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terça-feira, 9 de agosto de 2011

As doenças crônicas no mundo


OS NÚMEROS

Câncer
De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, uma em cada oito mortes no mundo já é causada por câncer e a estimativa da entidade é de que em 2030 o total de óbitos no planeta chegue a 13,5 milhões, quase o dobro dos 7,6 milhões registrados em 2008.

Diabetes
Segundo a OMS, mais de 220 milhões de pessoas mundo têm diabetes e mais de 80% das mortes causadas pela doença estão em países pobres ou em desenvolvimento. A projeção da OMS é de que o total de afetados pela doença dobre até 2030.

Doenças cardiovasculares
Sozinhas, correspondem a 29% do total de óbitos no mundo, sendo a principal causa de morte em todo o planeta. Desse total, 82% dos casos vêm de países pobres e em desenvolvimento. Até 2030, segundo estimativas da OMS, 23,6 milhões de pessoas vão morrer de doenças cardiovasculares, especialmente de doenças do coração e acidente vascular cerebral (AVC).

Doenças respiratórias
O último levantamento da OMS, feito em 2004, apontou: somando apenas os casos de asma e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) o total de afetados chega a quase 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Em 2008, 4,2 milhões morreram desse grupo de doenças que engloba, além das duas mais prevalentes, as bronquites, as rinites e sinusites alérgicas e a hipertensão pulmonar.

Fontes: OMS e Agência Internacional de Pesquisa em Câncer

Fonte IG

Doenças crônicas: menos burocracia em pesquisas

Plano de enfrentamento de doenças como o câncer quer aumentar pesquisa de medicamentos

Uma das metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas-Não Transmissíveis, que o Brasil deve apresentar em setembro, na Organização das Nações Unidas (ONU), é colocar o Brasil como protagonista na indústria farmacêutica, produzindo medicamentos biotecnológicos para hipertensão, diabetes e câncer.

Para isso, o Ministério da Saúde estabeleceu 28 parcerias público-privadas e quer que o País participe e lidere pesquisas para garantir bons tratamentos em solo brasileiro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reconhece que é preciso desburocratizar registros e autorizações para que estudos com seres humanos sejam feitos no Brasil. Uma reivindicação antiga dos pesquisadores brasileiros, que reclamam da demora na liberação de estudos e na duplicação de análises de projetos.

Hoje, para se realizar um estudo dessa natureza, os pesquisadores têm de protocolar um pedido em Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) da própria instituição em que trabalha ou outro credenciado à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Depois deles, a própria Conep valida os protocolos que envolvem pessoas, novos medicamentos e pesquisas financiadas por indústrias estrangeiras. A espera por uma autorização pode levar mais de ano.

Em entrevista ao iG, o ministro afirmou que novas regras foram negociadas com a Conep para acelerar esse processo. De acordo com Padilha, as avaliações serão descentralizadas.

“Hoje há Comitês de Ética em Pesquisa de várias instituições muito reconhecidos. Esses comitês seriam creditados para assumir mais responsabilidades do que outros, dependendo da qualidade de seu trabalho”, explicou.

Outra medida será passar a operação dos registros de pesquisas para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde. Em agosto, a secretaria vai lançar a Plataforma Brasil de Registros de Pesquisas.

Todos os registros de pedidos de autorização para projetos de pesquisa poderão ser consultados online, desde a avaliação dos comitês de ética até a da própria Conep. Com o trabalho da secretaria, Padilha espera agilizar os processos.

Em breve, uma resolução com as novas propostas será apresentada pela Conep ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), do qual a comissão faz parte. Dessa forma, explicou o ministro, a Conep continuaria monitorando os passos dos comitês, mesmo os que ganhassem mais autonomia. Segundo ele, cerca de 15% dos projetos de pesquisas no Brasil precisam ser avaliados pela Conep e a grande maioria deles não precisaria.

“Essas pesquisas estão relacionadas ao desenvolvimento de novos produtos, são pesquisas clínicas que têm financiamento da indústria farmacêutica internacional e precisam do aval da Conep. O atraso nisso faz com o que o Brasil não possa ocupar um espaço cada vez maior no desenvolvimento de pesquisas”, disse Padilha.

Fonte IG

Colesterol alto no DNA


Pesquisa brasileira encontrou o gene da doença na família Zampini e em outros 56 núcleos familiares

Aos 24 anos, recém-casado e um pouco gripado, José Flávio Zampini resolveu procurar o médico e fazer um ckeck-up. Os exames mostraram um índice de colesterol quatro vezes maior do que o recomendável, taxa alta demais para culpar a dieta e que contrastava com o corpo magro (70 quilos e 1,90 metro de altura), “esculpido” com futebol semanal com os amigos.

Tinha um acúmulo de gordura na região dos olhos, fumava, é verdade, mas nunca sequer havia suspeitado de que havia algo errado comigo”, lembra José Flávio, hoje com 51 anos.

Mudar a alimentação não foi suficiente para reduzir as taxas de um dos principais inimigos do coração. A medicação também não surtia efeito e só quando os filhos, Rebeca e o Thiago, nasceram e cresceram um pouquinho os médicos conseguiram comprovar: os Zampini têm o colesterol alto no DNA.

As crianças obviamente não eram fumantes, não comiam frituras ou salgadinhos em excesso mas aos 5 e 4 anos já tinham taxas altas de colesterol, exigindo remédios para o controle. José Flávio, Rebeca e Thiago começaram a ser pesquisados pelos especialistas do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) e, assim como eles, os genes de outros 56 núcleos familiares – que enfrentavam situação semelhante – foram avaliados. Pais, filhos, primos e sobrinhos foram pesquisados (totalizando 500 pessoas).

“Em todos, encontramos defeitos genéticos parecidos que elevam o colesterol e ampliam em duas vezes o risco de infarto antes dos 50 anos, sem ou pouca interferência de uma alimentação desregulada ou qualquer outro fator de risco externo”, explica o diretor do Departamento Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Raul Dias dos Santos, médico do Incor e coordenador da pesquisa.

O banco genético formado com as informações destas famílias tem o propósito de ajudar os especialistas a direcionar melhor como tratar casos como este. Isso porque, para esta minoria, a recomendação universal formada pelo tripé dieta saudável, exercício físico e medicação não surte os efeitos esperados. Já para os 43% dos homens acima dos 30 anos e 30,1% de mulheres nesta faixa-etária que convivem com o colesterol – segundo identificou pesquisa do Hospital do Coração (HCor), as três sugestões de mudança de vida são suficientes para conter o problema.

Risco precoce
Não controlar o colesterol e deixar que ele avance é perigoso para qualquer pessoa, alertam os cardiologistas. “Na medida em que o colesterol se deposita nas paredes das artérias, diminui o espaço para a passagem do sangue”, explica o cardiologista e supervisor do Clinic Check-up HCor, César Jardim.

“Com o tempo, algumas das artérias podem ficar totalmente obstruídas. Com isso, ocorre, por exemplo, o infarto agudo do miocárdio ou o acidente vascular cerebral (AVC). “Para não chegar a esse ponto, o indivíduo deve procurar a orientação médica precocemente, pois a elevação do colesterol não costuma provocar desconforto até que a situação esteja bastante grave”, acrescenta Jardim.

Mas para as famílias que têm os genes do colesterol a ameaça é maior e mais precoce, afirma o médico Raul Dias.

“Neles, o risco de infarto e de morte é de 25% até 40 anos de idade. Aos 50 anos, metade desses pacientes já morreu. Por isso o diagnóstico é tão importante e não pode ficar restrito em São Paulo. Precisamos conscientizar médicos, profissionais de saúde e as pessoas de todo País.”

A boa notícia é que a intervenção precoce, com medicamentos já na infância e na adolescência, reverte o quadro em 44% dos casos, conforme demonstrou um estudo holandês, apresentado este mês no congresso de cardiologia, que ocorreu em Florianópolis, Santa Catarina.

“A influência genética é um risco maior, mas reversível”, pondera Dias.

Filhos protegidos
Nos pacientes avaliados geneticamente no estudo do Incor, os pesquisadores encontraram 1.500 mutações genéticas diferentes, todas com impactos importantes no aumento do colesterol. Foi uma delas que José Flávio recebeu de “herança” dos seus pais e acabou repassando aos filhos.

“A sensação nunca foi de culpa, mas de frustração. Uma doença que todo mundo controla com alimentação e hábitos saudáveis, mas em nossa família só isso não basta”, lamenta o patriarca dos Zampini.

Ao mesmo tempo em que saber que este núcleo familiar tem o colesterol no DNA é frustrante, José Flávio sabe que o diagnóstico ajudou muito a proteger seus filhos.

“Eu tomo entre 8 e 9 remédios todo dia, tive um infarto em 2008 e precisei fazer uma outra operação por causa da angina no ano passado. Já a Rebeca e o Thiago tomam medicações em doses bem mais reduzidas, conseguem ter uma vida normal, só evitando frituras. Estão bem mais protegidos.”

Ainda que a avaliação genética não seja uma realidade em todo país, o especialista do Incor diz que a orientação que garante a intervenção precoce exige só que as pessoas comecem a medir o colesterol a partir dos 10 anos de idade. As taxas altíssimas – o limite para o colesterol ruim, chamado de LDL é ser maior ou igual a 130 mg/dL – sem que a pessoa tenha uma alimentação muito ruim e sem obesidade podem sugerir o colesterol de origem genética.

“A família toda deve fazer os testes e sempre procurar o cardiologista para fazer a prevenção”, orienta Raul Dias.

Fonte IG

Osteoporose também é assunto de homem

Entidade americana lista os fatores de risco para a doença na população masculina

Embora a osteoporose seja mais comum em mulheres que já passaram da menopausa, os homens também são vulneráveis a este problema ósseo com o passar da idade.

A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos afirma que os fatores de risco para a doença na população masculina incluem:

1) Consumir álcool e cigarro em doses exageradas

2) Não fazer exercícios físicos regularmente

3) Ter um Índice de Massa Corpórea (IMC) muito baixo

4) Não consumir as quantidades ideais de cálcio e vitamina D

5) Consumir certas medicações, como anticonvulsivos, corticóides e heparina

6) Envelhecer

7) Ter histórico na família de pessoas com muitas fraturas ou ossos frágeis

8) Algumas condições de saúde, como asma, disfunções na tireoide e artrite reumatóide

9) Ter níveis baixos de hormônios, como testosterona e estrogênio

Fonte IG

Brasil prepara plano nacional contra doenças crônicas

Objetivo é reduzir em 2% ao ano as mortes por câncer, diabetes e doenças cardíacas e respiratórias

Na próxima semana o Brasil deve fechar as propostas de um plano nacional de enfrentamento para um grupo de doenças que, sozinho, é responsável por 63% das mortes do planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Baseado em ações cujo foco é estimular a mudança de hábitos da população, o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis quer estimular os brasileiros a comer melhor e a praticar atividades físicas. A meta do governo é reduzir a taxa de mortalidade prematura (menos de 70 anos) por essas enfermidades em 2% ao ano.

No Brasil as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) – sendo as principais o câncer, o diabetes e as doenças cardiovasculares e respiratórias – correspondem a 72% dos óbitos anuais, atingindo especialmente as camadas da população de mais baixa renda e escolaridade. São doenças, dizem os especialistas, em sua maioria causadas por fatores de risco diretamente ligados ao desenvolvimento: aumento da renda, sedentarismo e dietas calóricas ricas em sal e gorduras.

Em entrevista exclusiva ao iG o ministro da Saúde Alexandre Padilha admite que as ações propostas são difíceis de serem concretizadas, pois dependem, em grande parte, de mudanças de comportamento individuais.

“Apostamos muito na parceria com a educação, no espaço da escola para promover essas mudanças. A merenda escolar tem de ser uma promotora de hábitos saudáveis. A escola tem de estimular a atividade física”, disse o ministro.

Mais participação
Na avaliação da presidente do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), Rosane Nascimento da Silva, as iniciativas não podem se restringir a um só ministério ou ação pública. Ela lembra que todo processo de mudanças precisa de medidas regulatórias e legislativas, mas considera o apelo da publicidade o mais importante nesse momento.

“Sentir-se parte desse movimento é que é difícil. Por isso, as campanhas por uma alimentação mais saudável não podem durar um mês. As ações devem ser sistemáticas”, ressalta.

A presidente do CFN lembra que as parcerias com o setor produtivo – para reduzir, por exemplo, a quantidade de sal, gordura e açúcar dos alimentos – também são fundamentais.

“Avançamos em termos de princípios e diretrizes, agora precisamos ir às ruas. O próprio consumidor precisa pressionar as estruturas para que as mudanças aconteçam”, defende.

A construção de equipamentos para realização de atividade física próximos às unidades de saúde é outra aposta forte do ministério para promover hábitos saudáveis. No Programa Academias da Saúde, os municípios receberão mais recursos para construir novas estruturas e contratar profissionais de educação física, fisioterapeutas e agentes de educação para estimular os pacientes a fazer atividade física. Nos projetos-piloto, segundo Alexandre Padilha, houve redução de 50% no uso de antidepressivos, 50% no uso de antiinflamatórios e aumento no controle de hipertensão e de diabetes.

O presidente do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), Jorge Steinhilber, encara com ceticismo as propostas e metas previstas no documento. Para ele, fomentar a prática de atividades exercícios a partir de uma premissa de combate a doenças não é a melhor abordagem para conseguir a adesão da população.

“A Política Nacional de Promoção da Saúde foi criada em 2006 e mal saiu do papel. O governo precisa se propor a enfrentar o tema como se propôs a enfrentar a fome no início do governo Lula. E para isso é preciso investimentos e ações coordenadas entre todos os ministérios” critica.

Problema comum
A preocupação com o impacto futuro de tantas mortes precoces entre a população economicamente ativa não é uma exclusividade brasileira. Em setembro, em Nova York, pela terceira vez na História, saúde será o tema central de uma assembléia nas Nações Unidas conhecida como High Level Meeting (reunião de alto nível, em tradução livre) cujo objetivo é combater uma doença (neste caso um grupo de doenças) em escala planetária.

Assim como foi feito com a pólio (conhecida como paralisia infantil) nos anos 80, e com a aids, na última década, ministros e chefes de estado de todos os países membros da entidade apresentarão as propostas de cada nação para conter o avanço das doenças crônicas não transmissíveis.

O esforço mundial foi fomentado pelos recentes alertas da OMS para o aumento na incidência das DCNTs em todo o mundo e pelas estimativas dos especialistas em economia e demografia sobre a influência desse grupo de doenças na redução do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – alguns estimam que elas poderão inclusive atrasar o desenvolvimento de países como o Brasil, a China e a Índia.

AS METAS
Reduzir as mortes prematuras (menos de 70 anos) por DCNTs em 2% ao ano
Diminuir a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes
Deter o crescimento da obesidade em adultos
Reduzir as prevalências de consumo nocivo de álcool e do tabagismo em adultos
Aumentar a prevalência de atividade física no lazer
Ampliar o consumo de frutas e hortaliças e reduzir o consumo médio de sal
Aumentar a cobertura de mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos
Ampliar a cobertura de exame preventivo de câncer de colo do útero em mulheres de 25 a 59 anos
Tratar 100% de mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer
FONTE: Ministério da Saúde

CONHEÇA AS PRINCIPAIS AÇÕES DO PLANO
Atividade física: construir espaços que estimulem a prática de atividade físicas nas cidades, reformular espaços nas escolas para ampliar a prática educação física, incentivar a prática de atividade física fora do turno de estudo, construir e reativar ciclovias, parques, praças e pistas de caminhadas e realizar mais campanhas de conscientização sobre o tema.
Alimentação saudável: garantir o fornecimento de alimentos saudáveis no Programa Nacional de Alimentação Escolar, estabelecer parcerias para o aumento da produção e da oferta de frutas e hortaliças, fomentar a adoção de medidas fiscais para aumentar a produção e baratear os preços de alimentos saudáveis e negociar com as indústrias alimentícias a redução de sal, gorduras e açúcar nos alimentos industrializados.
Álcool e cigarro: adequar a legislação nacional que regula o fumo em recintos coletivos, ampliar as ações de prevenção e de cessação do tabagismo (com atenção especial para jovens, mulheres e população de menor renda e escolaridade), aumentar os impostos sobre os dois produtos, ampliar a fiscalização e a punição quem vende álcool a menores de 18 anos.
Envelhecimento: ampliar ações de incentivo aos idosos para a prática da atividade física regular no programa Academia da Saúde, capacitar profissionais de saúde para atender idosos e pessoas com condições crônicas, campanhas para incentivar o autocuidado e o uso racional de medicamentos e criar programas para formação do cuidadores de idosos e doentes crônicos na comunidade.
Cuidado integral: melhorar o rastreamento do câncer do colo do útero e garantir 100% de acesso ao tratamento, tornar mais rápido e
Fonte IG