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domingo, 9 de outubro de 2011

Jovem de 18 anos entra em coma após usar anabolizantes de cavalos no PR

De acordo com o hospital, o jovem poderá ficar com sequelas cerebrais

Um jovem e 18 anos foi internado em estado gravíssimo no Hospital Universitário de Londrina, Paraná, depois de utilizar grande quantidade de anabolizantes para ganhar massa muscular.

João Paulo Mendes chegou ao pronto-socorro do hospital, na manhã da última quarta-feira, 5. O rapaz, que mora em Bela Vista do Paraíso, teve trombose cerebral e está em coma induzido, respirando com auxílio de aparelhos.

Segundo a unidade, o jovem tomou anabolizantes usados em cavalos e sintéticos. Mendes está na sala de emergência do hospital, aguardando vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com o hospital, o jovem poderá ficar com sequelas cerebrais. A avaliação de danos permanentes no cérebro só poderá ser feita após ele sair do coma. Não há informação sobre o tempo em que Mendes fazia uso dos medicamentos.

Fonte Estadão

Hospital São Paulo vive problemas de estrutura e caos no pronto-socorro

Unidade ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apresenta deficiências que podem colocar funcionários e pacientes em risco, como fiação exposta, ralos entupidos e mofo

Duas semanas após o término da greve dos servidores federais que atuam no Hospital São Paulo - ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) -, permanece idêntica a situação caótica no pronto-socorro da unidade. Em visita ao local, a reportagem verificou a existência de graves problemas de infraestrutura, principalmente na cozinha e na lavanderia, que podem comprometer a segurança de funcionários e pacientes.

Há cerca de duas semanas, um incêndio destruiu parte do forro da lavanderia, por onde passam cerca de 3 toneladas de roupa por dia. A máquina que pegou fogo foi retirada, mas a fiação está exposta e o local funciona com iluminação improvisada.


Na cozinha, há ralos entupidos, onde se acumulam água e gordura, panelas em mau estado de conservação e válvulas de gás e de vapor enferrujadas. “As instalações estão cheias de gambiarras e o risco de acidente é real”, disse um funcionário que prefere não ser identificado. “Se a vigilância sanitária fizesse uma verificação aqui, com certeza receberíamos algumas multas.”

Ainda segundo relatos de funcionários, há ratos no forro da cozinha e problemas de ventilação. A cozinha e a lavanderia ficam no subsolo do hospital e, por isso, não têm janelas. O ar que chega ao local passa antes pelos andares superiores e corre o risco de ser contaminado por bactérias e vírus.

A poucos metros da entrada do setor de nutrição, containers de lixo infectante ficam estacionados durante horas, até que sejam levados para o abrigo final.

No vestiário dos funcionários, também no subsolo do hospital, as paredes e o teto estão completamente tomados por mofo e há vasos sanitários quebrados.

O Hospital São Paulo é um dos quatro maiores da capital paulista e atende mais de 6 mil pessoas por dia. Recebe pacientes de todas as regiões da cidade e também vindos do interior e de outros Estados. É o hospital universitário da Unifesp.

Lotação. Nos andares de cima, onde funciona o pronto-socorro, pacientes estão instalados em macas no corredor. Outros esperam a realização de exames por mais de 12 horas em cadeiras desconfortáveis. Acompanhantes aguardam de pé.

A situação não é diferente da verificada há duas semanas, quando cartazes nas paredes anunciavam a greve dos servidores do hospital. Na ocasião, a reportagem conversou com a vendedora Fabiana de Araújo, de 34 anos, que acompanhava a mãe, Alzira Bueno, de 61. “Ela está com fortes dores abdominais. Chegamos às 3 horas, e às 8 horas avisaram que fariam endoscopia. Até agora (por volta das 16 horas), estamos esperando.”

Outra paciente, que pediu para não ser identificada, aguardava em uma maca por um transplantes de córnea. “Passei a noite em uma cadeira, morrendo de frio.”

Trabalhadores. Procurado pela reportagem, o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de São Paulo (Sintunifesp) disse conhecer as condições precárias da cozinha e da lavanderia. “Os riscos ficaram aparentemente maiores após o incêndio. Enviamos um ofício ao Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho pedindo providências, mas ainda não recebemos resposta”, conta Ana Paula Rodrigues, assessora jurídica.

Ana Paula afirma que o sindicato já se reuniu com a direção do hospital diversas vezes pedindo melhorias nas condições de trabalho, mas foram tomadas apenas medidas paliativas.

A direção do hospital afirma que o hospital passará por reforma.


Fonte Estadão

Justiça concede liminar para que governo mineiro pague por cirurgia de garoto de 8 anos

Criança ficou tetraplégica após uma meningite bacteriana diagnosticada aos dois anos e sobrevive graças a uma traqueostomia; procedimento vai permitir que ele respire sem o auxílio de aparelhos

BELO HORIZONTE - A Justiça mineira concedeu nesta quinta, 6, liminar determinando que o governo estadual pague pela cirurgia que permitirá ao estudante Pedro Arthur Diniz Silva, de 8 anos, respirar sem o auxílio de aparelhos. O garoto ficou tetraplégico após uma meningite bacteriana diagnosticada aos dois anos e sobrevive até hoje graças a uma traqueostomia.

Caso a cirurgia seja realizada, será a primeira do gênero feita em uma criança na América Latina. Para o jovem respirar normalmente, ele precisa ter instalado no corpo um marcapasso diafragmático. O procedimento para instalação do aparelho, que no Brasil é feito apenas no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, custa R$ 500 mil e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Minas se recusa a arcar com os gastos porque o procedimento não está previsto no Sistema Único de Saúde (SUS).

O problema é que, apesar de mover pés e mãos e conseguir até estudar, Pedro Arthur fica vulnerável a infecções por causa da respiração por meio de aparelhos. A família do garoto chegou a receber a promessa de que a cirurgia seria feita, mas depois foi informada de que não seria possível. Diante do quadro, o advogado Frederico Damato entrou com mandado de segurança na Justiça em nome de Pedro Arthur para que o procedimento seja realizado.

Nesta quinta, o desembargador Dárcio Lopardi Mendes, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), concedeu a liminar determinando que Pedro Arthur seja submetido ao procedimento em São Paulo, "tudo a expensas do Estado de Minas Gerais". "O direito à saúde deve ser preservado prioritariamente pelos entes públicos, vez que não se trata apenas defornecer medicamentos e atendimento aos pacientes, mas, também, de preservar a integridade física e moral do cidadão", afirmou o magistrado.

Segundo Frederico Damato, a decisão é uma vitória e um "alívio" para a família depois do "sentimento de frustração" com a negativa da cirurgia pelo Estado. O advogado ainda ressaltou que não foram pedido "valores para evitar qualquer possibilidade de impugnação". "Só pedimos a obrigação de promover a cirurgia", observou.

A reportagem tentou falar nesta quinta com o secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge de Souza, mas a informação é de que ele estava em voo e não teria como ser contatado. No início da semana, o secretário afirmou ao Estado que não tinha intenção de recorrer de qualquer decisão da Justiça favorável ao garoto, posição que, segundo sua assessoria, está mantida.

Fonte Estadão

O museu que guarda a história da medicina

Documentos e objetos raros, como a Roda dos Expostos, fazem parte do acervo de 7,5 mil peças da Santa Casa de Misericórdia, aberto ao público na região central

O Museu da Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília, no centro, ganhou duas salas para abrigar seu acervo de 7,5 mil peças - as mais antigas, datadas do século 18. Os espaços guardarão objetos que ajudam a contar a história da primeira instituição de saúde da capital, onde fica o maior hospital beneficente da América Latina, com 8 mil leitos. Na área da antiga clausura de freiras (até pouco tempo atrás proibida para visitação), as salas agora mostram acervo do ortopedista Waldemar de Carvalho Pinto Filho. São 730 peças, entre elas um dos primeiros aparelhos de raio X do País, da década de 1920, e uma mesa cirúrgica de 1924. A Expedição Metrópole esteve no local, aberto para visitação em setembro, e conferiu também as atrações das outras oito alas do museu.

Museu ganhou duas salas para abrigar acervo de 7,5 mil peças - Thiago Teixeira/AE
Thiago Teixeira/AE
Museu ganhou duas salas para abrigar acervo de 7,5 mil peças

O próprio caminho que conduz o visitante à ala recém-inaugurada já serve como atração: do corredor localizado em um terraço no segundo andar do Hospital Central, antes fechado até para funcionários da instituição, é possível apreciar vista inédita do prédio de estilo gótico e tijolos aparentes, inaugurado em 1884 com projeto do escritório do arquiteto Ramos de Azevedo. A área será apontada como "o mais novo cartão-postal" da Santa Casa.

"Nesta nova fase, queremos atrair mais visitantes a um museu que nem todos na cidade conhecem. Embora não seja a atividade principal do hospital, temos acervo raríssimo, que conta a evolução da Medicina em São Paulo por meio de objetos utilizados no dia a dia da irmandade, instalada na capital há mais de 400 anos", disse o provedor (presidente) da Irmandade da Santa Casa de São Paulo, Kalil Rocha Abdalla. "Além das novas salas, estamos providenciando uma área para reserva técnica, para que os objetos expostos possam ser mais bem selecionados e para podermos aceitar mais doações." Até o fim do ano, o museu entrará no roteiro oficial do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Acervo. A ala mais procurada do museu - que recebe cerca de 30 visitantes por dia, principalmente estudantes de Medicina e Farmácia - é a dedicada ao acervo médico. São 1.800 peças, incluindo um grampeador metálico para cortes cirúrgicos, macas de palha da década de 1920, balança pediátrica do século 19, máscaras para anestesia geral feitas de metal.

"Mas o que mais intriga o visitante fica em um dos cantos: olha ali aquela máquina", aponta a mordomo (diretora) do museu, June Locke Arruda - ela se refere a objeto de 1,5 metro de altura e 100 quilos, que lembra uma balança de cargas. Mas servia apenas para retirar ciscos dos olhos. "Era usado para tirar pequenos pedaços de metal dos olhos de metalúrgicos e outros trabalhadores das indústrias", completa o vice-mordomo, Décio Cassiani Altimari.

A ala da farmácia antiga - toda decorada com armários de 1883, executados pelo Liceu de Artes e Ofícios - revela métodos já desaparecidos. Um dos exemplos é o teste de gravidez Galli-Manini, realizado com auxílio de um sapo - a urina da mulher era injetada no animal: se o sapo produzisse espermatozoides, a gravidez estaria confirmada. A ala possui cerca de 700 objetos dos primórdios das farmácias na cidade, como vidros de remédios de 1820 com rótulos de letras banhadas a ouro.

Na sala ao lado está uma das atrações mais procuradas: a Roda dos Expostos - móvel que por 125 anos (entre 1825 e 1950) recebeu crianças abandonadas. Enquanto funcionou, 4.696 crianças foram deixadas dentro da roda - que tinha saída para a rua -, para serem recebidas no orfanato da instituição. Os nomes das crianças estão registrados em 18 livros.

Revolução de 32. A pinacoteca do museu é outro destaque: 190 quadros de pintores como Tarsila do Amaral, Benedito Calixto, Oscar Pereira da Silva e Almeida Junior forram paredes de três salas, retratando benfeitores da casa. Documentos e objetos históricos, como capacetes usados por soldados atendidos na Santa Casa durante a Revolução de 1932, também podem ser encontrados. "Queremos continuar com nosso papel didático, atendendo estudantes, mas também diversificar o público. Visitantes não familiarizados às Ciências Médicas ficam extasiados com as histórias que revelam esse acervo", resume June.

O museu fica na Rua Doutor Cesário Mota Júnior, 112, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. A entrada é gratuita. Mais informações no site da Santa Casa.

Fonte Estadão

Autoridades sanitárias tentam decifrar casos fatais de infecção bacteriana no DF

Três pessoas morreram até o momento, duas meninas de 10 e 11 anos e uma mulher de 38; todas procuraram atendimento queixando-se de febre e dores de garganta

Autoridades sanitárias do Distrito Federal tentam decifrar as causas da morte de três pacientes, registradas de agosto até agora em hospitais da rede particular de saúde. Todas as vítimas, duas meninas de 10 e 11 anos e uma mulher de 38, procuraram atendimento queixando-se de febre, dores de garganta e morreram menos de 24 horas depois da internação.

Nenhuma delas apresentava problemas de saúde antes dos primeiros sintomas da infecção. Exames feitos nas vítimas identificaram a presença de uma bactéria comumente encontrada na garganta e na pele de 5 a 15% da população, o Streptococcus pyogenes. Mas autoridades não sabem como foi a contaminação.

"Outros exames precisam ser realizados. A bactéria foi encontrada mas não podemos ainda afirmar que a morte foi provocada por essa infecção", afirmou o secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa. O material para análise foi enviado para o Instituto Adolfo Lutz. Não há prazo para que resultado do exame seja entregue. "Mas o caso é considerado prioritário."

Apesar da mobilização, secretário garante não haver razões para se acreditar num surto. "Essa possibilidade está totalmente descartada. São casos isolados, as vítimas não tiveram contato entre si, não foram nem mesmo atendidas nos mesmos hospitais", disse Barbosa. Ele reconhece, no entanto, que os casos fogem do padrão: "A bactéria encontrada nas vítimas pode provocar infecções graves. Isso ocorre. O que destoa é o fato de ela ter atingido pessoas saudáveis, sem nenhum tipo de doença associada."

A primeira vítima foi uma menina de 10 anos, moradora do Lago Sul, em agosto. No mês seguinte, foi registrado o óbito de uma mulher de 38 anos, na cidade satélite Guará. Depois do registro de duas mortes, um alerta foi enviado para unidades de saúde. O terceiro óbito ocorreu terça: uma menina de 11 anos atendida num hospital de Taguatinga, que apresentou primeiros sintomas no sábado. De acordo com a secretaria de saúde, outras duas mortes com características semelhantes foram investigadas. Elas também foram provocadas pela bactéria Streptococcus, mas um deles pneumoniae e outro, viridans. "Como se tratava de bactérias diferentes, descartamos a ligação", disse o secretário.

O Ministério da Saúde acompanha os casos, mas afirma também não haver motivo para preocupação. O diretor de Vigilância em Doenças Transmissíveis do ministério, Cláudio Maierovitch, afirma haver uma possibilidade "ínfima" de a bactéria causadora da doença apresentar uma mutação. "Casos assim chocam, mas infelizmente mortes por infecções ocorrem, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo, sem que tenha ocorrido um erro de tratamento ou uma mudança na bactéria."

Fonte Estadão