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terça-feira, 14 de junho de 2011

Vacinação contra a pólio começa no sábado; oito estados também vacinam contra sarampo

Crianças menores de 5 anos devem receber no próximo sábado, dia 18, a primeira dose da vacina contra a poliomielite, conhecida como paralisia infantil. Em São Paulo, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, na Bahia, no Ceará e em Alagoas, crianças de 1 a 7 anos também vão receber a vacina tríplice viral – que imuniza contra o sarampo, a rubéola e a caxumba.

Ao todo, 115 mil postos em todo o país devem funcionar das 9h às 17h. Além das unidades permanentes, shopping centers, rodoviárias e escolas também vão receber postos móveis. As duas campanhas seguem até 22 de julho.

A segunda dose da vacina contra a poliomielite será aplicada a partir do dia 13 de agosto. Neste mesmo dia, os demais estados da federação iniciam a aplicação da tríplice viral.

De acordo com o Ministério da Saúde, a criança só fica completamente protegida contra a paralisia infantil após receber as duas gotinhas previstas.

Crianças com febre acima de 38 graus Celsius ou com alguma infecção devem ser avaliadas por um médico antes de procurar os postos de saúde. Também não é recomendado vacinar crianças com problemas de imunodepressão (como pacientes com câncer e aids) ou que já apresentaram reação alérgica severa a doses anteriores das vacinas.

A meta do governo é vacinar 95% do público-alvo – 14,1 milhão de crianças contra a poliomielite e 17 milhões contra o sarampo.

Falta de informação dificulta transplantes no Brasil

Mais de 36 mil pessoas aguardam hoje no País a tão esperada notícia de que um órgão ou tecido está disponível para transplante

Reginaldo Padilha se enche de esperança toda vez que um helicóptero pousa no terraço do Instituto do Coração (InCor), onde está internado há quatro meses, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por conta de seu delicado estado de saúde, Padilha está entre os pacientes prioritários na lista de espera nacional, mas o único coração que apareceu até o momento não era compatível com o seu organismo.



Uma das principais razões da dificuldade enfrentada por Padilha e pelas milhares de pessoas que aguardam um transplante, na avaliação de especialistas, é a falta de informação a respeito do assunto. Em razão de crenças infundadas, aliadas à diminuição das campanhas na mídia, muitas famílias se negam a autorizar a doação dos órgãos dos parentes que faleceram e, dessa forma, deixam de transformar um momento de dor em esperança de vida para outras pessoas.

O cirurgião cardiovascular Fernando Platania, médico de Padilha, aponta as falsas crenças como uma das principais razões que prejudicam o aumento do número de doadores no País. "Vejo esse problema sim, sobretudo entre a população mais humilde, por conta da falta de entendimento e da desconfiança no sistema público."

O médico, que também é coordenador do Departamento de Cardiologia do Hospital Ana Costa, em Santos (SP), destaca que um dos temores mais citados é com relação à morte cerebral. Para algumas famílias, o fato de o coração ainda bater após a declaração de óbito pode significar que a vítima ainda está viva e pode ter salvação. O que não é verdade.

Para o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ben-Hur Ferraz Neto, esse temor se deve à falta de informação clara às famílias. "É diferente para um leigo ter essa compreensão, porque o coração ainda bate, mas às custas de aparelhos e com o único objetivo de manter os outros órgãos viáveis para transplante", explica.

A morte cerebral só é dada como certa depois de exames clínicos mostrarem que o paciente não tem mais reflexos cerebrais e que está incapacitado de respirar por si próprio. Também são realizados testes para confirmar ausência de fluxo sanguíneo e de atividade cerebral. "A legislação brasileira é extremamente rigorosa a respeito da morte cerebral", diz Ferraz Neto.

Além do receio quanto à morte cerebral, há outros temores que levam as famílias a negar as doações, como o medo da deformação do cadáver, o temor de que os órgãos serão vendidos no mercado negro e a desconfiança de direcionamento e privilégio dentro do Sistema Nacional de Transplantes. Ferraz Neto relata até mesmo a negativa de autorizar a doação pelo temor de que o morto precise do coração "para uma outra vida". "Acabam doando até os outros órgãos, mas não o coração", conta.

Em caso de morte cerebral, aparelhos mantêm o coração pulsando para que os órgãos sejam preservados para a doação. No entanto, esse estado não pode ser mantido por muito tempo, e se o coração parar, ele e os outros órgãos ficam impossibilitados para o transplante, porque perdem oxigenação. Se isso acontece, a esperança de vida daqueles que aguardam um órgão na fila diminui drasticamente. Então, apenas tecidos - pele, córneas e medula óssea, entre outros - ainda podem ser doados.

Apesar da longa batalha, Padilha, que está com 47 anos, não perde a esperança e faz planos concretos para o futuro. "O que eu mais quero é voltar à minha vida normal. Quero voltar às minhas caminhadas na praia em Santos, voltar a trabalhar. E mais, ir ao supermercado sem sentir falta de ar".

Desejos simples para um caso tão complexo. Ele sofre de miocardiopatia dilatada idiopática, que faz com que seu coração cresça exageradamente. Para executar os seus planos futuros, Padilha depende da solidariedade das famílias que podem optar pela doação de órgãos.

Humanização

O coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari Borba, reconhece a "grande influencia que o pequeno esclarecimento da população" tem sobre a decisão das famílias. Mas alega, também, que outro fator importante de inibição da doação de órgãos é o mau atendimento que muitos pacientes enfrentam nos hospitais. "Se a pessoa for atendida de maneira humanizada é muito mais fácil a abordagem dos agentes para solicitar o órgão", afirma.

As ações, segundo Borba, devem se concentrar em campanhas que esclareçam as famílias sobre o assunto. "As campanhas devem mostrar a segurança que o processo de transplante envolve e que impossibilita o comércio de órgãos, já que envolve muitas pessoas e exames genéticos", diz. E continua: "Além disso, é preciso frisar o aspecto emocional nas campanhas, mostrando que aquele momento de dor das famílias pode se transformar em alegria para outras pessoas."

As campanhas, aliás, têm relação direta com o crescimento do número de doadores de órgãos no País. O presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), Francisco Neto de Assis, cita o caso da jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, assassinada pelo ex-namorado em outubro de 2008, após ser mantida refém, em Santo André (SP). Coração, pulmão, rins, pâncreas, fígado e córneas ajudaram a salvar vidas. Coincidentemente, a média mensal de transplantes no Estado de São Paulo aumentou 30% naquele mês. "Quando há campanha, ou quando o assunto está na mídia, dá para notar o aumento de doadores", diz.

Quais as causas possíveis para a dor na face?

O incômodo na região do rosto pode resultar de sinusite e enxaqueca

Quando pulsa o seu rosto ou uma dor incômoda é senitda na face, há uma série de possíveis causas a considerar.

A Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos lista essas possibilidades, sendo elas:

1) Abscesso do dente.

2) Enxaqueca ou cefaléia em salvas.

3) Ferimento.

4) Infecções doloridas, provocadas pelos vírus que causam herpes

5) Condições respiratorias, como sinusite, infecção do seio da face ou síndrome da dor miofascial.

6) O transtorno de tique nervoso doloroso.

7) Disfunção da articulação temporomandibular.

Sangue: doações ainda estão longe do ideal

Dos 80 países do mundo com baixo índice de doações, 79 são nações em desenvolvimento

Mais sangue, mais vida. Com esse slogan, é celebrado hoje o Dia Mundial do Doador de Sangue. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano são captadas 92 milhões doações voluntárias de sangue. Um número muito longe do ideal levando-se em conta que aproximadamente metade das doações é colhida em países desenvolvidos, onde habitam apenas 15% da população mundial.


Doação de sangue: doar é fácil, rápido e pode salvar mais de uma vida

Outro alerta para nós, os pobres ou emergentes: segundo a OMS, dos 80 países do mundo com baixo índice de doações de sangue (menos de 10 doações por cada 1.000 habitantes), 79 são nações em desenvolvimento.

Doar sangue periodicamente ajuda a evitar a escassez nos hospitais que mais precisam: prontos-socorros e centros especializados em transplantes, no tratamento de cânceres (especialmente os do sangue, como as leucemias) e no atendimento a mulheres com complicações obstétricas (hemorragias antes, durante ou após o parto).

A necessidade de doações regulares é constante, pois o sangue só pode ser conservado por um tempo limitado. Embora a ciência esteja avançando no desenvolvimento de órgãos e tecidos humanos em laboratório, ainda não existe um substituto para o sangue humano. Só quem precisa de sangue sabe a importância que há numa doação. Não espere você ou alguém que você ama precisar. A doação é simples, rápida e pode salvar a sua vida.

"Deixei o Japão para tratar a aids no Brasil"

Atualmente, 710 pessoas de vários locais do mundo recebem tratamento gratuito contra o HIV no País

O terremoto e o tsunami que devastaram as terras japonesas, em março deste ano, não convenceram Maurício, 41 anos, a deixar o Japão.

Apesar da destruição, a vida do técnico em montagem permaneceu intacta, repleta de ânimo para trabalhar pela reconstrução do país. A ameaça só veio dois meses depois, trazida pela palavra “positivo” em um teste de aids.

Em apenas três dias como portador do vírus HIV, Maurício fez as malas, deixou para trás o emprego fixo, o visto permanente e a ótima colocação em uma fábrica de automóveis para buscar tratamento no Brasil, país que já não era sua casa há mais de duas décadas.

Nunca tinha ficado doente. Do nada, comecei a emagrecer e apareceram umas feridinhas na boca”, conta. “Fui ao hospital e a notícia de que tinha a doença, após um exame trivial de sangue, foi dada pelo médico de forma robótica.”

“Você tem aids”, disse o profissional de jaleco, pausadamente, quase sem mexer os lábios. “E ficou me olhando em silêncio depois.”

Maurício ficou perdido em um choro que durou duas noites. Mas, de certa forma, soube para onde ir. Elegeu o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, destino escolhido por, ao menos, 710 estrangeiros que atualmente recebem tratamento e acolhimento médico de graça contra o HIV, mostram dados do Programa Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde.

Vitrine

Ronaldo Hallal, coordenador do Departamento de Qualidade de Vida do Programa Nacional de Aids, pontua que o fato do atendimento aos soropositivos ser integral, gratuito e ainda fornecido por equipes multidisciplinares (médicos, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e enfermeiros) faz da área uma vitrine para o planeta.

Em países desenvolvidos como França e Estados Unidos, além de pagar pelo atendimento, o coquetel de remédios que permite uma vida praticamente normal ao portador do vírus é pago, em custos que superaram US$ 2 mil mensais.

“A resposta que o Brasil deu ao HIV, desde o início da epidemia nos anos 80, tornou-se emblemática no mundo”, avalia Hallal. “Não há uma interferência econômica por causa dos estrangeiros atendidos no País (eles representam 0,03% dos 200 mil em tratamento no Brasil), e o sistema universal não pode ter barreiras burocráticas. Não negamos acolhimento em hipótese nenhuma.”

Babel

O mosaico de nacionalidades atendidas por dois centros gratuitos de referência em aids de São Paulo serve de termômetro do alcance mundial da doença, que ainda mata 12 mil pessoas por ano só no Brasil. Também mostra como o País se mantém na rota dos “imigrantes do HIV”.

No Instituto de Infectologia Emílio Ribas – onde Maurício está internado – foram recebidos 171 estrangeiros nos últimos 5 anos, de 33 países diferentes. Os latino-americanos (Bolívia e Colômbia) são maioria. Itália, Portugal, França e Espanha contribuíram com 32% dos atendimentos, seguidos pelos africanos (23,2%).

A mesma miscigenação prevalece no Centro de Referência e Treinamento em DST e Aids, também em São Paulo. No total, 514 estrangeiros foram acolhidos nos últimos dez anos. Em 2010, passaram por lá argentinos, chilenos, colombianos, cubanos, norte-americanos, franceses, peruanos, portugueses, suíços e uruguaios.

Nas duas unidades, as assistentes sociais enrolam a língua para tentar dar conta da torre de babel que frequenta os leitos. “Seja porque o paciente era um turista de passagem e teve o diagnóstico de aids em São Paulo, seja porque ele veio aqui especialmente buscar tratamento, a função da saúde não é investigar uma possível clandestinidade”, afirma Tâmara Newman Lobato Souza, diretora do ambulatório do Emílio Ribas.

“Oferecemos as ferramentas para que ele se recupere e, em alguns casos, até ajudamos para que continuem o tratamento em seus países de origem.”

Do mundo para o SUS de SP

O infectologista do Hospital Albert Einstein Artur Timerman – uma das referências brasileiras em tratamento da aids – afirma que até mesmo os especialistas que atuam no sistema privado de saúde são procurados por pacientes internacionais.

“Atendo em média 20 estrangeiros, que chegam aqui já com o diagnóstico firmado e em busca de tratamento de excelência”, explica.

“O impacto econômico trazido por eles é muito pequeno para nos privarmos dessa postura humanista. Em geral, são pessoas que não tiveram acolhimento em suas nações”, acrescenta.

Por estes motivos, analisa o psicólogo e coordenador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Tereo, saber que o Brasil atrai imigrantes soropositivos não deve suscitar o hasteamento da bandeira da recusa de atendimento.

“A postura solidária deveria ser para que os países de origem destes pacientes mudassem suas formas de tratamento. Além disso, em linhas gerais, isolar as pessoas que vêm de outros locais é deixar aberto o ciclo de transmissão (via relação sexual desprotegia principalmente ) da aids”, diz. Cuidar deles é também proteger os brasileiros de novas infecções, avaliam os especialistas.

Pão com manteiga ou sushi

Lidar com pacientes internacionais é também tratar com outras condições que vão além da aids. Um dos pacientes atendidos em um dos centros de referência de São Paulo, por exemplo, era boliviano, trabalhava mais de 16 horas por dia, vivia em um cortiço e não sabia se pedia o anonimato por causa do preconceito desencadeado pelo HIV ou por medo de que seu patrão descobrisse o problema de saúde e o deixasse ainda mais desassistido. “É um sofrimento duplo”, define Veriano Tereo, da Abia.

Maurício sabe de todos estes entraves que ainda vai enfrentar por causa de sua doença recém-descoberta, preocupação que começa a ganhar espaço agora que as sequelas físicas começam a ser sanadas. Após um mês internado no Ribas, ele já recuperou 2 dos 13 quilos perdidos e acha que o carinho que recebe dos profissionais de saúde (ele só é chamado pelo apelido lá dentro) tem sido fundamental em sua recuperação.

“Já voltei até sentir vontade de comer”, diz ele sem saudade do sushi e sashimi e já salivando ao pensar no brasileiro pão com manteiga.

“Amo o Japão e tudo que o país me ofereceu. Mas não volto não. Vou viver no Brasil porque, se tiver uma recaída por causa da aids, não será um robô que vai me tratar.”

http://saude.ig.com.br/minhasaude/deixei+o+japao+para+tratar+a+aids+no+brasil/n1597014583293.html