no controle dos custos. O diferencial das taxas de crescimento anuais entre as receitas e despesas foram maiores entre os hospitais com Tecnologia TI&Q, cuja receita ultrapassa as despesas em 1,3% ao ano. O poder da combinação da melhoria da qualidade e sistemas de informação é aparente em hospitais TI&Q, onde o crescimento da receita anual ultrapassou o crescimento das despesas de 1,8%, comparado com 1,3% nos hospitais com tecnologia e de 0,2% para 0,3% nos hospitais da lista de controle”.

De acordo com o relatório, os benefícios de qualidade e TI tornam-se cada vez mais evidentes na análise tanto das taxas de crescimento, níveis absolutos de rentabilidade operacional e fluxo de caixa, usando lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) como representação.

A investigação também encontrou uma correlação entre o tamanho da receita e dinheiro disponível de um hospital e investimentos e realizações na infraestrutura tanto em qualidade quanto em TI. Entre os resultados:

- O rendimento médio total dos hospitais de alta qualidade foi 30% maior do que a dos hospitais da lista em 2009, enquanto a receita total para os hospitais de tecnologia foi 46% maior do que a lista de controle de hospitais. Os 12 hospitais que foram listados sendo tanto de tecnologia e qualidade (os hospitais TI&Q) tiveram uma média total 76% maior do que os hospitais da lista de controle.

- A média de dinheiro disponível e investimentos também foram aproximadamente 30% maiores em hospitais de qualidade e tecnologia dos que os listados. Para os hospitais TI&Q, esse número aumento em 59% em relação a mesma lista.

- Entre 2005 e 2009 as admissões nos hospitais da lista de controle caíram numa média de 1,4% ao ano. Em comparação, nos hospitais de qualidade e tecnologia as admissões cresceram uma média de 0,5% e 4,7% ao ano, respectivamente. Nos hospitais TI&Q, o aumento foi de 4,4% ao ano.

- Os hospitais da lista de controle tiveram a menor média de crescimento entre 2005 e 2009, com uma média de 7,5% ao ano. A taxa de aumento de pacientes nos hospitais de qualidade aumentaram um pouco mais, 8,5% ao ano; já os hospitais de tecnologia e TI&Q viram um aumento de 13,2% e 12,7% por ano, respectivamente.

- O tempo médio de permanência nos hospitais da lista de controle teve uma média de aumento 0,1% ao ano, enquanto os hospitais de qualidade e tecnologia viram uma queda de 0,4% e 1,0% respectivamente. Os hospitais IT&Q tiveram a maior taxa de queda, com 1,8%.

Ao avaliar as conclusões, o relatório observou que os investimentos em sistemas de TI e programas de melhoria da qualidade “parecem ter um impacto mensurável sobre o custo”.

Gestão adequada possibilita crescimento de 48% de hospital

Mais do que organizar e estabelecer padrões à rotina do hospital, as ferramentas de gestão também contribuem para a melhoria da qualidade e sustentabilidade econômico-financeira da instituição. Segundo o superintendente administrativo do Hospital Moinhos de Vento, Fernando Andreatta, de Porto Alegre, a adesão de um plano de gestão adequado possibilitou que o hospital aumentasse sua receita em 48% no período de 2006 a 2010.

Andreatto participou do XVI Congresso Brasileiro de Gestão Financeira e Custos Hospitalares, da Adh 2011.


Ele conta que no ano de 2006 o hospital possuia uma receita de R$175 milhões, muitas dívidas e atendimento que precisava de mudanças. Com um novo modelo de gestão a organização conseguiu alcançar a receita de R$259 milhões, um corpo de colabores engajados e atendimento de qualdiade.

Para melhorar sua realidade, o Moinhos de Vento adotou o sistema de Co-Criação. “Esse método consiste em incluir as partes interessadas para construir os seus objetivos”. Para ele, as empresas co-criativas possuem menor possibilidade de errar, pois constroem seu modelo baseado na vontade de todos aqueles que possuem relação com o negócio.

Segundo Andreatta, diante desse novo modelo de gestão, a organização se viu diante de um desafio. “Tivemos que transformar diversos setores que eram separados em uma única equipe. Falando em termos teóricos parece fácil, mas integram diferentes departamentos é uma tarefa delicada”.

Além de integrar e capacitar as diferentes áreas do hospital para que estabelecessem uma relação próxima, o superintendente administrativo conta que como parte do novo método de gestão, também foi necessário ouvir o que cada esfera esperava do hospital. Ele ressalta que conversaram com pacientes, membros da instituição, empresas e operadoras.

Com o armazenamento de dados, o hospital teve a chance de analisar os objetivos e elaborar um plano de estratégia que visava construir um novo modelo de gestão, juntamente com o cumprimento dos objetivos propostos.

Além de descobrir o que precisava ser melhorado, o estabelecimento se viu diante de um novo desafio, o de colocar em prática as metas atribuídas. Para poder implantar os novos métodos com sucesso, a equipe foi ao mercado procurar por uma ferramenta de gestão que possibilitasse o armazenamento de informações e padronização de processos.

A aquisição de ferramentas de gestão que supriam as necessidades elaboradas pelo hospital, juntamente com o trabalho de integração entre os setores, capacitação de profissionais, participação das diversas partes e disciplina para colocar as estratégias em prática possibilitou que paulatinamente o histórico de 2006 fosse mudado.

“Há mais de dois anos discutimos periodicamente os objetivos traçados e as conquistas obtidas com a participação setorial. Discutimos custos não apenas com o departamento financeiro e sim com o corpo médico, elaboramos melhorias no departamento de recursos humanos com a participação do financeiro e outros departamentos”.

Parceria com a concorrência

O hospital Moinho de Ventos desenvolveu ao longo dos anos um modelo de parceria com os estabelecimentos concorrentes. “Atualmente compramos materiais com preços mais baratos do que dois anos atrás, pois nos integramos com os nossos principais concorrentes.”

Ele completa ao dizer que isso possibilitou que fosse alcançado poder de negociação com as empresas.

Fidelização dos colaboradores

Mais do que investir em melhorias, o superintendente afirma que é necessário investir na fidelização dos colaboradores. “Pessoas entregam resultados, mas resultados não entregam pessoas”. Diante dessa realidade, Andreatta ressalta que a principal motivação para que algo seja melhorado é a importância que as pessoas atribuem ao tema.

Anvisa suspende produtos e propagandas irregulares

A Anvisa publicou, nesta quinta-feira (02), no Diário Oficial da União, a suspensão, em todo o país, de alguns produtos que apresentaram irregularidades.

O produto Sache de Álcool Con- Zellin- Hartmann, importado pela empresa Baxter Hospitalar e Ltda, não pode ser comercializado no país. A própria fabricante comunicou desvio de qualidade do produto, que apresentou suspeita de contaminação microbiológica.

Foram suspensas, em qualquer tipo de mídia, todas as propagandas que atribuem propriedades não existentes ao alimento NQI (suplemento mineral à base de fósforo), fabricado pela empresa Gauer do Brasil Indústria e Comercio Suplementos Alimentares Ltda.

Entre as indicações proibidas, estão as que relacionam o alimento como agente antioxidante e solubilizante, para tratamento, prevenção e cura de cálculos renais e osteoporose. Também está proibida a divulgação de supostos benefícios do fosfato presente no alimento, como agilidade de raciocínio, fortificação de memória e aumento da disposição física e mental. Não há comprovação científica dessas atribuições perante a Anvisa.

Também foi publicada, na quarta-feira (01), a suspensão das propagandas do produto Redufast, em todos os veículos de massa. O produto não tem registro na Agência.

A suspensão é definitiva e tem validade imediata após divulgação da medida no Diário Oficial. As pessoas que já tiverem adquirido algum produto dos lotes suspensos devem interromper o uso.

“Médicos fazem uso excessivo de OPME sem necessidade”

A criação de tecnologias e recursos direcionados à saúde faz com que os tratamentos tornem-se cada vez mais caros. Um dos ramos onde essa situação é evidenciada é o setor de órteses, próteses e medicamento especiais (OPME). Segundo a diretora de saúde da empresa Evidência, Patrícia Medina, existem muitos procedimentos em que o uso das OPME não é necessário.


“Muitas aquisições de OPME podem ser evitadas se o médico ampliar os seus conhecimentos. Não se pode apenas usar os livros como referência, é importante fazer uso de medicina baseada em evidências”.

Em sua explanação feita no XI Congresso Brasileiro de Auditoria em Saúde, da Adh 2011, realizada na última sesta-feira (27), Patrícia conta que a medicina baseada em evidências vai além dos artigos científicos e leva em consideração experiências médicas, resultados obtidos e interação com o paciente.

Ela usa como pano de fundo para sua explicação a questão dos custos elevados de OPME à cirurgia de varicocele.

“É comum os cirurgiões tratarem a varicocele com procedimento cirúrgico invasivo onde é implantada uma mola na região afetada para que assim aumente o número de espermatozóides produzidos pelo individuo. Esse procedimento custa em média R$ 14 mil”.

Patricia que também é cirurgiã proctologista afirma, no entanto, que não existe nenhum estudo cientifico que comprove que a cirurgia realmente aumenta a quantidade de espermatozóides. “Antes de realizar um procedimento cirúrgico que fará uso de OPME é preciso saber se o método realmente será eficaz para o paciente”.

Aplicação

Ela ressalta que a pesquisa de estudos que utilizam medicina baseada em evidências deve ser feita de forma responsável.

“Não se pode usar qualquer estudo como referência. É preciso primeiramente conhecer o caso do paciente para assim procurar uma literatura que possua boa qualidade sobre o tema”.

Falta de opção

Outro problema existente na aquisição de OPME é que muitos profissionais estão acostumados a trabalhar com apenas um tipo de material e não permitem a utilização de outro tipo de recurso.

Para ela, esse tipo de resistência precisa ser sanado, pois pode prejudicar o tratamento do paciente. “O especialista precisa oferecer opções de materiais a serem utilizados no tratamento, não se pode pagar tudo a qualquer preço”.

Além disso, existem casos em que o tratamento está adequado, mas não está no contrato de cobertura do plano de saúde.

Diante desse fato, Patricia ressalta a importância de também manter um dialogo com a rede credenciada.

Operadoras de telecom veem oportunidades em telemedicina

As operadoras de telecomunicação que já foram hesitantes em entrar no mercado de telemedicina devido ao baixo reembolso por serviços prestados estão deixando suas dúvidas de lado e desenvolvendo uma abordagem mais agressiva e confiante para a telemedicina, concluiu um relatório do IDC.

Publicado em maio, o relatório da IDC Health Insights intitulado: “Business Strategy: Monetizing Telemedicine–Telecommunications Provider Opportunities; é o segundo em uma série de quatro, que examina o mercado para serviços de telemedicina e telehealth.

O relatório descreveu 2010 como um “ponto de inflexão” na estratégia de mercado das operadoras e notou que muitas empresas tomaram a iniciativa e anunciaram novas ações de saúde dedicadas a fornecer serviço de telehealth.

Por exemplo, no ano passado a AT&T lançou o AT&T ForHealth , uma coleção de serviços dedicados a acelerar a entrega de sistemas sem fio, rede e sistemas com base na nuvem, especificamente para o setor de saúde.

A Verizon revelou seu Verizon Health Information Exchange , um serviço com base na nuvem que consolida os dados dos pacientes clínicos e torna disponível por meio da internet. No ano passado a Sprint também fez parceria com o desenvolvedor de software médico móvel AirStrip Technologies para transmitir dados médicos por meio de rede sem fio.

Segundo Irene Berlinsky, analista de pesquisa sênior da IDC, a transição do sistema de papel para o registro médico digitalizado e o aumento potencial do mercado que seria elegível para algum tipo de conexão com programas de saúde que as operadoras não podem ignorar.

De acordo com o IDC, o mercado para as operadoras em telehealth nos Estados Unidos irá crescer para 60,3 milhões de domicílios em 2015.

O relatório identificou outras mudanças na saúde trazidas pela reforma, que também cria oportunidades de receita em telemedicina. Por exemplo: Accountable Care Organizations (ACOs) e casas de repouso vão reembolsar médicos e hospitais para melhor gerenciamento de seus pacientes com condições crônicas, coordenação de cuidados, e redução preventiva de readmissões.

Da mesma forma, em outubro de 2012, os médicos serão penalizados se pacientes forem readmitidos em 30 dias com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca ou pneumonia.

Baseados nessas tendências, o relatório descobriu que: “os provedores serão incentivados a não apenas recomendar o uso de dispositivos de monitoramento pessoal de saúde para pacientes, tecnologias de salvação no local e aplicativos móveis de saúde para promover a saúde e o bem-estar, mas também fornecer esses dispositivos, juntamente com serviços para ajudar os consumidores a usá-los de forma mais eficaz”.

A IDC ofereceu várias recomendações para as operadoras de telecomunicações, orientado-as a:

- Alavancar serviços centrais de rede, mas desenvolver sistemas específicos de saúde. Os prestadores de serviço devem usar suas telecomunicações, gerenciamento de rede e plataforma de serviços de hospedagem como a fundação para desenvolver programa que visem especificamente a saúde.

- Trabalhar com os clientes pare implementar o uso do sistema significativo. Como os provedores de saúde vão implementar o EHRs que usa o requisito significativo, que é um pré-requisito para se qualificar para os pagamentos de incentivo, os provedores de telecomunicação devem atingir os clientes de forma a ajudá-los a cumprir os critérios de uso significativo e aproveitar a ocasião para se tornar um parceiro de confiança para futuras soluções ligadas à saúde.

- Selecione parceiros complementares – uma garantia para o futuro – e tecnologia interoperável. As empresas de telecomunicação devem escolher a tecnologia do fornecedor que seja interoperável, de fácil atualização e tenha vida útil longa. A digitalização de prontuários forçará a integração de diferentes tecnologias, dispositivos, e conjuntos de dados.

- Ter como alvo empregadores autossegurados. As evidências sugerem que os empregadores autossegurados serão mais rápidos em perceber a importância da telemedicina e telehealth para manter trabalhadores saudáveis e produtivos, reduzindo com isso o custo do seguro para ele.

- Envolver as pessoas que cuidam de seus entes queridos, pois eles têm um grande interesse nos sistemas de saúde conectados para facilitar sua tarefa. (por exemplo: caixas de pílulas inteligente, que relata quando a medicação é tomada.)