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quinta-feira, 29 de março de 2012

Cientistas britânicos criam técnica para diagnosticar tumores cerebrais

Câncer no cérebro são difíceis de diagnosticar e matam um em cada dez vítimas - Reprodução
Câncer no cérebro são difíceis de diagnosticar e matam um em cada dez vítimas
Corante permite visualizar concentração de proteína relacionada ao câncer

Cientistas da Universidade de Oxford (leste da Inglaterra) criaram uma nova técnica para chegar a um diagnóstico precoce dos tumores cerebrais, que matam um a cada dez pacientes da doença.

Os tumores podem ser tratados com radioterapia ou serem extirpados através de cirurgia, mas são difíceis de diagnosticar e por isso são letais.

A pesquisa consistiu em testar em ratos um corante especial que permite observar a presença e a concentração no cérebro de uma proteína vinculada ao câncer, após submeter o paciente a uma ressonância magnética.

Os resultados do estudo, apoiado pela organização Cancer Research UK, foram publicados nesta segunda-feira pela revista americana "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Para melhorar as taxas de sobrevivência, "é urgente encontrar novos métodos de diagnóstico para detectar este tipo de câncer o mais rápido possível", explicou a investigadora principal do estudo, Nicola Sibson, da organização Gray Institute da Universidade de Oxford.

Nicola acredita que, se os testes clínicos tiverem sucesso e a técnica se generalizar, seu descobrimento permitirá aumentar o número de opções terapêuticas para os pacientes.

"Este emocionante descobrimento revela que uma só proteína pode permitir os médicos a fazer um desenho para detectar se o câncer se estendeu ao cérebro em um estágio muito precoce, quando o tratamento tem mais probabilidade de funcionar", explicou a doutora Julie Sharp, da Cancer Research UK.

Nos últimos anos, os investimentos em pesquisa tornaram possíveis grandes progressos no tratamento dos tumores cerebrais, especialmente em crianças, mas ainda é necessário melhorar os resultados em adultos, ressaltou Julie.

Fonte Estadão

EUA: Apenas 1% segue sete hábitos para coração saudável

Maioria das pessoas ignora recomendações feitas por autoridades de saúde, aponta pesquisa

As autoridades sanitárias de todo o mundo recomendam sete práticas que melhoram a saúde cardiovascular e aumentam a expectativa de vida, evitando infartos ou acidentes cardiovasculares. No entanto, uma pesquisa recente nos Estados Unidos afirma que apenas 1,2% dos 45 mil adultos consultados seguem estas sete dicas.

Os sete hábitos para um coração saudável são: não fumar, fazer exercícios, controlar quatro fatores - pressão arterial, glicose, colesterol e peso corporal - e adotar uma dieta balanceada. Mas segundo o estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard, este foi o grupo que justamente apresentou menor risco de morte por AVC.

Os problemas cardiovasculares já são a principal causa de morte em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. A OMS estima que a cada ano, 17 milhões de pessoas morrem devido a este tipo de problema. Mais de 80% das mortes acontecem em países de baixa renda.

Apesar de estas mudanças de hábitos poderem salvar vidas, a pesquisa publicada pela revista científica Journal of the American Medical Society diz que poucas pessoas realmente levam as recomendações a sério.

Condutas 'opostas'
Os cientistas usaram dados de uma sondagem nacional com quase 45 mil pessoas com mais de 20 anos em três períodos distintos: de 1988 a 1994, de 1999 a 2004 e de 2005 a 2010. Nestes três intervalos, foi revelado que apenas 1,2% das pessoas seguiam as recomendações.

A incidência de fumantes diminuiu entre 23% e 28% desde 1988, mas não houve nenhuma alteração nos níveis médios de pressão arterial, colesterol ou massa corporal.

Quando os pesquisadores analisaram as taxas de mortalidade, descobriram que quem seguia pelo menos seis das sete recomendações tinha 51% menos chances de morrer por qualquer outra causa, em comparação com aqueles que seguiam apenas um dos hábitos. Além disso, o risco de transtornos cardiovasculares caiu em até 76%.

Segundo as estatísticas, os grupos de pessoas que seguiam mais fielmente as recomendações eram mulheres, jovens, indivíduos brancos não-hispânicos e pessoas com maior escolaridade. Para o professor Donald Lloyd-Jones, da universidade americana de Northwestern, o retrato da pessoa com coração saudável nos Estados Unidos é "uma mulher jovem, branca e com bom nível escolar".

"A saúde cardiovascular ideal é perdida rapidamente após a infância, adolescência e juventude, devido à adoção de condutas adversas de saúde vinculadas à dieta, ao peso e ao estilo de vida sedentário, particularmente em camadas da população de piores níveis socioeconômicos."

Para Lloyd-Jones, o problema já extrapola os serviços de saúde pública, que sofrem com as consequências dos maus hábitos da população.

Fonte Estadão

Acupuntura só poderá ser feita por médicos

A acupuntura só poderá ser exercida por médicos, segundo julgamento do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. A decisão, tomada na terça-feira durante análise de recurso interposto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), vale a partir da publicação. O Conselho Regional de Farmácia já avisou que vai interpor recurso. Até julgamento final, no entanto, a proibição valerá.

"Vamos agora conversar para ver como será a aplicação da decisão. Não queremos fazer caça às bruxas ou que consultórios de outras especialidades sejam da noite para o dia fechados", afirmou o ex-presidente do Colégio Brasileiro de Acupuntura, o médico Dirceu Sales. Atualmente existem pelo menos 500 farmacêuticos, fora outros profissionais, que fazem tratamento com acupuntura em seus pacientes.

"É hoje uma atividade legal. Essas pessoas ficarão sem emprego?", diz Paulo Varanda, do Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares.

O CFM argumenta que somente médicos podem fazer diagnóstico e tratamento. "Mas o diagnóstico da acupuntura não é o tradicional. Não se avalia a presença de doença, mas o equilíbrio energético. Está muito distante do que é feito pela alopatia", afirma Sales.

A polêmica se arrasta desde 2001, quando o CFM ingressou com ações contra conselhos de outras categorias profissionais, como psicologia, que permitiam que seus integrantes fizessem acupuntura nos pacientes. O tema também é discutido no projeto de lei que define o que é ato médico, que tramita no Congresso.

Fonte Estadão

Fumar pode aumentar risco de esquizofrenia

Chance da doença é maior naqueles que possuem variantes genéticas para o transtorno mental

O hábito de fumar pode ampliar o risco de desenvolver esquizofrenia em pessoas saudáveis que possuam variantes genéticas para o transtorno mental. A descoberta está em um estudo publicado esta semana pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Boris Quednow, do Hospital Universitário de Psiquiatria em Zurique, na Suíça, e colegas identificaram que em pessoas com tais variantes um marcador neurobiológico para a esquizofrenia se mostrou mais presente entre fumantes do que naqueles que não fumam.

Os pesquisadores investigaram a relação entre variantes do gene TCF4 (“fator de transcrição 4”), cuja presença é conhecida por aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia, com o déficit de processamento de informações associado ao transtorno. O TCF 4 é uma proteína com papel importante na formação cerebral.

O grupo avaliou 1.821 voluntários saudáveis e encontrou 21 mutações para o gene TCF4. Portadores de quatro dessas variantes apresentaram alterações no processamento de informações sonoras, conforme verificado por exames de eletroencefalografia.

Quando os resultados foram ajustados de acordo com o hábito de fumar, os cientistas observaram que, entre os voluntários com as variantes de risco do gene TCF4, os fumantes apresentaram maiores déficits no processamento de informações. Os déficits foram expressivos tanto para os fumantes leves como para os pesados.

“Como fumar altera o impacto do gene TCF4 na filtragem de estímulos acústicos, o hábito também pode aumentar o papel de genes específicos no risco de desenvolvimento da esquizofrenia”, disse Quednow.

De acordo com os pesquisadores, o tabagismo pode se associar com as mutações no TCF4 assumindo um papel importante no desenvolvimento de prejuízos no processamento de informações associado com a esquizofrenia.

“O hábito de fumar deve ser considerado como um importante cofator para o risco de esquizofrenia em pesquisas futuras”, disse Quednow.

Fonte Estadão

Austrália deve ter cigarros sem logomarcas até o fim deste ano

Vinte e cinco anos após ter limitado o fumo em ambientes fechados, a Austrália deve se tornar, no final do ano, o primeiro país a tirar as logomarcas dos maços.

A ideia é usar 75% da frente e 90% do verso do pacote para grandes fotos e mensagens de alerta à saúde. A identificação do produto terá uma forma padronizada, em duas pequenas faixas.

No Brasil, que acabou com os fumódromos no fim de 2011, o banimento às logomarcas não está no horizonte.

Em entrevista à Folha, Jane Halton, secretária do Departamento de Saúde e Envelhecimento da Austrália, disse que uma decisão como essa requer engajamento do governo como um todo, incluindo o do presidente do país.

"É muito, muito mais simples adotar uma política como essa se você tiver coerência dentro do seu governo. Se é visto só como uma questão de saúde, é mais difícil de implementar. E você precisa do seu presidente para dizer: 'Sim, isso é importante, é para o bem do nosso povo'. E é por isso que estamos adotando essa política", afirmou.
Divulgação
Acima, modelo de maço de cigarro proposto pela Austrália, com cores e nomes dos fabricantes padronizados
Acima, modelo de maço de cigarro proposto pela Austrália, com cores e nomes dos fabricantes padronizados

Segundo Halton, o banimento da marca foi o avanço mais lógico no controle do tabagismo na Austrália. Antes disso, o país já havia proibido fumo em carros transportando crianças, alguns aditivos em cigarros e patrocínios distribuídos pela indústria tabagista, afirma.

Ela acredita que países como o Brasil podem se beneficiar dos estudos que levaram a Austrália a decidir contra as marcas. E que essa opção pode ser um dos passos seguintes adotados no Brasil.

Especialistas ouvidos pela *Folha8 durante a 15ª Conferência Mundial Tabaco ou Saúde, realizada na semana passada em Cingapura, entendem que a adoção desse controverso modelo por mais países depende do sucesso da Austrália nas disputas com a indústria do tabaco.

Em pelo menos duas esferas internacionais, o país será questionado pelo descumprimento de acordos comerciais já estabelecidos. "Vamos enfrentar essa luta", afirma a secretária Halton.

A previsão é que o novo maço de cigarro entre em vigor em dezembro de 2012.

Questionada sobre se esse seria o ponto final da Austrália no controle do tabagismo, a secretária diz que o trabalho não chegou ao fim.

"Nós nos comprometemos a implementar os maços e, também, a enfrentar novas formas de publicidade, principalmente para jovens. Estamos trabalhando nas mídias sociais. E precisamos começar a pensar como ser eficazes na abordagem dos jovens, principalmente meninas. Temos muito a fazer."

Fonte Folhaonline