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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Governo de SP inaugura serviço para gestantes dependentes químicas

A governo de São Paulo inaugurou nesta terça-feira um serviço especializado no tratamento de gestantes com dependência química no Hospital Psiquiátrico Lacan, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). O serviço vai oferecer dez leitos no hospital para as mulheres que passarem por triagem médica.

"A criação do novo serviço foi feito a partir da observação de um aumento considerável de mulheres que, em razão da dependência, acabavam se prostituindo ou ficando em situação de vulnerabilidade", disse Sérgio Tamai, coordenador de Saúde Mental da Secretaria.

Além de atendimento obstétrico, as mães terão acompanhamento clínico e psiquiátrico. Nos casos mais complexos, a Secretaria da Saúde informou que haverá o auxílio do Hospital Geral de Diadema. O investimento neste novos 10 leitos especializados é de aproximadamente R$ 700 mil ao ano.

A gestante dependente química que queira ter o acompanhamento do serviço deve procurar voluntariamente o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), na rua Prates, 165, Bom Retiro, região central, para passar por processo de triagem.

Após consulta, o médico indicará a necessidade de internação, cujo período será variável, conforme a recomendação terapêutica proposta pela unidade.

A Secretaria informou que vai investir nos próximos dois anos cerca de R$ 250 milhões para implantação de 710 novos leitos de internação para dependentes em álcool e drogas em São Paulo. Entre os projetos, está em fase de implantação mais 15 leitos especializados para tratamento de gestantes em Itapira, no Instituto Américo Bairral.

Pesquisa
Um levantamento feito pela Secretaria de Saúde na maternidade estadual Leonor Mendes de Barros apontou aumento do número de mães dependentes de crack e cocaína que perderam a tutela de seus bebês em razão do vício.

O hospital encaminhou em 2011 para a Vara da Infância e Juventude, 52 crianças cujas mães não tinham condições de manter a guarda do filho em virtude da dependência química. Em 2008, o número foi de 15 crianças.

Outros três hospitais estaduais da capital paulista apresentaram casos de crianças encaminhadas ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância em 2011 em razão de dependência química das mães. Foram 13 ocorrências no Hospital Geral de Pedreira, 14 no Hospital Geral de São Mateus e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba.

Fonte Folhaonline

Aumente seu autocontrole com técnicas de meditação

No instante de fúria, tudo parece conspirar para que você pule no pescoço de alguém: o coração dispara, as pupilas se dilatam, os músculos recebem mais sangue e se preparam para o ataque.

Seria um combate feroz se não fosse seu próprio cérebro, que, sem você contar até dez, se lembra das prováveis consequências do embate.

É fácil concluir que não existe vida social sem autocontrole. A ciência provou e já deu até o endereço de onde fica a regulação das emoções no cérebro. A boa notícia é que as últimas descobertas dão esperanças aos mais impulsivos: com treino, dá para melhorar o controle emocional.

Elisa Harumi Kozasa, neurocientista do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, é uma das autoras de um estudo recém-publicado na revista internacional "NeuroImage". A pesquisa comparou o desempenho de pessoas que meditam com o de quem não medita em uma atividade que exige controle de impulsos. Saiu-se melhor quem meditava.

"O treinamento em meditação modifica as áreas cerebrais. O córtex fica mais espesso em partes relacionadas à atenção, à tomada de decisões e ao controle de impulsos", explica.

Além de meditação, os treinamentos para autocontrole envolvem terapia comportamental e técnicas de reconhecimento facial de emoções. A ideia não é aprender a engolir sapos ou a forjar um pensamento positivo. "Suprimir a raiva ou o estresse é 'autoilusão', não autocontrole. É preciso entender o que causa o impulso, não rejeitá-lo", diz José Roberto Leite, psicólogo e pesquisador da Unifesp.

Emoções são respostas do organismo a estímulos internos ou externos. O que determina o tamanho do pavio da pessoa ou o quanto ela é ansiosa não é só "gênio".

"Há um papel da genética, mas a influência do ambiente e do comportamento é grande. Quem vive em ambientes com pessoas ansiosas tem mais tendência a ser ansioso", explica Kozasa.

Sentir raiva ou nojo, duas emoções universais, é involuntário e fisiológico: todos sentem. Mas o que será feito com esse impulso pode ser uma escolha, de acordo com a monja Coen, primaz da Comunidade Zen Budista. "Podemos controlar o que fazemos com as nossas emoções. Para isso, é preciso saber reconhecê-las e nomeá-las." É aí que entra a meditação.

Editoria de Arte/Folhapress

Atenção plena
"É como arrumar a casa", define Stephen Little, instrutor de práticas de redução de estresse e de autocuidado do Hospital Israelita Albert Einstein. "Meditar ajuda a criar caminhos neurológicos mais claros. É como abrir uma brecha entre a emoção e o instante da decisão."

Como o foco da atenção é redirecionado --por exemplo, para a respiração--, a técnica treina a concentração, fundamental para manter o controle. As distrações contribuem para que sejamos levados pelas emoções, no estilo "deixa a vida me levar", explica Little.

Em um mundo de distrações, concentrar-se não é nada fácil. Quem nunca meditou pode achar a prática difícil pelo simples fato de precisar ficar quieto, sem estímulos externos. O jeito mais simples de conseguir isso é prestando atenção à respiração. Mas há outras formas, como repetir mentalmente uma palavra ou expressão ou deixar o pensamento fluir.

O único porém é que os efeitos não são imediatos. Os melhores resultados aparecem em estudos com pessoas que praticam a técnica há mais de dez anos. "Mas dá para ter uma boa diferença em oito semanas", incentiva Kozasa. Ela se refere a um programa de 45 minutos por dia, com acompanhamento.
A curto prazo, na hora que der vontade de rodar a baiana, o velho truque de controlar a respiração ajuda de verdade (veja abaixo como isso pode ser feito).

A psicóloga Ana Maria Rossi, autora do livro "Autocontrole", afirma que, quando alguém tenta se controlar, o principal erro é o de se concentrar exatamente no sentimento que quer inibir.

"Pensamos: 'Não vou ficar nervosa'. Isso só atrapalha. O cérebro não entende a negativa. É preciso mudar o foco."

Ela recomenda a técnica da visualização: "Quem tem medo de falar em público pode se imaginar em uma situação de completo domínio."

Para José Roberto Leite, não basta só pensar no controle emocional. "Controlar as emoções é apenas um dos aspectos. Se eu não tenho ataques de raiva ou de ansiedade, mas como desesperadamente, não adianta nada. Há vários tipos de controle."

Segundo ele, é comum a pessoa priorizar uma das áreas --a profissional, por exemplo-- em detrimento das outras. "Há várias esferas: a física, a psicológica, a profissional. É preciso encarar a vida como uma empresa que tem que ser gerenciada em vários aspectos, senão vai à falência."

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte Folhaonline

Remoção e extração de dentes

Foto: Colgate
Etapas da extração/remoção de dente
Antes de extrair um dente, seu dentista fará uma revisão completa no seu histórico médico e dentário.

Por que os dentes são extraídos?

Os dentes são extraídos por vários motivos:
- Uma cárie muito profunda no dente;

- Uma infecção que destruiu uma grande porção do dente ou do osso adjacente;

- Não existe espaço suficiente para todos os dentes em sua boca.

Muitos dentistas recomendam a extração de dentes inclusos que nasceram apenas parcialmente. As bactérias podem se instalar em volta de um dente que nasceu parcialmente, causando uma infecção, a qual pode se estender para o osso adjacente e tornar-se um problema ainda mais sério. Os dentes inclusos continuam tentando atravessar o tecido da gengiva mesmo quando não há espaço suficiente para acomodá-los. A constante pressão causada por esta tentativa de erupção pode acabar afetando as raízes dos dentes vizinhos. Remover um dente incluso pode evitar uma infecção, danos aos dentes e osso adjacentes, além de evitar um sofrimento futuro.

Como são extraídos os dentes?
Antes de extrair um dente, seu dentista fará uma revisão completa no seu histórico médico e dentário e providenciará as radiografias necessárias.

As radiografias revelam o comprimento, formato e posição do dente e osso adjacente. Com base nessas informações, seu dentista poderá avaliar o grau de dificuldade do procedimento e decidir se deverá encaminhá-lo para um especialista, no caso, um cirurgião-dentista.

Antes da extração, a área em volta do dente será anestesiada. Os dentistas utilizam um anestésico local para amortecer a área da boca onde a extração ocorrerá.

Na extração simples, uma vez que a área é anestesiada, o dente é descolado do osso com um tipo de alavanca, e então extraído com um fórceps dentário. Seu dentista também poderá suavizar e remodelar o osso que sustenta o dente. Terminada esta etapa, ele poderá optar por fechar a área com alguns pontos cirúrgicos.

O que esperar após uma extração?
É essencial manter a área limpa e prevenir infecções logo após a extração de um dente. Seu dentista pedirá que você morda levemente um pedaço de gaze seca e esterilizada, que você deverá manter no local durante 30 a 45 minutos, a fim de estancar o sangramento enquanto o sangue não coagula. Nas 24 horas seguintes, você não deve fumar, enxaguar a boca vigorosamente ou limpar os dentes próximos ao local da extração.

Pode-se esperar um pouco de dor e desconforto logo após uma extração. Em alguns casos, seu dentista poderá prescrever-lhe um analgésico. Colocar gelo sobre a face durante 15 minutos também pode ajudar. Deve-se, também, beber água com um canudo, limitar atividades bruscas e bebidas quentes. No dia seguinte à extração, seu dentista pode sugerir que você comece a lavar sua boca gentilmente com água morna e sal (não engula a água). Em circunstâncias normais, o desconforto deve diminuir num período de três dias a duas semanas. No caso de dor intensa ou prolongada, inchaço, sangramento ou febre, ligue para seu dentista imediatamente.

Fonte Colgate-Palmolive

Colite ulcerativa

 
Definição
A colite ulcerativa é um tipo de doença inflamatória intestinal (DII) que afeta o intestino grosso (cólon) e o reto.

A colite ulcerativa é classificada de acordo com o local:
  • A proctite envolve apenas o reto
  • A proctosigmoidite afeta o reto e o cólon sigmoide
  • A colite esquerda envolve todo o lado esquerdo do intestino grosso
  • A pancolite inflama todo o cólon

Nomes alternativos

Doença inflamatória intestinal – colite ulcerativa; DII – colite ulcerativa

Causas, incidência e fatores de risco

A causa da colite ulcerativa é desconhecida. Ela pode afetar qualquer faixa etária, embora existam picos nas idades entre 15 e 30 anos e então novamente entre 50 e 70 anos.
A doença geralmente começa na área retal e pode eventualmente se estender por todo o intestino grosso. O inchaço (inflamação) repetido leva ao engrossamento da parede do intestino e reto com tecido cicatricial. A morte do tecido do cólon ou sepse (infecção grave) podem ocorrer no estado grave da doença.
Os sintomas variam em gravidade e podem começar lenta ou repentinamente. Muitos fatores podem levar a ataques, inclusive infecções respiratórias ou estresse físico.
Os fatores de risco incluem um histórico familiar de colite ulcerativa ou ascendência judaica.

Sintomas

  • Dor abdominal e cãibras que geralmente desaparecem após uma evacuação
  • Sons abdominais (um som borbulhante ou esguichante proveniente do intestino)
  • Diarreia, de apenas alguns episódios a muitos durante todo o dia (sangue e muco podem estar presentes)
  • Febre
  • Tenesmo (dor retal)
  • Perda de peso
Entre outros sintomas que podem ocorrer com a colite ulcerativa estão:
  • Hemorragia gastrointestinal
  • Dor nas articulações
  • Náusea e vômitos

Exames e testes

Foto: ADAM
Colonoscopia

A colonoscopia com biópsia geralmente é usada para diagnosticar a colite ulcerativa.
A colonoscopia também é usada para fazer a triagem de pessoas com colite ulcerativa para câncer de cólon. A colite ulcerativa aumenta o risco de câncer de cólon.
Se tiver essa doença, você deverá fazer uma triagem com colonoscopia de 8 a 12 anos depois de ser diagnosticado.
Você deverá fazer uma colonoscopia de acompanhamento a cada 1 a 2 anos.

Outros testes que podem ser feitos para ajudar a diagnosticar esta doença incluem:
  • Enema de bário
  • Hemograma completo
  • Proteína C-reativa (PCR)
  • Taxa de sedimentação de eritrócitos (ESR)

Tratamento

Os objetivos do tratamento são:
  • Controlar os ataques agudos
  • Prevenir ataques repetidos
  • Ajudar a curar o cólon
A hospitalização é frequentemente necessária para ataques graves. Seu médico pode prescrever corticosteroides para reduzir a inflamação. Você pode receber nutrientes por meio de uma linha intravenosa (IV) (através da veia).

DIETA E NUTRIÇÃO
Determinados tipos de alimentos podem piorar os sintomas de diarreia e gases, especialmente durante períodos de doença ativa.

Sugestões de dietas:
  • Ingerir pequenas quantidades de alimento ao longo do dia
  • Beber muita água (consumo frequente de pequenas quantidades ao longo do dia)
  • Evitar alimentos com muita fibra (farelo de trigo, feijões, nozes, sementes e pipoca)
  • Evitar alimentos gordurosos ou fritos e molhos (manteiga, margarina e nata)
  • Limite o consumo de produtos lácteos se você for intolerante a lactose. Produtos lácteos são uma boa fonte de proteína e cálcio
  • Evite ou limite o consumo de álcool e cafeína
MEDICAMENTOS

Medicamentos que podem ser usados para reduzir o número de ataques incluem:
  • 5-aminossalicilatos, como mesalamine ou sulfazine
  • Imunomoduladores, como azatioprina, e 6-mercaptopurina
  • Corticosteroides (prednisona e metilprednisolona) tomados por via oral durante uma crise súbita ou utilizados como supositório, espuma ou enema retal
  • Infliximab para tratar de pacientes que não respondem a outros medicamentos
CIRURGIA
A cirurgia para remover o cólon cura a colite ulcerativa e remove a ameaça de câncer de cólon.

A cirurgia é geralmente indicada para pacientes que têm:
  • Colite que não responde à terapia médica completa
  • Alterações no revestimento de seus cólons que são diagnosticadas como pré-cancerosas
  • Complicações graves como ruptura (perfuração) do cólon, hemorragia ou megacólon tóxico
Na maioria das vezes, todo o cólon, inclusive o reto, é removido. Posteriormente, os pacientes podem precisar de uma ileostomia (uma abertura cirúrgica na parede abdominal) ou de um procedimento que conecta o intestino delgado ao ânus para ajudar o paciente a obter um funcionamento mais normal do intestino.

Grupos de apoio

O apoio social frequentemente pode ajudar com o estresse de lidar com a doença, e membros do grupo de apoio também podem ter dicas úteis para encontrar o melhor tratamento e superar a doença.
Para obter mais informações, visite o site da Crohn's and Colitis Foundation of America (CCFA) (em inglês).

Evolução (prognóstico)

Em torno de metade dos pacientes com colite ulcerativa tem sintomas brandos. Os pacientes com colite ulcerativa mais grave tendem a não responder tão bem aos medicamentos.
O controle permanente e completo de sintomas com medicamentos não é comum. A cura só é possível através da remoção completa do intestino grosso.
O risco de câncer de cólon aumenta a cada década depois de a colite ulcerativa ter sido diagnosticada.

Complicações

  • Espondilite anquilosante
  • Coágulos de sangue
  • Câncer colorretal
  • Estreitamento do cólon
  • Complicações da terapia com corticosteroide
  • Crescimento e desenvolvimento sexual debilitados em crianças
  • Inflamação nas articulações (artrite)
  • Lesões nos olhos
  • Doença hepática
  • Hemorragia maciça no cólon
  • Úlceras na boca
  • Pioderma gangrenoso (úlcera de pele)
  • Rasgos ou furos (perfuração) no cólon

Ligando para seu médico

Procure um médico se você desenvolver dor abdominal persistente, hemorragia nova ou aumentada, febre persistente ou outros sintomas de colite ulcerativa.
Procure um médico se você tiver colite ulcerativa e seus sintomas piorarem ou não melhorarem com tratamento ou se aparecerem novos sintomas.

Prevenção

Como a causa é desconhecida, a prevenção também é desconhecida.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem piorar os sintomas.
Devido ao risco de câncer de cólon associado à colite ulcerativa, é recomendável a triagem com colonoscopia.

A American Cancer Society recomenda que você faça sua primeira triagem:
  • Oito anos após você ter sido diagnosticado com doença grave ou quando a maior parte ou todo o intestino grosso estiver envolvido
  • 12 a 15 anos após o diagnóstico, quando somente o lado esquerdo do intestino grosso estiver envolvido
Faça exames de acompanhamento a cada 1 a 2 anos.

Fonte iG

Arte é remédio duplo para o Parkinson

Pintura, dança, fotografia ajudam a tratar os sintomas da doença e também servem de arma contra o preconceito

O remédio é o mesmo. Mas para auxiliar Ligia Nascimento, 30 anos, ele vem em doses de poesia e fotografia. Já para Íris de Souza, 74, o medicamento está nos pincéis, tintas e telas. As duas têm a doença de Parkinson.

No Brasil, estima a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 200 mil pessoas convivem com este problema de saúde de origem ainda incerta, que atrofia os membros e causa imobilidade. Os tremores são os sintomas mais comuns, porém não os únicos. Enrijecimento muscular, movimentos curtos e espasmos estão na lista de sequelas do Parkinson.

A diversidade de consequências que marca a doença também está nas características dos portadores do Parkinson. Um dos exemplos é a faixa-etária, tão distinta entre Lígia e Íris. De fato, jovens, adultos e idosos podem adoecer e não há consenso entre os especialistas sobre quais são as formas eficientes de prevenção (não há relação com tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo, os vilões cativos da maior parte das doenças crônicas).

Tudo isso acaba como entrave para o desenvolvimento, em laboratório, de terapêuticas eficazes. A cura ainda não faz parte das possibilidades apresentadas pelos neurologistas aos pacientes e familiares. Neste cenário, afirmam os médicos, a arte desponta como remédio universal e sem contraindicação.

“Nunca encontramos nada melhor para tratá-los”, afirma Samuel Grossman, presidente da Associação Brasil Parkinson.

“As oficinas artísticas (realizadas todas às quinta-feiras na sede da entidade em São Paulo) trazem nova vida para os pacientes. Seja por meio de dança, pintura, versos, canto ou teatro. Eles, que costumam receber olhares assustados e arregalados por causa dos sintomas da doença passam a ser encarados por olhos admirados pelos trabalhos que são capazes de fazer”, completa Grossman, em meio às palmas após a apresentação de bailarinas, na faixa dos 60 anos, que fizeram a coreografia ao som de “Eu sei que vou te amar”.

Por causa dos tremores do Parkinson e da fraqueza nas pernas, o “corpo de baile” faz a coreografia sentado em cadeiras. Os movimentos são coordenados e em sintonia. A expressão corporal faz com que as limitações passem quase despercebidas.

Dupla função
Henrique Ballalai, neurologista e especialista em Distúrbios de Movimento da Unifesp, afirma que uma das falsas premissas sobre o Parkinson é que, por ser incurável, a doença é uma sentença de isolamento e “inoperância”.

“É possível continuar ativo. É um problema controlável com terapia, medicação e, em alguns casos, cirurgia”, diz o médico.

Por isso, a avaliação dos profissionais de saúde é que os trabalhos artísticos acabam com uma dupla função. Além de servirem como terapia ocupacional, auxiliarem na fisioterapia e estimularem as funções do cérebro – três estratégias fundamentais no tratamento dos portadores – também servem de antídoto ao preconceito, define Lígia Nascimento que descobriu-se poeta, fotógrafa quase simultaneamente à constatação do diagnóstico.

“Tinha 23 anos, acabado de ter a minha segunda filha e comecei com dificuldade de andar e de mexer as mãos. Passei por muitos médicos até um neurologista me dizer que era Parkinson. Quando ele terminou de dizer o nome da doença, eu só pensava que iria morrer em poucos meses”, lembra.

“Meus amigos se afastaram, as pessoas começaram a me olhar estranho, e até com desconfiança das minhas capacidades intelectuais. Não conseguia mais trabalhar na loja de roupas, meu emprego desde sempre”, recorda Ligia.

“Encontrei a Associação Brasil Parkinson e vim para cá procurando encontrar gente como eu e saber como sobreviviam. Descobri nas oficinas que poderia fotografar e até levava jeito para a coisa. Virou hobby, paixão.”

Não foi o único amor artístico. O mais curioso, diz Lígia, é que o primeiro sinal de que alguma coisa estava errada foi percebido enquanto ela assinava um cheque. “Não conseguia escrever meu nome”. E, alguns meses depois, foi com a caneta e o papel que ela encontrou uma forma de driblar o Parkinson.

“Além de fotografar, passei a escrever, fazer poesias. É a minha melhor terapia.”

Traço cubista
Segundo o professor de neurologista da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, Rubens Gagliardi, o aparecimento precoce da doença, como foi o caso de Lígia é raro, e ocorre em menos de 20% dos casos.

“Em geral, a doença atinge principalmente pessoas acima de 60 anos, normalmente com quadro clínico progressivo.”

Mas mesmo para quem encontra a doença com mais idade, não há impedimento para descobrir algum talento artístico, ensina Íris, portadora de Parkinson. Ela sempre foi pintora e, depois de entrar para as estatísticas da doença, passou a ensinar as técnicas a outros pacientes.

“A dedicação deles é impressionante. E os trabalhos que fazem, incríveis”, diz rodeada pelas telas pintadas por seus alunos parkinsonianos e segurando o quadro preferido de sua autoria – feito após o Parkinson.

“Eu sou apaixonada pelo cubismo. E o Parkinson não afetou em nada o meu traço cubista. Continua tudo igual”, diz com orgulho.

Prevenção
Não há evidencias de que a doença seja hereditária ou contagiosa, afirma Gagliardi. As pesquisas apontam que o Parkinson causa a degeneração de células situadas em uma região do cérebro responsáveis pela produção do hormônio dopamina.

A boa notícia é que o Brasil está na vanguarda das pesquisas de tratamentos mais modernos contra a doença. São inúmeros projetos de pesquisas e os que envolvem célula-tronco são os que reúnem as maiores expectativas.

“Ainda é para o futuro, mas já é um norte bem promissor”, evidencia Henrique Ballalai.

A dieta também é muito pesquisada como fórmula preventiva. Especialistas da Escola de Saúde de Harvard afirmaram em um material científico divulgado no início do mês que a alimentação rica em peixes, frutas, vegetais e grãos – em detrimento da carne vermelha e da gordura – está associada a um menor risco do Parkinson.

Enquanto a ciência ainda investiga este problema de saúde – que tende a ser mais frequente com o envelhecimento populacional –, Ligia, Íris e todos os outros artistas da Associação Brasil Parkinson já dizem com certeza que suas fotos, poemas e danças amenizam o problema que não tem cura confirmada, “mas pode trazer mil possibilidades”, define Lígia.

Fonte iG