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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pílula e injeções de hormônio aumentam chance de contágio pelo HIV

Métodos contraceptivos hormonais deixaram as mulheres mais expostas, mas ainda não está claro como os hormônios ajudam a espalhar o vírus

ATLANTA (AP) - Um estudo descobriu que as mulheres infectadas com o vírus HIV na África ficam mais propensas a infectar seus parceiros se estiverem usando métodos contraceptivos à base de hormônios.

As mulheres observadas no estudo tinham o dobro de chance de transmitir o vírus se estivessem tomando pílula ou injeções de hormônio, se comparadas com aquelas que não utilizavam estes métodos para não engravidar. A pesquisa é a primeira a focar nesta questão, de acordo com Renee Heffron, da Universidade de Washington, que participou da pesquisa.

O estudo também mostrou que mulheres sem o vírus tinham o dobro de chance de serem infectadas com o HIV de seus parceiros se usassem a contracepção a partir de hormônios, se comparadas com aquelas que não usavam.

Os pesquisadores checaram se não havia diferenças significativas no uso de camisinha, comportamento sexual ou outros fatores que poderiam interferir no resultado. A pesquisa foi apresentada nesta quarta-feira durante a 6ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS), em Roma.

Os pesquisadores disseram que as descobertas ainda precisam ser confirmadas com novos estudos, e não devem fazer as mulheres trocarem imediatamente o método contraceptivo que usam.

O aumento do risco de infecção pelo HIV também deve ser avaliada frente as consequências da gravidez indesejada, que na África pode incluir complicadores como a mortalidade materna e a miséria, eles explicaram.

"A contracepção é incrivelmente importante para o desenvolvimento econômico e social de mulheres e crianças no mundo todo", disse Dr. Jared Baeten, outro pesquisador da Universidade de Washington que participou do estudo.

As injeções de hormônio liberam progestina, que impede os ovários de liberarem os óvulos e também estreita o endométrio do útero. As pílulas contém progestina ou progestina e estrogênio e funcionam da mesma forma.

Ainda não está claro como os hormônios ajudam a espalhar o vírus, mas o risco já foi observado em estudos anteriores. Um estudo no Quênia mostrou um aumento na células infectadas pelo HIV no tecido cervical depois que mulheres começaram a usar vários métodos contraceptivos hormonais.

O novo estudo foi realizado entre 2004 e 2010 em sete países da África: Quênia, Uganda, Ruanda, Botswana, Zâmbia, Tanzânia e África do Sul.

Ele incluiu quase 2.500 mulheres com HIV com parceiros não infectados. Cerca de um terço delas usou um método contraceptivo hormonal pelo menos uma vez. A maioria delas tomou a injeção, que é administrada uma vez por mês.

Os homens tinham 2,61% de chance de serem infectados no período de um ano se suas parceiras utilizavam um método contraceptivo hormonal. Se não fosse o caso, as chances de infecção eram de 1,51%.

A equipe de pesquisadores também observaram cerca de 1.300 casais nos quais apenas os homens tinham o vírus. Cerca de 20% das parceiras usavam algum método contraceptivo hormonal, a maioria tomava as injeções.

O estudo descobriu que estas mulheres tinham 6.6% de chance de serem infectadas pelo vírus HIV no período de um ano enquanto aquelas que não usavam este tipo de método tinham 3,8% de chance de serem infectadas.

 
Fonte Estadão

Hábitos de vida previnem Alzheimer

Um artigo publicado pela revista científica britânica Lancet Neurology sugere que milhões de casos da doença de Alzheimer, o tipo mais comum de demência em pessoas com mais de 60 anos, poderiam ser prevenidos com o controle de sete condições ou hábitos de vida que interferem no aparecimento e evolução da doença, tais como sedentarismo, pressão alta, tabagismo e obesidade.

O levantamento – uma revisão de cerca de 100 artigos científicos – foi apresentado ontem, em Paris, durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer. A conclusão tem como base um modelo matemático criado por pesquisadores americanos. De acordo com eles, uma redução de 25% em todos os 7 fatores de risco poderia prevenir até 3 milhões de casos da doença em todo o mundo, o que representa quase 10% do total de pacientes com Alzheimer – cerca de 35 milhões. No Brasil, a estimativa é de que existam cerca de 1,5 milhão de pacientes com esse tipo de demência.

“A prevenção é uma opção particularmente atraente dado o estado da terapia. É por isso que desperta muito interesse”, afirma William Thies, cientista à frente da Associação de Alzheimer. Por enquanto, os tratamentos tentam retardar a evolução da doença e diminuir os sintomas, sem promover a cura.

O trabalho usa um modelo matemático para calcular o impacto dos sete principais fatores de risco associados ao Alzheimer, que deveriam ser evitados: tabagismo, depressão, pouca escolaridade, diabete, sedentarismo, obesidade e pressão alta.

A melhora do nível educacional seria a medida de maior impacto para combater a doença no mundo. Em segundo lugar viriam as campanhas antitabagistas. Nos EUA, outras duas ações contribuiriam mais para a prevenção do Alzheimer: o combate ao sedentarismo e à depressão.

O diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Ivan Okamoto, afirma que já havia sido demonstrada a conveniência da eliminação dos fatores de risco cardiovasculares – como combate ao tabagismo, sedentarismo, obesidade e pressão alta. “Em até 20% dos casos, a demência causada pelo Alzheimer vem acompanhada por uma demência vascular”, explica. “Se você evita a demência vascular, os quadros de Alzheimer também melhoram.”

Já a atividade intelectual melhora a reserva cognitiva – conjunto de estratégias que o cérebro utiliza para compensar o déficit provocado pela demência. “Alguém que esquece uma palavra terá mais ferramentas para encontrar sinônimos ou metáforas para substituí-la se estiver acostumado a exercitar o cérebro”, afirma.

Como os demais fatores, a depressão não pode ser apontada como causa do Alzheimer. “Mas há uma evidente comorbidade coincidente das duas doenças”, aponta Okamoto. “Ao tratar a depressão, a qualidade de vida do doente melhora”, completa.

O sintoma mais comum da doença é a perda de memória, mas, com a progressão da doença, surgem outros: confusão, irritabilidade, alterações de humor, falhas na linguagem e prejuízo da capacidade de orientação temporal ou espacial. Ainda não há cura definitiva para a doença, mas alguns remédios podem retardar sua evolução.

Pesquisa

O estudo apresentado na capital francesa foi coordenado por Deborah Barnes, professora adjunta do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e recebeu financiamento dos Institutos Nacionais para o Envelhecimento, nos Estados Unidos.

Fonte Estadão

OMS pede fim de teste sorológico para tuberculose

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta quarta-feira o fim dos testes sorológicos para diagnosticar a tuberculose. A alegação é que já se demonstraram imprecisos na detecção de um em cada dois casos.

O diretor do departamento para tuberculose da OMS, Mario Raviglione, explicou em Genebra que o uso destes testes é amplamente difundido nos países em desenvolvimento. Locais que contam com sistemas públicos de saúde muito precários e obrigam os cidadãos a recorrer com frequência a médicos particulares.

Segundo Raviglione, não há nenhum sistema público de saúde que recorra a este tipo de testes para o diagnóstico da tuberculose. A doença mata 1,7 milhão de pessoas a cada ano e afeta especialmente os infectados pelo vírus da Aids (HIV).

"Seus resultados são inconsistentes e imprecisos e põem a vida dos pacientes em sério perigo", esclareceu o responsável da OMS, baseando-se em conclusões de 94 estudos realizados no último ano.
Nos casos de falso negativo, as pessoas não recebem tratamento e podem contaminar outros indivíduos e acabar morrendo.

Já nos casos de falso positivo, os pacientes recebem um tratamento que não precisam e que pode causar graves consequências para a saúde, além da despesa desnecessária que acarreta.

Estes testes são efetivos na detecção de outras doenças infecciosas, como o HIV, mas foi demonstrado que são "totalmente ineficazes" no diagnóstico do vírus que provoca uma tuberculose ativa em cerca de 10% dos casos, relatou Raviglione.

"O problema é que se pode ter o vírus sem saber, porque ele não provoca sintomas visíveis até que a doença se desenvolva. Por isso é importante se submeter a testes eficazes no tempo certo", afirmou.

COMÉRCIO

Todos os anos são feitos pelo menos dois milhões de testes sorológicos comerciais. Um negócio milionário para as empresas que os fabricam, instaladas fundamentalmente em países desenvolvidos onde quase não são utilizados para o diagnóstico da tuberculose.

Há 18 companhias no mundo que fabricam estes exames, com sede na França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Cingapura.

"O custo dos testes é de cerca de US$ 30 (cerca de R$ 47), uma quantia muito elevada para os pacientes dos países de baixa renda, onde são comercializados", ressaltou Raviglione.

A coordenadora de diagnoses de tuberculose da OMS, Karin Weyer, atribuiu seu uso estendido a partir da década de 1990 à relativa rapidez do resultado, que sai em uma ou duas semanas, muito antes do que com os sistemas tradicionais.

No entanto, desde dezembro de 2010, a OMS recomenda o uso da máquina Xpert MTB/RIF, baseada na análise molecular de DNA, que oferece um diagnóstico confiável em apenas alguns minutos e não é suscetível a erros humanos.

Segundo Weyer, os sistemas públicos de saúde começaram a adotar medidas para seguir a recomendação da OMS sobre o uso dos exames moleculares, mas ainda há um amplo número de médicos particulares que se deixam seduzir pelas ofertas das empresas que fabricam os testes sorológicos.

Fonte Folhaonline

Abuso de droga para cavalo faz britânico perder a bexiga

Uma grande cicatriz que passa pelo meio da barriga do britânico Christopher Francis, 22, é uma lembrança permanente que ele carrega sobre as consequências do abuso no uso de drogas.

O consumo constante de ketamina, droga comumente usada como tranquilizante para cavalos, levou Francis a desenvolver uma grave infecção que o obrigou a ter a bexiga retirada e substituída por um órgão artificial.

BBC
Christopher Francis onta que começou a consumir a ketamina "cheirando umas poucas linhas"; logo sentia os efeitos na saúde
Christopher Francis começou a consumir a ketamina "cheirando umas poucas linhas"; logo sentia efeitos na saúde

O jovem, que cumpre hoje uma pena de prisão em regime semi-aberto por tráfico de drogas, dá palestras em escolas para alertar sobre os perigos das drogas e mostrar que eles vão além da ameaça da cadeia.

"As pessoas não têm ideia do efeito que isso [o consumo de ketamina] tem. Ela rapidamente estraga sua saúde", afirma ele em entrevista à BBC.

SPECIAL K

A ketamina é um poderoso anestésico geral, que deprime o sistema nervoso central e provoca uma temporária perda de sensação no corpo. Também tem fortes efeitos alucinógenos.

A droga é popularmente conhecida como Special K, Super K ou Vitamina K.

Um relatório divulgado nesta quinta-feira por uma comissão científica independente sobre drogas no Reino Unido indica que a ketamina já é a quarta droga ilegal de uso mais popular no país.
Apesar disso, a substância ainda é classificada como droga leve pela legislação do país, no mesmo nível que outros tranquilizantes e anabolizantes e considerada menos danosa que drogas como maconha, ecstasy ou cocaína.


BBC
Christopher Francis mostra a cicatriz da cirurgia em que removeu a bexiga; ele faz campanha contra o uso da ketamina
Christopher Francis mostra a cicatriz da cirurgia em que removeu a bexiga; ele faz campanha contra o uso da ketamina


TOLERÂNCIA

Christopher Francis conta que começou a consumir a ketamina "cheirando umas poucas linhas" e que rapidamente foi aumentando a quantidade consumida, conforme sua tolerância à droga ia aumentando.

Com o tempo, ele foi sentindo os efeitos do consumo da ketamina sobre sua saúde. "Começou com câimbras no estômago e dificuldade para urinar" conta.

"Aí eu cheirava mais para tentar me livrar das dores, mas essa era a razão pela qual estavam ali originalmente", diz.

Com o tempo, ele conta que passou a urinar sangue e pus. "Ficava na cama me contorcendo de dor e não tinha nada que pudesse fazer. A única maneira de fazer a dor passar era cheirando mais", diz.

BOLSA DE URINA

O consumo da droga provocou a corrosão da cartilagem de seu nariz, mas essa não foi a pior consequência da ketamina, para Francis. Os danos provocados pela droga em seu sistema urinário foi tamanho que ele teve que ter sua bexiga retirada.

Por quase um ano, entre os 18 e os 19 anos, ele teve sua urina coletada em uma bolsa ligada ao corpo. "Não é a melhor das coisas para um garoto dessa idade, que está tentando conquistar as garotas, ter uma bolsa de urina entre suas pernas", observa.

Ele comenta que o problema lhe causou várias situações de constrangimento, especialmente quando a bolsa vazava. "Em algumas situações me vi num grupo de 5 ou 6 amigos e de repente tinha minhas calças molhadas. Não é uma situação muito legal, é constrangedor", diz.

Para Francis, as autoridades precisam começar a agir para conter o aumento no consumo de ketamina.
MORTES

"As pessoas não têm ideia do efeito que isso [o consumo de ketamina] tem. Ela rapidamente estraga sua saúde"

Pesquisadores dizem que não foram realizados muitos estudos sobre os efeitos da ketamina sobre a saúde, porque seu uso como droga recreativa é um fenômeno recente.

"Não sabemos quais os efeitos de longo prazo, porque somente começamos a pesquisar isso nos últimos anos", afirma o médico Dan Wood, professor da University College London.

Além dos problemas na bexiga, relatados por muitos dos usuários da droga, Wood afirma que também são registrados com frequência problemas renais e no fígado. "O que ainda não sabemos é se esses danos são reversíveis", diz.

As autoridades britânicas também alertam para um crescente número de mortes ligadas ao consumo de ketamina --em sua maioria, provocadas por acidentes.

No início do ano, Louise Cattell, 21, morreu afogada em uma banheira após consumir a droga.

A morte de Cattell levou sua mãe, Vicky Unwin, a promover campanhas para alertar sobre os perigos do consumo de ketamina.

"Alguns dos melhores amigos da Louise ainda usam ketamina", diz Vicky. "Eu fico pasma com isso, porque eles a amavam e viram como ela morreu", afirma.

Fonte Folhaonline

Risco de infecção por Aids diminui 76% em homens circuncidados

Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira em Roma, no último dia da conferência internacional sobre a Aids, mostra que a circuncisão permite uma diminuição de 76% dos riscos de infecção com o HIV nos homens.

O estudo da ANRS (Agência Francesa de Pesquisas sobre a Aids), dirigido por Bertrand Auvert, foi realizado na localidade de Orange Farm, subúrbio de Johannesburgo, onde a infecção alcança níveis particularmente elevados: em um grupo com idade entre 35 e 39 anos, 40% dos homens não circuncidados têm HIV; entre as mulheres, 45%.

DADOS

Por causa de uma campanha de promoção realizada por cientistas, mais de 20.000 homens aceitaram passar por uma circuncisão.

O objetivo da pesquisa era comprovar na prática uma queda do risco de 60% estabelecida por testes clínicos.

Se nenhum homem tivesse sido circuncidado nesta comunidade durante o período da pesquisa, a incidência de infecções do HIV teria sido 58% maior, segundo os cientistas.

"Esta é a primeira vez que um estudo em nível mundial demonstra que um programa de prevenção entre adultos heterossexuais funciona no mundo real", explicou Auvert.

"Isso confirma que a circuncisão masculina, barata e que é feita apenas uma vez na vida, é um método preventivo eficaz", declarou o professor Jean-François Delfraissy, diretor da ANRS.

O médico sul-africano Dirk Taljaard, que participa na pesquisa, enfatizou que os cientistas esperam que a repercussão desse método seja uma redução da infecção também entre as mulheres.

Fonte Folhaonline