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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Aids aumenta risco de câncer e outras quatro doenças crônicas

Pesquisas associam diabetes, osteoporose, diabetes e doença renal ao HIV. Ainda não há respostas sobre as causas

José Rayan, 19 anos, pratica exercícios físicos todos os dias, tem alimentação saudável e regrada, anda sempre com camisinha na carteira (e usa sempre que precisa) e, mesmo assim, desperta nos especialistas uma série de dúvidas sobre a segurança de sua saúde.

Portador do vírus HIV desde que nasceu, o jovem não apresenta nenhuma fragilidade no quadro clínico e se prepara para viver até os “100 anos ou mais”.

Mas, no encalço dos medicamentos que trouxeram mais expectativa de vida para os que convivem com a aids – incluindo filhos de soropositivas contaminados no parto (chamada de transmissão vertical, o caso de Rayan) – surgiram efeitos colaterais graves e muitas perguntas ainda sem respostas.

Novas evidências científicas, por exemplo, trouxeram à tona o termo “doenças tardias”. Câncer, problemas cardiovasculares, osteoporose, diabetes e alterações renais são mais recorrentes nos infectados pelo HIV. Até recentemente, a ciência já sabia que as infecções virais (como gripe e tuberculose) eram uma ameaça aos pacientes. Surgem agora os riscos dobrados de doenças crônicas nos portadores do vírus.

“Os desafios são imensos e para muitos não temos respostas claras”, define a infectologista do Hospital 9 de Julho, Sumire Sakabe, uma das maiores estudiosas sobre aids no Brasil.

Olavo Munhoz, pesquisador e consultor técnico do Programa Nacional de Aids, DSTs e Hepatites Virais, complementa com o cerne da dúvida: “não sabemos ainda se as doenças tardias são em decorrência do próprio comportamento do vírus HIV no organismo ou resultantes dos medicamentos usados para controlar a carga viral.”

Dupla missão
Desde os 12 anos, quando descobriu que aquelas vitaminas dadas diariamente pela mãe eram, na verdade, o coquetel antiaids, José Rayan assimilou que poderia ser mais vulnerável a outras doenças.

“Encarei a descoberta do meu diagnóstico como uma mensagem de que teria de me cuidar mais, mas não necessariamente ter uma vida com privações. Acho que este foi o segredo”, conta.

Ele entendeu que a melhor forma de lidar com a aids – resultante de uma infecção em nada relacionada ao seu comportamento sexual de risco – era seguir à risca todos os preceitos para uma boa saúde.

“Nunca quis a carapuça de coitadinho. Tenho uma vida normal e gosto dela”, diz ao avaliar como normais as tardes em Manaus, cidade onde mora, preenchidas por estudos preparatórios para o vestibular de Direito, além de escapadas, aos finais de semana, para dançar e cantar as músicas do Exaltasamba e outros pagodes (seu ritmo preferido).

Pesquisando sobre o assunto, conta, ele definiu duas missões, adotadas na Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com a Aids, instituição que acaba de assumir como presidente.

A primeira é que seria porta-voz da importância do autocuidado e da autosuficiência para os jovens soropositivos.

“Disseminar a ideia de que a presença do HIV não anula os sonhos, deveres e direitos”, diz.

Ao mesmo tempo, Rayan sabia que era preciso levantar a bandeira do uso do preservativo para a toda a população mais nova, já que ninguém quer que o grupo de infectados aumente.

Os especialistas endossam essa segunda preocupação. De cada 10 casos novos registrados em 2011, um acometeu a parcela entre 15 e 24 anos, conforme levantamento do iG Saúde feito no último boletim epidemiológico nacional (1.401 notificações das 14.528 totais).

Os estudiosos alertam que, junto com os medicamentos mais potentes, nasceu na nova geração a falsa sensação de que é possível perder o medo da aids, já que ela é controlável. Este grupo etário, em especial as meninas, está entre os mais resistentes em usar a proteção contra doenças no ato sexual.

Com o agravante de que todas estas informações sobre as reações adversas dos remédios relacionadas às doenças crônicas são muito recentes e, provavelmente, não consideradas por quem acha aceitável não temer a aids.

“Algumas combinações de medicações alteram o colesterol dos soropositivos, o que nos deixa com uma bomba-relógio nas mãos”, destaca Sumire Sakabe.

“Sabemos que o coração dos pacientes pode ser afetado duplamente (pelo HIV e também pelo colesterol mais alto). Mas todas estas reações em cadeia passaram a ser discutidas com mais ênfase só agora nas reuniões acadêmicas, é tudo muito novo”.

Prevenção
Se os estudiosos ainda não conseguem saber ao certo a razão para os soropositivos apresentarem risco até três vezes maior para ter câncer (conforme estudo publicado no Lancet Oncology); se as razões ainda são incertas para os que convivem com HIV terem 50% mais incidência de diabetes e 26% mais chance de infarto (indicou alerta publicado no Arquivo Brasileiro de Cardiologia); se não há uma explicação certa para que eles vivam sob maior probabilidade de ter osteoporose e alterações nos rins (ressaltou o achado do Jounal of Endocrinology & Metabolism), é consenso quais posturas dificultam estas probabilidades.

Olavo Munhoz destaca, primeiro, o diagnóstico precoce. No Brasil, 114 milhões de brasileiros nunca fizeram o teste para saber se são ou não portadores do vírus. A estimativa é que 65% das pessoas que ficam sabendo ter aids só descobrem porque alguma doença oportunista as levou ao médico.

“Quanto mais complicações de saúde o paciente tiver, mais difícil é encontrar a terapêutica adequada para ele, com menos efeitos colaterais possíveis”, diz Munhoz.

Depois de descoberta a presença do vírus HIV, disciplina é a chave para uma vida praticamente normal e longe dos riscos, alerta Rodrigo Zilli, pediatra do Programa Nacional de DST e Aids.

“Tomar os medicamentos sempre nos horários certos, não consumir álcool, não fumar, ter uma vida regrada são as fórmulas mais eficazes de evitar problemas”, afirma Zilli.

“São estratégias que amenizam a toxicidade dos medicamentos e sabemos que, especialmente em uma fase jovem, uma das marcas do adolescente é querer firmar a sua identidade, por meio da revolta”, complementa o pediatra.

“Neste sentido, é preciso ficar atento para que ele não se rebele contra o seu tratamento, por cansaço, desânimo. Este é um problema mundial que exige empenho de toda a rede que trata os soropositivos.”

José Rayan nunca se revoltou contra aquelas vitaminas que o permitiram chegar até a fase adulta, com muita convicção de um futuro melhor. “Faço planos, tenho mil ideias”, diz.

Fonte iG

Duas palavras podem ajudar a resistir à tentação de comer?

Autocontrole: segundo estudo, tudo é uma questão de como você diz não à tentação
Estudo feito nos EUA diz que a maneira como dizemos não diante de um alimento influencia nossa capacidade de resistir a ele

Quando se trata de perda de peso, as palavras que você escolhe quando recusa algo saboroso podem fazer diferença sobre a sua capacidade de resistir à tentação, sugere um pequeno estudo feito por duas universidades norte-americanas.

Por exemplo: diante do oferecimento de uma fatia de torta, responder com as palavras “Não quero” em vez de “Não posso” aumenta a probabilidade de você se manter dentro da sua dieta.

“Qualquer que seja o seu ponto fraco em termos de comida, a ajuda está a apenas duas palavras de distância”, afirmaram os coautores do estudo Vanessa Patrick e Henrik Hagtvedt.

“Esta visão é baseada na noção de que dizer ‘não posso’ à tentação sinaliza a inerente privação e a perda de algo desejado”, explicaram os pesquisadores das universidades de Houston e Boston (EUA).

Por outro lado, disseram eles, a estratégia do ‘não quero’ mostra um senso de determinação e poder sobre a própria vontade.

Na condução do estudo, os pesquisadores distribuiram 30 mulheres em três grupos e as acompanharam por 10 dias. Cada grupo recebeu uma única estratégia de recusa de alimentos: ‘não quero’, ‘não posso’ e apenas ‘não’.

O estudo, publicado online no Journal of Consumer Research, revelou que a estratégia do ‘não quero’ aumentou a sensação de controle, autonomia e autoconsciência nas mulheres que a usaram. Esta estratégia também criou uma mudança positiva no comportamento delas em longo prazo, tais como dedicação renovada para perder peso.

“O que é incrível sobre esta pesquisa é que ele sugere uma estratégia simples, direta e fácil de implementar. E o mais importante ... ela pode funcionar”, concluíram os autores do estudo.

Fonte iG

Estilo de vida pesa sobre fertilidade

Fertilidade: estilo de vida do casal tem mais influência do que genética
Especialistas afirmam que hábitos pouco saudáveis interferem mais na fertilidade de um casal do que a genética

As salas de espera das clínicas de reprodução assistida estão cada vez mais cheias. E, mais do que problemas genéticos, especialistas são unânimes em apontar que os principais responsáveis pelo aumento da infertilidade dos casais são os fatores ambientais - como a exposição à poluição e aos agrotóxicos - e o estilo de vida nada saudável das grandes cidades.

“Desde que comecei nesta área, há 30 anos, a procura por especialistas cresce gradativamente”, afirma o ginecologista Dirceu Henrique Mendes Pereira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Para ele, a parcela genética na infertilidade contribui bem menos que o estilo de vida.

Um casal é considerado infértil quando não consegue conceber depois de um ano seguido de tentativas. Segundo especialistas, em 40% das vezes a causa está no homem; em 40%, na mulher; e em 20%, nos dois. “Antigamente, a infertilidade sempre era considerada feminina. Hoje o homem também é investigado e se sabe que ele é responsável por metade dos casos”, diz o ginecologista Flávio Garcia de Oliveira, da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

Para o médico Gustavo Kröger, da Clínica Genics Medicina Reprodutiva e Genômica, os homens estão um pouco mais vulneráveis a fatores ambientais que a mulher. “Os homens produzem espermatozoides continuamente, enquanto as mulheres já nascem com os óvulos prontos.” Recentemente, pesquisa da Universidade Estadual de Nova York concluiu que o uso de laptops no colo pode levar à infertilidade masculina, por elevar a temperatura do testículo, impossibilitando a produção adequada dessas células.

Pereira enfatiza que os alimentos são essenciais para o sucesso na reprodução. “Alimentação com muita gordura saturada e carboidratos e carente de frutas e verduras resulta no que chamaria de metabolismo inflamatório, responsável pelo declínio da fertilidade.”

O urologista Renato Fraietta, coordenador do Setor Integrado de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não vê relação direta entre os alimentos e a infertilidade. “É mais comprovada a ação de drogas e medicamentos e, ainda, estilos de vida.” Ele explica que há uma associação entre infertilidade e tabagismo, uso de anabolizantes, obesidade, maconha, cocaína e alguns medicamentos como anti-hipertensivos, antidepressivos, antibióticos e quimioterápicos.

Fonte Delas

Exercícios: excesso pode atrasar a gravidez em alguns casos

Exercícios: o excesso pode prejudicar a fertilidade de mulheres com peso normal
Para quem não está acima do peso, pesquisadores sugerem moderação na prática de atividades aeróbicas

O exercício é uma vantagem para as mulheres que estão tentando engravidar, mas exagerar na malhação pode tornar a concepção mais difícil para mulheres de peso normal – o mesmo não se aplicaria às que estão obesas ou com sobrepeso, apontam pesquisadores.

Considerados fatores de risco para a maioria dos problemas de saúde, o sobrepeso e a obesidade não prejudicaram a fertilidade de mulheres que se engajaram na prática vigorosa de exercícios físicos – corrida, ciclismo e aeróbica. No entanto, mulheres com peso saudável que realizaram exercícios mais intensos foram mais propensas a demorar para engravidar.

O estudo foi conduzido por pesquisadores americanos e dinamarqueses que avaliaram a prática de atividade física e a fertilidade em milhares de mulheres dinamarquesas.

Embora a atividade física moderada tenha sido associada a um pequeno aumento nas taxas de fertilidade entre todas as mulheres, Lauren Wise, autora do estudo e professora-associada de epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Boston (EUAA), afirmou: “Nosso estudo descobriu que os níveis mais elevados de exercício vigoroso foram associados a menores taxas de fertilidade em mulheres com peso normal, mas o mesmo não ocorreu com as que tinham sobrepeso ou eram obesas.”

Segundo Wise, os resultados sugerem que a atividade física de qualquer tipo pode melhorar a fertilidade entre as mulheres mais pesadas. Quanto às suas homólogas de peso normal que querem melhorar as próprias chances de gravidez, a pesquisadora sugere moderação nos exercícios.

Estudos feitos com atletas de competição já apontaram que exercícios intensos podem perturbar os ciclos menstruais, levar à cessação da ovulação e até mesmo à ausência de mesntruação. Exercícios de alta intensidade, acrescentou Wise, também podem prejudicar a implantação quando um óvulo fertilizado na parede do útero.

Os pesquisadores do estudo observacional recrutaram através da internet 3.628 mulheres com idades variando de 18 a 40 anos. Elas precisavam estar em relações estáveis com parceiros do sexo masculino e planejando engravidar, mas não envolvidas em tratamentos de fertilidade.

Por meio de questionários, os pesquisadores coletaram informações sobre peso, altura, história reprodutiva e médica, além de estilo de vida e detalhes de comportamento. Em seguida, enviaram questionários de acompanhamento por e-mail a cada dois meses por um ano ou até que a participante engravidasse.

No início do estudo, as mulheres foram perguntadas sobre o número médio de horas que malhavam por semana e sobre que tipos atividade física de moderada ou vigorosa faziam. Corrida, ciclismo, aeróbica, ginástica e natação foram consideradas atividades vigorosas. Caminhada rápida, ciclismo de lazer, golfe e jardinagem foram definidas como moderadas.

As participantes foram categorizadas por seus níveis de exercício e os resultados foram avaliados de acordo com índice de massa corporal (IMC) – o IMC acima de 25 é considerado sobrepeso ou obesidade.

Enquanto a atividade física moderada foi ligada a engravidar mais rápido em todas as faixas de IMC, os pesquisadores descobriram que havia uma “associação inversa” entre a atividade física vigorosa e o tempo levado para engravidar nas mulheres com peso normal (IMC inferior a 25). Em mulheres com sobrepeso ou obesos, não havia nenhuma ligação entre o exercício vigoroso e tempo maior para engravidar.

Os resultados do estudo, que não comprovam uma relação de causa e efeito, foram publicados na edição de março da revista Fertility and Sterility.

Wise observou que em outras pesquisas, o sobrepeso e a obesidade têm sido associadas a menores taxas de fertilidade em comparação com mulheres com peso normal. A obesidade tem também sido associada com perturbações do ciclo menstrual. Ela disse que o aumento da atividade física neste estudo pode reverter os efeitos nocivos da obesidade e melhorar as taxas de fertilidade das mulheres com sobrepeso em geral.

Dimitrios Mastrogiannis, diretor da divisão de medicina materno-fetal e professor-associado de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas da Temple University, na Filadélfia (EUA), disse: “A obesidade é outro jogo, bem distinto. Diferentes hormônios atuam na obesidade – tecido gorduroso produz mais hormônios femininos, mais estrogênio. Além disso, outros hormônios são transformados em hormônios femininos no tecido adiposo”. A pesquisa não sugere engordar para engravidar, ou parar completamente de fazer atividades físicas, aponta ele.

“O exercícios são ótimos. Estão ligados a menos índices de doença cardiovascular, câncer e diabetes”, disse Mastrogiannis, lembrando que a prática também está ligada a gestações melhores, partos mais fáceis, menos dor e menos partos induzidos. O que os resultados sugerem é: mulheres de peso normal que desejam engravidar devem moderar a prática de atividades aeróbicas.”

Fonte Delas

STF libera o aborto de fetos anencéfalos no Brasil


Oito ministros votaram a favor da descriminalização da interrupção da gravidez em caso de anencefalia; dois ministros foram contra

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a mulher tem direito a escolher interromper gestação de feto anencéfalo. A decisão foi tomada pelo placar de 8 votos a favor contra 2 desfavoráveis à ação movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que defende a interrupção da gravidez nesses casos.

Os oito ministros favoráveis acompanharam a tese do relator, Marco Aurélio Mello, que entende que a mulher que optar pelo fim da gestação de bebê anencéfalo (sem cérebro) pode fazê-lo sem ser tipificado como aborto ilegal.

Até então, a legislação permite o aborto somente em caso de estupro ou risco à saúde da grávida. Fora dessas situações, a mulher pode ser condenada de um a três anos de prisão e o médico, de um a quatro anos. Nos últimos anos, mulheres tiveram de recorrer a ordens judiciais para interromper esse tipo de gestação.

Além do relator Marco Aurélio Mello, votaram a favor os ministros Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Brito, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Os contrários foram Ricardo Lewandowski e Cézar Peluso que alegaram que a permissão nesses casos poderia servir para a interrupção de gestações de fetos com outras doenças com poucas chances de sobrevivência.

Votos da quinta-feira
O primeiro voto do dia foi do ministro Carlos Ayres Britto, que defendeu que não se pode falar em aborto de anencéfalo porque o que as mulheres carregam no ventre, nesses casos, é um natimorto cerebral, sem qualquer expectativa de vida extrauterina. “Dar à luz é dar a vida, e não a morte”, afirmou, acrescentando que se os homens engravidassem, a interrupção da gravidez de anencéfalos “estaria autorizada desde sempre”.

O ministro salientou que nenhuma mulher será obrigada a interromper a gravidez se estiver gerando um feto anencéfalo mas, não se pode levar às últimas consequências esse martírio contra a vontade da mulher, pois isso corresponde à tortura, ao tratamento cruel.

Na sequência votou Gilmar Mendes. Ele lembrou que desde 1940 (com a edição do Código Penal), a sociedade brasileira convive com a descriminalização do aborto em casos de estupro e de risco à saúde da mãe. Por isso, em sua opinião, a possibilidade de aborto de fetos anencéfalos está autorizada desde então, tendo em vista que, comprovadamente, gestação nesses casos traz graves riscos à saúde da gestante.

“O aborto de fetos anencéfalos está certamente compreendido, parece-me, entre as duas excludentes da ilicitude, já previstas no Código Penal. Todavia, era inimaginável para o legislador de 1940 prever essa circunstância, em razão das próprias limitações tecnológicas existentes”, afirmou.

O ministro Antonio Dias Toffoli se declarou impedido de votar, porque quando era advogado-geral da União (AGU) posicionou-se favorável à interrupção. Por isso, dos 11 ministros, somente dez participam do julgamento. O tema polêmico estava no STF há quase oito anos. O julgamento teve início nessa quarta-feira.

Clima
O segundo dia de julgamento foi de traquilidade nos arredores do Supremo. A vigília de religiosos contrários ao aborto de anencéfalos, que começou na terça-feira, praticamente se dissipou durante o dia de hoje. Do protesto, que até ontem reuniu católicos, evangélicos e espíritas na Praça dos Três Poderes, restaram apenas algumas poucas faixas, penduradas sobre a grade de ferro em torno do prédio principal do Supremo Tribunal Federal.

No fim desta tarde, com o julgamente praticamente definido, o único manifestante apoiado sobre a cerca era o professor Arael Magnus, de 61 anos. "Vim protestar e vou continuar protestando contra este genocídio localizado", afirma Magnus, que ostentava uma folha de papel onde se lia: "Aborto: Ainda bem que sua mãe não pensou nisso". "A decisão do Supremo não altera em nada, porque esta é uma manifestação conceitual. A vida é um bem divino, e só com a intervenção divina ela pode ser interrompida", concluiu.

Histórico
Em 2004, o relator da ação, ministro Marco Aurélio concedeu uma liminar autorizando a antecipação do parto para gestantes que assim decidissem, quando a anencefalia fosse identificada por meio de laudo médico. À época, o ministro afirmou ainda que, “diante de uma deformação irreversível do feto, há de se lançar mão dos avanços médicos tecnológicos, postos à disposição da humanidade não para simples inserção, no dia a dia, de sentimentos mórbidos, mas, justamente, para fazê-los cessar”.

Pouco mais de três meses depois, o Plenário do STF decidiu, por maioria de votos, cassar a liminar concedida pelo relator. A discussão, bastante controversa, foi tema de audiência pública no STF. Foram ouvidas 25 diferentes instituições, além de ministros de Estado e cientistas, entre outros, cujos argumentos servem de subsídio para a análise do caso por parte dos ministros do STF.

Fonte iG