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segunda-feira, 19 de março de 2012

KPC: Surto em 2010 causou mortes em hospitais

Um surto de infecção pela superbactéria KPC que veio à tona em outubro de 2010 causou mortes no Distrito Federal e em São Paulo. Entre 2009 e 2010, mais de 180 pessoas foram contaminadas no Distrito Federal. Foram 18 mortes. Em São Paulo, 24 mortes foram atribuídas à infecção no período.

Hospitais públicos e privados de São Paulo tiveram de isolar pacientes internados em UTIs para evitar a disseminação da superbactéria. Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina também tiveram casos da doença.

A falta de controle sobre infecções hospitalares e o uso indiscriminado de antibióticos nas instituições foram fatores levantados como possíveis causas do problema.

Em 2010, a Vigilância Sanitária aprovou uma resolução que tornou obrigatória a retenção de receita de antibióticos nas farmácias. A prevenção contra a resistência das bactérias aos remédios foi um dos motivos da decisão.

Fonte Folhaonline

"Brasil deveria ter vetado adição de açúcar ao cigarro", diz historiador dos EUA

Uma montanha de documentos sigilosos da indústria do tabaco, tornados públicos por causa de processos judiciais, são a matéria-prima do historiador americano Robert Proctor no livro "Golden Holocaust" ("Holocausto Dourado", sem edição no Brasil).

Usando a munição dada pelos próprios fabricantes, o professor na Universidade de Stanford mostra como a indústria alterou o produto para causar cada vez mais dependência e relata suas estratégias para incluir o cigarro no cotidiano, como a promoção de aulas para mulheres aprenderem a fumar.

Questões raciais também aparecem no exaustivo trabalho do pesquisador. Segundo os documentos, um fabricante afirma que os negros americanos gostam de cigarros mentolados porque eles esconderiam seu "odor racial".

Proctor, 57, falou por telefone à reportagem e comentou a resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que baniu os cigarros com aromas mas manteve a permissão à adição de açúcar ao tabaco, decisão errada, na opinião dele.

Folha - O Brasil acaba de proibir cigarros com sabor, como mentolados. O uso do açúcar, que também estava na pauta de discussão, continuou permitido. Foi o passo certo?
Robert Proctor - Não. Deveriam ter proibido também o açúcar, porque ele torna o tabaco muito mais mortífero.

Isso tem a ver com o fato de a presença de açúcar no cigarro facilitar a inalação da fumaça?
Sim, toda a epidemia de câncer de pulmão no mundo é devida à grande proporção de açúcar adicionado ao tabaco. A coisa mais importante, porém, seria eliminar a nicotina.

Se isso fosse feito, seria a medida de saúde pública mais importante na história da humanidade. É isso o que a indústria não quer. Documentos secretos mostram que eles sabem que, se a nicotina for retirada, as pessoas não vão mais fumar e o negócio deles será liquidado.

Nessa regulamentação, os protestos da indústria foram centrados na questão do açúcar, que acabou permitido.
A indústria é poderosa e acaba conseguindo o que quer. O interessante seria voltar ao processo de fabricação pré-século 19 e só permitir cigarros que façam uma fumaça com pH [nível de acidez] 8 ou maior.

A indústria faz os cigarros para que eles sejam tragáveis ao máximo para causarem a maior dependência possível. Qualquer regulamentação que propusesse isso ia ameaçar os lucros. Eles querem ter controle sobre o processo produtivo e não querem que ninguém os diga o que fazer.

A indústria aqui diz que não há prova de que os cigarros com sabor façam mais mal que os cigarros comuns. Como as pessoas têm a liberdade de comprar cigarros, também deveriam poder comprar os aromatizados.
Uma tragada no cigarro mentolado não é pior do que no cigarro comum. Mas o fato de que há mentol no cigarro o deixa mais mortal porque torna mais fácil começar e continuar a fumar e engana as pessoas, fazendo-as pensar que os cigarros são mais seguros.

Cigarros mentolados são quase um tipo de doce. Muitos dos ingredientes usados pela indústria têm a função de transformar o cigarro num docinho.

Você propõe que os cigarros industrializados sejam proibidos e que cada um plante o seu tabaco se quiser fumar. Você acredita que isso vá acontecer num futuro próximo?
Sim, não tenho dúvida. Não sei se em 20, 30 ou 50 anos, mas vai acontecer. O cigarro é ambientalmente insustentável. E os fumantes não gostam do fato de que fumam.

Cigarro não é uma droga recreativa, é um vício. A maioria dos fumantes diz que gostaria de parar, mas não consegue. É tão difícil de largar quanto heroína e cocaína. Pesquisas mostram isso.

A defesa da venda dos cigarros se baseia na liberdade individual. Por que você não concorda com esse argumento?
Isso é orwelliano, kafkaniano. A indústria está dizendo que escravidão é liberdade. Fumar rouba a sua liberdade, não cria liberdade. As pessoas são condenadas a fumar, é uma escravidão. É muito diferente de beber. Só 3% das pessoas que bebem são alcoólatras. Mas 80% ou 90% dos fumantes são viciados. "Fumar não é como beber, é como ser um alcoólatra." Essa citação é de um documento secreto de uma fabricante de cigarros do Canadá. Eles sabem disso.

O que não fazem é tornar a informação pública. Eles nunca admitiram que milhões morreram por causa do cigarro, que fizeram anúncios dirigidos a crianças, que manipulam a química da nicotina para maximizar o vício. Ração para cachorro tem regulamentações mais rigorosas. Eles nunca divulgam os ingredientes contidos no cigarro. Se os fumantes soubessem o que tem ali, ficariam estarrecidos.

Como uma indústria que faz tudo isso conseguiu prosperar no mundo todo?
É o vício duplo. Os governos têm culpa porque encorajam o tabaco, é muito fácil cobrar impostos em cima dele. Na Inglaterra nos anos 50, 20% das receitas estatais vinham de impostos sobre cigarros. Na China, há dez anos, a fatia era de 12%. É sempre assim: o ministério da saúde odeia o cigarro e o das finanças, adora. Hoje, isso diminuiu bastante, mas o cigarro ainda é uma fonte importante de renda para o governo.

A outra razão é que não foi até 50 anos atrás que surgiram provas irrefutáveis de que o cigarro matava. Houve muito ignorância. É difícil imaginar uma indústria com mais poder do que a do tabaco. Eles penetraram e corromperam todos os aspectos da sociedade. Por isso é tão difícil pará-los.

Uma das partes mais interessantes do livro é a descrição de como o cigarro foi inserido no cotidiano, como a colocação de cinzeiros em carros. Na sua pesquisa, qual foi a 'inserção' mais curiosa que você encontrou?
Um dos meus achados favoritos é que o computador mais poderoso do mundo nos anos 50, o SAGE, projetado para preparar a terceira guerra mundial, detectando mísseis soviéticos, tinha cinzeiro e isqueiro embutidos. Você poderia apagar seu cigarro enquanto orquestrava o fim do mundo.

Fonte Folhaonline

Dormir menos faz pessoa comer mais comida calórica

Dormir menos provoca mais danos ao corpo do que um cansaço posterior. Segundo um novo estudo, quem tem uma hora e 20 minutos a menos de sono desenvolve a a tendência de consumir 549 calorias extras --o equivalente a um lanche de fast-food.

Apesar de apenas 17 pessoas serem incluídas participado da pesquisa, estudos anteriores já indicaram uma relação entre a falta de sono e a obesidade.

As condições analisadas desta última pesquisa englobaram medição de horas dormidas no experimento, alimentos consumidos e atividades físicas.

Mas, entre outros itens, o que chama a atenção é que o hábito alimentar dos que dormiram livremente não mudou, enquanto que o oposto foi verificado no grupo que teve o sono privado.

Estudos anteriores indicam que menos horas de sono afeta o consumo de comida pela redução da produção de um hormônio, a leptina, que inibe o apetite. Ao mesmo tempo, aumenta um outro, a grelina, conhecido também como o "hormônio da fome".

Neste, organizado por médicos cardiologistas da Mayo Clinic, uma companhia norte-americana de saúde, descobriu-se que o processo é inverso. Os níveis de leptina aumentaram e o de grelina, diminuíram, quando a pessoa dormiu menos.

O autor principal do estudo, Virend Somers, acrescenta: "E quanto mais gordura você tem, mais leptina você produz."

Para chegar a essa conclusão, os voluntários tiraram três noites de sono em que puderam dormir uma média de seis horas e 30 minutos.

Depois, foram divididos em dois grupos, com nove deles seguindo o modelo-padrão de sono durante oito dias. Os demais reduziram o período para uma média de cinco horas e dez minutos --o mesmo que uma hora e 20 minutos a menos de sono.

Somers lembra que este é um estudo piloto e precisa ser aprofundado. Mas cita: "Muitos jovens passam horas usando a tecnologia, como em websites como o "Facebook", impedindo-os de ter sono [considerado] suficiente. Isto possui um impacto na obesidade? Talvez sim."

O estudo foi apresentado nesta semana no encontro da Associação Americana do Coração, em San Diego.

Fonte Folhaonline

Sala híbrida faz cirurgia e procedimento não invasivo simultaneamente

O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, inaugura nesta quinta-feira (15) uma sala híbrida de cirurgia, onde poderão ser feitos, ao mesmo tempo, cirurgias abertas e procedimentos não invasivos.

Nesse espaço, pacientes de todas as idades que tiverem problemas de complexidade moderada ou alta podem ser tratados simultaneamente com o cateter e o bisturi.

A ideia é unir uma equipe de especialistas de diferentes áreas, como cardiologistas clínicos, cirurgiões cardíacos, médicos intervencionistas, especialistas em exames de imagem e anestesistas.

"A sala híbrida une o melhor dos mundos da cirurgia e da medicina intervencionista", afirma Amanda Sousa, diretora-geral do Dante Pazzanese. "Queremos ampliar o uso dos procedimentos não invasivos com mais versatilidade", diz.

Um dos destaques da sala é um equipamento robótico que faz raio-X, ultrassom e tomografia para que o médico veja melhor o coração e os vasos sanguíneos. Isso pode ajudá-lo, por exemplo, a posicionar um stent (implante para desobstruir artérias).

As imagens são feitas durante o procedimento para guiar os especialistas e podem ser transmitidas em segundos para as oito telas que ficam ao redor dos médicos.

Os monitores também mostram exames anteriores e podem sobrepor resultados novos aos antigos.

Esse tipo de sala, comum nos hospitais dos EUA e da Europa, nasceu da necessidade de tratar casos cada vez mais complexos de forma menos invasiva.

"Hoje os pacientes são mais complicados, principalmente os adultos, que vivem mais e têm mais doenças associadas. Mas nem por isso vamos deixar de tratá-los da maneira mais conveniente", afirma José Eduardo Sousa, diretor do Centro de Intervenções Estruturais do Coração do Dante Pazzanese.

Editoria de arte/Folhapress

Tendência
No Brasil, a tendência é que as salas híbridas também sejam mais comuns. O InCor (Instituto do Coração da USP) inaugurou a sua em 2011, mas ainda não começou a operar.

O HCor (Hospital do Coração) deve inaugurar duas salas híbridas no segundo semestre, no novo prédio que está sendo construído. O Hospital Pró-Cardíaco, no Rio, vai ter a sua daqui a três meses.

Já o Albert Einstein deve inaugurar, em novembro, a primeira sala híbrida do país com um robô para cirurgia (a mais nova versão do sistema da Vinci), segundo Robinson Poffo, cirurgião do hospital.

Luiz Carlos Bento de Souza, diretor da divisão de cirurgia do Dante Pazzanese, diz que a gama de problemas que podem ser tratados na sala é grande e inclui aneurismas e defeitos congênitos.

Com a sala híbrida, é possível, por exemplo, fazer uma ponte de safena com cirurgia aberta e trocar, por cateter, uma válvula aórtica.

"Tudo é feito em um só tempo, sem ter de fazer um procedimento e, depois de alguns dias, fazer outro. Isso reduz os riscos, o tempo das operações e o risco de mortalidade", diz Eduardo Sousa.

A diretora-geral do Dante Pazzanese, Amanda Sousa, afirma que a sala híbrida é mais do que a simples união da sala de cateterismo e dos equipamentos cirúrgicos.

Pedro Lemos, diretor do serviço de hemodinâmica e cardiologia intervencionista do InCor, concorda e lembra que só os equipamentos não bastam. "O conceito é unir a expertise de todos os profissionais envolvidos e ampliar as possibilidades da cirurgia e do minimamente invasivo."

Fonte Folhaonline

Prótese metálica de quadril é reprovada por estudo britânico

Um estudo baseado no maior banco de dados do mundo sobre colocação de próteses de quadril reprovou as que são feitas só de metal.

Segundo os pesquisadores do Reino Unido, esse tipo de prótese tem expectativa de vida mais baixa do que as de outros materiais, como cerâmica e metal com polietileno. E eles são enfáticos em sua conclusão: próteses de metal-metal com haste não deveriam ser implantadas.

O problema desse dispositivo é que os resíduos de cromo e cobalto (material das próteses) podem provocar uma reação alérgica nos tecidos ao redor do implante, causando dores, falsos tumores (sem células cancerosas) e até destruição óssea.

Cerca de 56 mil próteses de quadril são colocadas por ano no Brasil, de acordo com Luiz Sérgio Marcelino Gomes, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Quadril. Só de 4% a 5% delas são metálicas. A maioria usa cerâmica.

A publicação do estudo, no "Lancet", foi feita dez dias depois de o "British Medical Journal" divulgar uma investigação, feita com a BBC, que mostra como os íons metálicos podem se infiltrar nos tecidos dos pacientes com implantes de metal.

A agência reguladora britânica anunciou novas diretrizes, recomendando que essas pessoas façam avaliações anuais com exame de sangue e ressonância magnética para pacientes sintomáticos.

Editoria de arte/Folhapress

Sobrevida 
A análise feita no estudo do "Lancet" levou em conta mais de 400 mil implantes de diferentes materiais, sendo cerca de 31 mil de metal-metal, entre 2003 e 2011.

Com uma taxa de revisão (cirurgia para a troca de algum componente do implante) de 6,2% dos pacientes em cinco anos, as próteses metálicas falharam mais rapidamente do que as outras.

Os resultados foram quatro vezes piores para as mulheres e, uma novidade, também foram ruins para os implantes com cabeças do fêmur mais largas.

Segundo o estudo, acreditava-se que o dispositivo com cabeça maior teria um desfecho melhor, mas os resultados mostraram o oposto. Já as de cerâmica tiveram um resultado mais favorável com as cabeças maiores.

Consenso
Especialistas divergem sobre a proibição das próteses de metal-metal sugerida pelos pesquisadores.

"Muita gente acredita que a liberação de íons não cause nada, mas não se sabe o que pode acontecer a longo prazo. Eu nunca implantei prótese de metal-metal e acho que muita gente vai repensar suas práticas a partir desse artigo", diz Giancarlo Polesello, ortopedista, com especialização em cirurgia de quadril e artroscopia.

Já Luiz Sérgio Marcelino Gomes afirma que a sobrevida de cada prótese depende da recomendação. A metálica, afirma, tem indicação restrita: homens de 20 a 50 anos que praticam exercícios físicos, já que a prótese tem alta resistência a impactos.

"O uso tem que ser criterioso. O que precisa é ter a designação correta." Ele diz ainda que as reações acontecem em um percentual muito baixo dos pacientes.

Já Lafayette Lage, ortopedista especializado em cirurgia de quadril, ressalta que o estudo se refere à prótese de metal-metal com haste e não à metálica de recobrimento, que não tem essa estrutura.

"O problema é que a junção da haste com o cone provoca um desgaste violento." Ele explica que ela também solta íons metálicos, mas nenhum trabalho relatou maiores problemas por isso.

"Não é preciso ficar alarmado, mas tem de fazer um acompanhamento anual. Muitos só vão ao médico quando surge um problema."

Fonte Folhaonline