segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sal de ervas é boa opção para reduzir sódio na comida
Nutricionistas indicam receitas simples e fáceis para substituir o produto convencional
O sal foi alçado à condição de vilão da alimentação por conta de seus efeitos prejudiciais à saúde, que vão da hipertensão ao AVC e outras doenças cardiovasculares.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que a quantidade diária ingerida não ultrapasse 5 gramas (o equivalente a 2,4 gramas de sódio). Estudos já constataram que o brasileiro consome o dobro disso. Neste montante está incluso não apenas o sal de cozinha, mas também todo e qualquer alimento que contenha sódio, principalmente os industrializados.
“O excesso de sal é cumulativo, principalmente nas mulheres”, afirma a nutricionista Luciana Harfenist, da Clínica de Nutrição Funcional que leva seu nome. Duas pitadas a menos de sal por dia reduzem em até 13% o risco cardíaco, de acordo com uma recente pesquisa canadenese.
Ninguém quer ter problemas de saúde, mas é fato que o sal valoriza o sabor dos alimentos. Para resolver o impasse e reduzir o consumo desse condimento em até um terço sem deixar a comida insossa, muitas nutricionistas têm sugerido uma receita prática e bem mais saudável: o sal de ervas.
A mistura é simples e acumula os efeitos benéficos das plantas que podem variar de acordo com a preferência de cada um. A receita básica inclui: sal grosso, orégano, alecrim e estragão. O orégano tem alto poder antioxidante e propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas. O alecrim tem ação antioxidante e cicatrizante, inibindo o crescimento de bactérias, e o estragão ajuda na digestão e é diurético. Quem quiser variar, pode usar também a sálvia e o tomilho, ambos com ação diurética e digestiva.
A nutricionista Elaine de Pádua, da DNA Nutri, aponta outra vantagem no uso do próprio tempero caseiro.
“O condimento não terá o glutamato monossódico, um intensificador de sabor capaz de causar dores de cabeça constantes”, alerta.
Pesquisadores identificaram que a ingestão de 5g diárias de glutamato monossódico aumentou em 30% a propensão a ganhar peso em homens e mulheres. A especialista afirma que em apenas dois meses é possível modificar o paladar e sentir menos falta do sal puro na alimentação. Confira duas receitas de sal e uma de tempero caseiro:
Receita 1:
1 xícara de chá de sal grosso
1 xícara de chá de orégano
1 xícara de chá de alecrim
1 xícara de chá de estragão
Preparo:
Lavar bem as ervas e secá-las com um pano limpo. Depois, colocá-las junto com o sal no liquidificador ou no processador de alimentos e triturar tudo. Guardar a mistura em um recipiente fechado, em local fresco e seco.
Receita 2:
10g de alecrim*
25g de manjericão*
15g de orégano*
10g de salsinha*
100g de sal marinho
*Quantidades relativas ao peso das embalagens da erva seca disponíveis no mercado.
Preparo:
Bater os ingredientes no liquidificador. Guardar em pote de vidro bem fechado. Usar no lugar do sal comum.
Receita de Tempero Caseiro:
1 maço de sálvia
1 alho poró
aipo
4 cabeças de alho
1 cebola
1 pimentão vermelho
Manjericão / Alfavaca
Hortelã
Pimenta
Alecrim
Manjerona
Óleo, azeite de oliva ou água para misturar
1 xícara de sal.
Preparo:
Bater o alho com um pouco de óleo, azeite ou água no liquidificador. Em seguida, acrescente os demais ingredientes, um a um até que a mistura fique homogênea. Feito isso, acrescente uma xícara (chá) de sal para que o tempero seja melhor conservado. Guarde em um pote tampado. Utilize em pequena quantidade para realizar em suas preparações.
Fonte IG
Placebo: Fazendo bem, que mal tem?
Pesquisa mostra que pílulas sem efeito ajudam mesmo quando os pacientes sabem disso
Ao buscar a palavra placebo no dicionário, o Aurélio explica: forma farmacêutica sem atividade, cujo aspecto é idêntico ao de outra farmacologicamente ativa. Dessa forma, caso o placebo provoque algum resultado, este será, apenas, de natureza psicológica.
Pois, em uma experiência incomum para entender melhor o “efeito placebo”, pesquisadores norte-americanos descobriram que esses “remédios” inócuos podem ajudar os pacientes a se sentirem melhor mesmo quando eles estão plenamente conscientes de que estão tomando uma pílula de açúcar.
Quase 60% dos pacientes com síndrome do intestino irritável relataram que se sentiram melhor após tomar placebos – sabendo que eram placebos – duas vezes por dia, comparado a 35% dos que não receberam qualquer tratamento novo, relataram os pesquisadores na revista Public Library of Science PLoS ONE.
“Não apenas deixamos absolutamente claro que as pílulas não tinham ingrediente ativo algum, como ainda colocamos a palavra ‘placebo’ impressa no vidro que continha as cápsulas” afirmou no estudo o líder da pesquisa, Ted Kaptchuk da Escola de Medicina de Harvard e do Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston.
O efeito placebo tem sido documentado praticamente desde o início da medicina. Os placebos são também vitais para a investigação sobre novas drogas ou tratamentos, e em geral os cientistas têm documentado que de 30% a 40% dos pacientes relatam sentir-se melhor ou mostram melhora documentada dos sintomas, mesmo sem saber que estão tomando um placebo.
É considerado antiético, no entanto, dar a um paciente placebo como parte do tratamento médico padrão, e não lhes dizer que é apenas uma pílula de açúcar. A maioria das pessoas crê que o placebo não funciona se o paciente sabe que é um placebo.
Para testar essa crença popular, Kaptchuk e seus colegas recrutaram 80 pacientes com síndrome do intestino irritável – uma condição crônica caracterizada por dor abdominal – para receberem placebo ou nada durante três semanas e serem cuidadosamente monitorados. Os que receberam placebos foram lembrados que estavam tomando pílulas totalmente inertes.
“Me senti estranho com pacientes pedindo para literalmente tomar placebo. Para minha surpresa, no entanto, a pílula inócua funcionou para muitos deles”, disse Anthony Lembo, um perito que trabalhou no estudo.
O estudo foi financiado pelo Centro Nacional para Medicina Complementar e Alternativa dos Estados Unidos.
Fonte IG
Dor: experiência prévia afeta efeito do remédio
Pesquisa mostra que expectativas dos pacientes podem potencializar ou neutralizar efeitos dos analgésicos
Uma pesquisa recém-divulgada sugere que as expectativas de pacientes podem tanto potencializar os efeitos de um analgésico como neutralizá-los por completo.
Pesquisadores britânicos e alemães aplicaram calor nos pés de 22 pacientes, que em seguida tiveram de quantificar o grau de dor sentida em uma escala de 0 a 100. Simultaneamente, os pacientes eram submetidos a um escâner cerebral, que exibia as condições das diferentes regiões do cérebro enquanto os testes eram realizados. Após a aplicação do calor, o nível médio de dor sinalizado por eles foi de 66.
Os pacientes que estavam também conectados a um dispositivo intravenoso pelo qual poderiam receber doses de medicamentos sem ser informados, recebiam, então, um poderoso analgésico chamado remifentanil. Depois disso, eles passaram a sinalizar 55 como sendo seu índice de dor. Os pesquisadores informaram-nos, em seguida, que eles estavam sendo medicados com um analgésico, e a nota dada por eles caiu para 39. Então, mantendo a mesma dose, eles foram informados de que a aplicação do analgésico havia sido suspensa e que eles provavelmente sentiriam dor. Com isso, a nota subiu para 64. Portanto, apesar de eles estarem recebendo remifentanil, relataram estar sentindo o mesmo nível de dor indicado quando não estavam recebendo qualquer medicamento.
"Fenomenal"
A professora Irene Tracey, da Universidade de Oxford, disse à BBC: "É fenomenal. É um dos melhores analgésicos que temos e a influência do cérebro pode ou aumentar em muito o seu efeito ou removê-lo por completo''.
O estudo, publicado na revista especializada Science Translational Medicine, foi conduzido em pessoas saudáveis que foram submetidas à dor por um curto período de tempo. De acordo com a pesquisadora, pessoas com condições críticas e que haviam experimentado vários medicamentos ao longo de muitos anos podem ter uma experiência negativa muito maior do que a de outros. A dor crônica teria impacto sobre seu tratamento no futuro.
Escaneamentos cerebrais realizados durante a pesquisa mostraram também quais as regiões do cérebro que foram afetadas. A expectativa de um tratamento positivo foi associada com a atividade nas áreas cingulo-frontal e subcortical do cérebro, enquanto a expectativa negativa levou ao aumento da atividade no hipocampo e no córtex frontal medial.
Os cientistas por trás do estudo também disseram que a pesquisa levanta dúvidas a respeito de testes clínicos usados para determinar a eficácia de medicamentos. Segundo George Lewith, pesquisador da área de saúde da Universidade de Southampton, trata-se de ''mais uma prova de que encontramos o que esperamos da vida. A pesquisa faz cair por terra testes clínicos aleatórios, que não levam a expectativa em conta como fator''.
Fonte IG
Meditação ajuda a lidar com a dor
Realizar a técnica regularmente proporciona alívio a pessoas com problemas de saúde diversos
Entrar em contato com o próprio corpo permite, portanto, que uma pessoa se conheça melhor e obtenha recursos internos para vencer a dor instalada. Dessa maneira, é possível não só aumentar como incentivar a participação do paciente e de seu organismo no processo de cura, deixando-o mais preparado para receber medicações e passar por determinados procedimentos – como uma quimioterapia ou cirurgia.
Segundo um estudo recém divulgado pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, pessoas que praticam meditação com regularidade tendem a suportar melhor a dor, pois seus cérebros são capazes de antecipar a sensação desconfortável a que serão submetidos.
“A meditação está ficando mais popular no tratamento de dores crônicas, como aquela causada pela artrite”, disse Christopher Brown, que conduziu o trabalho, ao site da instituição.
Para muitos profissionais da área de saúde essa pesquisa – publicada pela revista especializada Pain – reforça exatamente aquilo que observam frequentemente em seus consultórios.
“Muitas vezes os pacientes entram em um ciclo vicioso, pois as dores crônicas levam à contração muscular que, por sua vez, piora a percepção dolorosa. Com a meditação esse ciclo é quebrado, pois eles aprendem a olhar aspectos mais positivos em vez de focar a atenção na dor e na doença”, informa a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, diretora da SBED (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor) e coordenadora dos centros de tratamento de dor dos Hospitais Albert Einstein e São Luiz, em São Paulo (SP).
Pois é, mas a história nem sempre foi assim: até pouco tempo atrás a meditação era vista com muita desconfiança pela classe médica. As coisas só começaram a mudar nos últimos anos, quando ficou claro que a dor tem um componente afetivo e, por isso, tentar tratá-la apenas com analgésicos nem sempre dá certo.
“O preconceito contra a meditação está menor. Até porque, na prática, já se sabe que os doentes que meditam evoluem melhor”, avalia Edson Amâncio, neurocirurgião do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, na capital paulista.
Mecanismos de ação
Segundo Elisa Harumi Kosaza, bióloga e pesquisadora do departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os benefícios proporcionados pela meditação à saúde podem ser explicados a partir de basicamente dois aspectos: fisiológico e psicológico.
“O primeiro tem a ver com a liberação de neurotransmissores, como a endorfina, que ajudam a reduzir a sensação de desconforto. Já o segundo está relacionado à forma como a pessoa encara a dor, passando da rejeição a uma postura de compreensão e acolhimento”.
Considerando que pessoas inquietas e preocupadas tendem a exacerbar a percepção dolorosa, outro ponto que merece ser destacado é justamente o efeito da meditação na redução da ansiedade. “Calmos, os pacientes colaboram mais com o tratamento indicado”, observa Fabíola, diretora da SBED.
Vida com dor
Para Stephen Little, um dos pioneiros na aplicação das práticas meditativas na área da saúde no Brasil e instrutor na clínica Anima de Medicina Integrativa e Complementar, em São Paulo (SP), o segredo é o paciente perceber que não precisa tentar controlar ou fugir da dor, e sim conviver com essa sensação de forma gentil e criativa.
“O esforço habitual e inconsciente de se livrar da dor é o que mantém as pessoas presas à experiência desagradável da qual desejam escapar. Em outras palavras: a tentativa de acabar com o problema é o problema!”, resume.
Faz bem para quem?
Quando realizada de forma apropriada, com prazer e regularidade, a meditação pode ajudar pessoas que apresentam qualquer tipo de quadro, como estresse, dor crônica nas costas, artrite, fibromialgia, fadiga crônica, dor pós-operatória, câncer, distúrbio nervoso, esclerose múltipla, mal de Parkinson e por aí vai. De acordo com Little, a técnica só tem uma contraindicação: situações de depressão.
“O método é indicado para esses casos, mas não quando o paciente está no meio de uma crise, pois pode ficar em contato com pensamentos que só geram mais tristeza”, ensina.
Para quem até gosta da ideia, mas acha que não tem paciência para realizar uma atividade como essa, um lembrete: meditar não é só permanecer sentado e de olhos fechados por um tempão. Além de existir um método de trabalho, “há várias modalidades de meditação. Para pessoas mais agitadas, por exemplo, é possível indicar práticas que incluem movimento”, avisa a pesquisadora Elisa Harumi Kosaza, da Unifesp.
Coadjuvante de peso
É preciso ressaltar que a meditação funciona como um complemento a tratamentos tradicionais. Por isso, o ideal é que o médico ajude a conduzir o pacientes por esses caminhos diferenciados. “Podemos indicar meditação associada a medicamentos, bloqueios dos nervos que levam a dor ao cérebro, psicoterapia e fisioterapia”, exemplifica Fabíola Minson.
Esse é justamente o caso da empresária Luciana Panzetti Moliterno, 39 anos, de São Paulo (SP). Depois de ser diagnosticada com enxaqueca crônica – quadro caracterizado por dores fortíssimas na cabeça, face, músculos das costas e pescoço – ela foi submetida a todos os procedimentos mencionados pela diretora da SBED, incluindo a meditação.
“No começo senti dificuldade para praticá-la, pois a dor atrapalhava demais e nunca encontrava uma postura cômoda. Mas continuei fazendo e percebi que, além de me relaxar, as aulas tiram o foco da dor e permitem que eu sinta mais o meu corpo”.
As maravilhas vivenciadas por causa do método não são uma grande novidade para Luciana. Afinal, a meditação entrou em sua vida pela primeira vez há 13 anos, mas por outro motivo: um câncer de ovário.
“Era muito jovem e estava bastante assustada. Aí meus médicos me encaminharam para um grupo de apoio que ensinava técnicas meditativas. Elas foram superimportantes para relaxar, fortalecer a mente, aumentar a imunidade, minimizar as dores e entrar em profundo contato com meu corpo”, lembra.
Encantada com o poder que a mente exerce sobre o corpo, a empresária incorporou algumas técnicas em sua rotina. Hoje, pratica com mais afinco por causa das dores crônicas.
“Estou voltando a viver e posso dizer que a meditação me ajudou, mais uma vez, a superar os obstáculos, me trazendo para o momento atual, acalmando meu corpo e minha mente e, é claro, proporcionando mais qualidade de vida, pois é isso que realmente conta”, comemora.
Fonte IG
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