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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sete perguntas fundamentais sobre aborto

Conversas sobre aborto são sempre polêmicas. Veja o que especialistas têm a dizer sobre sete pontos nevrálgicos dessa discussão

Enquanto na Argentina a discussão sobre a despenalização do aborto continua cheia de altos e baixos, no estado do Mississipi, Estados Unidos, o referendo que pretendia estabelecer que um óvulo fertilizado teria os mesmos direitos de uma pessoa foi rejeitado nesta semana. A Emenda 26 criminalizaria o aborto e poderia até impossibilitar alguns métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte. Mas afinal, o que está em jogo nessas discussões? Três especialistas com posições diversas sobre o assunto discutem prós e contras.

Qual a diferença entre liberação, descriminalização e despenalização do aborto?
Maurício Pessoa, advogado e professor de Direito Civil da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que, na prática, não há diferença algum. Hoje tanto a mulher que passa pelo aborto quanto o médico que o realiza estão cometendo um crime.

A descriminalização aumentaria o número de abortos praticados no Brasil?
De acordo com Maurício, é importante entender que até o momento as estatísticas de quantos abortos são feitos no país são apenas estimadas. “O que conhecemos de fato são os casos de abortos que acabam em complicações. Nesses casos, as mulheres procuram os hospitais e o estado consegue ter um controle sobre as incidências.” Com a descriminalização, em um primeiro momento, o número poderá até parecer alto, mas é preciso lembrar que isso ocorre justamente porque hoje a prática é clandestina e faltam dados concretos sobre ela. Maurício Pessoa adverte que será preciso acompanhar os dados estatísticos durante um bom tempo após a descriminalização antes de afirmar que houve aumento ou diminuição do número de abortos em função da descriminalização. É exatamente isso o que defende Rosângela Talib, integrante da ONG Católicas pelo Direito de Decidir: “em um primeiro momento há um acréscimo referente à demanda reprimida. Depois de um tempo, esse número tende a se estabilizar com uma significativa diminuição de casos.”

As mulheres passarão a usar o aborto como método contraceptivo?
A presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, Lenise Garcia, acredita que isso pode acontecer. “Médicos de Portugal, por exemplo, já reportaram essa tendência em seu país e isso precisa ser uma preocupação quando se fala em despenalização do aborto.” Já Rosângela diz que as mulheres não usam aborto como contraceptivo porque querem. “Ao usar o serviço de saúde para realizar a interrupção da gravidez, as mulheres terão também acesso a atendimento médico e aconselhamento em relação ao planejamento familiar, o que vai permitir que elas façam melhores escolhas em relação aos métodos contraceptivos.”

Quais as consequências legais hoje para a mulher que faz um aborto?
“Ela responde criminalmente pelo ato com pena de detenção de um a três anos. Na prática, porém, são raras as condenações criminais”, afirma o advogado especialista em Direito Civil. “A criminalização do aborto não é um impeditivo eficiente para as mulheres. São os médicos que realizam os procedimentos de interrupção da gravidez os mais interessados na descriminalização.”

Quais foram as mudanças mais significativas que ocorreram nos países que despenalizaram o aborto?
“Observamos o uso indevido do aborto. Acontece uma banalização do procedimento”, defende Lenise Garcia, presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto. Além da banalização, ela afirma que estudos mostraram que os países que descriminalizaram o aborto apresentaram maior incidência de doenças psíquicas nas mulheres que passaram pelo procedimento. Já Rosângela Talib afirma: “os países que descriminalizaram o aborto, ganharam muito em matéria de saúde pública, diminuíram suas despesas relativas a leitos para complicações ginecológicas, diminuíram os índices de mortalidade materna, aumentaram os serviços de educação sexual, possibilitaram maior acesso da população ao uso de anticonceptivos.”

Qual o papel das religiões nesta discussão?
“Acho legítima a manifestação sob o aspecto religioso. Todos têm o direito de explicitar sua fé e isso enriquece o debate”, defende Maurício. Lenise Garcia também aponta a importância do debate religioso em torno do tema, mas ressalta que a discussão precisa ser mais ampla, englobando aspectos éticos, médicos e científicos. Na outra ponta da discussão, Rosângela afirma que a religião não deveria ter papel algum nesse debate, mas reconhece que isso não é tão simples. “Vivemos em um país laico. Estado e Igreja são independentes e separados no Brasil. Mas sabemos que na realidade não é assim.”

Qual a tendência no mundo hoje: descriminalizar ou continuar proibindo a prática?
Lenise, do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, acredita que não só a tendência é continuar proibindo o aborto, como nos países onde ele foi liberado existe a possibilidade de rever essa posição depois de constatados os problemas que a liberação do aborto pode trazer. Rosângela não tem a mesma opinião. “Acreditamos que a tendência legal no mundo é a descriminalização do aborto. Os países que legalizaram o aborto estão obtendo bons resultados no que se refere à diminuição da prática”. Maurício resume: “Não há consenso. Sempre há uma forte oposição quando falamos em despenalização do aborto. O debate tem aumentado e já é possível ver um movimento mais forte para descriminalizar, mas além de moral essa também é uma discussão política. O governo que estiver no centro do debate pode determinar que ele venha à tona ou não.”

>> Veja neste mapa a situação do aborto em diversos países do mundo

Fonte Delas

Meninas-noivas turcas tem infância roubada pela violência


Foto: Reprodução / site Flying Broom
Medo e submissão: cartaz da campanha contra o casamento de meninas na Turquia



Segundo entidade que combate a prática, estes casamentos vêm acompanhados de violência, estupros, incesto e problemas mentais

"Fui a Gaziantep (cidade do sudeste da Turquia) como noiva quando tinha 10 anos. Enquanto ia comprar pão, alguns meninos corriam atrás de mim gritando 'menina-noiva'. Minha sogra me pegava, mas não me dava pão. Um dia, quando ela estava fazendo pão, me apunhalou, foi embora e me deixou ali, presa".

Testemunhos como este dão voz às frias estatísticas de um recente estudo sobre os casamentos de menores na Turquia, que representam 28,2% de todos os casamentos.

Essa conclusão é resultado de uma análise realizada pela associação de mulheres "Flying Broom", em 54 províncias do país, segundo dados de 2008.

Um fenômeno que não só rouba a infância de milhares de meninas, mas as condiciona a uma vida muitas vezes marcada pelas surras, estupros e trabalhos forçados.

Segundo Sevna Somuncuoglu, coordenadora da pesquisa, este estudo mostra que o costume não só não desapareceu, mas "inclusive é mais comum nas grandes cidades", segundo publicou o jornal "Cumhuriyet".

Tanto que até o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, casou seu filho em 2003 com Reyyan Uzuner, quando ela tinha 17 anos, após obter uma ordem judicial.

O estudo sobre as meninas-noivas, que foi apresentado na semana passada no Parlamento, revela que uma em cada cinco meninas da comunidade cigana que vive ao noroeste de Istambul (aproximadamente 1,5 milhão de pessoas) se casa quando completa 15 anos.

Escravidão
O psiquiatra Selçuk Candansayar, da Faculdade de Medicina na Universidade Ghazi, explicou à Agência EFE que estes casamentos vêm acompanhados de violência, estupros, incesto e problemas mentais, e que os bebês nascidos deste tipo de relações têm taxas mais altas de mortalidade antes do primeiro ano de vida.

"A vidas dessas meninas é roubada. Não podem realizar nenhum de seus sonhos, nem sequer podem sonhar. São tiradas da escola e transformadas em mão de obra, e inclusive em escravas da família do marido. Tudo isto contribui para o aparecimento de problemas mentais graves", declarou Candansayar.
Se a porcentagem de casamentos com menores é de 28,2 na Turquia, em algumas regiões do sudeste do país, como Diyarbakir, este número chega a 50%. Em 2010, em Sanliurfa, uma cidade do sudeste, foram registrados 21.091 partos, sendo que, 712 eram de mães adolescentes.

O estudo estima que o número de meninas-noivas na Turquia, segundo dados de 2008, era de 181.036. Só em Istambul foram registrados 24.934 destes casamentos.

Segundo várias pesquisas, no mundo todo existem dez milhões de meninas que se casam a cada ano, o que significa que a cada três segundos uma menor se casa. A taxa de casamentos forçados e prematuros também é alta no Centro e no Leste Europeu.

Geórgia e Turquia lideram a lista europeia, mas países como a França e Reino Unido também têm porcentagens de até 10% de menores que se casam antes de completar 18 anos, segundo um relatório publicado no jornal "The Guardian".

Medo
A professora de Sociologia Yildiz Ecevit, que apresentou o estudo no Parlamento turco, declarou à Agência EFE que o número de 28,2% foi registrado em estudos demográficos na Universidade Hacettepe, que estuda as práticas matrimoniais no país.

Yildiz ressaltou o papel das tradições e os fatores sócio-econômicos como causa dos casamentos prematuros forçados e insistiu no peso que têm a honra e a virgindade, responsáveis pela reputação da família. Além disso, quando se casam, a família do marido as usa como mão de obra barata ou não remunerada.

"No entanto, não sou a favor de impor medidas legais para que só se casem aos 18 anos.

Isto causaria muitos outros problemas. O número de casamentos prematuros, que em sua maioria são celebrados em forma de 'Imame Nikahi' (casamento religioso), vai continuar aumentando", lamentou Yildiz.

"Quando tinha 13 anos me casei com um homem de 30. Nunca o tinha visto. Nos casaram só porque era filho de um amigo do meu pai. Quando o vi, pensei que poderia ser meu pai. Não podia nem chegar perto dele. À noite ficava muito assustada", contou uma das entrevistadas pelo estudo.

Fonte Delas

15 sinais de bulimia

Conheça comportamentos que podem indicar a presença da doença, predominante em mulheres jovens

Comer em excesso e provocar vômitos para eliminar a culpa por ter comido é uma doença conhecida como bulimia. Caracterizado por um comportamento compulsivo e doentio em relação à comida, esse transtorno alimentar é mais comum em mulheres jovens, e pode até matar se não for identificado e tratado adequadamente.

A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA), dos Estados Unidos, elaborou uma cartilha com informações e orientações sobre a doença, e dicas úteis para quem tem ou convive com o problema. O Delas selecionou 15 sinais de alerta que podem ajudar a identificar a bulimia. Como em toda doença, a presença de indícios não significa que a pessoa tem o problema, o diagnóstico deve ser feito por um especialista. Se perceber algum dos comportamentos listados em alguém próximo de você, procure orientação sobre como ajudar conversando com um médico ou um psicólogo.

Preste atenção em:
1 – Comportamentos e atitudes que indicam preocupação excessiva com perder peso, fazer dieta ou controlar a quantidade de comida ingerida

2 – Desaparecimentos inexplicáveis de grandes quantidades de comida da despensa em períodos muito curtos de tempo

3 – Grandes quantidades de embalagens de alimentos vazias (elas podem ser um indicativo do consumo compulsivo de grandes quantias de comida)

4 – Visitas frequentes ao banheiro ao longo ou depois das refeições

5 – Dentes manchados ou amarelados e hálito de vômito constante

6 – Cartelas ou embalagens vazias de laxantes e diuréticos no lixo do banheiro ou da cozinha (são indícios de comportamento purgatório)

7 – Sensação clara de desconforto ao comer na frente de outras pessoas

8 – Rituais relacionados à comida ou à alimentação (comer apenas um alimento ou um grupo específico de alimentos, mastigar excessivamente a comida ou evitar que o alimento toque os lábios ao ser colocado na boca)

9 – Ingestão de porções muito pequenas de comida nas grandes refeições do dia (como o almoço) ou na pulada muito frequente de refeições

10 – Atitudes bizarras em relação à comida (sem motivo algum, roubar ou esconder alimentos em lugares estranhos da casa ou do quarto)

12 – Uso exagerado de enxaguatórios bucais, pastilhas e chicletes de menta (eles ajudam a mascarar o hálito de vômito)

13 – Uso constante de roupas folgadas, que escondam os contornos do corpo

14 – Dedicação incansável a regimes de exercícios intensos e rígidos demais, mantidos independentemente do clima, do cansaço ou de alguma doença ou lesão muscular

15 – Calos nas costas das mãos ou nas juntas dos dedos (são uma espécie de cicatriz da repetição frequente do ato de provocar o vômito colocando os dedos na garganta)

Onde encontrar informações e ajuda:






Fonte Delas

Dismorfofobia além da plástica

Exercícios e procedimentos estéticos em exagero também podem indicar Transtorno Dismórfico Corporal

Como você se sente depois de uma tarde no salão de beleza, cuidando de pele, unhas e cabelo? A sensação, gostosa e relaxante para a maioria das pessoas, pode ser torturante para quem sofre de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). São pessoas que passam horas pensando na própria aparência e sofrendo com a autoimagem. A angústia é permanente e a vontade de se esconder substitui a de ser visto. E apesar das tentativas, nenhum procedimento estético é capaz de sanar o mal.

Viciados em cirurgias plásticas são lembrados quando se fala em transtorno dismórfico corporal. Mas pesquisas recentes mostram que, para tentar aliviar a eterna insatisfação com a imagem, a população mais vulnerável à enfermidade recorre a outros procedimentos mais leves que o cirúrgico.

“Pensava-se que o impacto maior era na cirurgia plástica”, afirma Luciana Conrado, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, que pesquisou a doença em seu doutorado. Ela conta que outras formas de intervenções menos invasivas, como aplicações de toxina botulínica, peelings e laser, tornaram o acesso aos procedimentos mais fácil. “Diminui custo e risco”, justifica.

As manifestações variam conforme o gênero. “A preocupação pode envolver qualquer região do corpo. Na mulher, geralmente é face, cabelo, peito e nádegas, e para homens, rosto, calvície e genitais”, diz Daniel Costa, psiquiatra do ProTOC, programa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. O problema é que a forma de agir de quem sofre de TDC é um tiro no pé: o “disfarce” acaba chamando mais ainda a atenção para o suposto defeito.

Outra variação do transtorno, que atinge com maior impacto o público masculino, é a vigorexia, ou Transtorno Dismórfico Muscular (TDM). Trata-se da compulsão por um físico forte, atividades físicas, além da distorção da própria imagem corporal. “A incidência nas academias é surpreendente”, diz Ana Paula Cunha Vieira Daltro, médica que estudou o fenômeno nas academias de ginástica de Salvador.

Segundo a pesquisa de Daltro, entre frequentadores de academia, 30% dos homens e 29% das mulheres têm suspeita do transtorno. A médica afirma que os pacientes de TDM apresentaram humor depressivo, timidez, insegurança em relação ao seu desempenho físico e mental, dificuldade de socialização e busca descontrolada por uma forma física idealizada. “No começo do quadro, o transtorno não traz tanto sofrimento. Conforme a compulsão aumenta, a pessoa deixa de realizar atividades cotidianas e manter relações sociais. Em longo prazo, o portador fica ansioso, sofre de depressão”, afirma a médica. Para piorar, os vigoréxicos tendem a abusar de suplementos alimentares e anabolizantes. Entre as mulheres, 35% usavam, e assim como 58% dos homens.

Outro transtorno que se manifesta pela insatisfação com a aparência é a tanorexia, em que a compulsão é por estar cada vez mais bronzeado. Quem sofre dela, acredita que está inaceitavelmente pálido e procura recursos como bronzeamento solar ou artificial para deixar a pele dourada, sem perceber que, na verdade, aparenta um alaranjado nada saudável. Além do sofrimento psicológico constante, a alta exposição a raios UV aumenta os riscos de câncer de pele. Do estilista Valentino ao ator Denzel Washington, muitas celebridades já deram sinais de que abusaram na câmara de bronzeamento.

Diagnóstico e tratamento
Dos primeiros sintomas até o diagnóstico podem transcorrer entre nove e doze anos. “A pessoa passa horas presa na frente do espelho, sem diagnóstico”, diz a pesquisadora Luciana Conrado. “O limite entre a implicância com um defeito e o problema é tênue”, afirma a médica.

Os primeiros sinais surgem na adolescência. Com queixas sobre a aparência, o indivíduo geralmente busca um esteticista, dermatologista ou cirurgião plástico, profissionais que raramente são treinados para detectar o transtorno, de acordo com a especialista.

Conrado descobriu que 15% dos pacientes de cosmiatria (tratamentos dermatológicos estéticos) tinham a doença, assim como 7% dos de dermatologia. Conrado insiste que esses profissionais precisam se preparar para reconhecer e encaminhar pacientes com TDC. “É um dilema. Se eu fizer o procedimento que o paciente pede, pioro a doença dele. Se eu não fizer, ela vai fazer em outro lugar”, afirma a dermatologista.

Para ela, a grande exposição corporal e o culto à beleza colaboram para tirar a preocupação com a aparência de uma perspectiva saudável. “É uma doença social. Desde a revolução sexual nos anos 70, o corpo é cada vez mais responsável pela identidade da pessoa”, afirma. “As pessoas chegam com uma ‘lista de supermercado’ de defeitos para corrigir. Até que ponto isto está de fato melhorando algo em alguém?”, questiona.

É comum o paciente de TDC ter outras doenças psiquiátricas, como depressão ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que podem mascarar o diagnóstico. De acordo com uma pesquisa do ProTOC, programa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, 12% dos pacientes de TOC sofrem também de TDC. “A pessoa adota comportamentos como checar o defeito no espelho compulsivamente e faz o que chamamos de camuflagem, ao tentar disfarçá-lo”, afirma Daniel Costa, psiquiatra do ProTOC. Por exemplo, um homem excessivamente preocupado com o cabelo pode ser incapaz de sair de casa sem boné.

O tratamento para transtornos dismórficos envolve antidepressivos e terapia. “Na terapia cognitivo comportamental, o paciente é orientado a aprender a se expor a situações onde ele seria julgado pelo suposto defeito e a evitar fazer os rituais, como a camuflagem e a checagem no espelho”, diz Daniel. “A medicação ajuda a melhorar a crítica em relação aos sintomas. Eles começam a reconhecer que o defeito não é tão perceptível como eles acham”, afirma o médico. Não há cura definitiva, mas manter o TDC sob controle pelo resto da vida traz de volta o prazer da vaidade.

Fonte Delas

Os mitos dos transtornos alimentares

Conheça algumas ideias equivocadas sobre doenças como bulimia e anorexia

Os transtornos alimentares são caracterizados por alterações doentias do comportamento em relação aos alimentos e à alimentação.

Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o problema é mais comum em mulheres, e pode afetar entre 1% e 4% da população feminina mundial ao longo da vida. Uma estatística que pode pular para 15% se contados os casos menos intensos – que não preenchem os critérios clássicos da doença – marcados pela adoção apenas eventual de laxantes, diuréticos, moderadores de apetite, dietas malucas, vômito induzido e prática compulsiva de exercícios físicos.

Parte dos casos menos intensos, infelizmente, evolui para um dos três transtornos alimentares mais frequentes: a anorexia, a bulimia ou a compulsão por comida. Em comum, além do elevado risco de morte, portadores destes transtornos compartilham uma intensa preocupação com o peso e uma imagem distorcida do próprio corpo.

Na cartilha com informações e orientações sobre transtornos alimentares, a Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA), dos Estados Unidos, esclarece mitos sobre este grupo de doenças. Veja a seguir os principais.

Parar de comer ou provocar vômitos são escolhas pessoais
As pessoas não optam por desenvolver transtornos alimentares. Bulimia, anorexia e compulsão por comida são doenças que se desenvolvem ao longo de um período de tempo e requerem tratamento apropriado.

Transtornos alimentares só afetam mulheres
O problema também afeta homens. Embora existam poucos dados estatísticos sobre o perfil masculino dos transtornos alimentares, aproximadamente 25% dos diagnósticos de anorexia são feitos em meninos, por exemplo.

Homens com transtornos alimentares tendem a ser gays
As preferências sexuais não têm correlação alguma com o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Anorexia é o transtorno alimentar mais grave
Todos os transtornos alimentares podem ter consequências físicas e psicológicas. Embora a perda de peso excessiva seja uma característica da anorexia, efeitos nocivos de outros transtornos alimentares podem ameaçar a vida – como a desidratação aguda provocada pelo vômito induzido da bulimia.

Ninguém morre de bulimia
Apesar das taxas de morte por bulimia serem menores do que as por anorexia, os portadores da primeira têm risco aumentado de morte súbita por conta dos vômitos induzidos – eles interferem no equilíbrio entre a água e os sais minerais do corpo – e também pelo uso frequente de laxantes e diuréticos.

Fazer dieta é um comportamento normal da adolescência
É fato que a preocupação com a alimentação e com o próprio corpo virou um comportamento “normal” da vida adolescente no mundo ocidental. No entanto, dar atenção excessiva a essas duas coisas pode aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares. Monitorar qualquer dieta do adolescente e estimular uma alimentação com foco na saúde, no bem-estar e em uma imagem corporal saudável é o melhor caminho.

Pessoas com anorexia nunca comem
A maioria dos anoréxicos come. Entretanto, pessoas com a doença tendem a comer porções muito pequenas, alimentos com poucas calorias ou combinações estranhas entre alimentos. Alguns podem comer chocolates no café da manhã e não comer mais nada no resto do dia. Outros podem comer uma folha de alface com mostarda a cada duas horas. Os comportamentos alimentares da anorexia são muito individuais. A cessação total da alimentação é algo muito raro de acontecer, mas pode causar desnutrição e morte em apenas algumas semanas.

Transtornos alimentares estão relacionados apenas com aparência e beleza
Doenças como anorexia e bulimia são problemas mentais e têm muito pouco a ver com aparência ou beleza. Isso é evidenciado pela continuação do problema mesmo depois que a pessoa alcança a meta inicial de peso. Transtornos alimentares normalmente estão associados a questões como controle e autoestima baixos, e frequentemente existem como parte de transtornos mentais maiores, como depressão, ansiedade ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Menores de 15 anos não têm transtornos alimentares
Em geral, a anorexia é um transtorno que raramente tem início antes da puberdade. Já a bulimia é mais comumente detectada do final da adolescência até os 20 anos ou mais. Ainda assim, as duas doenças já foram diagnosticadas em crianças de sete e oito anos.

É impossível ter dois transtornos alimentares ao mesmo tempo
A associação de dois transtornos é comum. Alguns indivíduos vêm e vão entre a anorexia e a bulimia. Metade dos anoréxicos se transforma em bulímico ao longo da doença.

Fonte Delas