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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Exame permite avaliar sucesso de tratamento contra infecção

Um exame simples, barato e já usado para outros fins médicos avalia com maior rapidez se o tratamento de uma infecção em pacientes graves será eficiente, antes mesmo de o organismo dar os primeiros sinais de melhora.

Trata-se da medição, no sangue, dos níveis da proteína C-reativa, produzida pelo fígado. Em taxas elevadas, ela indica processos inflamatórios ou infecciosos em pessoas com boa saúde.

Um estudo recente, publicado na revista "Critical Care", mostrou que ela também funciona como marcador de infecções em doentes graves.

Realizado pelo Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, em parceria com o Instituto Nacional de Câncer e a Universidade Nova de Lisboa (Portugal), o estudo mostrou que o exame da proteína pode identificar em até 72 horas se o corpo está respondendo ao antibiótico ou não.

Segundo um dos autores do trabalho, o pneumologista Jorge Salluh, o corpo demora, em geral, uma semana para dar essa resposta.

"Agora podemos diferenciar quem está respondendo ou não à terapia e propor mudanças terapêuticas mais rapidamente", afirma.

A vantagem, diz ele, é que o exame é barato (custa menos de R$ 10) e rápido (o resultado sai em 30 minutos).


MARCADORES

Jorge Salluh explica que havia dúvidas se o marcador era útil também para pacientes graves, com neutropenia (ausência ou baixa quantidade de glóbulos brancos).

Foram estudados 154 pacientes com câncer e quadro de infecção, sendo que 86 deles tinham neutropenia. A conclusão foi de que o teste é eficaz para os doentes graves.

Em razão da doença ou dos tratamentos, esses pacientes têm imunidade muito baixa. Estima-se que de 15% a 20% dos doentes internados em UTIs possuam esse perfil.

Para o infectologista Artur Timerman, o exame será uma boa ferramenta porque esse tipo de paciente costuma demorar para dar sinais de que não está respondendo bem aos tratamentos.

"Eles demoram para fazer febre. O exame da proteína C-reativa será útil para o seguimento deles."

Falta de atividade física no trabalho aumenta obesidade

Um grupo de pesquisadores americanos identificou um novo culpado da epidemia de obesidade nos EUA: os locais de trabalho.

Uma revisão das mudanças ocorridas no mercado de trabalho desde 1960 sugere que grande parte do ganho de peso observado nos últimos anos pode ser explicada pelo declínio da atividade física no trabalho.

Os empregos que exigiam atividade física moderada, que em 1960 respondiam por 50% dos postos no mercado, caíram para 20% nos EUA.

Os 80% restantes envolvem trabalho sedentário ou exigem atividade só leve.

O relatório mostra ainda que, em 1960, metade dos americanos tinha um trabalho que fisicamente exigente. Hoje, só um em cinco tem um nível alto de atividade no emprego.

Timothy S. Church, pesquisador do Centro Pennington de Pesquisas Biomédicas, em Baton Rouge, Louisiana, e autor principal do estudo, nota que a pesquisa não leva em conta os avanços tecnológicos que contribuem para o sedentarismo, como a internet.

Isso significa que a perda de gasto energético no emprego pode ser ainda maior do que o apontado na pesquisa.


CALORIAS

A mudança de hábitos se traduz em até 140 calorias gastas a menos por dia no trabalho, dado que corresponde ao ganho constante de peso no país nas últimas cinco décadas, diz o estudo publicado na revista "PLoS One".

A nova ênfase na atividade no trabalho representa uma mudança importante e sugere que os profissionais de saúde tenham deixado de lado um dado crucial que contribuiu para o problema do excesso de peso.

COMIDA OU EXERCÍCIO

A descoberta coloca pressão sobre as empresas, para que intensifiquem as iniciativas de saúde nos escritórios.

"Muita gente diz que o problema está só na comida. Mas os ambientes de trabalho mudaram tanto que precisamos repensar como enfrentar esse problema", disse Church.

Sua pesquisa é a primeira a estimar o gasto calórico diário que se perdeu no trabalho nos últimos 50 anos.

Durante anos, o papel da atividade física no problema da obesidade foi incerto.

Estudos já mostraram que a quantidade de atividade física em horas de lazer ficou estável nas últimas décadas, período em que a população só fez engordar.

Esse fato cria um impasse para os pesquisadores que tentam explicar a explosão de obesidade.

Em função disso, boa parte da atenção está concentrada na ascensão da fast food e do consumo de refrigerantes.

Outras pesquisas dizem que a maior adoção do transporte particular em vez do público e o aumento do tempo gasto diante da televisão têm contribuído para engordar os EUA e o mundo.

Mas nenhum desses fatores pode explicar por completo as mudanças nos padrões de ganho de peso.

"Precisamos pensar na atividade física como um conceito mais amplo do que apenas os exercícios feitos em momento de lazer", afirmou Ross C. Brownson, epidemiologista na Universidade Washington, em St. Louis.

"Eliminamos a atividade física de nossas vidas. Precisamos encontrar maneiras de reinseri-la no cotidiano, fazendo caminhadas na hora do almoço, por exemplo, e não só nos exercitando na academia."

Estudo descobre anticorpos que impedem progressão do Alzheimer

Um estudo conduzido por cientistas britânicos sobre o efeito de anticorpos no tratamento da doença Creutzfeldt-Jakob --que afeta o cérebro-- descobriu que eles também podem bloquear a progressão do Alzheimer.

O achado, publicado na revista "Nature Communications", representa um passo significativo no desenvolvimento de drogas contra a demência.

A pesquisa foi realizada com camundongos pela University College de Londres. Ela indica que dois anticorpos --ICSM 18 e 35-- impedem a ação da toxina beta-amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro dos doentes de Alzheimer, criando uma espécie de emaranhado que dificulta a comunicação entre as células.

Pesquisas clínicas com remédios à base dos anticorpos serão realizadas com humanos no ano que vem, para o tratamento da doença Creutzfeldt-Jakob. Em caso de sucesso, os estudos podem ser feitos com pacientes com Alzheimer.

Para a neurologista Sandra Brucki, do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, "o grande problema é fazer o diagnóstico antes que a pessoa desenvolva o quadro clínico."

Brucki afirma que todas as pesquisas estão apontando para substâncias ou anticorpos que atuem antes do desenvolvimento da demência. "Estamos caminhando para fazer o diagóstico precoce, que já é possível em muitos casos."

Ela explica que hoje existe um exame chamado PET (tomografia por emissão de pósitrons), onde um marcador se liga à toxina beta-amiloide no cérebro. Mas esse teste ainda não existe no Brasil, segundo Brucki.

"Em outros lugares, ele já é usado em pesquisa, para testar novas drogas e anticorpos desenvolvidos para evitar o progressão da demência. Mas muitas das substâncias não chegam a ser testadas em pacientes. Elas morrem no meio do caminho porque têm efeitos colaterais muito importantes."

No entanto, a neurologista acredita que esse tipo de tratamento é o mais promissor.

Novo teste confirma Aids em 20 minutos

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) lançará em agosto um teste rápido que confirma o diagnóstico do vírus HIV em 20 minutos.

Hoje, a pessoa faz o teste de triagem e, se for soropositiva, precisa esperar a confirmação do diagnóstico por um outro exame, cujo resultado pode demorar até um mês.

Com os novos kits, será possível fazer o diagnóstico e a confirmação ao mesmo tempo. Os atuais testes de triagem também são rápidos --demoram cerca de dez minutos--, mas podem gerar resultados falsos-positivos.

Isso ocorre porque os antígenos (partículas reconhecidas pelos anticorpos produzidos pelo sistema imunológico) usados no teste podem reagir com anticorpos associados a outras doenças.

Por isso, todos os pacientes apontados como soropositivos no teste de triagem têm que fazer o exame confirmatório em laboratórios fora das unidades de saúde.

Mas muitos pacientes não voltam para buscar o resultado e, portanto, não se tratam.

A expectativa é que o novo teste também mude isso. Quase metade (40%) da mortalidade por Aids no Brasil está relacionada à demora para o início do tratamento

"Ao atrelar os dois ensaios, a pessoa já tem a confirmação rápida, recebe orientação e encaminhamento médico. Isso agiliza o tratamento", diz Antônio Ferreira, gerente de Programa de Reativos de Bio-Manguinhos/Fiocruz.

Para ele, o teste será especialmente útil nas cidades pequenas ou em áreas mais remotas do país porque dispensa infraestrutura laboratorial e é simples de ser aplicado.

Outra vantagem é o preço. Segundo Ferreira, ele terá um quinto do custo dos atuais exames confirmatórios (entre R$ 130 e R$ 150).

O Ministério da Saúde pretende utilizar entre 150 mil a 200 mil testes por ano para atender a demanda do SUS. O novo kit é eficaz já a partir do 25º dia de infecção.

DIAGNÓSTICO TARDIO

Na avaliação de pesquisadores sobre Aids e de organizações que dão apoio aos portadores do vírus, o novo teste será um avanço, desde que esteja disponível em todos os centros de tratamento.

"Temos que diminuir o diagnóstico tardio. Muitas pessoas não se beneficiam do tratamento disponível no SUS porque hoje chegam doentes aos serviços de saúde", diz o doutor em medicina preventiva Mario Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda-SP.

O pesquisador da USP Alexandre Grangeiro, ex-coordenador do serviço de Aids do Ministério da Saúde, afirma que, segundo estudos, quanto menor o tempo para a entrega dos resultados dos exames, menor é a taxa de abandono do tratamento.

Mas, diz ele, o maior impedimento hoje para a utilização dos testes rápidos de HIV é a resistência dos profissionais de saúde em fazê-los.

"O teste é rápido para o paciente, mas não para o serviço de saúde. No mesmo dia, ele tem que fazer o aconselhamento, realizar o teste, dar suporte ao paciente e encaminhá-lo ao tratamento."

Além disso, não há profissionais acostumados a realizar exames diagnósticos, como os biomédicos.

"Na maior parte dos serviços, há assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros, que ficam com receio de fazer um teste. Daí a importância de simplificar a metodologia."

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/927576-novo-teste-confirma-aids-em-20-minutos.shtml

Peles de sapos podem tratar mais de 70 doenças, dizem cientistas

Pesquisadores da Irlanda do Norte ganham prêmio por estudo que pode levar a terapias de combate do câncer para tratar derrames.


Cientistas da Queens University, em Belfast, na Irlanda do Norte, ganharam um prêmio pela pesquisa sobre o uso de pele de anfíbios como pererecas e sapos, que pode levar à criação de novos tratamentos para mais de 70 doenças.

A pesquisa, liderada pelo professor Chris Shaw, da Escola de Farmácia da universidade, identificou duas proteínas nas peles dos anfíbios que podem regular o crescimento de vasos sanguíneos.

Uma proteína da pele da perereca Phyllomedusa sauvagii (Hylidae) inibe o crescimento de vasos sanguíneos e pode ser usada para matar tumores cancerígenos.

Shaw informou que a maioria destes tumores apenas pode crescer até um certo tamanho, antes de precisarem de vasos sanguíneos fornecedores de oxigênio e nutrientes.

"Ao paralisarmos o crescimento dos vasos sanguíneos, o tumor terá menos chance de crescer e, eventualmente, vai morrer", disse. "Isto tem o potencial de transformar o câncer de doença terminal em condição crônica", acrescentou.

Na segunda-feira, os cientistas receberam o prêmio Medical Futures Innovation, em Londres.

Crescimento

A equipe de pesquisadores também descobriu que o sapo Bombina maxima (Bombinatoridae) produz uma proteína que pode estimular o crescimento de vasos sanguíneos, o que pode ajudar pacientes a se recuperar de ferimentos e operações muito mais rapidamente.

"Isto tem o potencial para tratar uma série de doenças e problemas que precisam do reparo rápido dos vasos sanguíneos, como a cura de feridas, transplantes de órgãos, ulcerações diabéticas e danos causados por derrames ou problemas cardíacos", disse Shaw.

Segundo o professor, os cientistas e companhias farmacêuticas do mundo todo ainda não conseguiram desenvolver um medicamento que possa, de forma eficaz, ter como alvo o controle do crescimento de vasos sanguíneos, apesar dos investimentos em torno de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões por ano.

"O objetivo de nosso trabalho na Queens (University) é revelar o potencial do mundo natural - neste caso, as secreções encontradas na pele de anfíbios - para aliviar o sofrimento humano", disse Shaw.

"Estamos totalmente convencidos de que o mundo natural tem as soluções para muitos de nossos problemas, precisamos apenas fazer as perguntas certas", acrescentou.

Ao comentar o trabalho da equipe de Chris Shaw, o professor Brian Walker e o Dr. Tianbao Chen, do painel julgador do prêmio Medical Futures Innovation, afirmaram que querem estimular os pesquisadores, para que eles progridam com seus trabalhos.

"Muitas das grandes descobertas ocorreram através do acaso e a ideia do professor Shaw é, sem dúvida, muito inovadora e animadora", afirmou o painel. "É importante perceber que a inovação está em primeiro estágio e é necessário muito trabalho para tornar isto em uma terapia clínica."

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,peles-de-sapos-podem-tratar-mais-de-70-doencas-dizem-cientistas,730028,0.htm