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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Importador de lixo hospitalar deve ser indiciado

Laudo do IC confirma sangue em algumas das peças examinadas, diz secretário de Defesa Social

O inquérito da Polícia Federal que investiga a importação de lixo hospitalar pela empresa Na intimidade, de Santa Cruz do Capibaribe, a 205 quilômetros do Recife, só aguarda os laudos do Instituto de Criminalística de Pernambuco (IC) e do Instituto Nacional de Criminalística (INC) para ser concluído. "É boa a possibilidade de o importador (Altair Teixeira de Moura) ser indiciado", disse ontem, em conversa com jornalistas, o delegado regional de combate ao crime organizado da Policia Federal, Nilson Antunes da Silva.

O empresário pode ser indiciado pelos crimes de contrabando - importação de material proibido - e de crime ambiental - contaminação do ambiente com material biológico, no caso, lixo hospitalar. "Se o laudo apontar que o produto é usado, já caracteriza contrabando e se apontar resquícios biológicos, pode ser qualificado o crime ambiental", explicou o delegado. O produto importado era utilizado na confecção de forros de bolsos para confecções.

O secretário estadual de Defesa Social, Wilson Damázio, confirmou a existência de sangue em algumas peças examinadas pelo IC, cujos laudos deverão ser entregues à Polícia Federal. O material analisado pelo IC é composto por lençóis e jalecos usados, muitos com manchas, recolhidos nos galpões da importadora em Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. "Mesmo os que não apresentavam sangue estavam sujos, usados", assegurou ele.

Amostras das 46 toneladas de lençóis apresentando manchas e com logomarcas de hospitais norte-americanos - além de cateteres, seringas e luvas usadas -apreendidos e retidos no Porto de Suape, nos dias 11 e 13, em dois contêineres embarcados no Porto de Charleston, na Carolina do Sul, ainda serão encaminhadas para análise do INC, em Brasília, além de amostras também recolhidas pela PF nos três galpões da Na Intimidade.

INVESTIGAÇÃO DOCUMENTAL
De acordo com o delegado, Altair Teixeira de Moura já realizou cerca de 20 importações à empresa Texport Inc desde que abriu sua empresa, em 2009. Os documentos apreendidos nas sedes da Na Intimidade estão sendo analisados para saber como ocorriam as importações anteriores, como era feito o pagamento, qual a movimentação e capacidade financeira da empresa, cujo nome fantasia é Império do Forro de Bolso. Segundo Antunes da Silva, não há, até o momento, indícios de outras empresas pernambucanas envolvidas com este tipo de importação.

A polícia federal norte-americana (FBI) atua no caso auxiliando a PF com informações da empresa exportadora, a Texport Inc. "Queremos saber o histórico dessa empresa, quem são os sócios, para quem mais ela exporta", afirmou o delegado. "Não temos acesso a essas informações e o Estado americano tem interesse nesse tipo de conduta que pode configurar crime também naquele País".

Segundo o delegado, não há motivação para pedir prisão preventiva do empresário, que está colaborando com as investigações. Além de ouvir o importador, a PF já terminou a fase de oitiva dos funcionários da empresa. "A parte testemunhal está encerrada", informou ele, que espera que o inquérito, instaurado no dia 19, seja concluído no prazo de 30 dias.

Fonte Estadão

Mundo precisa atualizar vacinas contra a gripe, sugere estudo

Segundo pesquisa, métodos de imunização podem ser muito menos eficazes do que se pensa

Enquanto norte-americanos fazem fila para se vacinar contra a gripe, eles devem considerar que as vacinas podem ser muito menos eficazes do que se pensa, segundo um novo estudo.
Michael Osterholm, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, e seus colegas descobriram que a vacina da gripe mais comum nos Estados Unidos é eficaz para 59% dos adultos saudáveis, bem abaixo do nível de 70-90% relatado anteriormente.

"Estamos presos a uma vacina que já existe há 60 anos e não mudou muito", Osterholm disse em declarações gravadas. Ele salientou a necessidade de uma nova geração de vacinas contra a gripe, particularmente diante de uma futura pandemia.

Há também uma falta de informação sobre quão bem a vacina funciona em crianças e em adultos com mais de 65 anos, disse ele. Estes dois grupos correm maior risco de doença ou morte associadas à gripe.

Autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendam que todos os americanos acima de seis meses de idade tomem uma vacina contra a gripe.

Quase 131 milhões de pessoas, ou 43% da população do país, receberam a vacina contra a gripe na temporada passada, de acordo com o Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC, na sigla em inglês).

A Sanofi, a GlaxoSmithKline, a Novartis, a MedImmune, unidade da AstraZeneca, e a CSL produzem vacinas para o mercado dos EUA.

Enquanto Osterholm não contesta a necessidade das vacinas atuais, ele disse que a percepção comum de que elas são "suficientemente boas" impede o desenvolvimento de novas terapias.

Em um estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, Osterholm e colegas selecionaram 5.707 estudos de vacinas publicados nos últimos 40 anos.

Eles reduziram suas análises a 31 estudos que testaram para a presença da gripe em testes de laboratório, em vez de contar um aumento dos anticorpos contra a gripe -- um método mais rápido, mas que pesquisadores dizem que tende a superestimar a eficácia da vacina.

Eles também limitaram os resultados para aqueles que usaram ensaios clínicos randomizados ou outros métodos de observação que não têm "viés de seleção", que poderia fazer com que as pessoas mais doentes ficassem fora do estudo.

Uma análise dos 31 estudos também mostrou que um novo tipo de vacina que utiliza um vírus vivo era 83 por cento eficaz na proteção das crianças entre seis meses e sete anos de idade.

No entanto, este tipo de vacina, que é feito pela MedImmune, atualmente não é recomendado como o melhor tratamento para as crianças pelo grupo do CDC, que decide práticas de imunização nos Estados Unidos, disseram os autores do estudo.

O estudo na Lancet foi publicado antes de uma reunião deste grupo na quarta-feira.

Fonte Estadão

Vacina contra HPV previne maioria das lesões anais pré-cancerosas

Uma vacina contra o HPV (papilomavírus humano), infecção sexualmente transmissível que pode causar câncer de útero nas mulheres, também previne a maior parte das lesões pré-cancerosas anais em homens homossexuais, destacou um estudo publicado nesta quarta-feira.

Os homens vacinados contra o HPV tiveram 75% menos lesões anais que evoluíram para o câncer do que outros que receberam um placebo, segundo estudo internacional publicado na revista "New England Journal of Medicine".

As descobertas foram divulgadas um dia depois de que um comitê de especialistas instou os CDC (Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos a recomendar a vacinação de rotina contra o HPV em meninos de 11 e 12 anos.

Espera-se que o CDC aceite a recomendação e emita um anúncio formal em dois meses.

O HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum, com mais de 40 subtipos, alguns dos quais podem causar câncer de útero e verrugas genitais. No entanto, o HPV não provoca qualquer sintoma e é eliminado sozinho pelo corpo.

Se detectadas a tempo, as lesões causadas pelas quatro cepas particularmente virulentas podem ser eliminadas, prevenindo o desenvolvimento do câncer. Mas os especialistas dizem que a vacinação contra o HPV é crucial antes de as pessoas começarem a vida sexual.

Segundo dados oficiais, nos Estados Unidos são diagnosticados 6.000 casos de câncer de ânus e cerca de 800 pessoas morrem por causa da doença.

"O que este estudo mostrou é que estes tipos de câncer e mortes poderiam ser evitados", disse o cientista chefe das pesquisas, Joel Palefsky, diretor da Clínica de Neoplasia Anal da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Participaram da pesquisa 602 homens homossexuais, sexualmente ativos, do Brasil, Austrália, Canadá, Croácia, Alemanha, Espanha e Estados Unidos.

Os participantes do estudo, financiado pelo laboratório Merck, receberam aleatoriamente um placebo e três doses injetáveis da vacina Gardasil, do Merck.

A vacina, tetravalente --ou seja, atua em quatro cepas independentes do HPV-- é a única no mercado contra o HPV com licença de uso em meninos e homens.

O experimento foi realizado entre 2006 e 2008 e incluiu três anos de acompanhamento, prazo após o qual os que nunca foram expostos ao HPV demonstraram uma taxa 75% menor de infecções anais de HPV e lesões pré-cancerosas anais.

As pessoas expostas a um ou mais tipos de HPV que o Gardasil busca prevenir apresentaram 54% menos lesões do que os que não tomaram a vacina.

"Com base nestes dados, a vacina funciona bem para prevenir a infecção por HPV e as doenças pré-cancerosas anais, e é provável que previna o câncer anal nos homens", disse Palefsky.

"O momento ideal para iniciar a vacinação seria antes da vida sexual, mas a vacina também pode ser útil depois de ter sido iniciada", acrescentou.

A maioria dos homens HIV positivo nos Estados Unidos também está infectada com HPV, e a incidência de câncer anal aumenta tanto em homens quanto em mulheres, disse Palefsky.

O HPV está vinculado a quase 13 mil casos de câncer de útero ao ano em mulheres americanas, 4.300 deles fatais, e também há suspeita que esteja relacionado a um aumento dos casos de câncer de cabeça e pescoço, devido à sua transmissão durante o sexo oral.

Fonte Folhaonline

Estudo encontra adição de açúcar no tabaco para atrair menores

As indústrias tabagistas estão utilizando açúcar e aromas para suavizar o gosto de seus produtos e atrair o público mais jovem e mulheres, indica um estudo do CNTC (Comitê Nacional contra o Tabagismo francês) divulgado nesta quarta-feira pela imprensa francesa.

A análise feita em parceira com a revista "60 million consumers" detalha que, para captar novos clientes e fidelizá-los, foram desenvolvidos produtos específicos com aromas de baunilha, morango e chocolate, que disfarçam o sabor amargo do tabaco e, de maneira paralela, reforçam a dependência à nicotina.

Um decreto de 2009 proíbe na França adição de adoçante no cigarro e limita a quantidade de aroma de baunilha.

Conforme o estudo divulgado pelo jornal "Le Post", "dezenas de outros sabores são permitidos, e o decreto só se aplica a cigarros, e não aos demais produtos de tabaco".

"O que está proibido num cigarro pode estar autorizado em outro", lamentam as organizações, as quais encontraram uma quantidade de açúcar próxima de 10% no tabaco de enrolar e adoçantes no papel de fumar.

O número é mais alarmante. Cerca de 7% dos estudantes enrolam seus cigarros e o consumo do tabaco de enrolar passou de 5.000 para 7.000 toneladas nos últimos 20 anos.

Os cigarros finos fizeram uma ofensiva de marketing às mulheres adicionando aromas de baunilha. As análises descobriram em alguns produtos quantidades dez vezes superiores às autorizadas nos cigarros, alertam os responsáveis pelo estudo.

A revista e o CNCT exigem que a regulamentação se aplique não só de maneira restrita, mas afete todos os produtos do tabaco, e solicitam a proibição dos demais aromas agora autorizados, o que já está em prática no Canadá.

Para resistir à ofensiva da indústria do tabaco às mulheres e aos adolescentes, pedem que a informação nas embalagens seja mais clara, porque não é possível que um consumidor receba mais informações sobre a composição de um iogurte do que de um produto tão nocivo como o tabaco.

Fonte Folhaonline

Estudo: Radiografia anual não reduz mortalidade por câncer de pulmão

Uma radiografia anual da caixa torácica não reduz a mortalidade causada por câncer de pulmão, segundo um vasto estudo clínico apresentado nesta quarta-feira nos Estados Unidos.

"Estes resultados constituem uma sólida prova de que não existe um ganho substancial de sobrevida para pessoas com câncer pulmonar ao realizarem uma radiografia anual dos pulmões", diz a pesquisa que será publicada no JAMA ("Journal of the American Medical Association") no dia 2 de novembro.

O estudo foi divulgado hoje na versão on-line do JAMA, em razão de sua apresentação na conferência anual do American College of Chest Physicians (CHEST 2011), que acontece do dia 22 ao 26 de outubro em Honolulu.

Desenvolvido nos Estados Unidos de novembro de 1993 a julho de 2001 por Martin Oken, da Universidade do Minnesota, a pesquisa reuniu um grupo de 154.901 participantes com idade entre 55 e 74 anos.

Apenas a metade foi escolhida ao acaso e submetida a uma radiografia pulmonar anual durante quatro anos. O outro grupo, de controle, foi analisado a partir de exames e cuidados médicos de rotina.

Formados pela mesma proporção de mulheres e homens, cada grupo possuía 45% de pessoas que nunca fumaram, 42% de ex-fumantes e 10% que ainda fumavam.

Durante um período de 13 anos, até 2009, os pesquisadores diagnosticaram 1.696 casos de câncer de pulmão no grupo submetido à radiografia anual e 1.620 no grupo de controle.

As taxas de mortalidade resultantes destes cânceres observados nos dois grupos foram quase idênticas, 1.213 mortes entre os que fizeram a radiografia e 1.230 mortos no grupo de controle.

A distribuição de diferentes tipos de tumores nos grupos também foi similar, respectivamente 41% de adenocarcinomas, 20% de carcinoma de células escamosas, 14% de carcinoma de células pequenas, 5% de carcinoma de células grandes e 20% de outras variantes de epitelioma de grandes células.

Em um editorial publicado também no JAMA, Harold Sox da faculdade de medicina de Dartmouth em West Lebanon, afirma que os resultados deste estudo "traz provas convincentes de que a radiografia da caixa torácica para detectar um câncer pulmonar não é eficaz" na redução da mortalidade.

Segundo ele, "este estudo é importante para acaba com a questão" e para que médicos passarem a usar a tomografia computadorizada helicoidal (TC) como técnica de imagem.

Um estudo realizado com 50 mil americanos fumantes e ex-fumantes de 55 a 74 anos em 2010 mostrou efetivamente que esta outra técnica permite uma melhor detecção de pequenos tumores no primeiro estágio de desenvolvimento da doença em comparação com a radiografia tradicional, reduzindo em 20% a mortalidade.

Este estudo clínico "National Lung Screening Trial" demonstrou pela primeira vez que uma detecção precoce de um tumor cancerígeno de pulmão diminui o risco de mortes, o que é um grande progresso, explica Sox.

O câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer no mundo.

Fonte Folhaonline