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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Primeiros Socorros: Traumatismo ocular

Ocorre quando um corpo estranho (farpa, sujeira, etc.) entra no olho, ou como resultado de uma batida ou da exposição excessiva ao calor e à luz, entre outros.

A região dos olhos é muito delicada e por isso é necessário cuidado extremo na hora de prestar os primeiros socorros.

Como agir:
- Se entrar uma sujeira no olho, lave-o com água corrente em abundância e aplique um colírio que seja apenas lubrificante

- Caso sinta alguma coisa incomodando não esfregue o olho, pois isso pode piorar o local

- Se o olho foi penetrado por algum objeto ou por uma farpa não tente tirá-la sozinho nem peça a alguém que o faça. Busque atendimento especializado imediatamente

- No caso de golpes ou batidas também é necessário buscar atendimento especializado

- Não espere o olhar inchar para buscar o socorro especializado

Fonte iG

Consequências das cáries na infância

Além da perda dos dentes, as cáries na infância podem causar problemas na audição e na fala.

Também conhecida como cáries de mamadeira, as cáries em bebês constituem um grave problema, que pode destruir os dentes de seu bebê — mas o problema pode ser evitado.

Qual a Causa de Cáries na Infância?
- Deixar seu bebê dormir com uma mamadeira. Quando seu bebê está dormindo, os líquidos que têm açúcar permanecem em volta dos dentes e podem causar cáries. Até mesmo o leite materno e o de fórmulas contém açúcar.
- Amamentação prolongada na mãe ou permitir que seu bebê adormeça enquanto se alimenta.
- Permitir que sua criança fique o tempo todo com a mamadeira.

Sua criança pode adormecer sem uma mamadeira! Siga cinco dicas para tentar:
-Deixe sua criança levar uma manta, ursinho, boneca, ou brinquedo favorito de "segurança" para cama.
- Cante ou toque uma música tranqüila baixinho.
- Segure ou balance sua criança.
- Faça uma massagem nas costas da sua criança para ajudá-la a relaxar.
- Leia ou conte uma história para a sua criança.

Quais são os efeitos de Cáries na infância?
- Perda de dentes
- Problemas de audição e de fala
- Dentes permanentes tortos
- Dor muito forte
- Baixa auto-estima

Seis Modos Que Você pode Evitar Cáries na infância!
- Habitue-se a colocar seu bebê na cama sem uma mamadeira.
- Nunca coloque seu bebê na cama com uma mamadeira contendo fórmula, leite, suco, água com açúcar ou refrigerante. Se seu bebê precisar tomar uma mamadeira para adormecer, encha-a com água.
- Não permita que sua criança fique o tempo todo com a mamadeira.
- Limpe a gengiva e os dentes da sua criança depois de qualquer alimentação com um pequeno pano úmido e macio ou um pedaço de gaze. Com crianças mais velhas, use uma escova dental com cerdas macias para escovar seus dentes.
- Comece a ensinar sua criança a usar um copo já com nove meses de idade. Troque a mamadeira do seu bebê por um copo de treinamento já na idade de 1 ano.
- Pergunte ao seu médico ou dentista para ter certeza que sua criança está recebendo a quantidade diária correta de flúor.

A saúde e o sorriso brilhante dos dentes do seu filho dependem de você!

Fonte Colgate-Palmolive

Galinhada com pequi protege o coração e acelera o intestino


Pequi
Nutricionista explica os prós e contras da mistura e dá dicas para deixar este e outro prato típico do Cerrado mais saudável

Os ingredientes que compõem os pratos típicos do Cerrado dão água na boca, mas também podem pesar na balança. Apesar de nutritivos e saborosos, é possível deixar as receitas da deliciosa galinhada com pequi e do empadão mais saudáveis e um pouco mais magras.

O iG Saúde convidou a nutricionista Paula Crook, da Pb Consultoria em Nutrição, para fazer um raio-x de duas das principais combinações da gastronomia de Goiás. Aprenda as dicas e mãos à obra!

Cerrado – Goiás

Galinhada com pequi: A frutinha nativa dá ao prato o caldo amarelo, intensificado pelos pedacinhos de galinha dourados no óleo e cozidos com arroz, açafrão e também o próprio pequi.

Quais os benefícios desta combinação? O pequi, uma fruta típica do cerrado, é rica em gordura insaturada e fibras. Por isso, protege o coração e aumenta o trânsito intestinal. Além disso, sua polpa contém propriedades antioxidantes por conta dos carotenóides, vitamina C e compostos fenólicos. Outro ingrediente interessante é o açafrão, uma especiaria com propriedades anticancerígena, anti-inflamatória e ação protetora do sistema cardiovascular.

Quais os pontos desfavoráveis? A grande quantidade de óleo pode aumentar as calorias do prato e anular o efeito de proteção ao sistema cardiovascular. Uma colher de chá é o suficiente para o preparo de 400 g de frango. Depois que a gordura secar a dica é acrescentar um pouco de líquido (água ou suco da laranja) para finalizar o cozimento.

Como trazer mais saúde para o prato? Substitua o arroz branco pelo arroz integral ou mesmo o arroz preto, agregando assim uma maior quantidade de fibras, vitaminas e minerais. Além do açafrão, acrescente ervas à galinhada, como salsinha, cebolinha, tomilho, alecrim e sálvia. Além de serem benéficas à saúde, isso reduzirá a adição de sal, pois as ervas já vão dar mais sabor à preparação.
Empadão: Esta grande torta leva massa à base de farinha de milho e um incrementado recheio com frango desfiado, fatias de linguiça condimentada, pedaços de carne de porco, batatas cozidas, queijo meia cura, azeitonas, guariroba e ovo.

Quais os benefícios desta combinação? Apesar de ser uma preparação calórica é um prato único, contendo todos os macronutrientes (carboidrato, proteína e gordura) necessários em uma refeição. Contém como um ingrediente especial a guariroba, um tipo de palmito muito utilizado em Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Este palmito é cheio de fibras, vitamina C e ferro e apresenta propriedades antioxidantes. A batata, um tubérculo rico em carboidrato, é a principal fonte de energia e também contém quantidades significativas de vitaminas C e do complexo B. Além disso, ela é rica em potássio, um mineral importante para a regulação das funções metabólicas do organismo, incluindo as funções musculares.

Quais os pontos desfavoráveis? A carne de porco e a linguiça condimentada apresentam muita gordura. Uma grande concentração de gordura principalmente saturada pode aumentar o risco para doenças cardiovasculares. Outro ponto desfavorável é a baixa quantidade de legumes e verduras, que teriam a função de aumentar a oferta de vitaminas e minerais do prato.

Como trazer mais saúde para o prato? Colocar na massa uma parte de farinha integral e de flocos de aveia, agregando maior quantidade de fibras e nutrientes à receita. Acrescentar tomate, cenoura e espinafre deixa o empadão mais nutritivo, com vitaminas e minerais importantes para o melhor funcionamento do organismo. A linguiça poderia ser substituída por peito de peru, que contém uma menor quantidade de gordura. Quanto ao queijo, é possível utilizar o tipo cottage ou a mussarela de búfala, pois ambos contêm menor teor de gordura total e saturada em comparação ao queijo meia cura.

Fonte iG

Alta taxa de mortes por câncer faz comunidade do RS ser monitorada


Foto: Carlos Eduardo de Quadros / Fotoarena Ampliar
Jonçara, com o marido e o filho: "tomara que eu tenha adoecido por azar"
Suspeita é de que população tenha sido exposta a tóxicos usados por 37 anos na região

A população de Barreto, uma localidade da zona rural do município de Triunfo – a 30km da capital Porto Alegre (RS) – está sendo monitorada por um grupo de trabalho formado por governo estadual, Ministério da Saúde e técnicos dos Estados Unidos.

O objetivo é descobrir por quais razões a taxa de mortalidade por câncer é 50% maior ali, quando comparada ao restante do município gaúcho (18 por cada 100 mil habitantes contra 12 por 100 mil no restante de Triunfo).

Essa diferença, ainda inexplicada, é um dos resultados preliminares de um estudo feito no local pela Secretaria Municipal de Triunfo – cidade que abriga Barreto – e também o motivo que suscitou o acompanhamento dos órgãos governamentais.

Uma das hipóteses é que materiais tóxicos utilizados por 37 anos em uma antiga fábrica de postes elétricos de propriedade do Estado do RS, tenham provocado o aumento de tumores malignos e letais nas pessoas que vivem próximas ao terreno da indústria, desativada em 2005.

“Começou uma elevação de câncer (em Barreto) que pode ter acontecido a partir de uma exposição crônica (às substâncias tóxicas), mas não existem comprovações”, afirmou em carta enviada ao iG pela assessoria de imprensa, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) do RS. O órgão lidera o grupo de trabalho que investiga Barreto, projeto batizado de “Eco Risco”.

Apesar do encerramento das atividades da fábrica, há 6 anos, laudos da Promotoria Ambiental do Ministério Público de Triunfo, finalizados em outubro de 2011, mostram que a contaminação do solo por substâncias cancerígenas (arsênio, polifepranol e cromo, entre outros) ainda é ativa em sete pontos do distrito.

Uma das ocorrências que pode ter agravado a exposição dos moradores aos químicos, suspeita o MP de Triunfo, é a existência de tonéis lotados com os resquícios das substâncias usadas na produção dos postes, que foram enterrados – e ainda estão lá – no terreno onde funcionou a fábrica.

“Eu ajudei a enterrar”, afirma Ivanildo Torres, 62 anos, ex-funcionário da fábrica, morador da vila operária e hoje portador de doenças na circulação, diabetes e depressão.

“A gente nem imaginava que podia ser perigoso.”

Não foi esta a única medida de risco adotada por desconhecimento do potencial de danos à saúde dos químicos, contam os moradores.

“Depois de anos, as pessoas ainda pegavam partes destes tonéis que despontavam no solo e faziam de base para churrasqueiras, latas de lixo e até acessórios para casa. Sem contar que muitos venderam em ferros-velhos”, conta Roberto Viana da Silva. Ele trabalhou no setor administrativo da indústria de postes entre 1970 e 2000.

“Minha mulher morreu de câncer no estômago há uns 4 anos. Éramos vizinhos da fábrica e hoje estamos assustados com a possível contaminação das pessoas.”

A nora de Roberto, a advogada Gisele Milk, 28 anos, antes mesmo da morte na família, começou a suspeitar de que as causas do adoecimento da população eram os materiais tóxicos. Em 2009, após investigar provas e reunir laudos médicos, ela entrou com ações contra o Estado. Hoje, representa cerca de 100 famílias da localidade em processos que pedem indenização por danos morais e materiais por conta de doenças mentais e físicas, tais como cânceres, mutações congênitas, abortos, problemas de pele e depressão.

Foto: Carlos Eduardo de Quadros / Fotoarena Ampliar
Lixeira na entrada da antiga fábrica de postes:
tonéis tiveram usos variados na comunidade
Responsabilidade dividida
A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), proprietária da antiga fábrica, afirmou que o processo de descontaminação do solo já está com ordem de serviço autorizada (deve iniciar em fevereiro), mas que “não há sequer indícios de nexo causal entre a alegada contaminação do imóvel e as supostas doenças”, disse – em nota oficial enviada ao iG – o presidente da CEEE, Sérgio Souza Dias. Veja o que diz a CEEE.

“O que ocorre é que existem sete pontos de contaminação ativa e nem todos estão relacionados aos tonéis, e sim ao processo produtivo, que à época, em função da própria legislação ambiental, não exigia sequer licenciamento para sua operação. O contrato para descontaminação contempla estes pontos”, diz a resposta enviada por email à redação.

Crianças
Segundo a Fepam, a licença ambiental para a remediação do terreno da antiga fábrica da CEEE já foi concedida e todos os órgãos de saúde foram acionados. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, “foi criado um protocolo de atendimento à saúde dos moradores de Barreto como forma de prevenção (de câncer e outras doenças)”.

Esta medida, informa a Fepam, é coordenada pelo Ministério da Saúde e tem participação das secretarias municipal e estadual de Saúde. Dois técnicos dos Estados Unidos também participam do projeto Eco Risco.

A água do rio Taquari, que fica atrás do da antiga fábrica, também foi avaliada, assim como a poeira das casas e dois alimentos (alface e ovos). Isso porque, muitos moradores usam água do poço e hortas caseiras, cultivadas perto do terreno, para subsistência.

Os dados iniciais, afirmou a Fepam, não mostram alterações significativas, mas “a Secretaria Municipal de Saúde, por preocupação, orienta a população a não beber água do poço”.

As crianças que vivem no local estão sendo submetidas a exames de sangue e coleta de saliva e os dados sobre o câncer estão sendo revistos. A médica toxicologista Virgínia Dapper, que participa do Eco Risco, diz que é preciso dar continuidade aos exames e estender a avaliação para todas as 200 famílias que moram no local.

“Fizemos exames de urina em 71 famílias em 2008, mas eles só conseguem medir uma intoxicação aguda, dos últimos 30 dias. Nada foi constatado. Precisamos dar continuidade”, disse a médica.

A história
A vila operária de Barreto foi toda formada por conta da fábrica de postes. “Meu pai foi chamado para trabalhar no local e, como era longe de Porto Alegre, ofereceram (a CEEE) casa, bom salário e tudo mais. Foi assim que Barreto foi povoada”, lembra José Gercei Flores dos Santos, 61 anos, que também acabou como funcionário da indústria.

“Mexíamos direto com os produtos químicos. Era um cheiro forte, ardia os olhos, queimava a garganta. Mas não sabíamos que podia fazer mal”, completa Santos, que teve um problema sério de pele, com escamações e manchar vermelhas.

O iG visitou o local há 20 dias e, na população local, estas manchas vermelhas são comuns. Muitos moradores relataram ter tido o problema em alguma ocasião. No dia da visita, choveu. Depois da chuva, foi possível sentir um cheiro forte e desagradável, em especial nas proximidades do terreno da antiga indústria. Às margens do terreno, recentemente cercado por arame, as crianças brincavam com as mãos na terra.

Em todas as 12 residências visitadas pela reportagem do iG foram relatadas as mais variadas doenças, sendo câncer a mais citada. Além dos cânceres, a comunidade contou já ter enfrentado abortos, depressão, doença muscular congênita, glaucoma, problemas hepáticos e renais.

Segundo a Fepam, a comunidade não precisa sair do local e todas as medidas de saúde estão sendo tomadas.

“Não é necessário a população sair do lugar, não está sendo cogitado. Estamos tomando as medidas preventivas para que isso não ocorra”, escreveu a Fepam em comunicado.

Fonte iG

Conheça a Erin Brockovich brasileira


Foto: Carlos Eduardo de Quadros / Fotoarena
Gisele Milk: investigação deu a ela o apelido de "Erin Brockovich brasileira"
Gisele Milk investigou pedidos de aposentadoria e encontrou uma comunidade que pode ter adoecido por contaminação química

Pilhas de processos amontoados recepcionaram Gisele Milk no primeiro dia de trabalho em um escritório de advocacia na cidade de Triunfo, a 30 quilômetros da capital Porto Alegre (RS). Não eram só as boas-vindas de um primeiro emprego como advogada recém-formada.

Era o começo do processo de montar um quebra-cabeças para desvendar os motivos que levaram uma comunidade da zona rural da cidade, formada por 200 famílias, a apresentar taxas de mortalidade por câncer 50% maiores do que a população do restante do município gaúcho.

Gisele, então com 24 anos, encontrou catalogados naqueles papéis amarelados processos trabalhistas antigos, individuais e não relacionados, que pediam aposentadorias por invalidez pelos mais variados problemas de saúde.

“Fiquei intrigada: a maioria dos clientes vivia próxima entre si, quase no mesmo quarteirão e um não sabia da reivindicação do outro”.

As doenças que existem praticamente lado a lado – câncer, doenças hepáticas, mutações congênitas – vitimaram moradores da vila operária do bairro Barreto, localizado na zona rural de Triunfo. Os vizinhos residem no entorno de um terreno de 16 hectares, onde funcionou, entre 1960 e 2005, uma fábrica de postes de energia elétrica, de propriedade da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE).

Foto: Carlos Eduardo de Quadros / Fotoarena
Entrada do terreno onde funcionou a fábrica de postes elétricos
Embaixo da terra hoje desabitada pela indústria restaram – segundo afirmam laudos feitos em 2011 a pedido da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público (MP) de Triunfo – tonéis lotados de substâncias químicas, com potencial destrutivo à saúde, utilizados por décadas para preservar as madeiras no processo fabril.

Arsênio, cromo VI, polifepranol, dioxina são substâncias cancerígenas e alteradoras do DNA humano e a contaminação por elas ainda é ativa no local, de acordo com o MP. Até hoje, a comunidade vive em casinhas de alvenaria convivendo com o cheiro forte de metal após a chuva, como atestou o iG em visita ao local.

Os indícios de adoecimento da população por esta exposição química agora são investigados pelo governo gaúcho. Quatro anos antes, no entanto, Gisele Milk suspeitou ser este o elo entre os clientes do escritório onde conseguiu o primeiro emprego.

“Comecei um trabalho de formiguinha e hoje já tenho cerca de 100 ações em andamento.”

Ainda sem vitórias, a advogada brasileira ganhou de alguns colegas o apelido de Erin Brockovich, em referência à mulher que teve sua história conhecida no mundo quando, em 1996, a atriz Julia Roberts a interpretou no cinema.

Ficção e vida real
Os nomes de tóxicos que a própria CEEE admite ter usado no terreno – informação contida em cartilhas distribuídas à população local - também fizeram parte dos processos judiciais conduzidos pela verdadeira Erin Brockovich nos Estados Unidos.

Após anos reunindo provas como auxiliar de um escritório de advocacia, conseguiu uma indenização de 333 milhões de dólares para os moradores da cidade Hinkley, na Califórnia. Ela alegou que a população adoeceu por beber a água contaminada pelos químicos, disseminados no lençol freático local por uma fábrica. A história inspirou Hollywood e o filme foi campeão de bilheteria na época. Mas a “Erin” de Triunfo – que assim como a da vida real é loira, tem olhos claros e adora um salto alto – almeja outras semelhanças com a norte-americana.

“Trabalho para que as pessoas sejam indenizadas. Já perdi clientes para os mais variados cânceres. Represento duas mulheres que tiveram bebês que nasceram sem cérebro, sendo que a anencefalia é considerada uma condição rara pela medicina”, conta a advogada brasileira.

A CEEE nega a relação da contaminação com os danos à saúde da comunidade, mas afirma já ter começado o processo de retirada dos químicos do solo. Veja aqui o que diz a empresa.

As investigações do MP indicam que há contaminação ativa em sete pontos do distrito e que “os riscos ao ambiente e à saúde da população são concretos e iminentes”, nas palavras do promotor ambiental que cuida do caso, Luciano Gallicchio.

Horta e rioDurante a visita ao local, há 20 dias, a reportagem do iG encontrou na vila operária um misto de moradores desavisados e temerosos em relação aos materiais tóxicos existentes no local. Em parte das casas, hortaliças porcos e galinhas que servem de refeição para as famílias eram cultivados na divisa com o terreno condenado pela Promotoria Ambiental do Ministério Público.
Foto: Carlos Eduardo de Quadros / Fotoarena Ampliar
Uma das hortas cultivadas na divisa do terreno condenado
 pelo MInistério Público de Triunfo
Muitos habitantes nadavam e pescavam no rio Taquari, localizado nos fundos da antiga fábrica, que também tem as águas investigadas pela vigilância ambiental por conta de “indícios de contaminação do lençol freático”, diz o processo de origem 139/1.08.0000360-3 do Ministério Público.

“Tomara que eu tenha adoecido por azar e não por causa da vila. Minha história toda é aqui”, suspirava Jonçara Nunes dos Santos, 53 anos, que mora no local desde 1972 e é uma das clientes de Gisele Milk. Há 15 anos, ela adoeceu do fígado. Também perdeu o filho de 22 anos por distrofia muscular congênita. O marido, que foi funcionário da fábrica de postes, teve feridas e descamação na pele. A irmã, que vive duas casas adiante, teve câncer nas duas mamas e o sogro – outro ex-empregado da fábrica – teve depressão profunda e cometeu suicídio.

O caso de Jonçara reúne a diversidade de doenças, físicas e mentais, que Gisele Milk descreve em seus pedidos de indenização contra a CEEE. Ainda não há, no entanto, comprovação científica de que a causa das anomalias desta e de outras famílias tenha sido exposição aos materiais usados nos postes.

A toxicologista do Laboratório de Poluição Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Gisela Umbuzeiro, atesta que todas as substâncias são muito perigosas, mas o grau de intoxicação e os danos provocados por elas depende do tempo e da forma de exposição.

Comprovar a relação de causa e efeito com as substâncias tóxicas “exige estudos e monitoramentos de anos”, diz a especialista. Este monitoramento já começou, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado e o Ministério da Saúde, respondeu por meio da assessoria de imprensa a Fundação de Proteção ao Meio Ambiente (FEPAM) do RS.

Alguns dados disponíveis em exames pontuais, apesar de inconclusivos, são preocupantes. Um deles – feito pela secretaria de saúde, finalizado em 2009 e que motivou o acompanhamento da Fepam – mostra que a taxa de mortalidade por câncer na vila operária de Barreto supera em 50% a taxa encontrada em Triunfo como um todo (nessa localidade são 18 casos de câncer por 100 mil habitantes contra 12 por 100 mil no restante do município).

“São indícios que apontam para um excesso de mortes, mas ainda não podemos afirmar a causa”, diz Virgínia Dapper, uma da médicas escaladas pela Fepam para monitorar as famílias de Barreto.

“Por ora, a incidência geral de outras doenças (hipertensão, diabetes, anencefalia) em Barreto não difere da de outros distritos, mas é fato que é uma área extremamente contaminada e precisamos de mais testes.”

O início
As suspeitas de que os clientes do escritório poderiam ter sido vítimas do coquetel de materiais tóxicos foram levantadas em artigos da internet que Gisele acessou nos primeiros 15 dias de trabalho (e de insônia). O estudo sobre a alta mortalidade por câncer, conta a advogada, ela teve acesso no dia em que conseguiu entrar em uma reunião da Vigilância Sanitária de Triunfo.

“Comecei a frequentar estes grupos, conversar com médicos, pedir ajuda na internet, fazer cursos de saúde ocupacional. Dormia no máximo 3 horas por noite naqueles primeiros meses.”

A então recém-formada não se lembra de ter o sono tão restrito. Nem mesmo na época em que cursava Direito na cidade de São Leopoldo, fazia estágio em Triunfo e morava em Porto Alegre, trajetos que somavam 4 horas dentro do ônibus – sempre na companhia da música de Nando Reis nos fones de ouvido. Já nesta época, Gisele se acostumou a acordar às 4h50 e só dormir a 1h, rotina repetida agora, no primeiro emprego com diploma.

Na trajetória de Gisele Milk, o início da pesquisa sobre a possível contaminação na vila operária coincidiu com o começo de um novo relacionamento amoroso, que também acabou na rota de suas investigações.

“Conheci o Glauco com 15 anos (e ele 18), engatamos um namoro, mas não deu certo”, recorda. “Reencontrei com ele trabalhando no mesmo escritório de Triunfo, um pouco mais gordinho, e também advogado. Embalados pela nossa profissão, voltamos a namorar.”

Glauco Costa dos Reis nasceu, cresceu e escolheu ser advogado justamente em Barreto, distrito que agora era motivo da insônia de Gisele e quase não deixava espaço para o cinema de sábado.

“Meu pai trabalhou na fábrica de postes, meus amigos todos também eram filhos de funcionários. Nunca desconfiamos e nem fomos informados de que viver ali traria algum dano à saúde. Quando a Gisele passou a discutir as suspeitas, a sensação foi de pavor” conta Reis.

Seis meses depois daquele primeiro dia de trabalho – com o namoro com Glauco já seguindo o caminho de um casamento – Dona Márcia, a mãe do advogado, morreu de câncer no estômago.

“A minha dor pessoal, por causa daquele tumor maligno que matou a minha sogra (Márcia, garante a família, não tinha antecedentes de câncer, não fumava e não bebia) aumentou minha vontade de fazer justiça”, diz Gisele.

“Ajuizei a minha primeira ação contra a CEEE em 2009. O caso da minha sogra está entre os 100 processos que hoje, após intensa investigação, estão em andamento”, diz.

Peixe pequeno
Gisele ainda não ganhou nenhuma ação. Seis delas foram arquivadas em primeira instância, e todas as outras ainda estão em andamento sem definição jurídica ou sanitária. Quase diariamente, conta, ela é procurada por algum morador de Barreto que perdeu alguém da família por câncer, doença incapacitante, aborto, anencefalia ou falência de algum órgão. A pilha de processos que a recepcionou no início da jornada quadruplicou de tamanho na mesa de trabalho.

“Ficou mais triste trabalhar, pois hoje conheço os rostos que eram só números naqueles papéis”, diz.

Três vezes por semana, a advogada vai a Barreto conversar com os moradores da vila sobre os processos jurídicos. Na mesma rua, bate na porta de Vera Lúcia de Almeida, 57 anos, para saber se o câncer de mama, diagnosticado há dois anos, está de fato controlado. Dez metros adiante, verifica se Lurdelita Nunes dos Santos, 47, está fazendo o tratamento contra um tumor maligno que resultou na retirada dos dois seios. Dois quarteirões dali, indaga se Marlisa Francisco, 45 anos, está menos triste com a perda do marido por um câncer no intestino no início de 2011, dois anos depois da filha do casal ter morrido de leucemia (câncer no sangue) aos 17.

“Sou considerada peixe pequeno por alguns advogados. Outros colegas me acusam de querer tirar proveito dessa gente, só para ganhar algum dinheiro”, diz.

“Sem hipocrisia, obviamente, serei beneficiada do ponto de vista financeiro, caso consiga as indenizações. Mas e a saúde dessa gente?”

Os dias de visita a Barreto terminam sem café ou chimarrão como é costume entre os gaúchos. Como Gisele sabe da investigação sobre a contaminação da água, ela fica sem graça, mas acha prudente negar as bebidas feitas com a água dos poços, localizados perto do terreno contaminado.

Fonte Delas