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domingo, 13 de novembro de 2011

Austrália é 1º país a proibir marcas e nome de cigarros em maços

O governo da Austrália resolveu tomar uma iniciativa radical para coibir o fumo no país.

Divulgação
Na Austrália, logomarcas e nomes de cigarros terão de ser substituídos por fotos e mensagens de advertência
Na Austrália, logomarcas e nomes de cigarros terão de ser substituídos por fotos e mensagens de advertência
Autoridades australianas apresentaram um projeto de lei que proíbe que empresas de cigarro imprimam a logomarca ou mesmo o nome do cigarro nos maços.

No lugar, os pacotes de cigarros deverão trazer fotos e mensagens de advertência contra os efeitos nocivos do cigarro.

Fonte Folhaonline

Decifre a linguagem dos rótulos de produtos de beleza

Você sabe o que é "não comedogênico"? Os cremes firmadores podem mesmo mudar o tônus da pele? Se o produto é "clinicamente comprovado" isso significa que há um consenso sobre sua eficácia?

Embalagens de cosméticos se transformaram em enigmas que o consumidor precisa aprender a desvendar, separando o que é informação relevante e com embasamento médico do que é publicidade --cada vez mais disfarçada de ciência, com gráficos de funcionamento e termos futuristas.

Veja o glossário e entenda o que esses termos querem dizer e o que não se pode esperar deles.

Fonte Folhaonline

'Olho eletrônico' analisa células e identifica agressividade de tumor

Pesquisadores americanos e holandeses desenvolveram um programa de computador que identifica e interpreta eletronicamente a agressividade de tumores de mama.

O objetivo do sistema é reduzir os erros da análise feita por patologistas. É ela que determina o tratamento que será dado ao paciente.

O software, chamado C-Path (patologia computacional), foi "ensinado" a examinar imagens de biópsias e conseguiu identificar 6.642 características do tecido adiposo e conjuntivo e do epitélio (pele) da mama.

Desse total, 11 traços foram considerados mais relevantes para determinar se o câncer é de alto ou baixo risco.

O estudo, da Universidade Stanford, nos EUA, foi publicado no periódico "Science Translational Medicine".

No trabalho, foram analisadas imagens de 576 mulheres com câncer de mama que participaram de dois estudos diferentes, feitos na Holanda e em Vancouver, no Canadá.

Segundo o estudo, há mais de 80 anos a forma como é o prognóstico e diagnóstico de câncer de mama é a mesma: patologistas examinam os tumores no microscópio e classificam-nos.

Desde então, as mesmas três características histológicas (das células) são analisadas para verificar a agressividade do tumor: desenvolvimento de formações tubulares, anormalidade no núcleo da célula e frequência com que as células se dividem.

O diferencial do programa é que as características do câncer não foram predefinidas por um patologista.

Sozinho, ele procurou esses traços ligados ao câncer e identificou quais são mais relevantes para determinar o risco de morte da paciente nos próximos cinco anos.

De acordo com Max Mano, oncologista do Hospital Sírio-Libanês, o erros na classificação dos tumores e do risco de eles voltarem são um problema sério no mundo todo. "Há estudos mostrando que há discordância de 30% a 40% nos resultados em diferentes laboratórios."

Outros exames, já disponíveis na prática clínica, interpretam os tumores de forma menos subjetiva. Testes genômicos, por exemplo, avaliam os genes do tumor e conseguem fazer uma leitura mais precisa do tipo de câncer. Alguns deles custam cerca de US$ 4.000 (R$ 7.000).

FASE PRELIMINAR
O oncologista José Roberto Filassi, chefe do setor de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, afirma que um problema do estudo é o pequeno número de pessoas envolvidas.

"É uma boa ideia, mas o teste precisa ser provado e reproduzido em uma quantidade maior de mulheres."

O "olho eletrônico" ainda está em estudo e não deve ser comercializado tão cedo, segundo especialistas.

"Pela minha experiência, não acredito que esse teste possa ser usado clinicamente antes de dez anos. Essa é uma fase extremamente preliminar", afirma Mano.

Além disso, o médico afirma que muitos testes desenvolvidos em estudos não dão certo quando são repetidos em outros locais, pela complexidade do exame.

Fonte Folhaonline

Testes de colesterol serão aplicados em crianças nos EUA

As regras para o controle do colesterol e a prevenção de doenças cardiovasculares em crianças dos Estados Unidos serão alteradas. Agora, todas as crianças de nove a 11 anos, com ou sem histórico familiar de doenças do coração, deverão fazer exames de colesterol, segundo as novas diretrizes do Instituto Nacional do Coração norte-americano.

Arte
Esse teste só era recomendado a crianças e adolescentes cujos pais ou avós tiveram doença cardiovascular antes dos 55 anos, que têm um dos pais com colesterol total acima de 240 mg/dl ou que não têm informações sobre o histórico familiar.

No Brasil, recomenda-se o exame apenas a crianças com doença cardíaca na família ou indicação médica.

A nova recomendação será apresentada no domingo, na reunião da Associação Americana do Coração, por membros do Instituto Nacional do Coração, Sangue e Pulmão.

A mudança foi baseada em um estudo publicado em 2010 no periódico "Pediatrics", feito com cerca de 20 mil crianças americanas de dez anos de idade, em média.

Segundo o trabalho, 9,5% das crianças sem história familiar tinham colesterol alto --e essa parcela deve aumentar, por causa da epidemia de obesidade infantil nos EUA. Dessas, só 1,7% precisava de tratamento com remédios.

Ainda de acordo com as diretrizes, os remédios para baixar o colesterol são indicados apenas para crianças com mais de dez anos e com colesterol alto de base genética.

Nesses casos, a pessoa tem tendência a ter altos níveis de colesterol, independentemente de dieta ou exercício.

RESSALVAS
Ieda Jatene, do departamento de cardiologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia e médica do HCor (Hospital do Coração), afirma que a nova diretriz é "um pouco alarmista".

"Não há estudos mostrando que esse rastreamento universal diminui a incidência de doenças no futuro." Ela acredita ainda que o maior número de exames pode levar ao aumento de medicação desnecessária.

Para Luiz Antonio Machado César, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e médico do InCor (Instituto do Coração da USP), as novas diretrizes não devem mudar nada na prática clínica.

"A maioria das crianças com colesterol alto do estudo deviam ser obesas, e aí a orientação de mudar a dieta independe do exame."

Quanto aos que têm colesterol alto com predisposição genética, precisam de remédio e poderiam ser detectados na triagem universal, o cardiologista diz que o número de pacientes beneficiados seria muito pequeno para justificar o rastreamento.

"Seriam feitos cem exames para descobrir uma criança que precisa tomar remédio. Não sei se justifica o custo."

DIABETES
As novas diretrizes também recomendam teste de diabetes a cada dois anos a partir dos nove anos de idade para crianças acima do peso.

A lista ainda inclui testes anuais para aferir a pressão arterial de crianças a partir dos três anos e orientação antifumo dos cinco aos nove anos de idade.

Fonte Folhaonline

'Cigarros eletrônicos' ajudam fumantes a largar vício

Pesquisadores italianos obtiveram êxito em um experimento que utiliza um "cigarro eletrônico" para controlar o vício do fumo.

A equipe, liderada por Riccardo Polosa, da Universidade de Catania, recrutou 40 fumantes inveterados e ofereceram a eles apenas um dispositivo já disponível nas lojas por US$ 50 (cerca de R$ 88).

Viktor Koen/The New York Times
Ilustração brinca com o e-cigarro, que na verdade é um cigarro com uma solução de nicotina líquida vaporizada
Ilustração brinca com o e-cigarro, que na verdade é um cigarro com uma solução de nicotina líquida vaporizada
O cigarro eletrônico, ou e-cigarro, contém um pequeno reservatório com uma solução de nicotina líquida que é vaporizada para formar um aerossol.

O usuário inala e expele o vapor para obter um pouco da nicotina --e a sensação familiar de trazer o cigarro até a boca-- sem as substâncias nocivas presentes no cigarro.

Após seis meses, mais da metade das pessoas que realizaram o experimento tinha reduzido o consumo habitual de cigarros em pelo menos 50% e aproximadamente um quarto parou de fumar.

Embora o estudo-piloto seja de pequenas proporções, os resultados coincidem com outras evidências animadoras, reforçando a esperança de que os e-cigarros possam se tornar a ferramenta mais eficaz já utilizada para reduzir o número de mortes devido ao tabagismo.

MOVIMENTO CONTRA
Contudo, há um grupo trabalhando contra a inovação --e não são os produtores de cigarros. Trata-se de uma coalizão entre autoridades governamentais e grupos antitabaco que vêm alertando sobre os perigos dos cigarros eletrônicos. Eles querem proibir as vendas.

A controvérsia faz parte do longo debate filosófico sobre políticas de saúde pública, com uma estranha inversão de papeis. No passado, os políticos conservadores tendiam a apoiar políticas de abstinência ao lidar com problemas como gravidez na adolescência e dependência de heroína, enquanto que os liberais apoiavam estratégias de redução de danos como o incentivo ao controle de natalidade e a distribuição de metadona.

Porém, quando o assunto é nicotina, os apoiadores da abstinência tendem a ser mais liberais, incluindo políticos do partido Democrático nos níveis estadual e federal, que vêm tentando pôr fim às vendas e proibir o uso de cigarros eletrônicos em locais onde o fumo é proibido.

No entender deles, os fumantes que desejam fazer uso de fontes alternativas de nicotina devem usar apenas produtos totalmente testados, como a goma de mascar e os adesivos prescritos, usando-os apenas por um período breve, a fim de abandonar por completo a nicotina.

O FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos) tentou pôr fim às vendas de e-cigarros, considerando-os como "dispositivos para administração de medicamentos" que não poderiam ser comercializados até que sua segurança e eficácia fossem demonstradas em testes clínicos.

A agência teve o apoio da Sociedade Americana de Câncer, da Associação Americana de Cardiologia e das organizações Campanha para Crianças Livres de Cigarro e Ações Sobre Tabagismo e Saúde.
No ano passado, os apoiadores da proibição perderam a batalha com a rejeição no tribunal, mas continuam na briga por meio de propagandas dos supostos perigos do e-cigarro.

Eles afirmam que o dispositivo, assim como o tabaco sem fumaça, reduz o estímulo para que as pessoas abandonem a nicotina e também pode ser a porta de entrada no vício para jovens e não fumantes.

Além disso, citam os alertas do FDA de que diversas substâncias químicas presentes no vapor podem ser "nocivas" e "tóxicas".

A agência, porém, nunca apresentou provas de que os vestígios dessas substâncias façam mal à saúde, e desprezou a menção de que vestígios similares das mesmas substâncias podem ser encontrados em produtos aprovados pelo FDA, incluindo os adesivos e as gomas de mascar com nicotina.

AUMENTO
O número de americanos que experimentaram o e-cigarro quadruplicou entre 2009 e 2010, de acordo com os Centros de Controle de Doenças.

Uma pesquisa feita nesses órgãos, realizada em 2010, descobriu que 1,2% dos adultos americanos, ou aproximadamente 3 milhões de pessoas, relataram ter usado o e-cigarro no mês anterior.

"Os cigarros eletrônicos podem substituir uma grande quantidade, ou a maior parte, do consumo de cigarros nos Estados Unidos na próxima década", afirmou William T. Godshall, diretor executivo da Smokefree Pennsylvania.

Seu grupo realizou campanhas pelo aumento dos impostos sobre os cigarros, pela proibição do fumo em locais públicos e por advertências com imagens fortes nos maços.

Em relação ao e-cigarro, ele diverge de muitos de seus antigos aliados. "Não há evidências de que os e-cigarros já tenham causado danos a alguém", disse Godshall. "Ou de que jovens ou não fumantes tenham começado a usá-los."

Em uma escala de nocividade de 1 a 100, em que as gomas de mascar e os tabletes de nicotina têm nocividade 1 e os cigarros, 100, ele estima que a nocividade dos e-cigarros não ultrapasse 2.

Caso milhões de pessoas trocassem o hábito de fumar pela inalação do vapor, isso representaria um desafio para a opinião comum em relação ao movimento antitabaco.

Fonte Folhaonline