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sexta-feira, 23 de março de 2012

Clube instala máquina para vender maconha na Nova Zelândia

Partidários da legalização da erva colocaram equipamento em local que virou sede da organização para reforma das leis

Os partidários da legalização da maconha na Nova Zelândia desafiaram as autoridades com a colocação de uma máquina vendedora de Cannabis em um clube de Auckland, a preço similar ao do mercado negro.

O aparelho é parecido com as máquinas que vendem a erva com fins terapêuticos na Califórnia, nos Estados Unidos, e por 20 dólares neozelandeses (cerca de 16 dólares ou 12,3 euros) é possível conseguir um grama da erva.

As autoridades permitem, no momento, que a máquina continue funcionando no clube "The Daktory", situado no oeste de Auckland, onde está a sede da organização nacional para a reforma das leis sobre maconha.

A iniciativa foi adotada para evitar o perigo que os sócios corriam quando tinham que comprar a droga nas ruas, disse a presidente da corporação, Julian Crawford em entrevista à TV, ao explicar que desde então as transações à noite diminuíram muito.

As plantas e sementes de maconha estão classificadas como drogas da classe C em Nova Zelândia, que juntamente com a Austrália são os dois países com a mais alta taxa de consumo de maconha e anfetamina de acordo com um estudo publicado na revista The Lancet.

A lei neozelandesa contempla uma pena máxima de três meses de prisão e multa de uns 400 dólares (300 euros) pelo consumo, enquanto que o cultivo e distribuição são penalizados com um máximo de oito anos de cadeia e cerca de 800 dólares (600 euros) de multa.

A maconha sintética esteve liberada na Nova Zelândia até o ano passado, e era vendida livremente em comércios, bem como pela internet. Mas o Parlamento aprovou a proibição temporária para que os cientistas estudem os efeitos colaterais depois que ocorreram vários casos de complicações supostamente relacionados ao emprego da substância.

Crawford assinalou que a máquina constitui um exemplo de como poderia ser regularizada a venda de maconha caso seja legalizada. Enquanto isso, a polícia vigia as instalações como 'parte da rotina' e segue a situação de perto.

"The Daktory" foi inaugurado em novembro de 2008 e tinha milhares de filiados quando o fundador, Dakta Green, foi preso em 2011 por possuir, vender e permitir que seu comércio fosse utilizado para consumo de drogas.

O clube, que fechou as portas e se transformou na sede da organização nacional para a reforma das leis sobre a maconha, reabriu recentemente, ainda que Green continue preso.

Os clubes de Cannabis são populares no estado da Califórnia, nos EUA, onde o uso da maconha é legal para fins terapêuticos. Lá, desde 2008, máquinas em que o paciente escolhe o tipo de mercadoria desejada vended o produto após verificar a identidade do usuário pelas impressões digitais.

Na Holanda, são conhecidos os "coffee shops", onde se consome a droga, ainda que o governo tenha obrigado a que se transformem em clubes fechados com, no máximo, dois mil membros e só abertos a residentes no país.

Vigente desde 1976, a norma de funcionamento desses estabelecimentos holandeses, que na última década diminuíram de 1500 a 660, era apresentada como uma regulação modelo porque mantinha sob controle o uso da droga e reduzia o tráfico ilegal.

A maconha é uma substância polêmica porque possui propriedades terapêuticas, mas também é considerada uma droga com efeitos danosos sem uso médico.

Fonte Estadão

Juiz ordena perícia psicológica de enfermeiros uruguaios

Acusados confessaram praticar 'eutanásia' em pacientes não terminais

O juiz uruguaio Rolando Vomero ordenou a perícia psicológica dos dois enfermeiros assassinos, segundo o auto do processo distribuído nesta quarta-feira, onde esclareceu também que são acusados de 15 mortes e não de 16 como o magistrado havia indicado inicialmente.

Fontes judiciais revelaram à Agência Efe que o enfermeiro Marcelo Pereira foi processado por homicídio especialmente agravado em cinco casos e seu colega Ariel Acevedo pelo mesmo crime em outros dez casos.

Além disso, o auto "decreta o processo e prisão de Andrea Fabiana Acosta", colega de ambos, "por cumplicidade em um delito de homicídio especialmente agravado".

O juiz ordena no documento que "sejam realizadas nos processados perícias psicológicas por especialistas do Instituto Técnico Legista", como havia solicitado a advogada de Acevedo, Inés Massiotti, depois que a perícia psiquiátrica demonstrou que ambos estavam plenamente conscientes de seus atos.

Com essa prova, Massiotti espera demonstrar que a história pessoal de seu cliente pôde ter um efeito em sua conduta e assim atenuar a pena de seu cliente.

O enfermeiro nasceu há 46 anos no interior do Uruguai,foi criado pela avó e violentado por um parente na adolescência. Há poucos anos oficializou sua união estável com outro homem.

Fonte Estadão

Tabaco sem gosto

Por Hélio Schwartsman

Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu proibir a comercialização de cigarros flavorizados, mas manteve a permissão para que a indústria do tabaco continue utilizando açúcares na confecção de seus "blends". Foi uma no cravo, outra na ferradura. Os fabricantes perderam um nicho em que esperavam conquistar o público jovem, mas seu pior pesadelo, o veto aos açúcares, não se tornou realidade.

A pergunta escondida por trás da regulamentação da indústria fumígena é: quanto de fumaça devemos tolerar?

Acho que nem os mais radicais pneumologistas advogam pela proibição do tabaco. Algo semelhante foi tentado em relação ao álcool nos anos 20 nos EUA e o resultado foi Al Capone. Não se tira da legalidade uma droga que é consumida várias vezes ao dia por cerca de 20% da população adulta sem causar uma série de problemas.

Isso não significa, por certo, que não é necessário disciplinar tanto a comercialização como o consumo de cigarros. Estamos, afinal, falando do maior assassino global do planeta, responsável pela morte de 6 milhões de pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso representa 10% do total de óbitos de adultos. Para dar uma ideia da grandeza, o segundo maior risco evitável, o álcool, tira a vida de 2,5 milhões a cada ano.

Como bom liberal, acredito que cada um é livre para fazer o que bem entender consigo mesmo, o que inclui o direito de drogar-se, prostituir-se e rezar para o deus que preferir. O problema, no caso do tabaco, é que as consequências do hábito de fumar não ficam restritas à própria pessoa. Ainda segundo a OMS, 600 mil dos 6 milhões de óbitos ocorrem entre os chamados fumantes passivos, isto é, gente que respira as baforadas alheias.

Isso basta para justificar leis duras de restrição ao fumo em lugares públicos. Há indícios fortes de que elas funcionam e salvam vidas "inocentes". Uma revisão de 2008 feita pelo Instituto de Medicina dos EUA envolvendo 11 trabalhos científicos concluiu que todos apontaram uma diminuição das mortes por moléstias do coração nos lugares onde foram introduzidas regras de banimento da fumaça. Os percentuais de redução variaram entre 6% e 47%.

Também apoio quase sem nenhuma reserva os esforços para reduzir ainda mais drasticamente a propaganda de cigarros, que é voltada principalmente para atrair o público adolescente. Há farta literatura mostrando não só que a publicidade de cigarros é mais presente em pontos de venda frequentados por jovens como também que a exposição da molecada a essas mensagens contribui para a decisão de começar a fumar.

Num estudo publicado em 2004 no periódico "Tobacco Control", pesquisadores da Universidade Stanford liderados por Lisa Henriksen visitaram 50 lojas que vendem tabaco na cidade de Tracy, na Califórnia, e contaram itens como anúncios, espaço de exposição do produto e materiais de marketing.

Simultaneamente, entrevistaram alunos da 5ª à 8ª séries para descobrir quais eram os pontos que eles mais frequentavam. As lojas preferidas pelos adolescentes tinham 3,4 vezes mais material promocional de tabaco do que as demais.

Num outro trabalho, que saiu em 2010 na "Pediatrics", os mesmos pesquisadores reuniram 1.681 adolescentes entre 11 e 14 anos que jamais haviam fumado e os acompanharam por um período de 30 meses.

Após um ano, 18% dos jovens haviam começado a fumar, mas a incidência era muito maior (29%) entre os que frequentavam pontos de venda pelo menos duas vezes por semana do que entre os que o faziam menos de duas vezes por mês (9%). Associações similares foram observadas após 30 meses.

Os pesquisadores também contaram o número de estímulos publicitários a que os jovens eram submetidos semanalmente, dependendo da assiduidade com que iam às lojas e da quantidade de material de marketing nelas presente.

As chances de ter começado a fumar eram 2,36 vezes maiores no grupo mais exposto à propaganda.

Vários outros estudos de diversos países apontam para conclusões semelhantes.

Na verdade, eu iria além do fim da publicidade e obrigaria as tabaqueiras a adotar embalagens genéricas para seus cigarros. Poderiam apenas escrever o nome da marca num maço desenhado pela Anvisa especificamente para eliminar todos os apelos de marketing.

O leitor atento perguntará como um liberal pode apoiar a virtual eliminação da propaganda, que não deixa de ser um caso de liberdade de expressão. Aceito a provocação e me explico. A ideia aqui é que drogas já contêm chamamentos psicofarmacológicos suficientes para dispensar o auxílio de publicitários.

Façamos um experimento mental. Imaginemos que todas as drogas tenham sido legalizadas, como defendo. Estaríamos dispostos a ver mulheres seminuas alardeando as virtudes da cocaína no horário nobre da TV? Acredito que as respostas serão majoritariamente negativas. Substâncias psicoativas devem por certo ser toleradas e colocadas dentro da lei, mas daí não decorre que seu consumo deva ser incentivado através de nenhum tipo de publicidade, um tipo de expressão cuja finalidade declarada é provocar o aumento da demanda.

O que a Anvisa fez, com sua decisão da semana passada, entretanto, é um pouco diferente. Ela não se limitou a regular as condições de comercialização e consumo, mas interferiu na "receita" dos cigarros, quando determinou que eles não poderão mais ter sabor.

Aqui, tenho dúvidas sinceras. Não tanto por achar que a indústria do fumo deve ter liberdade para elaborar o produto que considerar mais conveniente. O histórico dessas firmas é o pior imaginável. Elas já omitiram dados relevantes, mentiram e manipularam a química de seus cigarros com o único objetivo de torná-los mais viciantes e, assim, majorar seus lucros. Receio, porém, que tentar levar a regulação de drogas para o nível dos sabores e da farmacologia é uma canoa furada. Se as agências tiverem sucesso, o que de melhor conseguirão é criar um mercado ilegal.

Talvez este não seja o caso dos cigarros mentolados, mas certamente é o de outros produtos. Se existisse no século 13, quando foi popularizada a destilação do álcool, possibilitando a produção de bebidas muito mais fortes, a Anvisa quase certamente teria se oposto à técnica, que, afinal, ampliou o número de alcoólatras. De modo análogo, a agência poderia objetar contra o refino do açúcar (responsável por muitos casos de diabetes) e a confecção de salsichas (associada a doenças do aparelho cardiovascular).

Se piorar o gosto do que faz mal é uma alternativa válida para promover a saúde pública, então a agência deveria estar considerando resoluções para insossar vinhos e cervejas e para tornar carnes gordas menos saborosas.

A verdade é que não vale a pena tentar apostar corrida contra a tecnologia. Sempre haverá um químico criativo que conseguirá ampliar o poder de drogas e o gosto de alimentos com características nutricionais suspeitas. Isso é especialmente verdade no contexto de uma descriminalização ou legalização dos estupefacientes, que mais cedo ou mais tarde acabará ocorrendo.

Quem ainda tem alguma dúvida pode considerar o número de novas drogas surgidas nas últimas décadas. Entre 1997 e 2005, o Undoc, o escritório da ONU encarregado do combate aos tóxicos, identificou 14 novas substâncias. Como os químicos são mais rápidos que os governos, elas sempre passam um tempinho dentro da lei, até que as autoridades tomem as providências burocráticas para torná-las ilegais.

Acredito que a estratégia para lidar com o problema do vício deve basear-se no binômio boa informação científica e pressão social (inclusive a contrapropaganda). Usando esse par, o Brasil, que não é nenhum paraíso educacional, já obteve um estrondoso sucesso no controle do tabaco. Em 1989, 32% da população com 15 anos ou mais eram fumantes. Em 2008, a prevalência havia despencado para 17,2%. O melhor de tudo é que isso foi feito sem polícia e proibições impostas a cidadãos. Pelo menos de vez em quando pessoas são sensíveis à argumentação racional.

Fonte Folhaonline

Fumo matará 1 bilhão de pessoas até o fim do século

Um bilhão de pessoas devem morrer por uso e exposição ao fumo até o final deste século. O número é equivalente a uma morte a cada seis segundos.

A previsão consta de relatório da Fundação Mundial do Pulmão e da Sociedade Americana do Câncer.

Na última década, as mortes pelo uso de tabaco triplicaram, chegando a 50 milhões. Somente em 2011, 6 milhões de pessoas morreram, sendo 80% delas em países pobres e em desenvolvimento.

De acordo com a fundação, o cigarro e outros derivados de tabaco são responsáveis por 15% das mortes de homens em todo o mundo e 7% entre as mulheres.

As projeções se baseiam no fato de que estudos indicam que o organismo de quem fuma continuadamente fica mais propenso a desenvolver doenças como câncer, ataques cardíacos, diabetes, doenças respiratórias crônicas, dentre outras.

A China é o país onde há mais vítimas do fumo. A cada ano, 1,2 milhão de pessoas morrem em decorrência do uso do tabaco. Esse número deve saltar para 3,5 milhões até 2030, segundo as entidades, que elaboram um atlas com dados sobre os efeitos do tabaco desde 2002.

Conforme o relatório, a indústria do tabaco tem trabalhado em todas as partes do mundo para postergar ou abolir a adoção de medidas contra o hábito de fumar, como propagandas de advertência, leis de restrição ao consumo e introduzindo no mercado produtos ditos de baixo teor.

Nos últimos dez anos, 43 trilhões de cigarros foram consumidos e a produção cresceu 16,5% no mesmo período.

No último dia 13, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a fabricação e venda de cigarros com sabor no país, entre eles, os mentolados e de cravo.

Para a agência reguladora e entidades de combate ao tabagismo, os cigarros com sabor são usados pela indústria para atrair jovens e adolescentes. Os fabricantes rebatem a crítica e alegam que a proibição vai aumentar o comércio ilegal desses produtos no Brasil.

Fonte Folhaonline

EUA criam teste que prevê risco de ataque cardíaco iminente

Células endoteliais circulantes normais (esq.) e de pacientes que sofreram um ataque cardíaco (dir.)
Associeted Press
Células endoteliais circulantes normais (esq.) e de pacientes que sofreram um ataque cardíaco (dir.)

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um exame de sangue que consegue identificar pessoas com chances de sofrer um ataque cardíaco iminente.

Os cientistas chegaram ao método após detectar que as pessoas prestes a sofrer um infarto do miocárdio têm um grupo específico de células profundamente alterado.

As chamadas células endoteliais circulantes ficam literalmente deformadas nesses pacientes. Além de apresentarem distorções na aparência e nos núcleos, elas também ficam mais abundantes em alguém prestes a sofrer uma parada cardíaca.

O resultado do estudo, feito com 50 pacientes vítimas de ataques cardíacos e publicado na revista "Science Translational Medicine", é particularmente importante devido ao caráter silencioso desses episódios.

Em cerca de 50% dos casos de infarto, os pacientes não apresentavam nenhum dos fatores de risco consagrados, como diabetes, colesterol alto ou mesmo tabagismo.

Também não faltam relatos de pacientes que se submeteram a uma bateria de exames, obtiveram resultados considerados normais e, dias depois, sofreram um infarto. Não raro, fulminante.

Já se sabia da relação de alterações nas células endoteliais circulantes com os problemas cardíacos. Mas, como até agora não existia uma metodologia confiável para identificar exatamente em que nível essas mudanças aconteciam, a maioria dos exames de rotina não inclui esse tipo de checagem.

"A habilidade de diagnosticar um ataque cardíaco iminente há muito tempo vem sendo considerado o Santo Graal da medicina cardiovascular", disse em nota Eric Topol, principal autor do trabalho e diretor do STSI (Instituto de Pesquisa Scripps), da Califórnia.

Fonte Folhaonline