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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Diabéticos em 2030 podem ser 550 milhões

O contingente de portadores de diabetes no mundo poderá ultrapassar 552 milhões de pessoas no mundo até 2030, aponta a Federação Internacional de Diabetes.

O órgão apresentou relatório ontem, com base em fatores como envelhecimento da população e mudanças demográficas, para marcar o Dia Mundial do Diabetes.

Na estimativa foram incluídos os dois tipos de diabetes, assim como casos não diagnosticados, mas a projeção é "conservadora", diz a federação, porque os números não contabilizam o impacto do aumento da obesidade.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), há 346 milhões de diabéticos no mundo. A maioria das mortes (80%) ocorre em países em desenvolvimento.

O diabetes tipo 2, que atinge pessoas de meia idade e está relacionado ao ganho de peso e à vida sedentária, predomina entre os doentes.

No Brasil, são cerca de 11 milhões de portadores, segundo dados do Ministério da Saúde e de sociedades médicas, e 3 milhões não sabem que têm a doença.

Embora muitos brasileiros conheçam gente com a doença, parte deles não sabe evitá-la. "Muitos têm contato, mas não conseguem ajudar. E ficam incapazes de se prevenir", diz o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Walter Minicucci.

Fonte Folhaonline

Guia para mães revela antigas regras de especialistas para bebês

No começo do século 20, quando a mortalidade infantil atingia 0,16% dos nascidos vivos (cerca de quatro vezes a taxa atual), a relação das mamães com os bebês ganhou mais atenção.

Isso porque melhorar os cuidados com a criança, especialmente na higiene e na amamentação, poderia reduzir o número de mortes por infecções e outras doenças.

Editoria de Arte/Folhapress

Assim tiveram início os "guias maternos" com discurso higienista na primeira metade do século 20, época em que o mercado editorial brasileiro se expandia.

Onze guias dessa época, pinçados em sebos paulistas, foram revistos pela educadora Maria das Graças Magalhães em sua tese de doutorado defendida recentemente na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Nos livretos, os médicos pregavam que as mães impusessem em casa um ambiente "hospitalar", livre de micro-organismos. A ideia difundida era que uma vida regrada garantiria a saúde e a docilidade das crianças. "Dizia-se, por exemplo, que a mãe não deveria beijar o bebê", conta Magalhães.

CRENDICES
Além disso, boa parte dos pediatras lutava contra crendices populares. Por exemplo, ensinava-se que amuletos não curam e que dar a água do primeiro banho para o bebê tomar não deixaria a criança mais bonita.

"O Brasil é um país multiétnico, com grande quantidade de imigrantes. Há crendices vindas de todas as partes", analisa a educadora. A especialista, no entanto, não acredita que os guias substituíram as "conversas de comadre".

O que ela observou foi que as mães se apropriaram das informações para fazer recomendações a outras mulheres, suprimindo ou acrescentando dados. A tradição feminina de trocar conselhos é, inclusive, destacada no "Guia das Mãezinhas", de 1937.

O autor, o médico Wladimir Toledo Piza, recomenda que as mães sigam os conselhos médicos no lugar de ouvir as amigas e vizinhas "que ensinam o que não sabem porque não estudaram".

Além dessa imagem das leitoras como "tricoteiras", os guias também consideravam a mulher como dispersiva, romântica e com dificuldade de concentração para leituras contínuas --algo parecido com algumas revistas femininas da atualidade.

MAMANDO NO PEITO
Outro trabalho dos guias maternos era incentivar a amamentação no peito pela mãe --campanha que ganhou forma já no final do século 19.

Nessa época, as mulheres ricas mantinham amas de leite, ou seja, mulheres que tinham dado à luz e que ganhavam uns trocados para amamentar os bebês da elite.

"A preocupação dos médicos era com a transmissão de doenças pela amamentação e com a saúde dos bebês das amas, que ficariam com menos leite", explica Magalhães.

Esse discurso vai mudando conforme o leite industrializado ganha força no Brasil --época em que a indústria de alimentos também passa a produzir guias maternos para divulgar os seus produtos.

A ideia de levar a higiene para casa ensinando as mulheres não foi uma novidade dos guias para as mamães.

De acordo com Magalhães, as professoras da escola normal (para meninas) já educavam as garotas sabendo que elas levariam conceitos de higiene para toda a família.

Mas, no caso dos guias, havia uma proposta de responsabilizar a mulher pelas práticas de higiene. "A figura do homem quase não aparece nos livretos", diz Magalhães.

Isso só muda na década de 1950, quando a mulher ingressa com mais força no mercado de trabalho. Mesmo assim, o homem só aparece nos livretos como a figura que dá a palavra final.

Fonte Folhaonline

Governo relata surto de moléstia ligada às lavouras de fumo

Um mal ligado à nicotina, conhecido e catalogado em outras partes do mundo, começa a ser detectado também no Brasil e preocupa autoridades de saúde.

A "doença da folha verde do tabaco" é uma espécie de overdose de nicotina absorvida pela pele. Ela costuma atingir trabalhadores do setor do fumo.

Mesmo não sendo fumantes, os afetados chegam a ter uma quantidade da substância cotinina -medida por exames de urina- maior do que a dos adeptos do cigarro.

O mal causa dores de cabeça, tontura, náuseas e cólica. Dura alguns dias e pode afetar a mesma pessoa repetidas vezes. Pesquisadores ainda avaliam a possibilidade de o problema provocar, a longo prazo, câncer e doenças cardiovasculares, assim como faz o cigarro.

A nicotina é absorvida pelo trabalhador na colheita das folhas. O suor, o orvalho e a chuva facilitam o contato da substância com a pele.

Uma pesquisa coordenada pelo Ministério da Saúde já reportou o que chamou de primeiro relato de surto do mal no Brasil. Em países como Estados Unidos e Índia, já havia situações do tipo.

O estudo do ministério detectou 107 casos no interior de Alagoas. Uma nova fase da pesquisa vai focar também plantações gaúchas -o Rio Grande do Sul concentra a produção de fumo no país.

Ao todo, 186 mil famílias vivem da cultura no Brasil.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul reclama que o mal da folha do tabaco ainda é pouco conhecido e que os médicos costumam confundi-lo com outras doenças.

"As pessoas chegavam com essa síndrome e achavam que tinha algo a ver com agrotóxico", diz a epidemiologista da Secretaria da Saúde gaúcha Tânia Santos.

A Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil) diz que já orienta há anos seus associados a prevenir a doença com o uso de equipamentos de proteção. Existe resistência, porém, ao uso das vestimentas, devido ao forte calor que atinge as plantações.

Fonte Folhaonline

Grávida com câncer usa 'escudo' contra radiação e ganha bebê saudável

Uma britânica que passou por um tratamento de câncer durante a gravidez deu à luz um bebê saudável depois de usar um "escudo" de chumbo para proteger sua barriga durante a radioterapia.

Segundo o Hospital Universitário de Coventry e Warwickshire, Sarah Best, 30 anos, estava grávida de quatro meses quando descobriu que tinha um tumor maligno na boca.

Na época, não se sabia como ela e o bebê iriam reagir, já que apenas sete mulheres grávidas no mundo haviam passado pelo mesmo tipo de tratamento.

"Foi devastador, porque eu achava que a gravidez deveria ser o momento mais feliz", disse Sarah.

"Você deveria se sentir maravilhosa e eu não me sentia. Eu tinha que lidar com outro tipo de coisa por causa desse câncer."

Sarah chegou a ser submetida a uma cirurgia pioneira que removeu parte de sua língua, mas o câncer já havia se espalhado por seus nódulos linfáticos.

SWNS
Sarah Best, 30 anos, que tratou câncer durante gravidez e ganhou bebê saudável
Sarah Best, 30 anos, que tratou câncer durante gravidez e ganhou bebê saudável

'ESCUDO DE CHUMBO
A equipe liderada pela oncologista Lydia Fresco desenvolveu um escudo de 1,5 tonelada com 5 cm de espessura que protegia a barriga da paciente durante os 32 dias de radioterapia. Ela também passou por seis semanas de quimioterapia.

Inesperadamente, Best entrou em trabalho de parto no último dia do tratamento, um mês antes da data prevista para o nascimento.

Ela foi levada de cadeira de rodas para a maternidade do hospital. O bebê Jake nasceu saudável, com 1,8 kg, de parto normal, no dia 28 de abril.

"Este tipo de tratamento é complexo, na melhor das hipóteses, e muito raramente feito em mulheres grávidas, então trabalhamos o tempo todo muito perto da equipe de obstetrícia", disse o cirurgião Gary Walton.

"Fico feliz que Sarah tenha respondido tão bem ao tratamento, especialmente agora que ela também deve cuidar de Jake."

Após alguns meses acompanhando o estado de saúde da mãe e do bebê, o hospital decidiu divulgar a história da família nesta terça-feira, por conta da semana da conscientização do câncer de boca. A paciente está agora em remissão do câncer.

"Vamos continuar monitorando Sarah e Jake de perto pelos próximos cinco anos, mas as indicações iniciais são extremamente positivas", disse o médico Manu Vatish.

Fonte Folhaonline

Célula-tronco de coração recupera danos em primeiro teste

Pela primeira vez, foi testado em humanos o transplante de células-tronco, retiradas do próprio coração, para combater a insuficiência cardíaca. E a estratégia teve bastante sucesso.

O uso de células-tronco aumentou a capacidade de o coração bombear sangue e fez com que o tecido afetado pelo infarto, considerado morto, conseguisse se regenerar.

Como os tratamentos atuais não resolvem esse problema, conseguir a reparação é "a busca pelo Santo Graal", segundo Luís Henrique Gow-dak, médico-assistente do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular e coordenador clínico dos estudos de terapia celular em cardiopatias do InCor (Instituto do Coração da USP).

"Nosso entendimento era de que o miocárdio morto tinha capacidade de regeneração inexistente. O trabalho desafia esse conceito, é um marco. Provou que essa recuperação é possível e não traz efeitos adversos", afirma.

O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Louisville e de Harvard, nos EUA, foi publicado na revista médica "Lancet".

Existem vários tipos de células-tronco, todas conhecidas por causa da capacidade de assumir a função de diversos tecidos. As do coração ajudam a formar as várias partes do órgão.

Em 14 pacientes (entre 16 que fizeram o autotransplante de células-tronco), foi observada, depois de quatro meses, uma redução de 25% do tamanho da área de músculo morto, medida por ressonância magnética.

Todos os voluntários já tinham sofrido infarto do miocárdio e feito ponte de safena -foi na cirurgia, inclusive, que as células-tronco foram retiradas do átrio.

Editoria de Arte/Folhapress

BOMBA
O transplante parece ter levado a um aumento expressivo na capacidade de o coração bombear sangue.
Em pacientes que receberam a infusão de células-tronco, o índice que mede essa capacidade, chamado de fração de ejeção do ventrículo esquerdo, aumentou de 30% para 38,5% em quatro meses.

O valor normal é de 55%, e todos os voluntários do estudo tinham esse índice abaixo de 40%, o que representa insuficiência cardíaca.

Surpreendentemente, esse índice aumentou ainda mais (de 39,2% para 42,5%) após um ano em oito pacientes.

De acordo com Gowdak, essa melhora pode significar, a longo prazo, menor mortalidade e menor taxa de admissão em hospitais.

O mesmo grupo de pesquisadores já havia tido sucesso em estudos com animais. Agora, testaram a técnica em humanos, em um estudo pequeno, para atestar a segurança do transplante.

Os próprios autores, porém, são cautelosos ao comentar os resultados do trabalho, afirmando que estudos maiores são necessários para ver se a técnica é eficaz.

"O trabalho é louvável e registra seu nome na história, mas não é conclusivo nem definitivo. Mais de uma vez já vimos histórias como essa, que começam bem, mas, em grupos maiores, não se mostraram replicáveis", afirma Gowdak. "O grupo estudado é um grão de areia perto do universo de pessoas com doenças do coração."

Ele lembra também que são pacientes na casa dos 50 anos. Não é possível saber se doentes de idade mais avançada teriam uma resposta tão boa, ressalta Gowdak.

Fonte Folhaonline