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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fumaça de carro pode levar a ataque cardíaco, diz estudo

Período mais crítico se dá seis horas depois da exposição à poluição

Pesquisadores britânicos afirmam que respirar a fumaça expelidas por carros e outros veículos pode levar a um ataque cardíaco. O risco de um ataque do coração é maior no período de cerca de seis horas depois que a pessoa é exposta à fumaça, para em seguida diminuir, segundo os cientistas.

"Este estudo em larga escala mostra de forma conclusiva que o risco de se ter um ataque do coração aumenta temporariamente, (sendo) em níveis mais altos (de risco) cerca de seis horas depois de se respirar a fumaça de veículos", afirmou o professor Jeremy Pearson, diretor-médico da British Heart Foundation, que ajudou a financiar o estudo que teve participação da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Sabemos que a poluição pode causar problemas para a saúde do coração, possivelmente porque 'engrossa' o sangue e aumenta a possibilidade de coágulos."

O estudo, publicado na revista especializada British Medical Journal, afirma que a poluição provavelmente acelera o ataque cardíaco ao invés de causar diretamente o ataque. Mas, segundo os pesquisadores, a exposição repetida à poluição faz mal à saúde, diminuindo de forma significativa a expectativa de vida.

"Nosso conselho aos pacientes ainda é o mesmo, se você foi diagnosticado com problemas cardíacos, tente evitar passar períodos mais longos em áreas onde há maior possibilidade de níveis altos de poluição ou perto de ruas movimentadas", acrescentou Pearson.

Pacientes
A pesquisa britânica examinou os registros médicos de quase 80 mil pacientes que tinham sofrido ataques cardíacos na Inglaterra e País de Gales. Os cientistas então cruzaram estes dados com as informações sobre poluição do ar. Isto permitiu que os pesquisadores comparassem os níveis de poluição do ar com os sintomas de ataque do coração para tentar encontrar alguma ligação.

Os dados comparados indicavam que os níveis mais altos de poluição do ar estavam relacionados com o início de um ataque cardíaco seis horas depois da exposição à fumaça. Depois deste prazo, o risco caiu novamente.

Krishnan Bhaskaran, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que liderou a pesquisa, afirmou que as descobertas sugerem que a poluição não é um dos fatores que mais contribuem para a ocorrência de ataques cardíacos.

O pesquisador cita como exemplo o fato de que ser exposto a níveis médios de poluição, ao invés de níveis baixos, aumenta o risco de um ataque cardíaco em 5%, de acordo com seus cálculos. "Estes eventos cardíacos teriam acontecido de qualquer jeito", afirmou. No entanto, Bhaskaran afirmou que as descobertas não mudam o fato de que a exposição crônica à poluição do ar é prejudicial à saúde. "Dietas pesadas, fumo etc, representam um risco muito maior para ataques cardíacos, mas a poluição vinda dos carros é a cobertura do bolo", disse Jeremy Pearson, da British Heart Foundation.

Fonte IG

SP terá unidade móvel para testes de HIV

Objetivo é realizar o teste em horários alternativos; exame é confidencial e voluntário

A partir do próximo domingo, dia 25, e durante três meses, a capital paulista terá uma unidade móvel para testes de HIV em locais da capital paulista frequentados por gays e travestis. O trailer do programa itinerante "Quero fazer", que também conta com a participação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID/Brasil), tem como objetivo incentivar o diagnóstico precoce do vírus da Aids entre populações vulneráveis, vai ficar no Largo do Arouche, região central da cidade.

As atividades acontecerão aos domingos, das 16h às 20h. Além da realização dos testes, educadores do programa vão circular entre os frequentadores da região para conversar sobre a importância da prevenção e do teste rápido, além de distribuírem camisinhas.

Depois do Largo do Arouche, o trailer do programa também vai ser estacionado no Parque do Carmo e no "autorama" do Parque Ibirapuera, também por três meses em cada um dos lugares, e sempre aos domingos.

A proposta é oferecer o teste em horários alternativos aos serviços deste tipo já disponíveis na rede pública de saúde. Outros pontos também estão sendo estudados para receber o trailer do programa, que deve atuar até janeiro de 2014 em São Paulo. O "Quero Fazer" é voluntário e sigiloso, e a confidencialidade de todas as informações obtidas no processo de utilização dos serviços é garantida, de forma a assegurar que gays, HSH e travestis acessem esse serviço sem nenhuma situação constrangedora ou discriminação.

Fonte Ig

"Dependência química é doença do cérebro"

Especialista afirma que doente não deve ser tratado como mau-caráter e sim receber tratamento contínuo

Atualmente nos Estados Unidos, existem 22,3 milhões de dependentes ou usuários de drogas ilícitas ou álcool e o número de indivíduos que recebem tratamento para livrar-se do vício não chega a 20%.

No Brasil, o crack é uma das drogas que vem causando mais alarde ultimamente e desde 2009 vem aumentando o número de usuários em cidades como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Há saída para este problema?

Em recente visita a São Paulo, a mexicana radicada nos Estados Unidos Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos (NIDA), falou de seus estudos sobre o abuso de substâncias químicas defendendo que a dependência química é uma doença crônica que afeta o cérebro e deve ser tratada como tal.

Segundo a neurocientista, assim como a hipertensão, o vício é uma doença crônica que exige cuidados contínuos. “As taxas de recaídas de dependentes químicos são similares a outras doenças crônicas, como diabetes do tipo 1, hipertensão e asma, que também são caracterizadas por um grande número de recaídas pós-tratamento”, explica a pesquisadora, considerada pela revista “Time” uma das “100 pessoas mais influentes do mundo”.

Se nos EUA o tratamento do problema é feito por meio de grupos de ajuda em centros de recuperação, deste lado do Equador os programas são escassos. De acordo com Ronaldo Laranjeira, médico psiquiatra e coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e drogas da Unifesp), o sistema público não oferece um programa que ajude o paciente por um período de meses ou anos.

“Nos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), cada profissional trata seu paciente como bem entender, mas é um trabalho que precisa de uma busca ativa e o sistema público não tem essa cultura de procurar mais trabalho”, afirma o especialista. Em contrapartida, Laranjeira indica os grupos de ajuda como principais portas para a recuperação e para o apoio familiar.

Segundo Laranjeira, mesmo que a família de um dependente não seja responsável pelo uso que ele faz da substância, a colaboração dela para ajudar no tratamento é de extrema importância. “O usuário sem a família terá uma dificuldade muito maior para se recuperar”, afirma. No entanto, é difícil lidar com uma doença complexa como a dependência química e, se a família também não obtiver apoio, também pode chegar a uma exaustão emocional, física e financeira.

Mecanismo da dependência
De acordo com a especialista norte-americana, o uso repetitivo de substâncias químicas diminui a habilidade de controle do indivíduo. As drogas afetam uma área cerebral chamada córtex orbitofrontal, responsável pelas decisões que tomamos, fazendo com que ela não funcione como deveria. “Os dependentes acabam perdendo o livre-arbítrio para dizer não”, explica Volkow. Como exemplo, ela cita pacientes que têm a mesma área do cérebro afetada, mas por culpa de outro problema, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Para medir os riscos do uso de substâncias químicas pela primeira vez, a especialista ressalta a idade como um fator indispensável. Segundo Volkow, a infância e a adolescência caracterizam a época mais propícia para desenvolvimento do vício. “Durante este período, o cérebro ainda é muito ‘plástico’: possibilita que você aprenda mais rapidamente, mas que se torne dependente químico mais rapidamente também”.

Entretanto, não é apenas a “plasticidade” do cérebro que colabora para o desenvolvimento do vício. A neurocientista afirma que fatores genéticos e ambientais também influenciam. E bastante. “O uso frequente de drogas afeta o cérebro e ocasiona o vício, mas quanto maior a predisposição genética e o número de eventos estressores na adolescência, maior é a possibilidade dele existir”, explica.

Fonte IG

Unidade de tratamento atende 100 médicos dependentes químicos por mês

“Caso Sócrates é emblemático”, diz diretor de programa especializado em atender profissionais da medicina

Todos os meses, 100 médicos assumem o papel de pacientes na Unidade de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista.

A estatística revela que o jaleco branco não protege os profissionais da dependência química, ao contrário: segundo os médicos especializados em tratar colegas de profissão, o diploma em medicina retarda o reconhecimento da doença, o pedido de socorro e o início do tratamento.

Sócrates, médico e ex-jogador de futebol, é um dos que figuram nas baixas causadas pelo uso abusivo de álcool – ele está internado há 15 dias e com a saúde prejudicada por causa dos danos severos no fígado provocados pela bebida.

Esta é a segunda internação do ídolo do Corinthians. No intervalo entre uma hospitalização e outra, em entrevista ao iG, Sócrates reconheceu que foram as bebidas alcoólicas que o adoecerem, mas não se considera dependente químico. “O problema está relacionado aos hábitos da sociedade”, disse na época.

“O caso Sócrates é emblemático. Seja para mostrar aos nossos colegas que eles também precisam de ajuda médica quando apresentam problemas como esse, seja para mostrar à população que os médicos também adoecem. As pessoas precisam perdoar os médicos doentes. Nós não somos semi-deuses”, afirma o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha.

O Cremesp, em parceria com a Unifesp, criou em 2004 uma rede de apoio aos profissionais que sofrem com o uso de entorpecentes. Desde então, os hospitais, clínicas e consultórios acionam o conselho de classe quando há indícios de abuso de substâncias psicoativas no quadro de funcionários.

“Vamos até o local, conversamos com o médico e identificamos se há necessidade de afastamento do profissional”, explica Aranha. “Sempre indicamos o tratamento médico, mas nem sempre é preciso que eles sejam afastados da prática. Em média, a cada trimestre, atendemos 300 casos de médicos e residentes que sofrem com as drogas.”

Automedicação
As pesquisas que já abordaram o tema dependência química na medicina encontraram entre os médicos índices de uso muito parecidos com os do restante da população.

Uma delas, por exemplo, realizada com 308 profissionais médicos com idade média de 35 anos e em tratamento por dependência – publicada no Caderno de Saúde Pública – mostrou que o álcool (48,2%) e a maconha (17,8%) são as drogas mais usadas pelos médicos e também as mais apontadas como motivo do início do vício. São taxas semelhantes as do público em geral

Logo após no ranking feito pelos médicos-usuários, figuram os medicamentos. Os benzodiazepínicos e os opiáceos somam 24% entre as drogas apontadas. Neste campo, os índices encontrados são maiores do que os constatados fora da comunidade médica. Entre mulheres universitárias – apontadas como recordistas em vício de remédios, a taxa é de 18%, revelou levantamento feito pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Para o coordenador da saúde do médico do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Marco Antônio Bessa, a facilidade do acesso às medicações e aos receituários faz com que os medicamentos sejam transformados em drogas de abuso com mais facilidade para os médicos.

“E mesmo que tenham formação para prescrever medicamentoss, o fato de receitarem para si próprios também configura como automedicação e isso gera os mesmos problemas que um leigo teria caso tomasse comprimidos por conta própria”, diz.

Inversão de papéis
Um trabalho feito em 2007 pelo Conselho de Medicina do Paraná demonstrou que em 79,5% dos 112 hospitais e clínicas investigados existiam médicos usuários ou dependentes de tabaco, bebidas alcoólicas, calmantes ou outras substâncias químicas.

“O médico costuma ser negligente com a própria saúde porque tem dificuldade na inversão de papéis”, diz Marco Antônio Bessa. “Eles foram condicionados a cuidar do outro. Olhar para si é uma tarefa difícil. Os profissionais tendem a dar menos importância aos seus problemas e quem os cerca também resiste em ver que o médico precisa de ajuda.”

Multidrogas
Apesar da maior incidência de álcool, maconha e medicamentos, outras drogas também compõem o vício na medicina. Crack, cocaína, anfetaminas e inalantes pontuaram, juntos, 8,5% entre as drogas mais usadas.

Fonte IG

Câmara regulamenta Emenda 29 e rejeita novo imposto

A matéria que estabelece gastos mínimos com saúde segue agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o último item que faltava para concluir a regulamentação da Emenda 29 --adendo à Constituição que estabelece gastos mínimos com saúde nos três níveis de governo-- e rejeitou a criação de um novo imposto para financiar a área.

Por 355 votos a 76, os deputados aprovaram com aplausos um destaque do DEM, que inviabiliza a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), um novo imposto que serviria de fonte de recursos para o setor.

Apenas o PT teve posição contrária à proposta do DEM. O governo liberou sua bancada para votar como bem entendesse, e os demais partidos apoiaram a rejeição ao novo imposto.

A Emenda à Constituição 29, de 2000, fixa percentuais mínimos que os três níveis de governo devem investir em saúde. Era uma regra provisória, por isso necessitava de uma regulamentação.

Em 2008 a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que regulamenta a Emenda e estabelece uma fonte de recursos a serem destinados para a área: a CSS, nos moldes da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

O destaque do DEM suprime todo o artigo que define a base de cálculo para a CSS, o que, na prática, inviabiliza a cobrança do tributo.

O líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) defendeu abertamente a recusa ao novo imposto, antes da votação.

"Não venha falar pelo amor de Deus de um novo imposto... que o PMDB não vai votar a favor", disse ele da tribuna. "Vamos encontrar outra alternativa."

Mais cedo, em almoço com o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), governadores de diversos Estados defenderam a criação de novas fontes de receita para a Saúde.

Em resposta à demanda dos governadores, Maia decidiu criar uma comissão especial na Casa, na qual serão discutidas possibilidades de financiamento para os gastos de saúde. Os trabalhos deverão começar já na próxima semana.

O governo tem sustentado a tese de que não é possível obrigar os entes federativos a gastar um mínimo com saúde se não for definida uma fonte de financiamento para tal.

A análise do tema em plenário é fruto da demanda tanto de integrantes da oposição quanto da bancada governista, que pressionaram para que o presidente da Câmara colocasse o tema em votação.

A matéria segue agora para análise do Senado.

Fonte IG