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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Um em cada 12 adolescentes se machuca de propósito

Jovens que têm o hábito de se cortar ou queimar correm mais risco de suicídio

Um em cada 12 adolescentes, na grande maioria meninas, tem o hábito de se machucar com cortes, queimaduras ou assumindo riscos que podem até ameaçar a vida. Cerca de 10% deles continua se machucando deliberadamente até a idade adulta, revela um novo estudo publicado no Lancet.

As lesões autoprovocadas são um dos principais sinais de alerta do risco de suicídio. Os autores do estudo esperam que os resultados ajudem a gerar mais intervenções precoces para evitar

Para os autores, o achado revela uma "janela de vulnerabilidade" quando os jovens atravessam a adolescência e costumam ter problemas para controlar as emoções.

"Essas lesões representam uma forma de lidar com essas emoções", dizem os autores. Eles também sinalizam que essas pessoas costumam ter problemas de saúde mental que não se resolvem sem tratamento.

"Devido à associação entre lesões provocadas em si mesmo e suicídio, o tratamento de transtornos mentais durante a adolescência poderia constituir um componente importante da prevenção do suicídio em adultos"

O hábito de machucar-se de propósito é um problema de saúde global, especialmente comum entre meninas e mulheres de 15 a 24 anos. Os especialistas temem que as taxas estejam aumentando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano, o que leva a uma taxa de mortalidade de 16 em cada 100.000 personas, ou uma morte a cada 40 segundos.
Nos últimos 45 anos, as taxas de suicídio aumentaram 60% em todo o mundo.

Soma de fatores
O estudo do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, avaliou 1.800 jovens com idades entre 15 e 29 anos entre 1992 e 2008. Segundo os autores,uma combinação de mudanças hormonais durante a puberdade, mudanças cerebrais na adolescência pelo desenvolvimento final do córtex pré-frontal - área do cérebro associada ao planejamento, à expressão da personalidade e à moderação da conduta - e questões sociais como pressão dos pares, dificuldades emocionais e tensões familiares parecem ser fatores chave.

Os cortes e queimaduras foram as formas mais comuns de lesões entre os adolescentes, somadas a outros métodos como envenenamento e overdose.

Os cientistas disseram que, apesar de ser tranquilizador que quase 90% dos adolescentes que informaram ter se machucado tivessem deixado o hábito ao chegar à idade adulta, também vale reconhecer os altos riscos que correm os demais que continuam praticando.

Estudos anteriores demonstram que as pessoas que se machucam propositalmente e que sofrem alguma internação na adolescência são 100 vezes mais propensas ao suicídio do que a média da população.

Fonte Estadão

Negro tem menos acesso a saúde pública e é mais discriminado

Além de ter menos acesso a planos de saúde do que os brancos, os negros também sofrem uma "discriminação institucionalizada" nos serviços públicos brasileiros, diz o diretor do Fundo Baobá, Athayde Motta.

"De alguma forma, os serviços do Estado reproduzem o preconceito de parte da sociedade. Pesquisas mostram que, nos locais onde a maior parte da população é negra, o serviço tende a ser pior", diz Motta.

A tese defendida por Motta, que dirige a ONG que viabiliza projetos que promovam a equidade racial, já foi sentida na pele por Marcelo Antonio de Jesus, 36.

Educador em uma ONG em São Paulo, Jesus conta que "durante exames", já sentiu "que há o receio de alguns médicos de tocar o paciente, pelo fato de ser negro".

"Isso também ocorreu com familiares. No meu caso, em uma ocasião, fui a dois médicos diferentes. Um deles nem me examinou e deu o diagnóstico só a partir do que eu havia contado", disse.

Eliane Barbosa, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo que publicou um trabalho analisando políticas públicas que lidam com desigualdade no país, diz que parte dos médicos dão tratamento diferenciado a indivíduos brancos e negros, mas não apenas em serviço de saúde público como também no privado.

"Em alguns casos, os médicos consideram que as mulheres negras, por exemplo, são mais fortes que as brancas, que elas não precisam dos mesmos cuidados", diz a pesquisadora, que tem 40 anos e faz parte da parcela dos 15,2% dos negros que possuem plano de saúde no Brasil.

Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, a proporção dos brancos com acesso plano de saúde é o dobro, ou 31,3%.

'RACISMO INCONSCIENTE'

Para Eliane, não se trata necessariamente de um "um preconceito racional" por parte dos profissionais de saúde. "Não quer dizer que eles querem discriminar alguém", diz.

"É uma questão de referência dos médicos, geralmente homens e mulheres brancas. É uma questão muito profunda, uma reprodução inconsciente de um comportamento (racista da sociedade)", diz.

Marcelo Antonio de Jesus, que é educador, defende que a questão seja abordada nos cursos de medicina do país.

"É necessária uma quebra de cultura. Boa parte dos estudantes de medicina vem de uma elite. É difícil que esses profissionais queiram depois atender na periferia. É até compreensível, porque eles vão encontrar uma realidade muito diferente da que vivem. Por isso a educação é importante", diz.

Eliane também acha que é preciso incluir a questão racial nas universidades. Ela lembra, ainda, que existem algumas doenças com maior incidência em determinados grupos, "como é o caso da pressão alta entre os negros", diz.

ASCENSÃO E DISCRIMINAÇÃO
A ascensão da classe C no Brasil permitiu um acesso maior de parte significativa da população negra brasileira a renda e consumo. Mas, segundo Athayde Mota, isso não significa que a discriminação racial diminuiu.

"A ascensão da classe C está transformando a vida dessa população em vários sentidos. Mas a discriminação racial continua a se manifestar, só que agora em outros locais. O preconceito aparece em restaurantes e locais que os negros não frequentavam", diz Motta.

Fonte Folhaonline

No Brasil, brancos têm duas vezes mais acesso a planos de saúde

A população branca tem duas vezes mais acesso a planos de saúde em comparação aos negros no Brasil.Os dados são do Instituto Data Popular, em uma pesquisa feita parceria com o Fundo Baobá.

Segundo a pesquisa, 15,2% dos negros possuem plano de saúde, contra 31,3%, dos brancos.

"O acesso aos serviço é, em geral, pior para os negros, que vivem em locais mais distantes, onde o tratamento não é de qualidade", comenta Athayde Motta, diretor do fundo, que levanta recursos para projetos voltados à população negra.

"Se você ganha um pouquinho mais, a primeira coisa que faz é ter um plano de saúde privado e pagar escola particular para o filho. O sistema público de saúde e educação no Brasil ainda é muito ruim."

O dado sobre acesso a plano de saúde reflete a desigualdade racial no país. De acordo com dados do Censo 2010 divulgados em maio, o número de pobres pardos ou pretos é 2,7 vezes o número de pobres brancos.

Dados do Instituto Data Popular indicam ainda que os negros continuam sendo minoria nos estratos mais ricos.

A classe A, por exemplo, é formada por 82,3% de brancos e 17,7% de negros. Já na classe E, os negros são 76,3% do total e os brancos 23,7%.

A classe C é a camada social onde há menos desigualdade entre brancos (56,9%) e negros (43,1%).

MÉDICO PARTICULAR
A cabeleireira Dulcinéia Luz, 32, nunca teve um plano de saúde. Para o marido, a filha e os cinco irmãos, todos residentes em Araçoiaba da Serra (a 120 km de SP), o SUS é a primeira opção quando precisam de atendimento médico.

"Penso em ter um plano de saúde no futuro. Você nunca sabe quando pode precisar. Mas acho também que o SUS poderia melhorar. Se o SUS fosse bom, eu nem pensaria em ter um plano de saúde", diz.

Assim como outros milhões de integrantes da classe C, Dulcinéia viu a vida melhorar nos últimos anos. Sua filha hoje tem um computador, luxo impensável há alguns anos, assim como o acesso a um médico particular.

Sem plano de saúde, e descontente com os serviços do SUS, ela recorre a consultórios particulares se "a necessidade for grande".

"Quando acho que dá para ser atendida no SUS, vou ao SUS. Se for mais grave, eu pago", diz.

A pesquisa mostra que, quando precisam de tratamento médico, apenas 10,9% dos negros e 27,3% dos brancos recorrem a um médico particular.

AMBULATÓRIO
A primeira opção, para a maioria dos negros (64,5% deles), é o ambulatório de empresas e sindicatos. O índice entre os brancos com esse perfil é de 49,2%.

Esse é o caso de Marcelo Antonio de Jesus, 36, residente na Penha (zona leste de SP).

Jesus teve, por cinco anos, plano de saúde pago pela empresa para a qual trabalhava. "Hoje os planos de saúde mais baratos têm pouca qualidade, o atendimento é demorado. Já os planos bons são muito caros", explica.

Educador de uma ONG, Jesus conta que gostaria de voltar a ter acesso a um plano privado, "com atendimento mais rápido".

Fonte Folhaonline

Brasil deve produzir testes rápidos para diagnóstico de doenças

O Brasil deverá passar a produzir seus próprios kits de diagnósticos rápidos de HIV, toxoplasmose, hepatite B, sífilis e rubéola feitos pela rede pública de saúde.

Hoje os kits são importados de laboratórios estrangeiros pelo Ministério da Saúde. A ideia é ter os primeiros kits em 2014, utilizados mais focadamente na atenção ao pré-natal.

A produção nacional será feita por meio de uma parceria entre a Fiocruz e a Lifemed, empresa brasileira especializada em equipamentos e insumos para o setor médico-hospitalar, assinada na tarde desta quinta-feira em Brasília.

Universidade Federal do Paraná fez o protótipo do kit, que vai ser elaborado pela Fiocruz e produzido em escala pela Lifemed, segundo o ministério.

A produção nacional pode permitir adaptações ao kit hoje existente, incluindo uma gama maior de diagnósticos.

Fonte Folhaonline

Nova droga eleva colesterol bom e reduz o ruim

Estudo apresentado nesta semana no congresso da American Heart Association, em Orlando, nos EUA, mostra que um novo remédio conseguiu aumentar os níveis do chamado colesterol bom, o HDL, e baixar as taxas do ruim, o LDL.

Quando combinado aos remédios já usados para baixar colesterol (estatinas), o evacetrapib mais que dobrou os níveis de colesterol bom e reduziu em até 35% o colesterol ruim, além de diminuir os triglicérides, outro indicador de risco cardíaco que é medido em exames de rotina.

Editoria de Arte/Folhapress

O novo remédio pertence a um grupo de substâncias que inibem uma proteína responsável por transferir colesterol do HDL para o LDL, aumentando a proteção contra o entupimento dos vasos.

O HDL funciona "limpando" o colesterol das artérias e o levando até o fígado. De lá, ele é eliminado do corpo.

Segundo Raul Santos, diretor da unidade de lípides do InCor (Instituto do Coração), um nível baixo de HDL é um sinal de risco de infarto. Resultados abaixo de 40 mg/dl para homens e 50 mg/dl para mulheres são um sinal de alerta, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Remédios da mesma família do evacetrapib vêm sendo testados há alguns anos. O primeiro deles foi uma grande decepção para os médicos, afirma Santos, porque aumentou a pressão arterial dos pacientes e o risco de problemas cardíacos.

"Depois disso, foram desenvolvidas mais três moléculas que, até agora, não causaram esses efeitos."
Um desses medicamentos, o dalcetrapib, está sendo testado no InCor por 20 pacientes, há dois anos. "Em 2013 devemos ter uma resposta sobre os efeitos da droga."

Os médicos ainda precisam determinar se o mecanismo usado pela droga para aumentar o colesterol bom pode prejudicar a pessoa a longo prazo. A proteína cuja ação é inibida pelo remédio para aumentar o colesterol bom pode ter uma ação protetora para as artérias.

"O efeito do remédio sobre o colesterol é ótimo, mas ainda não sabemos se isso vai prevenir eventos cardíacos", diz Santos.
O novo estudo, feito por médicos da Cleveland Clinic e publicado no "Journal of the American Medical Association", sugere testes maiores para comprovar os benefícios do remédio.

POLÊMICA
Um outro estudo apresentado no congresso americano de cardiologia e publicado no "New England Journal of Medicine" levanta o debate sobre outra substância usada há mais de 50 anos para aumentar o HDL, a niacina.

A pesquisa analisou o impacto da substância em pessoas com LDL controlado (abaixo de 70 mg/dl). Segundo os autores e um editorial publicado na revista médica, o remédio deve ser aposentado, porque não aumenta o colesterol bom dos pacientes e causa vermelhidão da pele.

Segundo o cardiologista do InCor, no entanto, ainda é preciso esperar o resultado de um estudo maior, com 25 mil pessoas, antes de desistir do remédio. "Ele é seguro, está no mercado há décadas."

Fonte Folhaonline