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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Tratar pneumonia em casa pode ser melhor do quem em hospital

Acompanhamento por pessoal treinado facilita adesão e melhora o prognóstico

Crianças com pneumonia grave tratadas em casa se recuperam melhor do que aquelas encaminhadas a um hospital, revela um novo estudo publicado no Lancet.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a administração oral do remédio funcionava tão bem como a injetável - mas, nesse caso, a investigação havia sido feita em hospitais e com médicos.

No novo estudo, feito no Paquistão, pesquisadores compararam a evolução de 1857 crianças acompanhadas em casa por pessoas da comunidade treinadas para identificar sintomas da doença, que receberam cinco dias de antibiótico oral. O grupo controle incluiu 1354 pacientes tratados em hospitais, submetidos à terapia padrão: uma dose do remédio antes do encaminhamento a um centro médico para receber drogas por via intravenosa.

A terapia em casa reduziu atrasos e falhas no tratamento. Apenas 9% dessas crianças tinham febre e outros sintomas após seis e 14 dias de tratamento, contra 18% das internadas em hospitais. Sabe-se que, em muitos casos, as famílias precisam viajar para chegar aos serviços de saúde, o que envolve atrasos, custos e dias de trabalho perdidos, dificultando a adesão.

Os membros da comunidade que receberam treinamento básico sobre como reconhecer sinais e sintomas e avaliar o progresso do tratamento diagnosticaram corretamente 94% dos casos.

Para os autores, os resultados são uma prova de que trabalhadores treinados podem identificar e administrar a doença na comunidade.

A descoberta pode ajudar a salvar milhares de crianças. A pneumonia é uma das grandes causas de morte infantil no mundo, matando 1,4 milhão de crianças com menos de cinco anos a cada ano, 99% delas em países em desenvolvimento.

Fonte Estadão

Brasil terá 'cursinho' gratuito para médicos brasileiros formados em Cuba

O governo vai bancar uma espécie de cursinho para que médicos formados em Cuba possam atuar no Brasil.

A ideia é facilitar a revalidação dos diplomas, oferecendo um reforço gratuito em universidades brasileiras com assuntos que não foram abordados na graduação cubana, como noções do Sistema Único de Saúde (SUS). O curso seria dado antes da prova para reconhecimento de diploma. Sem a validação, profissionais não podem trabalhar no Brasil.
Atualmente, para ter autorização de exercício profissional, médicos formados em outros países precisam passar por um exame organizado nacionalmente, o Revalida, ou se submeter a provas feitas por algumas universidades federais, que não aderiram ao exame nacional.

O processo, no entanto, não é fácil. Este ano, dos 677 inscritos no Revalida, 65 foram aprovados. Em 2010, quando a prova foi lançada, os resultados foram muito mais baixos: dos 628 candidatos, apenas 2 tiveram permissão para trabalhar no Brasil. Com o curso de reforço, médicos brasileiros formados em Cuba teriam mais chances de serem bem-sucedidos no exame de validação.

Assinado em setembro durante uma visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a Cuba, o acordo entre universidades estaduais e a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), de Cuba, permite ainda que, durante o período de aperfeiçoamento, profissionais trabalhem, numa espécie de estágio.

A Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, já prepara os detalhes do curso. Além das aulas teóricas e práticas, os formados receberiam, no período de dez meses do curso, uma espécie de bolsa de ajuda de custo, no valor de R$ 1.240.

O reitor da universidade, Joaquim Bastos, prevê que, além dos R$ 2 milhões para bolsas, seriam necessários recursos para pagamento de cerca de 15 professores que ficariam responsáveis pela formação dos médicos. Ainda não se sabe, no entanto, quem vai pagar a conta.

"Mas tenho certeza de que isso se resolve. O projeto tem todo empenho da Secretaria de Saúde, simpatia do governo do Estado e do ministro, como ficou claro na visita a Cuba", disse Bastos.

Oficialmente, no entanto, ninguém assume a responsabilidade. O Ministério da Saúde, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que o projeto tem todo apoio de Padilha. Mas não há previsão de oferta de recursos, nem de envolvimento da pasta no projeto. O secretário de Saúde da Bahia, Jorge Solla, um entusiasta da iniciativa, avisou também que por enquanto não há nada definido. Terça-feira, em Brasília, Solla disse que os projetos estão avançados, mas admitiu haver preconceito em relação ao curso feito em Cuba. "Mas o nível do ensino é muito bom", garantiu.

Mesmo sem saber de onde o dinheiro virá, Bastos recebeu a recomendação de preparar um curso já para o próximo ano. "Isso não será uma iniciativa eterna. A ideia é fazer dois, três cursos", contou o reitor.

Pelas contas de Solla, existem cerca de 500 brasileiros formados em Cuba que poderiam se beneficiar da parceria com a Elam no processo de revalidação.

Durante a visita em setembro, Padilha afirmou que a parceria poderia ampliar o número de médicos nas regiões onde há carência de profissionais, como municípios do interior ou nas regiões pobres das grandes cidades.

Críticas. Mal foi lançada, a ideia já desagrada ao Conselho Federal de Medicina (CFM). "Não entendo essa lógica de mobilizar uma estrutura pública, com salas e professores, para um grupo pequeno de brasileiros", disse o vice-presidente da entidade, Carlos Vital. Para ele, no entanto, o que mais surpreende é o pagamento de uma "ajuda de custo." "Isso é tirar de dentro de casa para se dar o que não tem. Por que esses alunos merecem um privilégio como esse?", pergunta Vital.


Fonte Estadão

Brasil tem 96 mortes por dia de bebês de até 1 ano

Recorte inédito do Censo mostra que alto índice de óbitos atinge, além da zona rural, cidades médias e capitais da Região Norte

Levantamento inédito do Censo 2010, em que a população deu informações sobre óbitos nas famílias, indica que, em média, 96 bebês morrem por dia no Brasil. A taxa de mortalidade dos bebês - que se refere a crianças de até 1 ano de idade - é de 3,4% em relação ao total de mortes registradas no País.

 
Para se ter uma ideia de como esse índice é elevado, a população brasileira nessa faixa etária corresponde a 1,42% do total de habitantes. Além de municípios pobres da zona rural, o Censo revela que a taxa de mortalidade de bebês também é alarmante em cidades médias e em capitais da Região Norte.

Entre agosto de 2009 e julho de 2010, houve 1,034 milhão de óbitos no País, mostram os números dos Resultados Preliminares do Censo 2010 divulgados no site do IBGE em junho passado. Desse total, 35.075 (3,4%) foram mortes de crianças de até 1 ano. Os números estão disponíveis no site ibge.gov.br, no banco de dados Sidra, tabela 3.151. Acompanhamento médico deficiente de gestantes e recém-nascidos, carência de serviços básicos e falta de profissionais de saúde são algumas causas das mortes de bebês.

Pelos dados do Censo é possível mensurar os altos índices de mortes de crianças de até 1 ano em regiões rurais de baixíssima renda - o que já era conhecido. Em Santa Helena, no Maranhão, por exemplo, 20,6% de todas as mortes ocorridas no município foram de bebês.

Capitais como Macapá (8%), Porto Velho (7,9%) e Manaus (6,1%) também têm índices muito acima da média nacional de óbitos de crianças.

Os dados não permitem o cálculo da mortalidade infantil em 2010, que aponta o número de mortes de bebês de até 1 ano para cada mil nascidos vivos, mas indicam a proporção de mortes por faixa etária em comparação com o total de óbitos. A partir do Censo 2010, o IBGE pretende criar uma nova base de dados de mortalidade, com informações dos próprios entrevistados.

Tradicionalmente, as fontes para cálculos de mortalidade são as estatísticas de registro civil e o sistema de informações do Ministério da Saúde, mas o IBGE tem apontado o problema da subnotificação, especialmente nos óbitos de crianças.

A subnotificação se repete nos nascimentos. O Censo mostra que, em 2010, havia 32,270 milhões de crianças com até 10 anos no País, mas 599 mil (1,8%) não tinham registro de nascimento em cartório.

Investigação. Coordenadora do Grupo de Pesquisa de Atenção à Saúde da Mulher e do Recém-Nato da Universidade Federal Fluminense (UFF), a professora Helen Campos Ferreira tem orientado trabalhos de investigação das causas das mortes de bebês em Estados como Maranhão, Pará e Rondônia.

"Os dados do IBGE vão ajudar a cruzar os focos com as causas de mortes das crianças", diz. Segundo Helen, pesquisas realizadas no Maranhão descobriram em algumas cidades alto índice de mortes de bebês causadas por infecções respiratórias. "Com a ajuda das universidades, os municípios começam a desenvolver xaropes e medicamentos para tratar as crianças", diz Helen.

Em Porto Velho, relata a professora, equipes de saúde da família fazem trabalho semelhante para buscar as causas das mortes infantis. O Censo indica que os bebês de até 1 ano representam 1,6% da população de Porto Velho.

Helen destaca a importância das equipes de saúde da família no acompanhamento de gestantes e dos recém-nascidos. Dados do Ministério da Saúde apontam a existência de 32.081 equipes de saúde da família em 5.288 (95%) dos municípios.

Mas a distribuição dessas equipes pelo País é irregular. Helen tem visto de perto a dificuldade dos Estados da Região Norte de atrair médicos e enfermeiros. "Há um desinteresse pelo trabalho nestas áreas. Os profissionais que estão lá acabam atendendo um grande número de famílias", afirma a professora.

Uma das preocupações de Helen é o cuidado com bebês prematuros, que têm os primeiros atendimentos na maternidade, mas são logo mandados para casa. "Essa criança precisa de atenção especial", diz.

Entre os municípios pequenos com maiores índices de mortes de bebês em relação ao total de óbitos, duas características comuns são a alta proporção de moradores na zona rural e a baixa renda média da população. Esses dois fatores são agravantes para a dificuldade de atrair médicos e para o acesso das famílias a hospitais ou postos de saúde.

Professor adjunto de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), José Luiz Muniz Bandeira Duarte afirma que os altos índices de mortalidade infantil são "reflexo da saúde em geral" e critica governos e parlamentares pela resistência em votar a emenda constitucional que fixa regras mais rígidas para aplicação de recursos em saúde.

"A assistência ao parto não é boa, faltam leitos para os recém-nascidos, as unidades neonatais são trabalhosas e os salários são baixos", diz o médico. Segundo ele, chama a atenção o alto índice de mortes de bebês no primeiro mês de vida.

Fonte Estadão

Alongar antes de se exercitar é mais importante para meninas

Musculatura feminina se desenvolve menos na adolescência

A realização de uma série de exercícios de aquecimento, alongamento e equilíbrio antes de qualquer prática esportiva diminui o risco de lesões de joelhos e tornozelos entre adolescentes, e o efeito protetor é maior entre as meninas, segundo pesquisa de médicos americanos.

 
A diferença é explicada pela própria musculatura feminina - durante a puberdade, os ossos de meninos e meninas passam por um crescimento intenso, mas os músculos das meninas se desenvolvem menos do que os dos rapazes. Como consequência dessa fragilidade, estudos científicos mostram que as meninas sofrem dez vezes mais lesões em ligamentos e distensões musculares.

"Muitos professores de educação física e treinadores não querem fazer exercícios de aquecimento antes de um jogo, por exemplo, porque consideram uma perda de tempo, mas eles são muito importantes", explica Tim Hewett, responsável pelo Departamento de Medicina do Esporte da Universidade de Ohio e do Hospital de Cincinnati, nos Estados Unidos.

Ele afirma que, quando feitas corretamente, as séries de alongamento, aquecimento e equilíbrio melhoram o desempenho esportivo. "Além da redução de lesões, é possível perceber uma diferença no nível atlético de meninas que se aquecem antes do esporte. Elas ficam mais rápidas e com mais equilíbrio."

Fonte Estadão

Falta de sono leva à perda de calorias

Pesquisadores descobriram que uma noite sem dormir pode custar 135 calorias ao organismo

Um novo estudo mostra que uma noite de sono perdida pode ser o equivalente à quantidade de energia gasta em 1,6 quilômetros de caminhada.

Em termos alimentares, uma noite sem dormir pode representar a perda de 135 calorias – quantidade aproximada presente em duas fatias de pão ou em um copo de leite semidesnatado.

“Embora a quantidade de energia armazenada durante o sono possa parecer pequena, na verdade, é maior do que esperávamos”, disse em um release o professor Kenneth Wright, diretor do Laboratório de Cronobiologia do Sono da Universidade do Colorado e autor do estudo.

"E, se considerarmos que a quantidade de energia positiva armazenada necessária para explicar a epidemia de obesidade é de 50 calorias ao dia, o estoque de energia representado pelo sono tem um significado importante em termos fisiológicos”, ele complementou. Wright e seus colegas relataram as descobertas na edição atual do Journal of Physiology.

Os resultados da equipe são baseados no trabalho de sete jovens adultos que foram acompanhados durante um período de três dias, que passaram na cama enquanto seguiam uma dieta de manutenção de peso.

No primeiro dia do estudo, os participantes tiveram oito horas completas de sono, enquanto que no segundo e, no terceiro eles foram privados de sono por um total de 40 horas e depois deste período, recuperaram com oito horas de sono.

Os autores constataram que ao longo de 24 horas de privação de sono, os participantes gastaram uma quantidade de energia 7% superior à quantidade gasta em uma noite de sono.

Wright e sua equipe disseram que as descobertas sugerem que o ciclo normal de sono e vigília está relacionado ao uso de energia pelo organismo, e que a privação do sono aparentemente extrai parte desta energia.

Por outro lado, a equipe ressaltou que as descobertas levantam questões sobre a razão pela qual nosso organismo não armazena ainda mais energia ao dormir.

“Existem outras funções do sono que são importantes em termos de gastos energéticos. Parte da energia armazenada pode ser redistribuída para dar apoio aos processos fisiológicos vitais, como a consolidação da memória e do aprendizado, funções imunes e síntese e liberação hormonal”, disse Wright.

Ele advertiu que a privação do sono não deve ser vista como uma forma de perder peso, já que pesquisas anteriores mostram que a falta de sono está relacionada a danos cognitivos e ao ganho de peso.

Fonte IG