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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aprenda a comer com menos sal

Vilão da hipertensão, o condimento deve ser usado com moderação

Se houvesse uma disputa para definir o vilão da dieta atualmente, certamente o sal desbancaria fortes concorrentes – como o açúcar e a gordura – e abocanharia o primeiro lugar.

Por estar relacionado a uma série de complicações, especialmente a hipertensão arterial, o condimento, formado por uma mistura de cloro e sódio (daí o nome cloreto de sódio), entrou na mira dos profissionais de saúde do mundo inteiro.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou esta semana no Diário Oficial da União novas regras para a propaganda de alimentos e bebidas pobres em nutrientes. As empresas fabricantes, que já estão contestando a determinação, terão seis meses para se adaptar às normas.

Nos Estados Unidos – em abril deste ano, o FDA (Food and Drug Administration) manifestou sua intenção de reduzir o consumo de sal entre a população – espera-se que os primeiros passos sejam dados pela indústria, já que uma boa parte da quantidade ingerida vem justamente dos alimentos empacotados.

Preocupadas com a incidência cada vez maior de pressão alta (e de derrames e infartos decorrentes dessa situação), algumas cidades americanas já partiram para a briga, como é o caso de Nova York, que estabeleceu uma meta de redução da ingestão de sal em 25% nos próximos 25 anos.

Na saúde
Vale dizer que a má fama do condimento é um tanto quanto injusta. De acordo com Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein, “o sal desempenha funções superimportantes no organismo, como equilibrar o volume de líquidos dentro dos vasos sanguíneos e garantir o bom funcionamento do cérebro”. O perigo está, lembra o especialista, no uso excessivo de pitadas para agradar o nosso paladar.

Todos os dias o brasileiro consome, em média, 14 gramas de sal, um valor alarmante, visto que o limite considerado saudável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) não passa de seis gramas – o que corresponde a aproximadamente dois gramas de sódio.

“A longo prazo, o consumo excessivo de sal pode levar ao aumento do volume de sangue, causando pressão sobre os vasos. Com isso, crescem as chances de desenvolver hipertensão arterial”, descreve Carolina Duarte, nutricionista da clínica Nutrício, de Belo Horizonte (MG).

Esse quadro, caracterizado pela pressão elevada, atrapalha o pleno funcionamento do organismo. Isso porque as artérias (responsáveis pela irrigação de vários órgãos) são lesadas, abrindo caminho para o surgimento de uma série de complicações, tais como derrame, cegueira, insuficiência renal, complicações cardiovasculares, entre outras. “É justamente por esse poder de desencadear o surgimento de várias outras doenças que consideramos a hipertensão tão perigosa”, explica a nutricionista mineira.

Caça ao inimigo
Para a nutricionista Tatiane Lima, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo (SP), uma das primeiras medidas que se deve tomar a fim de reduzir a quantidade ingerida de sal é dar um sumiço no saleiro. “Quando ele está sobre a mesa a tendência é colocar umas pitadas extras na comida, mesmo que o alimento já esteja temperado”, comenta.

Evitar ao máximo os alimentos empacotados também é uma boa, já que “pesquisas mostram que cerca de 60 a 75% do sal que consumimos é proveniente de itens industrializados”, observa a nutricionista Gertrudes dos Reis Teixeira Ladeira, da Nutrício. Mas se a tentação for maior, é importante prestar atenção nos rótulos, pois eles não registram a quantidade de sal no alimento, e sim de sódio – que não pode ser maior do que dois gramas por dia, segundo a OMS.

Para quem já tem hipertensão, um aviso: a ingestão deve ser ainda mais controlada. Segundo a nutricionista do Sírio Libanês, muitos pacientes são estimulados a usar dois gramas de sal na comida: um no almoço e outro no jantar. “É preciso lembrar que os alimentos prontos já contêm sal em sua composição”, diz.

Por outro lado, é válido salientar: mesmo quem costuma apresentar pressão baixa não está livre de preocupações. “Quando a pressão está abaixo de 12 por oito, valor considerado normal, não significa que a pessoa pode abusar do sal na comida. Afinal, nada impede que essa pessoa apresente hipertensão no futuro”, frisa Botticini.

Confira dicas para reduzir o consumo de sal na dieta

• Embora não exista um substituto para salgar os alimentos, use o mínimo de sal possível durante o preparo, substituindo-o por ervas como salsinha, cebola, orégano, hortelã, limão, alho, manjericão, coentro e cominho

• Procure não acrescentar sal aos alimentos já prontos. Durante as refeições, tire o saleiro da mesa

• Evite embutidos (lingüiça, paio, salsicha, toicinho defumado), frios (mortadela, presunto, salame), frutos do mar (camarão), defumados e carnes salgadas (bacalhau, charque, carne-seca)

• Evite conservas como pepino, azeitona, aspargo, patês e palmito, enlatados como extrato de tomate, milho e ervilha e maionese pronta. Prefira os alimentos em seu estado natural

• Restrinja o consumo de um aditivo chamado glutamato monossódico, utilizado em alguns condimentos e nas sopas de pacote

• Aperitivos como batata frita, amendoim salgado e castanha de caju contém muito sal e, por isso, devem ser consumidos com parcimônia

• Leia as embalagens e procure comparar os produtos que contêm menor teor de sódio

Fonte iG

Os benefícios do bacalhau para a saúde

Bacalhau assado: proteção para o coração e para os ossos
Peixe tradicional da época reduz o colesterol ruim e ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer

O bacalhau é o prato principal da Páscoa, tão tradicional como a troca de ovos de chocolate. A escolha pelo peixe tem origem católica. Na Quaresma e na Semana Santa, a igreja proibia o consumo de carne vermelha. Dizia que fazia alusão ao sangue derramado por Cristo para salvar os pecadores.

Mesmo para os menos religiosos, no entanto, o bacalhau é presença garantida nessa comemoração. Saboroso, com alto valor nutritivo e de fácil digestão, o peixe também é rico em minerais – como o ferro e fósforo –, vitaminas A, E e D e tem colesterol quase zero.

Além disso, esse alimento contém ômega-3, importante para diminuir o LDL (o colesterol ruim) e triglicerídeos e para aumentar o HDL (o colesterol bom), além de ser importante na prevenção e controle de doenças cardiovasculares, câncer, aterosclerose, hipertensão e desordens inflamatórias e autoimunes. O bacalhau também tem ômega-6, ácido graxo essencial para o sistema imunológico.

A cada 100 g são aproximadamente 350 calorias, 81 gramas de proteína e 50 mg de cálcio (o que, de quebra, ajuda a fortalecer os ossos).

Cuidados
Apesar de todos os benefícios, é importante lembrar que a versão assada é sempre mais saudável do que a frita. E atenção, hipertensos: bacalhau é rico em sódio. A mesma porção de 100 gramas contém 2.087mg de sódio, mais do que as a quantidade máxima indicada para ser consumida em um dia inteiro – 2 mil mg.

“Todo esse excesso pode causar retenção de líquidos”, alerta a nutricionista Bruna Murta, da rede Mundo Verde. Por isso, o peixe é prejudicial também para quem tem insuficiência renal, já que seria necessária a ingestão de mais água para eliminar o sódio em excesso.

Fonte iG

Correr de tênis é mais eficiente do que correr descalço

Tênis: correr com eles é fisiologicamentemais fácil para o corpo
Estudo pioneiro sugere que os tênis tornam a corrida fisiologicamente mais fácil do que correr descalço. Será o fim da polêmica?

Ao longo dos últimos anos, defensores da corrida descalça argumentaram que os calçados modernos de atletismo comprometem a forma natural de corrida.

Agora, porém, um estudo pioneiro sugere que, nas circunstâncias certas, os tênis tornam a corrida fisiologicamente mais fácil do que correr descalço.

O estudo, publicado online no periódico Medicine & Science in Sports & Exercise, começou recrutando 12 homens bem treinados e com grande experiência em correr descalço.

"Um corredor descalço novato se move de maneira muito diferente de alguém que está acostumado a correr sem tênis", disse Rodger Kram, professor de fisiologia integrativa na Universidade de Colorado que supervisionou o estudo.

"Queríamos observar atletas que soubessem o que estavam fazendo, fosse com ou sem tênis."

Especificamente, Kram e seus colegas esperavam determinar se usar calçados era metabolicamente mais dispendioso do que correr descalço. Em outras palavras, usar tênis requer mais energia do que não usá-los?

Alguns estudos anteriores sugerem que, em termos de esforço fisiológico, é mais fácil correr descalço. Afinal, os sapatos possuem massa; eles agregam peso ao pé, e mover peso pelo espaço – o que é feito em cada passo numa corrida – demanda energia.

De modo geral, esses estudos anteriores concluíram que cada 100 gramas adicionais no pé elevam o custo energético da corrida em cerca de 1 por cento. Ao longo de muitos quilômetros, esse 1 por cento é ampliado se o corredor usa tênis de corrida pesados – que podem facilmente pesar mais de 400 gramas.

Mas, para o novo estudo, Kram e seus colegas queriam usar um calçado relativamente leve. Escolheram o Nike Mayfly, um modelo que, conforme indica o nome, é um peso-mosca de menos de 150 gramas.

Os atletas tiveram de correr diversas vezes em esteiras, com e sem tênis. Eles nunca estavam completamente descalços; quando sem os tênis, usavam meias finas para protegê-los contra bolhas e por motivos de higiene.

Em seguida, os pesquisadores prenderam tiras de chumbo de 150 gramas nos pés dos participantes. Adicionando uma quantidade igual de peso aos pés descalços, seria possível descobrir se correr descalço era mais eficiente fisiologicamente do que usar tênis.

Não foi o caso. Quando corredores com e sem tênis carregavam o mesmo peso em seus pés, correr descalço usou quase 4 por cento mais energia em cada passo do que correr com os calçados. Para surpresa dos pesquisadores, correr descalço, comumente classificado por fãs como mais natural, era na verdade menos eficiente.

"Segundo descobrimos, parece haver adaptações que ocorrem durante a corrida e podem tornar o uso de tênis metabolicamente menos oneroso", explicou Jason R. Franz, candidato a doutorado na Universidade de Colorado que conduziu o estudo. O calçado, disse ele, "oferece certo grau de amortecimento". Ao abolir os tênis, "alguma outra coisa terá de amortecer os impactos".

Essa outra coisa, segundo ele e seus colegas, são as pernas. Se o corredor está descalço, o trabalho de absorver algumas das forças geradas quando o pé atinge o solo é transferido aos músculos da perna, processo que Kram chama de "efeito de amortecimento". Como resultado, os músculos da perna se contraem, trabalham mais e exigem energia adicional. O custo metabólico da atividade aumenta

É claro que a maioria dos corredores descalços não vai para a rua usando tiras de chumbo nos pés. Notavelmente, porém, mesmo quando a corrida ao natural foi comparada diretamente com os Mayflys, os tênis venceram. Para oito dos 12 participantes, usar tênis permaneceu levemente mais eficiente do que correr descalço, mesmo com o peso acrescentado pelos calçados.

É importante apontar que o estudo examinou apenas a eficiência metabólica de usar tênis, comparada com não usá-los. Os cientistas não avaliaram a afirmação comum de que correr descalço reduz o risco de lesões.

No fim, a diferença no custo metabólico entre correr descalço ou usando tênis leves é provavelmente de maior interesse para atletas de competição. Os corredores dedicados devem ponderar sobre a opção de ter menos massa em seus pés e gerar uma maior carga nos músculos da perna.

Para o restante de nós, a lição pode ser que, mesmo se não quisermos correr descalços, é melhor investir em tênis leves.

"Existe um custo metabólico em usar tênis de corrida muito pesados", afirmou Franz.

Mas os modelos mais leves, que oferecem amortecimento para poupar os músculos da perna sem massa para desacelerar os movimentos, podem ser a alternativa mais inteligente a ficar descalço, disse ele.

Fonte iG

10 erros dos pais na alimentação dos filhos

Respeitar a rotina e dar o nome certo a cada alimento
são atitudes práticas para a criança comer bem
Forçar a criança a comer e chamar todas as verduras por um nome só: veja os equívocos mais comuns dos pais e saiba porque evitá-los

Com uma alta gama de alimentos industrializados sendo oferecida atualmente, os maus hábitos alimentares podem dar as caras mais cedo do que nunca – e talvez os pais nem percebam. Conversamos com quatro especialistas no assunto para listar os erros mais comuns cometidos pelos pais no que diz respeito à alimentação dos filhos. Leia abaixo e lembre-se que, a partir de agora, você já pode bolar um novo plano para quando a rúcula ou a abobrinha forem à mesa.

1. Dê os nomes certos aos alimentos
Rúcula, alface, escarola, agrião, couve. São diversos vegetais de gostos diferentes mas, na hora de mostrar para a criança, muitas mães colocam todos sob o mesmo rótulo, chamando-os simplesmente de “verdinho”. Para a nutricionista Elaine de Pádua, especialista em alimentação na infância e adolescência e autora do livro “O Que Tem no Prato do seu Filho?” (Editora Alles Trade; leia entrevista com ela aqui), o erro leva a criança a descartar vários alimentos de uma vez só. “Talvez ela goste de couve e não de alface. Mas se tudo for chamado de ‘verdinho’, ela não aceitará nem um, nem outro”, diz.

2. Respeite a rotina da criança
De acordo com Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz e criador do Portal Pediatria em Foco, as crianças precisam ter horários regrados e a alimentação não foge desta regra. Mas é comum que, nos finais de semana, tudo fique fora de ordem e a coisa mude de figura. “E então pode virar um efeito dominó”, diz o especialista. Se a criança almoçar dois dias mais tarde do que o usual, vai ser difícil fazer com que ela almoce novamente no horário correto na segunda-feira.

3. Não faça sempre a vontade da criança
“Os pais precisam deixar claro que são eles que mandam na alimentação”, diz Reibscheid. Quando novos alimentos passam a ser sugeridos, a criança que ainda está acostumada com o leite muitas vezes vai resmungar e resistir à novidade. Nesta hora, a arma dos pais é a perseverança. Vale até mascarar alguns alimentos. Mas sem exageros.

4. Varie na apresentação dos alimentos
A criança precisa de uma alimentação equilibrada e balanceada. Para isso, às vezes é necessário colocar a cenoura que ela nunca quer junto com o arroz, por exemplo, para que comece a aceitar. Mas não pare por aí: se seu filho aceitou a cenoura preparada com o arroz, o que mais pode ser feito? De acordo com Elaine de Pádua, os pais podem partir para um sanduíche com cenoura ou um suflê de cenoura, por exemplo. “A criatividade é muito importante nesta hora e a criança pode conhecer aquele alimento de diversas formas”, comenta.

5. Não seja preguiçoso
Para Alexander Gomes de Azevedo, nutrólogo e autor de “Pais Inteligentes, Filhos Saudáveis” (Editora Diagrama), o maior erro cometido pelos pais é alimentar os filhos com aquilo que é mais fácil de ser feito. O paladar da criança ainda está em formação e alimentá-la com salgadinhos, sanduíches e doces é um mau começo. Vai ser ainda mais difícil fazê-la comer bem no futuro, já que estará acostumada com os vilões.

6. Evite a compensação
É comum muitos pais se sentirem culpados por passarem bastante tempo fora de casa, mas encher as crianças de guloseimas ou levá-las a restaurantes de fast food não só não vai resolver o problema, como pode criar outros. De acordo com a nutricionista Camila Podete, consultora e responsável pela Nutri Materno Assessoria Nutricional, em São Paulo, esse expediente pode deixar a criança desinteressada por alimentos mais saudáveis, já que ela sabe que um prato de espinafre pode ser substituído por outro mais atraente.

7. Desligue a televisão
Pode parecer mais fácil colocar a criança para ver um desenho animado enquanto come, já que ela se distrai, mas Camila Podete recomenda cuidado. “É muito importante o momento da alimentação ocorrer em um local tranquilo. A criança precisa conseguir sentir os sabores da comida, para não recusá-la posteriormente”. Elaine de Pádua ainda comenta que é comum ver os pais levarem DVDs portáteis a restaurantes, para o filho assistir a um filminho enquanto come. “Isso pode atrapalhar muito”, avisa. A criança está aprendendo a mastigar nesta fase e distraí-la pode atrapalhar o processo.

8. Dê atenção aos detalhes
Ao tratar com as crianças, é preciso deixar tudo o mais atraente possível. Muitos pais pensam que não é necessário, mas colocar a mesa e fazer os pratos visualmente interessantes são atitudes que contam muito para seus filhos apreciarem o momento e a comida. “É preciso deixar de achar que a criança não tem gosto e não liga para isso ou aquilo”, diz Elaine.

9. Não force a alimentação
Os pais precisam aprender a aceitar a vontade dos filhos quando eles não querem comer. Marcelo Reibscheid explica: se a criança pedir um copo de leite em vez do jantar, com arroz, feijão, ovo e carne, não se deve atender ao pedido dela, mas tampouco forçá-la a comer. “Se os pais dão o leite, ela irá repetir a atitude. Mas se você disser às 18 horas que é só aquele prato que tem, e permanecer firme, às 20 horas ela vai aceitar”, diz ele.

10. Dê o exemplo
Não adianta querer que seu filho tome um suco de couve enquanto, na frente dele, você toma refrigerante. A regra é simples: se os pais dizem às crianças para não consumir determinado alimento mas, ao mesmo tempo, o consomem, é difícil manter uma linha de coerência e fazer com que os filhos se alimentem de forma saudável. Os pais precisam ser a referência das crianças e fazer pelo menos uma refeição por dia com os pequenos. “Elas vão imitar o jeito de comer, o que vão comer, então é importante para as crianças ver o que os pais comem ou deixam de comer”, completa Camila Podete.

Fonte Delas

Crianças devem fazer regime?


Foto: Reprodução Vogue
Dara-Lynn Weiss e a filha, Bea: artigo polêmico na Vogue americana
Americana expõe dieta da filha de sete anos em revista e levanta o debate sobre a melhor maneira de fazer uma criança perder peso

A produtora Dara-Lynn Weiss se viu em meio a um turbilhão de críticas, e algumas manifestações de apoio, após assinar um artigo na edição de abril da revista Vogue americana contando como conseguiu fazer a filha de sete anos, Bea, perder quase oito quilos.

Além da diminuição da quantidade de comida ingerida pela menina, a dieta consistia em algumas punições feitas publicamente – como arrancar um copo de chocolate quente das mãos da filha diante de outras pessoas. A americana, que deve escrever um livro sobre sua experiência, alega que a perda de peso foi um pedido do pediatra da filha.

“É possível ter um emagrecimento saudável sem a necessidade de humilhação ou punições públicas. O objetivo não é apenas um número na balança, e sim ter mais saúde, tanto física quanto emocional. A perda de peso apenas é um objetivo pobre e, muitas vezes, perverso com a criança”, alerta o diretor de psiquiatria e transtornos alimentares da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade (ABESO), Adriano Segal.

De acordo com a ABESO, mais de 2 milhões de crianças brasileiras de cinco a nove anos apresentam algum grau de obesidade. Diante de números altos como este, não resta dúvidas que crianças com sobrepeso ou obesidade precisam ter uma vida mais saudável. Encontrar a melhor forma de ajudar a criança é o desafio.

Alimentos saudáveis devem fazer parte do
dia a dia da família, não só da criança
Núcleo familiar
Uma das primeiras atitudes para ajudar uma criança a perder peso é observar a dinâmica familiar. A responsabilidade pelo excesso de peso nem sempre está apenas na criança. Não é uma meta real querer que os filhos comam salada de fruta enquanto os pais e irmãos abocanham uma barra de chocolate ou um enorme sorvete. Para funcionar, a mudança de comportamento deve atingir a família e não apenas um de seus membros.

“Não raro, a criança tem pais obesos incapazes de enxergar sua própria doença. A família precisa admitir que está obesa ou que tem comportamento obeso como um todo para que a reeducação alimentar funcione”, ensina Léa Lederer Diamant, especialista em endocrinologia, metabologia e endocrinologia pediátrica do hospital Albert Einstein.

É importante, segundo especialistas, ficar claro que o processo de perda de peso para criança é diferente da tradicional dieta feita por adultos. “Não gosto da palavra ‘dieta’ porque significa restrição, castigo. O caráter punitivo da expressão tira a função educativa que a orientação nutricional deve ter”, explica o pediatra Mauro Fisberg, nutrólogo e professor do departamento de pediatria da Escola Paulista de Medicina.

Enquanto a restrição de alimentos pode funcionar para o adulto, uma criança em fase de crescimento deve ter um tratamento diferente. Segundo Léa, a principal atitude seria retirar alguns alimentos da rotina da criança, como açúcar e farinha branca. Apesar de tentador, proibir carboidratos, por exemplo, não é a solução ideal. “Alguns estudos mostram que a criança engorda mais pelo que bebe do que pelo que come. Uma das atitudes positivas seria trocar os sucos de caixinha e achocolatados por água ou suco natural. É responsabilidade dos pais disciplinar a alimentação dos filhos”.

Outra aliada importante no combate à obesidade infantil é a prática de atividades físicas. A análise caso a caso é a mais indicada, mas Mauro explica que se mexer é essencial, seja como prática esportiva ou apenas recreativa. “Os pais precisam encontrar tempo para essa criança se exercitar. Não pode ter desculpas”.

Cicatrizes emocionais
Em conjunto com o trabalho nutricional, pais e profissionais devem se preocupar com a saúde emocional das crianças. A atitude da americana Dara-Lynn Weiss é um exemplo a não ser seguido, de acordo com a psicóloga pediátrica especialista em obesidade infantil Cláudia Madeira Pereira.

“Estudos e práticas clínicas são unânimes ao afirmar que expor crianças com excesso de peso a situações humilhantes pode ter consequências negativas para o bem-estar psicológico delas. Problemas de comportamento, baixa autoestima, depressão, ansiedade, perturbações alimentares como anorexia ou bulimia e tentativas de suicídios estão entre os problemas que podem ser enfrentados no futuro”, diz Cláudia.

Abordar o problema de forma inadequada também pode estar contribuindo para torná-lo ainda mais sério. Luzia Winandy, psicóloga especialista em psicoterapia psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que justamente por se sentirem pressionadas ou humilhadas as crianças podem descontar suas frustrações na comida. “O excesso de peso pode trazer problemas de saúde graves, mas a família tem a obrigação de tratar este assunto com respeito e afeto. A criança precisa se sentir apoiada e incentivada”.

“O bullying que o obeso sofre comumente começa dentro de casa. As mesmas pessoas que xingam ou apontam falhas que façam a criança se sentir inferiorizada não enxergam que também são obesas ou apresentam comportamento obeso. Precisamos refletir sobre isso no núcleo familiar”, alerta Mauro.

Fonte Delas