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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hospital Universitário vai abrir 100 vagas para o SUS

Construção do Hospital Universitário abrirá 150 novos leitos, sendo 100 deles destinados ao Sistema Único de Saúde. O complexo hospitalar, que prevê atendimentos de média e alguns de alta complexidade, está sendo erguido em área de 15 mil m², em frente do aeroporto de Uberaba, e tem previsão de ficar pronto no fim de 2012.

O hospital diz ainda que vai continuar atendendo ao SUS, mas haverá área civil para dar suporte a atendimentos com outros serviços. A definição de quais procedimentos serão realizados está sendo negociada com a Secretaria Municipal de Saúde.

Serão 100 leitos para o SUS e 50 Civil, sendo sete vagas para UTI Neonatal e quatro adulto, além de serviço de hemodiálise.

O atual Hospital Universitário, mantido com 60% de verbas do Estado e 40% da mantenedora Universidade de Uberaba, possui hoje cinco leitos de UTI, 13 leitos cirúrgicos e 25 para clínica médica, sendo 45 no total.

Além disso, o HU trabalha com atendimento ambulatorial com três mil consultas em 32 especialidades, o que gera demanda de internação para cirurgias no hospital, ou por procura espontânea ou encaminhamento da rede.

O Hospital realiza internações de cirurgias eletivas, necessidades de pacientes que dão entrada pelo ambulatório, e dos encaminhados via SUS Fácil, sistema que regula Uberaba e os municípios vizinhos.

De acordo com a organização, identificada a necessidade de internação, o Hospital recebe uma notificação, que já passou pela triagem inicial, e avaliamos se temos suporte para atender o paciente e se temos leitos. O hospital oferece especialistas em ginecologia, pneumologia, cirurgia vascular e geral, urologia e ortopedia, entre outros. Quando não há suporte por ser atendimento de alta complexidade, o paciente é transferido para o Hospital de Clínicas da UFTM.

Carência

Para a instituiçao, nos últimos 10 anos Uberaba perdeu leitos do SUS porque hospitais fecharam ou passaram a atender particulares, o que gerou a falta de vagas verificada atualmente em Uberaba.

“Sistema de educação deve ter maior vínculo com o de Saúde”

Devido a seus mais de 25 anos de experiência em sistemas de saúde, o pediatra brasileiro Mário Dal Poz foi convidado para assumir a vaga de Coordenador de Recursos Humanos da Organização Mundial de Saúde, em Genebra. Mestre em Medicina Social, com foco em modelos de desenvolvimento de saúde no contexto de urbanização no Brasil, e PhD em Saúde Pública, com a elaboração de novas metodologias para análise política de recursos humanos para desenvolvimento da saúde, Dal Poz fará a conferência O Papel da Liderança na Promoção da Acreditação para Melhorar a Qualidade do Cuidado ao Paciente, no Congresso Internacional de Acreditação.


Com mais de 60 artigos publicados em peer-review e periódicos especializados, seis livros e contribuição em mais de dez capítulos de livros na área de recursos humanos para saúde, o médico falou ao Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) sobre as carências em Recursos Humanos em Saúde.

CBA - Estudo da OMS já detectou que há carência de profissionais de saúde no mundo. Como reverter esse problema?

Mario Dal Poz – O Relatório Mundial da Saúde produzido pela OMS, em 2006, registrou que 57 países tinham uma escassez crítica de pessoal de saúde, com maior concentração nos países de África. Hoje, com base no sistema de vigilância global da força de trabalho em saúde montado pela OMS, pode-se dizer que esses países estão apresentando progresso, embora a um ritmo muito lento e variado. Os dados do Atlas Global da Força de Trabalho em Saúde mostram que os números estão melhorando.

Alguns países, como Butão, RCA, Serra Leoa estão muito lentos nesse progresso enquanto outros, como Indonésia, Índia, El Salvador, estão fazendo um progresso constante, o que pode ser visto também no progresso nos indicadores que integram as metas do milênio. Esta é a conclusão positiva. No entanto, maiores esforços em investimentos nacionais, regionais e globais são necessários para superar essa crise. Então é provável que veremos alguns países sair da crise e em seguida, a grande questão será como mantê-los fora da crise.

A grande dificuldade ainda é o baixo nível do investimento na área de recursos humanos em saúde, seja na expansão ou melhoria das instituições de ensino, como as escolas médicas e de enfermagem, seja na expansão ou melhoria das condições de trabalho para o conjunto dos trabalhadores de saúde, especialmente naqueles países que apresentam os piores indicadores de cobertura por serviços de saúde.

CBA – Qual o novo papel do médico frente às novas necessidades da saúde?

M.D.P. – Num sistema de saúde, onde o objetivo principal deve ser a melhoria da saúde da população, os médicos devem desempenhar o importante papel de mediador da aplicação do conhecimento para melhorar a saúde.

Como muitos autores sugerem, se a cobertura e a densidade de profissionais de saúde têm um efeito direto sobre a saúde das populações, os médicos, como prestadores de serviços, podem ter o papel de interconectar pessoas, tecnologia, informações e conhecimento. Eles também têm responsabilidade, como comunicadores e educadores, gestores e decisores políticos.

CBA – Qual a importância da acreditação na formação dos profissionais da saúde e também para a melhoria da qualidade e da efetividade na prestação de serviços de saúde?

M.D.P. – A formação médica está fazendo ou precisa fazer uma transição de um foco no ensino para um foco na aprendizagem. Ao fazer isso, estudantes e instituições podem ser consideradas responsáveis por aumentar os seus resultados.

Para os alunos, isso significa que demonstrem competências específicas, a fim de graduação das escolas médicas e programas de residência médica. Para as instituições, isso significa identificar maneiras de demonstrar que seus produtos (a presença de estudantes) têm essas competências.

Processos de acreditação podem ajudar que as escolas, e não apenas os estudantes, sejam responsabilizados pelos seus resultados. Resultados escolares de melhor nível podem contribuir para reformar os sistemas educacionais, fornecendo evidências para a eficácia dos investimentos educacionais e demonstrar que a graduação de uma escola ciências da saúde certificada ou acreditada é uma garantia de qualidade da força de trabalho em saúde.

CBA – Alguns estudos mostram que muitos programas de formação e educação profissional em saúde são bastante limitados na sua concepção e mesmo desatualizados. Que comentários pode fazer a respeito?


MD.P. – Passados cem anos das reformas de base científica na educação médica provocadas pelo Relatório Flexner e algumas décadas depois dos avanços com base no programa aprendizagem baseado em problemas (PBL, em inglês), o maior desafio, segundo análise de vários pesquisadores, é a dissociação entre as habilidades e competências dos médicos com as habilidades requeridas (necessárias) pelos usuários de serviços de saúde.

Esse descompasso gera distorções no mercado de trabalho em saúde que aflige todos os países. A solução proposta é vincular o sistema de educação mais estreitamente com o sistema de saúde através de uma estreita coordenação e colaboração entre as áreas de saúde e educação, bem como trazer o envolvimento dos diferentes atores interessados, como os grupos profissionais articulados nos conselhos e associações.

No campo específico da educação, parece importante desenvolver de forma sistemática a formação e o trabalho em equipe, atualmente essencial para a eficácia do sistema de saúde.

Na área de recursos humanos em saúde não há soluções mágicas, rápidas ou que possam ser generalizadas para qualquer contexto. A OMS procura contribuir através do desenvolvimento e avaliação de boas práticas, em parceria com outras agências e instituições de cooperação regionais e nacionais. Nesse conjunto de intervenções se destacam os esforços para a melhoria da base de dados sobre informação do pessoal de saúde (força de trabalho em saúde) nos níveis nacional, regional e internacional: Os países com crise severa nos recursos humanos em saúde têm grandes desafios para tomar decisões de política de saúde, dada a fragmentação de seus dados e fontes sobre os recursos humanos. Assim, um papel importante da OMS no campo dos recursos humanos em saúde é o de facilitar a transferência de conhecimentos, de melhorar a capacidade técnica para a estruturação de sistemas de saúde.

GE e ImaginAb firmam parceria para diagnóstico baseado em anticorpos

A GE Healthcare e a ImaginAb anunciaram acordo de pesquisa para desenvolvimento de novos PETs (Positron Emission Tomography), agentes de diagnóstico por imagem com base em fragmentos de anticorpos.

De acordo com o CEO da ImaginAb, Christian Behrenbruch, a parceria contribui para a evolução do entendimento do câncer e de doenças cardiovasculares.

Para o chefe de pesquisa da GE Healthcare, Mendizabal Marivi, a tecnologia permitirá o desenvolvimento de novo alvo de diagnóstico molecular – não apenas para o seu portfólio clínico, mas para as parcerias estratégicas no campo farmacêutico.

Remédio para doenças reumáticas pode ser eficaz contra diabetes tipo 2

Base para descoberta foi efeito da aspirina contra a resistência à insulina.

Um remédio utilizado para o tratamento de doenças reumáticas pode ter efeito benéfico na diminuição da resistência do corpo à insulina, sintoma que pode desencadear diabates tipo 2. O remédio não apresentou efeitos colaterais notavéis durante, pelo menos, um ano.

Conhecido como diacereína, o fármaco é utilizado normalmente no tratamento de doenças reumáticas, porém Natália Tobar, pós-graduanda na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), conseguiu empregá-lo em ratos para reduzir a resistência do organismo das cobaias à insulina. A substância é responsável por transferir a glicose para dentro das células.

Inflamação
A droga, de origem vegetal, tem efeito anti-inflamatório. Dietas ricas em gorduras saturadas como carne de porco e leite acarretam inflamações subclínicas, mecanismos que pioram a absorção de insulina e aceleram a aterosclerose, doença caracterizada por placas chamadas ateromas nos vasos sanguíneos.

"Com a inflamação, o organismo tenta acompanhar a demanda maior por insulina, mas uma hora o pâncreas não aguenta", explica Mário José Abdalla Saad, orientador da tese de mestrado da médica e livre-docente em clínica médica na Unicamp.

Solução
Disponível desde a década de 1990 no Brasil, a diacereína poderia ser uma opção barata e eficaz para uma pandemia que afeta, pelo menos, 5% da população mundial. "No Brasil, o medicamento não pode ser caro pois irá beneficiar apenas a parcela pequena da população", afirma o médico. " A ideia é desenvolver uma pesquisa com efeito científico e social."

Caso um medicamento seja desenvolvido a partir dos estudos clínicos, seria um complemento ao uso de metformina, principal droga de combate ao diabetes tipo 2. "Doenças crônicas complexas como hipertensão e diabetes precisam de uma associação de substâncias para serem enfrentadas", diz Mário Saad.

Do laboratório às prateleiras
Muito antes de chegar às farmácias, a equipe de Mário Saad e Natália Tobar precisa passar por mais etapas.

"É uma pesquisa experimental, testada em animais, uma tese de mestrado que será defendida em setembro, o estudo ainda não está publicado", diz o especialista em clínica médica. "Queremos pacientes obesos e diabéticos com esse remédio na Unicamp e já levamos o estudo para aprovação de um comitê de ética da universidade."

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Inflamação no cérebro pode acarretar obesidade e diabetes tipo 2

Especialista da Unicamp estuda relação entre hipotálamo e insulina.
Gorduras saturadas prejudicam o equilíbrio para evitar as doenças.

Uma relação pouco cogitada há 15 anos ganha cada vez mais força no estudo das causas da obesidade: a inflamação do hipotálamo - uma estrutura com 1,5 cm³ que compõe o cérebro e é responsável pela regulação da fome e do gasto de energia - pode ser causada pela ingestão de gorduras saturadas e não somente pelo hábito de comer muito.

órgão, apontada como uma das principais causas para a obesidade, também pode levar à alteração da função do pâncreas, local responsável pela produção de insulina. A substância transporta a glicose presente no sangue para dentro das células, permitindo a produção de energia, vital para o corpo sobreviver.

O pesquisador Lício Velloso, do departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estuda há dez anos a ligação entre a comida ingerida pelas pessoas com o ganho de peso e testou ratos em laboratórios para notar qual o efeito da mudança no hipotálamo para a regulação do peso.

As descobertas vão desde a identificação do órgão como responsável direto pelo ganho de peso até a ligação da inflamação com a falência das células pancreáticas em garantir ao corpo a insulina. O final da história é o aparecimento de diabetes tipo 2.

Apoptose
Inflamações no corpo são sempre indícios da possibilidade de apoptose, uma espécie de morte programada das células no corpo, segundo Lício. Durante o trabalho com camundongos swiss, com maior tendência a engordar, e wistar, menos propensos à doença, o pesquisador e sua equipe notaram que ocorre maior taxa de morte celular de neurônios inibidores no primeiro grupo. “A diferença foi de 6% a 7% entre os dois tipos de roedores”, afirma Velloso.

O efeito vem da inflamação do hipotálamo, causada pela presença de longas cadeias de ácidos graxos saturados, com mais de 14 átomos de carbono. O sistema imunológico do cérebro é ativado na presença dessas substâncias por serem parecidas com as encontradas em bactérias.

“O organismo é levado a pensar que há uma ameaça e então uma inflamação do órgão acontece”, explica o especialista. “Com a produção de citocinas para defesa do corpo, a função de um neurotransmissor do hipotálamo é afetada.”

Neurotransmissor
Velloso faz referência ao alfa-MSH, estrutura responsável por mandar sinais para inibir a fome e acelerar as atividades de gasto de energia. Localizado na região do núcleo arqueado do hipotálamo, o neurotransmissor responde à presença de insulina e leptina, ordenando o organismo a cessar a vontade de comer.

Mas a presença de processos inflamatórios faz com que o alfa-MSH desenvolva resistência às substâncias que alertam sobre as condições de reserva de energia disponíveis no organismo. “Com citocinas como a tumor necrosis factor (TNF), a vida dos neurônios é atrapalhada”, afirma Velloso.

Diabetes 2
A falência das células-beta das ilhotas de Langerhans, localizadas no pâncreas, levam ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, junto com a resistência do corpo à insulina. A causa para a exaustão das estruturas responsáveis pela secreção de substância também está ligada à inflamação do hipotálamo.

“É a união de dois problemas: o hipotálamo não controla mais a fome e a pessoa fica obesa e, por outro lado, ainda atrapalha a função do pâncreas para secreção da insulina”, explica o pesquisador da Unicamp.

Sem a secreção, a glicose presente no sangue não consegue entrar nas células para produção de energia na forma de ATP.

Soluções
Enquanto remédios para diminuir ou eliminar a condição adversa no hipotálamo não surgem, Velloso acredita que a solução possa estar na mudança de práticas por parte dos fabricantes de comida. “Políticas de nutrição do governo precisam estimular a indústria alimentícia a substituir, nos alimentos industrializados, gorduras saturadas por insaturadas”, diz o especialista. “É o caso da troca do que faz mal ao corpo por ômega 3 e 9, por exemplo.”

Segundo Velloso, mesmo uma mulher com 1,70 metro e 65 quilos, ao ganhar 4 quilos, pode quase dobrar as chances de desenvolver diabetes tipo 2. O padrão também serve para os homens, ainda que de forma mais discreta.

“Há apenas 20 anos a OMS passou a encarar a obesidade como doença. Os passos são lentos, mas agora, pelo menos, nós sabemos que a causa está no hipotálamo”, diz Velloso. “A prática clínica ensina que recomendar dietas a obesos, pura e simplesmente, não adianta. É preciso mudar o padrão dos nossos alimentos.”