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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alimentos: Sete bilhões e a consciência do mundo

A humanidade chegou à marca dos sete bilhões de habitantes, a Europa vive uma grave crise econômica e acaba de ser divulgado ranking mundial do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano.

Os temas são associados e juntos dariam um bom esqueleto para uma análise da conjuntura mundial. Impossível fazê-la com as limitações de tempo e espaço.

A chegada aos sete bilhões e habitantes enfatiza o que tenho destaco este ano:o drama da alimentação. São 80 milhões de novas bocas a serem alimentadas, num contexto de avanço da desertificação, esgotamento de estoques pesqueiros e superbombeamento de água em regiões importantes da China.

Recém nascido na Améria Central, na semana dos sete bilhões.(Reuters)

O que aconteceu em algumas províncias do norte e nordeste da China repercute aqui no Brasil, na demanda de alimentos. E pode ter contribuído, de alguma forma, com nosso avanço no ranking mundial do IDH. Passamos para o 84º lugar num quadro de 187 países.

Se fóssemos pensar apenas na distribuição de renda, nosso lugar seria pior nesse ranking. Entratanto, olhando apenas para o índice de satisfação, o Brasil ocuparia um posto mais alto, perto de alguns países europeus.

Um pequeno pais chamado Butão criou o índice de felicidade, como um dos seus critérios de governo. Se os termos fossem os propostos pelo o Butão, o Brasil seria um dos mais felizes do mundo.

O problema é que as linhas do IDH e da felicidade se encontram em muitos pontos. Saúde pública, a distribuição de renda, saneamento básico, são exemplo, de algumas variáveis importantes para a felicidade humana.

O crescimento da humanidade coloca cada vez mais no foco o elemento que não apenas influi na felicidade como até na própria filosofia: o alimento.

Nesse ano de 2012, ainda que seja apenas para colocar o tema na agenda, será preciso discutir com os políticos como as cidades podem contribuir com a produção de alimentos. Hortas comunitárias, uso de terrenos na periferia, telhados verdes nos prédios-tudo isso pode amenizar o processo.

O Brasil é, ao lado dos EUA, Austrália e Argentina, um grande produtor mundial de alimentos.
Mesmo assim, as grandes cidades serão chamadas a racionalizar seu consumo e a contribuir, secundariamente, com a produção.

É possível que os políticos não se interessem por isso. Mas se houver interessados nas metrópoles, a coisa acaba avançando sem eles.  O único problema é saber se o debate político vai empolgar alguém, em 2012.

Fonte Estadão

Pessoas que desenvolvem obesidade têm maior risco de sofrer do coração

Estudo mostra que existe uma associação perigosa entre o baixo peso ao nascer com o sobrepeso durante a vida: mais chances de doenças cardiovasculares e diabetes

Pessoas com baixo peso ao nascer, mas que desenvolvem obesidade durante a infância ou na vida adulta, têm maior risco de apresentar doenças cardiovasculares e resistência à insulina - fator de risco para diabetes.

Uma das razões para essa associação, destacada em diversos estudos nos últimos anos e que ainda não está completamente elucidada, pode estar na alteração dos níveis de proteínas (adipocitocinas) produzidas pelo tecido adiposo e que funcionam como fatores de proteção ou, inversamente, de risco para doenças cardiovasculares.

A constatação foi feita por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) por meio de um projeto realizado com apoio da Fapesp.

A pesquisa envolveu uma avaliação de 547 crianças, de 6 a 12 anos de idade, de uma escola no município de Embu, na Grande São Paulo. Foram caracterizados o peso ao nascer, antecedentes familiares para doenças cardiovasculares, estado nutricional, pressão arterial e perfil lipídico, de glicemia, insulina e de adipocitocinas, entre outros indicadores.

Por meio de exames laboratoriais, verificou-se que cerca de 30% das crianças apresentavam alto grau de sobrepeso ou de obesidade, associados a fatores como o aumento do colesterol e da pressão arterial. As crianças com peso mais baixo ao nascer apresentaram níveis mais elevados de triglicérides, ácido úrico e do índice HOMA, que está relacionado à resistência à insulina.

A partir da comparação das crianças obesas ou com sobrepeso e com baixo peso ao nascer com as de peso normal no nascimento, os pesquisadores também observaram que as primeiras tinham níveis mais baixos de determinadas adiponectinas - uma classe de adipocitocinas que protege contra diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.

Mas esse primeiro grupo apresentou níveis mais elevados de outras adipocitocinas, que atuam como marcadores inflamatórios e endoteliais e são indicadores de risco de doenças cardiovasculares.

“Com isso, conseguimos verificar de modo parcial a associação entre o baixo peso ao nascer com o maior risco de doença cardiovascular na vida adulta”, disse Maria Wany Louzada Strufaldi, professora da Unifesp e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP.

Segundo ela, a pesquisa abre uma nova perspectiva para explicar pelo aspecto inflamatório a associação entre baixo peso ao nascer com sobrepeso ou obesidade e riscos de doenças cardiovasculares, cujos mecanismos ainda não estão claros.

“Ninguém sabe exatamente qual criança irá desenvolver doença cardiovascular. Sabemos dos fatores de risco, mas em que momento isso pode acontecer, ou mesmo se irá ocorrer, ainda não está claro”, disse.

Sinais de alerta
Os pesquisadores também avaliaram os níveis de resistina apresentados pelas crianças com sobrepeso ou obesidade e baixo peso ao nascer. Estudos anteriores apontaram que a resistina teria a função inversa da adiponectina. Entretanto, na nova pesquisa, a proteína não foi identificada como um fator de proteção ou de risco para doença cardiovascular e não se mostrou associada com outros marcadores inflamatórios ou com o peso ao nascimento das crianças avaliadas.

“Isso mostra como é complexo elucidar os mecanismos que estão por trás da associação entre baixo peso ao nascer, sobrepeso e obesidade e aumento de risco de doença cardiovascular. Há muitos caminhos para tentarmos desvendar quais fatores interferem ou não nessa questão”, avaliou Strufaldi.

O grupo da Unifesp pretende investigar se os mecanismos que observaram na pesquisa também se reproduzem de forma expressiva em crianças com doenças crônicas, como a asma.

Por meio disso, além de tentar encontrar uma explicação fisiopatológica para possíveis mecanismos inflamatórios associados ao peso de nascimento, também se pretende obter uma aplicação clínica.

“A partir do aumento da prevalência de doenças crônicas, como a obesidade, o diabetes e a própria asma, esses estudos são importantes para que os pediatras possam identificar sinais de alerta e realizar exames mais precocemente ou mais detalhados em certas crianças”, disse Strufaldi.

Fonte Estadão

Agência Nacional de Saúde Suplementar lança o Qualiss

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está lançando um instrumento para avaliar o desempenho dos prestadores de serviços de saúde suplementar.

Resolução normativa dispondo sobre a implantação do mecanismo, denominado Programa de Monitoramento da Qualidade dos Prestadores de Serviços na Saúde Suplementar (Qualiss), foi publicada ontem (3) no Diário Oficial da União.

A nova norma vai permitir a avaliação de qualidade, segundo os padrões internacionais. Inicialmente, a medida estará focada nos hospitais, mas o objetivo é estendê-la a outros prestadores de serviços no setor.

De acordo com a ANS, tais indicadores de qualidade vão proporcionar aos estabelecimentos de saúde parâmetros claros de gestão, além de fornecer ao Poder Público e aos consumidores em geral elementos de apoio à tomada de decisão, com foco na qualidade do atendimento.

Segundo Bruno Sobral, diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, o consumidor poderá escolher melhor o seu plano de saúde, já que poderá avaliar a qualidade da rede associada a cada plano disponível no mercado, mudando o foco do preço para a qualidade do serviço prestado.

Para Sobral, as informações disponíveis sobre a qualidade dos hospitais ainda são muito escassas, e a nova resolução promoverá concorrência positiva.

Essa resolução ficou em consulta pública durante 30 dias e recebeu cerca de 145 contribuições da sociedade.

Fonte Agência Brasil

Cinco capitais se destacam na promoção de atividades físicas à população

Prefeituras que estimulam a prática de atividades físicas foram homenageadas ontem (3) pelo Ministério da Saúde. Aracaju, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Vitória inspiraram o programa Academias da Saúde, lançado em abril.

Uma das iniciativas mais antigas é a de Vitória (ES), que começou em 1991 e já conta com cerca de 24 mil pessoas praticando atividades físicas regulares. “Estruturamos módulos de atividade física que se espalharam pela cidade. Hoje, todas as regiões de Vitória têm um módulo. E isso cresceu para além das atividades. Nas unidades de saúde temos atividades com grupos de mulheres, de gestantes, de hipertensos, de diabéticos”, explicou o secretário de Saúde da capital capixaba, Luiz Carlos Reblim.

A secretaria também promove atividades específicas para idosos. Há na cidade 20 academias para esta faixa etária e, até o incio de 2012, esse número deve chegar a 50. Nesses lugares, os idosos fazem exercícios, musculação, caminhadas, hidroginástica e ginástica localizada.

Em Recife, a professora de educação física Raquel Bezerra disse que, além das atividades físicas, as pessoas recebem informações sobre nutrição e práticas de lazer. “Temos pessoas idosas, adultos, jovens, adolescentes, crianças. Também há pessoas com hipertensão, diabetes, osteoporose”, disse a professora. Na capital pernambucana, cerca de 70 pessoas são atendidas por dia pelo programa de estímulo da prática de exercícios.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a meta do governo federal é ter 4 mil polos das Academias da Saúde até 2014. Dois mil projetos já foram selecionados e vão receber R$ 180 mil para compra de equipamentos e 36 mil reais por mês para custeio.

Fonte Agência Brasil

Doente de câncer espera até quatro meses para iniciar tratamento pelo SUS

Após receber o diagnóstico da doença, um paciente com câncer espera, em média, quase quatro meses para conseguir uma sessão de radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No caso de uma cirurgia, o tempo médio de espera cai para três meses e, para quimioterapia, dois meses e meio. Os dados integram uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) com base em dados oficiais da rede pública de atendimento e entrevistas com mais de 200 médicos e associações de apoio aos pacientes.

O parâmetro internacional de excelência, segundo o TCU, prevê o início do tratamento de câncer em, no máximo, 30 dias após o diagnóstico. No entanto, os auditores detectaram que somente 16% dos pacientes com indicação de radioterapia e 35% de quimioterapia iniciaram o tratamento no prazo. No Reino Unido, por exemplo, 99% dos doentes começam o tratamento em menos de um mês.

Depois de seis meses de trabalho, a equipe identificou um déficit de 135 equipamentos de radioterapia, 44 de cirurgia e 39 de quimioterapia. Em relação à radioterapia, se fossem contabilizados os aparelhos existentes na rede privada, ainda faltariam 57 unidades.

Morador do Distrito Federal, o motorista Raimundo Santos, 63 anos, relata a angústia pela espera por uma sessão de radioterapia na rede pública. Diagnosticado em dezembro do ano passado com câncer de próstata, ele iniciou o tratamento somente seis meses depois. Não conseguiu sequer fazer metade das 30 sessões recomendadas pelo médico, já que foi obrigado a interromper o tratamento porque o aparelho quebrou. “Me sinto uma peça descartável. Não estou bem. Eu preciso de tratamento e ele não vem”, lamentou.

Outro dado do TCU mostra que menos da metade dos pacientes diagnosticados com câncer conseguiram ter acesso ao tratamento pelo SUS em 2010.

As falhas nos serviços, conforme os auditores, estão relacionadas à carência de investimentos, despreparo dos profissionais para operar equipamentos, ausência de mecanismos para acompanhar a qualidade do serviço prestado, demora na inclusão de novos tratamentos e baixos valores pago aos hospitais, o que desestimula a oferta dos serviços.

“Apesar do gasto do governo federal estar crescendo nessa área, identificamos muitas carências para serem sanadas”, disse o secretário de Avaliação de Programas de Governo do TCU, Carlos Alberto Sampaio. “Temos indicadores semelhantes aos do Reino Unido na década de 90. Eles [os britânicos] fizeram planos com metas e, hoje, têm bons indicadores. Se o Brasil seguir a mesma linha, daqui a dez anos vamos ter indicadores comparados aos do Reino Unido”.

O TCU recomenda que o governo federal faça uma revisão do número de pacientes com necessidade de tratamento pelo SUS, crie indicadores de desempenho e capacite profissionais da atenção básica.

Segundo o Ministério da Saúde, os gastos federais com assistência oncológica triplicaram nos últimos 12 anos. Em 2011, a pasta vai fechar com R$ 2,2 bilhões de recursos aplicados na área. A quantidade de cirurgias oncológicas cresceu 40%, passando de 67 mil (2003) para 94 mil (na estimativa de 2011). No último ano, dos 155 procedimentos de radioterapia e quimioterapia oferecidos pelo SUS, 66 tiveram reajuste do valo pago. “Com isso, garantimos maior acesso aos serviços oncológicos para 300 mil pacientes que são atendidos no SUS”, informou o ministério por meio de nota.

Fonte Agência Brasil