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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Empresa chinesa lança outra 'pulseira do equilíbrio' no Brasil

Uma nova "pulseira do equilíbrio" deve ser lançada no Brasil a partir de setembro.

Só que a promessa terapêutica, desta vez, não vem de um holograma bioquântico, como nos célebres braceletes da empresa Power Balance, mas de uma liga de metal que libera íons negativos.

O "conceito" da nova iBalance é o seguinte: o ar poluído da cidade deixa o corpo carregado de íons positivos, provocando um desequilíbrio no metabolismo. Segundo a Oregon Scientific, que criou o produto, a faixa de metal da pulseira neutraliza o excesso desse tipo de íon, trazendo como benefícios menos fadiga e até um sono melhor.

A empresa, que produz equipamentos eletrônicos como laptops infantis e monitores cardíacos, tem sede na China, mas a pulseira foi desenvolvida no Japão.

O certificado de eficácia também vem desse país, emitido por uma entidade chamada Associação Japonesa de Pesquisa e Aplicação de Íons.

"Durante a fabricação, a pulseira recebe uma carga de íons negativos, que são absorvidos pela pele", diz Carolina Sacramento, gerente de negócios da Oregon no Brasil.

Para Leandro Tessler, professor de física da Unicamp, essa explicação não tem base científica.

"Não sei de nenhum estudo sério que aponte que o excesso de íons positivos causa desequilíbrio no metabolismo", afirma.

Segundo Tessler, uma liga metálica não pode liberar íons se não for alimentada por eletricidade. "Ainda que gerasse íons negativos, resta saber como eles entrariam na circulação", diz.

PROIBIÇÃO
A empresa afirma que não fará propaganda dos benefícios terapêuticos da pulseira, nem mesmo em anúncios nas embalagens.

"Temos a certificação do Japão, mas ainda assim deixamos claro que não é de uso terapêutico, é para auxiliar", diz Sacramento.

A representante da empresa afirma que essa medida foi tomada para atender a regulamentação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe a publicidade de efeitos terapêuticos não comprovados.

Em setembro de 2010, após ter sido informada por reportagem da Folha, a Vigilância proibiu que as marcas de pulseiras Power Balance (americana) e Life Extreme (a genérica brasileira) anunciassem em seus sites propriedades atribuídas aos produtos como "ativação da circulação sanguínea" e "maior equilíbrio corporal".

Fonte Folhaonline

Cardiologistas vão contestar proibição de selos em produtos

A SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) afirma que vai recorrer contra a proibição de selos de entidades médicas em produtos.

O veto foi divulgado na sexta-feira pelo Conselho Federal de Medicina e integra um conjunto de novas regras para a publicidade de serviços médicos.


Por meio de nota, a SBC afirma que "certifica há mais de 15 anos a qualidade de mais de uma centena de produtos" e que esse certificado é "importante" para a prevenção de doenças cardíacas.

Entre os produtos que carregam o selos de aprovação da sociedade estão: aveia em flocos, biscoitos, leite em pó, sucos de uva, bebidas à base de soja, margarinas, óleos vegetais, azeite, queijos, sal e açúcar light, sanduíches light, hambúrguer, uma marca de salada de frutas, medidores de pressão e um grill.

A nota diz que uma comissão com dez cardiologistas e nutricionistas analisa os produtos e que a maioria dos que pedem o selo é rejeitada.

O presidente da SBC, o cardiologista Jorge Ilha Guimarães, conversou ontem com o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Dávila, sobre o veto ao selo.

Dávila falou à Folha e confirmou o encontro, no qual Guimarães defendeu a legitimidade do selo. "Eu falei para ele colocar isso no papel e encaminhar ao conselho. Se a plenária entender que há um papel social para o selo, poderá ser feita uma exceção. Se não, ele será abolido."

INTERESSE COMERCIAL
O presidente do CFM afirma que a proibição foi decidida para evitar conflitos de interesses dos médicos com empresas, que pagam pela chancela das sociedades. "Isso pode induzir o consumidor a achar que aquele produto é mil vezes melhor que o outro."

Dávila estima que o pedido da sociedade de cardiologia seja analisado em cerca de 90 dias.

De acordo com o médico João Baptista Laurito Jr., professor colaborador de ética médica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os selos atendem a um interesse "estritamente comercial".

"A sociedade de cardiologia tem diversos outros meios para fazer isso. Pode publicar a informação de que produtos com tal característica são saudáveis, sem indicar marcas e produtos."

Fonte Folhaonline

Novos lasers são mais precisos para remover tatuagem

O uso de raios laser especialmente calibrados aumentou muito as chances de remover com sucesso uma tatuagem, mas o processo está longe de ser perfeito.

Ainda é difícil lidar com desenhos de cores claras, e as tatuagens grandes (maiores que a palma de uma mão) são quase impossíveis de apagar --no máximo, o laser transforma o desenho em borrão.

"É algo a ser muito discutido com o médico antes do procedimento", diz o dermatologista Roberto Mattos, coordenador do Departamento de Laser da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

O risco de surgimento de cicatrizes ou de descoloração permanente da pele tratada existe, embora seja pequeno: ocorre em 1% dos casos, estima Alexandre Filippo, também membro da SBD. "Isso acontece se houver um erro técnico importante. O laser é bom e bastante seguro", afirma Mattos.

LÁ NO FUNDO
As mesmas características químicas que levaram à escolha de certas tintas para uso em tatuagens também dificultam a remoção dos desenhos mais tarde.

O aparelho usado por tatuadores deposita as tintas na derme média, camada que abriga os folículos dos pelos e as glândulas, por exemplo.

O pigmento inserido pelo tatuador é depositado a profundidades de 1 mm a 3 mm. Ele é formado por moléculas grandalhonas, que não conseguem ser "devoradas" pelas células de defesa da pele.

Por isso, o laser usado para atacar a tatuagem, do tipo conhecido como "Q-switch", tem como missão fragmentar os pigmentos em pedaços moleculares menores.

Ele faz isso emitindo pulsos muito rápidos, com duração de nanossegundos (bilionésimos de segundo).
A ação do laser é calibrada para que ele emita luz com comprimento de onda (ou seja, cor) cuja absorção seja otimizada para o pigmento que se deseja fragmentar.

Cada tom de pigmento absorve um comprimento de onda específico, o que exigiria alterar a emissão do laser dependendo da cor.

Para Filippo, as diferentes "cores" que podem ser obtidas com o laser (a luz vermelha é mais absorvida por pigmentos verdes e escuros, por exemplo) são uma boa ferramenta para atacar a tinta de forma seletiva.

Já Mattos afirma que o processo não é tão preciso. "Mas tons escuros absorvem mais e, por isso, são mais fáceis de remover da pele", diz.

Ueslei Marcelino - 29.jan.09/Folhapress
Homem durante sessão de tatuagem; processo ainda é demorado e pode levar meses até desenho ser concluído
Homem durante sessão de tatuagem; processo ainda é demorado e pode levar meses até desenho ser concluído

PROCESSO É AINDA DEMORADO E DOLORIDO
O interessado em se desfazer de seu exemplar de arte corporal tem de se armar com paciência e resistência à dor, dizem os médicos.

A aplicação do laser permite que os fragmentos de tinta sejam devorados pelos macrófagos, células do sistema imune. A tinta também pode vazar pela pele.

Ao longo do processo, a energia do laser produz pequenos estalos na pele. É preciso aplicar um anestésico local cerca de uma hora antes, mas mesmo assim o procedimento é dolorido.

É comum a formação de uma casca, que deve ser tratada com cuidado. Também há o aparecimento de áreas esbranquiçadas na pele, que normalmente somem em um ou dois meses.

A duração das sessões depende do tamanho e tipo da tatuagem, indo de cinco minutos a quase uma hora.
A não ser que a tatuagem seja muito pequena, é preciso realizar cerca de dez sessões, uma a cada mês, para concluir o tratamento. O preço pode ficar em torno de R$ 400 por sessão.

De acordo com Alexandre Filippo, o melhor desempenho para tatuagens multicoloridas tem sido obtido com uma variante do "Q-switch", o Quanta Plus.



Editoria de Arte/Folhapress


Fonte Folhaonline

SUS amplia internação domiciliar

Até o fim do ano, 15 mil pacientes internados em hospitais poderão ser atendidos pelo sistema de home care, segundo previsão do Ministério da Saúde; portaria com novas regras para este tipo de cuidado será divulgada nesta semana pelo governo

Até o fim do ano, pelo menos 15 mil brasileiros internados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão voltar para suas casas e continuar a receber cuidados médicos, por meio de home care.

Conforto. Maria Luiza recebeu alta e é atendida em casa - Andre Lessa/AE-16/8/2011
Andre Lessa/AE-16/8/2011
Conforto. Maria Luiza recebeu alta e é atendida em casa

Os novos critérios para internação domiciliar serão divulgados até amanhã pelo governo. A principal novidade é o pagamento de R$ 34.500 ao mês por equipe médica. Para este ano, o orçamento do Ministério da Saúde prevê a contratação de 250 equipes, cada uma com capacidade para atender 60 pacientes.

A meta é chegar a mil equipes até 2014. "Vai substituir muita demanda de internação hospitalar e vai agilizar o giro nas portas de urgência", afirma o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Miranda. "É um programa que alia a segurança hospitalar com o conforto do lar, oferecendo um atendimento mais humanizado."

O SUS criou os primeiros critérios para a internação domiciliar há cinco anos, recomendando esse tipo de cuidado para idosos, portadores de doenças crônicas ou câncer - com exceção daqueles que precisam de ventilação mecânica. Como não havia previsão de verba federal para a formação de equipes, poucos Estados e municípios se mobilizaram. Apenas 77 hospitais no País se credenciaram junto ao SUS.

Entre as iniciativas bem-sucedidas está a da Bahia. Criado em 2008, o serviço havia atendido 2.212 pacientes até dezembro. As 26 equipes - formadas por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas - estão divididas em 14 hospitais de dez municípios.

Nesse período, 40% das internações domiciliares ocorreram por tratamentos de feridas, 30% por sequelas neurológicas, 13% por hipertensão arterial e 10% por diabete. São pacientes que passaram pela internação convencional, tiveram o quadro estabilizado, mas ainda precisavam de cuidados médicos.

"Além de não estar exposto a possíveis infecções no hospital, o paciente se recupera muito mais rapidamente", afirma Ledívia Espinheira, diretora de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde da Bahia.

A prefeitura de Belo Horizonte criou seu programa em 2002, antes da portaria do SUS. No ano passado, foram admitidos 4.792 pacientes - média de 400 por mês. Eles ficam cerca de 15 dias em acompanhamento. Em março deste ano, um quinto das internações nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) foram encaminhadas para atendimento domiciliar.

"A nova portaria dará um novo impulso para esse tipo de atendimento. Não é uma política isolada, faz parte da rede de urgência que inclui as UPAs, o SAMU, a rede de atenção básica", afirma Helvécio Miranda.

Limites. O novo programa não limita as enfermidades que podem ser atendidas, mas mantém a exclusão aos pacientes que dependem de ventilação mecânica. "Precisamos fazer um planejamento que sirva para o País todo. Mas poderá ser reavaliado", afirmou o secretário.

A condição básica para que o paciente seja encaminhado para a internação domiciliar é ter um cuidador, alguém que se responsabilize pelo seu atendimento. "A família é fundamental para a recuperação do paciente", diz Midori Uchino, coordenadora do Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (Padi), da Secretaria Municipal do Rio.

Foi o que aconteceu com o aposentado José Pereira da Rocha, de 84 anos, que tem sequela de acidente vascular cerebral e voltou para casa em estado vegetativo. Com o acompanhamento, ele voltou a falar e a se alimentar sozinho. A equipe ajuda a organizar a rotina de medicamentos e fonoaudiólogas, nutricionistas e enfermeiras se revezam no cuidado ao aposentado.

O Padi completa um ano esta semana acompanhando 506 idosos. "É o equivalente a um Hospital Souza Aguiar. É como se tivéssemos um hospital virtual", compara o secretário de saúde, Hans Dohmann.

Sobrecarga. No Instituto Nacional de Câncer (Inca), que tem 280 pacientes em cuidados domiciliar, a preocupação com o cuidador é tanta que foi instituída a internação por sobrecarga do cuidador. "Às vezes, o familiar não consegue lidar com a enfermidade. A equipe identifica a situação e oferece a internação por uma semana", explica Julio Cesar de Souza, chefe da assistência domiciliar do Hospital Inca 4. No período, o cuidador pode conhecer outros acompanhantes e trocar experiências.

Fonte Estadão

Cirurgia cardíaca menos invasiva é desenvolvida em SP

Em vez de operação de peito aberto, mais arriscada, um implante é feito por uma incisão de 5 cm para corrigir desgaste em válvula

Implante desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Braile Biomédica, de São José do Rio Preto, promete corrigir desgastes na válvula do coração sem precisar abrir o peito do paciente, num procedimento mais simples e rápido que o realizado atualmente pelos médicos.

Tempo de recuperação cai para apenas 15 dias - Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE
Tempo de recuperação cai para apenas 15 dias

O grupo criou uma válvula artificial, feita com pericárdio bovino (a pele que reveste o coração do boi), que pode ser implantada no paciente com a ajuda de um cateter, inserido por meio de um corte pequeno.

O implante é indicado para uma doença chamada estenose aórtica grave - um desgaste ou calcificação da válvula que regula o fluxo sanguíneo do coração para a aorta. A maioria dos pacientes com o problema é idosa, o que torna a cirurgia tradicional, feita com o peito aberto, de altíssimo risco.

Pela nova proposta, o tempo da cirurgia cai de 2 horas para 40 minutos e a recuperação, que leva de dois a três meses, ocorre em cerca de 15 dias. O corte, que na cirurgia convencional chega a 30 cm, resume-se a uma incisão de 5 cm.

O aparelho, com diâmetro médio de 24 cm, é prensado, introduzido no coração com um cateter e inflado com a ajuda de um minibalão, fixando-se na parede do coração. O processo todo é acompanhado em monitores com imagens de raio X.

Ainda em fase experimental, o implante já foi testado em 128 pacientes. Desses, pelo menos 20 estavam internados sem condições de alta e, depois de operados, deixaram o hospital.

Batizada de Inovare, a válvula aguarda aprovação Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser produzida comercialmente.

"Um estudo mostrou que 31,8% dos pacientes com estenose aórtica não podiam ser operados pelo método tradicional, por isso tivemos o impulso de fazer uma coisa menos invasiva", explica o cirurgião Domingo Braile, fundador da Biomédica. "Investimos R$ 3 milhões para desenvolver o projeto", conta.

A empresa estima que, assim que receber autorização para comercializar a válvula no País, receberá uma demanda de dez unidades por mês. Ela também pretende exportar o produto.




Inovação. Pioneira em válvulas cardíacas de pericárdio de boi - a primeira foi feita em 1973 e hoje são 70 mil fabricadas -, a Braile está envolvida em outro projeto inovador. Em cooperação científica com outras instituições, vai lançar próteses para substituir porções do aparelho digestivo suprimidas em razão do câncer.

Entre os produtos, uma prótese permite ao paciente submetido à retirada do esôfago voltar a se alimentar pela boca.

Fonte Estadão