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segunda-feira, 12 de março de 2012

Aparelho nos dentes, antes motivo de piada, agora é moda

Sorriso metálico virou moda. Aparelhos para os dentes têm borrachas coloridas e em forma de bichos, são feitos com material que brilha no escuro e "glitter".

Com tanta novidade para atrair crianças, ferros na boca não são mais motivo de piada, como eram há pouco tempo. Além de acessórios fashion (da moda), o aumento do uso fez com que os aparelhos não parecessem estranhos.

Antes, eles não eram tão comuns. O tratamento era mais caro e acreditava-se que era preciso esperar os dentes permanentes para usá-los. Essa ideia mudou. "Os dentes são como planta. Quando nasce torta, é mais fácil corrigir antes de que cresça", diz Inês Verginia Zampieri Bof, especialista em ortodontia (correção dos dentes) infantil.

O Brasil começou a produzir aparelhos, o que os tornou mais baratos (antes, vinham de outros países).

Mordida
A Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial calcula que, de cada 10 crianças entre seis e dez anos, 6 precisam corrigir dentes ou mordida errada -- é como se a boca fosse uma caixa, em que os dentes de cima são a tampa e precisam se encaixar direito na parte de baixo.

Com cerca de três anos, a criança já pode passar por um especialista.

Mirela Boralli Arsuffi usa aparelho móvel há seis meses para acertar a mordida. Como só tem quatro anos de idade, o tratamento deve ser rápido e acabar em mais dois meses. "Essa correção deve ser feita o mais cedo possível", diz Cássio José Fornazari Alencar, especialista em odontopediatria da Universidade de São Paulo.

É bonitinho... mas dá trabalho!
Rafaella Cassasa, 12, ficou com medo de que os amigos não gostassem do novo visual. Mas eles aprovaram, principalmente os elásticos coloridos. Seu irmão, Rodrigo, 13, reclama que dá trabalho limpar os ferros. Mas, após cinco anos com aparelho, acha que o esforço vale para ter um sorriso mais bonito.

Ricardo Cruz, presidente da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, diz que, hoje, a maior parte das crianças que vai ao seu consultório quer arrumar os dentes. Caio Henrique Nunes, 10, por exemplo, tinha os dentes de cima muito para a frente. Há um ano, usa o fixo (ferros colados nos dentes). "Demoro uns 15 minutos para limpar e passar fio dental, mas eu não reclamo. Fiquei mais bonitinho."

Ana Paula Camolez, 7, usa o móvel --aquele que é tirado para comer e escovar os dentes. A limpeza é fácil. O problema é o risco de perder. "Uma vez, embrulhei o aparelho no guardanapo e ele foi parar no lixo."

Fonte Folhaonline

Produto em forma de joaninha promete afastar mosquitos dos bebês

A Joaninha Repelente funciona com uma pilha apenas
A Joaninha Repelente funciona com uma pilha apenas
 Nos dias mais quentes, algumas pessoas incomodadas com os insetos usam produtos para afastá-los. E quem tem filhos pequenos talvez se preocupe ainda mais. Mas um produto chamado Joaninha Repelente, da AdKids, pretende mantê-los longe dos bebês.

Ao emitir um som parecido ao do bater de asas da libélula --um inseto predador de mosquitos e pernilongos--, o objeto em forma de joaninha espantaria os insetos.

O barulho não pode ser ouvido por um ser humano e, segundo a empresa que faz o produto, sua ação alcança até nove metros de distância.

Inventado e produzido nos Estados Unidos, a Joaninha Repelente será apresentada na Abrin (Feira Brasileira de Brinquedos), em abril, em São Paulo. Já à venda nos EUA e na Europa, seu lançamento no mercado brasileiro está programado somente para maio.

Ainda não há previsão de preço de venda do produto.

Fonte Folhaonline

Incor faz primeiro transplante de pulmão recondicionado no país

O InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo) realizou na sexta-feira passada, 2 de março, o primeiro transplante do país usando um pulmão recondicionado.

O órgão, que não tinha qualidade para ser transplantado, foi "recuperado" com a ajuda de um processo desenvolvido na Suécia, onde foi usado pela primeira vez em 2005. O receptor foi o mineiro Mateus de Moura, 31, que tinha uma doença pulmonar rara e não conseguia mais respirar sozinho. Ele recebeu dois novos pulmões.

O objetivo do recondicionamento, segundo o cirurgião Fábio Jatene, coordenador do Programa de Transplante de Pulmão do InCor, é aumentar o número de transplantes ao reduzir a proporção de órgãos doados que são rejeitados. Só entre 5% e 10% dos pulmões de doadores de múltiplos órgãos são usados.

No Brasil, em 2011, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, foram realizados 49 transplantes de pulmão, frente a 160 de coração e 1.492 de fígado, por exemplo.

A sobrevida após o transplante com pulmão recondicionado tem sido, segundo a experiência internacional, semelhante à do procedimento comum. Jatene diz que, por aqui, 80% dos pacientes que recebem novos pulmões sobrevivem um ano após a cirurgia. "É o período mais crítico."

O cirurgião explica que o tratamento feito para preservar os outros órgãos, em especial a administração de soro no corpo do doador, piora a qualidade dos pulmões, porque os deixa cheios de líquido.
Esse líquido, que fica entre os alvéolos pulmonares, atrapalha a oxigenação do sangue, reduzindo a função pulmonar.

Até agora, no país, pulmões nessas condições eram descartados. "Com o recondicionamento, conseguimos enxugar' o pulmão, fazendo-o voltar a funcionar bem. Temos a expectativa de até dobrar o aproveitamento dos órgãos", diz Jatene.

Segundo o médico, a técnica, no entanto, não recupera órgãos que tenham sofrido lesões como perfuração ou infecções.

Antes de realizar o primeiro transplante com órgão recondicionado, a equipe do InCor fez testes com 30 pulmões doados e que não teriam condições de transplante sem a nova técnica. "Essa foi uma exigência da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Por um lado, demoramos mais para começar a usar o tratamento. Por outro, já temos experiência acumulada de três anos de estudos."

Como funciona
O recondicionamento usa o princípio da osmose para "enxugar" o excesso de líquido nos pulmões.
Depois de ser retirado do corpo do doador, o órgão é colocado em um líquido para ser resfriado a uma temperatura bem baixa, perto de zero grau Celsius. Ao chegar à sala para o recondicionamento, o pulmão volta à temperatura ambiente e fica em uma espécie de bacia, conectado a tubos. Um deles irriga o pulmão com uma solução especial que tem a propriedade de "atrair" a água que está atrapalhando os alvéolos para dentro dos vasos sanguíneos. Ao ser bombeada e circular pelo órgão, a solução vai limpando os pulmões e recuperando sua capacidade de oxigenar o sangue.

O pulmão também fica ligado a um ventilador mecânico, como os usados em UTIs, para receber oxigênio e "respirar" mais ou menos como se estivesse funcionando dentro de um corpo.

De tempos em tempos, os médicos vão medindo a capacidade de funcionamento do pulmão e se o líquido foi drenado. No caso do transplante feito agora, o órgão ficou cinco horas na máquina antes de ser transferido para o paciente, Mateus de Moura.

Sua mãe, Ana Ribeiro de Moura, 55, de Itajubá (MG), conta que o filho estava na fila do transplante havia dois anos. Mateus e a família foram consultados pelos médicos sobre a possibilidade de o transplante ser feito com um órgão recondicionado. "Deixamos o Mateus decidir e ele disse que queria sim."

Jatene afirma que quase todos os pacientes consultados até agora aceitaram a possibilidade de receber um pulmão recondicionado. "Temos 85 pacientes na fila aqui no InCor e fazemos de 30 a 35 transplantes de pulmão por ano, com média de dois anos ou dois anos e meio de espera. Se dobrarmos o número de transplantes, reduziremos a espera para um ano. É isso que estamos procurando."

Fonte Folhaonline

Doença fez caminhoneiro abandonar futebol e quase o matou

O motorista de caminhão Mateus de Moura, 31, morava em Itajubá até três anos atrás. Ele jogava futebol aos domingos e levava uma vida normal, como conta sua mulher, Priscila Karine Santos Moura, 29. "Ele começou a sentir falta de ar. Um dia, ficou com os dedos e a boca roxos, então levamos ao médico. Ele ficou 13 dias internado sem que descobrissem o que ele tinha. Todos os exames descartavam tudo o que eles achavam que era."

Segundo Priscila, uma biópsia feita no pulmão de Mateus levou ao diagnóstico de hemangiomatose capilar pulmonar, uma doença rara em que há uma proliferação exagerada de capilares (pequenos vasos) no tecido que dá sustentação ao pulmão.

A gravidade do problema levou os médicos a encaminharem Mateus para o InCor. "Ele passou um ano fazendo exames. Os médicos nunca tinham visto aquilo", diz Priscila. A equipe de transplantes de pulmão passou a cuidar do caso. "Nenhum remédio melhorava. A doença era incurável e progressiva."

O casal e a filha deles, Ágata, hoje com 13 anos, se mudaram então para Taubaté (SP), para ficar mais perto do InCor. Priscila, que é professora, começou a trabalhar como manicure, para ter flexibilidade de horários para levar Mateus a consultas, exames, tratamentos. O apartamento alugado pela família foi cuidadosamente selecionado em um local perto da Via Dutra e próximo a um campinho de futebol, que serviria como espaço para o pouso de um helicóptero caso Mateus tivesse de ser resgatado às pressas.

O andar escolhido foi o primeiro, para que ele não tivesse de subir escadas se o elevador quebrasse. Mateus ficava ligado 24 horas por dia ao cilindro de oxigênio. "De outubro para cá, tinha piorado bastante, estava debilitado e não conseguia andar direito."

Priscila conta que, no ano passado, em julho, o cirurgião Paulo Pego, coordenador do Projeto de Recondicionamento Pulmonar, fez uma reunião com os pacientes que estavam na fila do transplante e suas famílias para apresentar a nova técnica. Mateus aceitou entrar no progama.

No último dia 1o., quando receberam a ligação do hospital dizendo que um pulmão compatível havia chegado, Mateus e Priscila não sabiam que seria o recondicionado. "Só ficamos sabendo quando chegamos lá. Quando fizeram a proposta, em julho, não ficamos com medo, mas na hora levamos um 'susto'. O Mateus disse: 'Puxa, vai ser o primeiro'. Mas por que ia dar errado aqui se já tinha dado certo no exterior? Precisávamos acreditar na equipe, eles tinham estudado o novo transplante."

Na última sexta, uma semana após a operação, Mateus já respirava sem tubos. Ao receber a visita da mãe, Ana Ribeiro de Moura, do irmão, Igor, 21, e da reportagem, no sábado, parecia ansioso para sair da cama, sentar e tirar a máscara de oxigênio. Já falava algumas palavras e perguntava ao irmão qual havia sido a estrada escolhida para trazer a mãe de Minas Gerais até São Paulo.

Voltar ao trabalho de motorista é uma grande vontade de Mateus. Além disso, conta Priscila, ele quer jogar futebol e subir escadas de novo.

A vida imita a arte
O segundo episódio da atual temporada da série de TV "Dr. House" (Record e Universal) teve como tema o uso da técnica para recuperar pulmões para transplante. O médico Gregory House e a residente Chi Park têm 12 horas para descobrir qual é o problema afetando o órgão, ligado a uma máquina no hospital. O órgão seria transplantado em uma paciente do oncologista James Wilson, melhor amigo de House, que, como sempre, acaba descobrindo o que deve fazer.

Fonte Folhaonline

Malhar reduz risco cardíaco para gordinhos fisicamente ativos

Emagrecer traz benefícios óbvios à saúde, mas gordinhos fisicamente ativos também têm boas chances de evitar os problemas cardiovasculares normalmente associados ao excesso de peso.

A boa notícia está em pesquisa no "Journal of the American College of Cardiology". Se os dados levantados no estudo estiverem corretos, eles ajudarão a esclarecer uma dúvida que ainda divide os especialistas.

A questão é saber até que ponto um estilo de vida ativo é capaz de proteger alguém dos problemas de saúde ligados à obesidade.

Alguns trabalhos indicavam que o exercício poderia praticamente eliminar esses riscos, enquanto outros diziam que o excesso de peso é o fator preponderante, mesmo se a pessoa se esforça para não ser sedentária.

Parte da dúvida parece estar ligada ao fato de que a maioria desses estudos levava em conta a saúde cardiovascular dos pacientes em um único ponto do tempo. Ficava difícil saber como os efeitos do exercício e do peso afetavam o organismo das pessoas a longo prazo.

Para preencher essa lacuna, uma equipe da Universidade da Carolina do Sul, liderada por Duck-Chul Lee, obteve os registros médicos de mais de 3.000 pacientes (em geral, na casa dos 40 anos) da clínica Cooper, no Texas.

Esses pacientes faziam check-ups na clínica, com intervalos de dois ou três anos entre cada avaliação médica. Na maior parte dos casos, os pesquisadores conseguiram avaliar o estado de saúde dos pacientes ao longo de três check-ups consecutivos.

Editoria de arte/Folhapress

Síndrome
O objetivo era verificar como e quando os membros do grupo desenvolviam a chamada síndrome metabólica, um conjunto de características (como pressão alta e triglicérides em nível elevado) diretamente ligado ao surgimento de doenças do coração e diabetes, por exemplo.

Lee e companhia verificaram que pouco mudava do primeiro check-up para o segundo. A maioria dos pacientes ganhou peso, mas nenhum desenvolveu a temida síndrome metabólica.

Do segundo para o terceiro check-up, o problema apareceu no grupo testado. Quem tinha se exercitado menos e ganhado peso, obviamente, tinha risco aumentado (71%) de ter a síndrome.

Contudo, quem engordava mas continuava fisicamente ativo corria risco 22% menor do que o grupo dos gordinhos inativos. E não era preciso melhorar o condicionamento físico nesse período. Bastava mantê-lo para ter alguma proteção.

"Existe uma tendência de ressaltar a necessidade de perder peso, mas emagrecer em geral é difícil. Manter-se ativo é tão importante quanto perder peso e é uma meta mais fácil de atingir", diz Lee.

Fonte Folhaonline