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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Brasil e França discutem em seminário questões ligadas à gestão da água e ao saneamento básico


Brasília – França e Brasil iniciaram hoje (28) um encontro para compartilhar experiências e apresentar políticas com foco no uso e tratamento da água e o desenvolvimento, principalmente quanto à questão da saúde. Representantes dos governos dos dois países e especialistas estão em Brasília até a próxima quinta-feira (30) no 1º Seminário Franco-Brasileiro sobre Saúde Ambiental, que resultará em uma publicação com recomendações de políticas bilaterais para cooperação entre o Brasil e a França na tentativa de solucionar problemas relacionados à gestão da água.

“A água é uma questão global e precisa de políticas globais”, afirmou o embaixador da França no Brasil, Yves Saint Geours. O evento é organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Embaixada da França e tem por objetivo preparar discussões para o Fórum Mundial sobre a Água, em Marselha, na França, e a Conferência Rio+20 (a conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável), que ocorrerão em para 2012.

O direito à água está entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê a redução à metade da população que não tem acesso à água potável e aos serviços de saneamento básico até 2015. Na França, a cobertura já é aproximadamente de 100%, enquanto, no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada em 2008, indica que apenas 55,2% dos municípios prestam o serviço de coleta de esgoto e só um terço faz o tratamento dos dejetos.

Geours disse que a parceria entre os dois países é importante para a elaboração de políticas conjuntas de promoção do direito universal à água e ao saneamento básico e de gestão da água. Para o embaixador, o Brasil está comprometido com as questões do milênio. “O Brasil tem políticas públicas de atenção à água muito fortes e que podem contribuir para atingir os Objetivos do Milênio”, disse.

De acordo com André Fenner, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, a França e o Brasil vão apresentar no seminário políticas sociais referentes à água, à saúde e ao desenvolvimento. “A intenção é buscar soluções para a poluição da água, impactos da água na saúde humana, acesso à água e ao saneamento e questões mundiais referentes à água”, explicou.

Segundo a adida de Cooperação da Embaixada da França, Marina Felli, os dois países enfrentam problemas diferentes no que diz respeito à questão da água, mas existem pontos de convergência, como a disparidade entre o acesso à água e à rede de saneamento nos meios urbano e rural. “O maior problema de água enfrentado pela França é a poluição vinda das indústrias, enquanto, no Brasil, é a falta de tratamento do esgoto e a poluição pelos resíduos sólidos”, exemplificou.

Nos três dias de seminário, serão discutidas questões como as consequências da poluição nos meios aquáticos, tanto no meio urbano como no rural; a falta de infraestrutura de tratamento das fontes de água; a persistência da transmissão de doenças vetores, como malária, dengue, esquistossomose, leptospirose e filariose; e o aumento da mortalidade devido a doenças ligadas à falta de tratamento da água.

Estudo da OMS mostra que doenças do coração, derrames e infecções respiratórias foram as principais causas de mortes em 2008

Brasília – Doenças isquêmicas do coração, derrames e acidentes vasculares cerebrais e infecções respiratórias foram as principais causas de morte em todo o mundo no ano de 2008, de acordo com levantamento divulgado hoje (28) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em seguida, aparecem as doenças crônicas obstrutivas de pulmão; as diarreias; o HIV e a aids; os tumores de traqueia, brônquio e pulmão; a tuberculose; e o diabetes.

A estimativa da OMS é que 57 milhões de pessoas tenham morrido em 2008, e que apenas as doenças isquêmicas do coração tenham sido responsáveis por 7,3 milhões dessas mortes, enquanto os derrames e os acidentes vasculares cerebrais mataram 6,2 milhões de pessoas.

Entre crianças menores de 5 anos de idade, a estimativa de mortes é 8 milhões no mesmo período – 99% deles em países de média e baixa renda.

De acordo com a OMS, detalhar quantas pessoas morrem e as suas causas é uma das formas mais eficazes de avaliar o sistema público de saúde de cada país. “Listar esses números ajuda as autoridades de saúde a determinar se elas estão focando em ações corretas de saúde pública”, diz o órgão.

Metade dos servidores dos hospitais públicos do DF aderiu à greve, segundo sindicato


Brasília - Cerca de metade dos 20 mil servidores da área de saúde do Distrito Federal aderiram à greve da categoria deflagrada ontem (27), de acordo com balanço feito hoje (28) pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Saúde do Distrito Federal (Sindsaúde-DF). A Secretaria de Saúde do DF não comentou os números, nem divulgou balanço sobre os impactos da greve nos hospitais da rede pública. Os servidores reivindicam aumento de salário, reajuste do auxilio alimentação e incorporação da gratificação de atividade técnico-administrativa (Gata). Médicos e enfermeiros, representados por outros sindicatos, não participam da greve.

"O que estamos pedindo é apenas aquilo que foi prometido pelo governador [do Distrito Federal] Agnelo [Queiroz]. O [reajuste salarial nos mesmos percentuais de aumento do] fundo constitucional [do DF], prometido na campanha [eleitoral], já foi dado para os servidores da educação, mas nós estamos esquecidos. Além disso, a Gata foi concedida aos médicos e não aos servidores. O governo precisa enxergar que o nosso trabalho é de fundamental importância e por isso pedimos respeito", disse Marli Rodrigues, diretora do Sindsaúde-DF.

Na manhã de hoje, cerca de mil trabalhadores participaram de uma passeata em frente ao Hospital de Base, maior hospital público do DF. De acordo com o sindicato, a secretaria de saúde ameaça cortar o ponto dos grevistas e não aceita a redução de jornada de trabalho pedida pelos servidores.

Amanhã (29), os grevistas vão fazer um "panelaço" na frente da Secretaria de Saúde. "Esperamos que, dessa vez, o governo possa nos ouvir para que a melhor decisão seja tomada, tanto para nós quanto para a população", disse a sindicalista.

Ressarcimentos de planos de saúde ao SUS batem recorde

São Paulo – O valor pago por operadoras de planos de saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelo atendimento dos segurados em hospitais da rede pública bateu recorde no primeiro semestre deste ano. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os ressarcimentos ao SUS somaram R$ 25 milhões até agora, mais do que o total recebido pelo SUS entre 2008 e 2010.

Os planos de saúde devem ressarcir o SUS sempre que um dos seus clientes é atendido pela rede pública, e não por médicos e hospitais conveniados. Padilha disse que esses pagamentos estavam sendo feitos em ritmo lento. O governo, porém, pretende acelerar as cobranças “Queremos um ressarcimento crescente e, para isso, é fundamental o ajuste de um sistema de informação”, disse Padilha após participar da abertura da 16ª Conferência Municipal de Saúde de São Paulo.

Padilha informou que o Ministério da Saúde está trabalhando com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o funcionamento dos planos de saúde, para obter dados sobre todos os atendimentos a clientes das operadoras feitos pelo SUS. Ele disse que uma resolução da ANS já prevê que as guias de atendimento dos clientes de planos indiquem também a identificação deles no sistema do SUS, justamente para facilitar o ressarcimento.

“Isso [a resolução] vai ser um ganho para o SUS, mas também para os planos de saúde”, disse Padilha. “Na medida que você integra o sistema de informação do SUS com o dos planos, os planos também passam a ter informações dos seus clientes quando eles passam pelo SUS.”

De acordo com Padilha, existem hoje mais de 45 milhões de usuários de planos de saúde no país. Em alguns locais, até 90% dos procedimentos de alta complexidade aos quais esses pacientes são submetidos são feitos pelo SUS.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-28/ressarcimentos-de-planos-de-saude-ao-sus-batem-recorde

Brasil quer mapear pré-diabéticos

O exame que mede a taxa de açúcar no sangue – chamada de glicemia – e a resistência à insulina são os dois pontos que definem se a pessoa tem ou não diabetes.

Mas existe um grupo que apresenta taxas glicêmicas normais e ainda assim vive muito próximo do risco de desenvolver a doença. São os chamados pré-diabéticos, parcela ainda invisível nas estatísticas brasileiras mas que já desperta preocupação nos especialistas do mundo todo.

“Costumo dizer que existem quatro fatores que se comportam como meninos bagunceiros de bairros. Se um deles aparece, o outro está próximo, já está lá sem ninguém ver ou está prestes a chegar”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Saulo Cavalcanti da Silva, referindo-se ao diabetes, à hiptertensão, à obesidade e ao histórico familiar da doença.

Com o aumento galopante do diabetes, da pressão alta e da obesidade, é consenso entre as autoridades de saúde que o número de pré diabéticos também cresceu. Identificá-los, avalia o Ministério da Saúde, é conseguir elaborar políticas de saúde preventivas mais assertivas, capazes de evitar internações, doenças cardiovasculares e mortes. De forma inédita, um plano para mapear este grupo de risco foi traçado.

Resultados cearenses

Com um investimento de R$ 10 mil reais, o governo do Ceará conseguiu pesquisar toda a população com mais de 30 anos, moradora de uma cidade chamada Tauá. De casa em casa, os agentes de saúde visitaram as famílias, aplicaram o questionário e identificaram a parcela de 13% de pré-diabéticos, isso em uma cidade de menor porte do que os grandes centros urbanos – como São Paulo, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro e Porto Alegre – onde já é sabido que “moram” os maiores índices de doenças crônicas.

“Os agentes são treinados para aplicar o questionário, medir e pesar todas as pessoas com mais de 35 anos. Eles fazem a triagem e os encaminhamentos”, afirma a médica endocrinologista, Adriana Forti, coordenadora do Centro Integrado de Diabetes do governo do Ceará.

“Os que mais pontuaram na escala de risco são encaminhados para centros especializados de tratamento. Os que estão com pontuação média são orientados a fazer o controle de forma mais intensa e os que pontuaram menos devem continuar com a rotina médica normal. É simples, barato e efetivo”.

Importância

É consenso entre os especialistas que esta parcela da população pré-diabética precisa de cuidados contínuos para não terminar nas estatísticas de doentes crônicos. “Mesmo quem não está com diabetes, mas está a caminho de desenvolver a doença já convive com prejuízos, como veias em processo de entupimento, frequência cardíaca alterada, com possibilidades de sofrer algum mal mais sério”, alerta o presidente da SBD.

Por isso, define o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Ricardo Meirelles, o nome pré-diabético não pode ser encarado como os últimos momentos aproveitados para a pessoa abusar dos doces, gorduras e do sossego do sedentarismo. “Já é preciso promover uma virada nos hábitos, seguir uma alimentação saudável e uma rotina de exercícios físicos, porque a evolução negativa é contínua e gradual”, explica.

Tratamento

Ao mesmo tempo em que o Brasil se prepara para identificar os pré-diabéticos, correm as discussões sobre qual é o melhor tratamento para este grupo. Em países desenvolvidos, que já contabilizaram uma em cada cinco pessoas como pré diabéticas, as pesquisas mostram duas tendências de intervenção.

Uma delas defente que apenas a mudança de postura é suficiente para proteger este grupo de risco. Dois estudos internacionais apresentados na conferência latinoamericana mostram que a redução de 7% do peso e a adoção de uma dieta saudável é capaz de melhorar em 58% a condição dos pré-diabéticos, afirmou Griffin Rodgers, diretor do Instituto Nacional do Diabetes e Doença Digestiva, entidade responsável por financiar projetos internacionais de combate à doença.

Já uma outra corrente de médicos, em especial os que atuam nos Estados Unidos, acredita que a melhor opção é já fornecer medicamentos antidiabéticos para o grupo que ainda nem desenvolveu a doença.

“Eu não sou favorável a esta opção. Medicalizar parece mais simples do que mudar de hábito, mas a longo prazo a segunda alternativa é mais efeitva”, avalia Rosa Sampaio, do Ministério da Saúde brasileiro. Já o presidente da SBD, Saulo Silva, defende o outro lado da moeda. “A minha avaliação é de que o medicamento, principalmente a metformina, já pode ser usado para o pré-diabético. É efetiva, barata e com pouco efeito colateral.”