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quarta-feira, 14 de março de 2012

Pesquisadores descobrem gene que combate e estimula tumores

Gene limita as mutações espontâneas que ocorrem nas células, mas também é capaz de estimular o aparecimento de tumores

Cientistas espanhóis descobriram um gene que pode proteger contra o câncer, mas que também é capaz de promover o crescimento do tumor, um efeito contraditório que poderia ocorrer em outros tipos de genes.

"Trata-se de um gene que atua como Dr. Jekyll ou como Mr. Hyde, já que pode nos proteger da aparição de tumores ou favorecer seu crescimento", explica o líder do grupo autor da pesquisa, Óscar Fernández Capetillo, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO).

O trabalho, publicado no "Journal of Experimental Medicine", estuda a função do Chk1, um gene conhecido até agora por sua capacidade para evitar que uma célula se torne cancerígena.

O gene Chk1 é o que Fernández-Capetillo classifica como "um guarda do genoma, um gene que mantém nosso genoma livre de mutações e que, portanto, nos protege do desenvolvimento de tumores".

Os pesquisadores queriam estudar se este efeito poderia ser potencializado, por isso criaram um rato com três cópias do gene Chk1 ao invés de duas. E em seguida, extraíram e cultivaram suas células e as transformaram em tumores.

O que encontraram foi inesperado: as células se tornavam malignas mais facilmente nos ratos que tinham uma cópia adicional de Chk1. A explicação para o paradoxo é que o Chk1 tem um efeito benéfico sobre as células sadias, mas também atua positivamente nas cancerígenas quando elas aparecem no organismo.

"A princípio, o Chk1 previne a aparição do tumor, já que limita as mutações espontâneas que ocorrem em nossas células".

No entanto, os tumores avançados sofrem altas quantidades de danos em seu DNA, e o Chk1 "favorece o tumor diminuindo os danos que este sofre em seu genoma", explica Fernández-Capetillo.

O Chk1 atua protegendo as células do chamado estresse replicativo, que é um tipo de lesão que se produz no material genético das células quando estas se dividem. Assim, há tumores que sofrem de maneira contínua um alto número de lesões em seu genoma devido a suas altas taxas de divisão.

"O crescimento deste tipo de tumor pode ser favorecido pela presença de guardiães do genoma como o Chk1, já que aliviam em parte a carga de danos que sofrem", explica o pesquisador.

"Este trabalho ajuda a entender por que o Chk1 se encontra sobre-expressado em muitos tumores, quando o intuitivo é que seja a perda deste tipo de genes protetores o que favorece o desenvolvimento do câncer", conclui o pesquisador.

Fonte iG

Mãe fala de luta para criar dois filhos que sofrem de doença rara

Foto: BBC Ampliar
Alex antes de ser afetado pela doença: um menino normal
Os dois filhos da inglesa Sara Hunt tinham a doença tema do filme "O Óleo de Lorenzo", mas apenas um conseguiu se tratar a tempo

Em 2001, a inglesa Sara Hunt foi informada de que seus dois filhos sofriam de uma doença genética rara, que ataca o cérebro e o sistema nervoso e pode resultar em deficiência severa e morte.

A doença, adrenoleucodistrofia (ALD), foi tema do filme "O Óleo de Lorenzo" estrelado por Susan Sarandon em 1992. O filme conta a história verdadeira de Lorenzo Odone, diagnosticado com ALD aos seis anos de idade.

Ignorando opiniões de médicos que diziam que o menino morreria dentro de cinco anos, seus pais criaram uma fórmula - uma combinação de ácido erúcico e ácido oléico - que permitiu que Lorenzo vivesse até a idade adulta. Ele morreu recentemente, aos 30 anos.

Anos mais tarde, estudos científicos finalmente comprovaram que o óleo, patenteado pelo pai de Lorenzo, Augusto Odone, diminui significativamente as chances de que portadores da anomalia genética desenvolvam a condição na infância.

Sintomas
Lorenzo começou a apresentar os sintomas de ALD aos seis anos de idade. Sua fala começou a ficar enrolada e ele caía inexplicavelmente. O filho mais velho de Sara Hunt, Alex, tinha sete anos quando foi feito o seu diagnóstico. Os médicos disseram a Sara que a criança viveria apenas um ano. Na época, o irmão de Alex, Ayden, era apenas um bebê.

Como acontece com famílias afetadas por doenças raras, Sara se viu isolada. Havia pouquíssimas pessoas capazes de compreender e compartilhar de sua difícil realidade. E o prognóstico era terrível: assistir, paralisada, enquanto os filhos eram lentamente devorados por uma doença incurável.

"Em um período de nove meses, Alex passou de menino saudável, que andava e falava, para um estado semivegetativo. Ele não conseguia andar, falar, engolir ou ver", disse Sara, que mora em Londres.

Pouca gordura
A deterioração na saúde de Alex foi tão rápida que Sara mal podia assimilar os acontecimentos. E era tarde demais para usar o óleo de Lorenzo, que quando administrado antes de que a doença se manifeste, atrasa ou reduz os sintomas em crianças portadoras da anomalia genética. O óleo não parece ser muito efetivo após o surgimento dos sintomas.

"A devastação só me atingiu após as coisas terem se acalmado um pouco. Eu estava tão ocupada tentando manter as coisas dentro da normalidade, com um bebê sapeca para cuidar, que liguei o piloto automático."

Quando os exames comprovaram que Ayden também tinha a anomalia genética, Sara e o parceiro puseram suas esperanças no Óleo de Lorenzo como forma de evitar que a ALD se manifestasse. Aos 18 meses de idade, Ayden passou a seguir uma rigorosa dieta de pouca gordura. Durante anos, bebia colheradas do óleo diariamente.

"Ele se acostumou, mas o (sabor do) óleo é horrível. Não é gostoso de beber e Ayden não pôde comer chocolates ou outras guloseimas durante a infância."

Pessoas que sofrem de ALD não produzem uma proteína essencial, necessária para fabricar uma enzima que quebra ácidos graxos saturados de cadeias muito longas (VLCFAs na sigla em inglês) ingeridos como parte da dieta. Estudos indicam que o Óleo de Lorenzo talvez ajude a diminuir os índices desses ácidos graxos. No entanto, quando exames revelaram que a ALD havia começado a se manifestar no cérebro de Ayden, a única opção para ele era um transplante de medula de alto risco, que acabou sendo bem-sucedido.

"Todas as células do doador foram assimiladas, então ele não vai mais desenvolver ALD", disse Sara Hunt.

"Ele é um adolescente atrevido, fazendo o nível secundário na escola. Quem o vê hoje não sabe que ele teve um problema."

Doença rara
Alastair Kent, presidente da entidade beneficente britânica Rare Disease UK, dedicada a auxiliar pessoas que sofrem de doenças raras, disse que 3,5 milhões de pessoas são afetadas na Grã-Bretanha por cerca de 6 mil doenças raras.

Por definição, uma doença rara é aquela que afeta menos do que cinco em cada 10 mil pessoas. A grande maioria, no entanto, afeta menos de uma em cada 100 mil pessoas. O grande desafio, ele explica, é obter o diagnóstico correto rapidamente e depois acessar o tratamento certo.

"O treinamento de um médico pode fazer com que ele pense que uma doença rara é uma manifestação um pouco estranha de uma coisa comum, em vez de uma manifestação comum de uma doença estranha".

Kent disse que famílias afetadas por doenças raras acabam tendo de se apoiar em recursos próprios e em pessoas que estão na mesma situação. Sara concorda. Por isso, em 2004, criou sua própria ONG, a ALD Life. A entidade oferece apoio e aconselhamento sobre a Adrenoleucodistrofia.

Seu filho Alex tem hoje 19 anos de idade. A ALD deixou-o completamente dependente e com grande dificuldade em se comunicar, mas a doença está estabilizada. Ele recebe cuidados de uma equipe de enfermeiros e faz atividades que lhe permitem manter uma certa rotina e dão estrutura à sua vida.

"Ele só pode se comunicar piscando. Duas piscadas para sim, uma piscada para não. Ele deixa muito claro quando não gosta de algo", disse Sara, rindo.

Fonte iG

Cerveja, bala e salsicha têm substância cancerígena do refrigerante

Entidade faz alerta sobre substância perigosa
 presente no corante dos refrigerantes tipo cola
Especialistas alertam que ainda não há risco comprovado do 4-MI à saúde, mas dieta saudável já exclui estes alimentos

A substância cancerígena 4-metinilizadol (4-MI), também chamada de corante caramelo, está presente nos refrigerantes tipo cola (Coca-Cola e Pepsi são os mais conhecidos) e também em outros produtos que fazem parte da dieta pouco saudável do brasileiro.

Cerveja, achocolatados, doces de confeitaria, molhos curry e vinagre, além de salsichas, sopas e sucos industrializados são só alguns exemplos.

Na semana passada, um comunicado feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor dos Estados Unidos alertou sobre o risco aumentado de câncer em camundongos expostos às doses altas do 4-M1.

A entidade – sigla em inglês CSPI – pediu providências do órgão sanitário norte-americano, o FDA, que regula o consumo de alimentos e medicamentos nos EUA. O FDA se posicionou dizendo que ainda não há evidências sólidas sobre os prejuízos acarretados à saúde humana e que seria necessário beber “mil latinhas de refrigerante por dia para ter algum efeito tóxico”.

Ainda assim, o estado da Califórnia (EUA) determinou a redução da substância nos refrigerantes cola de 150 mg para o limite máximo de 29 mg – caso contrário, mensagens de alerta sobre as sequelas tóxicas devem estampar as embalagens dos produtos.

A Coca-Cola, em comunicado oficial, anunciou que pode modificar a sua fórmula, sem que o sabor ou coloração do produto sejam alterados. Nos Estados Unidos, a modificação na produção industrial já começou, conforme noticiou o jornal inglês The Guardian.

Alimentos desnecessários
Apesar dos refrigerantes terem motivado a discussão sobre a segurança do consumo do corante caramelo, a bebida gaseificada não é a única que utiliza esta substância.

Uma revisão de estudos realizada no ano passado pela European Food Safety Authorty (EFSA) informou que entre as principais fontes alimentícias de 4-MI no continente europeu estão, além de refrigerantes, a cerveja, os achocolatados, as salsichas, os doces de confeitaria, o vinagre, o molho curry, os temperos em geral, além do pão de malte, sucos industrializados entre outros.

No painel divulgado, a EFSA alertou que não foi comprovado o efeito cancerígeno em humanos devido o consumo do corante mas que ainda são necessários "mais estudos".

“Muitos alimentos utilizam o corante caramelo além dos refrigerantes, doces e balas de caramelo, por exemplo”, afirma o toxicologista do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP, Anthony Wong.

“Não temos nenhuma evidência, entretanto, de que o efeito tóxico da substância (4-MI) é cumulativo e nem sabemos qual é a dosagem consumida com base nestas diversas fontes”, completou. “Mas o fato é que os alimentos que utilizam o corante não são, por essência, saudáveis. De qualquer forma, eles devem ser consumidos com moderação independentemente da associação com a substância cancerígena.”

 O professor de toxicologia e farmacologia da Universidade de Caxias do Sul, e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, Carlos Augusto Mello da Silva, alerta que ainda é preciso esperar evidências sólidas sobre o real risco do corante e o posicionamento dos órgãos reguladores.
“Mas para as pessoas que estão apreensivas, é bom alertar que o corante não é um nutriente essencial à saúde. Em vez de refrigerante, pode se optar por sucos de frutas naturais ou água mineral”, sugere.

No Brasil
Na avaliação de Wong, a restrição mais incisiva ao uso do corante caramelo deveria ser adotada como norma sanitária no País, como foi feito recentemente com a utilização do bisfenol A – composto cancerígeno presente em mamadeiras e chupetas, proibido no ano passado.

“A Califórnia é um estado que dita as normas de segurança ambientais e alimentícias para o mundo. Precisamos ficar atentos”, disse o toxicologista.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou, por meio da assessoria de imprensa, que “acompanha o caso da restrição do 4-MI” mas que não há previsão de nenhuma alteração nas quantidades máximas da substância nos refrigerantes.

Fonte iG

Estudo sugere ligação de carne vermelha com câncer renal

Churrasco: a refeição gaúcha mais tradicional
deve ser consumida com parcimônia
Adultos de meia-idade que consumiam mais carne vermelha tinham 19% mais chances de serem diagnosticados com a doença

Quem come muita carne vermelha pode ter maior risco de desenvolver alguns tipos de câncer renal, segundo um estudo feito nos EUA com milhares de adultos.

Os autores do artigo publicado na revista American Journal of Clinical Nutrition concluíram que adultos de meia-idade que consumiam mais carne vermelha tinham 19% mais probabilidade de serem diagnosticados com câncer nos rins do que aqueles que faziam um consumo moderado.

A maior absorção de substâncias químicas presentes na carne grelhada ou assada na brasa também foi associada a um maior risco.

"Nossas conclusões corroboram as recomendações alimentícias para a prevenção do câncer atualmente, divulgadas pela Sociedade Americana do Câncer – limitar o consumo de carne vermelha e processada, e preparar a carne por métodos de cocção, como cozida ou assada no forno", disse Carrie Daniel, coordenadora da pesquisa, ligada ao Instituto Nacional do Câncer dos EUA.

Estudos anteriores examinando a associação entre carne vermelha e câncer renal chegaram a resultados ambíguos, por isso Daniel e seus colegas usaram dados de um estudo que envolveu quase 500 mil adultos maiores de 50 anos, que responderam a questionários sobre seus hábitos alimentares – incluindo o consumo de carne – e então foram acompanhados por uma média de nove anos.Durante esse período, 1.800 participantes - menos de 0,5% – foram diagnosticados com câncer renal.

Na média, os homens envolvidos no estudo consumiam de 57 a 85 gramas de carne vermelha por dia, enquanto as mulheres comiam de 31 a 57 gramas. Os participantes que consumiam mais carne vermelha – cerca de 115g por dia – tinham 19% mais propensão a serem diagnosticados com câncer renal do que os que comiam até 31g por dia.

A análise levou em conta outros aspectos que poderiam influenciar o risco de câncer, como idade, raça, consumo de frutas e legumes, tabagismo, consumo de álcool, hipertensão e diabetes.

O risco de câncer renal era agravado também entre pessoas que comiam a carne mais bem passada, o que eleva sua exposição a substâncias químicas decorrentes do preparo. O estudo não afirma que a carne vermelha, ou a carne bem passada, causa câncer renal.

Como lembrou o epidemiologista Mohammed El Faramawi, da Universidade do Norte do Texas, muita gente passa a vida comendo carne sem ter câncer nos rins, ao passo que há pessoas que quase não comem carne e desenvolvem a doença.

"A carne vermelha é uma importante fonte de ferro, tem proteínas", disse El Faramawi, que não trabalhou no estudo, e recomendou que as pessoas não parem de comer carne vermelha – apenas sigam as orientações alimentares dos especialistas.

Daniel disse que são necessário mais estudos para compreender por que a carne vermelha parece estar associada a determinados tipos de câncer, e não a outros.

Por enquanto, disse ela, a recomendação é reduzir o tempo de cocção da carne, não expô-la diretamente às chamas ou ao metal quente, e usar o micro-ondas para cozinhar parcialmente a carne antes de expô-la a altas temperaturas.

Fonte iG

Consumo diário de carne vermelha aumenta risco de morte

Carne vermelha: consumo diário aumenta o risco
de morrer de doenças cardíacas e de câncer
Pesquisa apontou ainda que substituir carne por peixe e frango pode reduzir o risco de morte prematura

Comer uma porção diária de carne vermelha processada pode aumentar o risco de morte prematura em até 20%, segundo estudo realizado com mais de 120 mil pessoas nos Estados Unidos e divulgado esta semana.

O estudo, feito por especialistas da Universidade de Harvard, em Massachussetts (EUA), dá evidências de que comer carne vermelha aumenta o risco de doenças do coração e câncer. No entanto, também sugere que substitui-la por peixe e carne de frango pode reduzir o risco de morte prematura.

"Este estudo oferece evidência clara de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para uma morte prematura", disse Frank Hu, autor principal do estudo, publicado na revista Arquivos de Medicina Interna.

Os cientistas trabalharam com base em dados de um estudo feito com 37.698 homens, acompanhados por 22 anos e de 83.644 mulheres, estudadas por 28 anos. Os participantes foram consultados sobre seus hábitos alimentares a cada quatro anos.

Aqueles que comiam uma porção diária de carne vermelha da espessura de um baralho de cartas, demonstraram um risco 13% maior de morrer do que aqueles que não comiam carne vermelha com tanta frequência. Se a carne vermelha era processada, como salsichas ou toucinho, o risco aumentava para 20%.

No entanto, substituir a carne vermelha por nozes provou reduzir o risco de mortalidade total em 19%, enquanto o consumo de grãos integrais ou de carne de ave diminuiu o risco em 14% e o peixe, em 7%.

Os autores afirmaram que de 7% a 9% de todas as mortes no estudo "poderiam ser evitadas se todos os participantes consumissem menos de meia porção diária de carne vermelha total".
A carne vermelha processada demonstrou conter ingredientes como gorduras saturadas, sódio, nitritos e outras substâncias, vinculadas a muitas doenças crônicas, inclusive doenças cardíacas e câncer.

"Mais de 75% dos 2,6 trilhões de dólares em custos anuais de cuidados com a saúde dos Estados Unidos são de doenças crônicas", afirmou Dean Ornish, médico e especialista em dietas da Universidade da Califórnia em San Francisco, em comentário que acompanhou a pesquisa.

"É provável que comer menos carne vermelha reduza a morbidade com estas doenças, reduzindo assim os custos com atenção médica", emendou.

Fonte iG