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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ascensão e queda da gordura na Índia

País que adora estátuas de deusas rechonchudas vê multiplicação de spas

Quando bebê, eu era esquelética; sempre fui magra quando garota e também na juventude. Era possível ver o formato da minha clavícula; meus cotovelos se destacavam e os ossos do pulso saltavam para fora. Durante todos os anos de escola, vivi complexada por causa das minhas longas pernas. Muita gente se perguntava porque eu era tão esquálida, especialmente pessoas estranhas. Minha mãe não me alimentava o suficiente? (Ela era uma cozinheira maravilhosa). Meu pai não ganhava o necessário? (Ele teve educação superior, formado em engenharia, e tinha um excelente emprego). Havia alguma coisa errada comigo? Eu era uma pessoa brilhante, feliz, saudável, mas...


Há muito tempo na Índia gordura é encarada como algo benévolo. Durante séculos, o ideal era que a estrutura óssea de uma criança ou mulher não deveria estar visível. As estátuas de deusas são bem arredondadas. Imagens do deus Krishna bebê o retratam como um boneco de pelúcia. Mesmo nos anos 70, a atriz Sridevi, conhecida carinhosamente como "coxas famosas" costumava dizer que se obrigava a comer exageradamente para "manter a imagem" - da mulher rechonchuda que os fãs conheciam e amavam.

Ser gordo na Índia sempre foi sinal de posse - como ter uma bolsa Birkin, por exemplo. Ser gordo significa que você é suficientemente rico para se permitir comer muito sem ter de se exercitar. Ser gordo significa que você é uma pessoa amada e bem cuidada; e, no final, talvez tudo isso implique em um elo entre gordura e felicidade. Inversamente, ser magro significa ser pobre - social, econômica e esteticamente.

Mas estamos em meio a uma mudança histórica na Índia. Aos poucos, ser gordo já não significa prosperidade e, sim, que você não tem tempo, dinheiro ou recursos para se manter em forma. Esta mudança pode ser uma consequência da globalização - estamos mudando a nossa percepção de beleza para nos ajustarmos a uma imagem mais ocidentalizada. Vogue e Harper"s Bazaar fazem parte de uma lista cada vez maior de revistas internacionais com edições indianas, todas promovendo o ideal de magreza imposto pela moda global.

No setor cinematográfico da Índia, os atores e atrizes deliciosamente roliços dos anos 1970 e 1980 foram substituídos por homens musculosos e mulheres esbeltas. Kareena Kapoor é sempre retratada pela mídia indiana em tons entusiásticos, embora uma crítica persista: a de ser esquelética. Ainda assim, ela é uma das atrizes mais solicitadas de Bollywood.

Nos últimos anos têm proliferado os spas para emagrecimento, repletos de anúncios com "antes e depois" e ofertas especiais. E para aqueles que não querem enfrentar a agonia das dietas e exercícios, as clínicas de lipoaspiração também estão em crescimento.

Talvez o motivo seja que o mundo chegou à conclusão de que obesidade é um problema de saúde. Nos últimos anos, uma série de estudos têm alertado consistentemente para o aumento da obesidade. Embora os pobres da Índia continuem assolados pela desnutrição e anemia, as pessoas da classe média emergente repentinamente conseguiram se permitir um estilo de vida melhor. Não precisam mais ir a pé, de bicicleta, ou usar o transporte público para o trabalho ou o mercado. Podem comer o que quiserem, incluindo "fast food" ocidental.

O problema está concentrado em segmentos da população e por diferentes razões: entre as crianças da escola particular cujos pais, ricos, dão a elas tudo o que o dinheiro pode comprar; entre os jovens profissionais, que não têm tempo para se exercitar; e entre as mulheres de meia idade que hoje podem se permitir descansar e aproveitar os frutos do seu trabalho.

Recentemente, realizou-se na Índia a Semana Nacional da Nutrição, onde o tema da obesidade foi discutido juntamente com o da desnutrição. Nesta semana, a Assembleia-Geral das Nações Unidas reúne-se para discutir a epidemia da obesidade e como ela vem alimentando outras doenças crônicas, como doenças cardíacas, diabete e câncer.

Agora, se conseguirmos mudar totalmente essa noção, rompendo definitivamente o vínculo entre gordura e prosperidade, gordura e beleza, ser gordo e ser amado - daremos os passos necessários na direção de um futuro mais saudável.

Controlando a obesidade, não vamos conseguir somente evitar muitas doenças associadas a ela, mas também redirecionar nossos recursos para outras necessidades, como a erradicação da desnutrição e da anemia. E nesse processo poderemos criar novas oportunidades de negócios, incluindo um vigoroso setor direcionado à boa forma física.

Quando uma amiga me elogiou recentemente por causa da minha aparência - eu usava saia e um top sem manga, ela usou uma frase em hindu equivalente a: "você está ótima, minha amiga. Anda fazendo ginástica?".

Eu sorri e casualmente exibi minha perna magra - quero dizer, bem torneada.

Fonte Estadão

Investimentos da indústria farmacêutica

O foco em inovação e a concorrência global levaram os grandes players do setor de life sciences (composto basicamente pela indústria farmacêutica e biotecnológica) a realizarem, em 2010, investimentos relevantes por meio de fusões e aquisições de empresas do mesmo ramo. E esse movimento tende a continuar.

A indústria farmacêutica vem determinando novas estratégias de investimento em virtude, sobretudo, da busca pelo desenvolvimento de novas substâncias e também da manutenção de participação no mercado com a expiração das patentes dos blockbusters (medicamentos líderes em vendas). Para viabilizar a produção de novas drogas e manter a liderança na venda de certos produtos, os grandes laboratórios vêm dando atenção aos investimentos nos setores de e-health (saúde eletrônica), biotecnologia e aos medicamentos similares e genéricos.

O segmento de e-health é atualmente o nicho mais inovador e desafiador, no qual as empresas buscam, em síntese, o desenvolvimento de aparelhos inteligentes para monitorar pacientes em tempo real. Para a indústria farmacêutica, investir nesse setor representaria a possibilidade de obter uma análise refinada da eficiência dos medicamentos. Essa interação também poderia fornecer registros eletrônicos que serviriam de fonte para o desenvolvimento de novos produtos. Mesmo com os entraves regulatórios e as limitações determinadas pelas políticas internas das empresas - restritivas com relação às informações pessoais de pacientes - a aquisição de participação ou o controle de empresas de e-health poderia ser um instrumento importante para garantir o acesso à produção de novos fármacos.

A biotecnologia também tem atraído o interesse de investidores da indústria farmacêutica. A engenharia genética possibilita o desenvolvimento dos biofármacos, produtos com princípio ativo geralmente produzido por bactérias transgênicas, considerados mais específicos e eficazes que os medicamentos tradicionais. Ao investir nesse ramo, os laboratórios conseguem ingressar em um nicho de mercado que desenvolve produtos complexos, de alto valor agregado e que são destinados ao tratamento de enfermidades graves, como câncer, hemofilia e AIDS. De fato, a busca por novos medicamentos com base biotecnológica já resultou em importantes aquisições, joint ventures, assim como na celebração de contratos para o licenciamento da fabricação de biofármacos ou a negociação de seus direitos de distribuição no mercado.

Uma modalidade de negócio já usual, mas que continua atraindo investimentos é o setor dos similares e genéricos. Os similares contêm o mesmo princípio ativo dos medicamentos de referência, mas não têm as mesmas propriedades farmacêuticas, característica que os diferencia dos genéricos. Estes são, efetivamente, os mecanismos mais utilizados para a manutenção da participação dos grandes laboratórios no mercado em decorrência da expiração das patentes dos seus blockbusters. Outro atrativo é que esse segmento opera geralmente por meio de sociedades de capital nacional, conhecedoras do mercado local e com redes de distribuição já estruturadas. Mesmo sendo um setor visto com certo preconceito por determinadas multinacionais farmacêuticas, os genéricos continuam atraindo investimentos em virtude da sua rentabilidade.

No primeiro semestre, diversas operações concluídas no segmento de life sciences chamaram a atenção do mercado. Destacam-se, dentre outras, as aquisições do laboratório brasileiro Bergamo pela americana Amgen, da empresa biotecnológica americana Genzyme pela francesa Sanofi-Aventis, a compra do laboratório brasileiro Mantecorp pela Hypermarcas e da fabricante de produtos ortopédicos suíça Synthes pela também americana Johnson & Johnson.

É um sinal claro de que as empresas desse setor têm adotado estratégias de negócio arrojadas e que são concluídas, principalmente, por meio de fusões ou aquisições de sociedades do mesmo segmento. Essas operações são permeadas de especificidades em matéria de regulação e geralmente precedidas por reestruturações societárias, que viabilizam a conclusão do investimento com custos administrativos reduzidos e de forma eficiente do ponto de vista tributário.

O momento econômico favorável e as novas opções de negócio tendem a aumentar ainda mais o número de operações societárias envolvendo empresas do setor de life sciences no Brasil. Este é um passo necessário para a consolidação e ampliação da posição competitiva dos grandes players desse segmento no mercado nacional, que vem prosperando no cenário mundial.

ADVOGADO ASSOCIADO DO SOUZA CESCON, BARRIEU & FLESCH ADVOGADOS

Fonte Estadão

Paulistanos criam suas leis sanitárias

Corantes sintéticos suspeitos de provocar alergias não são proibidos nas guloseimas do Brasil, mas na geladeira da blogueira Talita Ribeiro, de 24 anos, eles não entram. Agrotóxicos considerados severamente perigosos por 75 países, como o endossulfam, só vão deixar as plantações de café do País definitivamente em 2013, mas o empresário Nardi Davidsohn, de 45 anos, baniu há tempos de seu prato alimentos cultivados com pesticidas. E Fernanda Medeiros, de 39 anos, expulsou o bisfenol de casa bem antes de o País vetar a presença da substância em mamadeiras de plástico, na semana passada.

À espera de medidas mais rígidas para substâncias usadas em alimentos e cosméticos do País, paulistanos têm criado suas próprias regras sanitárias. A estratégia é uma forma de evitar compostos relacionados a problemas de saúde e vetados há décadas em outros países. “É incrível como aceitamos ser tratados como terceiro mundo, é a síndrome de ‘patinho feio’”, critica o procurador do Ministério Público Jefferson Dias, envolvido no caso do bisfenol.

Apesar do veto às mamadeiras com bisfenol, a substância continua permitida em outros artigos de plástico. Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), especialista em saúde pública e doutora em ciências médicas, Lia Giraldo Augusto acredita que o Brasil tem “um Estado extremamente permissivo, inclusive em relação aos interesses privados”. Mas diz que, muitas vezes, falta também mais organização pública, ou seja, do próprio consumidor. “As pessoas estão desprotegidas e o pior é que na maioria das vezes desconhecem os riscos porque eles são camuflados.”

Em relação ao bisfenol, Fernanda reconhece que pouco sabia sobre ele até se tornar mãe. “Quando colocam um bebê na sua mão tudo muda. Você quer dar o melhor, só pensa na saúde daquele ser”, conta ela, que só usa recipientes de vidro, cerâmica e inox desde que as filhas, de 3 e 6 anos, nasceram. Junto com outras mães, encabeçou uma campanha na web contra a substância que ganhou apoio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e ajudou a cobrar do País uma resposta: por que o composto, proibido na Europa, na China e em vários Estados norte-americanos, tinha passe livre no País?

É também em blogs que muitas mulheres interessadas em cosméticos se encontram para compartilhar mais que tendências de beleza: há dezenas de fóruns questionando a presença de substâncias limitadas no exterior em alguns esmaltes brasileiros. O dibutilftalato, por exemplo, foi vetado na Europa na década de 1970 e ainda hoje aparece por aqui, para conferir brilho.

Para o empresário Nardi Davidsohn, de 45 anos, a ameaça maior vem dos pesticidas. “Se matam bichinhos, matam a gente também”, diz ele, que só consome orgânicos. Em junho, representantes de 75 países determinaram a restrição ao comércio de três agrotóxicos considerados “severamente perigosos” à saúde – e ainda usados no Brasil.

Coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor, Lisa Gunn tem uma resposta para a flexibilidade brasileira. “Vai além da saúde pública, é uma questão de interesses econômicos, financeiros, políticos, governamentais”, diz. “Alguns países são bem mais atenciosos com o princípio da precaução, além de serem mais ágeis na regulamentação”, completa.

Fonte Estadão

Paciente paga caro por erro de diagnóstico

Minimizar o risco é difícil: só 5% dos mamógrafos do País contam com selo de qualidade profissional

Escolher o laboratório mais perto de casa ou do trabalho para fazer exames de imagem pode até ser mais cômodo. Mas, para minimizar o risco de erros e imprecisões nos diagnósticos, os médicos recomendam buscar unidades que tenham o selo de qualidade fornecido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Tarefa que não é fácil: no caso dos mamógrafos, por exemplo, apenas 5% dos 3,2 mil aparelhos do País têm o certificado.

Uma dica como essa poderia ter livrado a bancária Mary Yugue, de 42 anos, da angústia de receber um diagnóstico errado. Um falso negativo para câncer de mama quase a impediu de ser tratada a tempo. Enquanto um tumor agressivo crescia em sua mama esquerda, o laudo da mamografia emitido por um laboratório da cidade apontava apenas uma microcalcificação sem importância na mama direita.

O problema com as mamografias no País passou a chamar a atenção em 2006, após um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) constatar que 60% dos exames que chegavam à instituição, vindos tanto do SUS como de clínicas particulares, tinham problemas que prejudicavam a interpretação da imagem. "Muitos dos produtos usados no procedimento estavam vencidos, o filme era de má qualidade.

Além disso, os radiologistas eram mal treinados", conta a mastologista Rita Dardes, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que participou do estudo. Havia ainda outros problemas, como defeitos na radiação e na calibragem da máquina, além de erros no posicionamento das pacientes.

Um novo estudo, feito com 53 serviços do SUS que passaram por um projeto-piloto de qualidade em mamografia entre 2007 e 2008, mostrou novos problemas: 30% deles ficaram abaixo dos padrões satisfatórios - índice três vezes maior que o porcentual de falhas tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Foi essa constatação, diz Rita, que originou o Programa Nacional de Qualidade em Mamografia.

A médica observa que é um direito da paciente perguntar se o mamógrafo em que será examinada tem o selo de qualidade. E ressalta que é importante a população exigir das instituições essa garantia. Para a médica Linei Urban, coordenadora da Comissão Nacional de Qualidade em Mamografia do CBR, o grande problema da má qualidade desses exames é que a mulher passa a ter uma falsa sensação de segurança. "Se o exame não consegue diagnosticar, o tumor vai ter mais um ou dois anos para crescer e a paciente vai perder tempo, não se tratando na fase inicial."

Ultrassom e ressonâncias
O Programa de Qualidade do CBR também avalia exames de ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada. A avaliação leva em conta tanto o equipamento quanto o profissional responsável pelo serviço.

O selo de qualidade tem validade de dois anos. Mas a adesão não é obrigatória e a avaliação não tem caráter punitivo: mesmo que o estabelecimento seja reprovado, poderá continuar funcionando. "A luta para que o certificado torne-se obrigatório, inicialmente no SUS e posteriormente na rede particular, é antiga", diz Linei.

Técnico da Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica do Inca, Ronaldo Correa confirma que já existe uma proposta em avaliação no Ministério da Saúde a respeito da obrigatoriedade do selo de qualidade nos serviços de mamografia no País.

Especializado em saúde, o advogado Julius Conforti observa que, em casos como o da bancária Mary, a falha pode ser do operador do aparelho, do próprio equipamento, do especialista que emite o laudo ou do médico que solicitou o exame, ao interpretar os resultados. "Toda essa cadeia tem responsabilidade", diz. "Em termos jurídicos, até o convênio pode ser responsabilizado, já que tem o dever de escolher laboratórios idôneos", completa.

Quem cuida das mamas não é o ginecologista

Mesmo os laboratórios mais conceituados estão sujeitos a erros técnicos, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Jornal da Tarde. Por isso, dizem eles, é importante que médicos e pacientes estejam atentos para verificar qualquer discrepância no resultado de um exame.

"Como mastologista, primeiro interpreto a mamografia e depois leio o laudo para saber se concordo", explica o médico Paulo Roberto Pirozzi, professor da Faculdade de Medicina do ABC. "Se discordar, peço para repetir em outro lugar ou solicito um exame mais acurado."

Presidente da Federação Brasileira das Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), a médica Maira Caleffi alerta que o médico mais indicado para investigar qualquer questão ligada à mama é o mastologista e não o ginecologista, como muitas mulheres imaginam. "Pouca gente sabe que o mastologista é o médico das mulheres, dos homens e das crianças para tratar assuntos relacionados às mamas. No Brasil, não existe a cultura de procurar o mastologista."

De acordo com Maira, os exames das mamas têm muitas especificidades e só o mastologista é treinado para interpretá-los corretamente. "Algumas formas de câncer são muito difíceis de aparecer na imagem. O paciente sente alguma coisa, faz o exame, não aparece nada e o ginecologista confirma que não tem nada. Enquanto isso, o tumor vai crescendo."

Na opinião dela, o paciente também deve ser ativo na busca de um diagnóstico. "Caso ele sinta algum sintoma e o resultado do exame vier negativo, é importante que ele não se resigne ou aceite um laudo que não foi visto por mais de um especialista". O recomendável, diz a presidente da Femama, é verificar se o laboratório tem certificado de qualidade, como o emitido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) ou pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

FALHAS TAMBÉM TÊM A VER COM FALTA DE ESPECIALISTAS
Outro problema que também pode comprometer a qualidade de um exame feito em laboratório é a falta de patologistas no Brasil - que são os médicos responsáveis pela análise de fragmentos de tecidos com a ajuda de um microscópio.

Cabe ao patologista elaborar o laudo de um exame de papanicolau, por exemplo, ou verificar se determinado tumor é maligno ou não. Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia, o médico Carlos Renato Mello diz que tanto nas instituições privadas como nas públicas tem aumentado muito a demanda de exames feitos por patologistas. O número de especialistas nessa área, contudo, não tem crescido na mesma proporção. "Por causa disso, existe o risco de que outros profissionais, com treinamento muito menor, passem a exercer a mesma atividade", critica.

Ninguém melhor do que o próprio médico, dizem os especialistas, para saber quais instituições clínicas trabalham com um corpo adequado de profissionais. Assim, é dever do médico indicar o melhor laboratório a seus pacientes. A afirmação é do mastologista Paulo Roberto Pirozzi, professor da Faculdade de Medicina do ABC. "O profissional não pode largar isso apenas na mão do paciente", observa.

De acordo com o mastologista, ao indicar um laboratório de sua confiança, o médico colabora com a redução da margem de erro nos resultados de exames solicitados por ele mesmo.

Fonte Estadão

Argentina promoverá lei que permite mudança de sexo

Projeto vai permitir que qualquer pessoa maior de idade realize a operação cirúrgica no sistema público de saúde e também renove a carteira de identidade

ARGENTINA - O governo da presidente Cristina Kirchner está promovendo um projeto de lei que permitirá que qualquer pessoa maior de idade na Argentina possa fazer uma operação cirúrgica para a mudança de sexo no sistema público de saúde.
O plano é que a pessoa que faça a mudança possa renovar totalmente a carteira de identidade, de forma a ostentar no documento o novo gênero sexual, além de incluir um nome modificado de acordo com sua opção de gênero.

Segundo a deputada Diana Conti, da kirchnerista Frente pela Vitória, uma sublegenda do partido Justicialista (Peronista), a mudança de sexo "passará a ser um direito".

Caso o projeto seja aprovado, para solicitar a mudança de sexo - com confidencialidade prevista - bastará apresentar declaração autenticada por um cartório. O projeto conta com o respaldo do Instituto Nacional contra a Discriminação (Inadi).

Atualmente, a pessoa que pretende mudar de sexo na Argentina precisa recorrer a um juiz, que permitirá - ou não - a alteração sexual por meios cirúrgicos. Desde a virada do século somente 50 pessoas receberam autorização na Justiça para modificação sexual.

Destas, 39 já foram operadas. Outras 11 esperam a cirurgia enquanto fazem o tratamento hormonal requerido. Além delas, uma centena de pessoas espera que a Justiça se pronuncie sobre seus pedidos para mudança de sexo.

Fonte Estadão