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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Secretaria determina intervenção em hospital de Sorocaba que tinha esquema de fraude

A Secretaria da Saúde de São Paulo decretou ontem(16) a intervenção do Conjunto Hospital de Sorocaba (CHS), que presta serviços a 48 municípios da região. Na manhã de hoje (16), uma operação comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba e pelo Grupo Antissequestro da cidade prendeu 12 médicos e enfermeiros que atuavam no hospital, acusados de participarem de um esquema que fraudava licitações e o pagamento de plantões.

Segundo a secretaria, um interventor vai ser nomeado nos próximos dias para garantir a assistência médica que é prestada pela unidade e permitir que os fatos sejam esclarecidos. A secretaria também informou que o atual diretor da unidade, Heitor Fernando Xediek Consani, que foi preso hoje e é acusado de participação no esquema, foi afastado do cargo.

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa, que era chefiada pelo ex-diretor do CHS Ricardo José Salim, desviava verbas destinadas ao pagamento de plantões a servidores do hospital, direcionando-as para beneficiários que não cumpriam suas jornadas de trabalho.

Segundo o Ministério Público, as investigações também revelaram a existência de funcionários fantasmas e a prática de falsificações, estelionato e fraudes em licitações, com o favorecimento e o direcionamento dos certames.

Os suspeitos vão responder pelos crimes de peculato, formação de quadrilha, crimes em licitação, quebra de sigilo da lei de interceptação, tráfico de influência e falsificação de documentos públicos e particulares.

Senado aprova sistema nacional de atendimento ao autista



O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (15) projeto de lei que institui o Sistema Nacional Integrado de Atendimento à Pessoa Autista.

O projeto a garante aos que têm esse transtorno todos os direitos já assegurados em lei às pessoas com deficiência. O texto também prevê a criação de um sistema integrado de atendimento à pessoa autista.

Relatora da matéria na comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, a senadora Ana Rita (PT-ES) defendeu a sua aprovação.

"É chegada a hora de o país contar com uma legislação que não apenas reconheça e assegure os direitos das pessoas atingidas pelo problema, as pessoas com transtorno do espectro autista, suas famílias e cuidadores, como também estimule e favoreça o seu enfrentamento", disse.

O projeto de lei do Senado segue para análise da Câmara. Se for aprovado pelos deputados, vai à sanção presidencial. Se a Câmara modificar o texto original, o projeto volta ao Senado.

Quatro milhões de idosos sofrem maus-tratos na Europa por ano



Pelo menos quatro milhões de idosos sofrem abusos físicos a cada ano na Europa e cerca de 2.500 são mortos por um membro da família, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Os idosos são vítimas de humilhações como bofetadas, murros, socos, queimaduras e cortes e são trancados em seus quartos durante horas ou até dias, afirma o relatório divulgado durante a 3ª conferência europeia de prevenção de maus-tratos e promoção da segurança, realizada em Budapeste.

Segundo o estudo --que analisou a situação dos idosos em 53 países europeus--, além dos quatro milhões que sofrem abusos físicos, 29 milhões são submetidos a agressões psicológicas, como insultos ou ameaças, e seis milhões são vítimas de roubos de dinheiro ou fraudes.

Além disso, cerca de um milhão de idosos sofrem abusos sexuais em forma de assédio, estupros ou exposição à pornografia.

Aqueles que têm Alzheimer, demência ou alguma incapacidade possuem mais probabilidade de serem vítimas de algum tipo de abuso, da mesma forma que os idosos de classes menos favorecidas da população.

A diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, afirmou que a situação é "muito grave", já que "os abusos afetam os idosos física e emocionalmente no momento mais vulnerável de suas vidas".

"A população europeia está cada vez mais envelhecida, por isso é urgente que os governos resolvam este problema social o mais rápido possível e que os serviços públicos de saúde prestem socorro às vítimas de maus-tratos", acrescentou.

Em 2050, um terço da população europeia terá mais de 60 anos, devido à combinação do aumento da expectativa de vida com a queda da natalidade, o que significa que serão necessários cada vez mais recursos para efetuar o pagamento das pensões e das prestações sociais.

Esta situação, segundo a OMS, aumentará a dependência da terceira idade em relação aos mais jovens, o que pode causar um aumento no número de abusos a idosos ao alterar a estrutura econômica e social das famílias.

Droga antifumo traz risco cardíaco, segundo estudo



A FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA) declarou nesta quinta-feira que o medicamento antitabagismo Champix, da Pfizer, pode aumentar o risco de ataque cardíaco em pacientes com problemas cardiovasculares.

"[Usuários dizem que Champix induz ao suicídio e processam Pfizer nos EUA]":

Os reguladores divulgaram um estudo com 700 pacientes com problemas cardíacos que mostra um pequeno aumento nos problemas do coração entre aqueles que tomaram o remédio, em comparação àqueles que receberam placebo.

A agência reguladora destacou que a droga ajudava os pacientes a parar de fumar, mas que esse benefício "deveria ser comparado aos riscos potenciais em pacientes fumantes com doença cardiovascular".

O Chanpix se liga aos receptores de nicotina no cérebro, reduzindo os sintomas da abstinência.

A FDA irá adicionar novas advertências ao rótulo do medicamento, relacionadas aos resultados da pesquisa. Os pacientes também receberão um guia atualizado com a prescrição do Chanpix, que fala sobre os riscos ao coração.

A farmacêutica Pfizer vai ser obrigada a analisar um grande grupo de estudos para definir melhor o risco cardíaco, de acordo com a FDA. A empresa disse em comunicado que "as taxas globais de eventos cardiovasculares relatadas no estudo foram baixas".

Aprovado em maio de 2006, o Chanpix já foi usado por milhões de pacientes nos EUA, embora as vendas tenham diminuído desde 2008, quando a droga foi ligada a efeitos psicológicos, como depressão e pensamentos suicidas.

Atualmente, estampa um aviso do tipo mais grave sobre esses riscos. O medicamento concorrente, da GlaxoSmithKline, Zyban, carrega o mesmo aviso.

Mortes por doença renal crônica crescem 38% no Brasil

O frentista José Carlos Barbosa, 39, só descobriu que tinha doença renal crônica quando foi levado, com os rins paralisados, para a emergência do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo. Antes, segundo a família, ele se queixava de dor de cabeça, sempre pelas manhãs.

No posto de saúde, davam-lhe analgésicos. O sintoma era da hipertensão que, não diagnosticada e não tratada, evoluiu para doença renal. Um ano após iniciar a hemodiálise, Barbosa morreu.

Em dez anos, o país registrou um aumento de 38% na taxa de morte de doentes renais crônicos. Essas pessoas dependem de uma máquina que substitui a função dos rins (hemodiálise) para sobreviver.

Em 2000, dos 46.547 doentes que faziam diálise, 7.000 morreram (15%). Em 2010, o número de doentes tratados foi para 92 mil, com 16.500 mortes (18%).

Os dados são de um censo feito pela SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) e levado ao Ministério da Saúde. Foram avaliadas 340 clínicas de diálise, 53% do total.

CAUSAS

Para a SBN, existem ao menos seis situações impulsionando o aumento de mortes.

Muitos dos pacientes começam a fazer diálise tarde, quando já estão muito debilitados, o que aumenta as chances de morte.

O número de nefrologistas no SUS também é insuficiente. Em São Paulo, leva-se, em média, seis meses para conseguir uma consulta.

Quando sofrem complicações, os pacientes em diálise têm dificuldade de conseguir uma internação.

As máquinas de hemodiálise do país estão velhas. Metade delas tem mais de seis anos e está no fim da vida útil, piorando o tratamento.

Outro problema são os remédios de alto custo. O governo fornece essas drogas aos doentes em diálise (eritropoietina, sevelamer, hidróxido de ferro, entre outros).

Mas o repasse é lento e, muitas vezes, os remédios só chegam após dois meses da prescrição do médico.

Um fator que agrava a condição é o envelhecimento. Cerca de 35% dos doentes renais têm mais de 65 anos e outras doenças, como diabetes e insuficiência cardíaca, que aceleram a mortalidade.

PREVENÇÃO

Para o nefrologista Daniel Rinaldi, presidente da SBN, faltam políticas para prevenir a doença renal crônica.

A maioria dos pacientes tem hipertensão ou diabetes, doenças que, sem tratamento, evoluíram para insuficiência renal. Há 10 milhões de pacientes renais no Brasil.

O tratamento é um dos que mais pesam no orçamento do Ministério da Saúde. São gastos R$ 2 bilhões anuais --4% do orçamento.
Rodrigo Bueno de Oliveira, nefrologista do HC de São Paulo, conta que é comum a chegada de pacientes renais nas emergências que nunca foram acompanhados na rede básica de saúde. "Eles já estão com os rins paralisados, com anemia e insuficiência cardíaca."

Em geral, os pacientes sem acompanhamento prévio não têm a via de acesso por onde a hemodiálise será feita.

O procedimento é necessário para deixar a veia do braço com mais calibre e, assim, fornecer um fluxo de sangue adequado para ser filtrado.

Sem isso, é preciso usar cateter, o que aumenta o risco de infecções e trombose. "Com cateter, a taxa de mortalidade é quatro vezes maior", explica o médico.

O impacto emocional também é grande. "De uma hora para outra, a pessoa descobre que terá de mudar a vida radicalmente, fazer sessões de diálise três vezes por semana. É um choque."