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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Grávidas obesas podem emagrecer com segurança?

Perda de peso durante a gestação ajudaria a reduzir a necessidade de uma cesariana, diz estudo

Mulheres em alto grau de obesidade podem conseguir emagrecer com segurança durante a gravidez – e possivelmente reduzir a necessitar de uma cesariana – é o que mostra um novo estudo.

As descobertas, publicadas no periódico científico Obstetrics & Gynecology, aumentam as evidências de que pelo menos algumas obesas podem conseguir emagrecer durante a gravidez sem causar danos ao bebê ou à própria saúde.

Pesquisadores, porém, advertem que as mulheres não devem iniciar uma dieta de emagrecimento durante a gravidez. O médico deve sempre ser consultado sobre qualquer mudança alimentar ou de estilo de vida.

O Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM), organismo consultor do governo americano, recomenda às mulheres obesas um ganho de 5,5 a 10 quilos durante a gravidez – valor inferior ao recomendado para mulheres de peso normal, que vai de 12 a 17 quilos. Mas, alguns pesquisadores criticam as diretrizes da IOM por estas não considerarem os diferentes níveis de obesidade.

De acordo com alguns estudos, mulheres em alto grau de obesidade podem engordar menos durante a gravidez, ou mesmo emagrecer, sem prejudicar o bebê ou a própria saúde.

No novo estudo, Marie Blomberg, da Universidade de Linkonping, na Suécia, analisou registros médicos de mais de 46.000 gestantes obesas que deram à luz entre 1993 e 2008. Elas foram dividas em três categorias de obesidade: Classe 1, para aquelas com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 35; classe 2, com IMC entre 35 e 40; e classe 3, com IMC acima de 40.

Blomberg constatou que entre as mulheres dos dois últimos grupos, aquelas que tiveram um ganho de peso inferior ao recomendado pela IOM – ou mesmo emagreceram – apresentaram menor propensão a dar à luz a um bebê de peso alto ou de necessitar de uma cesariana, em comparação àquelas que ganharam a quantidade recomendada.

Dentre as mulheres da classe 2, por exemplo, um total de 17% daquelas que emagreceram passaram por uma cesariana, contra 24% daquelas que ganharam o peso recomendado pela IOM.

Além disso, os bebês de mulheres em alto grau de obesidade que emagreceram aparentemente não apresentaram diferenças em relação àqueles cujas mães tiveram um ganho de peso dentro das recomendações. Eles não se mostraram mais propensos a passar por sofrimento fetal ou apresentar um baixo resultado no teste de Apgar – medida de respiração, batimento cardíaco e outros indicadores de saúde avaliados logo após o nascimento.

As descobertas sugerem que ganhar menos peso do que o recomendado pela IOM – ou mesmo emagrecer um pouco – “pelo menos não é prejudicial” para gestantes em alto grau de obesidade, disse Blomberg à Reuters Health.

Entretanto, ainda não está claro o peso exato que pode ser perdido com segurança. Blomberg não tinha informações sobre a faixa de perda de peso entre as participantes do estudo. Ela diz que também desconhece outros estudos que já tenham sugeriram uma faixa segura. Mas, a perda de peso durante a gravidez de mulheres obesas pode também apresentar um ponto negativo: um aumento no risco de dar à luz a um bebê pequeno para sua idade gestacional.

Um total de 3,7% das obesas deu à luz a um bebê pequeno para sua idade gestacional – em comparação ao índice de 3,6% entre todos os nascimentos na Suécia. Para Blomberg, a conclusão é que emagrecer um pouco pode ser “razoavelmente seguro” para mulheres em alto grau de obesidade.

Entretanto, ela adverte quanto a qualquer tipo de dieta de emagrecimento iniciada durante a gravidez. Ela aconselha que a meta seja uma alimentação saudável e equilibrada, além da prática de exercícios moderados – como uma caminhada diária de 30 minutos.

Este é o conselho geral. Mas, Blomberg ressalta que é muito importante que as gestantes grávidas conversem com o médico sobre qualquer mudança alimentar ou de estilo de vida que eles possam necessitar.

Fonte IG

Gordura trans: ruim para mãe e bebê

Grávidas que consomem gorduras trans em salgadinhos, biscoitos recheados, fast-food e outros tipos alimentos pouco saudáveis têm mais propensão a dar à luz bebês maiores, de acordo com um recente estudo realizado nos EUA.

O estudo, publicado no Jornal Americano de Nutrição Clínica, foi feito com 1.400 grávidas e constatou-se que, quanto maior a ingestão de gorduras trans – que aumentam o colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”, e diminui os níveis do colesterol HDL, benéfico ao coração – durante o segundo trimestre de gravidez, maior foi o recém-nascido.

O estudo não prova que apenas a gordura trans é capaz de impulsionar o crescimento fetal e, mesmo que fizesse, não haveria como saber o quão prejudicial ela poderia ser ao bebê. Mas existem riscos associados a ter um bebê maior do que o normal, disse a pesquisadora Juliana Cohen, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston (EUA).

Bebês grandes precisam ser retirados do útero materno por meio de cesarianas e estudos já mostraram que eles podem ter um risco aumentado de diabetes e doença cardíaca mais tarde na vida, Cohen acrescentou.

“É prudente limitar o consumo de gorduras trans na dieta de qualquer maneira”, disse ela.

As gorduras trans são encontradas em alimentos que contêm óleos parcialmente hidrogenados, incluindo muitos alimentos embalados, assados e fritos, como batatas fritas, bolachas e biscoitos, assim como boa parte das opções de fast-food.

Algumas carnes e produtos lácteos contêm gorduras trans naturais, mas as pessoas acabam comendo a maior parte dessas gorduras da forma artificial – hoje alguns produtores de alimentos e restaurantes têm reduzido ou cortado o uso de gorduras trans por conta da péssima publicidade em torno dela.

O mais recente estudo baseou-se em mulheres da região de Boston, que deram à luz seus bebês entre 1999 e 2002. As mulheres preencheram questionários alimentares durante o seu primeiro e segundo trimestres de gestação.

A relação entre a maior ingestão de gordura trans e tamanho do bebê ao nascer se manteve mesmo quando os pesquisadores levaram em conta fatores como peso corporal antes da gravidez, renda, educação e ingestão de calorias.

Eles calcularam que para cada aumento de 1% de gordura trans em relação ao consumo de carboidratos na dieta diária da gestante, o crescimento fetal do bebê avançou ligeiramente.

Infelizmente, acrescentou Cohen, esses tipos de alimentos são, muitas vezes, os que as mulheres mais desejam durante a gravidez.

Fonte IG

Sono feminino é mais afetado pelo álcool

Problema pode ser causado pelas diferenças na forma como homens e mulheres processam o álcool no corpo

Um novo estudo mostrou que o álcool aparentemente causa mais problemas de sono nas mulheres do que nos homens.

Há muito tempo já se sabe que o álcool pode tornar o sono mais profundo no início da noite, atrapalhando o mesmo mais tarde – com o conhecido “efeito rebote”. Entretanto, poucas pesquisas até agora haviam analisado como homens e mulheres podem sofrer diferentes efeitos do álcool sob o sono.

Participaram do novo estudo 59 homens e 34 mulheres na faixa dos vinte anos de idade, divididos em dois grupos. Antes de ir dormir, o primeiro consumiu álcool até se embebedar e o segundo ingeriu uma bebida não alcoolizada. O sono dos participantes foi então monitorado pelos pesquisadores.

As mulheres que consumiram álcool tiveram menos horas de sono, acordaram com mais frequência e por períodos mais longos durante a noite – apresentando mais interrupções do sono em comparação aos homens que consumiram álcool. O estudo está disponível online e será publicado na edição de maio da revista especializada Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

“Estas diferenças (de gênero) nos resultados podem estar relacionadas às diferentes formas de metabolização do álcool, já que as mulheres apresentam um declínio mais rápido da concentração de álcool no sangue (BAC) após o consumo de álcool”, disse J. Todd Arnedt, professor assistente de psiquiatria e neurologia da Universidade de Michigan e autor do estudo.

“É importante ressaltar que o pico do BAC foi equivalente entre homens e mulheres em nosso estudo, então as descobertas não estão vinculadas a índices de BAC mais altos entre as mulheres. Nós também não acreditamos que as diferenças foram provenientes de diferenças experiências ao consumir álcool, já que o consumo anterior de álcool também foi equivalente entre homens e mulheres”, ele complementou.

Arnedt disse que as descobertas sobre as diferenças de gêneros “podem ter implicações em estudos futuros que examinem a relação entre a qualidade do sono e o risco de desenvolver distúrbios relacionados ao consumo de álcool, assim como em pesquisas que avaliem a ligação entre a qualidade do sono e a reincidência entre indivíduos em fase de recuperação do consumo excessivo de álcool”.

Fonte IG

Álcool: não há dose segura

Especialistas alertam que mesmo o consumo moderado pode elevar o risco de câncer de mama

A lista dos possíveis fatores que elevam o risco de câncer de mama cresce a cada ano. Obesidade e sedentarismo têm seus efeitos danosos comprovados em números e estatísticas.

A novidade no tema, embora ainda sem garantias oficiais, aponta que o consumo moderado de álcool também aumenta as chances da doença.

Fabiana Baroni Makdissi, mastologista do Hospital A.C Camargo, explica a relação usando a metáfora da balança: os fatores de risco estão de um lado, e os de proteção, no outro. Nesse caso, endossa a médica, o desequilíbrio é condição para aumentar ou não a chance de aparecimento da doença. Quanto maior for o peso da proteção menor serão os riscos.

A especialista diz que a matemática é simples. O câncer está diretamente relacionado à qualidade de vida. “Ainda não temos como dominar e controlar a doença, mas tudo que for possível fazer para deixar o organismo equilibrado, é benéfico e diminui as chances dela aparecer.”

Segundo Fabiana, o câncer de mama é multifatorial, ou seja, causado por diversos fatores. A obesidade, o sedentarismo e o consumo de álcool não desencadeiam a doença sozinhos, mas potencializam os riscos. “Nascer mulher e estar envelhecendo também são fatores de risco para o surgimento da doença. Estes dois não temos como mudar, mas os outros fatores sim. A manutenção da saúde, é responsabilidade de cada um.”

Na teoria, os médicos revelam que consumir 120 ml de vinho (o equivalente a uma taça) ou 275 ml de cerveja, quantidade inferior a uma latinha, por dia já é considerado uma dosagem de risco. O ideal, aponta a mastologista, seria limitar a ingestão a celebrações e ocasiões especiais e, ainda assim, manter a disciplina.

"As mulheres que consomem álcool apresentam níveis elevados de hormônios, em especial o estrógeno e, em particular, o estradiol, que é um tipo de estrógeno, o hormônio considerado como o grande vilão do câncer de mama", esclarece a mastologista.

Alguns estudos sugerem que a bebida aumentaria a suscetibilidade à carcinogênese - seqüência de eventos que culmina no aparecimento do câncer no tecido mamário. O álcool causaria também dano no DNA (molécula que armazena as informações genéticas) das células e ampliaria o potencial metastático (capacidade que as células do tumor têm de se espalhar para outras partes do copo) das células tumorais.

Felipe Andrade, mastologista do Hospital Sírio Libanês de São Paulo, explica que o álcool e a gordura têm uma influência negativa sobre o hormônio feminino. “O câncer é um tumor que se alimenta de hormônios. A gordura estimula a produção do estrogênio, que é extremamente prejudicial à mulher, e o álcool sinaliza esse hormônio de forma negativa.”

Apesar de os estudos ainda serem inconclusivos, o médico não descarta a importância do alerta. “Embora ainda não tenhamos dados que decifrem de que forma essa sinalização é feita, já sabemos que a relação entre o álcool e o estrogênio é negativa, o que exige um cuidado redobrado.”

Fonte IG

Por que as mulheres sofrem mais com a ressaca

Hormônios femininos e menor concentração de líquido corporal dificultam absorção do álcool

As universitárias já bebem com a mesma frequência do que os homens que estão na faculdade, mas nelas os efeitos do álcool são piores.

Além de gerar dependência etílica mais rápido, a ressaca do dia seguinte à bebedeira também é mais nociva para o público feminino.
“Em qualquer idade, a mulher é mais afetada pelo álcool”, afirma a psiquiatra da USP e diretora do Centro de Informações sobre o Álcool (Cisa), Camila Magalhães.

“A constituição do organismo delas é diferente. Primeiro porque elas têm menos concentração de líquidos no corpo do que os homens, o que deixa o álcool menos diluído no organismo e por mais tempo em forma de etanol, o que intoxica todos os órgãos, em especial o fígado”, explica a médica.

Outro problema é que os hormônios femininos também influenciam no caminho do álcool dentro do corpo. “Em especial em algumas fases do ciclo menstrual, em que há aumento da progesterona (ovulação), a função hepática é comprometida”, diz Camila.

A dificuldade do fígado em trabalhar faz com que ele produza menos as enzimas responsáveis por fazer o álcool sair do corpo. O resultado? Não apenas no dia seguinte, mas por vezes ao longo de até 72 horas, as mulheres ficam com mais náuseas, dor de cabeça, sensação de boca seca e dores no corpo, quando comparadas ao público masculino.

“Isso faz com que elas se embriaguem mais rápido e também desenvolvam dependência química em uma fase mais precoce”, completa a diretora do Cisa.

Estas características da fisiologia feminina, inclusive, fazem com que os médicos utilizem padrões diferentes de consumo ideal de bebidas alcoólicas entre os dois gêneros. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os homens podem beber entre duas e três doses diárias de cerveja ou vinho e para elas o limite é de apenas uma dose.

Moderação
Apesar da constituição desfavorável à ingestão de álcool, as mulheres estão bebendo mais. Hoje 10% da população feminina bebe mais de quatro doses quando decide sair para beber, comportamento chamado na literatura especializada de “bebedora pesada”, mostraram os dados divulgados este ano pelo Ministério da Saúde. Em 2006, primeiro ano em que o estudo federal foi realizado, este índice feminino era de 8%. Quanto mais jovem, maior o consumo feminino. Na parcela entre 18 e 24 anos, 14,6% delas bebem desta maneira frente a 26,3% dos homens, diferença estatística de 12 pontos porcentuais. Já no grupo etário entre 30 e 45 anos, 30% dos homens são bebedores pesados contra 10,4% das mulheres, com 20 pontos de diferença.

No trabalho realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas e o Instituto de Psiquiatria da USP foi constatado que na universidade, as jovens bebem como os homens.

“A relação é de uma mulher bebedora pesada para cada homem que consome álcool desta maneira”, afirmou Camila Magalhães, que participou do levantamento feito com sete mil pessoas, matriculadas em 12 universidades públicas e privadas de todo País.

Fonte IG