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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Trabalho ou jogos podem ser tão viciantes quanto álcool ou drogas

Trabalhar demais também pode ser um vício
Jogadores e workaholics enfrentam síndrome de abstinência com sintomas como depressão, ansiedade e insônia

O psicólogo britânico Mark Griffiths, professor da Nottingham Trent University, vem estudando o jogo compulsivo há 25 anos e diz acreditar "enfaticamente" que o ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga.

Neste texto escrito para a BBC, ele comenta os resultados de seu trabalho:

"Os efeitos sociais e de saúde da jogatina extremada são muitos e têm muita coisa em comum com os efeitos de vícios mais tradicionais, entre eles mau humor, problemas de relacionamento, absenteísmo do trabalho, violência doméstica e ir à falência.

Os efeitos para a saúde - para jogadores e seus parceiros e parceiras - incluem ansiedade, depressão, insônia, problemas intestinais, enxaquecas, stress, problemas estomacais e pensamentos suicidas.

Se comportamentos como a jogatina podem se tornar um vício genuíno, não existe razão em teoria que impediria alguém de se viciar em atividades como videogames, trabalho ou exercícios físicos.

Pesquisas sobre jogadores compulsivos relatam que eles sofrem ao menos um efeito colateral quando passam por períodos de abstinência, como insônia, dores de cabeça, perda de apetite, fraqueza física, palpitações cardíacas, dores musculares, dificuldades de respiração e calafrios.

Abstinência
Na verdade, jogadores compulsivos aparentam sofrer mais sintomas de abstinência física quando tentam cortar o vício do que viciados em drogas.

Mas quando é exatamente que um entusiasmo saudável se transforma em um vício? Comportamento excessivo por si só não significa que alguém seja viciado. Consigo pensar em muitas pessoas que se envolvem em atividades excessivas, mas eu não as classificaria como viciadas, já que elas parecem não sofrer qualquer efeito negativo ao apresentar tal comportamento.

Em essência, a diferença fundamental entre o excesso de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam vida às atividades desprovidas dela.

Para qualquer comportamento ser definido como viciante, é preciso que existam consequências específicas como se tornar a atividade mais importante na vida de uma pessoa ou ser o meio pelo qual o humor dela pode melhorar.

Eles podem também começar a precisar fazer mais e mais da atividade ao longo do tempo para sentir seus efeitos e sentir sintomas físicos e psicológicos de abstinência se eles não conseguem fazê-lo.

Isso pode levar a conflitos com o trabalho e com responsabilidades pessoais e muitos podem até viver recaídas se tentam largar o vício.

A maneira pela qual os vícios se desenvolvem - sejam eles químicos ou comportamentais - é complexa.

Vícios 'ocultos'
O comportamento viciante se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição biológica e genética de uma pessoa, o ambiente social em que elas cresceram e sua constituição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências e crenças e a própria atividade.

Muitos vícios comportamentais são vícios ''ocultos''. Diferentemente do alcoolismo, o viciado em trabalho não apresenta a fala embolada ou sai tropeçando.

Mas, no entanto, o vício comportamental é um tema relativo a saúde que precisa ser levado a sério por todos os profissionais das áreas médicas ou de saúde.

Se o principal objetivo dos profissionais da área médica é garantir a saúde de seus pacientes, então ter consciência sobre o vício comportamental e os temas que o cercam deveriam ser tão importantes quanto o conhecimento básico e o treinamento.

Diversos vícios comportamentais podem ser tão graves quanto vícios em drogas."

Fonte iG

Por que é tão difícil nos livrarmos dos maus hábitos?

Cérebro torna ainda mais difícil largar o cigarro
e se alimentar corretamente, diz especialista
Neurologistas explicam o papel do cérebro nessas atitudes e mostram o caminho para aposentar hábitos prejudiciais à saude

O novo ano mal começou e você já está achando difícil cumprir todas aquelas resoluções de jogar as guloseimas no lixo, sair do sofá e parar de fumar. Existe uma razão biológica que faz com que seja tão difícil abandonar os maus hábitos – eles ficam enraizados em nossas mentes.

“Você está lutando contra o poder de uma recompensa imediata”, disse Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional do Abuso de Drogas e autoridade nos caminhos prazerosos do cérebro.

É como fazer uma escolha entre comer brócolis ou calda de chocolate: o fato do chocolate ser delicioso derrota o conhecimento de que optar por vegetais trará uma eventual perda de peso como recompensa.

“Como criaturas, todos nós somos determinados por estes mecanismos neurológicos, de dar maior valor a uma recompensa imediata do que a algo que vai demorar um pouco mais”, disse Volkow.

Mas, como essa pequena porção de felicidade se transforma em um hábito envolve um componente químico ligado à sensação de prazer, a dopamina. A mesma condiciona o cérebro a sempre querer a recompensa – e cada vez reforça mais a conexão – principalmente ao receber a dica correta do ambiente.

As pessoas costumam superestimar a habilidade de resistir às tentações que os cercam, sabotando assim tentativas de livrar-se dos maus hábitos, disse Loran Nordgren, psicólogo experimental e professor assistente da Northwestern University's Kellogg School of Management.

“As pessoas têm essa presunção de autocontrole, essa crença de que podem lidar com mais do que realmente conseguem”, disse Nordgren, que estuda a luta de braço entre a força de vontade e a tentação.

Em um experimento, ele analisou se pessoas que fumam muito podiam assistir a um filme que romantiza o hábito – chamado “Coffee and Cigarettes” – sem dar uma tragada. Eles seriam gratificados de acordo com o nível de tentação: conseguiriam assistir o filme sem acender um cigarro? Ou manter o maço sobre a mesa? Ou eles precisariam deixá-lo em um outro cômodo?

Os fumantes que haviam previsto resistir às muitas tentações se mostraram mais propensos a manter o cigarro sem acende-lo – mas também mais propensos a acender o cigarro do que aqueles que conseguiam manter o maço próximo, disse Nordgren. Agora ele está começando a estudar como os dependentes de drogas em recuperação lidam com as tentações do mundo real. Mas as tentações podem ser mais traiçoeiras do que o proximidade com que estão à mão. Outras pesquisas já demonstraram que mulheres não abandonam cigarro nem o álcool na gestação.

Hábitos alimentares
Você sempre come uma coisinha em frente à TV? Saiba que uma região cerebral rica em dopamina chamada striatum memoriza rituais e rotinas relacionadas ao recebimento de recompensas, explica Volkow. Estas dicas ambientais acabam fazendo com que o striatum tenha alguns comportamentos quase que automaticamente.

Mesmo cientistas que reconhecem isso podem cair na armadilha. “Eu não gosto de pipoca. Mas toda vez que vou ao cinema, tenho que comer pipoca. Isso é fascinante!”, disse Volkow.

Muito do que os cientistas sabem sobre o papel da dopamina na formação de hábitos é proveniente do estudo da dependência ao álcool e às drogas, mas ela exerce um papel fundamental também em hábitos mais comuns, especialmente em comer em excesso.

Na verdade, Volkow diz que a dopamina é indispensável para a formação de hábitos que relacionam a ação a uma recompensa.

Um movimento para recompensar as pessoas por mudanças de comportamento pode explorar tal conexão, da mesma forma como algumas empresas oferecem a seus funcionários adiantamento de salário ou descontos em seguros para que os mesmos adotem bons hábitos.

Ainda não está claro como um incentivo financeiro funciona como uma recompensa. Em um experimento, funcionários da General Electric receberam até US$750 para abandonar o hábito de fumar, o que praticamente triplicou o número de pessoas que conseguiram fazê-lo, disse o Dr. Kevin Volpp, diretor do Centro de Saúde e Incentivos da Universidade da Pensilvânia.

Não houve diferença em um estudo semelhante que ofereceu dinheiro pela perda de peso – e as tentações ambientais podem ajudar a explicar os diferentes resultados.

Está ficando difícil fumar em público, mas “cada vez que saímos na rua, tem uma infinidade de comidas baratas, cheias de gosto e calorias”, disse Volpp.

Independentemente da forma como a recompensa a comportamentos acaba se esgotando, os pesquisadores dizem que existem algumas medidas que podem ajudar a contrapor o fato do cérebro não se desvencilhar de maus hábitos:

- Repita, repita, repita o novo comportamento – a mesma rotina no mesmo horário do dia. Resolveu praticar exercícios? Fazer isso no mesmo horário a cada manhã, ao invés de tentar encaixar a prática em diferentes horários do dia, faz com que o striatum reconheça o hábito de forma que se você não o fizer, vai se sentir péssimo, diz Volkow, o neurocientista que também adora correr.

- O exercício em si aumenta os níveis de dopamina, então o nosso cérebro acaba recebendo a sensação de bem-estar mesmo se os músculos protestam.

- Recompense a si mesmo com algo que realmente deseja, enfatiza Volkow. Conseguiu manter a prática de exercícios a semana toda? Seguiu a dieta? Compre um livro, um jeans, ou vá a um bom restaurante – o que talvez seja mais seguro do que um pacote de biscoitos, pois o preço inibe a quantidade.

- O estresse pode reativar o sistema de maus hábitos. “Vemos pessoas no aeroporto que vão comer imediatamente depois que o vôo é cancelado”, ressalta Volkow.

- E corte os rituais relacionados a seus maus hábitos. Nada de comer em frente à TV, de jeito nenhum. Nordgren diz: “O que devemos ter em mente é: ‘O que existe ao meu redor que ocasiona tal comportamento? ’ Temos de nos resguardar contra essas ameaças”.

Fonte iG

Compulsão por gordura funciona como vício em cocaína, diz estudo

Uma pesquisa publicadaem 2010 afirma que os mecanismos do corpo que provocam vício em drogas são os mesmos que geram a compulsão por comer alimentos calóricos. O estudo, feito pelo Scripps Research Institute, no Estado americano da Flórida, afirma que, assim como o vício em drogas, a compulsão por comidas gordurosas - como doces e frituras - é extremamente difícil de ser combatida.

O estudo, realizado com camundongos, mostra que as partes do cérebro que lidam com o prazer deterioram-se gradualmente na medida em que o consumo vai aumentando.

Essas regiões do cérebro vão respondendo cada vez menos aos estímulos, o que fez com que os camundongos comessem cada vez mais, tornando-se obesos.

O mesmo teste foi realizado com heroína e cocaína, e os ratos responderam da mesma forma.

Obesidade
Para o cientista Paul Kenny, que coordenou a pesquisa de três anos, uma dieta com alimentos gordurosos contém elementos que viciam.

"No estudo, os animais perderam completamente o controle sobre seu hábito de alimentação, o primeiro sinal de vício. Eles continuaram comendo demais mesmo quando antecipavam que receberiam choques elétricos, mostrando o quão estimulados eles estavam para consumir a comida."

A experiência foi feita com alimentos que provocam obesidade se consumidos em excesso, como bacon, salsichas e cheesecakes. Os animais começaram a engordar imediatamente.

O cientista relata que, quando a dieta foi trocada por alimentos mais saudáveis, alguns deles se recusaram a comer e preferiram não se alimentar.

Depois de analisar o resultado da pesquisa com camundongos, Kenny e sua equipe estudaram os mecanismos que provocam a compulsão.

Descobriram que o receptor D2 responde à dopamina, um neurotransmissor que está relacionado à percepção de prazer - como o provocado por comida, sexo ou drogas.

Quando há excesso no consumo de drogas como cocaína, por exemplo, o cérebro é "inundado" com dopamina, aumentando a sensação de prazer. Um processo semelhante acontece com dietas gordurosas. Com o tempo, no entanto, o cérebro vai recebendo menos dopamina.

A pesquisa foi publicada no jornal Nature Neuroscience.

Fonte iG

Internet tem efeito similar ao de drogas ou álcool no cérebro, diz pesquisa

Vício em computador: cérebro tem modificção semelhante à de viciados em drogas
Viciados em internet têm alterações similares no cérebro àqueles que usam drogas e álcool em excesso, de acordo com uma pesquisa

Viciados em internet têm alterações similares no cérebro àqueles que usam drogas e álcool em excesso, de acordo com uma pesquisa chinesa. Cientistas estudaram os cérebros de 17 jovens viciados em internet e descobriram diferenças na massa branca - parte do cérebro que contém fibras nervosas - dos viciados na rede em comparação a pessoas não-viciadas.

A análise de exames de ressonância magnética revelou alterações nas partes do cérebro relacionadas a emoções, tomada de decisão e autocontrole. "Os resultados também indicam que o vício em internet pode partilhar mecanismos psicológicos e neurológicos com outros tipos de vício e distúrbios de controle de impulso", disse o líder do estudo Hao Lei, da Academia de Ciências da China.

Computadores
A pesquisa analisou o cérebro de 35 homens e mulheres entre 14 e 21 anos. Entre eles, 17 foram classificados como tendo Desordem de Dependência da Internet, após responder perguntas como "Você fez repetidas tentativas mal-sucedidas de controlar, diminuir ou suspender o uso da internet?"

Os resultados então descritos na publicação científica Plos One, que poderiam levar a novos tratamentos para vícios, foram similares aos encontrados em estudos com viciados em jogos eletrônicos. "Pela primeira vez, dois estudos mostram mudanças nas conexões neurais entre áreas do cérebro, assim como mudanças na função cerebral, de pessoas que usam a internet ou jogos eletrônicos com frequência", disse Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College, em Londres.

O estudo chinês também foi classificado de "revolucionário" pela professora de psiquiatria do Imperial College London Henrietta Bowden-Jones. "Finalmente ouvimos o que os médicos já suspeitavam havia algum tempo, que anormalidade na massa branca no córtex orbitofrontal e outras áreas importantes do cérebro está presente não apenas em vícios nas quais substâncias estão envolvidas, mas também nos comportamentais, como a dependência de internet."

Fonte iG

Planos devem garantir retirada de prótese rompida

Prótese PIP: retirada de silicone defeituoso será
feita gratuitamente pelo SUS e por planos de saúde
Agência Nacional de Saúde esclarece que colocação de novo implante só será obrigatório em alguns casos

Mulheres com próteses de silicone rompidas poderão fazer a retirada do implante com os custos cobertos pelos planos de saúde.

A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgada hoje (12), vale para notificações de ruptura de próteses da marca francesa Poly Implant Prothese (PIP) e da marca holandesa Rofil.

Entretanto, a colocação de um novo implante só terá cobertura dos planos de saúde para mulheres que haviam se submetido a uma cirurgia de reconstrução da mama, indicada em casos de lesões traumáticas ou tumores e sem finalidade estética.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa as 15 maiores operadoras de planos de saúde do país, explicou que, uma vez constatada a ruptura da prótese de silicone, a cirurgia de retirada do implante é considerada reparadora.

“As operadoras afiliadas à FenaSaúde cumprirão rigorosamente o que está previsto no rol da ANS e nos contratos”, informou o órgão.

A PROTESTE - Associação de Consumidores orienta que as mulheres procurem o médico responsável pela colocação do implante para que seja feita uma avaliação individual. Somente com a indicação médica para a substituição da prótese é que elas deverão procurar seus planos de saúde. Em caso de negativa de cobertura, a paciente deve registrar uma reclamação na ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, e procurar os órgãos de defesa do consumidor.

Anteontem (11), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) também fará a troca de próteses das marcas PIP e Rofil.

Serão atendidas pacientes que colocaram o implante para reconstrução da mama ou para fins estéticos, nas redes pública ou particular. A determinação foi feita pela presidenta Dilma Rousseff.

A estimativa da Anvisa é que 12,5 mil brasileiras usem implantes da PIP e 7 mil da Rofil. As duas empresas usaram silicone industrial no processo de fabricação, substância não indicada para próteses de seio. O produto aumenta o risco de ruptura ou vazamento do implante e pode provocar inflamação da mama e outros problemas de saúde.

Fonte Delas